Novena ‘Livre em Algemas’ – 2º dia

SERENIDADE E AUDÁCIA 

 A forma como o Padre José Kentenich passou as quatro semanas no ‘bunker’ (prisão solitária subterrânea) causou grande impressão na cadeia, inclusive entre a gente da Gestapo A isto somou-se a sua própria confissão: “Não tive na prisão sub nenhum só segundo de amargura”. Sem que fizesse nada de sua parte, passou a ser um personagem popular na prisão, sendo saudado inclusive pelos guardas. 

A mudança de cela fez com que ficasse vizinho do Pe. Eise (um dos seus colaboradores de Schoenstatt, também preso). “Com pancadinhas fiz-me reconhecer imediatamente. Entendíamo-nos através de diversos sinais e conversávamos à nossa maneira. Juntos cantávamos muitíssimo “não havemos de perecer” (último verso do Hino da Família de Schoenstatt)”. 

Havia começado a época das chuvas. Diariamente os prisioneiros tinham um tempo de movimento no pátio da cadeia. Como o Padre Kentenich tinha levado para Coblença os seus sapatos mais velhos, estes tornaram-se ralos, por onde passava água. Frequentemente andava com os pés molhados. Um dia, nos fins de outubro, pediu a um dos guardas – o de pequena estatura – se podia ir até o Hospital São José (atendido pelas Irmãs de Maria) e pedir à Irma Superiora que lhe enviasse um bom par de sapatos. Para isso escreveu uma breve mensagem: “Na sexta-feira ou sábado, por favor, junto com a roupa traga-me também sapatos. Os que tenho aqui deixam passar a água…”. O guarda aceitou ser mensageiro. Quando lhe trouxeram os sapatos, veio também uma cartinha da Superiora: tinha se estabelecido o primeiro contato ilegal. Daí em diante, dois dos guardas seriam as pontes de contato ilegal com Schoenstatt: um era protestante, e, por sua estatura muito grande, recebeu o apelido de “emissário grande”; o outro, pequeno católico, foi chamado de “o pequeno emissário”. Padre Kentenich tinha a convicção de que devia trabalhar, por todos os meios ao seu alcance, para o serviço de sua Família de Schoenstatt, apesar dos riscos devido a este modo de proceder. 

Através dos emissários, as Irmãs enviaram ao Padre Kentenich os utensílios necessários para celebrar a Santa Missa. Era estritamente proibido rezá-la. Um dia, o “emissário grande” ofereceu o seu serviço para trazer-lhe: hóstia, vinho, um pequeno cálice e um Missal. Pe. Kentenich guardava-os escondidos por trás de uns livros, sobre a mesinha colocada justamente em frente ao postigo da porta. A este respeito ele relata:  “De manhã muito cedo, celebrava missa, enquanto se limpavam as celas, e certamente no meio de muito ruído. Havia uma grande confusão em toda a casa. As portas se abriam, os guardas entravam nas celas, as chaves giravam, as portas da cela batiam-se, os baldes moviam-se de lugar, faziam-se as camas, limpavam-se as celas. Enquanto os outros corriam por ali, eu celebrava. Punha tudo à vista. Quando chegava o controle escondia tudo rapidamente”.   

Chamava atenção a serenidade e a audácia demonstradas pelo Padre Kentenich durante a sua estadia na cadeia. Sem querer, a gente pergunta de onde tirava ele esta atitude.  Um prisioneiro, que não podia dominar a situação, em determinada altura aproximou-se do Padre Kentenich e perguntou-lhe se, de vez em quando, não tinha passado horas amargas. “Não, nenhuma hora pesada respondeu-lhe – nem sequer um segundo pesado, nem quando estive no bunker, que era uma máquina extraordinária de desgaste”.  Da sua cela, e arriscando-se continuamente, porque de forma ilegal, Padre Kentenich manteve abundante correspondência com a Família de Schoenstatt.   

As provas extraordinárias pelas quais passava implicavam também graças extraordinárias, muita luz interior. “Tinha então a minha mente tão cheia de luz – escrevia – que só necessitava pôr-me a ler…. As coisas eram assim: levanta-me de manhã e escrevia tudo o que durante a noite era claro para mim”. Meditava sobre a situação da sua Família, da Igreja e do mundo. A Europa e o mundo estavam envolvidos nas chamas e na destruição da segunda guerra mundial.  Padre Kentenich procurava penetrar na obscuridade dos tempos e intuir o futuro: “No horizonte aparecem, com crescente clareza – escreve -as grandes linhas estruturais de uma nova ordem mundial; um mundo velho está em chamas”. 

 

MENSAGEM DO PADRE KENTENICH 

Padre Kentenich tinha se preparado desde há muito tempo para passar uma situação assim. Ele comenta: “Isto provém do fato de que desde há muito tempo, anelava viver essas coisas, e ainda piores, sucedeu-me então, como ao peregrino, que, finalmente, depois de muito esperar, alcança a terra de seus anelos e de seus sonhos dourados”.  

Tratava-se de viver uma radical e total disponibilidade para o querer de Deus manifesto nas circunstâncias. Quando se tem em conta a dificuldade da natureza humana em aceitar a dor, normalmente é muito difícil, se não impossível, alcançar essa indiferença, se não se aspira positivamente ao amor à Cruz. É o que na Família de Schoenstatt se conhece com o nome de “Inscriptio”. 

Pe. Kentenich explicava-a da seguinte maneira: “É frequente dizer-se a Deus: Tu podes me enviar qualquer coisa… menos essa. “Inscriptio” consiste em dizer a Deus: “Tu podes enviar-me qualquer coisa… especialmente essa” (a que eu temo). Uma atitude assim supõe uma radical confiança em Deus como Pai, que nunca mandará uma cruz ou dor sem dar abundantes forças para carregá-la. O Cristianismo não é uma religião da dor; nem a medida da dor é sintoma de perfeição. É a dor que o Pai previu para nós, se é suportada com paciência e transformada com amor”. 

Eu também, como o Padre Kentenich, sou capaz de crer no amor de Deus Pai e dizer: “Tu podes enviar-me qualquer coisa… especialmente essa”, que tanto temo? 

 

PROPÓSITO 

Hoje, ao menos uma vez, quero escolher aquilo que é mais difícil para mim, a fim de crescer na generosidade e na fé sobrenatural. 

 

ORAÇÃO 

EU TE PEÇO TODA A CRUZ 

Pai, eu te peço toda a cruz e sofrimento que preparaste para mim. Liberta-me da vontade própria doentia, 

que eu satisfaça teus mais leves desejos! Torna-me semelhante, igual a meu Esposo, só então serei feliz e sumamente rico. 

