Da origem luterana à União de Famílias de Schoenstatt

 

Karen Bueno – Em Santa Cruz do Sul/RS vivem Daniel e Aneliese Schaack, pais de cinco filhos e membros da União de Famílias de Schoenstatt. Neste dia em que recordamos o Batismo do Senhor, Daniel nos conta sua própria história de batismo. Ele, de origem luterana, decidiu já adulto tornar-se católico.

Daniel é engenheiro civil, tem 40 anos e nos conta em entrevista como a experiência com Maria, numa situação difícil de trabalho, fez ele sentir pela primeira vez o colo da Mãe de Deus. O batismo na Igreja Católica foi uma decisão pessoal e uma missão que hoje ele desempenha em vários apostolados: na União de Famílias, na Pastoral Familiar e na Pastoral do Batismo. Atualmente ele se prepara, junto com a filha mais velha, para receber o sacramento do Crisma. Veja abaixo a entrevista completa:

 

Daniel, conte-nos um pouco sobre a sua trajetória religiosa.

Eu sou batizado na IELB, a Igreja Evangélica Luterana do Brasil, de uma família bastante praticante, inclusive meu tio é pastor e faz parte da diretoria. E, após o batismo, eu fui confirmado também dentro da igreja evangélica (a confirmação, na Igreja Luterana, equivale à Primeira Comunhão). Sempre fui participante da juventude luterana e bastante atuante como jovem na Igreja.

O que te levou a batizar-se como católico?

Quando eu conheci a Aneliese, nós tínhamos uma trajetória religiosa cada um na sua religião: eu evangélico e ela católica. E nós, inclusive, todos os finais de semana fazíamos assim: nós íamos juntos no culto e depois íamos juntos à missa, tínhamos essas duas participações, uma com a família dela e outra com a minha. Aí a gente começou a pensar o que queríamos: vamos nos casar e vamos participar de qual Igreja, evangélica ou católica? Então fomos pedir orientação para as duas Igreja.

Primeiro fomos conversar com o pastor da Igreja Luterana e ele nos disse o seguinte: eu gostaria muito que vocês participassem da nossa comunidade, porém, acho que vocês deveriam escolher uma só religião, porque ficar cada um na sua não seria conveniente.

Aí, na Igreja Católica, em vez de conversar com o pároco, nós conversamos com a Ir. M. Iracema [Müller], que era assessora do Movimento em Santa Cruz do Sul nessa época e também já tinha nos dado um encontro como namorados. Isso também foi estimulado porque os pais da Aneliese são da União de Famílias e eles achavam aquilo muito importante para nossa preparação. Então, através desses encontros, a gente acabou decidindo pela Igreja Católica e eu tive que fazer minha profissão de fé.

A Ir. M. Iracema fez uma reflexão bem profunda comigo para ver as coisas que eu realmente acreditava e me instruiu bastante sobre o pensamento da Igreja Católica. Essa catequese acabou me fazendo pensar que eu já tinha realmente esse impulso de ser católico.

E, complementando, eu fiz essa profissão de fé com o padre, que valeu como a introdução à Igreja Católica para o meu batismo. Fiz o meu aprofundamento e a minha primeira comunhão foi durante o nosso casamento, no nosso matrimônio foi a primeira vez que eu encontrei Jesus na eucaristia.

 

 

Qual a influência da Mãe e Rainha e do Santuário em sua vida de fé?

Inicialmente, para uma pessoa que tem um fundamento evangélico, é muito difícil entender a questão de Maria, da Mãe e Rainha. Teve uma pessoa dentro do Movimento que foi muito importante na minha formação. Ela me emprestou um livro de 400 páginas, que fala sobre Maria para os evangélicos e para toda a humanidade. Eu li esse livro bem concentrado, profundamente, e ele me ajudou muito. A autora era uma pessoa evangélica e, com o marido dela, que era católico, ela tentou entender a diferença [de visão] das duas religiões. Então, esse livro me ajudou a entender também.

A influência da Mãe e Rainha também aconteceu na vivência com a família da Aneliese. Eu via tantas missas no Santuário com a participação dos meus sogros e no início era muito difícil para mim, muito maçante entender aquilo. Mas eu fui me acostumando e, no final, acho que fui introduzindo a ideia da oração, a ideia da Mãe foi acalentando no meu coração e hoje, claro, depois de participar da União, a gente entende esse profundo amor que se oferece na Aliança de Amor com Maria, as promessas, as graças, também o Santuário… Eu fui entendendo melhor e hoje não vejo a nossa vida sem estar ligada à nossa Mãe e Rainha.

Vou contar um momento marcante, que foi determinante para mim…

Quando eu ainda estava nessa dúvida de fé e ainda não sabia rezar – eu era bem novo e a gente tinha recém-casado – eu tive um problema sério de trabalho: sou engenheiro civil e estava trabalhando na concretagem de uma ponte; o concreto estava vindo, eram seis ou sete caminhões, isso dava de duas a três vezes o meu salário. Ele estava subindo por uma estrada de chão de terra e, bem, não poderia chover, pois o meu trabalho ia desabar e se perder todo. Eu tinha olhado a previsão do tempo, não tinha indicação de chuva. Nisso, enquanto eu estava esperando, começou a chover. Isso daria um prejuízo muito grande para a empresa, aí eu pensei: “Meu Deus, o que eu faço?”, me bateu um desespero. Aí, eu sentei no carro, vendo a chuva, e comecei a pensar: “Vou tentar rezar como a minha sogra, meu sogro e minha esposa rezam para Nossa Senhora”. E comecei a me lembrar das orações que eles rezavam e a dizer essas palavras e confiar, confiar na Mãe. Dali a pouco me deu uma paz dentro do carro e a chuva começou a parar. Cessou a chuva e, depois de uma hora ou duas, os caminhões chegaram e não houve problema algum. Então, eu confiei isso à Mãe, esse fato, e isso me ajudou de uma forma concreta. Foi um jeito de ela me mostrar e me dizer: olha, pede que eu estou também aqui para te atender.

 

Hoje você pertence à União de Famílias de Schoenstatt e faz parte da Pastoral Familiar e da Pastoral do Batismo; o que mudou na sua vida ao iniciar a caminhada na Igreja Católica?

