Nosso Pai e Fundador, um caminho ao Pai celestial

Nosso Pai e Fundador, um caminho ao Pai celestial

Ir. Mariana Macedo – Neste dia em que fazemos memória da volta ao Lar Eterno do Padre José Kentenich, nosso Pai e Fundador, somos convidados a contemplar seu carisma e sua missão: ser um caminho ao Pai Celestial.

Ao longo da história de Schoenstatt muitas pessoas – de diferentes nações, línguas, estados de vida e condições sociais – que se confiaram à sua condução experimentaram nele um transparente de Deus Pai. E mesmo após sua partida ao lar eterno, ele continua sendo uma porta aberta para muitos encontrarem o caminho de volta ao coração paternal de Deus.

Este caminho pode ser percebido de modo muito concreto na história de quem, ao conhecer a história do Padre Kentenich, encontrou nele uma presença paterna que marcou profundamente sua própria vida. Isso podemos perceber através do testemunho de Silvina Dantas Viana Medeiros (Vina), da Liga de Mães de Natal. Ela partilha o seu testemunho:

“Para mim, o Padre Kentenich significa a presença da paternidade de Deus em minha vida. Em dezembro de 1998, comecei minha caminhada no Movimento Apostólico de Schoenstatt, na Arquidiocese de Natal/RN, pelas mãos da MTA, por meio da Campanha da Mãe Peregrina de Schoenstatt. Logo cedo, percebi que para amar Schoenstatt, é necessário conhecer a vida do seu Fundador.”

Conhecendo a história do Fundador, Silvina foi se identificando com ela: “O que me tocou, logo de início, foi o fato de José Kentenich não ter tido a presença do pai biológico em sua vida, em virtude da rejeição do próprio pai. Portanto, José nunca se sentiu filho ante seu pai. Minha situação tem uma certa semelhança, pois eu também nunca tive a presença do meu pai biológico. Porém, o motivo foi outro, ele faleceu cinco meses antes do meu nascimento. Assim, como o Pe. Kentenich, eu nunca me senti filha ante meu pai. Mas, sei que Deus, como Pai, sempre esteve me conduzindo pela vida.”

Após uma caminhada na Liga de Famílias e posteriormente na Liga de Mães de Schoenstatt, seu vínculo ao Padre Kentenich foi tornando-se mais profundo. Seus ensinamentos e sua intercessão a conduziram a uma atitude de disponibilidade filial diante de Deus, na fé que Ele conduz nossas vidas. “Em 7 de maio de 2023, assumi a atitude de Carta Branca, o SIM à vontade de Deus Pai. Essa disposição que o Pe. Kentenich nos convida a aceitar, me ajuda a percorrer as dimensões da minha existência”, continua.

Aprofundando a sua Aliança de Amor, sentiu-se chamada a selar a Aliança filial com o Fundador, um sinal de compromisso com a missão de Schoenstatt, que foi chamada à vida através do Padre José Kentenich: “Após encontros de preparação, em 16 de novembro de 2025, dia em que celebramos o nascimento do Pe. Kentenich, selei minha Aliança Filial, na Capela do Fundador, na Igreja da Adoração, em Schoenstatt.”

Que pela intercessão do Padre José Kentenich, muitas pessoas possam fazer a experiência do encontro com Deus, rico em amor e misericórdia, encontrando o caminho para o Seu coração paternal.

Rainha da Filialidade Heroica, aceita a coroa

Rainha da Filialidade Heroica, aceita a coroa

Ir. Maria da Graça Sales Henriques – Hoje fazemos memória da coroação da Mãe de Deus como Rainha da Filialidade Heroica, realizada por nosso Pai e Fundador, em 20 de agosto de 1949.

Na época, autoridades eclesiásticas cumpriam a sua função de submeter a Obra de Schoenstatt ao exame a que é sujeito todo o carisma inovador que se manifesta na Igreja. Nosso Pai e Fundador, consciente da sua responsabilidade pelo carisma recebido, procurava, por sua vez, defender e desdobrar na Igreja o dom da graça que Deus lhe confiara.

A história prova que ao longo dos séculos a integração de novas formas de vida cristã na vida da Igreja nunca é fácil nem isenta de tensões e incompreensões, falhas e faltas humanas que podem dar lugar até a injustiças. À luz da fé na divina Providência, reconhecemos, porém,  que através das limitações humanas, Deus confirma a autenticidade do carisma. Para usar uma expressão do Cardeal Ratzinger, este se encontra em um campo de tensões entre a obediência devida, por um lado, às autoridades da Igreja e, de outro lado, ao carisma recebido.

