São José e o Onomástico do Padre Kentenich

Kennedy Rocha – No dia 19 de março celebramos a Festa de São José, Patrono da Igreja, e também celebramos o aniversário Onomástico do Padre José Kentenich, Pai e Fundador da Obra Internacional de Schoenstatt.

São José recebeu o maior elogio que um homem poderia receber, ser chamado de “justo”. A dimensão desta palavra ultrapassa o sentido de justiça dos dias de hoje, José era justo segundo o coração de Deus, uma justiça que não era acorrentada às leis e preceitos do seu tempo, mas era natural e espontânea em sua vida e atitude. José foi um exemplo de fé, de esposo e de pai. Nossa amada Igreja tem por ele um grande afeto de filha, já que ele é o Protetor da Sagrada Família e também de toda a Igreja.

Celebrar São José, esposo de Maria e pai de Jesus, é celebrar o seu sim ao plano de amor do Pai, que quis contar com a livre colaboração da criatura humana para salvar o homem. A adesão de São José ao plano orgânico de amor do Pai foi fundamental para que a Jesus viesse ao mundo, anunciasse o Reino de Deus e o amor misericordiosos do Pai.

Como toda criatura humana, José também teve medo e insegurança, mas ele confiava no Deus de Israel e quando o Anjo lhe avisou em sonho: “José, filho de Davi, não temas receber Maria por esposa, pois o que nela foi concebido vem do Espírito Santo. (…) Despertando, José fez como o anjo do Senhor lhe havia mandado e recebeu em sua casa sua esposa”. (Mt 1, 20.24)

Na fuga para o Egito novamente José é orientado pelo anjo e confia na vontade de Deus: “Levanta-te toma o menino e sua mãe e foge para o Egito” (Mt 2,13)

O Padre José Kentenich nos ensina sobre essa passagem na vida de São José:

Reflitamos por uns momentos como, em sonho, foi confiada a missão a São José. O que lhe disse o Anjo em sonho? “José, levanta-te, toma o Menino e sua Mãe!” Ele não disse apenas: “Toma o Menino!”, mas: “Toma o Menino e sua Mãe!” (Mt 2, 13.20).
Como São José, também nós ouvimos hoje as palavras: Levanta-te! Não te deites nem descanses, ou: não lhe desejo uma vida de conforto ou de comodidade ou de passar bem neste mundo… Não, o Anjo disse: Levanta-te toma o Menino e sua Mãe! Recebe-a primeiramente, recebe-a em teu próprio coração; depois prepara-lhe um lugar agradável em tua própria família e a seguir nos corações dos outros!” Pe. José Kentenich. Conferência para Casais em Milwaukee/EUA. 16 de novembro de 1958. Disponível no livro: Com Maria ao novo Milênio

O exemplo do Glorioso São José é urgente para a nossa sociedade tão pobre da figura paterna.

O Padre José Kentenich já havia feito essa constatação há muitos anos atrás e via na figura de São José a imagem do exemplar do Pai, ao ponto de celebrar o seu aniversário onomástico com mais entusiasmo do que o aniversário natalício.

 

Mas o que significa aniversário onomástico?  

O dia do aniversário onomástico, ou apenas o dia do onomástico, é o dia em que se festeja, na Igreja Católica, a memória do santo ou da santa que a pessoa traz o nome.

O Padre José Kentenich vivia o seu Onomástico com muita alegria e por toda a sua vida buscava imprimir na família um grande carinho pela pessoa de São José.

Como São José, o Padre José Kentenich também era Pai – para além de Fundador – da Família de Schoenstatt. O Pai e Fundador conseguiu enxergar a sua missão de Pai como um transparente de Deus Pai.

Como São José, o Padre José Kentenich também “levantou-se e tomou o Menino e sua Mãe” e os levou consigo preparando um lugar agradável em seu coração e no seio da Família e nos orientou: “Levem a Imagem da Mãe de Deus e deem-lhe um lugar de honra nos lares. Assim eles se tornarão pequenos Santuários, nos quais a imagem de graças se manifestará, operando milagres de graças, criando uma santa terra das famílias e formando santos membros da família…” (Trecho da Carta de Santa Maria)

Como São José, o Padre José Kentenich foi fiel à Mãe de Deus e também à Igreja; ele zelou e cuidou de seus filhos imprimindo o Amor Misericordioso de Deus Pai em seus corações e hoje podemos dizer “Dilexit Ecclesiam”, amou a Igreja.

Como São José, o Padre José Kentenich sofreu perseguições dos “Herodes” do seu tempo (como vemos, por exemplo, no período da Segunda Guerra Mundial), que quiseram lhe calar e retirar o Filho Amado do seu coração.

Celebrar o dia de São José e o Onomástico do Padre José Kentenich é um convite à resgatarmos a figura do Pai em nossa sociedade.

Ao nos vincularmos ao Pai e Fundador vamos aprendendo com ele a resgatar a figura de Deus Pai em nossa vida, em nossa casa e em nossa igreja. O Padre Kentenich vai nos ensinando a assumir a nossa missão de pai, sendo reflexo do Pai Misericordioso, no dia a dia de nossa família, pois o pai (juntamente com a mãe) é o primeiro educador, evangelizador e catequista do seu filho, e esta formação deve ser feita através do amor e da liberdade e não através do medo, como nos ensina São Paulo: “Pais, não deem aos vossos filhos motivo de revolta contra vocês. Pelo contrário, criai-os na educação e doutrina do Senhor”, (Ef 6,4)

O universo, com alegria, dê glória ao Pai, no Espírito Santo, em seu esplendor, louve-o por Cristo e com Maria, agora e na eternidade. Amém. (Rumo ao Céu Ofício de Schoenstatt)

 

* Kennedy Rocha pertence ao Ramo da Liga de Famílias de Schoenstatt do Santuário Tabor da Liberdade, Confins/MG

Portugal: última estação para o Padre Kentenich chegar ao Brasil

Estamos nos preparando como Família de Schoenstatt Brasileira para celebrarmos no próximo ano os 75 anos da chegada do Padre Kentenich à nossa Pátria pela primeira vez, ocorrida em 1947.