Nada há que não possas enviar-me, faze tudo, para dominar meu eu, e assim, só Cristo viva e opere em mim, nele, eu te cause somente alegria. 

Pai, nunca me enviarás cruz ou sofrimento, sem me conceder forças abundantes para o suportar; o Esposo em mim ajuda a carregar, a Mãe vigia: assim sempre somos três. 

Se, porém, quiseres preservar-me do sofrimento, só quero corresponder ao teu desejo paternal, então te peço: afasta de mim toda a adversidade, tu és a única estrela de minha vida. 

Até agora eu mesmo estive ao leme e, no barco da vida, muitas vezes te esqueci; desamparado, para ti me voltei, de vez em quando, para que o barquinho navegasse conforme os meus planos. 

Dá-me, Pai, finalmente a conversão total! No Esposo quero anunciar ao mundo inteiro: o Pai tem o leme nas mãos, embora eu desconheça o destino e a rota. 

Agora me deixo guiar cegamente por ti: quero escolher somente tua santa vontade; contigo atravessarei noites e trevas, porque teu amor sempre vela por mim. Amém. 

Rumo ao Céu (393-400) 

Você é a ocupação predileta de Deus, acredite, é verdade

A Divina Providência cuida de cada detalhe da sua vida, tanto nos momentos de alegria como nas horas de dificuldade. Essa reflexão nos traz o Padre José Kentenich:

Devemos ter a mais viva convicção de que Deus traçou um plano, não só um plano para o mundo, mas também um plano para minha vida pessoal. Quem concebeu esse plano? Não só a sabedoria e a onipotência de Deus, mas também o amor de Deus. Por isso é um plano de sabedoria, de onipotência e, principalmente, um plano de amor. Isto é verdade.

 

E o que isso significa?
Se nós pudermos nos colocar vitalmente neste terreno com ambos os pés, com todo o nosso ser, estaremos sempre em segurança – mesmo que em um ou outro caso não saibamos como agir. Mas se, de antemão, considerarmos: é um plano de amor, estaremos salvos. Então eu sei: neste plano há esse ou aquele sofrimento. Ser filho da Providência significa: ter a certeza de que qualquer acontecimento, alegria, dor, desilusão é um elemento essencial do plano de sabedoria, onipotência e amor de Deus. O filho da Providência, em todas as situações, se sente como o filho predileto de Deus.

 

Não pensar que Deus esteja dormindo…

Antes, é como se Deus e eu estivéssemos sozinhos no mundo, tal o cuidado com que Ele toma em suas mãos os fios de minha existência. Eu, a ocupação predileta de Deus e Deus minha ocupação predileta pessoal! É isso o que significa na prática ser a ocupação predileta de Deus. Por isso o filho da Providência vive do espírito da Família, pois o espírito de Schoenstatt é o espírito da Providência.

Podem, por isso, acrescentar outra expressão: faz parte de nossa estrutura, de nossa espiritualidade, a filialidade singela. Por isso, não foi em vão que falamos de uma genialidade da ingenuidade. Ingenuidade não é primitivismo. Ingenuidade é filialidade, espírito da filialidade, espírito da providência.

[…] Um exemplo do tempo do pós-guerra – eu o guardei porque é muito impressionante:

Depois da guerra por toda a parte havia carência de moradias. Em algum lugar no norte, perto de Colônia, morava um jovem comerciante. Era casado e Deus também lhe concedera um filho. Mas a família vivia apertada num quarto. O comerciante tinha muita escrita a fazer. Podem imaginar o que acontecia? A mulher cozinhava, a criança gritava e o homem trabalhava. Resultado: o homem ficava irritado. A pobre mulher sofria com isso, mas como era sábia, lhe disse: deves consultar um psiquiatra. O homem se opôs, mas finalmente resolveu aceitar o conselho. Porém a mulher não podia saber. Voltou para o quarto. O pequeno continuou a berrar, a mulher a cozinhar, mas o pai estava mudado, não se irritava mais. Então a mulher tomou coragem e perguntou-lhe: “Então, o que o médico lhe disse?” E ele respondeu: “Vamos nos alegrar e deixar que o pequeno grite, assim teremos depois um descendente sadio!”

Aí se oculta muita sabedoria da vida. Façam-no do ponto de vista religioso: tornar objeto de nossa alegria tudo o que é difícil para nós. Com isso consegue-se superar as dificuldades. O que queremos? O que Deus quer. Mas isso não atinge o mais profundo do ser. Devo dizer a mim mesmo: “O que Deus quer, é justamente isso que eu queria”.

Por exemplo: “Minha irmã é histérica: é justamente isso que eu queria”. Podem imaginar? Com uma irmã assim não dá para brincar. Imaginem então se começarem a se lamentar! Não: “É justamente isso que eu queria”. Ou: “Antes eu tinha uma casa tão acolhedora, e agora…! É justamente isso que eu queria!” – Devem aceitar toda a cruz e sofrimento que lhes tortura interiormente.

Sabem, sem sofrimento não podemos avançar. Quando ficamos mais velhos percebemos que ficamos mais isolados. Antes não se fazia nada sem nós e agora…! “É justamente isso que eu queria!”

 

Percebem quanta sabedoria de vida há em tudo isso?

É a sabedoria de vida do filho da Providência. Isso deve penetrar até a carne e o sangue. O domínio da vida se manifesta no fato de dominarmos a alegria e o sofrimento… Outra imagem que me ocupou durante o tempo da prisão – uma imagem muito singela: uma mulher espera um filho. Essa mãe não vai preparar as melhores fraldas para seu filho? Esta imagem sempre me voltava à mente quando eu, depois de estar com excesso de trabalho, de repente fui colocado num calabouço. Agora tudo acabou. Humanamente falando, seria de sucumbir. O pensamento “São as melhores fraldas que Deus preparou para ti” fez-me superar tudo.

Podem imaginar como esta imagem pode influir em nossa vida? É filho da Providência aquele que constata: és a ocupação predileta de Deus! Também em Dachau eu sempre mantinha a convicção interior: (estas) são as melhores fraldas! É a velha lei: quando um sarrafo está muito inclinado para a esquerda e eu quero endireitá-lo, devo dobrá-lo fortemente para a direita. Tenham particularmente diante de si, como meta, o que é difícil, tornando-o objeto da alegria- não só eticamente, mas sempre em relação com Deus.