É este o cenário de fundo da coroação da Mãe de Deus em 20 de agosto de 1949 como Rainha da Filialidade Heroica, no Santuário Tabor. Reconhecendo a fecundidade da sua atuação no Santuário, como resposta à fidelidade ao carisma, nosso Pai e Fundador reza, ao coroá-la:

“Novamente nos confessamos por teu reinado …
Na verdade, revelaste tuas glórias como a grande Rainha Tabor!
(…) Assim, pedimos-te que aceites a coroa como expressão de profunda gratidão.
Este é um ato de gratidão pelo teu poder, pelo grande poder de tuas glórias”!

De igual forma, confia à Mãe de Deus a responsabilidade pelos problemas que surgiram “no espaço e no âmbito da Igreja”, no contexto da luta pelo reconhecimento do carisma que Deus lhe confiou. Expressando que seu único desejo e intento é o serviço à missão da Igreja, formula a súplica filial: “Pedimos-te que não cesses de suplicar a Jesus, ao Pai e ao Espírito Sato, enquanto não conseguires realizar o grande fim, para o qual nos conduziste à Igreja e nos introduziste na Igreja, para que, na Igreja e pela Igreja, realizemos as tarefas que, assim cremos, tu mesma depositaste sobre nossos fracos ombros.”

Filialidade Heroica: herança e missão

Sintetiza esse “grande fim”, a tarefa depositada sobre os “fracos ombros” no pedido: “Cuida que todos os filhos de Schoenstatt, … recebam e conservem, até o fim dos tempos, a graça da filialidade heroica e, com ela, a garantia do elemento essencial de nossa espiritualidade.”

O Padre Kentenich estava profundamente consciente que Deus lhe confiara, através de Maria, a missão de conduzir muitos corações a se entregarem filialmente a Deus, Pai de amor e de misericórdia.  A “filialidade heroica” que considerava elemento essencial da espiritualidade de Schoenstatt, é a resposta a todos os problemas e desafios da nossa época que separa inteiramente de Deus a vida concreta, a história da humanidade e a vida individual. Reconhecer Deus, Pai de bondade, por trás de todos os acontecimentos e desafios e se entregar a ele em confiança filial; não deixar jamais de acreditar que tudo vem do seu amor e que Ele só quer o nosso bem; perseverar na entrega filial e confiante a sua condução é a graça da filialidade heroica que a Mãe de Deus concede no Santuário como resposta ao grande pedido de nosso Pai e Fundador, ao coroá-la como Rainha da Filialidade Heroica em 20 de agosto de 1949.

A filialidade heroica, dom de Deus e missão é a grande resposta que somos chamados a dar, em Maria, à angústia, insegurança e desenraizamento que hoje marcam a experiência existencial de tantas pessoas.

Na pessoa do Pe. Kentenich encontrei o ideal do sacerdote que sempre havia anelado encontrar

Na pessoa do Pe. Kentenich encontrei o ideal do sacerdote
que sempre havia anelado encontrar

No dia 10 de julho de 1910, o neossacerdote José Kentenich, celebrava suas primícias sacerdotais, na mesma capela na qual fora ordenado, em Limburgo/Alemanha. Iniciava-se uma fecunda vida sacerdotal, que traria muitas bênçãos para a Igreja através do carisma de Schoenstatt.

Participação fecunda no sacerdócio de Cristo

Durante sua vida, Padre Kentenich proferiu numerosos retiros para sacerdotes. Seus ensinamentos e palavras de encorajamento dirigidas a tantos irmãos ordenados, também expressam a profundidade com que vivia sua vocação sacerdotal: “todo sacerdócio na Igreja é participação do sacerdócio de Cristo. É ele que passa pelo tempo atual, a toca e nele atua, misteriosamente unido aos sacerdotes humanos que inseriu no seu sacerdócio (…) através dos seus sacerdotes e transparentes, (Jesus) percorre continuamente o mundo para o conduzir ao Pai.”[1]

Padre Clemente Maria Fernandes, beneditino, relata seu encontro com o Padre Kentenich e a influência decisiva desse encontro na vivência de sua vocação:

“Não podia compreender porque desde que vi o Padre Kentenich e me aproximei dele tive a impressão de estar diante de um sacerdote extraordinário, de um sacerdote que transparecia suavemente a presença de Deus Pai. Foi como se uma voz interior me dissesse: ‘Tira o calçado porque a terra em que pisas é terra santa! Santo é o santuário e santo é este homem com quem o divino se desposou através de Maria!’ Creio que se não tivesse conhecido o Pe. Kentenich nunca teria sido sacerdote. Foi meu encontro providencial com ele que me levou a tomar a sério minha vocação sacerdotal. Na pessoa do Pe. Kentenich encontrei o ideal do sacerdote que sempre havia anelado encontrar durante meus anos de seminário: um homem profundamente ancorado em Deus e com uma resposta à problemática de nosso mundo atual. Desde 1964, minha vinculação ao P. Kentenich foi sempre cálida, cordial e filial. Ele foi para mim a inspiração e a força de meu sacerdócio. Com o seu exemplo me ensinou a amar a Igreja com todas as suas grandezas divinas e com todas as suas fraquezas humanas, e a servi-la como a esposa amada de Cristo.”