Naquele ano, o Padre Kentenich partiu da Itália ruma à América Latina. Mas, no caminho, em 15 de março, passou por Portugal, fazendo uma escala em Lisboa.

Vamos conhecer um pouco desta história?

[vc_video link=”https://youtu.be/3qSPzPcM28w” el_width=”90″ align=”center”]

Clique no link para  ver os clipes preparados pelos schoenstattianos de Recife, onde o Padre Kentenich chegou em 16 de março de 1947 e pela Família de Schoenstatt de Porto Alegre, onde ele chegou no dia seguinte.

Os passos do Pai geram vida aonde ele vai…

Suellen Figueiredo – Foi no ano de 1947 que o nosso Pai e Fundador, o Pe. José Kentenich, veio ao Brasil pela primeira vez. E, por ocasião de uma parada obrigatória feita pela aeronave para reabastecimento, foi no aeroporto do Recife/PE que ele pousou pela primeira vez.

Não é conhecido o que aconteceu neste breve momento, mas é certo que ele esteve em nossas terras. Para nós, Família de Schoenstatt do regional Nordeste, e em especial a Família que surgiu em Recife/Olinda, é uma alegria saber que de alguma forma seus passos marcaram o nosso solo.

Cremos, por conhecer a pessoa do nosso Pai, que mesmo neste breve momento ele, que sempre estava ligado à Mãe e ao bom Deus, dirigiu a nós sua benção e, a esta terra, o seu olhar nos contemplou.

Perguntei à nossa juventude o que significa para eles, e seu ramo, saber que o Pai esteve aqui em Recife, que pisou em nosso solo, o que esse fato traz para o ramo?

“O Pai Fundador foi o criador de uma grande Obra que hoje dá sentido a tantas vidas, inclusive à minha. Saber que ele já esteve em Recife emociona e me traz a sensação de proximidade, Schoenstatt não é uma utopia e seu fundador, ele não foi um personagem ou uma pessoa inacessível. Saber disso aquece o coração e lembra que o Pai não só esteve, mas está conosco”, Nilkelly Dornelas – Dirigente de Ramo da Jufem Olinda

“Para nós, os Pioneiros, essa pequena e breve passagem do Pe. Kentenich nos remete ao nosso hino: abrir caminho ao mundo novo. Mesmo sendo algo breve, nos marcou e nos deixou esta missão e lição, mesmo em curto período: leve a espiritualidade e o carisma de Schoenstatt a todos! Não só com palavras, mas com um simples gesto!” João Victor de Souza – Líder dos Pioneiros de Schoenstatt Olinda

Hoje, ao vermos nossa Família Regional crescer a cada dia, vemos como nossa cultura e nossa originalidade estão alinhadas ao desejo do Pai para o Brasil, estamos construindo juntos um regional que pulsa vida e carisma, nossa fé mariana tão singular nos mantém unidos à Mãe em nossos Santuários do Nordeste.

Para nós é um impulso apostólico saber que o Pai esteve em nossa terra, com isso, unidos a ele, seguindo as suas pegadas assumimos a missão de continuamos a construir Schoenstatt Tabor, contribuindo com nossa originalidade local.

[vc_video link=”https://youtu.be/LrufVq8QIa4″ el_width=”90″ align=”center”]

Fonte: schoenstatt.org.br

EKentenich: conhecer o Fundador para viver seu carisma

 

Ana Paula Paiva – No último sábado, 13 de março, os grupos de estudo virtuais sobre o pensamento do Fundador, Pe. José Kentenich, voltaram a se reunir.

O EKentenich surgiu de um anseio: conhecer mais o pensamento de Pe. José Kentenich, fundador da Obra Internacional de Schoenstatt.

Movidos pela força de seu carisma e pela vontade de fazê-lo vivo e concreto nos tempos atuais, encontrou-se na internet um meio de se vincular como Família de Schoenstatt, partilhar a vida e empreender estudos sobre o pensamento do Fundador.

A grande motivação para a criação do EKentenich foi a busca pela unidade e pelo espírito de familiaridade, aliado à necessária compreensão dos elementos que norteiam a pedagogia de Schoenstatt e as aplicabilidades de nosso carisma como serviço à Igreja.

O grupo de estudos acolhe e vincula toda a Obra de Schoenstatt e demais interessados, com seus ramos e comunidades. Somos uma Família e, assim, juntos, queremos construir diálogos abertos e corresponsáveis sobre o carisma de Schoenstatt, para buscar respostas claras e salutares aos tempos atuais.

Reafirma-se: O EKentenich preza pela unidade e pela corresponsabilidade e quer, alegremente, tornar vivo o carisma de José Kentenich agora, como resposta aos tempos atuais e como expressão concreta de nossa vocação em Schoenstatt.

 

Uma visita à Igreja da Adoração

O encontro do último final de semana começou com uma apresentação produzida pela Ir. M. Isabel Machado (com apoio da equipe de comunicação do Schoenstatt International) que reproduziu uma “subida ao monte” onde se encontra a Igreja da Adoração. A ideia é que todos pudessem se sentir numa visita online, tendo a Ir. M. Isabel como guia, até o local do falecimento de José Kentenich. Ela explicou aos participantes todos os elementos que compõem a Igreja, o Altar, a cruz, o tabernáculo e o quadro de Maria.

