A última visita do Padre Kentenich a Santa Maria – testemunho da Ir M Raquel Mainardi

Ontem, 14 de fevereiro, recordamos o dia que o Padre José Kentenich chegou para sua última visita a Santa Maria, no ano de 1952. Foi sua 10ª visita a Santa Maria e ao Brasil. Já exilado e a caminho para o destino de seu exílio, nos Estados Unidos, veio aqui pregar o “Terciado” aos Padres Palotinos.

Ir M Raquel Mainardi foi testemunha deste dia e de alguns acontecimentos desta última visita do Pai e Fundador. Ela nos conta.

“Como juvenista tive o grande privilégio de estar presente já no momento de sua chegada, da qual guardo as mais gratas recordações.

Lembro-me que chegou no fim da tarde, e havia um grande número de sacerdotes Palotinos, Irmãs de Maria e nós as juvenistas, em torno de 60 vocacionadas, que aguardávamos ansiosos sua chegada em frente ao Santuário.

Ei-lo que chega! Alegre, descontraído e entusiasmado e com muita alegria e cordialidade veio ao encontro dos que ali se encontravam. Todos queriam lhe estender a mão. Foi aquela disputa para o cumprimentar e pegar sua mão, ou ao menos se contentar em alcançar um dos seus dedos. Não lembro qual consegui pegar, mas lembro bem que peguei um deles.

Com fé e muita piedade ele entrou no Santuário para saudar a querida Mãe e Rainha de Schoenstatt.

O que mais me tocou na pessoa do Pai e Fundador, nos dias que aqui esteve nesta visita, foram as Missas que ele celebrava no Santuário, algumas das quais nós podíamos também participar. Nestas Missas algo que me marcou e ainda visualizo em minha memória, é a unção com que ele nos dava a comunhão. Nós nos ajoelhávamos na mesa sagrada e ele caminhava ao longo da mesma para distribuir a hóstia; quando chegava no fim, pegava a patena, que cada uma segurava para comungar, voltava novamente para o início da mesa da comunhão.  Caminhava de um lado para outro bem reto, com passos firmes e rápidos, tantas vezes quanto fosse necessário, até todos terem comungado. Impressionava-me a sua piedade e delicadeza ao dar-nos Jesus, mas ao mesmo tempo ele olhava para cada uma de nós.

Em tudo podia sentir que era alguém que estava entre nós, mas todo o seu ser era uma imagem viva de Jesus, um reflexo de Deus Pai.

Aos domingos, nós juvenistas podíamos também assistir as palestras que ele dava para o Movimento na Casa de Retiros. No dia 02 de março participamos das 3 palestras que ele deu. Como éramos muitas, nos sentávamos nas duas grandes escadarias. Na primeira palestra deste dia, ele falou sobre significado do Jardim de Maria:

“O que nos diz a palavra ‘Jardim de Maria em seu sentido próprio, em nossa compreensão? É o Jardim de Maria da querida Mãe de Deus; ele pertence à Mãe de Deus. Neste jardim há diversos canteiros. Que aspecto tem os vários canteiros? O primeiro, segundo, terceiro, quarto canteiro? Lá no meio ainda há outro, o último canteiro. Nos canteiros há flores. Eu deveria conhecer melhor a botânica para sinalizar as flores. Quem são estas flores? (O primeiro canteiro) são os nossos padres: ‘Dente de leão’. Minha sabedoria já terminou. O 2º canteiro…, o 3º canteiro…, o 4º canteiro – os Ramos, e depois o 5º canteiro, a ‘jovem verdura’… Trata-se de descobrir qual a flor que expressa mais o nosso modo de ser.” (cf. J. Kentenich, O testamento do Pai Fundador, 02.03.1952)

Ao falar sobre a “jovem verdura” referiu-se às juvenistas. Nós não gostamos da ideia de ser verdura, pois também queríamos ser uma flor no Jardim de Maria.

Lembro que formamos um grupinho de juvenistas para ir falar sobre o assunto com ele. Éramos umas 4 ou 5 e entre elas estava, a Ir. M. Assunta, que falava alemão. Eu também fui junto, pois queria dar minha sugestão e chegar mais perto do Padre Kentenich. Antes da palestra da tarde fomos ao segundo andar da Casa de Retiros, à esquerda de quem sobe as escadarias, e ficamos esperando perto do quarto dele, aguardando sua saída para dar a palestra. Ao sair do seu quarto ele nos cumprimentou com muita alegria e amabilidade. Nós logo lhe apresentamos a humilde queixa, de que não queríamos ser verdura, mas flores, ao menos violetas escondidas debaixo das folhas verdes. Ele nos ouviu, sorriu e demostrou muita alegria com a nossa reclamação. Descemos a escadaria radiantes, sentindo-nos vitoriosas.