Que o testemunho de fidelidade do Padre José Kentenich à sua vocação e à missão divina que lhe fora confiada, suscite em muitos corações juvenis o anseio de consagrarem as suas vidas ao seguimento total a Cristo, na vida sacerdotal.

[1] Padre José Kentenich, Piedade mariana do instrumento (1944)

116 anos da ordenação sacerdotal do Padre José Kentenich

116 anos da ordenação sacerdotal do Padre José Kentenich

Recordamos hoje, o dia agraciado da ordenação sacerdotal de nosso Pai e Fundador, Padre José Kentenich, realizada em 8 de julho de 1910, na capela da Casa Missionária dos padres palotinos, em Limburgo/Alemanha.

Ao ser ungido sacerdote, o jovem José Kentenich realiza a doação de sua vida, de suas forças, capacidades e limites a Deus, sua origem e meta, como escrevera no início de seu noviciado. O admirável desdobramento de sua vocação sacerdotal, com certeza não era possível visualizar naquele momento, mas Deus, em seu plano de amor, tinha reservado bençãos e uma fecundidade extraordinária à sua atividade sacerdotal.

Como Família de Schoenstatt, seguidores, devotos do Padre José Kentenich, e chamados a participar da realização do seu carisma através de nossa inclusão na Aliança de Amor, agradecemos a Deus e à Mãe e Rainha de Schoenstatt pelo testemunho de fidelidade e doação sacerdotal de nosso Fundador.

“Uma vida sacerdotal mariana”

No ano de 1934 por ocasião da primeira missa de um neossacerdote, em Schoenstatt, ele se expressa da seguinte maneira: “Nós também nos alegramos com a querida Mãe de Deus. Alegramo-nos dupla e triplamente porque hoje se inicia uma vida sacerdotal mariana (…) A Mãe de Deus quer ser reconhecida como fonte, proteção, guia e condutora desta nova e jovem vida sacerdotal.”

Tais palavras podem ser aplicar a ele mesmo. O profundo amor à Mãe de Deus formou Padre Kentenich desde a mais tenra infância e desdobrou-se criadoramente, tornando-o um sacerdote e arauto de Maria, como ele mesmo se expressou, anos mais tarde: “Minha missão foi e é anunciar ao mundo o mistério de Maria. Minha tarefa é anunciar a Mãe de Deus, revela-la ao nosso tempo como a Auxiliar permanente de Cristo na Obra da redenção.”

Unamo-nos em fervorosa súplica pelo andamento da causa de nosso Fundador. Que seu carisma mariano seja reconhecido cada vez mais como um dom à serviço da Igreja e para a salvação da humanidade.

Deus Pai todo-poderoso, és o amor e a misericórdia.
Somente tu, como Pai Onisciente, compreendes tudo o que se passa em mim. Ajuda-me, Pai de Bondade, nesta minha grande aflição. Atende-me por intermédio do Padre José Kentenich. Como fiel sacerdote, ele amou tanto a tua Igreja peregrina e procurou conduzir todos os que dele se aproximavam a um amor pessoal a ti. Foi sábio e humilde conselheiro para todos os que dele precisaram. Concede-me, Pai Eterno, por intercessão do Padre José Kentenich, especialmente a graça (colocar suas intenções e pedidos). Em sinal de gratidão, eu te ofereço o precioso sangue de Cristo, nas intenções da Santa Igreja e por todos os que se encontram em grandes aflições. Querida Mãe, Rainha e Vencedora Três Vezes Admirável de Schoenstatt, roga ao Pai Eterno que conceda ao Padre José Kentenich a honra dos altares, como recompensa por todo o bem que fez á Igreja, para o teu louvor e a glória da Santíssima Trindade. Amém. 

Ainda hoje nos pergunta o Padre Kentenich: “Por que vim (ao Brasil)?”

Foi uma longa viagem de avião ao Brasil, chegando no Rio de Janeiro, de lá a Porto Alegre e mais de oito horas na ‘Maria fumaça’, para o Padre José Kentenich chegar ao seu destino, Santa Maria/RS, na primeira de suas grandes viagens internacionais. Era 18 de março de 1947.

