Nova vida: Há 50 anos a Família se despedia do Pai

No dia 15 de setembro de 1968 falecia o Pe. José Kentenich, fundador do Movimento Apostólico de Schoenstatt. Cinco dias depois, em 20 de setembro, ele era sepultado, com a presença de uma multidão de filhos espirituais, dos mais diversos países.

A Ir. M. Petra Schnuerer, que foi secretária do fundador por alguns anos e mora, desde essa época, nos Estados Unidos, participou do velório e sepultamento. Ela conta, no vídeo (em espanhol) e no texto abaixo (em português) como recebeu a notícia e como foi vivenciar esse “renascimento pelo Espírito” do Pe. Kentenich:

 

 

Lembranças de quando recebeu a notícia

Um dia, domingo, 15 de setembro, especialmente aos domingos eu estava fora, vivendo em Staten Island, na região do Brooklin e Bronx, onde ficavam as pessoas (do Movimento) e dando uma reunião atrás da outra, porque é o dia em que as pessoas estão livres, no domingo. Então não estava em casa. Quando retornei era tarde, depois das dez da noite, alguém me telefonou e a minha superiora, que vivia em Milwaukee, na Casa do Movimento em Wisconsin, ela me dá essa notícia. Eu não a entendi.Ela disse: “Essa manhã acaba de falecer nosso Pai e Fundador”. Eu não entendia, não compreendia.

… “Estou dizendo que essa manhã, cinco minutos antes das sete, depois da missa com as Irmãs, morreu nosso Pai na Igreja da Adoração”.Bom, uma vez que eu entendi, já se imagina o que se sente e passei toda a noite assim. Era muito duro acreditar que o Pai já não estava, que não poderia vê-lo.Precisamente três anos antes, 16 de setembro, eu o havia visto pela última vez no aeroporto, ao dizer-lhe adeus, quando embarcou para Roma. Então agora chegava a notícia de que o Pai havia falecido.Bom, não passou mais que um dia e a Irmã tornou a me chamar e dizer: sabe de uma coisa, tu deverias ir ao enterro. Disse: “Eu?”. Não acreditava nisso, porque somente três poderiam ir: a superiora provincial, sua representante e uma Irmã eleita para isso, uma delegada, em outras palavras. E eu não sou nem uma coisa, nem outra. “Não, mas acredito que você deveria ir”, foi o que disse a superiora provincial…Bom, decidido, me chamam: prepara-te que será na Alemanha o enterro. Um dia depois eu já estava no avião.

Uma grande dor, mas, também, uma grande alegria

Creio que não é possível contar adequadamente, ou descrever adequadamente as experiências desse dia, porque foram múltiplas. Uma grande dor, mas, também, uma grande alegria. É incrível, não?Quando chegamos a Schoenstatt, eu corri rápido acima, ao Monte, para ver se era verdade. Eu não podia crer até vê-lo.Então, entrei na Igreja da Adoração, estavam celebrando a missa, com um silêncio, um silêncio fúnebre, horrível, um silêncio pesado, e a igreja muito cheia. Eu disse: “O que está acontecendo?” “Está tendo a missa”. E, no altar, muitos, muitos sacerdotes. Então tive que lutar um pouco para encontrar uma maneira de avançar mais à frente, até que pudesse ver o ataúde aberto nos degraus do altar.“Ai Deus meu – pensei – é verdade”.Então era verdade, era realidade e pouco a pouco entrou em meu coração, em minha cabeça: “Sim, o Pai morreu”.Bom, então tomei a decisão, e me concederam-na, de ficar ao lado do ataúde todo o tempo, até a hora do enterro. Deram-me um quartinho na Casa Mãe [das Irmãs de Maria], mas eu nunca entrei nesse quartinho.

Quando o céu tocou a terra

Era tão bonito – a palavra “bonito” não é a mais correta – era tão especial, tão fora do comum estar de joelhos, em silêncio, contemplando o rosto do Pe. Kentenich depois de ele ter terminado sua missão. Havia a atmosfera de uma paz diferente. Uma atmosfera que depois, eu dizia, à minha maneira, que o céu havia tocado a terra, e por isso se sentia assim.E então essa igreja foi se enchendo, hora a hora chegava mais pessoas. Muitos vieram de outros países, eu os havia conhecido quando estive com o Pai, e a reação de todas as pessoas que chegavam ao enterro era a mesma. Um encontro pessoal com o Pai, já transformado, ele estava na eternidade, mas seu corpo, contudo, estava presente e visível, mas com um respeito e uma dedicação, com uma entrega tão bonita. Pessoas da Austrália, da África do Sul…
Era tão impressionante.