 

Pe. José Kentenich, Schoenstatt / 1950, encontro da União Apostólica Feminina.

Fonte: Abrigado em Deus Pai – Textos escolhidos sobre Deus Pai, Pe. José Kentenich.

Fonte: schoenstatt.org.br

Parabéns Padre José Kentenich: 139 anos de nascimento

 

Há 139 anos, em 16 de novembro, nascia em Gymnich, Alemanha, o Fundador do Movimento de Schoenstatt, Padre José Kentenich.

Uma vida consagrada a Maria

Em 1894, quando contava nove anos de idade, não podendo tê-lo consigo por causa de grandes dificuldades familiares e econômicas, sua mãe o levou ao orfanato de Obernhausen. Nesse momento de profunda dor, dirigindo-se à capela do orfanato, ela rezou diante da imagem de Maria: “Educa tu o meu filho. Sê para ele plenamente mãe!” Tal acontecimento marcou profundamente o menino José Kentenich. Sempre de novo pôde experimentar o que ele mesmo testemunhou na celebração do jubileu de prata do seu sacerdócio: “Ela (a Mãe de Deus) formou-me pessoalmente desde os nove anos de idade. Minha educação foi exclusivamente obra da Mãe de Deus, sem nenhuma (outra) influência humana profunda. Sei que com isso digo muito”.

 

Fundador da Obra internacional de Schoenstatt

Em 1914, sendo diretor espiritual de um seminário dos Padres Pallottinos em Schoenstatt, Alemanha, fundou o Movimento Apostólico de Schoenstatt, um dos primeiros movimentos eclesiais da história da Igreja, hoje presente em todos os continentes.

Provado no sofrimento

A  cruz e o sofrimento foram uma constante na sua vida, porém ele se empenhou em viver e ensinar aos seus filhos espirituais a descobrir através de cada acontecimento a mão amorosa de Deus Pai. Nessa atitude enfrentou a perseguição do Nazismo que o condenou à prisão e a mais de três anos no campo de concentração de Dachau, e suportou os 14 anos de separação de sua Obra, impostos pela Igreja.

‘Ele amou a Igreja’

Com seu exemplo e ensinamento procurou infundir em cada membro da Família de Schoenstatt o lema que ele mesmo escolhera para a sua lápide sepulcral: ‘Dilexit Ecclesiam’ – Ele amou a Igreja! Deus o chamou para a eternidade no dia 15 de setembro de 1968, dia da festa de Nossa Senhora das Dores, logo depois da Santa Missa que ele acabara de celebrar na Igreja da Santíssima Trindade em Schoenstatt, onde também está sepultado.

 

Para saber mais sobre o Pe. Kentenich.

3 novos Santuários: Pe. Kentenich continua inspirando gerações

Karen Bueno – 56 anos após seu falecimento, o que o Pe. José Kentenich diria à Família de Schoenstatt neste dia 15 de setembro de 2024? É impossível saber ao certo. Curiosamente, há um aplicativo lançado há pouco tempo (somente em espanhol) que vai de encontro a isso. Um argentino desenvolveu o projeto “Cartas com o Pai” que aplica inteligência artificial a textos do Pe. Kentenich. Na prática, pelo app é possível escrever uma mensagem ao Pai e Fundador e, em segundos, receber uma resposta pessoal baseada em seus textos. É a tecnologia aprimorando vivências que já são comuns no Movimento, como os “telefoninhos do Pai”, por exemplo.

Mas, independentemente do que o Pe. Kentenich nos diria hoje, podemos ter certeza de algo: ele deve estar muito feliz ao ver sua Família de Schoenstatt vivendo este mês de setembro de 2024. Isso porque, apesar das cinco décadas que ele partiu, seu espírito continua vivo e entusiasmando muitos corações pelo mundo. Isso fica nítido nas três inaugurações de novos Santuários que aconteceram – e estão acontecendo – atualmente.

O Santuário de Maringá, no Brasil, e o primeiro Santuário da RD Congo foram inaugurados no último dia 8 de setembro. Hoje, o Santuário de San Juan, na Argentina, é abençoado.

Neste dia 15 de setembro, os membros da Família de Schoenstatt dos locais onde se inauguraram novos Santuários nos falam como o Pe. Kentenich anima e entusiasma as novas gerações na busca pela santidade.

 

RD Congo: Os schoenstattianos querem ser homens novos

 

O Pe. Emmanuel Kahavu, reitor do novo Santuário, conta:

O espírito, o entusiasmo e o carisma do Pe. Kentenich estão vivos – e bem vivos – na República Democrática do Congo. Isso porque, com a chegada do Movimento de Schoenstatt, as pessoas se apropriaram de seu carisma e de suas ideias, de sua maneira de viver, sendo uma ponte entre Deus e os homens. Elas se tornaram mais caridosas do que antes, graças ao lema: Nada sem vós, nada sem nós. Em outras palavras, graças a esse lema, as pessoas viram que há força na unidade. Outra coisa que caracteriza a todos, agora, é a ideia de formar um novo homem em uma nova sociedade. Em cada parte, em cada paróquia, descobrimos que as pessoas mais exemplares, os modelos, são os schoenstattianos, sobretudo em sua maneira de ser, de viver e até de falar – tudo graças ao que aprenderam no Movimento.

Schoenstatt tornou-se uma missão de vida, porque eles encontraram em Kentenich uma pessoa íntegra e humilde, que sempre quis mudar a sociedade e que sempre acreditou na Providência Divina. Até mesmo o Santuário que acabamos de conquistar é resultado da Providência Divina. A fé em Deus e a paciência têm sido os dois principais pilares de sua fé. Como estamos em uma parte do mundo onde estamos passando por guerras indefinidas, as pessoas são inspiradas pelo carisma de Kentenich. Pouco a pouco, seus corações de ódio estão sendo transformados em corações de reconciliação, tolerância e ajuda mútua.

 

Maringá, Brasil: Aprendemos com o Pai a superar dificuldades

 

Pe. Kentenich é presente em todo momento aqui em Maringá, porque em tudo se remete a ele, ao início do Movimento. A Aliança de Amor que ele selou lá no início, com os jovens seminarista, está presente a cada formação para Aliança e os ensinamentos dele são sempre atuais, nos falam para a atualidade.

A conquista do Santuário de Maringá passou por muitos desafios, como aconteceu na vida do Pe. Kentenich. Ele enfrentou muitas dificuldades, como a guerra e o exílio. Também nós, depois de tantos anos buscando essa conquista, tivemos a graça da liberação para construir o Santuário num momento difícil, marcado pelo afastamento das pessoas no pós-pandemia. Assim como muitas das conquistas em Schoenstatt, a nossa, de Maringá, também foi num momento de dificuldade.