Bom, muito mais do que pedidos materiais, o que aconteceu no início dessa minha caminhada de fé foi que a Mãe e Rainha nos concedeu muitas graças espirituais. A gente sempre esteve muito ligado a ela e uma das graças espirituais que eu até me emociono ao falar é a instituição do nosso Santuário Lar. Foi no dia do meu aniversário, 27 de janeiro de 2007. E depois, em 17 de fevereiro, quase vinte dias depois, meu pai veio a falecer. O Santuário Lar me deu uma força tão grande, no dia do sepultamento dele, por saber que a Mãe e Rainha estava morando dentro da nossa casa e que eu tinha essa proteção, esse cuidado da Mãe. E, mais: eu tinha perdido o pai, mas pelo menos eu tinha esse cuidado da Mãe.

Ao longo dessa trajetória na União, a Mãe sempre nos educou e conduziu em cada momento. Toda essa formação na União foi muito importante para nós, para a educação dos nossos filhos. Todas as noites, a gente se reúne com as crianças e faz a “hora da benção”; isso acabou se tornando um momento para a família conversar e orar junta. Isso tudo tem nos influenciado muito e é muito importante para nossa vida religiosa e o crescimento espiritual.

O nosso ideal de Curso na União é “Instrumentos da Mãe para testemunhar o amor de Cristo pela família”. E nada mais bonito e interessante do que testemunhar o amor de Cristo pela família participando na paróquia. Esse trabalho na Pastoral Familiar, que nós estamos fazendo, é transformar a nossa paróquia (Catedral São João Batista) numa comunidade em que as pessoas realmente possam interagir em prol da família. Ajudar os casais.

Hoje a Aneliese é coordenadora também da Pastoral do Batismo na paróquia e nós integramos esse grupo. Isso nos motiva e nos renova na fé; em cada celebração do Batismo a gente renova nossas promessas batismais.

 

Qual a importância da Aliança de Amor para sua vivência pessoal de cristão e batizado?

Eu sempre pensei, desde o primeiro momento que eu selei a Aliança de Amor, que ela é uma troca de corações. O nosso coração sujo, pecador, a gente oferece para a Mãe, e ela nos oferece seu coração limpo. E através das promessas e das exigências, a gente renova isso a cada dia. Então, quando saímos de casa, a gente sempre olha para a Mãe e faz uma jaculatória, faz uma oração, antes do trabalho, sempre entregando à ela todo o nosso dia, nossas ofertas, para que ela nos conduza, para que a gente possa se assemelhar a Cristo. Eu acho que essa é o principal função da Mãe e Educadora, nos ter no colo, assim como ela tem a Cristo. E tudo isso com o objetivo de que a gente possa um dia encontrá-la e encontrar a Cristo frente a frente.

Eu acho também que a descoberta do nosso ideal pessoal é muito importante para que a gente busque um conhecimento integral.

Fonte: schoenstatt.org.br

 

 

Testemunho de uma schoenstattiana no Congo/África

Desde 2014, grupos rebeldes têm aterrorizado a população civil no norte da diocese de Butembo-Beni. Eles matam, roubam, estupram e sequestram. Mais de 4.000 pessoas morreram, muitas mais foram feridas e abusadas. A maioria das vítimas são adultos. Mas, o que acontece com as crianças que perderam seus pais, que foram vítimas e testemunhas dos atos mais terríveis e que agora estão indefesas?

As crianças são o centro do nosso trabalho e, com a ajuda do Kindermissionswerk, decidimos cuidar desses meninos e meninas especialmente vulneráveis. Em primeiro lugar, identificamos as crianças afetadas, o qual estava relacionado a muitos temores, porque essas crianças vivem em locais particularmente perigosos. Nós os ouvimos e oferecemos apoio em nosso programa de reabilitação.

As seguintes observações tiveram um impacto especial sobre mim.

 

O trauma de ver os pais assassinados

O número de órfãos que apoiamos junto com nossas escolas associadas aumentou consideravelmente: de 565 meninas e meninos em 2016 para 862 em 2020. Todas as crianças usaram o mesmo termo quando falaram sobre a morte de seus pais: “Balikondaka Papa, balikondaka Mama”, disseram eles em sua língua local. Traduzido, significa: “Derrubaram ao papai como se tivessem cortado uma árvore, derrubaram a mamãe como se tivessem cortado uma árvore”.

As crianças percebem a morte de maneira diferente: elas tiveram que aprender a diferença entre morte natural e assassinato. Disseram-nos: “Pelo menos o pai desta ou daquela criança morreu de uma enfermidade e foi sepultado com dignidade. Meu pai foi estrangulado ou decapitado. Foi enterrado em um saco plástico, às vezes cortado em pedaços ou já decomposto. Só pudemos saber que era ele pelas roupas. Nem sequer pudemos enterrá-lo por medo do inimigo”. As crianças aceitam que todo mundo deve morrer um dia, mas não aceitam a maneira que seus pais tiveram de morrer.

 

Pesadelos e medos

Em todas as comunidades das aldeias que temos visitado, estamos encontrando um profundo temor, terror, insegurança e medo do desconhecido. Os níveis de estresse pós-traumático são muito altos em toda a nossa região. Principalmente as crianças desenvolvem o sentimento de serem abandonadas e desatendidas, o que provoca uma crise de identidade. Elas se perguntam: a quem eu pertenço? A maioria das crianças traumatizadas tem pesadelos. Junto com os medos, as experiências reaparecem. O olhar vacilante dessas crianças também revela seus medos. Muitas mal podem dizer o que experimentaram durante os massacres. Elas tremem e choram. Têm medo de uniformes militares que recordam os assassinos de seus pais.

Vez e outra a questão da identidade dos grupos rebeldes é levantada nas aldeias. Por que, depois de tantos anos de sofrimento, o governo congolês ainda não conseguiu controlar esses grupos? Ao mesmo tempo, muitos têm grande esperança de que Deus salvará seu povo. Muitos sobreviventes foram à igreja para rezar depois dos ataques. A imagem de Nossa Senhora carregando o menino nos braços acalma especialmente as crianças. Alguns dizem: “Quando olho a foto, penso na minha mãe que me embalou e cantou para mim”.

Fiquei comovida ao ver os presentes que as crianças trouxeram à igreja, para os seus pais, na missa do funeral: todos trouxeram nozes e cacau, frutos das terras de seus pais. Foi uma mensagem forte. Porque aqueles que matam e saqueiam roubam as nozes, o cacau e a madeira das árvores. Se perguntarmos aos filhos sobre as lembranças dos pais, eles só nos contam coisas boas: lembram-se das canções de ninar das mães, dos passeios com seus pais, das boas refeições, do fato de seus pais os encorajarem a aprender e cuidarem deles quando estavam doentes.

