O primeiro sacerdote schoenstattiano a doar sua vida

Ao celebrarmos o mês vocacional, dedicamos nesta semana as nossas orações suplicando pela santificação dos sacerdotes e pelas vocações.

Uma das tarefas que nosso Fundador, Pe. Kentenich, exercia com zelo especial é o cuidado pelo acompanhamento dos sacerdotes. Conhecemos o heroísmo de muitos deles, principalmente durante o tempo de perseguição pelo nazismo.

Há um deles, pouco conhecido, e que merece toda nossa gratidão. É o primeiro sacerdote schoenstattiano a ser martirizado no Campo de Concentração de Dachau: Pe. Heinrich König, nascido em 24 de junho de 1900, em Höchst, na Alemanha, e morto no Campo de Concentração de Dachau, no dia de seu aniversário, em 24 de junho de 1942. Uma praça, na cidade de Gesenkirchen, tem o seu nome, desde 1987. Nesta cidade ele foi preso, em 30 de setembro de 1941. Há também uma estação de metrô com seu nome, desde 2002. Nessa estação há um memorial dedicado a ele. Desde 18 de junho de 2021, ele ainda dá nome a uma Rua.

 

 Estação do metrô em homenagem a ele

Quem é esse sacerdote tão admirado ainda hoje?

Ele pertencia a uma família católica, era o mais velho de seis irmãos, após concluir seu estudo fundamental, entrou para o seminário em Paderborn. Estudou também em Münster e Munique e foi ordenado sacerdote em 10 de agosto de 1924, na Catedral de Paderborn, por Dom Kaspar Klein. Ainda como seminarista, em 1923, ele entrou para o grupo de sacerdotes, no Movimento Apostólico de Schoenstatt e conheceu o Fundador, Pe. José Kentenich. Trabalhou em várias paróquias e acompanhava alguns grupos da juventude de Schoenstatt. Não escondia sua posição contra as ideologias nazistas e foi denunciado por causa disso, sendo preso no dia 30 se setembro de 1941.

Sua irmã, Helma König, escreve nas recordações sobre seu irmão: A Gestapo foi informada “que ele havia recebido, em nosso apartamento, um soldado que tinha perdido seu irmão no campo de concentração e que meu irmão prometeu celebrar a Santa Missa pelos falecidos. Meu irmão conhecia bem os dois soldados, pois eles pertenciam à família Kolping, da qual meu irmão era também presidente. … No decorrer dessa conversa, eles também falaram sobre a situação atual. O bispo de Munster havia acabado de protestar publicamente, em suas homilias, contra o confisco e a dissolução dos mosteiros, a espionagem e a prisão de padres e religiosos, a morte de deficientes e doentes mentais etc. Ao retornar ao front, o soldado contou ao seu capitão e o relatório dele veio para a Gestapo local.”

 

 Praça dedicada a ele

Torturado e morto no campo de concentração

Pe. Heinrich König foi preso, em Gelsenkirchen, onde permaneceu de 30 de setembro a 2 de dezembro de 1941, quando foi transferido, sem julgamento, para o Campo de concentração de Dachau, onde chegou em 5 de dezembro de 1941. Ali, sua saúde agravou-se, ele tinha um sério problema no fígado, e, foi operado por um jovem médico nazista, no mesmo mês em que chegou. A cirurgia foi executada de forma tão amadora que ele nunca mais se recuperou. Em março de 1942, foi transferido para o bloco dos sacerdotes e, como não conseguia fazer nenhum trabalho pesado, foi designado para cuidar da casa e arrumar as camas (que tinham 3 andares) no quartel. Pe. José Fischer, que também estava como prisioneiro, diz que num dia, ao realizar esse trabalho, Pe. Heinrich caiu de um banquinho e deve ter ferido o local de sua cirurgia.” Com muita dor e febre, foi transferido, então, para a enfermaria do Campo, onde faleceu.

 

Ele tinha uma fonte interior

Um companheiro de prisão de Dachau, Rev. E. Th.,caracterizou Heinrich König como um homem com um comportamento gentil, sereno e silencioso. “Ele sempre tinha uma palavra amorosa para dizer e um sorriso amável no rosto. Quando se considera a terrível situação em que estávamos, é preciso valorizar isso.” Sua irmã Helma escreve: “Era visível que meu irmão tinha uma fonte profunda dentro de si. Seus amigos sacerdotes gostavam se seu jeito simples, prático e seu modo de ser profundo.” Um de seus amigos sacerdotes escreveu, em 1957: “Heinrich certa vez falou às jovens, de modo profundo e compreensível sobre o Espírito Santo. Quando, mais tarde, eu lhe disse que gostava muito de seus pensamentos, ele respondeu: ‘Quando eu aprendi sobre o mistério da Santíssima Trindade, isso se iluminou tanto que não consegui dormir a noite inteira de alegria’.”

 

Uma “oferenda sacrifical”

Pe. Heinrich König preparou-se como “oferenda sacrifical” na escola de Schoenstatt. Em agosto de1927, participou da primeira consagração de 12 padres, da diocese de Paderborn, à Mãe de Deus, no Santuário Original, em Schoenstatt. Em agosto de 1939, participou dos primeiros retiros de 4 semanas para sacerdotes, em 18 de outubro de 1939, consagrou-se na altura da Carta Branca. Isto é, deu um cheque em branco, por assim dizer, para a Mãe de Deus, com a disposição de aceitar tudo o que o Pai Celestial tinha reservado para sua vida. Ele viveu essa entrega total à Mãe e Rainha Três Vezes Admirável de Schoenstatt e à sua obra.

