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Categoria: Padre José Kentenich

Uma visita a Gymnich, local de nascimento do Padre Kentenich

Ir. M. Isabel Machado – Hoje, 16 de novembro, recordamos 140 anos do nascimento do Fundador do Movimento de Schoenstatt, Padre José Kentenich, em Gymnich/Alemanha.

Em Gymnich! Um pequeno povoado, na época com 1901 habitantes, composto de pessoas na maioria muito pobres: artesãos ou agricultores, onde todos conheciam todos. Mas será essa informação realmente importante, quando falamos da vida do Padre Kentenich?

O lugar de nascimento de uma pessoa é muito mais do que um simples dado pessoal citado no seu documento de identidade. Por exemplo, a Igreja têm o costume de ligar o nome dos Santos, em vários casos, com o seus lugares de nascimento: Francisco de ASSIS; Teresa de ÁVILA, Ignácio de LOYOLA. Francisco, Teresa e Ignácio foram marcados por tais lugares concretos e estes, por sua vez, devem seu significado e “fama” a estes santos. Não podemos esquecer ainda de Jesus e Maria de NAZARÉ. “O da encarnação de nossa fé exige essa localização do espaço e no tempo!” (Pe. Angel Strada – no aniversário de 120 anos do nascimento do Pe. Kentenich).

A Casa dos Avós

O dia do nascimento do Padre Kentenich quer ser um convite para que nós visitemos “espiritualmente” seu lugar de nascimento em Gymnich! Sabemos que José, quando menino, viveu na casa de seus avós, uma pequena propriedade que adquiriram logo após seu casamento. Aqui José viveu até pouco mais de 8 anos de idade, cercado pela bondade e religiosidade de seus avós; pelas “aventuras” com a prima Henriqueta e principalmente pela ternura de sua mãe Katharina, uma mulher lutadora, serviçal, econômica, modesta, profundamente religiosa e que amava muito a sua família. “Minha mãe era uma mulher muito fina e santa”, expressou Padre Kentenich durante uma conversa.

Nesse ambiente José aprendeu a ler cedo e se experimentou acolhido e amado de tal modo que sua disposição de caráter, sua força de vontade, a busca interior pela liberdade e o amor à verdade puderam se desenvolver de forma livre e original.

 

É muito impactante conhecer a casa onde viveu o pequeno José Kentenich. Mas muito mais impactante ainda é conhecer o lugar onde ele nasceu: no sótão, uma pequena sala transformado em quarto para a jovem mãe que esperava seu filho. Nesse lugar sua mãe enfrentou o próprio medo e angústia – isso a levou a consagrar pela primeira vez seu filho, ainda no seu ventre, aos cuidados de Nossa Senhora.

Uma cama e uma pequena cestinha transformada em berço (apesar de não serem os originais daquela época, mas reconstruções) nos ajudam a perceber a pobreza e simplicidade que vivia essa família.

A infância e juventude do Padre Kentenich foram marcadas por grandes dificuldades familiares, dor, separação e solidão, que com certeza marcaram sua vida. Porém, ele não deixou-se “definir” por essas dificuldades. Sua profunda experiência mariana, na qual experimenta Maria como o “equilíbrio do universo” e de sua própria vida, como Mãe e Educadora o formou e abriu seu coração para a fé inabalável na Providência de Deus, tornando-o, além de um grande Fundador, Pai e Educador de muitas almas.

Por isso, ao visitarmos este lugar, somos convidados a refletir sobre a nossa própria origem e vida. Também nós trazemos em nossa história o lugar de nosso nascimento e o “ambiente” no qual vivemos. Pais, irmãos, avós, familiares, vizinhos! Podemos dizer: “nossos anos ocultos!”. Padre Kentenich nos convida hoje, de modo especial, a olhar nossa vida com os “óculos da Providência divina”. Paremos um pouco para refletir: situações familiares, “pesos” familiares, sentimentos feridos… que marcas eles deixaram em minha vida? Como convivo com essas “marcas”? Consigo encontrar nessas “marcas” – ou talvez feridas – o amor e o plano de Deus para minha vida? E o que fazemos com tudo isso? Não podemos mudar o que não aceitamos ou nos fere em nossa vida, mas podemos aprender a encontrar a Deus naquilo que nos fere e deixou marcas! Não se trata de um “passe de mágica” – e nem deve ser! Mas um caminho que nos ajuda a uma relação e entrega muito mais pessoal e íntima com o “Deus da vida”!

 

Jardim da casa

No pequeno jardim atrás da casa há uma ermida que foi inaugurada no ano de 2007: um quadro em relevo da Mãe, Rainha e Vencedora três vezes Admirável de Schoenstatt e um símbolo na parte inferior de uma coluna de pedra. Este símbolo representa uma mão acolhedora sobre a qual repousa uma criança recém-nascida. Quer expressar a mão de Deus Pai, que dirigiu e guiou a vida do Padre Kentenich, a mão de sua mãe Katharina, que aceitou e acolheu esta criança em circunstâncias difíceis. Mas representa também a nossa mão, que é chamada a aceitar e afirmar cada vida, inclusive a nossa, especialmente quando ela precisa de proteção e ajuda, para que possa se desenvolver.