As pessoas, a partir de agora, vão encontrar-se espiritualmente com o Pe. Kentenich em cada visita ao Santuário. Hoje olhamos para o nosso Tabor e pensamos: ‘Como este Santuário tão pequeno pode ser, ao mesmo tempo, tão grande e acolhedor, igual a missão do Pe. Kentenich?!’

 

San Juan, Argentina: Manter vivo seu entusiasmo e seu carisma

Analia Donoso, da União de Mães, nos diz nesse dia de festa:

O espírito, o entusiasmo e o carisma do Pe. Kentenich claramente continuam vivos, especialmente em lugares como San Juan, onde, após 46 anos de anseio, o sonho do Santuário se torna realidade neste 15 de setembro. A espiritualidade do Pe. Kentenich não é apenas um legado de seu tempo, mas uma experiência viva que transcende gerações e está incorporada na Aliança de Amor.

A missão de nossa geração fundadora em San Juan é tornar viva essa espiritualidade no dia a dia. Em cada encontro com o Santuário, as pessoas descobrem sua missão pessoal na história da salvação e, o mais importante, encontram a presença do Pe. Kentenich não apenas como um líder do passado, mas como um guia espiritual que continua influenciando-as. Seu carisma se torna vivo em cada coração e em cada membro da família que, com esforço, dedicação, alegria e amor, preparou esse dia de bênção.

O Santuário de San Juan será um espaço sagrado onde os peregrinos não só receberão as graças que Maria concede, mas também, por meio de cada aliado que faz parte dessa família espiritual, poderão encontrar o espírito do Pe. Kentenich. Esta é a missão desta geração: manter vivo esse entusiasmo e carisma para que cada visitante do Santuário possa experimentar essa mesma espiritualidade e fazer parte da transformação que o Pe. Kentenich sonhou para o mundo.

 

Fonte: schoenstatt.com.br

15/09: Uma conversa com quem estava na sacristia

 

Havia centenas de pessoas da Família de Schoenstatt presentes na Igreja da Adoração no dia 15 de setembro de 1968. Esse era um dia especial para todos, pois, pela primeira vez, o Pe. José Kentenich presidiria a santa missa na Igreja da Santíssima Trindade (Igreja da Adoração), recém-inaugurada.

Cada pessoa viveu essa data de um jeito diferente. E uma em particular pode presenciar de perto esse momento marcante na história de Schoenstatt: a Ir. M. Anneluzia Heuberger era a sacristã que preparou tudo para a última missa celebrada pelo Pe. José Kentenich e esteve com ele em seus momentos finais de vida terrena. Ela foi uma das três pessoas presentes na sacristia quando o Pe. Kentenich passou mal e ajudou a ampará-lo.

Neste vídeo-entrevista, Ir. M. Anneluzia conta como foi aquele dia e as experiências que teve:

 

Fonte: schoenstatt.org.br

Vamos visitar a Capela do Fundador, em Schoenstatt?

Hoje a Família de Schoenstatt no mundo inteiro recorda 56 anos de falecimento do seu Fundador, o Padre José Kentenich, ocorrida logo após a celebração da Santa Missa, na Igreja da Santíssima Trindade, em Schoenstatt.

O local onde foi sepultado (local onde havia falecido, a sacristia da Igreja da Santíssima Trindade) se tornou local de peregrinação para milhares de pessoas do mundo inteiro. Casa schoenstattiano sonha em visitar, ao menos uma vez na vida, o Santuário Original e a Capela do Fundador, onde o Padre Kentenich está sepultado.

Quer fazer uma ‘peregrinação virtual’ à Capela do Fundador. Assistindo o vídeo abaixo, isso é possível. O texto é em espanhol, mas é bem fácil de entender.

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O vínculo ao Fundador

 

Ir. M. Nilza P. da Silva/Karen Bueno – A vinculação ao Pai e Fundador, Pe. José Kentenich, é algo essencial na espiritualidade de Schoenstatt, pois reflete um dos fundamentos de sua pedagogia, o organismo de vinculações.

Hoje, dia 15, recordamos o 15 de setembro de 1968, quando Deus  chamou para junto de si. Por isso, vale a pena ler novamente uma entrevista sobre a vinvulação que temos com ele, como nosso Fundador.

Este tema instigante fez com que Ir. M. Elizabet Parodi, do Instituto Secular das Irmãs de Maria de Schoenstatt, pesquisasse justamente a relação entre a figura dos fundadores e a fidelidade de sua organização ao carisma fundacional, em que medida ambos se relacionam.

Ir. M. Elizabet é argentina e fez o doutorado em Teologia na Alemanha, na Faculdade de Teologia dos Padres Pallottinos, em Vallendar. A tese intitulada “O vínculo com o Fundador – Por quê? Para que?”, da disciplina de História da Igreja, analisa as diversas comunidades, congregações e associações religiosas e sua relação pessoal com os fundadores.

Por anos Ir. M. Elizabet trabalhou em Roma, na Congregação pela Causa dos Santos: “O trabalho neste dicastério é especificamente analisar e preparar um relatório para ratificar o Santo Padre sobre a santidade do candidato, do Servo de Deus que se apresenta, ou sobre o mártir, onde se analisa a morte por amor à fé, também os milagres que realiza um beato ou um santo”, explica. Trabalhava justamente na secretaria onde correm os processos de beatificação do Diác. João Luiz Pozzobon, da Ir. M. Emílie Engel, de José Engling e outros heróis schoenstattianos.

Ir. M. Elizabet Parodi compartilha um pouco de sua análise sobre a vinculação ao fundador, revelando uma visão teológica de algo que os schoenstattianos reconhecem em sua própria vida. Acompanhe a entrevista:

 

Nós estamos iniciando o segundo século da nossa história de Schoenstatt. Os tempos e as circunstâncias mudaram muito desde 1914. Faz sentido, ainda hoje, o vínculo ao nosso Fundador? Por quê?

Sim, faz sentido. Justamente porque as circunstâncias mudaram – e esse não é o único porquê. Ele é circunstancial, poderia se falar também de um porquê fundamental. Basicamente, porque quando Deus presenteia um carisma como um dom para a Igreja, como o carisma de Schoenstatt, o presenteia por meio de uma pessoa concreta, que é a pessoa do fundador. É assim que todos os que se sentem chamados a esse carisma, a participar desse Movimento, são partícipes do carisma do Fundador. Ou seja, para nós, sermos schoenstattianos é de alguma maneira continuar o carisma do Fundador. Esse é justamente o sentido para o qual Deus presenteia um carisma a um fundador, ele não presenteia apenas à sua pessoa, que está limitada ao tempo no qual vive. O carisma é um presente à Igreja que se faz vivo por meio de seus filhos.

