Hoje celebramos São José Operário

 

 

Em 1955, o Papa Pio XII instituiu a festa de “São José Operário” para dar um protetor aos trabalhadores e um sentido cristão à “festa do trabalho”. Uma vez que todas as nações celebram tal festa em 1º de maio, na presença de mais de 200 mil pessoas na Praça de São Pedro, as quais gritavam alegremente: “Viva Cristo trabalhador, vivam os trabalhadores, viva o Papa!”, o Papa deu aos trabalhadores um protetor e modelo: São José, o operário de Nazaré.

Cristocêntrico

A figura de São José, o humilde e grande artesão de Nazaré, orienta para Cristo, Salvador do homem, Filho de Deus, que participou em tudo da condição humana.

A dignidade do trabalho

A Igreja, nesta festa do trabalho, deu um lindo parecer sobre todo esforço humano que gera, dá a luz e faz crescer as obras produzidas pelo homem: “Queremos reafirmar, em forma solene, a dignidade do trabalho, a fim de que inspire, na vida social, as leis da equitativa repartição de direitos e deveres.”

Homem justo

São José, que na Bíblia é reconhecido como um homem justo, é quem revela com sua vida que o Deus que trabalha sem cessar na santificação de Suas obras é o mais desejoso de trabalhos santificados: “Seja qual for o vosso trabalho, fazei-o de boa vontade, como para o Senhor, e não para os homens, cientes de que recebereis do Senhor a herança como recompensa… O Senhor é Cristo” (Col 3,23-24).

Sentido do trabalho

É firmado, antes de tudo, que o trabalho dá ao homem o maravilhoso poder de participar na obra criadora de Deus e de aprimorá-la; que ele possui um autêntico valor humano. O homem moderno tomou consciência desse valor ao reivindicar o respeito aos seus direitos e à sua personalidade.

A Igreja “batiza” a festa do trabalho para proclamar o real valor do trabalho, aprovar e bendizer a ação das classes trabalhadoras na luta que, em alguns países, prosseguem para obter maior justiça e liberdade. Fá-lo também para pedir a todos os fiéis que reflitam sobre os ensinamentos do Magistério eclesiástico nestes últimos anos: Mater et Magistra de João XXIII e Populorum Progressio de Paulo VI, por exemplo.

Centro na Eucaristia

Nesta “festa do trabalho”, sob o patrocínio de São José Operário, reunimo-nos em assembleia eucarística, sinal de salvação, não para pôr a Eucaristia a serviço de um valor natural, mesmo nobilíssimo, mas porque Deus, que trabalhou na criação, na qual colaboram os que se tornaram filhos de Deus, se efetiva principalmente pela Eucaristia. A Eucaristia encontra seu lugar numa festa do trabalho, porque esta revela ao mundo técnico o valor sobrenatural de suas buscas e iniciativas.

Nossa participação na Eucaristia, enquanto nos permite colaborar mais e melhor no trabalho iniciado por Deus para criar o mundo novo, santifica a contribuição que damos ao trabalho humano, ensinando-nos que isso é colaboração com a ação criadora de Deus, e que o verdadeiro objetivo de todo trabalho é a construção do novo Reino.

 

Fonte: Canção Nova

Maio: mês de Maria

Começa hoje o mês de maio, dedicado à nossa querida Mãe do Céu. Em muitas igrejas a imagem de Maria é especialmente ornamentada, se reza o terço, cantam-se cantos marianos.

Por que se celebra maio como o mês de Maria? Este costume começou na Europa, onde maio é o mês da primavera. Desde tempos muito remotos, surgiram cantos especiais para o ‘mês das flores’, enaltecendo a natureza e sua beleza multicor. Também surgiu o costume de escolher entre as jovens uma ‘Rainha da Primavera’. Durante a Idade Média, despertou-se entre os católicos o desejo de louvar no já consagrado ‘mês das flores’ a ‘maior de todas as flores da cristandade: Maria’. Os primeiros registros que se tem história de celebrações marianas de maio são da Alemanha e da Itália.

