Livre em Algemas – parte 2

Em 16 de janeiro de 1942, o Padre José Kentenich, que havia sido preso pela polícia secreta nazista (Gestapo), foi submetido a uma consulta médica, para ver se ele estaria apto para ser enviado para o Campo de Concentração de Dachau. O exame foi superficial, uma vez que coração e pulmões não foram examinados. Assim, apesar do seu estado de saúde precário, foi declarado apto para ser enviado ao campo de concentração. No dia seguinte chegou a Schoenstatt um breve bilhete escrito a próprio punho pelo Padre Kentenich (pois ele havia conquistado a confiança de dois guardas que transportavam sua correspondência, tudo de forma secreta): “Acabo de ser examinado em relação ao Campo de Concentração: apto para o campo. Mas agora ninguém deve preocupar-se com isto”.

A partir deste momento, os dirigentes da Família de Schoenstatt começaram a ‘mover os pauzinhos’ possíveis a fim de evitar que o Fundador fosse enviado para Dachau. Conseguiram que o médico que o atendera se dispusesse a atendê-lo novamente, desde que o interessado se manifestasse por escrito. Neste caso, estava pronto a mudar o parecer anterior. Padre Kentenich encontrava-se perante uma decisão crucial: Devia assinar este pedido ou não? E, principalmente, ele se perguntava: ‘Seria esta a vontade de Deus’?

Mais tarde, ele mesmo escreveu: “Pelas suas iniciativas com o médico, muito obrigado aos Srs… Por favor, não me levem a mal, que eu não continue a tecer os fios que já teceram”. Foram horas e dias muito difíceis. “Lutar por esta decisão não foi fácil, já que ir para Dachau significava ir para a morte certa e separar-me de toda a Família. (…) Não tinha nenhuma visão, nenhum sonho, nem sequer uma iluminação especial. Na luta solitária contava apenas com a simples fé na Providência”.

Uma oração do Padre Kentenich do tempo de sua prisão em Coblença expressa a atitude de sua alma em janeiro de 1942:

Recebe, Senhor, pelas mãos de minha Mãe, a doação total de minha liberdade; recebe a memória, os sentidos e a inteligência, recebe tudo, como prova de amor.

Recebe todo o coração e toda a vontade, dá que eu assim sacie o verdadeiro amor. Minha maior felicidade é devolver-te, sem reservas, tudo o que me deste.

Dispõe sempre de tudo, como te aprouver, concede-me somente que eu te ame! Dá que em toda parte eu creia que tu me amas como a preciosa pupila dos teus olhos. (Rumo ao Céu, 386 – 388)

Fonte: Novena ‘Livre em Algemas, p. 16 a 19

 

 

Livre em algemas – parte 1

Ir M Rosequiel Fávero – O mês de janeiro traz grandes recordações para a Família de Schoenstatt. Celebramos o Segundo Marco da História de Schoenstatt em 20 de janeiro, quando nosso Pai e Fundador, aceitou livremente ir para o Campo de Concentração de Dachau. Ele foi transportado ao Campo de Concentração em março de 1942, sendo libertado somente em maio de 1945. A história posterior demonstrou que apesar dos grandes riscos para a sua vida, os anos que passou em Dachau foram de grande atividade no sentido da espiritualidade de Schoenstatt e da expansão da Obra. Pois foi na prisão de Dachau que foram fundados o Instituto das Famílias e o Instituto dos Irmãos de Maria de Schoenstatt. Neste tempo foram dados passos fundamentais para a expansão internacional de Schoenstatt (basta recordar a inauguração do primeiro Santuário Filial, em Nueva Helvecia, em 18 de outubro de 1943) e foi escrito o livro ‘Rumo ao Céu’, entre tantos textos e hinos ditados pelo Padre Kentenich durante sua prisão.

Em 13 de janeiro de 1942, o Padre Kentenich foi ameaçado pela primeira vez de ser enviado para o Campo de Concentração. Ele tinha sido preso no ano anterior, em setembro, pela Gestapo (polícia secreta alemã), que já havia prendido outros schoenstatianos e que, finalmente, colocava suas mãos no grande líder do Movimento de Schoenstatt, já considerado pelo nazismo com um dos seus grandes inimigos na Alemanha.

Após um primeiro interrogatório, Padre Kentenich foi colocado numa prisão subterrânea, um ‘bunker’, que originalmente era um cofre de banco, cujo prédio fora confiscado pelo governo nazista. Era práxis que os prisioneiros passassem pelo menos uma semana nesta solitária, onde não era possível ficam nem completamente de pé, nem completamente deitado. Como o Padre Kentenich era considerado um prisioneiro ‘especial’, ficou preso na solitária durante quatro semanas.

Havia outros prisioneiros em celas como a dele. Ouvia-se choro e gritos de desespero dos prisioneiros. Padre Kentenich conta: “Comecei a cantar todos os cânticos que conhecia. Lamentei realmente não conhecer, de vários, não mais que algumas estofes”. Por isso, mais tarde, pediu às Irmãs de Maria que apendessem todas as estrofes dos cantos de cor, pois um dia poderiam precisar.

No fim das quatro semanas, totalmente diferente do que acontecia aos prisioneiros submetidos a esta tortura, Padre Kentenich saiu da solitária intacto no corpo e na alma, “como um vencedor”, testemunhou Mons. Paul Fehler, capelão da prisão. Já dava demonstração do que aconteceria repetidas vezes nos anos posteriores: não havia dor ou maus-tratos que lhe arrancassem o seu coração livre e firmemente apoiado em Deus. O que lhe conferia viver na paz e na tranquilidade mesmo que ao seu redor reinasse um ambiente de ‘inferno’

Que ele, do céu, interceda para seus filhos espirituais a graça da liberdade interior, para que dominemos a agitação e intranquilidade dos tempos atuais. Especialmente neste tempo marcado pela insegurança por causa da pandemia. Nesta situação, como ele, somos convidados para vivermos plenamente a liberdade interior.

(continua)

Onde encontrar textos importantes sobre o Padre Kentenich

O site internacional do Movimento Apostólico de Schoenstatt (schoenstatt.com) disponibiliza uma seção especial de textos, artigos e materiais importantes que tratam sobre o período do exílio do Padre José Kentenich. São reflexões atuais e também documentos escritos pelo próprio fundador.