Muitas comunidades levam o nome de seu fundador. Por exemplo, os Franciscanos – não se pode falar dos Franciscanos sem falar de Francisco. Quanto mais o tempo passa, novas perguntas surgem para os Franciscanos responderem. São perguntas que Francisco não conheceu. Por exemplo, o problema das drogas. Como eles fazem para responder a essa pergunta com esse carisma? Tem que se inserir na pessoa de Francisco, em seu espírito, para poder dar, com sua própria voz hoje, respostas aos problemas e continuar, por assim dizer, o carisma de Francisco.

Quanto mais distância há entre a vida e a morte do Fundador, mais importante é recorrer a seu espírito, penetrar seu espírito, para poder responder situações concretas. Isso não é algo específico de Schoenstatt. Isso nos ensina a história da Igreja e é algo próprio de cada comunidade religiosa, cada movimento eclesial. Quando uma comunidade se reúne para seus capítulos, seus congressos, está justamente voltando à fonte par iluminar o momento presente a partir do carisma recebido.

 

 

Quando uma pessoa assume o carisma de seu fundador, isso não significa que essa pessoa nega sua própria missão pessoal?

Eis uma linda pergunta! O carisma do fundador, por natureza, traz a amplitude necessária para que cada um, com sua própria missão, com sua própria identidade, enriqueça esse carisma. O carisma do fundador ou da fundadora é um bem, uma graça. É um modo de viver a relação com Deus, que foi própria dele, e que nos foi transmitida em forma de missão. Mas, eu contribuo com esse carisma, o atualizo, o vivo com minha própria identidade.

Obviamente que quando tratamos de penetrar no espírito do Fundador, há sempre o perigo de absorver-se. Sobretudo quando se trata de uma pessoa que busca esconder a sua insegurança ou sua debilidade. Isso é obviamente um perigo. Agora, não se trata justamente disso, mas de uma integração vital.

Se eu sinto que tenho vocação para esta Família, neste caso à Família de Schoenstatt, eu participo, com minha riqueza, com minha missão pessoal, com minha identidade, dentro do carisma do Fundador.

 

Se os seguidores devem desenvolver criadoramente o pensar do Fundador em circunstâncias que ele não viveu, não se corre o risco de desenvolvê-lo de acordo com próprio ponto de vista e não sobre o ponto de vista do Fundador?

Hoje temos perguntas concretas que o Pe. Kentenich não responde diretamente, porque não pode responder, porque não vive nesta época atual. Por exemplo, Schoenstatt na Ásia. Pe. Kentenich não podia responder essa pergunta, ele não viveu esse contexto. Agora, é possível ou não é possível levar o carisma à Índia, por exemplo? Claro que é possível. Aí se trata justamente de tomar o espírito do Fundador, e eu, que vivo neste contexto, neste lugar, devo levá-lo ali. Esse é um desafio fascinante, por assim dizer, que Deus põe em nossas mãos. Todo fundador depende de seus filhos espirituais. Ele, por assim dizer, tem as mãos atadas, porque somos nós que os fazemos presentes, que levamos seu carisma partindo da convicção de que esse carisma não é uma questão pessoal apenas, mas é um presente de Deus para a Igreja, um presente do qual eu participo e essa é minha vocação. O fundador necessita de mim – eu sou seus braços, suas mãos, sua voz hoje – não para levá-lo adiante, mas para levar o presente que Deus oferece ao mundo por meio dele.

 

Quando alguém se empenha para penetrar no espírito do Fundador, na sua forma de ser, isso não pode ter como consequência um saudosismo, um tradicionalismo, sem encarar a realidade como de fato ela é?

Bom, essa crítica tem algo de justificável. É um perigo que realmente existe. Sempre há um desafio em viver e se aproximar cada vez mais do espírito do Fundador, com isso, não ficar parado no passado, mas, projetar-se ao futuro. É preciso justamente uma nova fecundidade, tanto da pessoa que se vincula com ele, como também do movimento, da associação que tem que responder aos desafios do presente. Por isso, se fala de um vínculo com o Fundador, que não se trata de repetir cegamente o que ele disse, mas assimilá-lo e conhecê-lo, conhecer sua riqueza, para dar forma ao futuro.

Você me faz uma pergunta muito linda que tem a ver com a verdadeira fidelidade. A fidelidade, uma palavra às vezes tão desgastada, que se toma no sentido de “ser fiel fazendo sempre o mesmo”. Não (isso não é fidelidade). Ser fiel é manter vivo o espírito na realidade de hoje. Esse é o porquê do título da minha tese. Segundo a Carta aos Gálatas, a fidelidade é fruto do Espírito Santo. Por quê? Porque o Espírito Santo faz com que o amor esteja sempre vivo. É esse sentido de verdadeira fidelidade. É sempre uma fidelidade que olha para o futuro, que, poderíamos dizer, é dinâmica, criadora. Agora, justamente entre o perigo de ficar estaticamente só no passado e o perigo de olhar só para o futuro, e no fundo eu “inventar” um movimento, um carisma, uma espiritualidade, está o ponto médio: eu me arraigo no espírito do fundador e, desse espírito e nas circunstâncias nas quais Deus hoje me coloca, trato de representar, de viver, de dar uma resposta a atualidade por meio desse carisma.

 

 

Em Schoenstatt costuma-se usar muito as palavras do Fundador. Vemos muitas vezes citações de suas palavras e, às vezes, dizemos: “parece que ele disse isso ontem ou hoje”. De fato, é importante sempre repetir de novo as palavras do Fundador?

Em primeiro lugar, creio que se partimos de “repetir palavras”, estamos em uma base equivocada, porque não se trata de repetir, e sim de viver, isso é o fundamental em Schoenstatt e em outros movimentos. Em Schoenstatt há um marco em nossa missão, nesse sentido, que é a pedagogia dos vínculos e a Aliança de Amor. É preciso penetrar no espírito do Fundador e um dos meios privilegiados – não é o único – é por meio da palavra. Ou seja, se eu não conheço o que ele disse, o que ele pensou, o que ele escreveu, dificilmente posso penetrar em seu espírito. Se eu considero que a comunidade é dele, então é normal que eu estude, que fale e converse sobre a palavra do Fundador. Agora, pedagogicamente em outro âmbito, não é necessário repetir o que diz o Pe. Kentenich, desde que eu, como portador desse carisma, o conheça. Não tem tanto que ver com repetir, mas com conhecer e amar, isso é fundamental. Para nós, a palavra do Fundador, assim como para cada pessoa que participa de um carisma, é uma palavra a se conhecer e se aprofundar, a penetrar cada vez mais.