 

Igreja Matriz

Do ambiente do pequeno José fazia parte a Igreja Matriz de St. Kunibertus. Ali a família se reunia na celebração da Eucaristia, para a oração pessoal. Aqui também ele foi batizado no dia 19 de novembro e a pia batismal que hoje encontramos na Igreja é a mesma do seu Batismo. Aqui ainda se encontra – original – a escada e o púlpito no qual o pequeno José, com quase seis anos de idade, subia três degraus acima dos seus amiguinhos de jogos e dizia de forma muito séria: “Quando eu crescer serei Sacerdote e depois farei assim: devotos ouvintes…. Amém! O que vem no meio ainda não sei. Tenho que aprender primeiro!” Certamente nesse momento ninguém imaginava que seu sonho infantil de vocação se tornaria realidade um dia e que José, como Pe. José Kentenich, introduziria seus sermões até alta idade com as palavras “devotos ouvintes”!

 

 

 

   

                                Pia batismal

 

 

E a visita pode continuar…. Há muito que ver e refletir aqui na pequena Gymnich…. Uma visita que pode ser aprofundada, principalmente com a leitura do Livro “Os Anos ocultos!” [1]

Padre Kentenich foi uma pessoa que trazia em seu coração o anseio profundo de liberdade. Uma liberdade que era muito maior do que a falta de algemas ou grades exteriores: uma liberdade que visava o interior; que buscava o homem livre por dentro: a liberdade dos filhos de Deus. Nesta “visita a Gymnich” ele pergunta a cada um de nós: você também deseja ser livre? Procure na sua história pessoal a presença de Deus. Em todos os acontecimentos. E não descanse até não ter descoberto nos acontecimentos: bons ou maus, alegres ou tristes e até no pecado – o amor pessoal de Deus.

Esta é uma visita que vale a pena – e pode transformar a sua vida!

 

[1] Livro: Os Anos Ocultos – Padre José Kentenich: Infância e Juventude (1885-1910). Dorthea M. Schlickmann. Sociedade Mãe e Rainha, Santa Maria/RS, 2008

Fonte: schoenstatt.org.br

27 de outubro – 113 anos do Documento de Pré-Fundação

 

Sra. Ana Christina Melquiades – Hoje, 27 de outubro, recordamos que há 113 anos nosso Pai e Fundador, Padre josé Kentenich, se apresentou aos seminaristas em Schoenstatt como o novo Diretor Espiritual do seminário. A conferência que fez naquele dia entrou para a história de Schoenstatt como o Documento de pré-fundação.

– Documento de Pré Fundação (tradução portuguesa)

 

O que esta conferência tem a nos dizer hoje?

Nosso Pai e Fundador nos convida a cruzarmos o tempo de hoje e responder a Deus e à humanidade de maneira concreta aos desafios que a vida nos exige, por isso, “o ouvido no coração de Deus e a mão no pulso do tempo”. Este lema nos indica qual o nosso caminho, qual a atitude fundamental para viver o hoje, neste tempo de desafios sociais que enfrentamos. De guerras, de confusão e insegurança. Enfim, o tempo que Deus nos permite viver. Nosso Pai e Fundador experimentou plenamente esta atitude em todos os momentos de sua vida e foi esta atitude que o fez um grande profeta para o nosso tempo.

Se ele estivesse vivo hoje, no ano de 2025, com toda certeza repetiria novamente as palavras proferidas no ano de 1912, no Documento de Pré-Fundação de Schoenstatt, 112 anos atrás: “Sob a proteção de Maria queremos aprender a educar-nos a nós mesmos para sermos personalidades firmes, livres e sacerdotais (apostólicas)”…”A realização e o exercício desta meta vão ocupar-nos durante todo o ano”.

Uma mensagem sempre atual

O Documento de Pré-Fundação nos aponta uma a atitude fundamental da espiritualidade de Schoenstatt: a Fé Prática na Divina Providência. Configurar nossa vida sob o olhar de Deus, do Deus que cuida de nós, que olha para seus filhos com amor, que tem um plano individual para cada um. Respondemos a isso por meio do esforço de poder entender e realizar sua santa vontade, como santos modernos, assim expresso no programa de 1912.

Por isso, ele continua nos dizendo, “queremos educar-nos, a nós mesmos, para sermos personalidades firmes e livres”, porque somente desta forma poderemos compreender e reagir positivamente às consequências que a pandemia nos traz. Consequências que aos olhos puramente humanos nos indicam somente pontos negativos: isolamento social, desemprego, mortes, fake news, violência, corrupção. Somente uma personalidade totalmente enraizada em Deus, com uma vinculação interior livre, firme e com grandes ideais, será capaz de ver em tudo isso a mão amorosa de Deus que conduz a história.