Os materiais estão traduzidos ao português, inglês, espanhol e alemão.

Para acessar, clique abaixo nas opções:

 Artigos atuais

Textos importantes

Documentos oficiais

Fonte: schoenstatt.org.br

Como vivenciei, no Brasil, o Milagre da Noite Santa

Ir. M. Fernanda L. Balan – Cresci e me formei como professora, no Colégio Mãe de Deus, em Londrina/PR, sempre em contínuo contato com as Irmãs de Maria de Schoenstatt.

Respondi “SIM” ao chamado de Deus, tornei-me Irmã de Maria porque a espiritualidade e a pedagogia de Schoenstatt me cativaram totalmente. Segui minha vocação com filial prontidão e doação sem reservas. Sabia que neste tempo, 1958, a Obra de Schoenstatt passava por momentos de duras provações, que o Fundador já sofria há sete anos um doloroso exílio, imposto pela Igreja.

De 1960 a 1969, morei na Casa Provincial em Santa Maria/RS e, unida com toda a Família internacional de Schoenstatt, pude aspirar e me empenhar na dura luta espiritual de libertar o Pai e Fundador e sua Obra daquele desterro. O exílio foi um pesado fardo, repleto de calúnias, incompreensões e falsas acusações, que culminavam em contínuos decretos de proibições e restrições absurdas. Isso durou até a véspera do Natal de 1965. Ao retornar a Schoenstatt, Pe. Kentenich, grato e feliz, celebrou na noite de Natal, com sua Família de Schoenstatt, o esperado II Milagre da Noite Santa, na missa da meia noite no Santuário Original.

Dificuldades são tarefas

Até então, eu pensava: como pode um Fundador tão carismático, agraciado ricamente por Deus com rara e multiforme sabedoria, um filho e instrumento dócil e exemplar de Maria, sempre atento e fiel aos sinais da Divina Providência, Pai espiritual de tantas pessoas de inúmeras nações e raças, viver e suportar a pressão de um exílio injusto, humilhante, sendo algemado e barrado no seu carisma?! Até quando, meu Deus?

Não bastavam as provações vividas em sua infância, nem a difícil solidão por que passou em sua juventude? Ou então, as ondas avassaladoras e turbulentas de duas guerras mundiais, que ceifaram também a vida de vários dos seus filhos espirituais e colaboradores fiéis?

Um tempo de aggiornamento

15 anos após a II Guerra Mundial, o mundo e a Igreja suspiravam por grandes mudanças … ansiava-se por renovação e maior vitalidade no âmbito eclesial.

O Papa João XXIII convocou o Concílio Ecumênico Vaticano II (1960-1965), que deu diretrizes para um processo de aggiornamento (abertura) doutrinal e pastoral, que até hoje está em contínua realização na vida da Igreja.

Graças a este Concílio, pela vida que se concentrava de todos os recantos da terra em Roma, com as constantes sessões conciliares, algo novo vai acontecendo, novos trilhos são colocados na caminhada rumo ao novo milênio cristão que se aproximava.

Sem este Concílio, dificilmente Pe. Kentenich teria retornado, de seu exílio, a Schoenstatt!

Graças Céu e ao empenho diplomático de seus filhos, colaboradores, amigos e, de modo especial, pela aspiração heroica e orações de toda a Família de Schoenstatt, a situação em relação à Obra e seu Fundador, aos poucos, mudou.

Não me esqueço dessa canção

Diversos bispos, sacerdotes e cardeais de várias nações sabiam, lutavam e se empenhavam para o final deste injusto e pesado exílio. Nós, Irmãs de Maria, também fomos atingidas por decretos e proibições. Vivemos e sofremos um profundo entrelaçamento de vida, de destino, sofrimentos e de missão com nosso Pai e Fundador. Nós, jovens Irmãs da Província Tabor, partilhamos e trilhamos esta via sacra, assim como todas as Irmãs, em profunda sintonia com o Fundador, na esperança de que Deus se justificaria a si mesmo, que Maria se manifestaria como a Vencedora desta trama, cujos emaranhamentos seriam desfeitos por ela, a Desatadora de nós, a Mãe e Rainha da Filialidade Heroica.

Ainda ouço, no auditório da Casa Provincial em Santa Maria, o retumbante hino: “Ó vinde todos, a Deus Trino exaltar, com a Mãe Admirável, seu amor glorificar! Aleluia”! Era o dia 18 de outubro de 1964, jubileu de 50 anos da Fundação de Schoenstatt. A Igreja reconheceu a originalidade do carisma do Pe. José Kentenich. Monsenhor Guilherme Wissing, então administrador apostólico da Obra de Schoenstatt, anunciou a todos a autonomia e sua separação da sociedade dos padres palotinos. Um novo arrebol despontava para a Obra da Mãe e Rainha Três Vezes Admirável de Schoenstatt. Ouvia-se nos bastidores da história que, em breve, também soaria o Aleluia da vitória, quanto a grave situação que acometeu a pessoa do Fundador de Schoenstatt.

Nossos corações vibravam! A esperança se fortalecia! Uma onda de alegria perpassava os corações dos schoenstattianos, cresciam as expectativas de uma nova fase.

Maria, a Mãe e Rainha Três Vezes Admirável, a grande Missionária, Ela fará milagres!

E o milagre aconteceu, de forma tão simples e também misteriosa, na simplicidade de um chamado telefônico, na dissolução de dúvidas e das complicações que se condensaram em torno do fato inesperado! Ele foi chamado e está em Roma, já cercado pelo círculo mais estreito dos dirigentes e responsáveis, seus filhos e seguidores, até que se dissolvessem todas as complicações e as algemas caíssem para sempre!

 

22.12.1965 – O Papa Paulo VI acolhe, em audiência particular, o venerando Fundador. Ereto e com uma atitude digna e nobre, ele está na frente de sua Santidade. Traz em suas mãos um estojo, com uma dádiva para o Santo Padre. O Concílio Vaticano II havia findado. Símbolo disto seria a edificação de uma Igreja dedicada a Maria, com o título de Mater Ecclesiae, como expressão de agradecimento e confiança. O estojo contém um cálice que, certamente simbolizava as gotinhas do sangue de milhares de corações, mas especialmente o dele, tão incompreendido e rejeitado. “Non sine sanguine” – não sem o sangue do coração!