A visita continuou e os conduziu até a antiga sacristia da Igreja, local em que – no dia 15 de setembro de 1968 – Pe. José Kentenich faleceu e que agora se encontra sepultado. Ali, ouviu-se uma alocução por parte da Ir. M. Isabel, que tratou da importância e da força do carisma de Schoenstatt, como presente para a Igreja; ela respondeu perguntas feitas pelos participantes e ouvimos algumas frases ditas pelo Fundador. Ao final, uma surpresa: Ir. M. Isabel colocou a lista com os nomes de todos os 117 inscritos (vindos de 10 países diferentes, pertencentes a praticamente todos os ramos e comunidades da Obra e, no Brasil, originados dos quatro regionais), sobre o túmulo do Fundador e, após o encontro, a levou até o altar do Santuário original.

Para Bárbara Caldas, de Ibiporã/PR, foi emocionante fazer essa experiência: “No mesmo dia 13 de março, 5 anos atrás, eu estava na Igreja da Adoração, no dia da celebração de minha Carta Branca, em Schoenstatt. Renovar minha Carta Branca, dada a Deus, com essa vivência linda que tivemos no EKentenich foi um baita presente para mim, foi realmente emocionante ter estado lá nesse dia”.

 

 

Grupos de debate

Depois da palestra, os participantes foram divididos em grupos, com monitores, para debater os textos do encontro, já que o EKentenich tem a missão especial de criar vínculos e compartilhar o estudo do pensamento do fundador da Obra de Schoenstatt. Os textos escolhidos foram “Amor ao próximo”, escrito na Jornada de 1951, e excertos do livro “Que se faça o homem novo”, ambos tratando da perda da capacidade de vivências religiosas e vínculos, causas de isolamento e metas de autoeducação, essência do lar e como sua falta é a causa nuclear do problema cultural atual. Os textos direcionam para a formação de comunidades como forma de buscar a santidade e viver nosso carisma; a carência de lar, que deve ser substituída por vínculos; abertura de coração e zelo pelo lar, como nossa tarefa principal em Schoenstatt. As discussões de todos os grupos foram profundas e fecundas.

Ao final do encontro, a equipe organizadora do EKentenich lançou seu site – ekentenich.com.br. Nele será possível encontrar todas as informações sobre os encontros passados (materiais, convidados, formas de inscrição nos grupos de whasatapp ou telegram), além da origem e história do projeto, textos úteis e formativos, entre outros. Não deixe de acessar e conferir!

Fonte: schoenstatt.org.br

Quem é o Padre Kentenich para mim?

Hoje a Família de Schoenstatt recorda o dia do falecimento do seu Fundador, o Padre José Kentenich.

Muitas foram e são as pessoas que encontraram na sua pessoa alguém em podem confiar suas intenções, seus problemas, sua vida.

A partir de hoje, vamos conhecer, a cada dia 15 do mês, um testemunho respondendo a pergunta: ‘Quem é o Padre Kentenich para mim’?

Neste primeiro testemunho vamos ao Ceará, a Mauriti, conhecer a Sra. Açucena Quental.

“Com o vosso Divino Filho, abençoe-nos a Virgem Maria!

Para mim o Padre José Kentenich é o meu Pai e guia espiritual, que sempre orienta a minha vida. Tenho-o como meu amigo e sempre o invoco nas horas de decisões importantes. Sempre procuro conhecê-lo mais.   

Cada vez que leio sobre a vida dele ficou mais vinculada a sua pessoa e o amo cada vez mais e também amo mais o Movimento de Schoenstatt.

Depois que selei a minha aliança do amor, no dia 18 de setembro 2013, comecei a compreender a minha missão como leiga e mulher.

Sempre confiante na intercessão do Pai Fundador, já recebi várias graças.  Entre tantas destaco a instituição do meu Santuário lar, em 14 de janeiro 2018, que tem como ideal Santuário lar da Fidelidade a Mãe de Deus.

 O Padre José Kentenich é meu pai, sua presença espiritual em meu lar trouxe muitas bênçãos para minha família. Hoje faço parte do grupo de amigos do Pai fundador e ele faz parte da minha vida. 

Açucena Quental, coordenadora do grupos dos Amigos do Padre Kentenich em Mauriti/CE.

O que mudou na Causa Kentenich?

Ir. M. Márcia Silva – Neste mês, recordamos os 46 anos da abertura do Processo de Beatificação do Pe. José Kentenich, com certeza um tempo de muita pesquisa e estudo. O postulador da Causa, Pe. Eduardo Aguirre, conta como estão os trabalhos e envolvimento da Família de Schoenstatt nesta fase do Processo.

 

Como é estar à frente deste processo, como postulador, justamente neste tempo em que surgem publicações e acusações em relação à conduta do Pe. Kentenich?

Pe. Eduardo: Desde o início de julho de 2020, quando as acusações e difamações feitas pela Sra. von Teuffenbach se tornaram conhecidas, podemos dizer que o Processo de Beatificação do nosso Pai e Fundador sofreu uma aceleração surpreendente. De fato, essas acusações têm motivado uma renovada preocupação pela pessoa do nosso Pai em amplos círculos da nossa Família: as correntes de oração pelo processo do Pe. Kentenich têm se intensificado, a sua pessoa tornou-se mais presente na consciência da nossa Família de Schoenstatt e despertou-se um grande interesse em estudar e conhecer melhor a história das Visitações e o tempo do exílio.

Nesse sentido, muita investigação tem sido feita – e continua a ser feita – sobre documentos pesquisados em diferentes arquivos e muitos artigos e estudos estão a ser publicados como resultado dessa investigação. Está havendo um trabalho intenso que será muito positivo para dar um forte impulso ao Processo do nosso Pai.

Também será muito importante o trabalho que a nova comissão de investigação histórica, formada pelo Bispo de Tréveris (o último responsável pelo desenvolvimento da causa do Pai na sua fase diocesana) começou a fazer em relação à esta etapa da história de Schoenstatt. Podemos confiar que esta comissão será capaz de esclarecer definitivamente as questões, dúvidas e motivos que levaram ao nosso Pai e Fundador ao exílio. Esperamos também que, com isso, a fase diocesana do Processo possa ser fechada e chegar a Roma, onde deve ser resolvido definitivamente.

