
Durante o dia, talvez não percebemos tanto a luminosidade de uma pequena vela acessa. Mas, basta que anoiteça e uma pequena chama é capaz de iluminar todo um espaço, guiar nossos passos, sinalizar o caminho… Na vida do Padre Kentenich houve muitos momentos que se assemelharam a esta pequena luz em meio ao ambiente escuro. Um deles foi sua consagração, aos nove anos de idade.
Em meio à escuridão…
Aos 12 de abril de 1894, quando foi levado ao orfanato da cidade de Oberhausen/Alemanha, o cenário exterior era permeado da escuridão da incerteza e da dor para uma jovem mãe e seu filho.
Sabemos que Catarina Kentenich, a mãe do pequeno José, se viu obrigada à decisão de levá-lo ao orfanato, a fim de que pudesse trabalhar e garantir a formação para o filho. Esta decisão, porém, implicava a dor da separação e a aceitação de uma realidade totalmente diferente daquela cultivada no seio familiar. “Na opinião pública predominava a ideia que ‘crianças abandonadas’ (como eram considerados os internos) deviam ser submetidas a uma disciplina severa. A grande limitação econômica da época e o número de crianças obrigavam a educar coletivamente, sem levar muito em conta individualidades e necessidades pessoais.”[1]
… brilha a luz de esperança!
Mas, nesta escuridão, brilhou uma LUZ DE ESPERANÇA: Maria!

Antes da despedida, mãe e filho se dirigem à Capela do orfanato e naquele momento se realiza uma experiência-chave na vida do Padre José Kentenich. A mãe consagra-o à Maria, entregando a Ela a responsabilidade por sua educação: “Educa tu, o meu filho! Sê-lhe inteiramente mãe! Cumpre no meu lugar os deveres de mãe!”[2]. José acompanhava a oração da mãe e essa experiência tão profunda de fé transfigura e ressignifica o momento de dor.
No entanto, não apenas o ajudou a superar situações adversas, mas, esta pequena luz de esperança tornou-se um grande braseiro de luz para toda a Obra de Schoenstatt e através dela à Igreja e ao mundo: “Se a designarem como consagração a Maria, deve-se acrescentar que foi uma consagração singular. Mais tarde, futuros historiadores constatarão facilmente que nela já foi fundada, em germe, toda a Obra de Schoenstatt”[3].
Em sua prática pedagógica, Padre Kentenich conduziu todos os que a ele se confiaram à vivência da Aliança de Amor com Maria, pois a experiência de sua própria vida foi um testemunho eloquente da profunda e imprescindível atuação e educação marianas: “Ela (Maria) formou-me e educou-me pessoalmente a partir dos meus nove anos (…) minha educação é exclusivamente obra da Mãe de Deus”[4]. Pela Aliança de Amor, Maria continua se revelando como a grande Mãe, Educadora e como a “testemunha mais elevada da esperança”[5] na vida de seus filhos.
[1] Schlickmann, Dorothea M., Os anos ocultos, 82
[2] Ibid, 91
[3] J. Kentenich, Conferência de 11.08.1935, por ocasião do 25º aniversário de ordenação sacerdotal.
[4] Ibid, 92
[5] Spes non confundit, 24