Como filha da geração do exílio do Pai e Fundador, ouço ainda, pelo gravador, o solene Aleluia de Haendel, que na tarde de 24 de dezembro de 1965, em Schoenstatt, ecoou vibrante no auditório da Escola de Maria, próxima do Santuário Original! Ali pronunciou, após 14 anos de exílio, a saudação à sua Família de Schoenstatt, a seus filhos espirituais, seguidores e colaboradores.

A Mãe e Rainha de Schoenstatt se comprovou como a Vencedora.

Ele retornou à sagrada Terra de Schoenstatt, o Tabor das glórias de Maria. A terra, o lar de amor, da pureza, da alegria, da liberdade, da verdade e da justiça; a terra onde Deus desposa os fracos e pequenos e os conduz à vitoriosidade!

Por isso, na história de Schoenstatt e bem no fundo do meu coração, está gravada para sempre a oração de profunda gratidão filial: “Bendito sejas sempre, ó Deus Trindade, por tudo que nos deste em tua bondade”!

À meia noite de 24.12.1965, Pe. Kentenich celebrou, com representantes da Família Internacional de Schoenstatt, a solene Missa de Natal, na pequena Capelinha, no Santuário Original de Schoenstatt.

“Gloria a Deus nas alturas e paz na terra aos homens de boa vontade”!

Foi assim que aconteceu o II. Milagre da Noite Santa no reino de Schoenstatt!

Fonte: schoenstatt.org.br

 

Uma reflexão sobre o modo de agir do Pe. Kentenich

 

No Encontro de Outubro, em Schoenstatt, neste ano de 2020, Pe. Kurt Faulhaber deu uma palestra que colabora muito para uma reflexão objetiva sobre a situação atual em relação ao nosso Fundador, Pe. José Kentenich. Publicamos alguns recortes de sua palestra, devido ao texto ser longo. Mas, no final, encontra-se em PDF, para que se leia na íntegra toda essa parte que publicamos.

——————-

Pe. Kurt Faulhaber – Nos últimos anos de sua vida, Pe. José Kentenich  sempre esperou o momento no qual os conflitos pacificados (pelas acusações) começariam de novo, sim, ele queria “provocá-los”. Ainda não “amanhã ou depois de amanhã”, disse ele ao nosso Curso (de sacerdotes), quatro semanas antes da sua morte.[1] Agora – após decênios – parece ter chegado o “depois de amanhã”.

Por que ele permaneceu em silêncio depois do exílio? Após o seu regresso, ele experimentou que a Família de Schoenstatt ainda não estava madura para a continuação das lutas. Ela precisava primeiro ser “transformada interiormente” e, acima de tudo, primeiro tinha de ser novamente unida.

Deus quer que o que é atacado se torne tema principal. Isso é um princípio do nosso Pai. Agora temos o nosso tema! Parece ter terminado o tempo em que Schoenstatt gostaria de ser acariciado pelas autoridades da Igreja. Parece que nosso Pai quer conduzir-nos à discussão em todas as questões críticas que a Igreja enfrenta, pelo menos aqui na Alemanha, e que são suscetíveis de chegar a um ponto culminante e que são para a Igreja universal.

Antigamente, ele perguntou ao Padre Menningen: “Alex, vais comigo?” Hoje, ele pergunta para nós: “Minha Família de Schoenstatt, vais comigo?”

Nós perguntamos: Para onde? O que pretende nosso Pai com esta renovada discussão em torno da sua pessoa? Como seria este nosso ir com ele?

Naquele tempo, foi a luta de nosso Pai com a Igreja para encontrar o seu caminho. Ele quer continuar essa luta, porque na totalidade da Igreja irrompeu uma luta impetuosa para encontrar o seu caminho.

Foto: https://www.basis-online.net/

“Schoenstatt para a Igreja!”

“Dilexit Ecclesiam” – lemos sempre que estamos diante do sarcófago de nosso Pai. Não se trata, em primeiro lugar, de Schoenstatt, mas da Igreja. Quando nosso Pai lutou com os bispos alemães e com as autoridades em Roma, ele colocou em jogo a existência de Schoenstatt. Ele via a Igreja em perigo, de tal forma que estava pronto a sacrificar Schoenstatt.

Objeto do ataque: a relação Pai-filho

O que foi e o que é, portanto, atacado para que nos ocupemos com este tema como nossa tarefa?

O Pe. Kentenich é hoje novamente acusado de “abuso sistemático de poder e um caso de abuso sexual”. Assim os visitadores, em seu relatório para Roma, descrevem “a imagem de um fundador altamente manipulador que impede, sistematicamente, as Irmãs de exercer sua liberdade de consciência”.[2]

Qual é a realidade que há detrás desta distorção? Que o Pe. Kentenich doou-se completamente, como pai e deixou-se vivenciar como pai, que não só permitiu emoções e vinculações afetivas à sua pessoa, mas, as afirmou, promoveu e cultivou. Tudo isto, a partir da experiência de que essas emoções e vinculações à sua pessoa eram transferidas para Deus Pai e, por este meio, crescia nelas uma experiência vital de Deus Pai e uma indissolúvel vinculação a Deus.

Assim, as experiências filiais revitalizadas ou que não tinham sido experimentadas eram supridas, as pessoas adultas, neste relacionamento pai-filho, se vivenciam e se desdobram como filhos e nisto fazem uso de uma linguagem filial, desenvolvem imagens filiais, que nem sempre são tão perfeitas (isto é, que não são tão artísticas, como fazem as crianças), cantos e símbolos. E tudo isto está a serviço daquilo que Jesus diz para cada pessoa, quando ensina que para entrar no Reino dos céus é preciso tornar-se criança. (cf. Mt 18,2).

Posso compreender a pessoa que fica chocada com isso. Após uma década de escândalos de abusos na Igreja, milhares de casos, todos esses processos de vida, aos olhos da publicidade, perdem a sua inocência, a sua pureza. Quer queiramos ou não, são associados a abusos espirituais.

Temos todos os motivos para esperar que as acusações de abuso sexual sejam esclarecidas. Porém, apenas começou a tarefa de distinguir este mundo espiritual pai-filho de abuso espiritual, sim, de mostrar a sua importância para a época e ajudar para que seja conhecido.

Família de Schoenstatt, vais comigo?

Os acontecimentos em torno da Causa Kentenich parecem-me ser o apelo de Deus a nós, pedindo a nossa contribuição para a Igreja hoje.