Passagem pelo Santuário Original

Nesses dias, na manhã de sexta-feira, disseram: “Por favor, saiam da igreja, a funerária vai carregar o ataúde para iniciar a procissão, a viagem a baixo, para o Santuário Original”. Então todo mundo queria contemplá-lo mais uma vez e durou bastante tempo até que se obedecesse a esse pedido.Era uma experiência, por assim dizer, muito sobrenatural, experimentar toda essa celebração, as exéquias e a procissão a pé com o ataúde do Monte até o Santuário Original. Depois, uma hora em silêncio completo. O caixão dentro do Santuário Original, a porta aberta e todo mundo – milhares de pessoas do lado de fora. Depois os Irmãos de Maria iniciaram uma linda recitação, com a leitura do Documento de Fundação, com versos que todo mundo repetia – nada era cantado, somente falado. Muito solene e muito bonito, fazendo uso das palavras do Pai, ditas pela primeira vez, neste Santuário, no dia 18 de outubro de 1914 e, agora, pela última vez neste Santuário. Muito bonito.
Rumo à Trindade

Então, outra vez, subimos caminhando para o enterro na mesma igreja, onde está a capela do Fundador. Quando subíamos por ali, a procissão era muito grande, então eu dizia: “ai, que bonita a Família de Schoenstatt, olhem, tantos jovens, tantas Irmãs, isso não terminava”. No caminho para o Monte, as árvores não estavam tão crescidas como agora, era tudo aberto e dava para ver o caminho em curvas. Então pensava: “Vou dizer ao Pai, que bonito isso, ver tantas Irmãs, nunca tinha visto tantas de uma só vez”.

Aí me lembrava: “como vou dizer ao Pai? Estamos em seu enterro”.Bom, muita dor – repito – mas muita alegria. Sentíamos que o tempo havia parado e a eternidade tinha começado, eu não posso descrever melhor. É a eternidade e o tempo unindo-se em um momento. Céus e terra, quando se olhava o rosto do Pai falecido.

Fonte: schoenstatt.org.br

Um telegrama misterioso, um chamado do Pai

 

Leonardo Rodrigues – Rumo ao jubileu de ouro, recordemos um fato importante na história do Pe. Kentenich. Em 13 de setembro de 1965, Pe. José Kentenich recebia um misterioso telegrama que pedia o seu retorno imediato a Roma. Tal comunicado causou alvoroço, pois essa mensagem não partiu dos Palotinos, tampouco os filhos de Schoenstatt desobedeceriam uma ordem da Igreja. Assim, abriu-se o processo para a derrubada do exílio do fundador, depois de 14 anos em Miwalkee/EUA (1951 – 1965).

 

14 anos de confiança

Durante o tempo que Pe. Kentenich ficou exilado, a calma em seu coração e a confiança na Mãe de Deus se faziam presentes a todo o momento. Será que nós teríamos tal paz interior e tamanha fé para suportar as adversidades que a vida nos impõe? Essa pergunta retórica nos leva ao exemplo de nosso Fundador que, nos momentos de angústia, manteve a serenidade, crendo que tudo iria ser conforme os planos de Deus. Vemos nele uma figura serena e com seu coração em paz, pois sabia que Maria cuidaria perfeitamente de tudo, conduzindo toda e qualquer situação em um caminho com propósitos.

 

Ele amou a Igreja, a Obra e a Família – Dilexit ecclesiam et laboris et familiae

Por que o Pe. Kentenich aceitou, de bom grado, essas provações que Deus pôs em seu caminho? Por que a serenidade estava presente eu seu ser constantemente? A resposta cabe em uma palavra de quatro letras, mas que abrange um mundo inteiro: AMOR. Amor a Deus, à Mãe de Deus. Amor à sua Obra e a toda Família que se formou. E este amor, em todo momento, é recíproco por parte da Mãe Três Vezes Admirável. Tanto que, de forma misteriosa, um telegrama o leva a Roma, mudando toda a história da Obra de Schoenstatt, abrindo os “olhos” da Igreja para um mundo novo que aquele belo lugar queria construir, com homens novos de personalidades fortes.