Claro que, a par dessas consequências mais positivas de toda as controvérsias levantadas, também houve dor, confusão, dúvidas e discussões sobre a figura do nosso Pai na Família de Schoenstatt. Neste sentido, estes últimos meses não têm sido fáceis.

Para mim, tem sido um tempo exigente e desafiador, o que tem intensificado o meu trabalho. Tive de estudar e rever um grande número de documentos. Em condições e tempos normais, todo esse trabalho seria levado com muito mais tempo e calma.

Posso também dizer que as acusações feitas pela senhora von Teuffenbach preocuparam-me e também indignaram-me, devido ao quão malfeitas e pouco sérias são; como ela manipulou e selecionou algumas fontes, retirando-as do contexto, e ignorando outras, para construir as suas acusações de abuso sexual e comportamento tirânico da parte do Pai. Ela afirmou claramente que gostaria de impedir que a sua Causa avançasse.

Mas posso dizer que em nenhum momento duvidei da integridade moral do nosso Pai e Fundador, nem da santidade que ele alcançou, precisamente por causa das provações a que foi submetido pelo Santo Ofício. O que tenho estudado durante este tempo intenso, reforçou a minha admiração pelo Pe. Kentenich e a minha convicção de que ele é uma figura santa e profética para o nosso tempo e o futuro da Igreja.

Por conseguinte, posso finalmente dizer que estou grato e otimista pelo desenvolvimento em relação ao processo do Pe. Kentenich.

 

 

Como está o trabalho com os documentos que o senhor teve acesso nos arquivos do Vaticano?

Pe. Eduardo: Até agora, pude estudar cerca de 400 documentos, cobrindo mais de 2000 páginas. Trata-se de cerca de metade dos documentos que se referem ao Pe. Kentenich nos arquivos da Congregação para a Doutrina da Fé (ex-Santo Ofício). Portanto, ainda tenho um número semelhante de documentos para pesquisar. Devido ao covid, o acesso aos arquivos tem sido limitado e não o posso ir até eles continuamente. Mas espero receber em breve uma cópia de todos os arquivos relacionados com o Pe. Kentenich e Schoenstatt, que pude encomendar há algumas semanas. Assim poderei estudá-los mais calmamente em casa.

Em relação aos conteúdos, as razões da Visitação e os confrontos com o Santo Ofício, encontrei poucas novidades. Muitos documentos desse arquivo já eram conhecidos durante o Processo de Beatificação do Pe. Kentenich e estão presentes no arquivo da Causa. Isto inclui decretos, cartas, relatórios, declarações, etc., que já tinham sido estudados e considerados pela Comissão Histórica que, na altura, foi formada pelo Bispo de Trier, no âmbito do processo diocesano, e que já tinha emitido o seu relatório final. Toda essa documentação relacionada com o processo está sob sigilo; ou seja, não pode ser divulgada.

Naturalmente, também encontrei documentos que não eram conhecidos e que não se encontram nos arquivos do Processo. Entre eles, penso que os mais importantes, e que ainda não foram considerados na Causa, são os relatórios sobre a Visitação Apostólica (1951-1953), escritos pelo Visitador, Pe. Sebastian Tromp. São quatro relatórios que foram apresentados internamente ao Santo Ofício e que compreendem cerca de 200 páginas escritas em latim. Esses relatórios foram mantidos desde então, até agora, sob sigilo. Uma vez traduzidos, poderemos estudá-los em pormenor. Mas, em termos de conteúdo, em geral não fornecem elementos importantes desconhecidos ou surpreendentes.

Em todo o caso, posso afirmar que nos arquivos do Santo Ofício não encontrei qualquer acusação de abuso sexual, atos de violência ou conduta imoral por parte do Pe. Kentenich. Nem antes, nem depois houve acusação alguma deste tipo contra ele. Se tivesse havido alguma, podemos estar certos de que o Santo Ofício, o Supremo Tribunal da Igreja naquela altura, não encobriu ou fez “vista grossa” a este tipo de má conduta. Se o tivesse feito, o Santo Oficio teria de ser acusado de encobrimento. Mas o Santo Ofício não geriu nenhum julgamento com uma tal acusação contra o Pe. Kentenich. Nem mesmo os seus mais ferrenhos detratores trouxeram acusações de abuso sexual contra ele.

O próprio Kentenich, na medida em que tomou conhecimento de algumas difamações e rumores a este respeito, negou-as categoricamente. (Cfr. “Apologia pro vita mea”, 1960)

Nos arquivos encontrei também um bom número de escritos que chegaram ao Santo Ofício e mesmo ao Santo Padre, Pio XII, em defesa da idoneidade do Pe. Kentenich, dos seus ensinamentos e práticas, assim como esclarecimentos em relação à espiritualidade e pedagogia de Schoenstatt, e do significado da pessoa do Fundador para a Família de Schoenstatt. Não há cópias de vários deles na documentação da Causa.

 

Como postulador, qual sua principal tarefa neste momento?

Pe. Eduardo: Como podem ver, tenho estado concentrado no estudo e classificação de um grande número de documentos que têm a ver com este período da história do nosso Pai. Também tenho estado em contato permanente com um grupo de Irmãs de Maria que está trabalhando intensivamente no estudo dos seus próprios arquivos e dos documentos que partilhamos de outros arquivos. O mesmo em relação às iniciativas tomadas pela Presidência Geral, que tem formado comissões de estudo e de comunicação, e em coordenação com o trabalho de outros Padres de Schoenstatt, que têm feito investigação e estão elaborando temas, bem como outros membros da nossa Família.
Alguns frutos desta pesquisa e trabalho podem ser vistos no site oficial de Schoenstatt: www.schoenstatt.com

 

Após as publicações, houve alguma mudança na participação e interesse da Família de Schoenstatt pela Causa de Beatificação do Fundador? O que o senhor vê nesse sentido?

