Não só encontrei um Pai, mas o meu Pai

Às vezes, custa um pouco entender a vinculação que a Família de Schoenstatt vive com seu Fundador, o Pe. José Kentenich. Mas, com o passar do tempo, essa vinculação se torna natural, como fruto do Espírito Santo dado a esse carisma. Sobre isso, a dirigente da Juventude Feminina de Schoenstatt (Jufem) na Diocese de Garanhuns/PE, Bárbara Rafaela Bezerra Rodrigues de Mélo, nos conta sobre sua experiência:

Não se ama aquilo que não se conhece…

É comum que questionemos algo quando nos incomoda. E foi assim que aconteceu comigo. No início de 2014, comecei a questionar sobre algumas características do Movimento Apostólico de Schoenstatt, especialmente a vinculação ao Fundador, ousei até questionar sobre a Mãe de Deus. Com isso, fui falar com a minha assessora, Ir. M. Eliane Cunha, que pode me conduzir corretamente sobre essas questões.

Eu não entendia, eu não aceitava

Primeiro, fiquei a questionar: Por que o Pe. Kentenich só escrevia livros sobre Maria? Até parecia que o foco dele não era Deus Pai e sim Maria. Isso já me fazia não gostar dele. Só que, quando levei esse argumento para minha assessora, ela me veio com o livro “Cristo Minha Vida” (depois, quando busquei conhecer mais sobre a Literatura Schoenstattiana, vi que existe uma infinidade de livros do Pe. Kentenich que não falam apenas sobre Maria). Porém, ainda assim eu resistia e não conseguia gostar do Fundador. Foi aí que comecei a questionar essa vinculação ao Pai e Fundador que todo o Movimento tem. Eu não entendia, eu não aceitava… O que restava era questionar! Então, novamente fui até minha assessora e disse que não entendia e achava muito estranho esse relacionamento que tinham com ele, que achava exagerado, até porque ele já morreu.

Na época, o que mais incomodou foi saber que o nome do nosso Encontro Internacional da Jufem e todas as vivências eram “Cor unum in Patre”. Tinha ele, ah isso me deixou muito irritada! Eu não aceitava de jeito nenhum, ficava o tempo inteiro pensando: “Mas é claro que é Deus Pai!”. E a Ir. M. Eliane dizia: “Não apenas Ele, mas também o Pai e Fundador”. E aí, para piorar, ela me disse que o ideal nacional da Jufem, “Lírio do Pai, Tabor para mundo”, também era sobre o Fundador, que ele estava incluso. Eu nunca tinha me dado conta disso e foi muito doloroso para mim: o ideal da minha vida tem uma pessoa que não gosto, foi decepcionante.

O caminho de Deus para oferecer um pai

E a Irmã percebeu isso, o quanto eu não gostava dele, o quanto resistia, o quanto eu não queria saber sobre ele. Nesse período, ela me disse coisas que me marcaram profundamente, lembro especialmente dessas: “Bárbara, o Pai e Fundador não está morto para nós que fazemos parte do Movimento Apostólico de Schoenstatt, mas ele é um Pai para muitos! Eu sei que tu não tens uma figura paterna, mas muitas meninas que também não têm uma figura paterna se deixaram conquistar pelo nosso Pai e Fundador”. O mais impressionante foi que eu nunca tinha sequer comentado sobre essa questão familiar, que os meus pais são separados desde o meu primeiro ano de idade, então nunca tive a presença paterna e, por isso, resistia ao vínculo com o Pai e Fundador.

Eu não sabia o que era pai, o que era ter um pai, então achava estranha essa vinculação com o Pe. Kentenich. Mas, após essa conversa, eu me deixei conduzir pelo Bom Deus a construir uma vinculação com o Pai e Fundador.

Por meio do Fundador, aproximei-me de Deus Pai

Busquei conhecer a vida dele e, nesse mesmo tempo, fui presenteada com a novena “Anseio de viver”. Ela era tudo o que eu precisava para começar esse relacionamento de Pai e filha. Por essa novena, eu pude sentir aquilo que antes eu achava estranho e resistia. Eu começava a ver o Pe. José Kentenich como amigo e, no final da novena, eu já tinha me “rendido”, tinha encontrado um pai, aquilo que nunca senti. E o mais especial é que, por meio da pessoa dele, eu pude me aproximar de Deus Pai. Sim, por meio do Pai e Fundador eu vi Deus Pai, pois (para mim) ele é o mais fiel reflexo do Bom Deus!

É bem real aquela frase: “Não se ama aquilo que não se conhece”. Precisamos conhecer para amar, precisamos nos abrir a essa realidade de que não temos apenas um Fundador, mas temos um Pai, que podemos contar com ele a todo instante, mesmo que seja para encontrar algum singelo objeto perdido. Sim, o Pai e Fundador é ótimo nessas pequenas coisas também!

…mas se eterniza aquilo que se ama.