 

 

 

A liberdade pela autoeducação

Nosso Pai e Fundador com toda certeza repetiria estas palavras hoje em 2025: “Estão os nossos povos cultos e civilizados suficientemente preparados e maduros para fazer uso correto dos enormes progressos da época moderna em todos os domínios exteriores? […]. O nosso domínio sobre os dons e as forças exteriores da natureza não andou a par e passo com o domínio das forças instintivas do nosso coração humano. Esta discrepância tremenda, esta brecha incomensurável torna-se cada vez maior e mais profunda – e, se não se conseguir, muito em breve, com toda a força, mudar a situação, encontrar-nos-emos perante o fantasma da questão social, da falência da sociedade. Em vez de dominarmos as nossas conquistas, tornamo-nos seus escravos; tornamo-nos escravos também das nossas próprias paixões”.

Percebemos como o ser humano está refém de seus próprios atos, de seus desejos de poder, de domínio, que vai além das suas capacidades e de seus direitos. O desejo de Lúcifer de ser como Deus levou a humanidade à ruína. Foi através desta atitude que o mal e o pecado entraram no mundo – e vemos como essa mesma atitude ainda permeia o coração humano. Autoeducação, controle de nossas próprias paixões e vontades, a canalização de nossas forças para o que é bom e magnânimo é o que nos propõe nosso Pai e Fundador para alcançar a vinculação harmoniosa entre a natureza e a graça.

 

 

Fazemos a diferença pela riqueza interior

Deus possui o controle dos acontecimentos do mundo. Por trás de todos os acontecimentos está à mão amorosa de Deus que deseja que seus filhos retornem ao seu coração.

Nossa grande tarefa neste tempo: amar a vontade de Deus, mesmo quando não entendemos, mesmo quando não conseguimos vê-lo, nossa fé e confiança devem sobrepassar os sentidos humanos. A Fé Prática na Divina Providência é a chave que deve abrir nossos corações neste tempo. Ela deve nos inspirar a confiança e coragem para enfrentar os desafios que este tempo nos impõe.

“É o que exige o nosso ideal e o ímpeto do nosso coração, é o que exige a nossa sociedade, é o que exigem sobretudo as pessoas, nomeadamente aquelas com as quais vamos encontrar mais tarde na nossa futura atividade. Como sacerdotes temos mais tarde que exercer uma influência profunda e duradora sobre o nosso ambiente. E, em última análise, não o fazemos pelo brilho dos nossos conhecimentos, mas sim pela força, pela riqueza interior da nossa personalidade”.

Sob a proteção de Maria queremos seguir, experimentando em nosso mundo interior a vinculação harmoniosa entre a natureza e a graça, para poder entender, à luz da fé, todos os acontecimentos do mundo. Deus Pai de amor tem um plano para cada um de nós seus filhos. Basta cultivar a consciência e a atitude de que somos filhos amados do Pai, que temos uma Mãe que olha por nós. O sentir-se plenamente amado é a principal atitude para chegarmos a ser verdadeiros filhos heroicos, livres, firmes e apostólicos hoje.

 

 

Fonte: schoenstatt.org.br

10 frases do Pe. Kentenich sobre o Rosário

 

“O mês do rosário e a festa do rosário querem estimular-nos para aumentar o ‘exército’ dos que rezam o terço. De um lado para superar as dificuldades da vida prática de cada dia e, de outro, para encontrar com segurança o caminho rumo ao céu” (Pe. José Kentenich).

No dia dedicado a Nossa Senhora do Rosário, 7 de outubro, confira abaixo algumas reflexões do Pe. José Kentenich, fundador de Schoenstatt, sobre esta oração:

 

1. Poderíamos usar também o rosário para vincular-nos, sempre mais profunda e intimamente, ao Santuário.

 

2. Pelo fato de sermos uma família de Schoenstatt, assumimos em certo sentido – não obrigados sob pecado – a obrigação: nenhum dia sem rosário, o breviário de família . Não me deito sem ter rezado o meu breviário. […] O rosário é o nosso breviário familiar, o breviário para uma família que considera o Santuário o centro de sua vida.

 

3. O rosário é nossa armadura de batalha, sim, realmente a nossa armadura de batalha e de luta… Vejam o valor do rosário. De fato é uma armadura! Com esta também nós ganharemos qualquer batalha, só é preciso rezá-lo.

 

4. O rosário é a nossa chave para a porta do Céu, é a nossa felicidade aqui na terra!

 

5. O rosário deve tornar-se a armadura, também para a nossa Família de Schoenstatt. Quando falamos na última vez disso, usei uma palavra do Apóstolo Paulo que dizia: devemos ser verdadeiros lutadores e para isso precisamos vestir a armadura de Deus […]: o rosário é o nosso equipamento para as batalhas e lutas. O rosário é capacete em primeiro lugar, é couraça em segundo lugar e é também escudo.

 

6. [O rosário] é a oração dos grandes pensadores, em segundo lugar é a oração dos grandes lutadores e, em terceiro lugar, é a oração dos destemidos vencedores. […] O rosário é a oração dos grandes espíritos e não dos espíritos pequenos!