 

Telefone do Pai: instrumento da Mãe de Deus

Muitas vezes ‘tiramos’ um “Telefone do Pai” (uma frase do Pe. Kentenich), seja ele fisicamente ou virtualmente, e vemos uma mensagem que, de alguma forma, se encaixa em nossa vida. Isso se deve ao grande amor a Deus que o transformou em profeta. Profeta este que, mesmo nos dias atuais, nos surpreende com sua forma de pensar, com seu “jeito Homem Novo” de agir. Este é o nosso Pai e Fundador, Pe. José Kentenich.

 

Um convite diário

Façamos um paralelo do Telefone do Pai com o telegrama recebido durante seu exílio.
A forma de que a mensagem é transmitida a nós é a mesma daquela enviada a Miwalkee. Não podemos explicar como Deus age. A nossa filialidade com Maria estreita nosso contato com Deus. Ela utilizou-se do Pe. Kentenich como seu instrumento aqui na Terra. Ele, Pe. Kentenich, com todo seu amor filial, disse seu sim pela Aliança de Amor. Tudo o que ele construiu aqui na terra, deixou como legado para seus filhos. Intercedendo sobre nós constantemente. Nós nos atentemos aos chamados do Pai, que todos os dias se faz presente em nossas vidas. Dêmos o nosso ‘sim’ diariamente à Aliança de Amor, aos planos que vêm dos céus.

Fonte: schoenstatt.org.br

“Anos decisivos”: Páginas sobre uma inspiração divina

 

Karen Bueno – Depois de “Os Anos Ocultos”, a história continua. Quais atividades o Pe. José Kentenich exerceu logo após ser ordenado sacerdote? Como era sua relação com os jovens? Como foi, em detalhes, essa fase de pré-fundação da história de Schoenstatt? São perguntas instigantes que a Dra Dorotheia Schlickmann (Ir. M. Doria) responde em seu novo livro, “Anos decisivos”, recém-lançado no Brasil.

A ordenação sacerdotal do Pai e Fundador é o ponto de partida para essa história, contada em dois livros (tomo I e tomo II), passando pelo período de pré-fundação da Obra Internacional de Schoenstatt e seus primeiros frutos (1910 a 1915).

“Anos Decisivos” é a sequência biográfica do livro “Os Anos Ocultos”, ambos escritos pela mesma autora. Eles trazem uma pesquisa minuciosa e documentada sobre fatos, momentos e histórias da Obra de Schoenstatt, que desejam ser uma inspiração para a geração atual.

Uma mensagem para este tempo

Durante toda a sua vida, o Fundador afirmou que o futuro de Schoenstatt dependeria da fidelidade das gerações futuras às “forças fundamentais” que lhe haviam dado origem. A transformação interior dos alunos do seminário de Vallendar, a partir de sua entrega a Maria – quer dos que se encontravam nos fronts da primeira guerra mundial, como dos que continuavam no seminário – é a prova de que Maria, tal como prometera em 18 de outubro de 1914, “ama os que a amam”.

Os mais de 100 anos da história de Schoenstatt, marcados por desafios e provações de todos os tipos, e pela resposta da misericórdia divina às fragilidades humanas, são a prova incontestável de que as “forças fundamentais” divinas e humanas que deram origem a Schoenstatt – ou seja, a Aliança de Amor com Maria – continuam vivas e atuantes.

Cada página é um convite para conhecer a história e torná-la vida hoje. As linhas que contam sobre esses “anos decisivos” mostram o heroísmo dos primeiros e inspiram a geração atual na luta pela santidade. Nos “tempos decisivos” de 2018, este livro permite compreender como a geração fundadora enfrentou os desafios de sua época e traz luz para os desafios de hoje, sempre se baseando na visão profética do Fundador.

 

Descrição:

Livro: Anos Decisivos – Padre José Kentenich da Ordenação Sacerdotal à Fundação de Schoenstatt.
Autora: Dorotheia Schlickmann
Editora: Sociedade Mãe e Rainha
Páginas: Tomo I com 360 páginas; Tomo II com 424 páginas (vendidos somente em conjunto)
Dimensões: 15 x 21 centímetros

 

Compras:

Disponível nos Santuários de Schoenstatt do Brasil: Veja os contatos e endereços
Compras pela internet via Shop Aliança e Sociedade Mãe e Rainha

Fonte: schoenstatt.org.br

Matias e Ana Maria: Os avós do Pe. Kentenich

Karen Bueno – “Bem-aventuradas aquelas famílias que têm um avô próximo! O avô é pai duas vezes e a avó é mãe duas vezes” – assim dizia o Papa Francisco em seu encontro com os anciãos e avós (28/09/2014). Neste dia, 26 de julho, em que a Igreja celebra São Joaquim e Santa Ana, os avós de Jesus, também é ocasião de celebrar essas figuras tão importantes na vida das famílias.