Ao iniciar a palestra ele disse: “Primeiro devo corrigir um erro. Hoje de manhã descobrimos verdura no Jardim de Maria. A verdura se defendeu. De certo troquei violetas com verdura. De cima só se pode enxergar o verde, mas embaixo está cheio de violetas”.

Não sei se podem imaginar a alegria estampada no rosto das mais de 60 juvenistas, ao ouvirmos isto dele. Estas palavras e o gesto do Pai ficaram gravados bem profundamente em mim, que as guardo até hoje.

Quis a Providência Divina mostrar sua predileção comigo, também de poder ver o Pai pela última vez no dia do meu aniversário, 10 de março de 1952.  Sou também profundamente grata à Mãe de poder testemunhar já tantas vezes em palestras ou individualmente a vivência de ter conhecido o Pai e Fundador, embora ainda pequena.

Hoje posso expressar um pouco minha gratidão ao Pai e Fundador pelo desempenho da tarefa que me foi confiada na secretaria da causa de sua beatificação.”

 

Ir M Raquel Mainardi

Atualmente responsável pelo Secretariado Padre José Kentenich, em Santa Maria/RS, que se empenha em prola da bearificação do Fundador da Obra de Schoenstatt.

 

 

 

 

Fotos: Grupo de Padres Palotinos reundos em formação com o Padre Kentenich e palestra do Padre Kentenich no hall de entrada da Casa de Retiros, em Santa Maria, em março de 1952 (Arquivo Província Tabor).

Família sob a bênção do Santuário Lar: um testemunho

 

Valmir e Nara Duarte – Estamos na Semana da Família, no mês em que, no Brasil, recordamos as vocações. Uma das realidades lindas da espiritualidade de Schoenstatt é o Santuário Lar e sua função salvadora nas famílias.

O casal Valmir e Nara Duarte, da Liga de Famílias da arquidiocese de Porto Alegre, tem a alegria de celebrar 29 anos de instituição do seu santuário lar no contexto do jubileu de ouro do Movimento de Schoenstatt nesta cidade. Eles partilham conosco sua caminhada de fé na Igreja e dentro do Movimento de Schoenstatt. O significado do Santuário lar para suas vidas e sua família. Segue o seu relato:

29 anos de Santuário Lar

Eu e Nara nos casamos em 1980 e não tínhamos vida de igreja. A Amanda nasceu em 1982 e a Cristiane em 1985. Nosso processo de conversão começou em 1993. Fizemos a Aliança de Amor com Nossa Senhora em 1994 e entronizamos o Santuário Lar em 1995.

 

 

Na preparação do Santuário Lar, definimos que o nome seria o do nosso sonho: Casa Nova. O apartamento tinha dois quartos e as filhas precisavam de mais espaço. Em março de 1999, mudamo-nos para a Casa Nova. No projeto arquitetônico, previmos um local especial para o Santuário Lar. Tanto na entronização do Santuário Lar no apartamento como na mudança para a Casa Nova, o Padre Roberto Ferreira Paz celebrou missa no local. Fomos abençoados. Nossas filhas entronizaram o Santuário- Quarto em 2007, quando participavam da Juventude Feminina (JUFEM); ambas casaram, tiveram duas filhas cada uma, nos presenteando com quatro netas. Tanto elas quanto os genros selaram a Aliança de Amor. Cristiane e Helmut entronizaram o Santuário Lar em 2021.

 

 

Espiritualidade é diferente de oração: colocando a fé em prática

A espiritualidade e a oração são aspectos fundamentais da vida religiosa, mas é importante entender que são conceitos distintos. Enquanto a oração é uma prática específica de comunicação com Deus, a espiritualidade é uma vivência mais abrangente e contínua da fé. A espiritualidade de Schoenstatt nos auxiliou a colocar nossa fé na prática cotidiana, através do Capital de Graças.

O Capital de Graças: legado do Padre Kentenich para o exercício da Fé

O Capital de Graças é um conceito central na espiritualidade de Schoenstatt, uma pedagogia desenvolvida pelo Padre José Kentenich que nos auxiliou a viver nossa fé de maneira profunda e prática. Este conceito não apenas iluminou nossa relação com Deus e Maria, mas também nos orientou na maneira como podíamos colaborar ativamente na construção do Reino de Deus na Terra, através das tarefas na nossa família, no trabalho e na comunidade, oferecendo diariamente à Mãe no Santuário Lar.