 

Desafio para os voluntários

Achamos difícil responder com eficácia às necessidades de uma população frágil: tanto os adultos como as crianças estão gravemente traumatizados e têm pouca liberdade de movimento devido ao perigo constante dos grupos armados. Vivem da agricultura, mas temem constantemente serem violados, sequestrados ou até assassinados quando cultivam seus campos. Em um ambiente tão complexo, é difícil definir prioridades. No entanto, uma de nossas prioridades é claramente apoiar os órfãos que foram vítimas de atos terríveis. Queremos evitar que eles sofram o mesmo destino que seus pais. Também não queremos que eles sejam recrutados por uma milícia para vingar seus pais. Devem sentir que não estão sós, que estamos com eles, que a Igreja está com eles.

Nossa fé em Deus e a solidariedade da Igreja nos ajudam. Também é bom ver que nossos esforços têm efeito e ajudam as crianças. O reconhecimento e a gratidão das pessoas das aldeias também nos fortalecem. Para lidar melhor com a carga psicológica, nós voluntários nos reunimos regularmente e trocamos ideias. Embora também sejamos vulneráveis, tentamos ser um exemplo para as crianças. Muitos nos percebem como substitutos dos pais. Os resultados positivos do nosso trabalho, a capacidade de recuperação das crianças e o apoio dos nossos parceiros do projeto incentivam-nos a continuar o nosso trabalho. É muito gratificante para nós que quase 90% de todas as crianças que acompanhamos tenham boas notas e tenham sido aprovadas no ano letivo. Além disso, pudemos observar desenvolvimento positivo e estabilização psicológica na maioria das crianças.

Fonte: schoenstatt.com

 

Dia do Nascituro: Eles deram sim à vida e venceram

“Antes de te formar no ventre materno, eu te escolhi: antes que saísses do seio da tua mãe, eu te consagrei” (Jr 1, 5)

Karen Bueno – Neste dia 8 de outubro a Igreja no Brasil celebra o Dia do Nascituro e a conclusão da Semana Nacional da Vida. Conversamos com famílias que têm muito a dizer sobre a escolha pela vida. Veja abaixo essas histórias e os testemunhos:

 

“A vida de um filho não vale mais que a do outro”

 

Jéssica e Eduardo Leite de Campos, de São Paulo/SP, receberam um presente especial no início de 2019: a gravidez dos gêmeos univitelinos Lucas e João Marcos. Tudo corria bem até a 17ª semana de gestação, mas a ultrassonografia mostrou um problema grave: a restrição de crescimento intrauterina poderia levar ao óbito de um ou dos dois bebês.

O bebê menor pesava menos de 300g e Jéssica não poderia tomar remédios para o seu desenvolvimento: o que melhoraria o fluxo sanguíneo do bebê menor, prejudicaria o outro.

Para um dos médicos, a intervenção cirúrgica era o melhor caminho para tentar salvar o bebê maior – o que significava sacrificar o bebê menor. O casal, porém, não aceitou esta opção. Seguindo a equipe médica que vinha acompanhando o caso, decidiram viver “um dia de cada vez”. Jéssica explica essa escolha: “Sendo a favor da vida, sempre em qualquer situação, coube a mim zelar pela vida dos dois igualmente. A vida de um filho não vale mais que a do outro”.

Poucas semanas depois, porém, a cirurgia foi inevitável. Contando com muitas orações e entregas ao Capital de Graças, um novo exame de ultrassom apontou estabilidade no quadro. Exame após exame, a cirurgia foi sendo adiada até ser descartada.

A mãe comenta: “A vida é preciosa desde sua concepção. Tinha que escolher entre um filho morto e outro com sequelas ou os dois mortos (as opções que os médicos me deram, caso não fizesse a intervenção cirúrgica) eu optei por ter os dois vivos! Esperei até o fim, preferia explicar para meus filhos o motivo de uma possível sequela do que explicar porque eu simplesmente desisti da vida de um deles. Que confiança eles teriam em mim no futuro?”.

Os bebês nasceram na noite de 12 de novembro, com 33 semanas de gestação (muito além do esperado pela equipe médica). João Marcos, o mais velho, nasceu com 2,395 kg e teve alta no dia 30 do mesmo mês. Lucas, com 1,495 kg, teve alta quando completou um mês. Ambos são saudáveis do ponto de vista físico e neurológico.

 

Nossa filha nos espera no céu

 

O casal Luciano e Flavia Ghelardi, da União de Famílias de Schoenstatt, teve uma experiência profunda com a gestação da Julia, sua quarta filha. O diagnóstico mostrava que Julia (com displasia tanatofórica) não seria capaz de sobreviver depois do parto e Flávia também corria risco de morte durante a gestão. Apesar das adversidades, o casal estava convicto de que tudo tem um propósito maior e seguiram adiante amando e acolhendo a menina como fizeram com todos os outros filhos.

Ao contrário das expectativas médicas, a Julia nasceu e conviveu por 5 meses preciosos junto de sua família. “Cada alma criada por Deus tem uma missão a cumprir, mesmo que o tempo de permanência aqui na terra seja pequeno. Fomos criados para amar e sermos amados e a Júlia, nos pouco mais de 14 meses que viveu (9 na barriga e 5 na UTI), pode sentir todo o nosso amor. Agora ela já goza da alegria plena no Céu, junto de Deus, o Amor Infinito, e de lá pode interceder por nós”, diz a mãe.

Mas, se a criança não tem chance de sobreviver, por que levar uma gravidez adiante? Para Flávia e Luciano, existem diversos motivos: “O fato de ter uma filha no Céu estimula a nós, seus pais, e também os seus outros três irmãos, a buscarem a santidade aqui, para um dia podermos reencontrá-la e passarmos toda a eternidade juntos. Nesses 12 anos que ela partiu, sua história já tocou a vida de muitas pessoas, a começar pelos próprios médicos da UTI onde ela ficou, pois fizeram algumas mudanças nos cuidados de bebês como ela, sem perspectiva de cura. O sofrimento faz parte da vida e é impossível de ser evitado. Ele é permitido por Deus para aprendermos a ser menos egoístas e, assim, poder viver a plenitude do amor. Ficamos mais fortes e mais generosos. Por mais que a gestação e depois a vida na UTI da Julia tenha sido muito sofrida, sabemos que tudo concorre para o bem daqueles que amam a Deus e que todo esse sofrimento foi transformado em inúmeras graças para a nossa família e para muitas outras pessoas também. Não conseguimos imaginar a nossa vida sem a Júlia”.