Casa de Matias e Ana Maria, onde o Pe. Kentenich nasceu – Hoje um museu visitado pela Família de Schoenstatt

Conhecendo a história

Descobrindo a história do Movimento Apostólico de Schoenstatt, percebe-se, também, como os avós têm aí um papel importante. Estamos falando de Matias e Ana Maria Kentenich, os avós do Pai e Fundador, que desde muito cedo tiveram grande influência na vida do Pe. José Kentenich, ajudando a cultivar o solo fecundo que um dia o Bom Deus usaria para semear um novo Movimento para a Igreja.

A pesquisadora Ir. M. Doria Schlickmann descreve o que descobriu sobre os primeiros anos de vida do Pe. Kentenich: “A atitude cristã e social dos avós e os costumes religiosos cultivados em casa marcaram a primeira infância do pequeno José. Cuidados e ajuda aos outros, empenho em favor dos pobres e fracos, disponibilidade para acudir aos necessitados sem temer sacrifícios, fortaleza de caráter, bondade e religiosidade, assim como o amor a Maria, estavam profundamente enraizados na casa dos avós”.

 

Os avós

          Ana Maria Kentenich

Matias Kentenich e Ana Maria Blatzheim se casaram em Gymnich, uma pequena aldeia a sudeste de Colônia, em 1844. Pouco depois do casamento, o avô comprou uma casa simples, que tinha, em sua propriedade, um celeiro, um pátio, uma horta e uma pequena cocheira para um ou dois cavalos de carga. Como em toda a aldeia, a situação era de pobreza. A modesta casa, de enxaimel e paredes de tijolo, tinha apenas meio porão. Consistia em uma cozinha, uma pequena sala de trabalho, porão, sótão e duas pequenas dependências, usadas como sala de estar, de jantar e dormitório.

O casal teve oito filhos e, apesar de viverem em difícil situação econômica, os avós Kentenich acolheram mais três netos, que criaram junto de si. O Pe. José Kentenich nasceu na casa de Matias e Ana Maria, onde passou os primeiros anos de vida. Ali cresceu, sob os cuidados da sua mãe, Catarina Kentenich, a filha mais nova do casal. Em Gymnich todos se conheciam e durante aqueles anos, a personalidade de José Kentenich recebe uma marca decisiva, não por último na convivência com os familiares mais próximos, conhecidos e parentes.

O avô vendia pequenas quantidades de produtos agrícolas, como ovos, frutas, verduras e batatas que transportava, na sua carroça, para Colônia e arredores. Ele era considerado uma personalidade de caráter severo e reto, uma pessoa de respeito na família. José Kentenich não conviveu muito tempo com o avô, pois, antes do menino completar três anos, Matias faleceu de “água no peito”, ou seja, de “pleurisia” – possivelmente foi usada essa expressão velada para indicar tuberculose pulmonar ou outra enfermidade. Mesmo assim, o avô representava uma figura paterna para os netos que conviviam na casa. Ao que parece, os meninos sentiam-se seguros com ele, porque à noite se divertiam em cima dos colchões de palha, brincavam de esconde-esconde pela casa e diziam tudo o que pensavam.

Ana Maria, a avó, era vista como uma mulher cheia de bondade, profundamente religiosa e dedicava um amor especial à Mãe de Deus. Os parentes recordam que todas as noites percorria a casa com um raminho de planta e água benta, para abençoá-la, segundo um antigo costume das zonas rurais. Henriqueta Esser conta que a avó era “uma mulher toda apoiada em Deus” e “muito mansa”. “Não podíamos falar alto, ela não gostava. Era muito piedosa e também rezava conosco, crianças. Tínhamos que nos colocar na sua frente e ela ensinava-nos oraçõezinhas de criança: ‘Meu pequeno Menino Jesus’…, ‘Santo anjo do Senhor…’. Depois fazia-nos decorar as verdades da fé e, em vez da oração da manhã, fazia-nos perguntas de catecismo: Por que estás na terra? Quantas Pessoas Divinas há? Quem te criou,… redimiu,… santificou? … Quantos sacramentos há? … Quais são? Às vezes ainda estávamos com muito sono, então ela dizia: ‘Vamos, ainda vão demorar?’ E nós respondíamos, sonolentos, arrastando as sílabas: ‘Os sete sacramentos: o Batismo…”’.