Em sua oração pessoal de consagração, ele reza: “Mãe e Rainha Três Vezes Admirável, nesta hora, eu me consagro a ti, solene e irrevogavelmente, com o meu ser e todos os meus dons. Quero ser inteiramente e para sempre a tua propriedade e instrumento. …Uma saudade ardente me faz suplicar-te: Deixe-me – como tu – ser radicalmente livre de mim mesmo, pleno de Cristo, e voltado para Deus. …Mesmo convicto de minha incapacidade, mas, confiante em tua bondade sem limites, eu gostaria de ser teu instrumento, apenas instrumento, mas, também, inteiramente instrumento…” Ele escreve ainda pedindo que a Mãe de Deus leve a sério esta sua entrega e que diariamente, a renovaria em cada Santa Missa: “Será meu presente matinal, uma consagração diária, um sacrifício de vida. Conduze-me como uma criança fraca, para junto de Cristo sob a cruz, para que minha vida – como a tua – se torne uma oferenda sacrifical de ação de graças e de amor ao Pai, em Cristo pelo Espírito Santo”.

 

Para mim o mínimo!

Esta oração de consagração tão íntima, profunda e pessoal expressa não só o seu vínculo a Maria e o seu Filho, Jesus Cristo, mas também o seu desejo e vontade de se dedicar totalmente aos outros. Sua irmã escreve ainda: “No caderno de meu irmão, que não contém muitos registros, há a frase: ‘Na dedicação aos pobres, fracos e humildes, quero devolver a Deus o amor que ele tem por mim.’ Esta frase nos revela o espírito humilde e seu cuidado pastoral… Ao longo dos anos, o Espírito Santo levou seu irmão ainda mais fundo no mistério de Cristo. Sobre sua mesa, de forma bastante discreta, mas claramente visível, estava a frase: ‘Para mim o mínimo!’ Nunca falamos sobre isso, mas, posso pressentir que era a expressão de seu profundo desejo de levar a sério o seguimento do Senhor crucificado. Provavelmente esta era frase de seu ideal pessoal.”

Fonte: sch.de , publicado em schoenstatt.org.br

Mais de seis décadas como Irmãs de Maria de Schoenstatt

O dia 20 de maio foi um dia de especial alegria junto ao Santuário Tabor, pois os participantes da Santa Missa das 7h puderam participar do momento festivo em que três Irmãs de Maria celebraram 60 anos de pertença ao Instituto das Irmãs de Maria de Schoenstatt: Ir M Raquel Mainardi, Ir M Iracema Müller e Ir M Fernnda Balan. Ir M Raquel relata este momento:

“No dia 20 de maio, celebramos em nossa Província Tabor (com sede em Santa Maria/RS), o Jubileu de Diamantes de nosso contrato-consagração, quando recebemos o broche da Mãe Três Vezes Admirável de Schoenstatt, como símbolo de nossa pertença à Família das Irmãs de Maria. Para celebrar conosco veio também Irmã M. Fernanda Balan, de Atibaia/SP, que pertence ao nosso curso de irmãs (irmãs que fazem sua formação juntas, desde o noviciado).

Celebrávamos neste dia uma data muito especial para nossa Família de Schoenstatt: 77 anos da volta a Schoenstatt de nosso Pai e Fundador, Padre José Kentenich, do campo de concentração de Dachau, onde esteve preso quase 4 anos.

Por mais de um ano, preparamo-nos espiritualmente com orações, renúncias e oferecimentos para o Capital de Graças, para bem celebrar este jubileu de Diamantes.  

A celebração jubilar foi um momento muito forte para nós, envolvido por um clima religioso, festivo e de muitas alegrias familiares. Iniciou com a celebração da Santa Missa, o ponto alto do jubileu. Foi animada pelos cantos, ensaiados por Irmã Paula Maria Graminho, que soaram lindamente na nossa Capela Tabor, acompanhados pelo órgão, violino e flautas, que elevavam ao céu nosso coração.

Pe. Rogério Aloísio Schlindweinn, nosso capelão, celebrou com muita alegria a Liturgia, mas tivemos que pagar um preço: fazer a homilia, dando nosso testemunho desses 60 anos de vida consagrada, como Irmãs de Maria. Cada uma de nós trê pôde dar o seu testemunho de uma vida rica em realizações e trabalhos, de lutas e conquistas, de doação à nossa Igreja e à Família de Schoenstatt. Parece que essa experiência teve bons ecos positivos.

O dia 20 de maio foi também o dia de expressarmos nossa gratidão a Deus, ao nosso Pai e Fundador pela grande graça da fidelidade nesta longa caminhada como Irmãs de Maria. Na oração diante no Santíssimo, que fizemos na primeira hora da tarde, renovamos nossa consagração e nosso compromisso de fidelidade a Jesus, por intermédio de nossa Mãe e Sócia de Cristo. Diante do Santíssimo pedimos também perdão pelas nossas faltas e omissões e manifestamos nossa gratidão a todos os superiores de nossa de nossa Família de Irmãs que nos ajudaram nessa caminhada. Rezamos também por todas as pessoas com quem trabalhamos e que fazem parte da alegria deste dia jubilar.

No Santuário, rezamos por vocês.”

Ir. M. Raquel Mainardi

Faleceu Evanir Grohmann, da Liga de Mães de Santa Maria/RS

Ir M Rosequiel Fávero – A Família de Schoenstatt de Santa Maria, em especial a Liga de Mães de Schoenstatt, de forma inesperada, perdeu um de seus membros mais ativos neste 4 de maio: a Sra. Evanir Terezinha Zampieri Grohmann.

Casada desde 1970 com Reinaldo Grohmann, esposo que sempre a incentivava e apoiava na sua vida apostólica e familiar, Evanir tinha 3 filhos e três netos. Embora muito dedicada à sua profissão de professora, à Igreja e à Obra de Schoenstatt, a família era seu tesouro, do qual não descuidava.