Não havia ainda nenhum Santuário filial em nossa Pátria e nem era costume celebrar o Dia da Aliança. As Irmãs de Maria haviam enfeitado o melhor que podiam a frente da sua ‘Casa de Noviciado’, construída dois anos antes. Haviam pedido algumas rosas muito simples no jardim de uma vizinha, para oferecerem flores ao Fundador que vinha visitá-las. Organizaram um pequeno coral que cantou ‘Benedictus qui venit in nomine Domine’ (Bendito o que vem em nome do Senhor)

Cedo, o Padre Kentenich havia partido junto com a Ir M Norberta Schulte de Porto Alegre, numa viagem de mais de oito horas de trem até Santa Maria. Pelas 17h30min foram recebidos na estação rodoviária de Santa Maria pelo sacerdote palotino Pe. Máximo Trevisan e um pequeno grupo de Irmãs de Maria.

Diante da casa das Irmãs, a pequena solenidade deve ter alegrado o Fundador, que esboçou um sorriso ao contemplar as suas conhecidas Irmãs missionárias e as jovens Irmãs brasileiras. Uma delas até arriscou declamar-lhe um versinho em alemão. Graças a Deus estes momentos foram eternizados numa sequência de fotos, pelas quais a Família de Schoenstatt brasileira será sempre grata.

 

Por que vim até aqui?

Nas suas primeiras palavras à Família de Schoenstatt, que basicamente se resumia naquele momento às Irmãs, algumas candidatas e o Pe. Máximo, ele já apontou o grande objetivo de sua visita: “Por que vim até aqui? (…) Vim para experimentar as glórias da querida Mãe e Rainha Três vezes Admirável de Schoenstatt (…). Em segundo lugar, quero refletir com as senhoras como podemos preparar e expandir mais ainda a glorificação da querida Mãe de Deus”.

Estava dado um rumo para Schoenstatt no Brasil: expandir as glórias da Mãe de Deus. Mais tarde, no contexto do Ideal Tabor, ele dirá que a glória de Maria é a nossa transformação em Cristo. Deste impulso, iniciará ainda naquele ano a construção do primeiro trono da Mãe e Rainha em nossa Pátria, crescerão os Ramos do Movimento, e surgirá a Campanha da Mãe Peregrina, como o grande apostolado schoenstattiano que conquistará o mundo.

Hoje, quase oito décadas depois, podemos crer que o Pai e Fundador repete a pergunta: ‘Porque vim até aqui’? E então, ele mesmo responderá como naquele 18 de março de 1947: “Vim contemplar aqui as glórias de Maria e refletir como podemos expandir estas glórias ainda mais”

Ele começou suas viagens internacionais num tempo de pós-guerra, com grandes crises econômicas e incertezas. Era preciso coragem para tanto espírito missionário. Não é o que experimentamos novamente? Em nosso mundo de agitações e na incerteza frente às consequências de guerras que podem ter graves consequências para o mundo inteiro nós somos de certa forma convocados pelo Padre Kentenich a contemplar as glórias da nossa querida Mãe e Rainha e  refletir como podemos fazer com que estas glórias refuljam ainda mais no Brasil Tabor. Também de nós é exigido coragem, fé na missão e confiança vitoriosa.

 

Fotos: arquivo das Irmãs de Maria de Schoestatt em Santa Maria

 

16 de março: O Brasil acolhe o Pai e Fundador

 

Jaqueline Montoya – Era 16 de março de 1947. Em torno do meio-dia, a Ir. M. Norberta Schulte [1] esperava a chegada de um voo vindo de Roma. Os aviões, naquela época, já aterrissavam no atual aeroporto internacional do Rio de Janeiro, mas com uma pequena diferença: a Ilha do Governador não estava ligada com a cidade, como hoje, por uma ponte. Por isso os passageiros eram levados de lá para a terra firme em uma pequena embarcação.

Ir. M. Norberta estava colocada num lugar de onde tinha uma boa visão para o mar. Fazia 12 anos que ela não o via! Como ele estaria? A embarcação havia chegado. O que Ir. M. Norberta viu primeiro foi a barba do Pe. Kentenich. Quanta alegria ao vê-lo sair da barca, ereto, tirar o chapéu e saudá-la! [2]

É assim, como conta este breve relato, que se deu chegada do Pe. José Kentenich em terras brasileiras, em 1947. O momento tão ansiado marcava a primeira das dez visitas do fundador ao país. No Brasil, 12 Irmãs de Maria já trabalhavam pela Obra de Schoenstatt desde 1935 e aguardavam pelo tão esperado reencontro.