Enquanto descascava batatas, a avó costumava enfileirar os ‘olhos’ que extraía delas. Quando lhe perguntavam o que estava fazendo, respondia: “Psit! Estou rezando o terço”. A relação da avó com o pequeno José era harmoniosa, de carinho mútuo, como Pedro Hesseler, amigo de férias, dá a entender nas suas memórias: “Ele (José) dava-se bem com a avó. Ela também nunca ralhava com ele”. A bondosa mulher acolhera a criança no coração.

Após a morte do marido Matias, Ana Maria ficou sozinha até idade avançada, cuidando dos que moravam com ela. Em 1906, mudou-se para a casa da filha mais velha, em Nörvenich, onde faleceu, no dia 29 de janeiro de 1909, aos 90 anos. Ela não vivenciou, portanto, a ordenação sacerdotal de seu neto José, em 1910.

Nós os agradecemos!

A Família de Schoenstatt expressa gratidão ao casal Kentenich, por ajudar a cuidar, preparar e desenvolver o Pai e Fundador da Obra Internacional. Em 1926, quando os dois já haviam falecido, a Sra. Catarina Kentenich escreveu, em uma carta, ao seu filho: “Como seus avós vão alegrar-se contigo e rezar por ti!”. Hoje, após tantos anos, permanece a missão a todos os filhos de Schoenstatt, inspirados no Fundador, de buscar uma vida de santidade, a ponto de causar muita alegria aos avós Kentenich, que certamente olham do céu para os seus muitos “netos espirituais”.

 

Pesquisa histórica: 
Os Anos Ocultos – Padre José Kentenich infância e juventude (1885-1910). Dorthea M. Schlickmann. Sociedade Mãe e Rainha, 1ª edição, 2008.

Fonte: schoenstatt.org.br

Informações atuais sobre a Causa do Pe. Kentenich

Pe. Eduardo Aguirre, postulador da Causa de Beatificação do Pe. José Kentenich, nos traz informações atualizadas sobre o processo e nos dá mensagens importantes sobre a vivência deste carisma no Ano Kentenich. Confira:

 

Sobre o estado do processo de beatificação do Padre Kentenich

Muitos membros da Família de Schoenstatt perguntam quando pode ser esperado o próximo passo no processo de beatificação de Pe. Kentenich. Como Postulador do seu processo de beatificação, gostaria de fornecer as seguintes considerações.

O procedimento diocesano de beatificação do Pe. Joseph Kentenich já foi, em grande medida, completado. O Movimento de Schoenstatt agradece a prudência e a boa vontade demonstradas e dispensadas pela Diocese de Trier à causa da beatificação do seu fundador. Schoenstatt continua contando com a boa relação de confiança e cooperação com a diocese para esclarecer as questões pendentes.

É bem sabido que o processo do Pe. Kentenich é muito extenso, de longo alcance e não isento de controvérsia. Ele é a personalidade fundadora de uma Obra muito grande, diversificada e mundial. Sua beatificação não está ligada apenas localmente à diocese de Trier, mas tem um amplo significado internacional para toda a Igreja. O Pe. Kentenich foi fortemente provado pela Igreja por mais de 14 anos. O que era original e inovador em sua fundação e pedagogia foi posto em questão pela Igreja. Esta é uma das razões pelas quais muitos aspectos devem ser estudados e clarificados em profundidade durante o processo de beatificação.

Como em cada processo de beatificação, a pesquisa sobre o Pe. Kentenich abrange tanto a sua santidade pessoal de vida quanto sua missão pela Igreja. Estes dois aspectos foram abordados no processo. São aspectos importantes que foram investigados a fundo nas últimas décadas, desde a morte do fundador, e de maneira louvável, por parte dos postuladores e do Secretariado do Pe. Kentenich, assim como por muitos membros da Família de Schoenstatt. É por isso que, 50 anos após a morte do fundador, eles merecem um grande agradecimento. É justo dizer hoje, com vistas à beatificação do fundador, que houve um esforço sério e que tudo o humanamente possível foi feito para promover o processo. Agora é o momento para nós, como Família de Schoenstatt, de colocar renovadamente tudo nas mãos de Deus e da Nossa Senhora; insistir com ardor renovado em nossa oração e nas nossas contribuições para a capital da graça pela causa de nosso Pai: Tua res agitur! Agora Deus Pai tem de falar! E temos que escutar com paciência e confiança filial o que ele quer nos dizer.