 

7. Os orantes do rosário são uma grande potência no tempo atual, para a glória de Deus e da querida Mãe de Deus… Seja uma simples vovozinha, sejam os nossos filhos ou quem for… Os que rezam o Terço, são uma grande potência. Deste modo nós somos uma grande potência.

 

8. Cada vez que rezamos o rosário, erguemos um muro ao redor do nosso Santuário e oferecemo-nos, como instrumentos, à Mãe de Deus. Eis que aqui estou, eu Te dou o meu coração, meu coração a Ti pertence!

 

9. O rosário nos fornece os meios para travarmos e co-decidirmos, também na política atual, as grandes batalhas.

 

10. Através do rosário, ou melhor, através de um profundo e ardoroso amor à Mãe de Deus, um amor prático à Maria, como o expressa o rosário, garantimos, de um modo singular, a nossa eterna bem-aventurança. Tudo isso é suficiente para realçarmos o mês de outubro como mês do rosário.

 

Fonte das frases:
Pe. José Kentenich. O Rosário. Palestras sobre o Rosário para Famílias da cidade norte-americana de Madison no ano de 1953. Homilia sobre o Rosário para a comunidade eclesial dos imigrantes alemães da cidade norte-americana de Milwaukee no ano de 1964.

Publicado em: schoenstatt.org.br

 

A Missa Diária do Padre Kentenich

Foto: Arquivo

Pe. Kentenich apreciava a Santa Missa como a mais preciosa fonte de luz e de forças diariamente.

Ir. M. Nilza P. da Silva – Neste dia em que celebramos 115 anos da primeira santa missa presidida pelo Pe. José Kentenich, reflitamos o que era a santa missa para ele. Ele a chamava “ato supremo” da fidelidade, a hora em que nós – carregados de culpa – com e em Jesus vamos ao Pai. “Mas também com Mãe” – disse ele em 1928, com especial ênfase; pois “a santa Missa é a renovação do Sacrifício do Gólgota; e, como sabemos, ao lado do homem das dores estava, de pé, a Mãe de Deus”.

A celebração da santa nissa era para o Pe. Kentenich o ponto culminante do dia. Quem participava de sua santa Missa percebia claramente como ele se concentrava no essencial. Deus estava com ele; e ele, com Deus!

O quanto apreciava a santa Missa, demonstra-o também o fato de, muitas vezes, adiar importantes decisões para a manha seguinte, após a santa Missa , como o fez também com a difícil decisão do dia 20 de janeiro de 1942, na prisão de Coblença.
Nas viagens, permanecia longas horas em jejum para, mais tarde, poder celebrar a Missa. – Outrora, vigorava rigorosamente como exigência o jejum eucarístico a partir da meia-noite. E isto tanto para os sacerdotes como para os leigos.

Um de sue confrades, de Milwaukee, conta: “Mesmo que todos nós estivéssemos gripados e o Pe. Kentenich também tivesse que lutar contra a gripe, nunca, nem um dia sequer, alterou o horário de levantar. Como sempre, encontrava-se cada manhã pontualmente, à hora certa, diante do altar, para a celebração Eucarística, embora percebia-se que ele não estava bem de saúde”.

Mesmo com a idade de oitenta e mais anos, Pe. Kentenich fazia sempre sua genuflexão diante do Santíssimo Sacramento, com grande devoção, até o chão, embora isto certamente lhe causasse dores físicas.

Alguém que o observou, escreve:
“Quando o Pe. Kentenich se encontrava diante do altar, parecia estar num outro mundo. Seus gestos eram cheios de alma. Ao volver-se para o povo, muitas vezes fechava os olhos.Tinha-se a impressão de que, em espírito, via a todos que se incluíam em sua santa Missa.”

Leia mais sobre Pe. Kentenich e a santa missa

Veja um vídeo síntese de uma santa missa presidida por ele

8 de julho: 115 anos de ordenação sacerdotal do Padre José Kentenich

 

Ir. M. Rosequiel Fávero – Recordamos hoje 115 anos da ordenação sacerdotal do Pe. José Kentenich, fundador do Movimento Apostólico de Schoenstatt. Vivemos esta data em tempos agitados no mundo com guerras e disputas. Com grande desafios para a Igreja e para a Família de Schoenstatt. Crentes no que Deus nos presenteou nesse mais de um século de Aliança de Amor, continuamos a olhar gratos e confiantes para o instrumento que Deus escolheu e educou para trazer a Família de Schoenstatt à vida.

 

Como poderíamos caracterizar o Pe. Kentenich?