 

 

O Capital de Graças nasceu do desejo de Padre Kentenich de criar uma metodologia pedagógica que unisse a vida cotidiana dos fiéis à sua vida espiritual; e funcionou esplendidamente conosco. Ele queria que os cristãos vissem cada ação, sofrimento, alegria e esforço como uma oportunidade de contribuir para a obra de Deus. O termo “Capital de Graças” sugere que essas experiências podem ser oferecidas a Maria, a Mãe e Rainha Três Vezes Admirável de Schoenstatt, para que ela as apresente a Deus em favor das nossas intenções.

Ao praticar o Capital de Graças, começamos a ver a vida com um olhar sobrenatural, reconhecendo a presença de Deus em cada detalhe e procurando responder com amor e generosidade. Este legado continua a nos inspirar e guiar, ajudando-nos a crescer em santidade e a construir um mundo mais conforme aos desígnios de Deus.

Schoenstatt: um tesouro espiritual para nossos descendentes

A espiritualidade de Schoenstatt se tornou um verdadeiro tesouro que podemos deixar para nossos descendentes. Nossas filhas não apenas abraçaram essa fé, mas também a transmitiram para suas próprias famílias, criando seus próprios Santuários Lares. Este contínuo legado espiritual fortalece os laços familiares, enriquece nossa fé e garante que a devoção e os valores que cultivamos perdurem por gerações.

Enquanto a herança material é algo que pode ser perdida ou consumida, o legado espiritual de Schoenstatt é eterno. A prática do Capital de Graças e a vivência da espiritualidade proporcionaram um fundamento sólido para nossa família, guiando-nos através dos desafios e alegrias da vida. Este tesouro espiritual é algo que desejamos ver florescer em nossas netas, proporcionando-lhes uma herança de fé, amor e devoção que continuará a inspirar e orientar suas vidas.

Hoje sou padre porque ela também descobriu em mim uma vocação.

Neste dia em que a Igreja no Brasil recorda a vocação sacerdotal, o seguinte testemunho do Pe. Evandro Viana Carvalho, do clero da diocese de Uruguaiana, sobre a influência da coordenadora da Mãe Peregrina Eva Alves,  falecida ha alguns anos, sobre a sua vocação pode ajudar-nos a entender a importância dos coordenadores da Mãe Peregina (e outros lideres leigos na Igreja), para para ajudar a sustentar a vocação de nossos Padres e seminaristas.

“Algumas pessoas entram na nossa vida e ganham um significado que só nós sabemos mensurar. A Eva Alves é uma destas pessoas. Hoje sou padre porque ela também descobriu em mim uma vocação. Trazia consigo um jeito simples, humilde, dedicado às coisas de Deus e sua Igreja e uma paixão por Nossa Senhora que me encantava.

A Eva falava até quando estava em silêncio. Os seus gestos diziam. Dela herdei o carinho por Maria que carrego hoje. Me ensinou a rezar o terço. Entre tantos momentos que me vem à memória, recordo o dia em que fomos à uma reunião na Paróquia Nossa Senhora Conquistadora, de Alegrete/RS, minha paróquia de origem. Fomos debaixo de uma chuva torrencial. Nós dois dividindo um guarda chuva e nos protegendo enquanto recitávamos a oração do terço. Paramos debaixo de uma marquise e enquanto esperávamos a chuva diminuir, as contas do terço nos faziam companhia e segurança. Ela sempre me lembrava deste episódio. Fazia questão de recontar pra mim quando nos encontrávamos, como forma de me lembrar a nossa amizade que nasceu em volta do rosário.

A Eva me conduziu como adolescente na fé até ser um missionário da Mãe Peregrina, compreender a bonita responsabilidade de levar a capelinha às famílias e aos 16 anos de idade passar a missão pra minha mãe, Dona Vanda Carvalho, por ter de entrar para o Seminário.

No dia 17 de outubro a Eva foi se unir a Maria que tanto amou nesta terra, às vésperas do dia 18 de outubro, dia da Mãe e Rainha três vezes admirável de Schoenstatt. Pra mim um sinal muito grande e confortador que a Mãe e Rainha quis nos dar. Meu coração de amigo dói pela convivência que tivemos. Meu coração de pastor, pelo carinho dela para com a minha vocação que ajudou a cuidar. Contudo, tenho a certeza de que ganhei uma intercessora junto à Mãe de Jesus. Eu e muitos outros que irão sentir a falta desta grande mulher. Agora o coração da querida Eva continua a pulsar em mim e nos que, assim como eu, aprenderam muito com ela a ser mais de Deus e de Maria. Fico aqui com o meu desejo  de que a fé na Ressurreição nos reúna um dia de novo”.

