
Hoje, 13 de março, há 83 anos, o Padre José Kentenich chegava ao Campo de Concentração de Dachau, ficando preso até abril de 1945. Um tempo de muito sofrimento, mas também muito fecundo para ele e para a Obra de Schoenstatt.
Uma difícil viagem até Dachau
Recordemos a história: em março de 1942, precisamente no dia 11, o Padre Kentenich foi levado para o Campo de Concentração. A viagem (que para muitos dos prisioneiros, não tinha regresso), inicia-se na estação de Coblença. Juntamente com outros prisioneiros, o Padre Kentenich esperou a sua vez de subir no trem que o levaria até Dachau. Os vagões eram de transporte de gado, de forma alguma apropriados para transportar pessoas.
Durante a viagem, o Padre Kentenich teve como companheiros mais chegados o Dr. Hanz Carls, sacerdote e Diretor da Cáritas, e um comunista que, cheio de angústia, não se afastava dele.
Em Wiesbaden (outra cidade alemã), tiveram que mudar de trem e foram algemados. Durante a viagem, não receberam nada para comer nem para beber e foram sempre vigiados de perto por soldados das SS, que eram acompanhados por cães.
Após dois dias de penosa e dura viagem, chegaram a Dachau no dia treze de março de 1942, por sinal, uma sexta-feira.
A área do campo abrangia um retângulo de 144.000 metros quadrados (240×600). Estava todo cercado por um muro, iluminado à noite. Pela parte de dentro, existia uma cerca de arame farpado eletrificado e um fosso com água. Ao longo do muro, existiam oito torres de vigia, com três soldados em cada uma delas, armados de metralhadoras. Se alguém se aproximasse a oito metros do fosso, os guardas disparavam de imediato, sem aviso prévio.
Ao longo da avenida central erguiam-se as barracas, 17 de cada lado. Duas funcionavam como enfermarias, uma como cantina e outra como oficina. As restantes serviam de residências aos prisioneiros. Em cada barraca que tinha 98×9 metros viviam 208 prisioneiros, divididos por 4 compartimentos, ou seja, 52 prisioneiros em cada compartimento.
Uma acolhida nada amistosa
Ao chegar ao campo de concentração, os prisioneiros viam inscrito na entrada “Arbeit macht frei”, em alemão: ‘o trabalho liberta’. As formalidades de entrada demoravam várias horas. Já na chegada, os sacerdotes eram ridicularizados e alvos de zombarias, por parte dos soldados. Em seguida, passavam pela “seção política” onde eram fotografados e recebiam o seu número de prisioneiro. Ao Padre Kentenich coube o número 29392.
Ao aperceber-se da grande tranquilidade e firmeza que demonstrava o Pai e Fundador, o chefe das SS resolveu tentar quebrá-lo. Gritou muito com ele, disse-lhe palavras grosseiras e fez-lhe muitas perguntas. Em troca, recebeu do Padre Kentenich um olhar tranquilo e um sorriso cordial. Enfureceu-se ainda mais e fez menção de lhe bater, mas não chegou a fazê-lo.
Dois dias mais tarde, os dois encontraram-se e o chefe das SS, reconhecendo-o de imediato, mandou o Padre Kentenich limpar-lhe a bicicleta. Que lhe respondeu: “sim, vou fazê-lo, não por que deva fazê-lo, mas sim porque como homem livre, quero brindá-lo com esse serviço”. O chefe respondeu: “não, não necessita fazer isso”. Em seguida, o Padre Kentenich perguntou-lhe porque no dia da chegada lhe tinha gritado tanto e a resposta não podia ser mais esclarecedora: “experimenta-se tudo, para infundir medo”. Após esta conversa, o chefe levou o Padre Kentenich para o seu gabinete e contou-lhe toda a sua vida.
Foram assim os dias iniciais da vida do Padre Kentenich em Dachau, onde viveria momentos terríveis, mas onde conseguiu manter sempre uma fé inabalável, uma confiança sem limites na Mãe e onde serviu sempre de apoio a todos os que necessitavam.
Fonte: Schoenstatt Aveiro