Pe. Eduardo: Como já mencionei, toda essa situação colocou a pessoa do nosso Pai e Fundador muito mais no centro da consciência da Família. Também a corrente de oração pela sua causa intensificou-se. Penso que se pode dizer que, para as atuais gerações da Família de Schoenstatt, esta situação motiva, e mesmo exige, a um estudo mais aprofundado dessa etapa da história de Schoenstatt, a fim de conhecer e compreender mais profundamente a pessoa, a vida e o carisma do Fundador.

Tendo em conta os momentos mais difíceis e exigentes da história da nossa Família de Schoenstatt, por causa das perseguições do Pe. Kentenich pelos nazistas e depois pelo Santo Ofício, agora em vários círculos da Família são oferecidas orações e ofertas ao Capital de Graças pelo “3º regresso, ou libertação do Pai” ou pelo “3º milagre da Noite Santa”.

Da mesma forma, toda essa polêmica nos ajuda a olhar de forma mais realista para o Pe. Kentenich e, embora as acusações de conduta imoral sejam falsas, sabemos que como todos os seres humanos ele tinha limites, que não era infalível e que podia cometer erros. Podemos dizer que nem sempre obteve os resultados que esperava e que poderia ter errado no julgamento e compreensão de algumas pessoas que colaboraram com ele na fundação de Schoenstatt. Como é evidente, o Pe. Kentenich não nasceu santo. Se ele se tornou um santo, foi ao longo de uma história de vida bastante agitada, na qual sempre lutou para deixar-se conduzir pela Divina Providência, colocando-se nas mãos de Maria e aspirando seriamente ao ideal de santidade. Se atingiu ou não este ideal, é a Igreja que deve declarar isto formalmente, após uma investigação minuciosa da sua vida e obra no marco do Processo que será levado a cabo.

 

Como as orações e grupos formados pela Beatificação do Pe. Kentenich ajudam em sua tarefa? É possível fazer algo mais?

Pe. Eduardo: Tenho certeza de que é muito importante intensificar e aumentar as ofertas de orações e entregas ao Capital de Graças, para implorar as graças de que necessitamos, para que a nossa Mãe e Rainha saia vitoriosa e os planos de Deus sejam realizados em relação à Causa do nosso Pai e Fundador.

Ao mesmo tempo, esses grupos de oração, que têm se multiplicado em diversos países e que têm crescido muito numericamente, são muito importantes para difundir a fama de santidade do nosso Pai e promover o seu Processo. Motivados por essa corrente de oração, têm surgido workshops virtuais para o conhecer melhor e se envolver mais com o Pe. Kentenich. De maneira semelhante estão sendo realizados cursos online com base na biografia do Pai, para aprender mais sobre seu carisma e missão.

Como discípulos fiéis do nosso Pai e Fundador e animados pela nossa Aliança de Amor, confiamos plenamente na Providência de Deus, que nos conduz sabiamente, e na fidelidade da nossa Mãe, que mais uma vez mostrará o seu poder de Rainha nestas controvérsias em torno do Pe. Kentenich. MPHC et V!

Pe. Eduardo Aguirre,
Roma, 07/02/2021

Fonte: schoenstatt.org.br

 

Há escolhas na vida que exigem coragem

        

Romulo Romanato – Pe. José Kentenich foi avaliado superficialmente e considerado habilitado para ser transferido ao Campo de Concentração de Dachau. Entretanto, ele não tinha um pulmão, ou seja, possivelmente, em outra avaliação médica criteriosa, ele seria considerado inapto por esse motivo e poderia ser liberado. A Família de Schoenstatt insistiu para que ele se submetesse a outro exame médico, porém, ele recusou.

Em 20 de Janeiro de 1942 ele disse o seguinte:

“A noite inteira lutei comigo mesmo para reconhecer a vontade de Deus. Então tive clareza. Não vou aceitar a solicitação. Se posso escolher e decidir, então, para mim deve ser a morte, algemas, e para a Família (Movimento de Schoenstatt), a liberdade. […] Assim, no dia 20 de janeiro de manhã, durante a Missa, ofereci conscientemente minha liberdade” [1]

Humanamente pensando, talvez essa decisão não seria lógica, porque logo pensaríamos o quanto ele tinha ainda a fazer no Movimento e “vai se arriscar?”. Mas poucos entenderam o que estava em jogo: “a sua liberdade interior”….o “desprendimento”…..o “adsum” tantas vezes pronunciado, que quer dizer: eis me aqui!

E assim ele foi transferido, da prisão de Koblenz, para o Campo de Concentração de Dachau.

Uma decisão que desafia a lógica

Em 2017, com a Márcia e nossas filhas, Gabriela e Giovanna, tivemos a oportunidade de conhecer tanto o local da prisão de Koblenz, quanto o Campo de Concentração de Dachau. São praticamente 500 km de distância um do outro, mas é como dizer a distância que separava a terra do inferno, porque aquele campo de fato era. Ali não tem como não sentir, ainda hoje, o sofrimento presente no ar e em cada centímetro de seu chão, onde correram sangue, lágrimas, suor, sofrimento puro. Nesse inferno, nosso Pai e Fundador fez o céu. Aquele 20 de janeiro possibilitou uma das experiências mais profundas no ser do Pe. José Kentenich.

Hoje queremos, na verdade, refletir é sobre a sua decisão. Uma decisão heroica, uma decisão contrária à lógica, uma decisão na contramão da racionalidade.