Novos alicerces da vida da alma[3] 

A orientação nas vozes das almas é completamente indispensável para os tempos de uma nova fundação de Schoenstatt. Nosso Pai escreve sobre isso ao Pe. Menningen (abrevio o citado): “Deixa-me contar-te como… desde 1919, Schoenstatt formou-se. Depois de ter aberto os corações e criado certa atmosfera por meio de algumas palestras, minha atividade principal foi: dia e noite, estar à disposição de cada um, para ajudá-lo a resolver seus problemas psíquicos, para servi-lo… para resolver os complexos (conjuntos de fatores) psíquicos, especialmente as neuroses obsessivas intensificadas durante a guerra.”[4]

Minha experiência: respeito e dedicação

Em minha conversa pessoal com nosso Pai, que durou umas duas horas, à noite, chamou-me a atenção o seguinte: como eu não conseguia falar nada, ele teve que conduzir a conversa, fazendo perguntas. Não fez nem uma pergunta indiscreta, somente aquilo que se pode perguntar tomando um copo de cerveja e na presença de outros: como eu pagava meus estudos, quais eram meus temas preferidos, quem cozinhava para nós etc. Porém, seu interesse fez com que eu, aos poucos, começasse a contar-lhe, sempre mais, também sobre mim pessoalmente e, depois de aproximadamente uma hora e meia, consegui finalmente dizer-lhe porque eu estava ali, o que era importante para mim e o que me preocupava.

De um lado, experimentei a sua grande discrição e reserva, seu respeito por minha personalidade e liberdade. Por outro lado, como ele entrava nas profundezas da alma quando eu livremente a abria. Se faltasse esse respeito pela liberdade, se trataria de abuso espiritual. Conforme a minha experiência, não percebi nenhum sinal disto.

Estar atento às necessidades

Então, como se faz esse caminho a partir do exterior para o interior da vida, da superfície para a profundeza da alma? Como nosso Pai mesmo diz, quando ele se encontrava com uma pessoa, observava quais as necessidades[5] dela, mas não só pelo que era expresso, mas também pelo que não era expresso. Não só por aquilo que a pessoa estava consciente, mas também pelo que permanecia inconsciente.[6] O caminho das necessidades o conduziu a uma profundidade cada vez maior. Assim diz nosso Pai: “Com o tempo, vivenciei-me, cada vez mais, como um escavador de tesouros, que podia extrair dos secretos e mais secretos e profundos filões de ouro, de nobres almas femininas, abundante metal nobre que, naturalmente, em vários sentidos, necessitava de purificação e clareamento.”[7]

Amar e ser amado

Para continuar com esta imagem: ao descer às profundezas das necessidades, ele percebia como todas as necessidades se resumiam numa única: ser amado e poder amar. Esta é a raiz da qual provêm todas as necessidades. O insaciável desejo de amar e ser amado se manifesta de diversas formas: amor maternal, amor paternal, amor conjugal/matrimonial, amor fraternal, amor de amizade e – o mais profundo e mais original: amor filial.

Transmissão a Deus

Agora vem uma visão inovadora e de grande importância: aqui está o mais profundo da fonte da experiência de Deus e do relacionamento com Deus. A experiência básica, inteiramente humana da alma – ser desejado, amado, aceito, abrigado – pode ser transferida para Deus. Pode ser, não é que tem de ser – pois isso é graça. Com palavras bíblicas: aqui a Palavra se fez carne e habitou na alma do ser humano.

Ele reconhece: se o relacionamento com Deus não for alimentado desta fonte humana, que permite que se torne vital, emocional e possa penetrar a pessoa até as profundezas inconscientes da alma, então Deus permanece uma ideia sem experiência; uma prática sem alma, a qual se pode facilmente abandonar. Atualmente, estamos experimentando isso como um fenômeno das massas.

Experimentar Deus no pai humano

Pe. Kentenich, durante décadas, colocou sua pessoa quase excessivamente em segundo plano. Mas, mudou radicalmente sua atitude, quando chegou ao reconhecimento da importância da experiência de Deus por meio de um pai humano: então permitiu que nele, como um ser humano paternal, Deus tornasse vivenciável a Sua paternidade e Sua atuação divinas, permitiu que se desenvolvessem vínculos espirituais com sua pessoa (do Pe. Kentenich) e, por estes vínculos, atraísse a Si, como Deus Pai, os corações humanos.[8]

E ainda: nosso Pai consentiu que as pessoas expressassem, desenvolvessem, externassem de diversas formas suas necessidades de se doarem como filho. Na confiança de que, também na imaturidade, no exagero, se oculta ouro verdadeiro. Ele fez tudo o que era necessário para esse ouro ser purificado

Ele aceitou incompreensões

Permitam-me falar de maneira bem humana: tudo isto se tornou o infortúnio do Pe. Kentenich. Com isto, ele se ofereceu como alvo para ser mal-compreendido, atacado, suspeito, insuportável – até hoje! Assumiu tudo isso de olhos bem abertos. Por amor a Deus: para abrir um caminho para Ele na alma das pessoas.

Por amor à humanidade de hoje: para mostrar-lhe um caminho que leva a Deus, enquanto o coração humano O procura. Por amor a Igreja: para desenvolver para ela uma evangelização correspondente a pedagogia e a psicologia adequadas para o ser humano de hoje.

Como reagimos a ela, no espírito de nosso Pai?

Repito: Tomemos como nossa tarefa o que é atacado! Este é o caminho da vida da alma, a orientação nas vozes das almas. Prossigamos seu caminho! E para dentro da publicidade da Igreja!