 

Como interpretar a palavra do Fundador, aplicando às situações atuais, sem descontextualizá-la da realidade na qual ele a pronunciou?

Com isso entramos em um tema complexo, que inclui olhar para a Sagrada Escritura. O processo de descontextualizar é sempre posterior ao processo de contextualizar, ou seja, o texto no contexto. Para eu poder entender, tanto a Sagrada Escritura como qualquer escrito, tenho que conhecer o contexto no qual foi dito. Por exemplo, se quero ler A Divina Comédia, tenho que conhecer o contexto histórico e religioso no qual Dante viveu, também entender que há palavras que ele utilizou e que hoje em dia não se usa mais. Por isso, é importante conhecer o contexto para compreender o espírito. Depois, como segundo ponto, é preciso contextualizá-lo, dizendo qual é o núcleo. Por fim, esse núcleo eu o transmito e o enxerto na realidade de hoje. Ou seja, trato de dar uma resposta e comparar o contexto atual com o núcleo daquilo que disse o fundador. Então, analisar o texto e o contexto é a base para depois poder, justamente, aplicar esse texto, aplicar esse espírito ao novo contexto.

 

Quando você fala que é necessário refletir sobre a palavra do Fundador, na realidade da qual ele falou, e quando diz que é preciso penetrar no espírito dele, em outras palavras está dizendo que é necessário um vínculo com o Fundador. Qual o meio para se ter um vínculo pessoal ao Fundador? O Pe. Kentenich já faleceu há tantos anos, como uma pessoa pode ter um vínculo pessoal com alguém que já não está presente no momento fisicamente?

Com a palavra ‘vínculo’, estamos nos referindo a uma relação pessoal com alguém que nos interpela como um todo. Isso é importante, justamente como marco de uma missão, marco de um carisma, o marco de minha vocação para Schoenstatt. Segundo o grau de compromisso e de entrega que minha vocação supõe, é também correspondente o grau de vínculos. Agora, como se cultiva a vinculação? Em primeiro lugar, a vinculação ao Fundador é uma graça, uma graça que está unida a minha vocação.

Há uma linha intelectual, do conhecimento. Mas, na verdade, para poder compreender o espírito de uma pessoa, poder levá-lo pars as novas circunstâncias, o fundamental não é só o intelectual, mas, em definitivo, é amá-lo. É algo que vai além de um compromisso de minha pessoa com seu carisma. Isso é o que define justamente a vocação, neste caso a vocação para Schoenstatt.

Para a pergunta se é possível um vínculo depois da morte ou não, eu responderia também que depende da vocação. Se eu tenho vocação para Schoenstatt, se sei que Deus me chama para ser portador desse carisma, posso dizer, ao mesmo tempo, que Deus preparou minha alma, preparou minha missão pessoal, minha identidade, para que eu possa chegar a me integrar, para que eu possa chegar a dizer: ‘isso é meu’. Porque, senão não é possível a fecundidade. Então, nesse sentido, se pode dizer: Deus me preparou para esse carisma, eu participo nesse carisma pelo Fundador. Se poderia dizer que, então, há um “parentesco espiritual” com ele. É o nosso sangue espiritual, uma sintonia interior que parte justamente do fundamento de que ele e eu temos, em definitivo, a mesma missão. Cada um com seus dons, mas, participamos e nos entregando pelo mesmo (carisma). Isso que disse até agora vale para cada fundador ou fundadora, para cada vocação nascida de um carisma pessoal que há dentro da Igreja.

No caso de Schoenstatt, isso é ainda mais marcante. Pois, uma parte essencial de nossa missão é viver os vínculos. Os vínculos não são, em primeiro lugar ou somente, um contato exterior ou uma colaboração. Mas, se trata de saber que um é para o outro um complemento e um caminho para Deus. Isso é parte da nossa missão. É o que chamamos de organismo de vinculações, Aliança de Amor ou espírito de Família, é o Schoenstatt que queremos viver, onde se supõe que cada um tem sua originalidade.

Tem que haver uma capacidade de universalizar os vínculos entre si e com o primeiro receptor do carisma, que nesse caso é o Fundador, ou seja, o Pe. Kentenich. A tudo isso, os movimentos eclesiais – que são uma realidade predominantemente do século passado e tiveram seu auge a partir do Concílio Vaticano II – talvez, justamente em base da experiência que nos presenteia a história da Igreja, tenham uma vinculação ao Fundador muito mais marcante, ou seja, é justamente uma característica.

O que me ocorreu é que um canônico já falecido, bastante conhecido, via justamente essa característica que se pode observar nos movimentos. Isso não como uma forma de marginalizar-se, de querer “ser exclusivo”, ou de dizer “Eu sou diferente dos demais”. Mas, como um modo de aprofundar o próprio, também a raiz, como já disse, da experiência na história da Igreja, onde a comunidade muitas vezes não teve muito presente qual era o carisma do fundador. Agora, sempre há o perigo do exclusivismo, de querer ser exclusivo, de parcializar-se, não é esse o sentido, mas o contrário.

 

 

Há duas correntes de pensamento em relação ao período pós-fundação de Schoenstatt. Uma corrente diz que o vínculo dessa geração atual – do centenário da Aliança – ao Fundador é muito importante, porque é ela que transmitirá o Fundador para a geração seguinte. Porém, há outra corrente também, que assegura que a geração seguinte ao Fundador não deve se preocupar tanto com o vínculo a ele, mas muito mais em atualizar o seu carisma. Qual sua opinião sobre isso?

Penso que é preciso esclarecer que se trata de uma declaração do ponto de vista teológico, da Teologia dos Fundadores. A cada 25 anos, aproximadamente, uma nova geração surge. Nós já vamos chegar aos 50 anos desde a morte do Pe. Kentenich. Então, já são duas gerações, desde que ele faleceu. A geração que está hoje ativa, em Schoenstatt, praticamente já não o conheceu. Há uma coisa que é fundamental: cada geração, com base na proximidade que tem dele, tem algo diferente. Mas, o vínculo ao Fundador recorre a todas as gerações. Porque o vínculo ao Fundador, por assim dizer, é parte de minha vocação para Schoenstatt. É uma parte fundamental de minha vocação à Schoenstatt, no sentido de que é um caminho que me permite conhecer e viver o espírito que tenho que transmitir e que levar. Nesse sentido, independente da geração, porque em cada geração os desafios são diferentes – o desafio da primeira geração fundadora, é assegurar melhor aquilo que é vivido, e das gerações que seguem é algo mais projetado ao futuro – se dão os mesmos elementos.