 

Mas, eu não posso ficar com o meu bebê, o que eu faço?

 

Ao falar de aborto, não se pode fechar os olhos para a situação complexa em que muitas mulheres estão envolvidas. Por diversos motivos – financeiro, familiar, físico, emocional… – existem gestantes sem condições de ficar com a criança. O que fazer nesses casos?

Por lei, no Brasil, as mulheres têm o direito de entregar seus filhos à adoção. O Tribunal de Justiça do Distrito Federal e dos Territórios explica que a chamada “Lei da Adoção” (nº 13.509/2017) “trouxe alterações ao Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) e incluiu a chamada ‘entrega voluntaria’, que consiste na possibilidade de uma gestante ou mãe entregar seu filho ou recém-nascido para adoção em um procedimento assistido pela Justiça da Infância e da Juventude”. E salienta: “Ao contrário do que muita gente pensa, a mãe que dispõe seu filho para adoção não comete crime, a lei permite a entrega para garantir e preservar os direitos e interesses do menor”. [1]

Segundo essa lei, as mulheres que demonstrem interesse em entregar o filho precisam procurar a Justiça da Infância e Juventude. “Se não for encontrado parente apto a receber a guarda da criança, a autoridade judiciária competente determinará sua colocação sob guarda provisória de quem estiver apto a adotá-la ou em entidade que desenvolva programa de acolhimento familiar ou institucional”. [2]

A assistente social Márcia Corrêa trabalha no Centro Catarina Kentenich, em São Paulo/SP, e explica que existe o Saita, Serviço de Acolhimento Institucional para Crianças e Adolescentes. “Até mesmo antes da criança nascer a mãe pode procurar a Vara da Infância e da Juventude, ou, quando nasce, abrir mão da guarda. Se a criança já for maior, procurar o Conselho Tutelar. A criança vai para um abrigo e passa por um processo de adoção. Geralmente, quando ocorre essa procura, a mãe está envolvida em situações complicadas, como prostituição, drogas, situação de rua, porque ela mesma, muitas vezes, foi negligenciada no passado…”

Para todo católico, é fundamental aquilo que está registrado na Doutrina da Igreja: “O inalienável direito à vida, por parte de todo o indivíduo humano inocente, é um elemento constitutivo da sociedade civil e da sua legislação: «Os direitos inalienáveis da pessoa deverão ser reconhecidos e respeitados pela sociedade civil e pela autoridade política. Os direitos do homem não dependem nem dos indivíduos, nem dos pais, nem mesmo representam uma concessão da sociedade e do Estado. Pertencem à natureza humana e são inerentes à pessoa, em razão do ato criador que lhe deu origem. Entre estes direitos fundamentais deve aplicar-se o direito à vida e à integridade física de todo ser humano, desde a concepção até à morte»”. [3]

 

 

[1] Tribunal de Justiça do Distrito Federal e dos Territórios: https://www.tjdft.jus.br/institucional/imprensa/campanhas-e-produtos/direito-facil/edicao-semanal/entrega-voluntaria-de-adocao

[2] Idem

[3] Catecismo da Igreja Católica, 2273

Fonte: schoenstatt.org.br

Nossa família começou a “ser diferente”

 

A singela visita da Mãe Peregrina poderia transformar a vida de uma família? Quem responde hoje essa pergunta é Jurema M. G. Moreira, de São Borja/RS. Ela colabora na coordenação da Campanha há 17 anos (entre equipe de coordenação, diocese e paróquia) e partilha sua experiência pessoal: a Mãe fez dela “católica de verdade” – e não somente ela, mas também sua família:

 

Sou Jurema M. G. Moreira, de São Borja/RS, casada com Viriato da Silva Moreira. Tenho três filhos e seis netos.

Conheci a Mãe Peregrina por meio de uma missionária que me convidou para o Terço das Rosas, em 2002. Fiquei encantada com as imagens e a forma como era rezado aquele terço, com muito amor e devoção, pelos missionários e famílias. Logo eu quis receber a visita da Mãe e Rainha. Fui convidada a ser uma missionária, participei de um retiro em Santa Maria/RS e no dia 14 de setembro de 2003 selei a Aliança de Amor no Santuário Tabor, iniciando assim a missão com a Mãe Peregrina.

Com a presença da Mãe, minha família começou a “ser diferente”, pois a cada visita precisávamos nos encontrar para rezarmos juntos na chegada e na despedida da imagem, também nos dias 18 de cada mês irmos à missa com a Mãe Peregrina.

A Mãe e Rainha é nossa educadora. Com ela temos aprendido muito. Minhas orações e a reza dos terços com um grupo de famílias em minha casa se tornaram intensas.

 

 

Meu esposo e um dos filhos não tinham feito a primeira Eucaristia. Comecei a rezar a oração pela Beatificação do Servo de Deus João Luiz Pozzobon, pedindo a sua intercessão por essa graça. O esposo fez a catequese de adultos e no dia 9 de outubro de 2012 recebeu a 1ª eucaristia e foi crismado (esta graça já enviei para o Secretariado de Beatificação de João Luiz Pozzobon).

O filho também fez a catequese de adultos e recebeu e 1ª eucaristia e a Crisma no dia 9 de outubro de 2013.

Muitos são os desafios enfrentados na família, mas estamos sempre confiando na intercessão da Mãe e Rainha. Desde o início da pandemia, nós nos reunimos com a família diante do Santuário Lar e rezamos por todas as famílias da Campanha da Mãe Peregrina.

No mês de agosto, exatamente no dia 27, recebemos a imagem da Mãe Peregrina Auxiliar e, pela Providência Divina, nos dias 28 e 29 houve um encontro com todos os filhos e netos na nossa casa. Somos gratos por tudo. Para nós, foi uma graça alcançada.

 

 

Você também já recebeu uma graça pela intercessão do Servo de Deus João Luiz Pozzobon? Clique aqui e saiba como enviar ao Secretariado.

Fonte: schoenstatt.org.br

A Mãe e Rainha não desistiu de nós!

 

Nos 70 anos de missão da Campanha da Mãe Peregrina, são inúmeros os testemunhos que tocam a vida e a realidade de tantas famílias. Hoje vamos conhecer o exemplo de Gislaine e Mauricio, coordenadores na Arquidiocese de Maceió/AL. Assim como os milhares de missionários, ele trazem sua experiência pessoal de transformação e vinculação à Mãe de Deus:

 

Eu me chamo Gislaine Lopes Monteiro de Souza, meu esposo e José Maurício Fernandes de Souza. Somos casados há 23 anos e temos dois filhos, Anália e Afonso. Porém, dez desses anos éramos apenas casados civilmente. Vivíamos felizes, porém não vivíamos em comunhão com a Igreja. Não tínhamos o sacramento do Matrimônio. Maurício seguia a doutrina espírita de Alan Kardec e eu, embora tenha sido criada na fé católica, não dava a devida importância.