Nascida no interior de São Pedro do Sul em 25 de abril de 1944, Evanir veio para Santa Maria no final dos anos 50 onde estudou magistério e, mais tarde, Letras e Inglês na UFSM. Desde os 18 anos se dedicou à educação onde alfabetizou e ensinou centenas de crianças com destacado trabalho e dedicação à profissão. Não se limitou apenas à alfabetização, mas interessava-se pelas pessoas em todas as suas necessidades. Um exemplo deste interesse é o fato de, numa oportunidade, ter levado uma máquina de costura para a escola para fazer roupas para seus alunos e crianças carentes da Escola e do Bairro. Em outubro de 2017, pela passagem do Dia do Professor, a Câmara de Vereadores de Santa Maria lhe deu uma moção de congratulação, como reconhecimento pela sua atuação como educadora na cidade e arredores.

 

Conheceu Schoenstatt como estudante e selou sua Aliança de Amor na Juventude Feminina de Schoenstatt em 8 de dezembro de 1962. Exatamente 50 nos depois, aprofundou sua Aliança como Membro da Liga de Mães de Schoenstatt, entregando sua vida como Carta Branca nas mãos da MTA. E em maio do ano passado fez parte do primeiro grupo de Mães que aprofundou esta entrega numa ‘Decisão para Cristo’, colocando seu nome nos fundamentos da Cruz da Unidade erguida no jardim do Santuário Tabor.

Recordava com gratidão as dirigentes e Irmãs de Maria que cooperaram na sua formação humana e schoenstattiana. De maneira especial gostava de nomear as Irmãs M. Terezinha Gobbo, M. Fernanda Balan e M. Senira Biscaro.

Era ‘apaixonada’ por sua Paróquia (Nossa Senhora das Dores), onde se doava em diversos setores e com quem o pároco sempre podia contar. Desta forma, era exemplo vivo da inserção de Schoenstatt no contexto paroquial, não escondendo ser schoenstattiana e sempre pronta a defender no que acreditava.

Perguntadas sobre o que destacar na personalidade e atuação de Evanir, suas colegas da Liga de Mães recordaram muitos aspectos, que não cabem todos aqui. Vale recordar sua nobreza e atitudes marianas, que encantavam a todas. Ela era uma das que sempre estavam prontas a servir, seja em pequenos serviços durantes os eventos, seja financeiramente. Era uma grande benfeitora de obras sociais, do Santuário, da Família de Schoenstatt e de sua paróquia. Evanir ficará marcada na história da Liga de Mães de Santa Maria pelo seu interesse em registrar, com exatidão, a história. Nos últimos anos, com muita dedicação, refez todas as crônicas do Ramo, em vista dos 75 anos da Liga de Mães em Santa Maria, que serão celebrados em 2024.

Hoje, 6 de maio, a Liga de Mães recordará Evanir na Santa Missa das 18h, na Capela Tabor, onde muitas vezes ela celebrou a Eucaristia.

Mais fotos (Dionete Munareto)

A Psicologia do Tabor

Luiz Henrique Furlaneti – Quando tive uma vida mais ativa em Schoenstatt, passei por vários processos pessoais, profissionais e até mesmo como um schoenstattiano, pelos quais vivi intensamente muitas experiências dentro do Movimento – e olha que foram bons anos, desde os Pioneiros até o Jumas (Juventude Masculina de Schoenstatt). Depois que me desliguei do Jumas, sempre estive ativo como um colaborador, palestrante ou simplesmente ajudando o Santuário de Cornélio Procópio/PR com minhas ações e, assim, até hoje me mantenho vinculado fortemente a Deus e a Mãe – claro que isso também se deve por conta das minhas orações.

Desde que fui convidado a escrever este texto, me dei conta mais uma vez do meu vínculo com Deus e Maria. A surpresa e a alegria por estar aqui escrevendo me fizeram aprofundar-me acerca do Ideal Tabor, isso me ajudou a relembrar desta palavra e seus significados tão fortes. Além disso, tive a grata sensação de que vivo o Tabor no meu dia a dia, de várias maneiras, mesmo não participando ativamente do Movimento. Para que você possa entender melhor o que quero trazer neste texto, não posso deixar de falar da minha profissão e de alguns aspectos que sempre quis buscar em minha vida.

 

Descobrindo o caminho de vida

Desde os intensos anos de Jumas, sempre gostei de conversas, escutas, falas, posicionamentos, conselhos e ações que me levassem a ser uma pessoa melhor. Por meio de várias conversas com minha família, professores, orientador espiritual, conclui que não só gostava, mas que devia ajudar pessoas de uma maneira geral, foi aí que comecei a pesquisar onde me encaixava no mundo profissional, desta forma tive a alegria de encontrar a Psicologia e seu vasto mundo de informações, abordagens, teorias, um universo muito amplo e subjetivo, porém cheio de possibilidades que me ajudassem a ser alguém melhor e ajudar os outros a fazerem o mesmo.

A Psicologia muitas vezes me foi confrontada com a Pedagogia de Schoenstatt e tudo o que já tinha aprendido no Movimento, porém, sempre usei o Movimento de espelho para pensar como eu gostaria de ser um psicólogo que levasse o Tabor e, como todo psicólogo, mantendo o sigilo de suas opiniões. Desejava que esse Tabor fosse transmitido sem se falar sobre ele, simplesmente vivendo-o, ouvindo feedbacks de amigos, colegas de trabalho, pacientes, entre outras pessoas me reafirmando que é possível ser psicólogo e viver o Ideal Tabor entre tantas outras coisas que o Movimento, Deus e Maria me ensinaram e me ensinam até hoje.

 

Estar em missão

E quando penso em tudo que escrevo, afirmo mais uma vez que a Psicologia e Schoenstatt/Tabor andam lado a lado. Isso pelo simples fato de nada ser maior ou menor em minha vida, mas sim de terem seus valores e espaços dentro de mim, de poder olhar para cada aspecto da minha vida e ver uma verdade, mas não qualquer verdade e, sim, a minha verdade. Falo isso não em caráter egoísta, porém entendendo que quando me encontro como pessoa, posso ser eu, seja no consultório, seja com minha esposa, com meus amigos, com meus familiares, no Movimento, nas missas, independente de lugares e de pessoas, da mesma forma que Jesus na Transfiguração mostrou aos discípulos o seu verdadeiro rosto.