LEIA AQUI o texto acima sem recortes

————

[1] “Devem, portanto, tomar isto por certo, também devem esperar que talvez amanhã ou depois de amanhã ainda não. Em todo o caso, eu pessoalmente farei tudo para não iniciar uma luta no âmbito público da Igreja, com fiz no passado. Isto virá um dia, mas agora ainda não. Agora, temos de ver que estejamos unidos, que nos tornemos mais coesos… Primeiro temos de representar uma potência, então, será o momento de ousar subir ao palco da luta, para dali promover uma discussão com a Igreja… primeiro temos que nos consolidar, que nos unir, para que nenhum poder do mundo, mas também nenhum poder do inferno consiga nos separar… Preparar-nos para representar uma torre, uma torre indestrutível nos conflitos não insignificantes com os quais podemos e devemos contar.” (Aus der Ansprache zur Kursweihe des Pilgerkurses am 17. 08. 1968)

[2] Die Tagespost vom 14. 10. 2020

[3] “Ter o olhar sempre voltado para a vida espiritual dos seguidores… Quem quiser ler a vontade e o desejo de Deus nas almas precisar estar em permanente contato com eles, precisa entender como abrir as almas, ler nelas e, aos poucos, passar para toda a Família o que leu.” Brief an P. Menningen zu Fragen der Neugründung vom 9. 12. 1953

[4] Brief vom 9. Dezember 1953 aus Milwaukee

[5] Pe. Kentenich wörtlich: „alle Regungen und Wünsche“

[6]. Apologia pro vita mea, Milwaukee 1960 S. 90 (099) 

[7] Apologia pro vita mea, Milwaukee 1960, S. 105 (117)

[8] vgl. Hos 11,4: „Mit menschlichen Fesseln zog ich sie, mit Banden der Liebe.“

 

Fonte: schoenstatt.org.br

Eu quero ser teu amigo, Jesus Cristo!

 

Gustavo Ceccon Guimarães / Lucas Botassio – Com o lema “Eu quero ser teu amigo, Jesus Cristo” sete seminaristas dos Padres de Schoenstatt foram ordenados diáconos em Santiago do Chile. A celebração aconteceu no dia 14 de novembro, no Santuário de Schoenstatt de Colina. Entre os ordenados estão os brasileiros Rafael Flausino e Filipe Araujo.

Foi um dia repleto de alegria e de emoções. Ainda que a atual situação sanitária em que vivemos restringia a participação de convidados, membros da Família de Schoenstatt, amigos e familiares dos novos diáconos puderam de forma presencial, ou acompanhando de forma online, ser testemunhas da ação de Deus na vida destes jovens e da alegria de se consagrarem para sempre a Deus, no serviço da Igreja.

A missa foi presidida por Dom Alberto Ortega, Núncio Apostólico no Chile, que em sua homilia destacou a importância da celebração especialmente pelo contexto atual: “A celebração de hoje é uma boa notícia, um sinal de esperança que nos enche de alegria”. Também indicou a necessidade de unir a amizade com Jesus ao serviço aos demais, atitude central do diaconato: “O amor de Deus vai sempre unido ao amor aos irmãos. E hoje estas duas dimensões do amor adquirem uma nova força: o serviço. Desde esta amizade com Deus vocês querem amar e servir aos seus irmãos”.

Ao longo de quase 10 anos de formação, os Diáconos foram descobrindo, através de vínculos concretos em suas vidas, a presença privilegiada de Cristo como amigo. Por isso, as palavras de Dom Alberto expressaram uma realidade profunda na vida desses jovens, a vivência e um anseio de, na amizade, viver no coração um do outro, para assim viver no coração de Deus.

“Eu quero ser teu amigo, Jesus Cristo,
eu quero ser teu amigo.
Encontrar o teu jugo suave e a tua carga ligeira
e levar por todas as partes, no meu corpo e na minha alma,
a tu vida em primavera”
(Esteban Gumucio, oração que os Diáconos rezaram em sua preparação a ordenação)

Depois da celebração eucarística, na qual receberam a graça da ordenação diaconal, os sete neo-diáconos se dirigiram ao Santuário de Schoenstatt de Valle Hermoso para consagrar à Rainha de suas vocações o início de seus ministérios. Ali, diante da Mãe de Deus, agradeceram o carinho que receberam ao longo de tantos anos de formação, de tantas pessoas que, com sua oração e aporte material, fizeram possível suas vocações.

Depois de tantos anos vivendo no exterior, os Diáconos Rafael Flausino e Filipe Araujo retornarão ao Brasil para seguirem seu tempo de diaconato em nosso país, para futuramente estar à disposição e serviço da Família de Schoenstatt Tabor.

Agradecemos a todos pela companhia e pelas orações aos nossos irmãos e seguimos encomendando à oração de todos pela fecundidade e alegria da vocação dos novos Diáconos da nossa Igreja!

Se ordenaram Diáconos Pedro Brás (Portugal), Juan Molina (Argentina), Sebastián Espinoza (Chile), Joaquín Lobos (Chile) e Sergio Abarca (Chile), Filipe Araujo (Araraquara/SP – Brasil) e Rafael Flausino (Poços de Caldas/MG – Brasil).

Veja a celebração completa no vídeo:

 

 

Pe. Aguirre: como caminha a investigação nos Arquivos do Vaticano

    

Enrique Soros – O Pe. Eduardo Aguirre, postulador da Causa de Canonização do Pe. José Kentenich, encontra-se em Roma estudando os documentos relativos às Visitações de Schoenstatt e ao exílio do Pe. Kentenich até o ano de 1958, quando faleceu o Papa Pio XII, e cujos arquivos foram abertos há poucos meses. O sacerdote informa que, devido ao aumento das infecções de Covid-19 na Itália, todos os arquivos e bibliotecas foram fechados. Isso também acontece no Vaticano, então na segunda-feira, 9 de novembro, ele não pôde acessar os Arquivos do Santo Ofício (como estava previsto) e é possível que não possa fazê-lo novamente até o próximo ano. “Agora poderei estudar com mais detalhes as atas da causa do Pe. Kentenich, que abrangem centenas de documentos e milhares de páginas”, afirma o postulador.

Ele Já teve acesso aos arquivos da Congregação para a Doutrina da Fé – antigamente chamada de Santo Ofício – entre 21 de setembro e 9 de outubro de 2020, durante 17 dias, e conta que “foram jornadas intensas de leitura e estudo de escritos, atas e documentos que vão de 1949 – também documentos relacionados à Visitação Canônica realizada em Schoenstatt pelo Bispo Auxiliar de Trier em fevereiro daquele ano – até 1953, período correspondente à Visitação Apostólica – março de 1951 a julho 1953 –, realizada pelo Santo Ofício através do Pe. Sebastián Tromp, SJ”.