Nossa vida também é cheia de caminhos e decisões

Sabemos que não é como o mundo age, nem tampouco como a sociedade pensa. Muito pelo contrário: procurar o caminho mais fácil é sempre a primeira opção. Fazer acordos, se juntar à maioria, enfim, tudo aquilo que acabamos vendo em nosso dia a dia. O homem busca a todo instante fugir do sofrimento. Fico pensando nos milhares de profissionais de saúde que tiveram a possibilidade de se furtar de trabalhar diretamente na pandemia, mas resolveram dizer sim e, arriscando suas vidas, o fizeram para salvar outras. Talvez outros com medo, fizeram o contrário, desistiram e conseguiram se livrar desse trabalho.

Se pararmos para pensar, a todo momento estamos diante de um caminho com uma bifurcação: ter uma decisão baseada na fé, nas nossas convicções, ou decidir conforme o melhor de meus interesses, naquele momento.

O 20 de Janeiro nos desperta para algo mais nobre: acreditar que Deus está no comando de tudo e que o caminho certo a seguir nem sempre será o mais fácil, mas com certeza estará em acordo com a minha consciência e com a vontade de Deus para a MINHA VIDA.

Esse detalhe (para a MINHA VIDA) é deveras importante: temos gente demasiadamente preocupada em convencer os outros sobre suas próprias convicções e, às vezes, de modo ignorante, na base do grito: Jamais esse é o sentido do 20 de janeiro. O que temos que pensar é que, através do “meu sim”, através da “minha decisão”, devo ser uma testemunha e muitas vezes uma testemunha anônima e que talvez ninguém saberá o porquê da decisão. Não preciso, como as vezes brincamos, me colocar em destaque, desfilar com uma melancia no pescoço, como se dizia antigamente. Nosso Fundador não fez isso, Santo não faz isso e quase ninguém soube do detalhe de sua decisão.

E, nesse sentido do anonimato, vamos construindo a nossa vida que, de modo orgânico, impregna os nossos semelhantes, agrega nos meios em que vivemos e contagia. É a osmose do bem, mesmo sem me dar conta, os outros, que nos observam a todo instante, são movidos, como disse, mesmo sem saber.

 

             

                                              (Foto: Ir. M. Nilza P. da Silva)

Vamos exercitar o 20 de janeiro em nossa vida

Se você parar um minuto para refletir, verá que teve e terá muitas oportunidades para exercitar, em sua vida, o “20 de Janeiro”. Vou contar alguns momentos vividos, de acertos e erros, porque a vida é assim, tomamos decisões acertadas e outras nem tanto e pagamos, às vezes, um preço alto por elas.

Tínhamos poucos anos de casados, tivemos a nossa filha Gabriela e a padaria que tínhamos não estava bem de finanças, pois estávamos vivendo o Plano Collor, que confiscou todos os valores e foi uma recessão total. Faltava quase tudo para nós.

A Márcia recebeu uma proposta de ser gerente de um restaurante de fast food em São Paulo. Proposta salarial muito boa, que nos deixaria mais tranquilos, mas ela teria que deixar a Gabi cedinho com a mãe dela e só pegar à noite. Tinha os trabalhos de final de semana, etc…

Pensamos e decidimos que, apesar da melhora financeira, os transtornos que poderíamos causar na criação de nossa filha seriam de um risco grande e decidimos dizer não. Fomos bem criticados por uma parte da família, porque o pensar é sempre que “pela melhora financeira” vale qualquer sacrifício.

Continuamos um bom tempo com nossas dificuldades, mas depois tudo foi se acertando e depois, olhando para trás, vimos que foi a melhor decisão.

Um outro momento: já com a empresa grande, sofremos uma fiscalização e, para livrá-la de supostas irregularidades, foi nos solicitado uma “ajuda” para que tudo fosse resolvido. Uma pressão enorme, com consequências de multa, processo, etc….. Estava muito fácil de nos livrarmos do problema, pois era só pagar e tudo se resolveria. Eu escrevi, então, uma carta de próprio punho explicando porque não agiria daquela forma, os motivos e entreguei a ele. Até achei que ficaria sensibilizado, mas a multa veio e com tintas mais firmes, mas não teve problema não, parcelamos e pagamos. Tudo terminou bem!

Mais adiante tivemos a proposta de venda da Fábrica e achamos que nosso tempo de empresários tinha sido concluído…. E depois de muito pensar, vendemos… Acho até hoje que não foi a melhor decisão, porque ela estava grande e o medo de não conseguir administrar, iludidos pela independência financeira, acabamos dizendo sim (pensar no momento, fugir dos problemas).

Adiantou nada, porque a multinacional que comprou, depois de mudanças na sua diretoria, acabou declinando do interesse na continuidade dos produtos. No fim acabamos recomprando algumas máquinas, voltamos ao negócio e a nova fábrica já está maior do que a primeira. Ou seja, às vezes tentamos fugir dos nossos destinos, mas o bom Deus trata de nos reeducar.

Teria muitas outras histórias da vida real, apenas para ilustrar, pois decidir pelo certo custa muito no primeiro momento, causa muitas vezes grandes sofrimentos, mas depois colhemos bons frutos. Importante é se dar conta de que ir pelo mais fácil, pelas soluções simplistas, na maioria das vezes não termina bem e assim pagamos um preço caro. O importante é sabermos que quanto mais ligados estivermos ao bom Deus, melhor sempre será nossa decisão. Somos humanos e podemos sim errar, faz parte de nosso aprendizado e não se envergonhe disso. O passo seguinte é reconhecer o erro, tentar corrigir e seguir em frente.

Pe. Kentenich viveu intensamente o 20 de janeiro em inúmeras situações e somente quem viveu desse modo pode nos ensinar. E ele ensina a todo instante a sermos os filhos heroicos, olhando para Jesus, olhando para nossa Mãe Santíssima.

Jesus Cristo foi o Filho Heroico em toda sua plenitude, pois cumpriu sua missão, cumpriu fielmente a vontade do Pai.

A Mãe de Deus seguiu seus passos, de modo heroicamente.

Vem Senhor, nos ajudar, vem Senhor nos ensinar a sermos Filhos Heroicos, como nosso Pai e Fundador o foi. Que a Mãe de Deus nos eduque nesse caminho!