Schoenstatt me ensinou muito a ser um homem novo, livre, independente, forte, mas, também, educado, pensante, respeitoso a tudo e a todos à minha volta. Sendo assim, creio que a Psicologia veio para continuar meu trabalho como pessoa e profissional; digo isso pois, quando estou atendendo em meu consultório, me dou conta que posso ser verdadeiramente eu naquela sala. Poder observar e ouvir histórias de vida, saber respeitar cada aspecto da pessoa, me ajuda a lembrar que também devo me respeitar e que nesses momentos me encontro novamente. E mais uma vez consigo ser verdadeiro, em outras palavras, acredito que até consiga levar a imagem de Cristo e de Maria aos meus pacientes, sem ao menos citar Jesus e sua Mãe.

 

Autoconhecimento é fundamental

E cá estou eu novamente me dando conta de mais um aspecto quando escrevo tudo isso: em Schoenstatt sempre ouvi o nome do Pe. Kentenich; na Psicologia, sempre ouvi o nome de Carl Rogers. Ao parar para pensar, constato que eles também tinham essa verdade dentro deles, ou seja, de pessoas que sabiam o que queriam, porém respeitavam a cada um e a cada momento a sua volta, ao ensinar e aprender ao mesmo tempo. Jamais me comparo a eles, mas digo que talvez o “caminho certo” seja esse, nos encontrarmos como pessoas, entender quem somos nós e o que queremos levar aos outros, não só em aspectos físicos como também em sentimentos, sermos convictos de nossas experiências e crenças. É fato que nesse tempo de pandemia, o que mais tenho visto são pessoas adoecendo por não saberem quem são, por não confiarem nelas mesmas e, assim (como ouvi muito na minha época de Jumas), simplesmente ser mais um, ser massificado, ou até mesmo ser morno.

Tenho pensado como a pandemia tem feito, querendo ou não, estarmos mais íntimos de nós mesmos. Isso pode soar como algo ruim, porém, pode ser um tempo para você! Por isso, olhe-se, pergunte-se, busque saber quem é você, se pergunte do que gosta ou não, seja verdadeiro consigo mesmo. Ser verdadeiro facilita receber e doar amor, com você, com o próximo, com Deus e Maria, o que nos ajuda a nos cuidarmos e vivermos bem, ainda mais no tempo que vivemos. Para terminar, peço (com letras maiúsculas): NÃO ESQUEÇA DE VOCÊ! Deixo aqui meu sincero abraço a cada leitor!

Foto destacada: Jessy Bermeo, via cathopic.com

Testemunho sobre o Pai e Fundador: Maria Elilaides Taschetto

No dia 15 de cada mês a Família de Schoenstatt recorda o dia do falecimento do seu Fundador, o Padre José Kentenich, ocorrida num domingo, 15 de setembro de 1968, logo após ele ter presidido a Santa Missa na igreja da Santíssima Trindade, em Schoenstatt/Alemanha.

Neste mês, temos o testemunho da Sra Maria Elilaides Taschetto, da Liga de Mãe de Schoenstatt de Santa Maria e do círculo dos Guardas Orantes do Santuário Tabor.

Este testemunho foi gravado durante o Congresso dos Amigos do Padre José Kentenich, sem setembro de 2020.[vc_video link=”https://youtu.be/d2-9u97-i0g” el_width=”90″ align=”center”]

A Consagração à Mãe de Deus em nossa vida

Daniel e Miriam Bueno – Hoje é dia 12 de abril, lembramos com gratidão do dia em que Catarina Kentenich consagrou seu pequeno José aos cuidados da Mãe de Deus. Mais tarde o próprio Pe. José Kentenich reconheceu que tudo o que aconteceu em sua vida, e por consequência a Obra de Schoenstatt, é resultado dessa entrega.

Somos Daniel e Miriam, casados há 16 anos e pais de três filhas. Quando nos conhecemos, uma das grandes descobertas foi a de que, quando pequenos, ambos fomos consagrados à Nossa Senhora no Santuário de Schoenstatt. Temos imensa gratidão aos nossos pais por essa entrega e também à Ir. M. Marlenis Hoppe que conduziu nossas consagrações no Santuário de Atibaia/SP. Descobrir que tivemos em comum as brincadeiras, picnics no jardim do Santuário, e a consagração em nossa primeira infância sempre nos deu alegria e a segurança de que a Mãe de Deus tem cuidado de nós e dos planos de Deus para a nossa vida desde o início.

A Mãe de Deus assume a responsabilidade e os cuidados de cada filho que a Ela é consagrado. Seu amor por nós é sem limites e a misericórdia de Deus em nossas vidas se torna mais evidente quando ao coração da Dela somos confiados.

Desde menina a Miriam, seguindo os conselhos de sua mãe, consagrava seu ventre a Nossa Senhora para que ela cuidasse dos filhos que um dia viriam. Também, em cada primeiro sinal de gestação consagramos nossos filhos à Mãe de Deus, entregando-os a Ela desde o começo. Todos eles pertencem à Mãe.

Depois do nascimento, levamos cada uma de nossas filhas ao Santuário e, por meio de uma oração particular de consagração, entregamos cada uma aos cuidados de nossa Rainha. Pedimos a Ela que assuma o cuidado de nossas filhas, mas também que nos eduque e nos dê as graças que mais precisamos na condução e nos cuidados paternais.