Sobre os documentos analisados, Pe. Aguirre expressa que “nessas três semanas consegui estudar cerca de 360 documentos, que constam de umas 2.130 páginas escritas em alemão, latim e italiano, e também algumas em espanhol. Muitos deles foram escritos à mão, especialmente os escritos do Pe. Tromp, que na maioria se encontram em latim”. E acrescenta que “ainda há muitos documentos para estudar, que vão de 1954 a 1958, ano em que morreu Pio XII. Portanto, ainda não se pode dar por concluída esta investigação”.

Sobre o conteúdo dos arquivos investigados

A respeito dos conteúdos, os motivos da visitação e os confrontos com o Santo Ofício, o Pe. Aguirre encontrou poucas novidades e explica que “muitos documentos que se encontram no Arquivo da Congregação para a Doutrina da Fé já eram conhecidos durante o processo de beatificação do Pe. Kentenich e estão presentes nos arquivos da causa. Isso inclui decretos, cartas, relatórios, declarações, etc., que já haviam sido estudados e considerados pela Comissão Histórica, que na época era formada pelo Bispo de Trier no âmbito do processo diocesano e que já havia emitido seu relatório final. Toda essa documentação que pertence ao processo está sob sigilo; em outras palavras, não pode ser divulgada”.

O postulador explica que, “portanto, os decretos, as principais acusações e denúncias contra nosso Pai e Fundador, contra as Irmãs de Maria, contra os Sacerdotes Diocesanos e Padres Palotinos schoenstattianos, contra as ideias de Schoenstatt e do Movimento em geral, já eram conhecidos, assim também como quem eram os principais acusadores”, e acrescenta que “naturalmente, também encontrei documentos que não eram conhecidos e que não estão nos arquivos da Causa. Eles lançam mais luz sobre os processos e atores da visitação. Mas, em termos de conteúdo, em geral não contribuem com elementos importantes desconhecidos ou surpreendentes”, conclui.

 

Schoenstatt Internacional entrevistou o Pe. Aguirre. A seguir, transcrevemos o diálogo:

Quando será possível ter uma visão clara do conteúdo dos documentos desses arquivos?

Teremos que esperar até que seja permitido novamente o acesso para estudo aos Arquivos da Congregação para a Doutrina da Fé. A data não está definida, pois depende da evolução da pandemia nos próximos meses e das medidas que forem tomadas sobre isso.

 

Que implicações o fechamento dos arquivos do Vaticano tem para sua investigação?

Naturalmente, isto implica um bom atraso no estudo desses documentos do Santo Ofício, especificamente entre 1954 e 1958, que são os anos que não consegui investigar. Mas isso não significa que eu não possa continuar investigando os documentos da Causa de Beatificação do Pe. Kentenich, que compreende uma enorme quantidade de escritos e contém textos de cerca de 110 arquivos que foram consultados ao longo da Causa do Pe. Kentenich.

 

Durante o tempo em que teve acesso aos arquivos da Congregação para a Doutrina da Fé, há algum documento importante que ainda não foi estudado no Processo de Beatificação?

Dos documentos que pude ver até agora e que ainda não foram considerados na Causa, parece-me que os mais importantes são os relatórios sobre a Visitação Apostólica – 1951-1953 –, escritos pelo Visitador, Pe. Tromp. São quatro relatórios que foram apresentados internamente ao Santo Ofício e que abrangem cerca de 200 páginas escritas em latim. Esses relatórios foram mantidos desde então e até agora sob sigilo. Assim também existem outros textos internos do Santo Ofício, que não eram conhecidos – atas de deliberações, contribuições e opiniões de outros teólogos consultores do Santo Ofício.

Assim mesmo, pude encontrar uma boa quantidade de escritos que chegaram ao Santo Ofício, e inclusive ao Santo Padre, Pio XII, em defesa da idoneidade do Pe. Kentenich, de seus ensinamentos e práticas, assim como esclarecimentos em relação à espiritualidade e pedagogia de Schoenstatt e do significado da pessoa do Fundador para a Família de Schoenstatt. Não há cópias de vários deles na documentação da Causa.

 

Que consequências o senhor acredita que a publicação das acusações em questão provocou?

Com a investigação desses documentos e com a controvérsia que surgiu como resultado das publicações acusatórias e infames contra o Pe. Kentenich nos últimos meses, tem-se revivido, em parte e de alguma maneira, as acusações e difamações que o Pe. Kentenich sofreu a partir das Visitações e durante o tempo do seu exílio.

Creio que se pode dizer que, para as gerações atuais da Família de Schoenstatt, esta situação está motivando e até mesmo exigindo um estudo mais aprofundado dessa fase da história de Schoenstatt e de conhecer e compreender mais profundamente a pessoa, a vida e o carisma de seu fundador.

Da mesma forma, toda essa polêmica nos ajuda a recordar que o Pe. Kentenich é um ser humano, que tinha limites, que não era infalível, que podia se equivocar e pecar (confessava-se regularmente); que nem sempre obteve os resultados que esperava e que pôde errar no julgamento e na compreensão de algumas pessoas que colaboraram com ele na fundação de Schoenstatt.

Como é evidente, o Pe. Kentenich não nasceu santo. E se chegou a ser santo, foi ao longo de seu caminho de vida e por meio de uma história bastante arriscada, na qual sempre lutou por deixar-se conduzir pela Providência divina, realizar a vontade de Deus e colocar-se nas mãos de Maria, sua mãe e educadora, aspirando alcançar o ideal de santidade. Se ele chegou a alcançar este ideal ou não, é o que a Igreja deve chegar a declarar, após cuidadosa investigação de sua vida e sua obra, através do processo que está realizando.

Contudo, sem ignorar que evidentemente o Pe. Kentenich tinha limitações e errava como todo ser humano, nunca foi acusado por parte do Santo Ofício de atos de imoralidade ou de abuso e violência contra qualquer pessoa. O próprio Pe. Kentenich, na medida em que chegou a conhecer algumas acusações e difamações a este respeito, negou-as categoricamente. E pelo confronto que teve com este supremo Tribunal da Igreja, podemos estar seguros de que o Santo Ofício não o encobriu ou fez “vista grossa” diante desse tipo de falta.

Penso que, finalmente, devemos agradecer que a polêmica atual nos ajudará a conhecer e compreender com maior realismo, profundidade e horizontes, a pessoa do Pe. Kentenich e seu carisma.

 

Está prevista alguma publicação com enfoque nos conteúdos investigados?