Ordenação sacerdotal do Pe. Evandro. No microfone está Eva Alves, que dá o testemunho sobre o jovem diácono, em nome da comunidade.

Rita Beatriz, uma dádiva para o jubileu da Liga de Mães de Schoenstatt

 

Ir M Rosequiel Fávero – No dia em que a Família de Schoenstatt recorda a ‘Carta de Santa Maria’ (15/04), foi recebida a notícia do falecimento da Sra Rita Beatriz Severo Pimenta, que integrou durante muitos anos a Liga de Mães de Schoenstatt em Santa Maria e Porto Alegre. Na idade de 90 anos, desde 2019, vivia em Brasília junto com seus filhos e netos, nunca perdendo, porém, o vínculo com o Movimento de Schoenstatt.

Rita Beatriz  nasceu no Alegrete/RS em 15 de julho de 1933. Ainda jovem, foi para Santa Maria onde estudou e se formou professora normalista. Durante sua vida, deu aulas em diversas intituições de ensino. Casada com o Paulo Roque Mello Pimenta (falecido em 1988) teve cinco filhos.

A descoberta da espiritualidade de Schoenstatt

Ainda nos anos 80, Rita Beatriz conheceu o Movimento de Schoenstatt, selando sua Aliança de Amor no Santuário Tabor, em Santa Maria/RS, em 18 de novembro de 1984. Em 31 de maio de 1990, também no Santuário Tabor, renovou esta Aliança no nível de Carta Branca, como membro da Liga de Mães de Schoenstatt.

 

 

Rita Beatriz foi sempre muito ativa na comunidade da Liga de Mães em Santa Maria,  participando em vários programas com as mães e em visitas às comunidades carentes, como ela mesmo contava. Como uma das lideranças e dirigentes do Ramo, ajudou na preparação de muitas senhoras para sua Aliança de Amor e instituição de Santuários Lares.

 

Schoenstatt em Porto Alegre

Em 2004, Rita Beatriz foi residir em Porto Alegre. Como devota da Mãe e Rainha, foi ao Santuário de Porto Alegre conversar com Irmã M. Claudete Rauen, assessora local na época, se oferecendo para participar da família schoenstatiana pelo Ramo das Mães. Um grupo de mães da Paroquia São Pedro, em Porto Alegre, acabara de se consagrar em Aliança de Amor  e carecia de uma nova Dirigente. Rita Beatriz atuou como competente e orgulhosa Dirigente do grupo, que escolhera o nome do Grupo “Divina Providencia”. Ela escreveu: “…é um grupo muito participativo. Várias mães atuam na Paróquia seja na liturgia, algumas são da Legião de Maria e do Apostolado da Oração e da Campanha da Mãe Peregrina”.  O dinamismo apostólico da Rita Beatriz a levou à Catedral de Porto  Alegre, reorganizando um grupo de mães que lá existia.

 

Entusiasmo, espiritualidade e serviço

Uma das Mães de Porto Alegre, Lídia Demeneghi, recorda sobre Rita Beatriz: “Lembro de momentos importantes e datas comemorativas do Movimento de Schoenstatt junto ao Santuário com a dedicada e importante participação da Rita Beatriz; o aniversário de 18 anos do Santuário Maria Cor Ecclesiae em 2004, o lema do ano de 2005 “Na força da Aliança assume a missão”.   Está registrado que em 2005 o Grupo de Mães da Paroquia São Pedro, preparou o estudo dos 4 Marcos de Schoenstatt em preparação da restauração do quadro do Santuário lar de D. Leonor Prates de Araújo Silva (considerada uma ‘heroína de Schoenstatt no Rio Grande do Sul), que foi entronizado na sala de Reuniões da Casa Tabor, em maio de 2006. Rita Beatriz participou também  ativamente, na conquista e na inauguração da Taça de José Engling nos jardins do Santuário em 18 de outubro de 2010.   Em outra oportunidade, ao chegar no Santuário Maria Cor Ecclesiae,  em Porto  Alegre, o “Olho do Pai” para o Santuário Original, Rita Beatriz o recebeu no aeroporto e ao entrar no Santuário fez uma bonita saudação.  