Tendo desembarcado no Rio, o fundador pernoitou na cidade, no Convento Santo Antonio. Nesta mesma noite conversou com a comunidade dos padres franciscanos acerca da situação da Alemanha. Na manhã seguinte, às 6 horas, pegou um avião rumo a Porto Alegre/RS, juntamente com Ir. M. Norberta. Chegaram pelas 12 horas. A continuação da viagem, novamente, se deu na manhã seguinte. Foram mais de oito horas de trem até Santa Maria/RS, onde o Pe. Máximo Trevisan e algumas Irmãs de Maria de Schoenstatt o esperavam.

 

Experimentar as glórias da Mãe e Rainha Três Vezes Admirável de Schoenstatt

No dia 18 de março, o Pai se dirige oficialmente à Família de Schoenstatt reunida em Santa Maria/RS. Em sua primeira fala registra o conhecido discurso “Vim experimentar aqui as magnificências da Mãe e Rainha Três Vezes Admirável de Schoenstatt!”. Suas palavras proféticas ressoam ainda hoje em nós. Podemos refletir: seria possível, nos tempos atuais, dizermos que podemos experimentar as magnificências da Mãe em nossa pátria?

Seu discurso segue “Em todo lugar onde houver filhos de Schoenstatt que se consagrem à Mãe de Deus, esta aliança é renovada. Será que também a Mãe de Deus se glorificou? Será que também aqui ela conservou sua fidelidade à Aliança? […] Temos a tarefa de representar aqui no país o tipo genuíno do homem novo. Deste modo, a Mãe de Deus quer glorificar-se”.

79 anos de história

Já se vão 79 anos deste acontecimento, que foi gerador de vida e graças para a Família de Schoenstatt brasileira. Naquele mesmo ano ele anunciou o Ideal Tabor, fez a bênção da pedra fundamental do primeiro Santuário de Schoenstatt no Brasil e no ano seguinte, 1948, inaugurou o Santuário Tabor.

‘Os passos do Pai geram vida!’ E como!

Referências:
– http://www.schoenstatt.org.br/2017/03/16/um-sonho-que-se-tornou-realidade/
– Tabor: Missão para o Brasil – Herança Tabor 1, Pe. José Kentenich

 

[1] Uma das 12 primeiras Irmãs enviadas ao Brasil e superiora da missão brasileira

[2] Com base no material coletado para Celebração dos 70 anos da primeira visita do Pe. Kentenich ao Brasil, Rio de Janeiro, 16 de março de 2017

Fonte: schoenstatt.org.br

Padre José Kentenich, um grande comunicador – 110 anos da revista MTA

Ir. M. Nilza P. da Silva – Há pessoas que simplesmente antecedem ao seu tempo em seu modo de pensar e de responder questões. Deus lhes concede o dom de pré-viver em seu tempo, situações que ainda virão. Uma dessas pessoas é nosso Pai e Fundador, Pe. José Kentenich. Entre tantas dádivas recebidas de Deus e colocadas a serviço da Igreja, da sociedade, desde a juventude, ele percebe a importância do uso das mídias para a evangelização.

Ele não se graduou como jornalista, publicitário, relações públicas, no entanto, é um modelo de comunicador. Desde o começou de sua Obra utilizou os modernos meios de comunicação de seu tempo para difundir a mensagem da Aliança de Amor. No período da fundação de Schoenstatt, 1914, a mídia impressa – revistas, jornais, panfletos, etc. – era a principal ferramenta de comunicação social.

O apostolado e a inspiração pela Mídia impressa

Desde 1912, como diretor espiritual, Pe. Kentenich motiva os seminaristas, que faziam parte da Associação Missionária, a se empenharem pela “propagação da boa imprensa”. Em seu apostolado eles divulgam as publicações da Sociedade Palotina e conseguem assinantes para a revista “A Estrela da África”. Cita a crônica de 1913: “Temos que trabalhar com palavras e obras para os interesses da Sociedade, especialmente na divulgação da nossa revista”. O quanto o Fundador valoriza a mídia se comprova também no fato de que, em dezembro de 1912, o jornal de Coblença traz um artigo em destaque, escrito por ele, sobre a fundação da Associação Missionária, em Schoenstatt.

O jovem sacerdote lê os jornais e procura interpretar as notícias com fé na Divina Providência. A inspiração para fundar a Obra de Schoenstatt, por meio da Aliança de Amor, Deus lhe enviou por meio da leitura de um artigo de jornal. A reflexão de uma simples leitura – o que Deus quer me dizer com isso? – desenvolveu-se na fundação do Santuário e de um admirável sistema pedagógico para a educação do homem livre e a renovação do mundo.