Pe. Engelbert Monnerjam (1922-1997), do Instituto dos Padres de Schoenstatt e primeiro postulador da Causa de Canonização do Pai e Fundador, foi um grande conhecedor do Pe. Kentenich, além de um discípulo fiel. Na introdução da biografia ‘Uma vida pela Igreja’, por ele escrita, caracterizou assim o Pe. Kentenich:

“Uma afirmação que permite visualizar um traço essencial da figura do Pe. Kentenich é: “homem da Igreja”. Foi “homem da Igreja” por ser sacerdote. Durante toda a sua vida considerou a ordenação sacerdotal, recebida no dia 8 de julho de 1910, com um radicalismo irrevogável, como entrega total a serviço de Cristo e assim, a serviço da Igreja. A Igreja foi o seu grande amor. Por isso, em sua vida e em sua atuação como sacerdote, deu a máxima importância não só à sua vontade e à sua obra, mas à vontade e à obra de Deus, o que vale dizer, à obra da Igreja. Porém, em seu caso, a caracterização como “homem da Igreja” tinha ainda um sentido próprio e profundo. Ele deveria não só estar a serviço da Igreja, mas ainda deveria desempenhar na Igreja uma missão especial a ele confiada pelo próprio Deus. Esta missão consistiu na fundação de suas comunidades. Deveria enriquecer e fecundar a Igreja com novas comunidades” (Uma vida pela Igreja, p. 17)

Dilexit Ecclesiam quis nosso Pai e Fundador que fosse a única inscrição em seu sarcófago. Um sacerdote, homem da Igreja, que amou a Igreja e que deixou para a sua fundação este amor como legado e missão.

Sim! Hoje, justamente nas situações que vivemos: “Sim, Pai! Tua herança é nossa missão!”

Palavras do Padre Kentenich: somos habitação da Trindade

Preparando nossos corações para a solenidade de amanhã, Santíssima Trindade, reflitamos as Palavras do Pe. José Kentenich em ‘Estudo sobre a Santidade do dia-a-dia’, de 1937:

Pela habitação de Deus, nossa alma tomou-se um templo do Espírito Santo. Sim, está consagrada a toda a Santíssima Trindade. Por isso também perpassa em nosso corpo uma santa consagração. “O templo de Deus é santo e esse templo sois vós” (1 Cor 3,17). Como devemos nos sentir nobres ao pensar: Somos Igrejas peregrinas da Santíssima Trindade! (…)
Se o Deus três vezes santo mora em nós, é claro que sua presença só pode ser santificante. E ele é nosso santificador, ou seja, ele nos faz santos. (…)

Se perguntarmos o que é santidade, devemos dizer, no sentido do santo do dia a dia: é a resposta singela do filho ao amor do Pai, a resposta do amigo ao Amigo que bate à porta.

Santidade não é conhecimento morto, mas vida, e vida na Santíssima Trindade. O santo do dia a dia mostra sempre essa vida exuberante por meio de atos de adoração silenciosos, de um amor contrito, íntimo e magnânimo e através da imitação de Deus. O amor impele não só à união, mas também a assemelhar-se, a igualar-se ao Amado.

É algo grande ter a convicção: Deus mora em nós

Esta pequena frase encerra todo um mundo de mistérios, cujos portadores somos nós. Tudo o que vimos e dissemos da filialidade, à luz da fé, é uma fraca tentativa de iluminar um pouco este grande mistério. Isso despertou em nós o desejo de afastar o véu ainda mais um pouco.

Outrora a voz que vinha da sarça ardente dizia a Moisés: “Tira as sandálias, porque o lugar em que pisas é terra santa” (Ex 3, 5). Realmente, também nós estamos em terra santa e aqui só podemos, com respeito temeroso e medo respeitoso, como que tateando, dar alguns pequenos passos para frente. Nossa razão humana, embora iluminada pela fé, é simplesmente muito pequena para captar o grande mistério da habitação de Deus em nossa alma.

A Santíssima Trindade habita em mim, ou seja, ela está em mim e me atrai de modo misterioso para a torrente da vida interior divina.[…] A Santíssima Trindade concedeu-me, pela graça, ser uma manifestação real, divina e própria entre as criaturas, de sua vida inter-trinitária.

Isso se verificou pela primeira vez no santo Batismo, que é um novo nascimento da alma. Pelo primeiro nascimento recebi a vida natural, corpo e alma. No novo nascimento é dado novamente à alma o que fora dado ao homem antes do pecado no paraíso e que todos deveriam ter, mas que foi perdido pelo pecado original.

O divino Salvador fala com Nicodemos a esse respeito e assegura: “Em verdade, em verdade, te digo: quem não nascer de novo, não poderá ver o Reino de Deus” (Jo 3,3). Com isso ele quer dizer: se queres ir para o céu, deves aceitar que se faça algo em ti, deves nascer de novo. Esse nascimento não é um nascimento da vontade do homem, mas da água e do Espírito Santo. E um nascimento verdadeiro, real, espiritual. Por meio dele a alma é purificada e enriquecida, recebe uma nova qualidade de ser: a vida divina ou graça santificante. Quem não tem essa qualidade não pode ir para o céu.

 

Fonte: Em aliança com a Santíssima Trindade – Textos escolhidos para o Ano da Graça 2000. Pe. José Kentenich. Editora Pallotti, Santa Maria/RS, 2000.