Rita Beatriz com sua fantástica memória sempre fazia a introdução dos assuntos da espiritualidade de Schoenstatt nas reuniões mensais do Ramo das Mães. Ela lia muito e sabia explanar com muita clareza e vivência os textos do Pe. Kentenich . Um dia, ela me contou que seu lema era “SERVIR COM ALEGRIA”.

 

Um exemplo de vida à luz do jubileu do Ramos das Mães

O falecimento de Rita Beatriz justamente neste ano que a Liga de Mães de Santa Maria celebra 75 anos e a de Porto Alegre 50 anos, nos recorda que céu e terra estão unidos na mesma caminhada. Tanto ela, como centenas de outras mulheres que configuraram suas vidas pela Aliança de Amor e vibravam pelo ideal da Custódia Viva do Tabor e que já estão na eternidade, participam das celebrações agora numa outra dimensão. E, seguramente, intercedem para que este seja um momento de graças para todas as que participarão e para as que ainda ingressarão nas fileiras da Liga de Mães de Schoenstatt.

Testemunho de Ir M Clarisse: como nós construímos o Santuário Tabor

 

Hoje celebramos 76 anos da inauguração do Santuário Tabor e queremos recordar um preciso testemunho de alguém que viveu em primeira pessoa a contrução do primeiro trono da Mãe e Rainha no Brasil. Ir M Clarice Betoni (06/09/1926 – 16/11/2012) contou a um grupo de missionários da Mãe Peregrina, em 2008, como ela e suas Irmãs de Curso colaborarm na construção do Santuário Tabor.

Ela conta como ela e outras candidatas e Irmãs ajudaram a ‘puxar’ água, transportar areia e tijolos para o local da construção, como expressão também das suas contribuições para o Capital de Graças.

 

O testemunho de Ir M Clarice, com certeza, é um precisoso estímulo a nós que vivenciamos o jubileu deste lugar de graças.

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Jubileu do Santuário Tabor: a história atrás de uma (linda) imagem

Um dos muitos momentos tocantes da celebração dos 75 anos do Santuário Tabor, na manhã de louvor e gratidão, no ginásio do Clube Recreatico Dores, foi a acolhida da imagem da Mãe e Rainha. Carregada por uma jovem família com seus quatro filhos, a cena encantou a todos.

Quem é essa família?

Eles são Ricardo e Luma Iop, e pertencem à União de Famílias de Schoenstatt. Estavam com eles seus filhos Isabel, Samuel, Miguel e Emanuel.

Algo muito lindo é que justamente o ginásio foi onde os dois se encontraram pela primeira vez, em 2010, no conjunto das celebrações dos 60 anos da Campanha da Mãe Peregrina. Luma conta:

“A última vez que pisamos neste lugar foi na festa do Jubileu de 60 anos da Campanha da Mãe Peregrina, em setembro de 2010. Milhares de peregrinos de todos os recantos precisavam ser acolhidos e as Irmãs convocaram todos os jovens da diocese para auxiliar nas muitas tarefas da programação. Eu participava da Juventude Feminina de Schoenstatt e o Ricardo de um grupo de jovens da Legião de Maria, e ambos fomos escalados para distribuir velas e panfletos na entrada do ginásio naquela noite.
Eu tinha acabado de voltar de Schoenstatt com algumas resoluções de mudança de vida, e uma delas foi aprender a tocar violão para animar a juventude.
Acabaram-se as velas da caixa que eu tinha ao meu lado e, de vestido de prenda (roupa típica gaúcha) tinha dificuldades de pegar a próxima. Eis que o Ricardo viu esta necessidade e prontamente veio em meu auxílio. Daí para frente sentamos lado a lado para assistir à programação de apresentações da noite e descobri que ele estava iniciando uma turma para ensinar a tocar violão para iniciantes na minha paróquia!
Aceitei o convite e aqui estamos neste mesmo local, 13 anos depois, com nossos 4 filhos (não sem muitas “caixas” empurradas e puxadas para lá e para cá) entrando com a Peregrina”.

Ricardo e Luma em 2010

 

A ‘família Iop’ no mesmo local, em 2023.

 

Vídeo: Dionete Munareto

Fotos: Márcia Kazumi e arquivo do Movimento de Schoenstatt/2010

Testemunho: 25 anos das Mil Ave-Marias no Santuário Tabor

No espírito do Jubileu dos 75 anos do Santuário Tabor, vale a pena trazer um textemunho muito especial: da Sra Maria Elilaides Taschetto. Ela nos conta de como, no âmbito do jubileu de 50 anos do Santuário Tabor, um grupo da Liga de Mães de Schoenstatt que recém haviam selado sua Aliança de Amor, tiveram a ideia de ficarem uma noite de adoração no Santuário, rezando mil Ave-Marias.