 

Você trabalha na secretaria do Vaticano, no setor responsável pela canonização dos santos. Em sua opinião, por que é importante canonizar o nosso Fundador?

Canonizar o nosso Pai e Fundador não é importante em primeiro lugar algo para nós. Para nós ele já é um santo. É importante para a Igreja. Ou seja, cada santo tem uma missão, um dom, sobretudo quando são fundadores, quando presenteiam uma família espiritual. Nós seríamos egoístas se disséssemos: “Bom, para mim já é o suficiente que o Pe. Kentenich é santo. Para que canonizá-lo?”

Obviamente que ele não é canonizado para mim – para mim já é um santo – mas, ele é canonizado para a Igreja. Cada santo é um presente e um enriquecimento para a Igreja. Neste sentido, a grande pergunta não é se é importante para nós ou não, se é santo para nós ou não. A pergunta é: Eu creio que nosso Fundador tem algo para oferecer à Igreja? E sem tem, é importante esse reconhecimento da parte da Igreja. Não se trata de um privilégio de ser um santo, mas da abertura da Igreja para o carisma. Para chegar a santidade, há um reconhecimento implícito do carisma dos fundadores, do seu presente para a Igreja e por amor à Igreja.

 

Em sua opinião, qual a maior dádiva que Deus oferece à Igreja pela pessoa e Obra do Pe. Kentenich?

Creio que o Pai tem uma linha mariano-pedagógica, que nós chamamos Aliança de Amor. Justamente à luz desse jubileu da Misericórdia, do magistério de Francisco – que apostou tanto em revelar essa dimensão de um Deus que é Pai e que está nos esperando – eu creio que é uma chance e um desafio, quase que uma obrigação de nossa parte, apresentar o nosso Fundador.

Por um lado, temos todo o aspecto mariano-pedagógico, o aspecto de um amor à Maria, que tem uma dimensão que não é somente espiritual e religiosa, mas que é pedagógica. Maria me educa e educa a Igreja, essa Maria Mãe que forma os filhos. Por outro lado, temos o magistério de Francisco e o presente que ele nos dá com o jubileu da Misericórdia, em seu reforço pastoral, em sua missão teológica de apresentar a figura de Deus e da misericórdia como natural, como um aspecto quase maternal, que procura seus filhos. Eu diria que nós, nesse contexto, desfrutamos do que Deus nos presenteou em nosso Fundador e em sua missão de ser transparente do Pai, o que chamamos de organismo de vinculações, de refletir a misericórdia de Deus, que foi um elemento básico de seu carisma.

 

Essa entrevista foi publicada em 2018.

Fonte: schoenstatt.org.br

114 anos de ordenação sacerdotal do Padre José Kentenich

 

Ir. M. Rosequiel Fávero – Recordamos hoje 114 anos da ordenação sacerdotal do Pe. José Kentenich, fundador do Movimento Apostólico de Schoenstatt. Vivemos esta data em tempos ainda agitados no mundo com a pandemia. Com grande desafios para a Igreja e para a Família de Schoenstatt. Crentes no que Deus nos presenteou nesse mais de um século de Aliança de Amor, continuamos a olhar gratos e confiantes para o instrumento que Deus escolheu e educou para trazer a Família de Schoenstatt à vida.

 

Como poderíamos caracterizar o Pe. Kentenich?

Pe. Engelbert Monnerjam (1922-1997), do Instituto dos Padres de Schoenstatt e primeiro postulador da Causa de Canonização do Pai e Fundador, foi um grande conhecedor do Pe. Kentenich, além de um discípulo fiel. Na introdução da biografia ‘Uma vida pela Igreja’, por ele escrita, caracterizou assim o Pe. Kentenich:

“Uma afirmação que permite visualizar um traço essencial da figura do Pe. Kentenich é: “homem da Igreja”. Foi “homem da Igreja” por ser sacerdote. Durante toda a sua vida considerou a ordenação sacerdotal, recebida no dia 8 de julho de 1910, com um radicalismo irrevogável, como entrega total a serviço de Cristo e assim, a serviço da Igreja. A Igreja foi o seu grande amor. Por isso, em sua vida e em sua atuação como sacerdote, deu a máxima importância não só à sua vontade e à sua obra, mas à vontade e à obra de Deus, o que vale dizer, à obra da Igreja. Porém, em seu caso, a caracterização como “homem da Igreja” tinha ainda um sentido próprio e profundo. Ele deveria não só estar a serviço da Igreja, mas ainda deveria desempenhar na Igreja uma missão especial a ele confiada pelo próprio Deus. Esta missão consistiu na fundação de suas comunidades. Deveria enriquecer e fecundar a Igreja com novas comunidades” (Uma vida pela Igreja, p. 17)

Dilexit Ecclesiam (Em latim: ‘Ele amou a Igreja’) quis nosso Pai e Fundador que fosse a única inscrição em seu sarcófago. Um sacerdote, homem da Igreja, que amou a Igreja e que deixou para a sua fundação este amor como legado e missão.

Sim! Hoje, justamente nas situações que vivemos: “Sim, Pai! Tua herança é nossa missão!

São Paulo VI e o ‘Dilexit Ecclesiam’ do Padre Kentenich

 

Esta foto é muito cara para a Família de Schoenstatt: a audiência de nosso Pai e Fundador, Padre José Kentenich, com São Paulo VI, em 22 de dezembro de 1965, dois dias antes de seu retorno a Schoenstatt. E esta cena nos vem a mente por que, hoje, a Igreja celebra a memória deste grande ‘Santo Padre’, Paulo VI, canonizado em 2018 pelo Papa Francisco.

 

Quem foi Paulo VI?

Giovanni Battista Montini nasceu na Lombardia (Itália), em 26 de setembro de 1897, e faleceu em Castel Gandolfo, em 6 de agosto de 1978, após um pontificado de 15 anos iniciado em 1963.

Em 29 de maio de 1920, aos 22 anos, foi ordenado sacerdote e enviado a Roma para estudar na Pontifícia Universidade Gregoriana, na Universidade de Roma La Sapienza e na Pontifícia Academia Eclesiástica.