Não podemos estar sempre presentes para proteger os nossos filhos dos males e perigos que a vida traz, mesmo porque muitos desses perigos nós nem enxergamos. Consagrá-los à Mãe de Deus nos dá a certeza de que Ela cuida não somente dos perigos físicos, mas também dos perigos espirituais e culturais. Ela, através do ato de consagração, se torna a educadora de nossas vidas.

Hoje podemos entender a convicção de nosso Pai e Fundador, de que tudo é resposta da primeira consagração. Ao olhar tudo o que nos aconteceu e tantas graças de Deus em nossas vidas e nas vidas de nossas filhas, temos a certeza: Tudo é fruto daquela pequena consagração a Maria. Ela realizou e realizará muitos milagres na vida de seus filhos. Ela é a nossa Mãe e educadora.

Fonte: schoenstatt.org.br

Como vive um Padre de Schoenstatt Eremita?

Para muitos de nós, viver o período de isolamento social requer sacrifício e entrega. Já certas pessoas, por vocação ao chamado de Deus, buscam a solidão e o silêncio quase que em tempo integral: esse é o caso dos eremitas, um caminho de vida tão antigo e peculiar na vida da Igreja.

Em nosso Movimento Apostólico de Schoenstatt, pelo menos duas comunidades têm eremitas entre seus membros, é o caso das Irmãs de Maria (veja o relato aqui) e dos Padres de Schoenstatt. Atualmente três sacerdotes e um leigo compõem o círculo de eremitas no Instituto dos Padres de Schoenstatt. Eles não vivem totalmente isolados, já que pertencem a uma comunidade de vida e, justamente por isso, o âmbito comunitário também faz parte de sua vocação, mas vivem uma realidade muito diferente dos demais membros, como nos explica um deles:

 

Sou Pe. Agustín Alvarez, de Santiago/Chile, tenho 60 anos e em 2021 completarei 28 anos de sacerdócio. Desses, 23 anos foram dedicados à adoração, na comunidade dos Padres de Schoenstatt.

Um pouco da história da Adoração

A corrente de Adoração nasce, em Schoenstatt, na comunidade das Irmãs de Maria, junto ao Santuário Original, um pouco depois da fundação deste Instituto. As Irmãs Adoradoras se dedicaram a estar presentes no Santuário, a guardar o Santíssimo e, quando se deslocaram para o Monte Schoenstatt e construíram a Igreja da Adoração e a casa das adoradoras, também construíram Ermidas, quatro Ermidas para Irmãs que queriam seguir uma vida como eremitas.

Os primeiros Padres de Schoenstatt Eremitas

Na comunidade dos Padres de Schoenstatt, o círculo dos adoradores surge no tempo da construção do Santuário Sião, em Schoenstatt, no ano de 1970. Junto ao Santuário, os primeiros Padres da Adoração construíram uma cabana na qual viveram por sete anos, se me recordo bem, até que construíram sua casa, também junto ao Santuário.

E, dentro dos Padres da Adoração, nascem os eremitas. O primeiro foi um dos nossos padres alemães, o Pe. Wolfgang Gürth. No ano de 1987, ele começou a realizar seu sonho que era levar a vida de eremita, como Padre de Schoenstatt, no Monte Sião (local, em Schoenstatt, onde fica a casa central do Instituto). E ele vive justamente em meio ao bosque, cerca de 10 ou 15 minutos caminhando a partir do Santuário.

Eu fui o próximo que o seguiu. Cheguei ao Monte Sião há dois anos e estou vivendo como eremita. O que caracteriza a vida dos Padres da Adoração, eu diria, é o silêncio, a solidão e também viver isso em comunidade. E esta forma de viver corresponde à realização de um anseio que alguém leva no coração e que podemos chamar, então, de vocação.

Já a vida dos eremitas é caracterizada por tudo o que mencionei sobre os Padres da Adoração, só que a vida comunitária é muito menor. Nós passamos a maior parte do dia em solidão. O trabalho, as refeições, as leituras, as orações, as liturgias nós fazemos sós, cada um em sua ermida e eu, que estou aqui na casa paterna, em uma ala separada.

Qual o sentido da nossa solidão?

E o sentido dessa solidão é poder acentuar justamente a busca de estar na presença de Deus, de buscar sua companhia e crer que esse estilo de vida é nossa entrega ao Capital de Graças por nossa Família e pela Igreja. Nossa vida não se explica sem a fé. Nós não produzimos nada que seja visível, mas nossa fé nos diz que tudo o que fazemos, se fazemos com esse selo de amor que é o nosso Capital de Graças, tem uma repercussão imensa nos planos de Deus.

Nosso Pai e Fundador, quando esteve em Dachau, teve contato com monges gregos do Monte Atos. Ali ele conheceu a vida eremítica e teve conversas com eles. Desde esse momento de encontro com os monges, o Pai se deu conta que também essa vida haveria de ter um lugar em nossa Família. Depois de Dachau, quando ele começa com as suas viagens internacionais, não se cansa de mencionar sobre a vida eremítica como algo possível em nossa Família. Quando esteve no Brasil, ele também falou sobre a vida eremítica. Ele queria, como um semeador, espalhar essa semente nos diversos países e ver se, em algum lugar, essa semente poderia crescer.

Essas sementes, todavia, estão por aí e acreditamos que no momento adequado e propício elas vão germinar. De toda forma, até o último momento de sua vida, para o Pai tanto a adoração como a vida eremítica eram muito apreciadas e importantes. E, por isso, confiamos que também do céu ele intercede para que esta vida possa crescer cada vez mais em nossa Família de Schoenstatt.

Uma pequena apresentação dos quatro eremitas que somos:

O Pe. Wolfgang Gürth começou como eremita no ano de 1987, em uma cabana no bosque, próximo ao Santuário de Sião. Ali ele vive os cinco dias da semana sozinho e outros dois ele compartilha com os Padres da Adoração.
Em sua vida cotidiana ele tem que preocupar-se da lenha para o inverno, já que na Alemanha o inverno é muito rigoroso, então grande parte de seu trabalho é cortar lenha. Ele também cria abelhas, que produzem mel, o que é também uma contribuição para os Padres da Adoração.