Desde então, durante 25 anos, todas as primeiras sextas-feiras, o grupo – já ampliado – reza as Mil Ave-Marias.

Vejamos seu testemunho. Vale a pena.

[vc_video link=”https://youtu.be/us5opP9kOc4″ align=”center”]

10 lições que aprendi com o Professor Pe. Kentenich

 

Jussara Beatriz Silva – Sou membro da Liga Apostólica Feminina de Schoenstatt de Porto Alegre/RS e professora aposentada. Há 28 anos, em pleno exercício de minha profissão, eu recebi uma turma de segundo ano com idade entre 8 e 14 anos. Esses alunos não sabiam ler, vinham de muitas reprovações e eram deficientes em bons hábitos e atitudes.

Certo dia, conversando com uma amiga, ela me ofereceu uma novena pela beatificação do Pe. José Kentenich. Fiquei muito feliz, pois logo vi a estampa de Nossa Senhora e sempre fui muito devota de Maria. Ao chegar em casa vi que do outro lado havia a foto de um “sacerdote barbudo” e, ao começar a fazer a novena, entendi que o sacerdote havia selado uma Aliança de Amor no Santuário de Schoenstatt. Isso me deixou muito curiosa. Continuei rezando com fé pelos meus alunos e levava a novena todos os dias para a aula e a deixava aberta sobre a mesa, com as estampas à mostra. Este hábito criou curiosidade nos alunos e comecei a contar sobre Nossa Senhora e seu Divino Filho.

 

A “pior turma” torna-se irreconhecível

O trabalho pedagógico desenvolveu-se com muitas orações, cantos e contos falados e escritos, com eles. O tempo foi passando, a turma foi melhorando começou a ficar mais dócil, mais unida, mais parceira da professora e muitos começaram a ler e escrever.

A mudança foi tão radical em atitudes que minhas colegas e a diretora já não mais reconheciam a pior turma da escola.

Quando comentei sobre a mudança de minha turma à amiga que havia me presenteado a novena, ela contou-me sobre a fecunda atuação pedagógica do Pe. Kentenich. Relatou-me que ele havia exercido, em uma turma difícil, a formação da personalidade com muito amor, respeito e compreensão, por meio de uma pedagogia Mariana. Foi assim que me dei conta do quanto ele havia ajudado em minha própria turma.

 

 

Nossa Senhora tornou-se Mãe e Educadora de cada um

Uma tarde, passeando pela Zona Sul de Porto Alegre/RS, vi uma placa de trânsito informando o Santuário de Schoenstatt. Chegando lá conheci um pequeno e lindo céu na terra. Uma Irmã nos explicou sobre o Santuário e nos convidou para participar de um grupo de preparação para a Aliança de Amor – aquela que falava na novena.

Junto ao Santuário, adquiri uma imagem da Mãe Peregrina para minha turma, postais de Nossa Senhora para cada aluno e para mim um postal do Pe. Kentenich dando a benção, afinal, eu já estava encantada com ele.

No final do ano, somente 3, de uma turma de 20, não aprenderam a ler e a escrever, tinham problemas mais sérios.

Fiquei muito agradecida e confiante na intercessão do Pe. Kentenich por aquelas crianças, Nossa Senhora havia passado a ser a Mãe Educadora de cada um.

 

Quanto a mim, selei a Aliança de Amor.

A Irmã que nos preparou me deixou muito motivada a conhecer a santa vida deste professor que educou alunos santos, que se tornaram instrumentos aptos para fundar o Movimento de Schoenstatt.

Aos poucos fui descobrindo que o Pai e Fundador não pregava nada que ele mesmo não houvesse vivido. Encantei-me com a vida de confiança na Divina Providência e como ele prezava a filialidade e a educação para a santidade da vida diária. Quero, como ele, nunca desmoronar ou deixar quebrar minha própria personalidade.