Quatro anos depois, foi designado para o escritório da Secretaria de Estado, onde permaneceu por 30 anos.

No dia 1ºde novembro de 1954, aos 57 anos, foi nomeado arcebispo de Milão e, em 15 de dezembro de 1958, São João XXIII o nomeou cardeal.

Em 1963, com a morte de São João XXIII, o então cardeal Montini foi eleito papa no dia 21 de junho, tomando o nome Paulo VI e dizendo ao mundo que continuaria com o trabalho de seu predecessor.

Devoto de Maria, publicou três encíclicas marianas (a mais conhecida e marcante é Marialis Cultus) e expressou seu carinho pela Virgem Maria sob o título de Nossa Senhora Aparecida em 1967, quando enviou uma rosa de ouro para a Basílica de Aparecida. O presente foi dado em função do jubileu de 250 anos do encontro da Imagem nas águas do Rio Paraíba.

Paulo VI também promoveu importantes diálogos com o mundo. Foi o primeiro Papa a viajar de avião e também o primeiro a visitar os cinco continentes. Foi o primeiro Papa a conversar com o líder da Igreja Anglicana e o primeiro, depois de muitos séculos, a conversar com dirigentes das diversas Igrejas Ortodoxas do Oriente.

Paulo VI publicou 12 exortações apostólicas e sete encíclicas. Entre as mais conhecidas estão Evangelii Nuntiandi, sobre a evangelização, e Humanae Vitae, sobre o controle da natalidade, que se tornou de referência para a Igreja Católica nas questões sobre aborto, esterilização e métodos contraceptivos.

 

São Paulo VI e o Padre Kentenich

Certamente, São Paulo VI é recordado pela Família de Schoenstatt como o Papa do retorno do Pai e Fundador do exílio e seu retorno a Schoenstatt, depois de 14 longos anos em Milwaukee, nos Estados Unidos. Talvez menos conhecidas, mas muito significativas, são suas palavras na audiência geral de 8 de abril de 1970, menos de dois anos após a morte do Padre Kentenich, saudando um grupo de peregrinos alemães.

“Queridos filhos e filhas! Sobre a pedra sepulcral de um destacado sacerdote e pastor de almas alemão, estão escritas palavras que foram expressão de sua personalidade e conteúdo de sua vida abençoada: ‘Dilexit Ecclesam’ – Ele amou a Igreja, As mesma palavras nós dirigimos a vós: Amai a Igreja! Nestes tempos agitados permanecei fiéis ao magistério da Igreja e ao sucessor de São Pedro. E assim, também vossa vida se tornará rica e plena de sentido”.*

Que a memória de São Paulo VI nos ajude a, como Família de Schoenstatt, recordar e viver a herança do Pai e Fundador.

 

* Engelbert Monnerjahn – Padre José Kentenich: uma vida pela Igreja, 294.

Com informações de: acidigital.com

20 de maio: um dia de gratidão

Arquivo - Irmãs de Maria

Na manhã de 20 de maio de 1945, domingo e solenidade de Pentencostes, o entorno do Santuário Original, em Schoenstatt/Alemanha, ‘fervilhava’ de alegria (como se pode notar na foto histórica acima). Depois de mais de três anos de prisão pelo nazismo, que o tinha levado até o Campo de Concentração de Dachau, o Fundador do Movimento de Schoenstatt, Padre José Kentenich, retornava para a ‘sua Família’.

Nas suas primeiras palavras de saudação, Padre Kentenich já deu o tom que caracterizaria a data para os tempos vindouros: “Propriamente, nada mais deveríamos fazer que ficar em silêncio, um ao lado do outro, e meditar na bondade, no amor e na misericórdia de Deus, ou melhor, no próprio Deus bondoso, amoroso e misericordioso”.* Gratidão pela preservação de sua vida, apesar dos grandes perigos que passou; gratidão pela proteção experimentada no local Schoenstatt, que passou ileso, embora locais vizinhos tenham sido destruídos por bombardeios: mas acima de tudo, gratridão por todo o deselvonvimento espiritual da Familia de Schoenstatt e tudo o que Deus fez crescer em Schoenstatt neste tempo.

 

Herança do tempo de Dachau

A gratidão nos leva ao reconhecimento do operar de Deus na Obra de Schoenstatt no tempo da prisão do Padre Kentenich durante o tempo do Nazismo.

A Fundação do Institudo dos Irmãos de Maria de Schoenstatt e da Obra de Famílias de Schoenstatt, em 16 de julho de 1942, é somente um dos frutos do tempo em que o Padre Kentenich esteve preso. Preciosos documentos, ditados pelo Fundador, cujas palavras foram anotadas a lápis em pequenos pedaços de papel, que hoje fazem parte dos ‘tesouros’ da espiritualidade de Schoenstatt. Todo o livro ‘Rumo ao Céu’ faz parte desta herança, os textos sobre a ‘espiritualidade de instrumento’ e também o 3º Documento de Fundação.

Ir M Nilza P da Silva

 

Um hino de gratidão

Em 2 de fevereiro de 1942, Padre Kentenich compôs o “Hino de Gratidão”, já convicto de que voltaria são e salvo do campo de concentração. Desde esse dia, o Pai e Fundador solicitou às Irmãs de Maria que rezassem esta oração diariamente, até sua volta. Quando em 20 de maio de 1945 isso aconteceu, tornou-se este hino o cântico da vitória.

Que possamos renovar nossa gratidão por este dia e por tudo o que Deus opera na vida de cada um e em todas as comunicades de Schoenstatt, rezando:

Hino de Gratidão

Caíram as algemas! Da terra sagrada de Schoenstatt se elevem todas as vozes, em jubiloso hino de gratidão…

A desgraça que o poder e a astúcia de Satanás tramaram, o olhar do Pai transformou em nossa maior felicidade… Assim, hoje estamos estreitamente unidos, fundidos no amor de Deus… para que surjam homens novos, livres e fortes aqui na terra que, nas alegrias e dificuldades, procedam como Cristo… Podes enviar até os confins do mundo, os que hoje por ti se empenham, para completar teu Reino aqui na terra.

Maria, recebe esta oferenda em tuas mãos fiéis de Mãe, para que, até o fim da vida, não cesse este hino de gratidão. Amém. (Rumo ao Céu, 612 a 625)

 

*Padre Kentenich – Uma vida pela Igreja, Engelbert Monnerjahn, pág 172

Primeira foto: s-ms.org (irmãs de Maria de Schoenstatt)