 O Pe. Klaus Krenz trabalhou muitos anos em um hospital em Berlim, na Alemanha Oriental. E, ao aposentar-se, quis começar uma vida eremítica na cidade, ele é um eremita urbano. Ele vive, então, em um pequeno apartamento, em um bairro retirado de Berlim, bastante tranquilo, e ali vive uma vida de oração, de silêncio e busca especialmente levar as intenções que lhe confiam as pessoas que vivem nessa cidade, nesse bairro, também nos hospitais.

 Depois tem eu, Pe. Agustín Alvarez, que comecei como Padre da Adoração no ano de 1998, na Argentina, depois segui no Chile e depois aqui em Schoenstatt. Eu me dedico, quanto ao meu trabalho, especialmente ao cuidado do Santuário, também da nossa casa paterna e dos jardins ao redor.

O quarto eremita é um leigo e não pertence à comunidade dos Padres de Schoenstatt, está unicamente ligado a nós. Ele foi Irmão Trapista por vários anos, se retirou e chegou aqui ao Monte Sião. Já faz 8 anos que vive aqui. Ele traz uma grande contribuição para o cuidado e a assistência dos padres idosos. Ele também se dedica à criação de abelhas.

Nós três que vivemos aqui no Monte Sião temos dois encontros na semana, um encontro de estudo e outro para compartilhar a hora do café, de forma mais espontânea e relaxada, que termina sempre com a adoração no Santuário.

 

Curiosidade: O Pe. Agustín, antes de ser eremita, compôs algumas canções conhecidas em nosso Movimento, ouça abaixo:

 

 

 

Foto: schvivo.com

Fonte: schoenstatt.org.br

Como a Covid me ajudou a desenvolver a confiança filial

Marilsa Liviero Lima – Sou profissional da saúde e trabalho em um hospital que é referência para o Covid-19, em Londrina/PR.

Desde o surgimento dos casos, o medo preencheu meu coração. Medo do vírus, medo de contaminar minha família, medo de deixar meus filhos desamparados, medo de tamanhas complicações que ele pode ocasionar, medo de contaminar meus pais que são idosos e moram no mesmo quintal.

Desde o começo peço proteção à todos (familiares, amigos, irmãos de comunidade…) e pelo fim da pandemia. Mesmo não assistindo noticiário e nem lendo notícias sobre o assunto, tive diversas crises de ansiedade; não conseguia ficar muito tempo na UTI que trabalho (por ser um setor fechado), sendo necessário sair um pouco para “tomar um ar”.

Tive sintomas de gripe em maio e, como é exigido o teste, coletei, mas o exame, com a graça de Deus, veio negativo. E os casos na cidade e região começaram a aumentar; muitos colegas afastados, sobrecarga de trabalho e o coração novamente foi preenchido pelo medo.

Aumentei de forma significativa as orações.

Eis que surgem novos sintomas. Fui tranquila, na certeza de que seria uma gripe forte e confiando que seria negativo, como na outra vez. No raio X me deparo com uma pneumonia importante. Iniciei o tratamento com três antibióticos e anti-inflamatório. Como protocolo, coletei o exame e este foi no dia 18 de agosto (sinal da Providência Divina). Mas, eis a surpresa: detectado Covid-19.

E no momento que recebi o resultado (por email), em nosso Santuário Lar entregamos a situação nas mãos do bom Deus e de nossa Mãe. Sou melancólica, sempre fui pessimista, projeto tudo muito além e normalmente de forma negativa. Sempre me disponibilizo a rezar por todos que me pedem e pelos que sinto que necessitam, mesmo que não me peçam; mas, quando passo por alguma situação difícil, sempre recorro às orações de amigos e irmãos de caminhada, confiando que suas orações serão atendidas, e como se “acreditasse” que as minhas não fossem ser acolhidas por Deus.

E quando me deparei com o teste positivo, fiquei diante do Santuário Lar e disse para a Mãe de Deus que desta vez eu iria confiar cegamente!

Iniciamos, como Curso da União de Famílias, a preparação para a Inscriptio. Sempre fui chorona, medrosa, insegura e prometi diante dEla que desta vez minha confiança seria tão plena que guardaria esta situação como Ela guardava tudo em seu coração. E repetia para Ela que meu silêncio era minha prova de confiança.

Minha vontade era contar para todos, para que rezassem por nós, mas nestas horas entregava meu silêncio como Carta Branca, fazia minha entrega pessoal e entregava a minha família aos cuidados dEla e ao amor do bom Deus. E rezava sempre o trecho do Rumo ao céu (398 a 400) que particularmente é muito marcante em minha vida e em meu Ideal Pessoal e a Oração de canonização de nosso Pai. E mantivemos a situação entre a família e duas pessoas muito íntimas.

Normalmente rezo muito, mas admito que neste período aumentei de forma significativa minhas orações. Mas posso afirmar que senti verdadeiramente o cuidado da Mater e o amor de Deus Pai sobre nossas vidas. Quando os dias foram passando e os sintomas permaneciam leves, senti que as orações foram ouvidas, constatei a força da oração e o poder da Mãe no Santuário Lar. Foi uma luta pessoal. Rezamos muito também pelos que conhecemos e que estão passando pela mesma situação, porque somente quem passa consegue entender; pois, mesmo diante de sintomas leves, o medo é devastador.

Foi uma grande luta, mas uma vitória pessoal e, sem dúvida, uma vitória visível da Mater. Ainda estou em recuperação, mas bem melhor. Retornei ao trabalho. Mantivemos rigorosamente o isolamento e, graças ao bom Deus, meus pais e minha família não tiveram sintomas.