Naturalmente. Só que, provavelmente, uma publicação mais completa, bem fundamentada e autorizada levará um bom tempo. Para isso, temos que esperar também as investigações que realizará a Comissão Histórica, formada por especialistas, que foi constituída pelo Bispo de Trier, responsável pela Causa de Beatificação do Pe. Kentenich. Essa comissão também precisará de tempo para estudar os arquivos do Santo Ofício.

 

De que forma o estudo desses documentos pode contribuir para a missão da Igreja de hoje, em tempos de Papa Francisco?
Sem poder entrar mais a fundo agora a fazer uma análise pertinente, mas levando em conta os acentos que foram destacados no pontificado do Papa Francisco, que impulsiona uma renovação da vida da Igreja e de sua missão, acredito que sua contribuição vai no sentido de uma Igreja evangelizadora, aberta e em saída, que quer chegar a todos os homens de boa vontade e especialmente aos mais frágeis, que valoriza o humano, que acentua a misericórdia de Deus, a realidade da pequenez humana e o valor das relações humanas de fraternidade, em uma cultura de encontro, para destacar alguns aspectos.

Creio poder afirmar que existe uma grande sintonia com o carisma e a missão que o Pe. Kentenich acreditava ter recebido de Deus. Estudando a espiritualidade de Schoenstatt, sua pedagogia, sua análise do tempo atual e, finalmente, sua obra, pode-se perceber claramente que o Pe. Kentenich entregou sua vida e se lançou por inteiro para promover uma profunda renovação na vida da Igreja, em sintonia com o Vaticano II, projetando-a para o terceiro milênio, respondendo, e até antecipando, as profundas mudanças culturais que nossa época vivencia, para gerar uma nova cultura de aliança.

Primeira foto: Pe. Eduardo Aguirre, postulador da Causa Pe. Kentenich (Foto de Ir. M. Nilza P. da Silva)

Fonte: schoenstatt.com

Dilexit Ecclesiam: O quarto marco histórico

Pe. Alexandre Awi Mello – No dia 22 de outubro se celebra a reabilitação do Padre José Kentenich (1885-1968) pelas autoridades da Igreja e do final do seu exílio. Em outubro de 2014, na audiência celebrativa dos 100 anos do Movimento Apostólico de Schoenstatt, o Papa Francisco se disse impressionado com a “incompreensão e a rejeição que teve que sofrer o Padre Kentenich”. E explicou: “Esse é o sinal de que um cristão vai à frente: quando o Senhor o faz passar pela prova da rejeição. Porque é o sinal dos profetas. Os falsos profetas nunca foram rejeitados, porque diziam aos reis ou às pessoas o que eles queriam ouvir”. Os falsos profetas concordam com tudo, dizem: “Ah, que bonito. E mais nada”. Já para os que são rejeitados, continua ele, se faz necessária “a capacidade de aguentar”, ou seja, “suportar na vida ser deixado de lado, rejeitado, sem se vingar com a língua, com a calúnia e a difamação”.

O Papa descreve assim, com precisão e beleza, o profetismo do Padre Kentenich e sua reação paciente diante da rejeição sofrida. De fato, abundam na história da Igreja situações em que fundadores proféticos, imbuídos de uma inspiração particular do Espírito Santo, não são bem compreendidos pelas pessoas do seu tempo e, muitas vezes, pela própria hierarquia da Igreja. As provas, às quais são submetidos, não são mais que o caminho querido por Deus para comprovar a veracidade da profecia e a vigência da missão que lhes foi confiada.

Com o Fundador do Movimento de Schoenstatt não foi diferente. O Padre José Kentenich passou por difíceis perseguições em diferentes momentos da sua vida. Por três anos e meio (1941-1945) foi prisioneiro do regime nazista e sobreviveu ao “inferno de Dachau”, campo de concentração ao sul da Alemanha, para onde eram enviados os religiosos considerados inimigos do Nacional Socialismo. A prova mais difícil, contudo, ainda estava por vir. A partir de 1949 sua obra foi submetida a uma Visitação Apostólica, conduzida pelo Santo Ofício. Aspectos concretos da prática pedagógica do Movimento eram vistos com desconfiança e considerou-se mais adequado afastar o fundador da sua fundação.

O Padre Kentenich cumpriu seu exílio na cidade de Milwaukee, norte dos Estados Unidos. Manteve-se inabalável em suas convicções e continuou defendendo-as. Enfrentou, contudo, esse tempo com paz interior, confiança inabalável na Providência e sorriso no rosto, sem jamais difamar ou falar mal da Igreja. A maioria das pessoas que conviviam com ele não tinha nem ideia de que ele estava exilado. Carregou esta pesada cruz durante longos quatorze anos (o paralelo com as quatorze estações da via sacra é inevitável), que só foram interrompidos graças ao Concílio Vaticano II.

Com os “novos ventos” que invadiram a Igreja, estava preparado o terreno para que, finalmente, a Igreja hierárquica pudesse entender o carisma de Schoenstatt e a profecia do seu fundador. No dia 22 de outubro de 1965, às vésperas do final do Concílio, o Papa Paulo VI assinou o decreto em que se suspendiam as acusações e se reabilitava o Padre José Kentenich. Uns dias depois, o Papa o recebeu em audiência e o Fundador lhe prometeu “a colaboração de Schoenstatt para a realização da missão pós-conciliar da Igreja”. Apesar da mobilização de bispos e cardeais, as circunstâncias demonstraram que, mais que obra humana, sua reabilitação foi um milagre e uma graça da Mãe Três Vezes Admirável, a quem consagrou sua vida e sua Obra. Já com 80 anos de idade, ele pôde retornar a Schoenstatt, às margens do Reno, na Alemanha, onde passou os últimos três anos da sua vida trabalhando intensamente pela obra que Deus lhe havia inspirado.

Por seu pedido explícito gravou-se em seu túmulo uma frase que resume a sua vida: “Dilexit ecclesiam” (Amou a Igreja). Ao invés de distanciá-lo, as incompreensões sofridas reforçaram ainda mais seu amor à Igreja e a certeza do carisma recebido. Se a obra não fosse de Deus, melhor que não existisse, foi sempre a sua convicção. Ao celebrar os 50 anos destes acontecimentos, a Família de Schoenstatt renova seu compromisso de amar e servir a Igreja com o coração missionário e o compromisso profético do seu fundador.