Pe. Engelbert Monnerjahn conta: “No ‘Panorama Geral’, jornal semanal de Munique, na edição de 18 de julho, Pe. Kentenich leu um relato do conhecido capuchinho, Pe. Cipriano Froehlich, sobre a origem de um lugar de peregrinações no Vale de Pompéia, perto de Nápoles. Este relato despertou nele uma série de perguntas, principalmente esta: O que aconteceu no Vale de Pompéia não poderia se tornar realidade também em outro lugar, por exemplo, em Schoenstatt?”.

Um comunicador da Aliança de Amor

No entanto, durante a Primeira Guerra Mundial, a edição de periódicos era algo complicado, geralmente limitada a grandes corporações. Ainda assim, a ousadia e confiança na Divina Providência fazem com que o Pe. José Kentenich lance, em 5 de março de 1916, a revista “Mater Ter Admirabilis”. A primeira revista oficial do Movimento Apostólico de Schoenstatt é uma ferramenta utilizada para formar, informar e vincular o nascente movimento, a juventude schoenstattiana, que estava nos campos de batalha. Deus abençoou o uso da mídia.

Pe. Monnerjahn conta: “Dentro de poucos meses essa revista alcançou uma divulgação extraordinária. Os primeiros números foram impressos em litografia, com uma tiragem de 200 exemplares. Em meados de agosto de 1916, Pe. Kentenich comunicou ao presidente da Congregação que, devido à procura, fora aumentada para 300. Em fins de agosto, a edição passou a 400 exemplares, em fins de novembro a 600, e no começo do segundo ano, em março de 1917, atingiu a tiragem de 1.000 exemplares. Deve-se notar que a revista não era uma leitura amena, superficial, mas exigia a colaboração e o esforço mental de seus leitores ”.

Com a grande procura pela Revista MTA, que chegava a 2.000 assinaturas, em dezembro de 1917, foi preciso recorrer a uma tipografia em Vallendar e depois a outra maior em Coblença. O conteúdo escrito pelo Pe. Kentenich chama a atenção, é algo novo e coerente: “A Mater Ter Admirabilis era lida por outras pessoas fora do círculo schoenstattiano, tornando conhecida a muitos jovens idealistas a Congregação Mariana de Schoenstatt, seus objetivos e seu Santuário. Alguns deles não só quiseram assinar a revista, mas também colaborar ativamente na comunidade da Congregação de Schoenstatt e em sua Organização Externa”.

No início de 1918, a revista sai além das fronteiras da Alemanha e se torna o material de formação para os congregados marianos militares da Holanda. A revista é usada, como fonte de informação e pesquisa, em palestras para as associações juvenis e para as aulas do professor universitário de Bonn, Arnoldo Rademach.

O lançamento da revista MTA exigiu uma fé e confiança heroica. Pe. Kentenich fala, aos casais nos Estados Unidos, em 13 de setembro de 1953: “Nossa reflexão foi esta: se a Mãe de Deus realmente quer um movimento assim, também podemos arriscar algo. Nossos jovens estavam sozinhos, lá fora nos quartéis (…) pensei comigo: os jovens precisam se manter unidos. Não tínhamos dinheiro. Se não me falha a memória, havia 23 centavos no caixa. Começamos, então, com os 23 centavos. Com isso, fundamos uma revista, baseada na confiança: (…) Se for a tua causa, terás de ter o cuidado pelo sucesso! Realmente, a revista vingou. A partir dela, posteriormente apareceram muitas outras. Tudo a partir do nada”.

Mídia como complemento e não como substituição do relacionamento pessoal
Pe. Kentenich é um grande comunicador que se fez ouvir em inúmeras palestras, conferências, congressos, utilizando todos os meios que eram possíveis na época. Contudo, sua forma mais eficaz de comunicação é a relação pessoal, individual, humana, com cada um que se apresenta diante dele. Na década de 30, mais da metade do clero da Alemanha foi para Schoenstatt, a fim de ouvi-lo, em seus retiros. Ele investe na mídia como um complemento e não como substituição de seus contatos pessoais. Justamente nos anos de maior sucesso e crescimento da revista MTA está a história de vida dos primeiros heróis de Schoenstatt, da primeira e segunda geração (1917-1942). Lendo as suas biografias vê-se a influência decisiva que o vínculo pessoal ao Fundador teve para cada um dos que o contataram.