Que o 20 de janeiro seja em nós impregnado até o mais fundo do nosso ser…. Coragem!

 

[1] KENTENICH, José. Livre em algemas, novena, pág. 6

Foto destacada: Lisa van Dijk, via unsplash.com

Fonte: schoenstatt.org.br

 

Dois ‘Josés’ e o 20 de janeiro

 

Ana Paula Paiva – O 20 de janeiro sempre foi um marco histórico profundo e não facilmente compreendido, uma vez que existe sempre a dificuldade de análise histórica do que foi a perseguição nazista, quanto aos motivos pelos quais ela se direcionou aos sacerdotes alemães (incluindo o fundador) e porquê o regime enxergava neles uma ameaça.

Sabe-se, contudo, que foi uma época muitíssimo difícil para a Obra de Schoenstatt e para toda a Igreja, além – evidente – das graves ofensas humanas e do horror da guerra. Correspondências foram interceptadas, investigações sem qualquer crivo processual levadas a efeito, prisões e consequentes encaminhamentos a campos de trabalho (e extermínio). A guerra agravou a crise econômica em toda a Europa, e toda a humanidade sofreu com a morte, com a fome e com o temor pela perda da liberdade.

No mesmo período em que Adolf Hitler alçava postos significativos dentro do partido e começava a vencer eleições, com discursos e narrativas absolutamente contrários à doutrina da Igreja, nosso Fundador percorria grande parte da Alemanha pregando retiros para sacerdotes diocesanos e falando, aberta e claramente, sobre os riscos do nacional-socialismo, do bolchevismo, da massificação e mecanização, bem como da absoluta importância da liberdade, da personalidade forte, da colaboração com Deus e da filialidade heroica.

O Fundador, certamente, incomodou. Preso pela Gestapo em Coblenza, sendo intimidado em diversas ocasiões (e tendo demonstrado profundo vigor pessoal), e lhe sendo oportunizado (por membros da Família de Schoenstatt) a utilização de um exame médico que lhe favoreceria e, provavelmente, não o levaria ao campo de trabalho (um paradoxo absolutamente bizarro pois, sob o pretexto de trabalharem, eram exterminados), o Fundador disse não. Era 20 de janeiro de 1942.

Vemos um José profundamente firme, corajoso, íntegro. Um José que sabia as consequências dos seus atos, mas ainda assim, que colocou a Providência como protagonista de sua própria história pessoal. O Fundador foi a Dachau não apenas por ele mesmo, mas por cada um de nós.

Temos um outro José como referência, patrono da Igreja, pai de Jesus. Um José que longe de ser aguado e pouco participativo, foi absolutamente eficiente em sua missão: corajoso, viril, protetor da Virgem Maria e do Menino Deus. São José é um grande exemplo de serviçalidade, humildade, força, silêncio, amor, entrega e fé, e o ano a ele devotado é salutar nesse tempo em que a família é duramente atacada e a autoridade paterna esquecida.

A Sagrada Família de Nazaré não teve uma vida simples. Em meio a uma perseguição sangrenta, São José pegou o Menino e Sua Mãe e fugiu para o Egito, proveu todo o sustento necessário à Família, garantiu segurança aos seus, valentemente confiou na Providência e seguiu Seus planos. São José é o heroico protetor da Família de Nazaré e, também, da nossa.

 

 

E o que esses dois ‘Josés’, tão queridos por nós, têm em comum?

Há muito o que dizer: Nosso Fundador, José Kentenich, espelhou, em tantas importantes medidas, seu onomástico São José. Foi valente, íntegro, forte e, ao mesmo tempo, silencioso, honrado, casto e heroico. Também espelhou São José, atuando – em sua vida sacerdotal – com zelo pelas almas, as confiando à proteção de Maria – que foi a única que, realmente, o influenciou em toda sua vida, tal como o esposo castíssimo de Maria, fiel em todas as circunstâncias.

Que nesse ano em que nos dedicaremos a estudar mais sobre o Santo Patrono de nossa Igreja, possamos incorporar em nossa vida suas virtudes, tal como fez o Fundador da Obra de Schoenstatt, e carregar em nossa vida a integridade e firmeza que o vimos manifestar no 20 de janeiro de 1942, marco da confiança divina, da fidelidade aos planos de Deus e da integridade ante os desafios morais.

Fonte: schoenstatt.org.br

” e o 20 de janeiro

 

Ana Paula Paiva – O 20 de janeiro sempre foi um marco histórico profundo e não facilmente compreendido, uma vez que existe sempre a dificuldade de análise histórica do que foi a perseguição nazista, quanto aos motivos pelos quais ela se direcionou aos sacerdotes alemães (incluindo o fundador) e porquê o regime enxergava neles uma ameaça.

Sabe-se, contudo, que foi uma época muitíssimo difícil para a Obra de Schoenstatt e para toda a Igreja, além – evidente – das graves ofensas humanas e do horror da guerra. Correspondências foram interceptadas, investigações sem qualquer crivo processual levadas a efeito, prisões e consequentes encaminhamentos a campos de trabalho (e extermínio). A guerra agravou a crise econômica em toda a Europa, e toda a humanidade sofreu com a morte, com a fome e com o temor pela perda da liberdade.

No mesmo período em que Adolf Hitler alçava postos significativos dentro do partido e começava a vencer eleições, com discursos e narrativas absolutamente contrários à doutrina da Igreja, nosso Fundador percorria grande parte da Alemanha pregando retiros para sacerdotes diocesanos e falando, aberta e claramente, sobre os riscos do nacional-socialismo, do bolchevismo, da massificação e mecanização, bem como da absoluta importância da liberdade, da personalidade forte, da colaboração com Deus e da filialidade heroica.