 

*Texto escrito em 2015

Fonte: schoenstatt.org.br

Um Congresso ‘online’ dos Amigos do Padre José Kentenich

Ir M Rosequiel Fávero – Já é de comum acordo que, ao lado de muitos desafios e situações difíceis, a pandemia da covid-19 trouxe novas possibilidades e aprendizagem, principalmente na área da comunicação. Um exemplo disso foi a realização do 34⁰ Congresso dos Amigos do Padre José Kentenich, desta vez, completamente online.

Ir M Raquel Mainardi, que coordena o Secretariado Padre José Kentenich em Santa Maria/RS, nos conta: “Quando disse aos colaboradores do Secretariado, que – por causa da pandemia – não teríamos o congresso neste ano, ouvi a pergunta: ‘Porque não fazemos online?’ Eu não entendo quase nada destas ‘inovações técnicas’, mas com a promessa da ajuda deles, ousei iniciar a preparação. E foi uma grata surpresa ver como a proposta foi bem aceita”.

Giovani e Fabiana Sturmer, que fizeram a proposta para a Ir M Raquel e foram incansáveis na sua concretização, falam dos ‘números’ do Congresso: “Foram 236 inscritos de três países (Brasil, Portugal e Peru) e de 14 estados brasileiros. Embora as transmissões no Facebook e Youtube fossem abertas para todos os que quisessem participar, a inscrição online nos ajudou a ter uma visão dos participantes e a criar mais um canal de contato com eles. Pois muitos querem continuar a receber material do secretariado ou também preparar-se para selar a Aliança de Amor. Importante também é o fato de que mais de 70% dos inscritos nunca tenham participado antes de um Congresso dos Amigos do Padre Kentenich e que desejam continuar a participar na modalidade online”.

Não somente a participação dos congressistas foi online, mas também palestras e testemunhos foram nesta modalidade, tornando a concretização técnica um verdadeiro desafio, desde o simples fato de ter ou não um bom sinal de internet para a transmissão, desde gravações que chegavam com sérias dificuldades, principalmente nos áudios. Mas a Mãe e Rainha se mostrou a grande vencedora e cuidou que, apesar das falhas técnicas e humanas, fosse possível a realização de um evento de grande participação e de forte espiritualidade.

A quatro palestras do congresso, com certeza, foram pontos altos na programação. Pe. Clécio Almeida, da arquidiocese de Santa Maria, fez a palestra de abertura, convidando a todos para participar realmente do congresso e não apenas ‘dar uma passada’ e refletiu com os congressistas, no segundo dia do evento, sobre a realidade pós-pandemia, conduzindo – de forma muito interessante e prática – um exame de consciência. Pe. Anderson Almeida, capelão militar atualmente em Campinas/SP, refletiu sobre o lema do Congresso ‘De volta ao Pai vai nosso caminho‘. Pe Wendel Gonçalves, também capelão militar atuando atualmente em Brasília, fez uma verdadeira aula sobre a Aliança de Amor, desde o Antigo Testamento até a Aliança de Amor em Schoenstatt. De uma forma muito vital, Ir M Raquel retomou a história da Aliança de Amor em Schoenstatt e suas aplicações em nossa vida.

Testemunhos dados ao vivo, em Santa Maria, ou que tinham sido enviados de diferentes cidades do Brasil deram o tom familiar já marcante nos Congressos dos Amigos do Padre Kentenich. De maneira especial, despertaram a confiança na sua intercessão junto a Deus e o desejo de conhecer mais o Fundador do Movimento de Schoenstatt, bem como de empenhar-se pela sua beatificação.

Uma linda vivência de coroação, proclamando mais uma vez a MTA como Rainha do Processo de Beatificação do Padre Kentenich, foi a ‘cereja do bolo’ da terceira noite de atividades. A vivência, gravada no Santuário Tabor, contou com a colaboração do Pe. Clécio e de jovens vocacionadas das Irmãs de Maria de Schoenstatt.

O congresso foi encerrado com a Missa da Aliança, celebrada no auditório do Centro Mariano, sob rígidas restrições sanitárias, devido à pandemia. O presidente da celebração foi o Pe. Clécio Almeida, que soube muito bem unir o encerramento do evento com a renovação da Aliança de Amor. Neste dia, a Família de Schoenstatt recordou, mais uma vez, os 70 anos da Campanha da Mãe Peregrina, celebrado no último 10 de setembro.

Com o sucesso deste primeiro congresso online, já ficou decidido que em 2021, se Deus quiser, teremos um evento presencial e, ao mesmo tempo, online, para possibilitar a muitos, que não podem vir até Santa Maria, a oportunidade de participar deste momento de graças e de espiritualidade.

Mais fotos 

Para assistir as palestras CLIQUE AQUI

Canonizai-o vós mesmos

 

Ir. M. Nilza Pereira da Silva – Neste mês em que celebramos o aniversário de morte de nosso Pai e Fundador, o Padre José Kentenich (15 de setembro), vale a pena recordar uma reflexão que já fizemos mais vezes.

Certa vez, um grupo de schoenstattianos estava com o Papa João Paulo II e lhe pediu: “Canonizai o nosso Fundador!” A esse pedido ousado, o Santo Padre respondeu: “Canonizai-o vós mesmos!”

Essas palavras nos desafiam.

Em fevereiro de 2020 fez 39 anos que foi aberto o processo de canonização do Padre José Kentenich. Este ano jubilar traz uma boa oportunidade para retornarmos às palavras do Papa e nos perguntarmos: o que estamos realizando para canonizar o Fundador da Obra de Schoenstatt?

Devemos a ele inúmeras graças: a existência do Santuário, a rica espiritualidade do Movimento, capaz de educar santos, a visita da Mãe Peregrina em nossos lares, a vida santa do Pozzobon – este gostava de dizer que era o ‘aluninho’ do Padre Kentenich e ofereceu a vida pela missão do Fundador.

E nós? O que estamos fazendo? O que sua cidade faz pela canonização do Padre José Kentenich? Para torná-lo mais conhecido?

Os Secretariados pela sua canonização, em Atibaia/SP e Santa Maria/RS, distribuem um rico material para divulgação, novenas para pedir a sua intercessão e recolhem relatos de graças alcançadas. Cada testemunho de graça é essencial para o processo de canonização avançar.

Entre em contato e obtenha mais informações: Secretariados no Brasil

Fonte: schoenstatt.org.br