Em 2000 estava grávida de nosso filho Afonso quando, na ocasião, recebi o convite para receber a Mãe Peregrina em nosso lar e eu a recusei.

Passaram-se cinco anos. Estávamos em 2005 e nosso casamento estava em uma crise muito grande, quase nos separamos. Foi quando uma noite, ao chegar da faculdade, me deparei com a imagem da Mãe Peregrina em minha sala. Alguém (um anjo) a deixou em nossa casa e disse que havia recebido um recado que era em nossa casa que deveria deixá-la. Enfim. Andei alguns dias a procura da missionária para devolver a imagem e, ao encontrá-la, lembrei-me do dia em que a havia rejeitado! Mas, a Mãe e Rainha não nos rejeitou. De imediato, reconheci com tristeza minha falta e logo pedi à missionária para nos colocar na lista de famílias para receber a Mãe em casa.

Dali em diante foram meses de renovação em nosso relacionamento de casal e com os nossos filhos. Aos poucos eu fui retornando às missas e Maurício foi se afastando das reuniões espíritas.

Em setembro de 2007 fizemos o Encontro de Casais com Cristo na Paróquia Nossa Senhora Auxiliadora, nossa atual paróquia. No mesmo ano, em dezembro, nós nos casamos na Igreja, Maurício fez a primeira eucaristia e no ano seguinte fizemos a crisma juntos.

Desde então somos missionários da Mãe na Campanha da Mãe Peregrina e agentes da Pastoral Familiar. Selamos juntos a Aliança de Amor em 2011 no Santuário Filial Tabor da Santidade de Todos os Dias, em Garanhuns/PE.

Nunca poderemos retribuir tantas bênçãos que Deus nos deu e ainda nos dá pelas mãos de nossa Mãe e Redinha de Schoenstatt! Desejamos apenas ser seus instrumentos e que ela disponha de nós para a Obra de Schoenstatt. Em breve estaremos instituindo nosso Santuário Lar e temos apenas o desejo de que Nossa Mãe e Rainha disponha de nós para o reino de Schoenstatt e que, por Ela, também nossos queridos filhos sejam convertidos e assim também nossos familiares.

Fonte: schoenstatt.org.br

Em meio à pandemia da Covid: um pedaço de céu na terra

De 3 a 31 de maio de 2020, a Ir. M. Joanna Bartys, das Irmãs de Maria de Schoenstatt, trabalhou como voluntária no 2º departamento da unidade de saúde e assistência, administrada pela Caritas da Arquidiocese de Varsóvia/Polônia. A doença da Covid 19 afetou os pacientes e grande parte da equipe da instituição. Nesta situação, a gerência da instalação solicitou ajuda voluntária às comunidades consagradas. Ir. M. Joanna fazia parte do grupo de irmãs e irmãos de diferentes comunidades que aceitaram esse desafio. Depois de terminar essa tarefa, ela passou pelo período de quarentena e fez os exames obrigatórios. Então ela poderia voltar para a sua comunidade em Otwock. Ela conta suas experiências desde então:

“Nossa vida humana está cheia de diferentes eventos, situações, encontros, conversas. A maioria são os eventos que ocorrem naturalmente em nossas vidas cotidianas, aos quais geralmente não damos grande importância, porque os tomamos como óbvios. No entanto, sabemos muito bem que, se pararmos para olhar mais profundamente os eventos da vida em busca de traços da presença divina, poderemos descobrir a saudação de Deus que confirma nosso caminho e nos encoraja a cumprir sua vontade.

Amor e serviço aos enfermos

Com uma convicção tão interior, que não resultou de uma certeza, mas da confiança em Deus, parti no ‘domingo do Bom Pastor’, para AMAR os enfermos nas instalações de saúde e cuidados das CARITAS da Arquidiocese de Varsóvia. Meu serviço voluntário de atendimento aos doentes coincidiu com os momentos difíceis em que os pacientes e uma grande parte da equipe foram infectados pelo vírus da Covid 19.

Pacientes que lutam contra a própria incapacidade e a dor física há muito tempo foram confrontados com sofrimento adicional durante esse período. Eles experimentaram a necessidade de vários meses de isolamento de parentes, a suspensão de suas medidas de reabilitação e a falta de um sacerdote em suas instalações. Tal situação só pode ser suportada – com paz no coração – para pessoas que acreditam profundamente, que sabem que o sofrimento é um CAMINHO para o objetivo e a morte é um portão para ele!

Mas para as pessoas que perderam essa perspectiva do céu anos atrás, e ainda mais para as que ainda não aceitaram a verdade, a vida cotidiana nessas circunstâncias se tornou sombria, sem consolo e até sem esperança.

Animando as pessoas com a luz de Cristo

Nosso ministério fraternal – éramos pessoas consagradas de diferentes comunidades, representamos diferentes carismas, que rapidamente criaram uma comunidade da missão unida -, além de todo o trabalho de cuidado necessário, sobretudo esse objetivo, o grande desejo de iluminar estas pessoas com a luz de Cristo. Somente Deus sabe o que aconteceu neste tempo nos corações das pessoas, que nos foram confiadas pela providência divina. Mas os olhos brilhantes dos pacientes, a alegria profunda e real indicam que Deus nos queria lá e estava presente em nosso ministério. Ao se despedir de uma mulher que costumava ser muito “descrente”, surgiram as palavras: “Irmã, até nos encontrarmos naquele lugar do qual se diz ‘olho nenhum viu e ouvido nenhum ouviu …”

Comunidade no Espírito Santo

Um dos maravilhosos leigos com quem trabalhamos disse que uma comunidade tão bonita só poderia ser criada pelo Espírito Santo: uma comunidade de pessoas que não se conheciam, de diferentes idades, de diferentes ordens religiosas, de diferentes partes da Polônia e até de outros países passaram a prestar diversos serviços – do médico ao serviço de enfermagem, ao serviço de pedidos e desinfecção!