Assim como a Ir. M. Petra [Schnuerer] foi em busca de um Fundador e encontrou um Pai, eu também fui em busca de um Fundador, mas não simplesmente encontrei um Pai, mas encontrei o MEU PAI, e nesse momento eu havia compreendido o plano de amor de Deus em minha vida, dar-me o Pe. Kentenich como Pai foi o melhor e o maior presente. Ontem eu não gostava nem um pouco dele, hoje, ele tem um lugar especial no meu Santuário Lar e um lugar único no meu coração.

Fotos: Arquivo pessoal

Fonte: Schoenstatt.org.br

Sendo ‘sal da terra e luz do mundo’ na delegacia

O Ano dos Leigos reforça o compromisso de ser sal e luz em todos os ambientes, incluindo o dia a dia profissional. É, de fato, uma missão desafiadora e inquietante, que pode se tornar ainda mais ousada dentro de um cenário de violência e dor, como é o caso de uma delegacia de polícia. Em meio a esse ambiente de dificuldades diárias, Joelma Melo encontra brechas para transmitir o amor de Deus. Ela pertence à União Apostólica Feminina de Schoenstatt e nos conta:

Ser sal da terra e luz do mundo! Sou Policial Civil no Rio de Janeiro, onde exerço a função de Inspetor de Polícia (antes denominado detetive) em uma delegacia distrital. Trabalho no plantão, atendendo todas as pessoas que procuram a delegacia, tanto para denunciar um crime, pedir informações, orientações, relatar perda de documentos, etc.

Logo que assumo o plantão, coloco meu pequeno Santuário ao meu lado (uma bíblia, a imagem da MTA, a Cruz da Unidade, o “Telefoninho” do Pai e Fundador e meu terço). Nesse momento me coloco à disposição da Mãe e digo, “Mãe, estou aqui, envia-me todos os que deseja que eu atenda e faça de mim seu instrumento”.

Cada plantão é uma surpresa, um desafio. Muitas vezes não sei o que dizer. O que falar para meninas que relatam terem sido violentadas sexualmente por um familiar, como pai ou avô, que deveriam protegê-las? O que falar para confortar aqueles que perderam filhos vítimas de homicídio ou acidentes de trânsito? Como explicar às vítimas de estelionato que será muito difícil recuperar a economia de uma vida inteira, perdida em um golpe? Como orientar o jovem que foi preso por envolvimento com tráfico, onde a família é totalmente desestruturada e o renega?

Algumas vezes, apenas pequenos gestos, feitos com amor e sinceridade, podem ser suficientes para acalmar ou confortar, como segurar a mão, olhar nos olhos e dizer: “Estou aqui, conte comigo, vou te ajudar!” Então é isso que digo.

Tenho balas, lápis de cor, pequenos brinquedos no meu armário. Não é a instituição que me orientou a agir assim, tanto que sou a única na delegacia que tem essas coisas. Faço assim por que é meu dever como cristã, como consagrada: tratar o outro como gostaríamos de ser tratados é o mínimo que cada cristão pode fazer. Também porque sou Servidora Pública, ou seja, estou nessa função para servir! Sinto-me feliz quando penso que Deus Pai e minha Mãezinha dizem no meu coração “Essa é minha filha querida” e então sinto que causo alegria a eles.

Procuro sempre buscar soluções que vão além do trabalho policial, da investigação, como, por exemplo, encaminhar alguns casos para uma amiga assistente social ou para um psicólogo, ou até mesmo para um médico. Aconselhar a voltar para a escola, a aperfeiçoar-se na profissão. Fazer de cada atendimento uma oportunidade de ser diferente, de ser um feixe de luz em um momento de escuridão. De ser sal da terra e luz no mundo.

Sempre que percebo uma abertura, falo do quanto é importante a fé, ver a mão de Deus por traz dos acontecimentos. Algumas vezes entrego um cartãozinho com o endereço do Santuário aqui do Rio e faço uma prece no meu coração: “Mãe, cuida que essa pessoa te encontre, clarifica-te!”.

Nesses 15 anos como policial, também tive muitos momentos tristes. Quantas vezes voltei para casa com o sentimento de que não fiz o bastante. Que poderia ter falado algo e me calei. Quantas vezes me vi obrigada a calar, por medo. A sofrer com as críticas por ser “boazinha”, “beata”, por não agir com truculência. Por chorar com quem chora. Mas a Mãe tem cuidado de mim com muito carinho. Sempre a tenho por perto. Quando algo me angustia, rezo a Oração da Confiança (Confio em teu poder…). Quando não sei o que falar, rezo intimamente a Oração do Espírito Santo (Espírito Santo, Tu és a alma da minha alma…)

Procuro não perder o vínculo com o sobrenatural. Quando a delegacia está tranquila, ligo a TV às 18 horas, no canal da Canção Nova, para rezar o Terço com o colega de plantão. Domingo, quando consigo, no meu horário para o café da manhã, vou à Missa. Quando isso não é possível, por causa de flagrantes ou presos na delegacia, procuro assistir a Missa pela TV. Tudo para não perder a intimidade com Deus. Isso consegui por meio da influência do Pe. Kentenich. Ele me ensinou a ter liberdade interior. Ele me sustenta no trabalho e em toda minha vida. Na força da Aliança de Amor, consegui chegar até aqui.

Fonte: schoenstatt.org.br