Embora, no Brasil, o mês de maio não seja o ‘mês das flores’, muito rapidamente ele conquistou o coração do povo brasileiro que, em muitos lugares, costuma enfeitar os altares de Nossa Senhora nas igrejas e levar-lhe muitas flores. Em muitas paróquias mantém-se também o costume de coroar a imagem de Nossa Senhora no última dia de maio.

 

O que o Magistério da Igreja nos diz sobre o mês de maio?

Na liturgia, o tempo mariano por excelência é o Advento e Natal. A piedade popular, no entanto, consagrou o mês de maio. Assim, que o Papa Paulo VI escreveu uma encíclica em abril de 1965 (Mense Maio – ‘O mês de maio’), convidando todos os cristãos do mundo a unirem-se em oração, no mês dedicado a Maria, pedindo pela paz no mundo. A introdução desta encíclica revela o apreço do Papa pela devoção popular a Maria Santíssima. Leiamos com atenção:

 

 

“Ao aproximar-se o mês de Maio, consagrado a Maria Santíssima pelo piedade dos fiéis, o nosso espírito exulta ao pensar no espetáculo comovente de fé e de amor que, dentro em breve, será oferecido em todas as partes da terra em honra à Rainha do céu. Na verdade, é um mês em que, nos templos e nas paredes domésticas, sobe dos corações dos cristãos até Maria a homenagem mais ardente e afetuosa da prece e da veneração. E é também o mês em que mais copiosos e abundantes descem até nós, do seu trono, os dons da misericórdia divina.

Muito nos agrade e consola este piedoso exercício, tão honroso para a Virgem e tão rico de frutos espirituais para o povo cristão. Maria é sempre caminho que leva a Cristo. Nenhum encontro com ela pode deixar de ser encontro com o próprio Cristo. E que outra coisa significa o recurso contínuo a Maria, senão procurar, entre os seus braços, nela, por ela e com ela, Cristo nosso Salvador, a quem os homens, no meio dos desvarios e dos perigos da terra, tem o dever e sentem constante necessidade de dirigir-se, como a (um) porto de salvação e fonte transcendente de vida?”

 

Sugestões para celebrar o mês de maio:

  • Durante o mês de maio, normalmente, estamos no Tempo Pascal, em que recordamos a vida da Igreja logo após a ressurreição do Senhor, à espera do Espírito Santo. Uma boa sugestão é celebrar a novena para Pentecostes como celebração mariana, recordando os apóstolos reunidos – com Maria – implorando a vinda do Espírito Santo.
  • Um costume antigo na Igreja e, às vezes, já esquecido é o de presentear a Mãe de Deus com um ‘ramalhete espiritual’ no mês de maio. Pode-se anota num papel os presentes espirituais que queremos dar a ela: boas obras, atos de caridade, orações… Cada ato é uma ‘flor espiritual’ ofertada no altar de Maria. No final de maio, temos então um ‘ramalhete’,

 

Texto extraído de: Na Escola de Maria 3 – Nossa Senhora no Magistério da Igreja. Sociedade Mãe e Rainha, Santa Maria, 2010, p. 116 e 117.

Hoje: domingo da Divina Misericórdia

Pe. Francisco José Lemes Gonçalves – Vivemos as alegrias do Tempo Pascal, que se estenderá até o Domingo de Pentecostes. Durante este período litúrgico faremos como os Apóstolos, testemunhas credíveis do Ressuscitado, uma grande experiência de fé e também seremos como os Apóstolos, para este nosso tempo, testemunhas credíveis do Crucificado Ressuscitado!

Neste Domingo temos a figura de Tomé que nos ensina:

Primeiro: é na comunidade reunida que se faz a experiência com o Ressuscitado, que nos traz a verdadeira paz. É na comunidade, Igreja reunida – e, nestes tempos de pandemia, pelos meios sociais – que se toca no Senhor e o fazemos na Palavra e na Eucaristia.