“Nosso Deus está próximo e nos pede para estarmos próximos; para não nos separar. (…) Podemos não ser capazes de nos aproximarmos fisicamente por medo de infecção, mas podemos despertar uma atitude de proximidade mútua dentro de nós. É possível – com oração, com ajuda, com muitos tipos de proximidade ”. Essas palavras do Papa Francisco, que ele falou no início da pandemia, refletem muito bem minha experiência pessoal: a proximidade de minhas irmãs e muitas outras pessoas que me acompanham e a todos a quem fui enviada.

Essa proximidade espiritual na oração, no sacrifício … me deu força. Gostaria de expressar meus sinceros agradecimentos pela unidade espiritual na COMUNIDADE cumprida com todos os que se comprometeram – em meu nome e em nome de todos os funcionários e pacientes!

Fonte: s-ms.org.br (Site Internacional das Irmãs de Maria de Schoenstatt)

Quando um sonho vai além dos livros e se torna realidade

 

Quando era pequeno, Romário Souza conheceu o Movimento Apostólico de Schoenstatt e ingressou no grupo dos Pioneiros. Desde então foram muitas experiências de acampamentos, encontros, missões, vivências à sombra do Santuário Sião, do Jaraguá, São Paulo/SP. E, como todo schoenstattiano, levava consigo o anseio de atravessar o Oceano Atlântico e conhecer o lugar de origem do Movimento, onde tudo começou. Ao realizar esse sonho, ele conta como foi a experiência de descobrir pessoalmente tudo o que está nos livros e já fazia parte de sua vida há tantos anos:

 

Quando recebi o convite para falar qual foi minha experiência do período que vivi em Schoenstatt, confesso que fiquei muito feliz, não só pela responsabilidade de passar para o computador o que vivi, mas de lembrar de todo o momento único que foi morar naquele lugar.

Se você pegar o significado da palavra Schoenstatt, seria “belo lugar” – é exatamente isso! Quando pisei pela primeira vez no Santuário Original, passou um filme pela minha cabeça. Recordo-me que, nos meados de 1997, jogando bola no pátio da matriz Nossa Senhora da Conceição, no Jaraguá (São Paulo/SP), com um grupo de meninos do bairro, foi ali que iniciou minha jornada em Schoenstatt. Entre reuniões, acampamentos, missões, tudo que vivi, nada substitui a sensação de conhecer aquele belo lugar! É como viver as páginas dos livros e sentir o nosso fundador, Pe. José Kentenich, dizer: “Eu me coloco à sua disposição com tudo o que sou e tudo o que eu tenho: meu conhecimento e ignorância, minha competência e a minha incompetência, mas, principalmente, com o meu coração… Vamos aprender a educar-nos, sob a proteção de Maria, para nos tornarmos homens de caráter firme, livre e sacerdotal…”. (Documento de Pré-Fundação de Schoenstatt)

Schoenstatt me fez aprofundar a minha espiritualidade. Não sei o que seria da minha vida sem a Mãe de Deus, ela operou vários milagres na minha vida.

Cheguei à Alemanha dia 29 de novembro de 2019 e me mudei para a Irlanda dia 25 de fevereiro de 2020. Foram exatamente 87 dias em Schoenstatt, especificamente morando na Bundesheim (Casa da Aliança), onde fui voluntário. Conheci pessoas incríveis, que levarei para minha vida; trabalhei duro, o lugar, por si só, exige o melhor que existe em você, impossível não ser a sua melhor versão.

Bundesheim (Casa da Aliança) é uma construção importante na história de Schoenstatt. Ela abrigou capítulos decisivos no livro da história do Movimento. Construída a serviço das atividades do Movimento, especialmente para atender os grupos de retiros, ali o Pe. José Kentenich viveu por longos anos (de 1928 até 1951). Conhecer a história desse lugar foi único e jamais vou viver algo parecido. Todos deveriam ter a oportunidade de pisar naquela terra, a mesma que em todos dias toca o céu.

Tive a experiência de conhecer outros lugares além de Schoenstatt, lugares que têm grande significado para o Movimento, como, por exemplo, o campo de concentração de Dachau e também Gymnich, a cidade onde nasceu nosso fundador; além, também, de conhecer a igreja da Adoração, lugar da sua morte em 15 de setembro de 1968 – lá também está seu corpo sepultado na sacristia.

Poderia falar de todos os lugares, porém, teria que escrever um livro. Agradeço à Mãe de Deus por essa oportunidade, por carregar minhas energias no período que fiquei pertinho dela. Agradeço todas as pessoas com as quais convivi em Schoenstatt, pessoas que me ajudaram a experimentar esse amor, as Irmãs Maria, os Padres, Irmãos de Maria, as famílias, senhoras, leigos e os voluntários, claro, não posso esquecer de todas as pessoas que me ajudaram a conquistar esse sonho.

Me despeço com os olhos cheio de lágrimas, pois, lembrar deste momento é aquecer o coração e viver a prática da Aliança de Amor.

Fonte: schoenstatt.org

“Deus e a Mãe me prepararam uma surpresa”

Karen Bueno – Quando você selou sua Aliança de Amor com a Mãe e Rainha, onde aconteceu a celebração? A maioria, provavelmente, vai responder que foi num dos Santuários de Schoenstatt; outros dirão que em paróquias e comunidades diversas; alguns vinculam-se aos Santuários Paroquiais ou Ermidas da MTA para se consagrar. Mas, você já imaginou selar a Aliança de Amor num hospital?

A Sra. Lucília Ferro Putinatti, de Ibiporã/PR, recebeu essa surpresa durante o tratamento hospitalar. Ela iniciou a preparação para selar a Aliança no início de 2018 e acompanhou todas as reuniões, mas, diagnosticada com câncer, estava internada no dia da consagração do seu grupo.

“A tristeza veio porque a Aliança de Amor com Maria seria dali a quatro dias (30 de setembro de 2018) e eu estaria no hospital sem poder selar minha Aliança. Diante de todos os acontecimentos, acabei me conformando. A coordenadora da Mãe Peregrina disse que eu poderia selar a Aliança na próxima vez e isso me confortou, mas Deus e a Mãe prepararam uma surpresa para mim”.

A Mãe bate à porta

Como todos já conhecem, a Mãe é Peregrina e vai ao encontro dos seus filhos em todos os lugares e nas situações mais difíceis. Também no hospital ela se fez presente: “No sábado, dia 29 de setembro, mais ou menos às 12 horas, recebi a visita das Irmãs de Maria. Elas bateram na porta do quarto com a imagem da MÃE com seu Filho. Chegaram para que eu selasse a Aliança ali, naquele quarto de hospital. Não contive a emoção, choramos juntas eu e minha irmã que estava comigo naquele momento. Depois de realizadas as orações de consagração, eu assinei o Livro da Aliança de Amor”.