No período do Exílio do Fundador nos Estados Unidos (1951-1965) isso também se comprovou. Recém assumiu a tarefa como pároco da comunidade alemã, Pe. Kentenich funda o Jornal Paroquial, para circular informações entre os paroquianos, noticiar sobre seu país de origem, intreter e orientar. O informativo paroquial complementava a sua dedicação pessoal no atendimento a cada um da comunidade, as suas palestras e homilias. Ele não se isolou de sua comunidade porque fazia uso da mídia, mas, formou família, cultivou vínculos pessoais, mesmo que a mídia consumisse seu tempo para o anuncio de sua missão.

Hoje, Deus continua a usá-lo como seu meio, seu instrumento, para se comunicar com seus filhos, interferir em suas consciências e formar suas opiniões. Suas publicações e seu exemplo de vida continuam a inquietar e a responder questões fundamentais de nosso tempo. Certa vez, perguntaram ao Fundador de Schoenstatt como ele gostaria de ser recordado, qual imagem deveriam guardar dele. Em sua resposta estão os traços de comunicador: “Com a mão no pulso do tempo e o ouvido no coração de Deus.” Eis nossa missão de comunicadores: ajudar o público a formar opinião: ouvir e interpretar o que Deus nos diz por meio dos acontecimentos atuais.

Fonte: schoenstatt.org.br

20 de janeiro de 1942 – eixo da história de Schoenstatt

O dia 20 de janeiro de 1942 se tornou, segundo palavras do próprio Padre José Kentenich, o ‘eixo’ da história do Movimento de Schoenstatt.

O que aconteceu neste dia? Mesmo tendo possibilidade de escapar de ser enviado para o Campo de Concentração de Dachau, Padre Kentenich ‘escolheu o mais difícil’, decidindo renunciar sua liberdade exterior com o pedido que Deus não deixasse faltar a nenhum de seus filhos espirituais a liberdade interior.

De fato, em março de 1942 ele foi enviado ao Campo de Concentração de Dachau, saindo de lá somente 3 anos mais tarde, chegando de volta a Schoenstatt em 20 de maio de 1945.

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Há 60 anos São Paulo VI recebia em audiência o Padre Kentenich

No dia 22 de dezembro de 1965, há 60 anos, o papa São Paulo VI recebeu o Padre José Kentenich em audiência no Vaticano. Uma audiência o final do exílio do fundador e, a partir dela, a Igreja permite que nosso Pai e Fundador retorne a Schoenstatt, aos seus trabalhos com o Movimento e dá autonomia ao atuar da Obra.

Assim narra a biografia do Fundador: “Poucos dias antes do Natal, chegou a notícia de que o Santo Padre (Paulo VI) desejava recebê-lo em audiência. Foi um momento comovente quando o Padre Kentenich, com a batina preta e a barba branca como a neve, como sempre ereto, estava diante de Paulo VI, que, sentado em seu trono, dirigiu-lhe uma breve alocução. O Padre Kentenich respondeu-lhe em latim. No final, entregou-lhe um cálice para a igreja dedicada a Maria, Mãe da Igreja, que o Santo Padre tencionava construir e cuja pedra fundamental benzera durante as cerimônias do encerramento no Concílio a 8 de dezembro”.

 

Uma promessa

Diante de São Paulo VI, no contexto de uma Igreja em transformação após o Concílio Vaticano II, Padre Kentenich promete ao Santo Padre a fidelidade da Obra de Schoenstatt à Igreja e que o Movimento empenhará todas as suas forças para ajudar a Igreja a cumprir suas grandes tarefas atuais, no período pós-conciliar.

Foi nesse período de renovação, também por ocasião do lançamento da Encíclica Humanae vitae, de Paulo VI, que o Pai e Fundador escreve sua conhecida frase à Família de Schoenstatt: “Com Maria, alegres na esperança e certos da vitória, rumo aos tempos novíssimos”.

 

São Paulo VI fala sobre o Pe. Kentenich

O Papa Paulo VI, logo após a morte do Pe. Kentenich, apontou para seu exemplo, várias vezes. Na audiência geral de 8 de abril de 1970, saudando um grupo de peregrinos alemães, o Santo Padre disse:

“Queridos filhos e filhas! Sobre a pedra sepulcral de um destacado sacerdote e pastor de almas alemão, estão escritas as palavras que foram expressão de sua personalidade e conteúdo de sua vida abençoada: ‘Dilexit Ecclesiam’, ‘Ele amou a Igreja’, As mesmas palavras Nós as dirigimos a vós: Amai a Igreja! Nestes tempos agitados permanecei fiéis ao magistério da Igreja e ao Sucessor de São Pedro. E assim, também vossa vida se tornará rica e plena de sentido”.

 

Bibliografia:
Padre José Kentenich – UMA VIDA PELA IGREJA. Engelbert Monnerjahn.