O que Deus gostaria de nos dizer nesse momento de espera? O que podemos fazer?

É concebível que Deus quer dar-nos tempo para que o nosso Pai e Fundador, com a sua pessoa e a sua missão, se torne ainda mais vivo e presente no nosso meio; para que o conheçamos melhor e assumamos a sua visão, a sua espiritualidade e a sua pedagogia de forma mais decidida e eficiente. Sim, toda a Família de Schoenstatt deve estar mais consciente e sentir-se mais responsável pela sua beatificação. Ainda estamos longe de atingir o objetivo da assimilação e transmissão de seu carisma. O espírito do fundador deve tornar-se ainda mais forte e estar mais vivo em nós. É o espírito que inspirou o Congresso de Pentecostes de 2015 em Schoenstatt e que quer incentivar e promover um “Schoenstatt em saída”:

“Repletos de espírito missionário, propomos a todas as pessoas, para além de todas as fronteiras – até às periferias da sociedade – a Aliança de Amor como caminho e esperança. Construímos, assim, uma abrangente cultura de aliança. O carisma profético do nosso Pai e Fundador impele-nos a uma nova fundação de Schoenstatt em meio às situações dos tempos de hoje” (do Memorandum do Congresso de Pentecostes, Schoenstatt, 23 de maio de 2015).

Devemos aumentar os nossos esforços para tornar mais conhecida a pessoa do Pe. Kentenich e promover a sua missão. Teríamos de entender todas as nossas atividades nesse sentido; em cada reunião do grupo, em cada encontro e ação apostólica na qual procuramos implementar os ensinamentos e orientações do fundador, estamos contribuindo para o seu reconhecimento como uma personalidade profética e santa para o nosso tempo. Nas comunidades, nas dioceses, nos diferentes países e na Igreja universal, especialmente em Roma, a pessoa e a missão de nosso Pai e Fundador devem ser ainda mais conhecidas e reconhecidas.

Mas, a principal preocupação não é que o Pe. Kentenich seja “elevado aos altares” o mais cedo possível, visto que corresponde ao fundador de uma grande Obra ser venerado como um santo. Não nos esforçamos pela canonização do Pe. Kentenich por nós mesmos, pela nossa satisfação e pelo prestígio do nosso Movimento. O que nós ansiamos é que com o reconhecimento da sua santidade pela Igreja, o seu carisma seja reconhecido, aceito e seja uma fonte de renovação para o tempo presente.

O Pe. Kentenich conscientemente não fala do seu carisma, mas do carisma e da missão de Schoenstatt para a Igreja e para o mundo de hoje. Esta é a herança que temos recebido dele e que queremos assumir renovadamente e com maior consciência, especialmente neste Ano do Pe. Kentenich, para levá-la à Igreja. O carisma do Pe. Kentenich é o nosso carisma. Portanto, é um desafio para nós – 50 anos depois de sua morte – e é a nossa responsabilidade que o seu carisma seja frutífero na Igreja e no mundo. Isso não pode ser separado de sua pessoa. Por isso é que também procuramos o reconhecimento formal da santidade do Pe. Kentenich por parte da Igreja. Com o espírito do fundador, queremos nos projetar com ele ao futuro.

Acima de tudo, cada um de nós e, juntos, nas nossas comunidades, somos chamados a seguir o caminho da santidade que aponta o Papa Francisco na sua Exortação Apostólica, Gaudate et Exultate, de 19 de março de 2018. Assim, seremos as melhores testemunhas da santidade do nosso Pai e Fundador.

Novamente nos deixamos desafiar pelas palavras da nossa Mãe no Documento de Fundação: “Não vos preocupeis com a realização do vosso desejo. Ego diligentes me diligo. Eu amo os que me amam. Provai primeiro que me amais realmente, que levais a sério o vosso propósito. Agora tendes a melhor oportunidade para fazê-lo”.

Se vivermos a nossa própria missão, que está ligada à missão do Pe. Kentenich, então a sua beatificação e canonização por parte da Igreja chegará oportunamente.

Pe. Eduardo Aguirre
Postulador

 

Fonte: schoenstatt.org.br