 

Como professora, aprendi com o Pai e Fundador que:

1. Extraordinária capacidade intelectual nem sempre é sinônimo de maturidade;

2. Um terno e profundo amor à Maria mantém a alma, de algum modo, em equilíbrio;

3. O verdadeiro educador também se dedica ao coração e à alma irradiando paternidade, bondade e afeto, compreendendo as fraquezas humanas e as angústias interiores;

4. Nós mulheres, pequenas Marias, somos figuras necessárias à missão do equilíbrio nas comunidades;

5. As aulas devem ser preparadas com zelo, objetivando conhecimentos paralelamente ao desenvolvimento de atitudes do bem viver e à autoeducação;

6. Na sala de aula o clima de confiança mútua facilita a aprendizagem dos alunos e do educador;

7. Cada aluno é importante no seu crescimento individual e não há prediletos;

8. O verdadeiro educador é convicto de seu caminho pedagógico, encontra segurança em si e em Deus e, quando em dificuldades, primeiro reza e pede conselho;

9. Na adversidade com colegas convém não entrar em discussões inúteis, criticar e contradizer o mínimo possível, mas também não se deixar encurralar em uma posição de autodefesa;

10. Um educador não teme a confrontação, mas visa, antes de tudo, capacitar seus alunos para um juízo autônomo no diálogo;

 

        Jussara com alunos da catequese: “Eu afirmo que o Pe. Kentenich, meu Pai, é um grande educador”

Parafraseando nosso Pai, um educador é entusiasmado, missionário da fé e do amor. Renuncia o estilo tempestuoso e ameaçador, servindo-se de imagens singelas e de fácil compreensão para favorecer o crescimento pessoal e da autonomia moral até a descoberta da autoeducação.

O Pe. Kentenich descia até os alunos, mas de forma a permanecer sempre acima deles como um educador, ou seja, havia alegria e respeito mútuo na comunicação, numa atitude humana e natural na abordagem.

Então, neste dia dedicado aos professores, eu afirmo que o Pe. Kentenich, meu Pai, é um grande educador que intercedeu pela libertação de jovens do estigma social da incapacidade de conviver.

Parabéns querido colega e quando em dificuldade reza com confiança a oração pela beatificação do Pe. José Kentenich. Ele te ajudará intercedendo junto a Deus e à Mãe e Rainha Três Vezes Admirável de Schoenstatt, alcançando a graça que necessitas.

 

* Texto baseado na vivência profissional de Jussara Beatriz Silva, da Liga Apostólica Feminina de Schoenstatt de Porto Alegre/RS, e no livro “José Kentenich – Uma Vida à Beira do Vulcão”.

Fonte: schoenstatt.org.br

Giuseppe Marramarco e João Pozzobon: um encontro transformador

Ir M Rosequiel Fávero – No próximo 10 de setembro, a Campanha da Mãe Peregrina de Schoenstatt do Brasil inicia um triênio dos 75 anos deste abençoado apostolado. Nestas mais de sete décadas, muitas pessoas se inspiraram no exmplo do Servo de Deus João Luiz Pozzobon e seguiram seus passos. Uma destas pessoas é Giuseppe Marramarco, schoenstattiano de Porto Alegre/RS. Vale a pena recordar o testemunho de sua vida.

Nascido na cidade de Corleto Perticara, Província de Potenza na Itália, Giuseppe Antonio Marramarco imigrou para o Brasil em 24 de março de 1951, aos 23 anos. Ao chegar a Porto Alegre/RS, foi morar num quarto de pensão do bairro Floresta. Foi frentista num posto de gasolina e depois de um ano de sacrifícios conseguiu reembolsar ao pai e ao padrinho a quantia do empréstimo que lhe permitira viajar de navio até o Brasil. Trabalhou de graça num açougue para aprender um ofício e quatro anos mais tarde teve condições de abrir o seu próprio açougue, entretanto, já casado com uma moça de Garibaldi/RS, Clarita Lorenzi.

 

Um encontro transformador

Sua vida foi transformada por um encontro com o Servo de Deus João Pozzobon, em 1985, poucos dias antes da morte deste último. Numa das muitas entrevistas que deu em 2002, quando a empresa jornalística RBS lhe conferiu o título de ‘Gaúcho honorário’, ou em 2010, quando a Câmara de Vereadores de Porto Alegre lhe concedeu o título de ‘Cidadão de Porto Alegre’, Marramarco contou: “Ele (João Pozzobon) transformou minha vida. Percebi que aquele homem velho, quase cego, havia feito tanta coisa, enquanto eu só queria saber de ter dinheiro e prazer. Por três anos, estive numa luta interior entre viver para o dinheiro ou trabalhar para Deus. A força de Deus foi maior. Parei de trabalhar para ser missionário”.

Assumindo a Imagem Peregrina Auxiliar do Santuário de Porto Alegre, Giuseppe Marramarco começou a dedicar-se, como João Pozzobon, a levar a Mãe Peregrina a hospitais e escolas, mas foi nos presídios que encontrou seu campo privilegiado de apostolado.