 

Refletindo sobre o Advento com o Pe. Kentenich: ancorados na esperança!

natal

 

Estamos no Advento, indo para o final do Ano Santo, que esta sob o sinal da esperança. Neste sentido, é muito oportuna a reflexão que segue.

 

“Sim, povo de Sião, que habitas em Jerusalém, não terás mais de que chorar. À voz de tua súplica ele te fará misericórdia; assim que a ouvir, ele te atenderá. (Quando o Senhor vos tiver dado o pão da angústia e a água da tribulação) aquele que te instrui não se esconderá mais, e verás com teus olhos aquele que te ensina. Ouvirás com teus ouvidos estas palavras retumbarem atrás de ti: “É aqui o caminho, andai por ele”, quando te desviares quer para a direita, quer para a esquerda” (Is 30:19-21).

A melodia mais profunda e mais poderosa do Advento é a Esperança. A Esperança é a sua maior mensagem. Pelo que esperamos no Advento? Nossa esperança está fundamentada na fé que Deus irá manter suas promessas – que Deus virá a nós e nos salvará, que Ele vai se enlaçar a nós para sempre, que Ele vai unir-se a nós e compartilhará sua vida conosco. A carta aos Hebreus usa a imagem incomum da âncora para caracterizar a esperança. “Nós temos esta esperança como uma âncora para a alma, firme e segura” (Hebreus 6,19).

 

 

Naturalmente, há uma grande diferença entre uma âncora, no uso cotidiano da palavra, e a “âncora da esperança”. A âncora ordinária é lançada às profundezas do oceano onde ela se agarra, mas a “âncora da esperança” está segura em algo infinitamente maior do que o oceano – está segura no próprio Deus, no coração do Deus vivo. Nós não podemos produzir a Esperança do Advento por nós mesmos. Ela é em essência um presente de Deus. Ela é uma graça especial que Ele precisa verter em nossos corações. Nós não podemos reivindicar a Esperança do Advento por nós mesmos. Através de seu presente nós esperamos e confiamos que as promessas do Senhor para nós serão cumpridas – o que inclui tudo o que Ele prometeu. O que é este “tudo”? É a expectativa da vinda de Jesus para nossas vidas. Sua vida preencherá completamente nossas almas. A promessa de Deus não é nada mais nem nada menos que o próprio Jesus.

Porque somos fracos e necessitamos de misericórdia

Esperança do Advento é cultivada por três coisas: o anseio pelo Senhor, a confiança no Senhor e o trabalho junto com o Senhor. Primeiramente, a esperança instila um profundo anseio pelo Senhor. É um anseio pelo Senhor que tem que ser maior e estar mais à frente em nossas mentes do que qualquer outro anseio do nosso dia-a-dia. Basicamente é um anseio por salvação, pelo Salvador, de forma que Ele possa entrar nos nossos corações e nos salvar. É um anseio para que as promessas de Deus se realizem em cada um de nós. Então, vem a Esperança do Advento que consiste em uma confiança inabalável no Senhor. Nós confiamos que significamos muito para Ele. Confiamos que aquele que desperta em nós esta profunda sede também irá saciar esta sede. Nós confiamos que seremos libertados do pecado e da culpa. Confiamos na misericórdia de Deus e na sua infinita fidelidade a nós, enraizados na força e na segurança de sua Palavra.

 

 

E depois vem a Esperança do Advento que se nutre pelo trabalho com o Senhor. O Senhor nunca será infiel a nós – nunca! Mas pode haver tempos, e haverá tempos, em que nós, por qualquer razão que seja, somos infiéis a Ele. Tudo o que nós fazemos deve ter o Senhor no seu centro. Tudo o que realizamos deve ser em amável união com Ele – com o Deus que salva, que santifica. Simplesmente porque somos fracos, porque necessitamos de misericórdia, precisamos ser capazes depender do Senhor. Todos nós fazemos o melhor que podemos de acordo com nossas habilidades e possibilidades, mas colocamos nossas mãos nas mãos do Senhor Eterno e Deus.

A Esperança vem nos visitar durante o Advento. Todos nós precisamos desta esperança no futuro. Nossa própria felicidade pessoal depende disso. Não importa se somos crianças ou adolescentes, ou se estamos nos aposentando, todos nós precisamos da experiência que a esperança nos dá. Imagine alguém que não tenha esperança. O desespero está rondando. Não poderia ser esse o significado das aflições do inferno – existir sem nenhuma chance ou possibilidade de esperança? O Advento é o tempo especial para se ter esperança. É o tempo de abastecer nossas vidas com o presente de Deus: a esperança.

Será que a esperança é a âncora de minha vida – firme e segura?”

Fonte: uniaodefamilias.com.br