Segundo: juntos em comunidade se fortalece a nossa fé e, como Tomé, podemos exclamar: MEU SENHOR E MEU DEUS! Em comunidade não corremos o risco da incredulidade. Juntos, como irmãos, seremos fortes diante dos ventos de ideologias, falsas doutrinas, tendências de um passado que já teve sua importância, tendência ao fechamento às surpresas de Deus. Em comunidade o Crucificado Ressuscitado é o centro da vida!

Terceiro: em comunidade fazemos a experiência da MISERICÓRDIA. Somos perdoados com o amor do Senhor e, mergulhados neste amor, seremos semelhantes ao Coração Misericordioso do Senhor. A Confissão Sacramental deve ser um momento forte de reconciliação com Deus, com a comunidade Igreja na qual professamos a fé batismal e de reparar os danos que o pecado traz ao próximo. O confessionário é lugar da misericórdia e mudança de vida sempre para o alto.

Quarto: na comunidade somos enviados para o mundo de nossas realidades. Feito a experiência do amor do Crucificado Ressuscitado, tocado nele pela Palavra e a Eucaristia, somos suas testemunhas para aqueles que ainda se encontram nas trevas. Somos chamados a ser luz para o nosso ambiente (familiar, trabalho, lazer, esporte) irradiar a nossa fé num Deus que se fez Pessoa Humana e com sua humanidade assumida devolveu-nos a divindade que o pecado quer nos roubar.

Que nossos Santuários de Schoenstatt sejam estes cenáculos onde reunidos  faremos essas experiências de fé com o Crucificado Ressuscitado encarnado no colo da Mãe. Quando nos sintonizamos com os Santuários de Schoenstatt, nossa casa torna-se também um pequeno santuário e, reunidos com a Mãe, seu Divino Filho se colocará no meio de nós trazendo a verdadeira Paz! Um feliz e santo período pascal e com nossa querida Mãe e Rainha e São José, seu esposo, nos preparemos para sermos fortalecidos no Espírito Santo!

 

      Leituras deste domingo:

  • 1ª Leitura – At 4, 32-35
  • Salmo – Sl 117
  • 2ª Leitura – 1Jo 5, 1-6
  • Evangelho – Jo 20, 19-31

“Nem eu te condeno”

 

 

Pe. Francisco José Lemes – Aproxima-se a Festa da Páscoa e a temática deste domingo é a misericórdia, diante da dureza da lei e mais, da dureza dos corações que olham a aparência sem olhar para o interior das pessoas.

Nessa bela página do evangelista São João, Jesus é tentado pelos seus interlocutores que o põe a prova diante da lei e de seu jeito misericordioso e amável para com os pecadores. Trazem diante dele uma mulher flagrada em adultério, lançada à frente dele na mais profunda humilhação. No centro dos olhares duros e dos corações em fúria, ficam Jesus e a mulher. Ele se agacha, com o dedo faz rabiscos ao chão… A mulher, à espera das pedradas, geme interiormente, mas, ao mesmo tempo, sente que está diante de um homem que não quer seus serviços sexuais, um homem diferente de todos que já passaram por sua vida. Serenamente ele se levanta, lança um olhar para todos e dá a sentença, “quem não tiver pecado atire a primeira pedra” – começando pelos mais velhos, um a um vai deixando aquele recinto.

Jesus se vê a sós com a mulher. Um silêncio que a faz rever toda a sua vida, diante daquele que a despediria com uma absolvição que a libertaria da vida que até então levava: “Nem eu te condeno. Vai e não tornes a pecar” (Jo 8, 1-11). Jesus nos dá a lição da misericórdia, que não está para “passar a mão na cabeça”, mas levar a uma mudança de vida. “Vá e não tornes mais a pecar”, eis o desafio dela e de todos os que experimentam a misericórdia de Deus, principalmente no sacramento da Confissão. Tomar a atitude séria de não mais pecar e nem, tampouco, procurar outros pecados. O desafio é “não pecar mais”. Papa Francisco já nos fala que o confessionário não é “lavanderia de pecados”, ou lugar de se ter medo; mas, esse espaço onde eu e a misericórdia nos encontramos, e de onde saímos com um desejo de ser santo como nosso “Deus é santo”.

