Ir M Rosequiel Fávero – Amanhã, 20 de janeiro, recordamos que há 79 anos o Padre José Kentenich optou ser enviado para o Campo de Concentração de Dachau: “renuncio minha liberdade exterior para que, por todos os tempos, seja garantida a liberdade interior para os filhos de Schoenstatt”, diria ele.

Como viveu o Padre Kentenich esta decisão? Ele mesmo conta: “Horas seguidas andei para lá e para cá na minha cela. Lutava, rezava e não sabia o que fazer. Devia preencher  o formulário com o pedido (de um novo exame médico)? Não podia fazê-lo”.

Padre Kentenich passou a noite de 19 para 20 de janeiro em oração, lutando no seu interior a fim de conhecer a vontade de Deus. No dia 20, durante a Missa, teve a resposta, a certeza interior do que devia fazer: não queria ser libertado por nenhum meio humano, mas pela entrega da Família (de Schoenstatt) a Deus, pelo esforço heroico em viver a ‘inscriptio’ (do latim, ‘inscrição’, expressa a entrega a total Deus como ‘inscrever o nome no coração de Deus’).

Num primeiro momento, a Família de Schoenstatt não compreendeu a sua atitude. Todos pediam-lhe para aceitar o oferecimento que era feito, assinando o pedido de um novo exame médico. Mas, o Padre Kentenich tinha se decidido por o que pensava ser a vontade de Deus. Ele recorda: “E agora vêm visitas, chegam cartas… torturam-me… Mas não posso fazer outra coisa”. Nesta hora decisiva de sua vida, não deixava de ser humano, de sentir, de sofrer. “Que difícil foi a decisão  para mim!”, contará mais tarde. “Foi um dos momentos mais difíceis de minha vida… Às vezes vinham-me as lágrimas nos olhos. Até sentiam-me contente por usar óculos”.

Em 20 de janeiro, depois do almoço, chegou à cela do Padre Kentenich o capelão da prisão, Pe. Paulo Fechler, que se interessara pela questão. Disse-lhe, mais uma vez, que o pedido para ser submetido ao novo exame devia ser entregue até às 17h. O prazo estipulado se esgotou. Padre Kentenich não preencheu o formulário. Com isso, sua decisão de aceitar o Campo de Concentração estava tomada.

Uma nota do dia anterior enviada ao seu fiel discípulo, Pe. Alexander Menningen, dizia: “Podes imaginar que da minha parte não seria muito correto escapar do Campo de Concentração? Lá me esperam muitos conhecidos. E, além disso, as quatro primeiras semanas (de prisão) foram piores que o Campo. Verás, há uma força superior em nossa vida que tudo leva para o melhor”.

Em 11 de março de 1942, junto com outros prisioneiros, Padre Kentenich foi transportado para o Campo de Concentração de Dachau, de onde foi libertado em maio de 1945. Da mesma forma que vencera as quatro semanas de solitária na prisão, saiu do Campo de Concentração vitorioso, ainda mais consciente e empolgado pela missão que Deus lhe confiara. Apesar das algemas exteriores sempre foi um homem livre. Pelo seu exemplo, os schoenstattianos aprenderam que o mais importante é sempre buscar a vontade de Deus e cumpri-la sempre, mesmo que sejam necessários grandes sacrifícios. Pois esta é a verdadeira liberdade!