Foi assim que, da cama de um hospital, a MTA recebeu um novo coração consagrado em Aliança. Vale ressaltar que a Sra. Lucília representa um caso especial e excepcional, com acompanhamento das assessoras responsáveis (esse tipo de situação deve sempre ser acompanhada pelos assessores).

Tudo para o Capital de Graças

A luta da Lucília continuou, mas ganhou um novo significado a partir da Aliança: “Às vezes, nos momentos difíceis de dor, medo e angústia, a impaciência queria tomar conta de mim, eu passei a oferecer tudo em contribuições ao Capital de Graças. Os momentos de alegria, de paz também ofereço ao Capital de Graças”.

A todos que passam por uma situação parecida, lutando contra o câncer ou outra doença complicada, ela estimula: “Aos meus irmãos e irmãs que, porventura, estejam passando por momentos difíceis de doença ou outras dificuldades, faço uso da frase de uma música do Pe. Zezinho: ‘Milagres acontecem quando pomos de joelho o coração’, é na fé e na oração que a luta fica mais leve, não estamos sozinhos”.

 

Leia o testemunho completo da Lucília abaixo:

O ano de 2018 foi muito marcante em minha vida. No mês de abril começaram a surgir meus problemas de saúde, mas também, como recompensa do amor e da Providência Divina, nesse mesmo mês fui convidada a fazer a “Aliança de Amor com Maria’’.

Para selar a Aliança eu deveria participar dos encontros de preparação, que seriam a cada 15 dias – o primeiro encontro aconteceu no dia 11 de abril. Em agosto, no penúltimo encontro, eu precisei ir embora, pois estava com muitas dores.

A data para selar a Aliança de Amor foi agendada para 30 de setembro de 2018. Esse tempo, entre abril e o final de setembro, foi de muita luta, com médicos, exames, biópsias e finalmente o diagnóstico: Linfoma não Hodgkin difuso de células B.

Nesse dia o mundo desabou em nossas cabeças. Nossos filhos, a família e amigos ficaram muito triste. Eu fui sendo tocada suavemente pelas mãos maternais de Maria e ela foi me acalmando, me dando uma paz e uma segurança que nem eu mesma entendia. O médico nos chamou no consultório para conversar e disse que meu tratamento teria que começar imediatamente e que a quimioterapia seria muito forte, que eu teria de ficar hospitalizada por uma semana em cada ciclo. Era 26 de setembro de 2018.

Lutar ou lutar

Confesso que fiquei apavorada, pois tudo que ia se passando era desconhecido. Porém, nossa Mãe não nos deixa em choque por muito tempo e tudo foi se tranquilizando. “Lutar ou lutar”, esse era meu pensamento.

A tristeza veio porque a Aliança de Amor com Maria seria dali a quatro dias (30/09) e eu estaria no hospital sem poder selar minha Aliança. Diante de todos os acontecimentos, acabei me conformando. A coordenadora da Mãe Peregrina disse que eu poderia selar a Aliança na próxima vez e isso me confortou, mas DEUS e a Mãe prepararam uma surpresa para mim.

Uma surpresa

No sábado, dia 29 de setembro, mais ou menos às 12 horas, recebi a visita das Irmãs de Maria (Ir. M. Nelly Mendes e Ir. M. Marcia Silva). Elas bateram na porta do quarto com a imagem da MÃE com seu Filho. Chegaram para que eu selasse a Aliança ali, naquele quarto de hospital. Não contive a emoção, choramos juntas eu e minha irmã que estava comigo naquele momento. Depois de realizadas as orações de consagração, eu assinei o “Livro da Aliança de Amor”.

Sinto até hoje, no meu coração, todas as graças recebidas que são muitas e não daria para relatar tudo nesse pequeno texto, mas estão contidas naquela assinatura no Livro da Aliança. As Irmãs permitiram que a imagem da Mãezinha ficasse ali no quarto até que eu fosse para casa. Fiquei muito feliz, recebemos a Mãe todo mês em nossa casa, olhava para Ela (imagem) me sentia segura. Às vezes, nos momentos difíceis de dor, medo, angústia, a impaciência queria tomar conta de mim, eu passei a oferecer tudo em contribuições ao “Capital de Graças”. Os momentos de alegria, de paz também ofereço ao Capital de Graças.

Como diz um trecho da música: “Mãe Admirável, ó Mãe Peregrina, a tua visita aquece e ilumina, pois trazes contigo teu Filho Jesus! Que é vida, caminho verdade e luz”. E é assim que vivemos nossa fé e esperança.

Em uma frase do Pe. Zezinho: “Nos momentos mais bonitos e nas horas de conflitos, estavas lá, estavas lá”. Nunca nos abandona, estás sempre presente, intercedendo ao seu Filho Jesus por nós. E assim procuro viver cada dia.

No dia 7 de agosto passei pelo transplante de medula em Curitiba/PR. Foram dias difíceis de hospital, saudades de casa, dos netos, mas tudo era oferecido ao Capital de Graças. Com Jesus e Maria sempre presentes, superei, estou me sentindo muito bem e tenho certeza que sozinha não conseguiria enfrentar.

Aos meus irmãos e irmãs que, porventura, estejam passando por momentos difíceis de doença ou outras dificuldades, mais uma vez faço uso da frase de uma música do Pe. Zezinho: “Milagres acontecem quando pomos de joelho o coração”, é na fé e na oração que a luta fica mais leve, não estamos sozinhos.

Agradeço a Deus e à Mãe Três Vezes Admirável de Schoenstatt, toda minha família e amigos que rezam por mim.

“O Senhor é minha luz e minha salvação, a quem temerei? O Senhor é o protetor de minha vida, de quem terei medo?” (Sl 26,1).

Fonte: schoenstatt.org.br

Testemunho: “Schoenstatt e o meu Batismo”

 

A Igreja celebra, neste 12 de janeiro de 2020, o Batismo de Jesus. Hoje é um dia também para agradecer e renovar o nosso compromisso batismal.

Luciano Heiji Tadeo, da Juventude Masculina de Schoenstatt (Jumas) de Londrina/PR, foi batizado recentemente, no dia 20 de abril de 2019, assumindo um compromisso mais pessoal com Cristo e com Maria. Ele nos conta sua história:

 

A minha família não participa da Igreja. Eu não fiz catequese, nem fui batizado quando nasci. Mas, quando eu tinha uns 12 ou 13 anos, conheci os Pioneiros de Schoenstatt e comecei a participar.