 

Fotos: Capela do Centro Mariano – Santa Maria/RS (Ir M Rosequiel Fávero) e porta de entrada do Centro Mariano (Ir M Nanci Meister)

20 de maio: dia de gratidão e do ‘triunfo da fidelidade’

 

A Família de Schoenstatt recorda hoje, 20 de maio, 80 anos da chegada do seu fundador, o Padre José Kentenich, a Schoenstatt, depois mais de três anos de prisão pelo nazismo no Campo de Concentração de Dachau. Ele chegou a Dachau em 13 de março de 1942 e foi libertado no dia 6 de abril de 1945. Saía como homem livre, íntegro, como ele mesmo expressa “Deus deu-me a liberdade interior em grau extraordinário, por isso saí do campo corporal e espiritualmente são” [1]. Dachau foi a confirmação do caráter divino da Obra de Schoenstatt e o retorno do fundador “são e salvo”, a resposta para muitas orações e sacrifícios ofertados pelos filhos de Schoenstatt pela liberdade do Pai.

Mesmo tendo saído do campo dia 6 de abril, o caminho até Schoenstatt teve seus percalços. “Foram 14 dias de viagem, onde o Padre Kentenich se detinha, geralmente, nas casas paroquiais, onde era logo assediado por membros da Família de Schoenstatt. Todos queriam ouvi-lo e alegrar-se com ele, bendizendo ao Senhor pela proteção maravilhosa durante o tempo da prisão” [2]

Por conta da guerra o transporte estava dificultado. Pe. Kentenich chegou a comprar uma carroça com dois cavalos para acelerar sua ida a Schoenstatt. Para alegria de muitos, porém, Pe. Alexander Menningen conseguiu arranjar um carro, gasolina e o visto das autoridades policiais para ir buscá-lo. E assim, no dia da festa de Pentecostes, o Pai chega ao Santuário. Marcando um novo início da Obra.

 

Dia de gratidão

O próprio fundador proclamou o 20 de maio como ‘Dia de Gratidão’, que deveria ser recordado anualmente pelo seus filhos espirituais. Gratidão a Deus que esteve sempre junto dele, à Mãe de Deus por sua intercessão materna e gratidão a todos os que se empenharam espiritualmente pela sua libertação

Neste dia recordamos uma oração escrita pelo Padre Kentenich, quando estava preso na prisão de Coblença, ainda antes de ser enviado a Dachau: o ‘Hino de Gratidão’. Escrito depois do 20 de janeiro de 1942, na expectativa de sua libertação pelos nazistas, pois preciso ainda passar por três anos em Dachau para que ele fosse cantado, celebrando o retorno ‘são e salvo’ do Padre Kentenich. Para ler o Hino de Gratidão na íntegra. clique AQUI.

 

Triunfo da Fidelidade

O que disse o Pai e Fundador naquele Pentecostes de 1945, quando chegou em Schoenstatt? Sua primeira frase: “Agradeço cordialmente pela fidelidade! Se lhes agradeço, gostaria de resumir tudo numa só palavra: FIDELIDADE! (…) A nossa solenidade de hoje é um triunfo da fidelidade”.

Todos que conheciam o Padre Kentenich sabiam que fidelidade era para ele uma virtude muito apreciada. Por isso, sua grande alegria em ver como a Família de Schoenstatt tinha permanecido fiel nos difíceis tempos da Segunda Guerra Mundial.

Não vivemos, hoje, ‘tempos de guerra’? Por isso, vivemos situações que nos exigem fidelidade à Aliança de Amor, aos nossos ideais de comunidade, à nossa missão.

Peçamos à nossa Mãe querida que esteja conosco e nos conduza também a um triunfo da fidelidade!

 

Com informações de: schoenstatt.org.br

Foto: Padre Kentenich, em 1945, disposto a viajar até Schoenstatt com uma carroça e cavalos.

Carta de Santa Maria: O que é e qual sua origem?

Ir. M. Patrícia Lemes – Já no início da década de 1930, o Servo de Deus Pe. José Kentenich pôde contemplar a expansão do Movimento Apostólico de Schoenstatt por toda a Alemanha. Jovens e crianças, sacerdotes, Irmãs, homens e mulheres encontravam em Schoenstatt um caminho de santidade e de inspiração para o apostolado.

E, com essa amplitude, ele pensava muitas vezes que as famílias também deveriam encontrar o caminho para Schoenstatt. Para isso, como um filho da Providência, estava sempre atento e aguardava uma ‘porta aberta’ para iniciar um trabalho com as famílias no Movimento.

Conhecemos a história: essa porta se abriu no campo de concentração de Dachau. Ali o Pe. Kentenich conheceu o Dr. Fritz Kühr, que aceitou ser cofundador da Obra de Famílias. Após ser libertado de Dachau, o Fundador contou com o apoio do Pe. Johannes Tick, na Alemanha, para concretizar essa grande missão.

Após três anos, em 1948, forma-se o primeiro grupo de famílias, com 44 casais que se preparavam para selar a Aliança de Amor no Santuário Original, por ocasião da Solenidade de Pentecostes. Para essa data, Pe. Tick solicita ao Pai e Fundador – que se encontrava no Brasil, em Santa Maria/RS – uma mensagem para as famílias que selariam a Aliança. No dia 15 de abril, Pe. Kentenich escreve e assina essa saudação, a chamada “Carta de Santa Maria”, que é um programa inspirador para a nascente Obra de Famílias.