O Fundador, certamente, incomodou. Preso pela Gestapo em Coblenza, sendo intimidado em diversas ocasiões (e tendo demonstrado profundo vigor pessoal), e lhe sendo oportunizado (por membros da Família de Schoenstatt) a utilização de um exame médico que lhe favoreceria e, provavelmente, não o levaria ao campo de trabalho (um paradoxo absolutamente bizarro pois, sob o pretexto de trabalharem, eram exterminados), o Fundador disse não. Era 20 de janeiro de 1942.

Vemos um José profundamente firme, corajoso, íntegro. Um José que sabia as consequências dos seus atos, mas ainda assim, que colocou a Providência como protagonista de sua própria história pessoal. O Fundador foi a Dachau não apenas por ele mesmo, mas por cada um de nós.

Temos um outro José como referência, patrono da Igreja, pai de Jesus. Um José que longe de ser aguado e pouco participativo, foi absolutamente eficiente em sua missão: corajoso, viril, protetor da Virgem Maria e do Menino Deus. São José é um grande exemplo de serviçalidade, humildade, força, silêncio, amor, entrega e fé, e o ano a ele devotado é salutar nesse tempo em que a família é duramente atacada e a autoridade paterna esquecida.

A Sagrada Família de Nazaré não teve uma vida simples. Em meio a uma perseguição sangrenta, São José pegou o Menino e Sua Mãe e fugiu para o Egito, proveu todo o sustento necessário à Família, garantiu segurança aos seus, valentemente confiou na Providência e seguiu Seus planos. São José é o heroico protetor da Família de Nazaré e, também, da nossa.

 

 

E o que esses dois ‘Josés’, tão queridos por nós, têm em comum?

Há muito o que dizer: Nosso Fundador, José Kentenich, espelhou, em tantas importantes medidas, seu onomástico São José. Foi valente, íntegro, forte e, ao mesmo tempo, silencioso, honrado, casto e heroico. Também espelhou São José, atuando – em sua vida sacerdotal – com zelo pelas almas, as confiando à proteção de Maria – que foi a única que, realmente, o influenciou em toda sua vida, tal como o esposo castíssimo de Maria, fiel em todas as circunstâncias.

Que nesse ano em que nos dedicaremos a estudar mais sobre o Santo Patrono de nossa Igreja, possamos incorporar em nossa vida suas virtudes, tal como fez o Fundador da Obra de Schoenstatt, e carregar em nossa vida a integridade e firmeza que o vimos manifestar no 20 de janeiro de 1942, marco da confiança divina, da fidelidade aos planos de Deus e da integridade ante os desafios morais.

Fonte: schoenstatt.org.br

Livre em Algemas – última parte

Ir M Rosequiel Fávero – Amanhã, 20 de janeiro, recordamos que há 79 anos o Padre José Kentenich optou ser enviado para o Campo de Concentração de Dachau: “renuncio minha liberdade exterior para que, por todos os tempos, seja garantida a liberdade interior para os filhos de Schoenstatt”, diria ele.

Como viveu o Padre Kentenich esta decisão? Ele mesmo conta: “Horas seguidas andei para lá e para cá na minha cela. Lutava, rezava e não sabia o que fazer. Devia preencher  o formulário com o pedido (de um novo exame médico)? Não podia fazê-lo”.

Padre Kentenich passou a noite de 19 para 20 de janeiro em oração, lutando no seu interior a fim de conhecer a vontade de Deus. No dia 20, durante a Missa, teve a resposta, a certeza interior do que devia fazer: não queria ser libertado por nenhum meio humano, mas pela entrega da Família (de Schoenstatt) a Deus, pelo esforço heroico em viver a ‘inscriptio’ (do latim, ‘inscrição’, expressa a entrega a total Deus como ‘inscrever o nome no coração de Deus’).

Num primeiro momento, a Família de Schoenstatt não compreendeu a sua atitude. Todos pediam-lhe para aceitar o oferecimento que era feito, assinando o pedido de um novo exame médico. Mas, o Padre Kentenich tinha se decidido por o que pensava ser a vontade de Deus. Ele recorda: “E agora vêm visitas, chegam cartas… torturam-me… Mas não posso fazer outra coisa”. Nesta hora decisiva de sua vida, não deixava de ser humano, de sentir, de sofrer. “Que difícil foi a decisão  para mim!”, contará mais tarde. “Foi um dos momentos mais difíceis de minha vida… Às vezes vinham-me as lágrimas nos olhos. Até sentiam-me contente por usar óculos”.

Em 20 de janeiro, depois do almoço, chegou à cela do Padre Kentenich o capelão da prisão, Pe. Paulo Fechler, que se interessara pela questão. Disse-lhe, mais uma vez, que o pedido para ser submetido ao novo exame devia ser entregue até às 17h. O prazo estipulado se esgotou. Padre Kentenich não preencheu o formulário. Com isso, sua decisão de aceitar o Campo de Concentração estava tomada.

Uma nota do dia anterior enviada ao seu fiel discípulo, Pe. Alexander Menningen, dizia: “Podes imaginar que da minha parte não seria muito correto escapar do Campo de Concentração? Lá me esperam muitos conhecidos. E, além disso, as quatro primeiras semanas (de prisão) foram piores que o Campo. Verás, há uma força superior em nossa vida que tudo leva para o melhor”.

Em 11 de março de 1942, junto com outros prisioneiros, Padre Kentenich foi transportado para o Campo de Concentração de Dachau, de onde foi libertado em maio de 1945. Da mesma forma que vencera as quatro semanas de solitária na prisão, saiu do Campo de Concentração vitorioso, ainda mais consciente e empolgado pela missão que Deus lhe confiara. Apesar das algemas exteriores sempre foi um homem livre. Pelo seu exemplo, os schoenstattianos aprenderam que o mais importante é sempre buscar a vontade de Deus e cumpri-la sempre, mesmo que sejam necessários grandes sacrifícios. Pois esta é a verdadeira liberdade!