Estive primeiro nos Pioneiros, depois no Jumas, por uns cinco anos, ainda sem ser batizado. E eu sempre percebia que me faltava alguma coisa. Faltava embasamento, informação e conhecimento sobre a Igreja e isso começou a atrapalhar a minha experiência de evolução com a Igreja, com o Jumas e o Movimento. E foram acontecendo várias coisas que me levaram à conclusão de que era principalmente o Batismo que faltava. Para selar a Aliança de Amor existe a necessidade da pessoa ser batizada (porque a Aliança é justamente um aprofundamento do Batismo). Isso foi o pontapé que me tocou. Essa conclusão foi muito clara na minha cabeça: “Eu preciso ser batizado. Vou atrás e conquistar os sacramentos”. Foi isso!

Schoenstatt me influenciou muito nessa decisão, até porque foi por meio do Movimento que eu tive contato com a Igreja. Eu acho que tudo foi como deveria ser, como era para ser. Talvez, se eu não tivesse conhecido a Igreja por meio de Schoenstatt, eu não tivesse achado ela tão interessante, talvez eu não tivesse achado legal [ser católico]. Foi por tudo o que eu conheci, pela pedagogia do Movimento e tudo mais, que eu decidi continuar e quis prosperar. Isso sem falar nas pessoas que me ajudaram, como os meus irmãos de grupo (do Jumas) que me ajudaram e me apoiaram nessa decisão.

 

 

Um novo começo

O batismo foi um começo. Por mais que eu já vivesse uma vida cristã, fosse à missa, tivesse meus ideais, o meu batismo me desbloqueou para muita coisa. O processo de preparação me ensinou muito e eu afirmei em mim algumas coisas que eu já vivia. O meu batismo foi um ‘sim’ oficial e concreto para aquilo que eu quero: ser filho de Deus, ser guiado por ele, ser seu instrumento.

E, a partir desse ‘sim’, muitas portas se abriram. Por exemplo: eu me tornei, concretamente, irmão em Cristo dos meus demais. Muitas vezes eu me sentia um pouco à parte, como se faltasse alguma coisa, não me sentia totalmente confortável. Uma outra porta muito importante que se abriu, logo em seguida do batismo, foi a primeira comunhão. Sempre tive vontade de comungar; era algo que também faltava para eu me sentir cristão. E também a Aliança de Amor, mais uma porta aberta. Eu tinha muita vontade de selar, estava “no gás”, e o batismo se tornou um dos grandes objetivos. Foi muito importante essa conquista da Aliança.

“Desde então o tenho visto caminhar ao meu lado”

Hoje, ser batizado, para mim, é ter Jesus por perto sempre. Isso não quer dizer que ele não estava antes, mas que, depois do batismo, eu tomei mais consciência de que ele está comigo e também de quem ele é. Uma música do Movimento, que ouvi no dia do meu Batismo, descreve Jesus assim: “homem e amigo, escravo e mestre, professor e aprendiz”. E continua: “Desde então tenho visto, caminhando ao meu lado, esse Deus que se humilha e morre por mim. É o barco em minha praia, o ruído no silêncio, que se aproxima de seu filho e me abraça feliz” (El que muere por mi – Francisco Alvarado).

Depois do batismo eu consigo ver, sentir ele caminhar ao meu lado. Essa vivência e experiência me ajudou muito no caminho de fé, no meu sentir, na minha espiritualidade e na minha vida toda. O Batismo foi um divisor de águas, foi essencial. Ele e a Aliança de Amor são duas conquistas pelas quais a gente concretiza um vínculo com Jesus e com Maria. A Aliança de Amor é uma renovação do batismo e uma nova forma de vivê-lo.

 

Vamos conhecer a música tocada no Batismo do Luciano:

 

 

Letra e cifra

Fonte: schoenstatt.org.br

Da Rússia para Schoenstatt

Ir. M. Sofja Spitcyna – Tenho orgulho de ter um irmão Padre! Para mim é sempre um milagre de Deus que ele segue este caminho. Crescemos como não católicos, na antiga União Soviética. Fui batizada, já com 13 anos, sem que meus pais soubessem disto.

No entanto, já sou Irmã de Maria de Schoenstatt há 20 anos. Atualmente, moro e trabalho em Schoenstatt e, meu irmão, que é dois anos e meio mais novo do que eu, atua como sacerdote em São Petersburg, na Rússia.

Encontrar Deus em toda parte

Entrei em contato com Schoenstatt, quando era jovem e, desde o início, uma palavra do Pe. Kentenich me fascinou. Foi mesmo como uma picada de pulga, se posso dizer assim, da parte de Deus. Aprendi a ver o mundo de modo positivo e a descobrir o belo também no que é desagradável. Isto enriquece o coração e torna-o mais amplo.

Porque estou convicta que sou uma filha de Deus, tenho muitas motivações para realizar bem o meu trabalho e enfrentar as tarefas desagradáveis, que fazem parte da vida.

Ainda na Rússia, antes de me ingressar em nossa Comunidade, comecei a estudar matemática. Quando já era Irmã de Maria, estudei Pedagogia, Administração e, agora, trabalho na Casa de Formação, no Monte Schoenstatt. Há tantas facetas em minha vida e, por meio de tudo isso, Deus quer me demonstrar o seu amor. Também por meio das coisas que andam tortas ou que não me agradam. Para mim, estes, são desafios que me fazem ver e refletir sobre o que Deus quer me falar pelas situações e acontecimentos. Às vezes, a gente precisa de tempo. Mas, continuo a procurar, até conseguir.

 

Uma grande Família

Meu irmão, embora não pertença a alguma comunidade de Schoenstatt, está bem vinculado a Schoenstatt – não só por minha causa. Foi em um Santuário de Schoenstatt que ele tonou a decisão para ser sacerdote, quando estava a caminho para participar da minha vestição, aqui em Schoenstatt.

Quando ele vem me visitar, conversamos sobre muitas coisas, em especial sobre a Igreja no mundo e, de modo particular,  sobre a Igreja na Rússia.

Tanto a vocação do meu irmão, como a minha, é para mim uma dádiva que nos torna muito contentes. De alguma forma, eu me sinto responsável pelo seu caminho, ante o qual tenho muito respeito. Quando ele celebra a santa missa, para a nossa Comunidade de Irmãs, em Schoenstatt, isso me faz sentir como se fossemos uma única e grande Família.

Fonte: Irmãs de Maria de Schoenstatt