Agradeço ao bom Deus que tem o leme nas mãos e em cujo amor estamos abrigados;

Agradeço à Mater por ter o cuidado perfeito e nos conceder esta graça; ao nosso Pai e Fundador que do céu intercede por seus filhos. E a todos que rezam um pelos outros.

O bom Deus foi misericordioso conosco e agora, mais do que nunca, meu coração sentiu o cuidado pessoal do bom Deus sobre minha vida e de minha família.

Como dizia nosso Pai: “A medida da confiança é a proporção em que nossos pedidos são atendidos”

E quando ouço as pessoas dizerem: “Eu venci o Covid!” Eu penso: Eu recebi a graça de ter o Covid vencido pelo poder do bom Deus e a intercessão da MTA. Como dizia o querido amigo Pe. Ottomar Schneider: “Ela foi soberana em seu gloria!”

Fonte: schoenstatt.org.br

“Coloquei todo o apostolado no Capital de Graças para viver a Aliança de Amor”

Neste domingo, temos a alegria de partilhar o testemunho da nossa amiga, Thaiana, da Jufem de Santo Ângelo, que muitas vezes colabora com as matérias sobre a Família de Schoenstatt de Santo Ângelo para este site:

Me chamo Thaiana de Siqueira Dias, tenho 25 anos e o que mais me motivou entrar na Jufem foi a proximidade que eu senti com a Mãe e Rainha desde meu primeiro encontro na Tenda Jovem. O amor de Maria me encantou e que me fez mergulhar em Schoenstatt.

Eu recebi o convite para participar da Jufem da minha catequista de crisma, aos meus 14 anos e sou muito grata por este convite, pois transformou minha vida. A partir da entrada em Schoenstatt pude perceber o mar de graças que a cada dia recebemos e o quanto Deus fez, faz e sempre fará por cada um de seus filhos e filhas. Nesse caminho, faz 8 anos que selei a Aliança de Amor no Santuário Tupãcyrendá em Santo Ângelo/RS.

Assim, vivenciei muitos momentos marcantes dentro da Jufem. Alguns desses são o meu primeiro retiro da Tenda Jovem em 2010 – que me fez ingressar na Jufem, a Aliança de Amor em 2012, o Encontro Nacional da Jufem em 2015 e agora a preparação para o Santuário Lar.

Nessa trajetória junto à Schoenstatt, o Capital de Graças é essencial para que eu possa viver a autoeducação como filha de Deus. Ele é muito importante na minha vida e me ajuda em todas as situações, ao deixar aos cuidados de Jesus, por meio de Maria, a entrega do meu oferecimento, pedido e agradecimento. Eu realmente me entrego na confiança Divina, o que não é querer que Deus faça a minha vontade, mas é confiar que Ele fará o melhor, fará o que precisa ser feito na minha vida.

Por exemplo, eu sempre fui muito tímida, ocultava meus dons, principalmente quando se tratava de falar ou cantar. Porém, por meio do Capital de Graças, aprendi a colocar o canto, a fala, enfim, todo o apostolado para viver a Aliança de Amor. A música sempre me encantou e até cheguei a realizar um ano de estudos no coral, mas nada individual. Em Schoenstatt esse dom foi trabalhado e a Mãe de Deus me encorajou e me deixou livre e feliz em servir nesse apostolado. Aproximadamente há cinco anos que canto nas Missas, encontros e onde Deus me chamar.

Essa timidez para me comunicar eu já superei. Fui dirigente de grupo, dirigente de formação de coroinhas, catequista e inclusive Presidente do Conselho da Família de Schoenstatt local. Como consegui? Pura obra e graça da Mãe de Deus para a glória de seu Filho Jesus! Deus faz o impossível se tornar possível em nossa vida. Sou muito grata por essas graças e tantas outras que eu e também meus familiares receberam.

Outro momento de entrega ao Capital de Graças foi em relação a minha vocação. Foram muitas orações e oferecimento a Mãe Rainha e a Deus para discerni-la. Nesse trajeto, o ano de 2018 foi também um ano de graças, pois, celebrávamos os 50 anos da Páscoa de nosso fundador e conheci meu “José”. Eu não esperava ser naquele ano (aliás, não queria que fosse) mas, Deus é dono do tempo e ao final do ano, nas vésperas do Natal, iniciou nosso namoro. Neste ano de 2021 estamos nos preparando para o matrimônio. Como nos conhecemos pessoalmente no Santuário, fizemos uma quaresma da oração de canonização do Padre Kentenich para discernir o nosso SIM. Atualmente, faz dois anos e dois meses que namoramos e nosso matrimônio será em 18 de setembro.

Em tantas conquistas, reafirmo ao dizer que Schoenstatt é um Movimento da Igreja Católica muito lindo, não me imagino sem estar nele, sou muito grata por tudo que aprendo e que posso transmitir através dessa família tão querida. “Amar a Schoenstatt, viver em Schoenstatt, anunciar Schoenstatt, meu mundo!”.

Quando tenho uma alegria é para o Capital de Graças, uma angústia é para o Capital de Graças, um agradecimento é para o Capital de Graças, é tudo para ele! E é tão bom saber que este Capital de Graças nos faz contribuir para que Maria derrame suas graças sobre tantas outras pessoas.

Concluo com esta linda música/meditação: “Para o Capital de Graças de teu Santuário Mãe, faz que jorre para o mundo sua luz e amor também.”

Fonte: jufem.com.br

 

O coordenador da Ala Covid-19 e a Aliança de Amor

 

Gabriel Afonso Dutra Kreling – O ano de 2020 ficará marcado na história. A grande pandemia do novo coronavírus foi motivo de inúmeros desafios, uma vez que a situação teve potencial de desequilibrar o macrocosmo (Mundo exterior, meio comum) e o microcosmo (Mundo interior, individual).