25 anos mais tarde, na celebração do jubileu de fundação da Obra de Famílias (16 de julho de 1967), o Pai e Fundador, durante sua conferência, mostrou a importância dessa carta e a denominou como o“Documento de Fundação da Obra de Famílias”.

Uma nova terra mariana a partir da família

Monumento recordando a Carta de Santa Maria,

junto ao Santuário Tabor

O conteúdo dessa carta apresenta um cunho profético com o qual o Pe. Kentenich se dirige às famílias. Nela ele contempla as futuras gerações, inclusive a que vivemos hoje; ele antevê os desafios deixados pelas sequelas do pós-guerra, que a sociedade enfrentaria em todos os seus âmbitos, especialmente na família. Com a palavra “desenraizamento”, Pe. Kentenich sintetiza a chaga do tempo. Diríamos que se trata da “carência do cultivo de vínculos” em todas as áreas, o que impossibilita a experiência de Deus na vida (organismo natural e sobrenatural das vinculações).

A resposta para esse mal está na missão da Mãe de Deus para nosso tempo, a partir de Schoenstatt. Ela quer configurar uma nova sociedade, por meio da multiplicação de sólidas famílias schoenstattianas que:

– Se deixam iluminar e formar pelas graças do Santuário;
– Na força da Aliança de Amor, se empenham pela santidade familiar no cumprimento da vontade e Deus;
– Em liberdade e na graça, afirmem os valores do matrimônio e cultivem uma espiritualidade e pedagogia familiar, assegurando os sólidos valores da família comprovados e necessários para a renovação da sociedade.

Esses “milagres da graça” que o Pai cita acima, frutos da força do Espírito Santo, ele confia à Mãe de Deus: “Levem a imagem de Nossa Senhora e dêem-lhe um lugar de honra nos vossos lares. Assim eles se converterão em pequenos santuários nos quais a imagem de graças mostrará o poder das suas graças, criando uma santa terra familiar e formando santos membros na família” (Famílias de Schoenstatt – História e Missão, p. 33).

A recordação da Carta de Santa Maria nos inspira a contemplar a Mãe Três Vezes Admirável em nosso Santuário Lar e a suplicar-lhe que realize em nossas vidas, em nossas famílias, milagres de transformação, do fortalecimento dos vínculos naturais e sobrenaturais para que nosso lar e a sociedade se tornem nova terra mariana.

Leia a Carta de Santa Maria na íntegra

Fonte: schoenstatt.org.br

Uma luz de esperança na vida do pequeno José Kentenich

 

Durante o dia, talvez não percebemos tanto a luminosidade de uma pequena vela acessa. Mas, basta que anoiteça e uma pequena chama é capaz de iluminar todo um espaço, guiar nossos passos, sinalizar o caminho… Na vida do Padre Kentenich houve muitos momentos que se assemelharam a esta pequena luz em meio ao ambiente escuro. Um deles foi sua consagração, aos nove anos de idade.

Em meio à escuridão…

Aos 12 de abril de 1894, quando foi levado ao orfanato da cidade de Oberhausen/Alemanha, o cenário exterior era permeado da escuridão da incerteza e da dor para uma jovem mãe e seu filho.

Sabemos que Catarina Kentenich, a mãe do pequeno José, se viu obrigada à decisão de levá-lo ao orfanato, a fim de que pudesse trabalhar e garantir a formação para o filho. Esta decisão, porém, implicava a dor da separação e a aceitação de uma realidade totalmente diferente daquela cultivada no seio familiar. “Na opinião pública predominava a ideia que ‘crianças abandonadas’ (como eram considerados os internos) deviam ser submetidas a uma disciplina severa. A grande limitação econômica da época e o número de crianças obrigavam a educar coletivamente, sem levar muito em conta individualidades e necessidades pessoais.”[1]

… brilha a luz de esperança!

Mas, nesta escuridão, brilhou uma LUZ DE ESPERANÇA: Maria!

 

Antes da despedida, mãe e filho se dirigem à Capela do orfanato e naquele momento se realiza uma experiência-chave na vida do Padre José Kentenich. A mãe consagra-o à Maria, entregando a Ela a responsabilidade por sua educação: “Educa tu, o meu filho! Sê-lhe inteiramente mãe! Cumpre no meu lugar os deveres de mãe!”[2]. José acompanhava a oração da mãe e essa experiência tão profunda de fé transfigura e ressignifica o momento de dor.

No entanto, não apenas o ajudou a superar situações adversas, mas, esta pequena luz de esperança tornou-se um grande braseiro de luz para toda a Obra de Schoenstatt e através dela à Igreja e ao mundo: “Se a designarem como consagração a Maria, deve-se acrescentar que foi uma consagração singular. Mais tarde, futuros historiadores constatarão facilmente que nela já foi fundada, em germe, toda a Obra de Schoenstatt”[3].