 

Coordenador estadual da Pastoral Carcerária e um dos criadores da Fundação de Apoio ao Egresso do Sistema Penitenciário

Dedicou-se incansavelmente aos encarcerados e seus familiares, sendo sua atuação reconhecida muito além do Movimento de Schoenstatt. Foi coordenador estadual da Pastoral Carcerária e um dos criadores da Fundação de Apoio ao Egresso do Sistema Penitenciário (Faesp). Com sua ‘Peregrina’ entrava nos setores mais perigosos dos mais temidos presídios do Rio Grande do Sul, como o de Charqueadas/RS, de segurança máxima, e o Presídio Central de Porto Alegre. Incontáveis vezes testemunhou ter visto homens desfigurados pela situação que viviam caírem de joelhos por detrás das grades, diante da Mãe Peregrina. Na sua caminhada missionária ajudou certamente muitos a encontrarem o caminho para a conversão.

O seu grande zelo apostólico era alimentado pela oração e a vinculação ao Santuário. Um sacerdote da Diocese de Porto Alegre deu, em 2015, o seguinte testemunho sobre ele: “Como seminarista, muitas vezes acompanhei o Sr. Marramarco no seu apostolado. Muito me impressionava a sua atuação apostólica, mas mais impressionante ainda era vê-lo rezar silenciosamente, diante do Santíssimo”. Presença marcante na vida da Família de Schoenstatt, foi justamente a renovação da coroação da ‘sua’ Imagem Peregrina o ato central das celebrações do Centenário da Aliança, em outubro de 2014, junto ao Santuário Maria Cor Ecclesiae, em Porto Alegre.

 

A ‘Mãe seguiu o caminho’ e Giuseppe Marramarco também

Em 2015, consciente da diminuição de suas forças e de que a Mãe Peregrina ‘precisava seguir seu caminho’, Giuseppe Marramarco entregou-a aos cuidados das Irmãs de Maria de Schoenstatt, em Porto Alegre. A Divina Providência teceu os fios de tal forma que uma semana antes da sua partida para a eternidade, ocorrida em 20 de março de 2016, no encerramento da Jornada Regional de Coordenadores da Campanha da Mãe Peregrina, os representantes da Arquidiocese de Porto Alegre assumissem a responsabilidade pela Peregrina Auxiliar que fora a fiel companheira de Giuseppe Marramarco, numa singela celebração de ‘reenvio’, no Santuário Tabor, em Santa Maria/RS.

No vídeo abaixo podemos conferir o seu testemunho, colhido pela Ir M Nanci Meister, em 2004.

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Testemunho do carteiro do Pai e Fundador

Sempre é bom recordar testemunhos sobre o Pai e Fundador. Lembram o do seu carteiro?

Em Vallendar, Schoenstatt, havia um carteiro. Nessa época, ele ia de carro até Schoenstatt, mas depois tinha que estacionar fora e caminhar uns 40 ou 50 metros, com a sua sacola de correspondência, para levar as cartas e encomendas às diferentes casas no Monte Schoenstatt. Quando o Pe. José Kentenich estava na Casa de Formação, a correspondência aumentava, de modo que a sacola do carteiro ficava cada vez mais pesada. Ele entregava as cartas na portaria e recebia as que saíam. Um dia, a porta estava aberta, o Pai e Fundador ia saindo e formara-se ali um grupo de Irmãs. De repente, chegou o carteiro, entregou as cartas e o Pe. Kentenich o viu. Deixou as Irmãs, foi ter com ele, saudou-o com um aperto de mão e disse: “Quero agradecer-lhe o seu trabalho, porque graças a ele fico informado sobre o que acontece com a Família de Schoenstatt no mundo inteiro. Mas também tenho que lhe pedir desculpas, porque desde que cheguei lhe dei, com certeza, mais trabalho e a sacola pesa mais”. Deu-lhe uma gorjeta especial. Esse carteiro dizia depois com orgulho: “Vejam, o Fundador veio me cumprimentar. Agradeceu-me pelo meu trabalho e até me deu uma gorjeta. Deixou todas as Irmãs que estavam ali e veio me saudar!” Quando o Fundador faleceu e ele soube do processo de beatificação disse: “Eu apertei a mão de um santo”.

Testemunho partilhado pelo Pe. Humberto Anwandter na Jornada Nacional de Dirigentes do Chile, realizada no Santuário de Bellavista, Santiago, em novembro de 2003.

Fonte: Facebook Schoenstatt Brasil