Chamo-me Gabriel, selei minha Aliança de Amor no Santuário Esmagadora da Serpente, em Londrina/PR, meus pais são da União de Famílias. Eu e minha esposa, Carina, moramos em Cascavel, no Paraná, onde atuo como médico. Neste ano, tive o maior desafio profissional da minha vida: ser coordenador da Ala Covid-19 do maior hospital público do oeste do Paraná, o Hospital Universitário de Cascavel.

Medo, insegurança, desespero, saudade, angústia, incerteza, solidão foram alguns dos sentimentos que vivi. Medo de morrer, medo de adoecer, medo de levar a doença para as pessoas que amo, medo de não conseguir salvar todas as pessoas que dependeriam dos meus cuidados e dos cuidados da minha equipe. Chamavam-nos de super-heróis, mas nunca tive superpoderes para passar imune a todos esses sentimentos; eu era apenas alguém capacitado para cuidar de pessoas que havia sido chamado ao trabalho.

Para passar por isso, pude contar com o apoio incondicional da minha esposa e dos meus familiares, mas, sem dúvida, a Aliança de Amor teve papel fundamental em tudo. Vinha à minha mente a imagem da geração fundadora, que no início da juventude foi convocada para a Guerra, dando um sim confiante à Mãe, estando preparada ou não para o que viria. Tenho certeza de que eles também tiveram medos, mas a presença real de Maria os fazia seguir. Também não tinham superpoderes, mas hoje são considerados nossos “Heróis de Schoenstatt”. Essa presença real da Mãe foi um dos grandes motivos que me manteve diariamente.

Muitas vezes, não tinha a profundidade necessária para uma oração. Meus pensamentos se voltavam para os pacientes, para a minha equipe, para os problemas estruturais. Eu tentava, mas não conseguia, estava além da minha capacidade humana. A solução que eu encontrei foi parar na frente da imagem da Mãe da minha casa antes de sair e dizer: “desculpe-me, eu não consigo rezar. Cuida de tudo, cubra-me com o seu manto de proteção. ‘Jesus manso e humilde de coração, fazei o meu coração semelhante ao Vosso’”. Essa era a minha oração diária, a única forma que tinha de focar meus pensamentos por um pequeno momento. Neste ponto, gostaria de agradecer ao Pe. Vitor Possetti, que foi um grande amigo na condução da minha vida espiritual.

Outra forma de me sentir protegido era pedir para que as pessoas rezassem por mim – meus pais e avós, meus sogros, minha esposa, meus irmãos. Nas ligações para os familiares, diariamente, não era infrequente ouvir: “estamos rezando por vocês.” Minha resposta sempre foi: “muito obrigado, estamos contado com isso, por favor continue”. Dessa forma podia, principalmente nos momentos mais frágeis, sentir a presença e o cuidado da Mãe e de Deus Misericordioso.

 

Várias foram as situações, mas vou relatar uma em especial. Durante a quaresma, estava em um plantão noturno em uma UTI de um hospital da cidade, não havia mais leitos para COVID-19 naquele hospital e, caso fosse necessário, teríamos que tirar leitos “não-Covid” para os pacientes. Além disso, nesta mesma noite a UTI do HU também lotou e existia pressão política para a abertura de mais leitos, que não podiam ser abertos do “dia para a noite”, não tínhamos equipe, não tínhamos equipamentos. Neste momento, fui para o quarto de descanso e chorei, sentei na cama e não sabia o que fazer, o peso era grande, a responsabilidade enorme. Respirei fundo, apaguei a luz do quarto, coloquei o fone de ouvidos e escutei a música “Na Tua Misericórdia”, parei por quatro minutos e meio, esqueci de tudo. Abri os olhos e me veio a frase: “é vontade de Deus, por isso silencia” (Pe. José Kentenich), lavei meu rosto e voltei ao plantão. No outro dia, tinha motivo e sentido para seguir e tentar viabilizar o melhor que podia fazer. Repeti algumas vezes essa frase, respirando fundo para buscar forças para continuar.

Com esse grande desafio, pude sentir a Aliança de Amor de forma concreta, na minha pequenez espiritual pude viver o “Nada sem Vós, nada sem nós”. Eu entregando meu sofrimento, meu trabalho, minhas capacidades e minhas incapacidades, tentando diariamente fazer o “ordinário extraordinariamente bem”, com medo, às vezes como uma criança, olhando para a Mãe e tendo a certeza de que Ela estava fazendo a parte dEla. Além disso, meu Ideal Pessoal nunca esteve tão presente nos meus pensamentos, a vivência diária de algo próximo ao ideal pessoal me fez sentir a plenitude de ser que nunca havia percebido: buscar viver meu ideal pessoal em meio ao sofrimento, em meio aos desafios me fez encontrar sentido à minha existência, à minha vida.

O exemplo da trajetória do Movimento de Schoenstatt e de nossa Mãe, Rainha e Vencedora, que se fez presente no Santuário por meio do Capital de Graças, vínculos que foram fortalecidos em meio as duas grandes Guerras. Desta forma, pude entender esse período da minha vida como um chamado, como um pedido de Deus para mim. E a exemplo de Maria, não tinha outra opção senão dar o meu “sim”. Nos momentos de sofrimento, pude imaginar Maria aos pés da Cruz: presente, forte, Mãe e filha ao mesmo tempo, em silêncio, contemplando o Amor de Deus e a vontade de Deus para a vida de seu Filho muito amado.

Fiz este texto no tempo do pretérito (passado), mas a Pandemia continua. Vamos nos cuidar, vamos cuidar dos outros. A responsabilidade social é um imperativo do tempo, nos autoeduquemos para isso! Que a Mãe de Deus interceda por todas as famílias que perderam seus entes queridos, pelas almas dos que se foram e por todos que de alguma forma sofreram, sofrem ou sofrerão por consequência da pandemia.

 

Fotos: Hospital Universitário do Oeste do Paraná – HUOP

Fonte: schoenstatt.org.br