Em sua prática pedagógica, Padre Kentenich conduziu todos os que a ele se confiaram à vivência da Aliança de Amor com Maria, pois a experiência de sua própria vida foi um testemunho eloquente da profunda e imprescindível atuação e educação marianas: “Ela (Maria) formou-me e educou-me pessoalmente a partir dos meus nove anos (…) minha educação é exclusivamente obra da Mãe de Deus”[4]. Pela Aliança de Amor, Maria continua se revelando como a grande Mãe, Educadora e como a “testemunha mais elevada da esperança”[5] na vida de seus filhos.

 

 

 

[1] Schlickmann, Dorothea M., Os anos ocultos, 82

[2] Ibid, 91

[3] J. Kentenich, Conferência de 11.08.1935, por ocasião do 25º aniversário de ordenação sacerdotal.

[4] Ibid, 92

[5] Spes non confundit, 24

Hoje recordamos a chegada do Padre Kentenich ao Campo de Concentração

Hoje, 13 de março, há 83 anos, o Padre José Kentenich chegava ao Campo de Concentração de Dachau, ficando preso até abril de 1945. Um tempo de muito sofrimento, mas também muito fecundo para ele e para a Obra de Schoenstatt.

Uma difícil viagem até Dachau

Recordemos a história: em março de 1942, precisamente no dia 11, o Padre Kentenich foi levado para o Campo de Concentração. A viagem (que para muitos dos prisioneiros, não tinha regresso), inicia-se na estação de Coblença. Juntamente com outros prisioneiros, o Padre Kentenich esperou a sua vez de subir no trem que o levaria até Dachau. Os vagões eram de transporte de gado, de forma alguma apropriados para transportar pessoas.

Durante a viagem, o Padre Kentenich teve como companheiros mais chegados o Dr. Hanz Carls, sacerdote e Diretor da Cáritas, e um comunista que, cheio de angústia, não se afastava dele.

Em Wiesbaden (outra cidade alemã), tiveram que mudar de trem e foram algemados. Durante a viagem, não receberam nada para comer nem para beber e foram sempre vigiados de perto por soldados das SS, que eram acompanhados por cães.

Após dois dias de penosa e dura viagem, chegaram a Dachau no dia treze de março de 1942, por sinal, uma sexta-feira.

A área do campo abrangia um retângulo de 144.000 metros quadrados (240×600). Estava todo cercado por um muro, iluminado à noite. Pela parte de dentro, existia uma cerca de arame farpado eletrificado e um fosso com água. Ao longo do muro, existiam oito torres de vigia, com três soldados em cada uma delas, armados de metralhadoras. Se alguém se aproximasse a oito metros do fosso, os guardas disparavam de imediato, sem aviso prévio.

Ao longo da avenida central erguiam-se as barracas, 17 de cada lado. Duas funcionavam como enfermarias, uma como cantina e outra como oficina. As restantes serviam de residências aos prisioneiros. Em cada barraca que tinha 98×9 metros viviam 208 prisioneiros, divididos por 4 compartimentos, ou seja, 52 prisioneiros em cada compartimento.

 

Uma acolhida nada amistosa

Ao chegar ao campo de concentração, os prisioneiros viam inscrito na entrada “Arbeit macht frei”, em alemão: ‘o trabalho liberta’. As formalidades de entrada demoravam várias horas. Já na chegada, os sacerdotes eram ridicularizados e alvos de zombarias, por parte dos soldados. Em seguida, passavam pela “seção política” onde eram fotografados e recebiam o seu número de prisioneiro. Ao Padre Kentenich coube o número 29392.

Ao aperceber-se da grande tranquilidade e firmeza que demonstrava o Pai e Fundador, o chefe das SS resolveu tentar quebrá-lo. Gritou muito com ele, disse-lhe palavras grosseiras e fez-lhe muitas perguntas. Em troca, recebeu do Padre Kentenich um olhar tranquilo e um sorriso cordial. Enfureceu-se ainda mais e fez menção de lhe bater, mas não chegou a fazê-lo.

Dois dias mais tarde, os dois encontraram-se e o chefe das SS, reconhecendo-o de imediato, mandou o Padre Kentenich limpar-lhe a bicicleta. Que lhe respondeu: “sim, vou fazê-lo, não por que deva fazê-lo, mas sim porque como homem livre, quero brindá-lo com esse serviço”. O chefe respondeu: “não, não necessita fazer isso”. Em seguida, o Padre Kentenich perguntou-lhe porque no dia da chegada lhe tinha gritado tanto e a resposta não podia ser mais esclarecedora: “experimenta-se tudo, para infundir medo”. Após esta conversa, o chefe levou o Padre Kentenich para o seu gabinete e contou-lhe toda a sua vida.

Foram assim os dias iniciais da vida do Padre Kentenich em Dachau, onde viveria momentos terríveis, mas onde conseguiu manter sempre uma fé inabalável, uma confiança sem limites na Mãe e onde serviu sempre de apoio a todos os que necessitavam.

Fonte: Schoenstatt Aveiro