
Em 16 de janeiro de 1942, o Padre José Kentenich, que havia sido preso pela polícia secreta nazista (Gestapo), foi submetido a uma consulta médica, para ver se ele estaria apto para ser enviado para o Campo de Concentração de Dachau. O exame foi superficial, uma vez que coração e pulmões não foram examinados. Assim, apesar do seu estado de saúde precário, foi declarado apto para ser enviado ao campo de concentração. No dia seguinte chegou a Schoenstatt um breve bilhete escrito a próprio punho pelo Padre Kentenich (pois ele havia conquistado a confiança de dois guardas que transportavam sua correspondência, tudo de forma secreta): “Acabo de ser examinado em relação ao Campo de Concentração: apto para o campo. Mas agora ninguém deve preocupar-se com isto”.
A partir deste momento, os dirigentes da Família de Schoenstatt começaram a ‘mover os pauzinhos’ possíveis a fim de evitar que o Fundador fosse enviado para Dachau. Conseguiram que o médico que o atendera se dispusesse a atendê-lo novamente, desde que o interessado se manifestasse por escrito. Neste caso, estava pronto a mudar o parecer anterior. Padre Kentenich encontrava-se perante uma decisão crucial: Devia assinar este pedido ou não? E, principalmente, ele se perguntava: ‘Seria esta a vontade de Deus’?
Mais tarde, ele mesmo escreveu: “Pelas suas iniciativas com o médico, muito obrigado aos Srs… Por favor, não me levem a mal, que eu não continue a tecer os fios que já teceram”. Foram horas e dias muito difíceis. “Lutar por esta decisão não foi fácil, já que ir para Dachau significava ir para a morte certa e separar-me de toda a Família. (…) Não tinha nenhuma visão, nenhum sonho, nem sequer uma iluminação especial. Na luta solitária contava apenas com a simples fé na Providência”.
Uma oração do Padre Kentenich do tempo de sua prisão em Coblença expressa a atitude de sua alma em janeiro de 1942:
Recebe, Senhor, pelas mãos de minha Mãe, a doação total de minha liberdade; recebe a memória, os sentidos e a inteligência, recebe tudo, como prova de amor.
Recebe todo o coração e toda a vontade, dá que eu assim sacie o verdadeiro amor. Minha maior felicidade é devolver-te, sem reservas, tudo o que me deste.
Dispõe sempre de tudo, como te aprouver, concede-me somente que eu te ame! Dá que em toda parte eu creia que tu me amas como a preciosa pupila dos teus olhos. (Rumo ao Céu, 386 – 388)
Fonte: Novena ‘Livre em Algemas, p. 16 a 19