 

(Foto: Kathleen Peterson, via pinterest.com)

 

Antes de julgar alguém, ou de lhe atirar uma pedra, olhemos para nossa vida, examinemos nossa consciência e nossas atitudes. Desse modo nossas pedras cairão e aí teremos compaixão daqueles que julgamos, desejando a paz que reconcilia, ao dar continuidade na vida com relações mais sadias e envolvidas no amor misericordioso de Jesus – que não nos condena, mas quer uma mudança sincera e reta de nossa vida.

Pe. José Kentenich, diante das dificuldades que lhe foram colocadas para a fundação de uma Congregação Mariana no Seminário Palotino – que mais tarde levaria à fundação de Schoenstatt – não desanimou diante dos que não viam com bons olhos seu novo modo de pedagogia aplicado aos jovens seminaristas. Queriam “atirar-lhe pedras”, mas ele sempre foi fiel à sua “ideia predileta”. Diante dos que o julgavam e o colocavam à prova, sempre acreditou nos planos de Deus e na sua Divina Providência e Misericórdia.

Como Jesus, não condenou aqueles que o queriam condenar, mas amou – como mostra Jesus nesta página do evangelho deste domingo. Nem sempre é fácil amar quem nos quer condenar ou atirar pedras, mas, quando mergulhamos no coração misericordioso de Jesus, somos misericordiosos!

Fonte: schoenstatt.org.br

Da Anunciação ao Tabor: Transfigura a realidade hoje!

Karen Bueno – Todos os dias, a vida pede uma série de pequenas decisões que preenchem nossa rotina: que roupa vestir? O que vou comer (ou preparar) hoje no almoço? Vejo um filme ou durmo mais cedo?

E, certas vezes, é necessário tomar decisões bem maiores: casar ou seguir uma vocação religiosa? Estudar Engenharia ou Física? Ter um filho agora ou esperar mais tempo? Trocar de emprego? Comprar uma casa em parcelas?…

Certo dia, há vários anos, a jovem Maria estava rezando e foi surpreendida pela visita de um Anjo. Naquele momento ela foi colocada justamente numa posição difícil de escolha: ser ou não ser a mãe do filho de Deus?

O momento da Anunciação do Anjo à Maria representa um desses grandes momentos que mudam a vida. Um convite e uma resposta, uma decisão e suas consequências que impactam o mundo para sempre. Uma vivência de Aliança. E também de Tabor!

De Tabor?

Talvez você esteja pensando: “Mas, as passagens do Tabor e da Anunciação são trechos diferentes e separados por anos de distância na vida de Cristo. Qual a relação entre elas?” Se você parar e refletir, por um breve momento, provavelmente vai chegar numa primeira reposta rápida: no texto da Anunciação encontramos, em Maria, o modelo ideal da pessoa transfigurada. Ou seja, podemos aprender, com o sim da Mãe de Deus, a viver o nosso ideal.

O “filho Tabor” é aquele que conhece profundamente o amor do Pai, vive e se alimenta desse amor – e corresponde a ele em sua vida diária. O “filho Tabor” também é consciente que o amor total passa pela cruz e, ao mesmo tempo, só é capaz de assumir essa cruz porque ouviu da boca do Pai: “Este é meu filho amado”.

É isso o que vemos em Maria. Ela se faz inteiramente filha para ser Mãe. Filha heroica que está consciente dos desafios, mas que tem como bússola o amor do Pai: “Não tenhas medo, Maria, porque encontraste graça diante de Deus” (Lc 1, 30). No ‘sim’ da nossa MTA, dado ao Senhor, está seu maior testemunho de filialidade heroica vivida.

O Tabor é o quarto, a sala, a mesa de trabalho… o lugar onde você está!

Na planície da vida diária, o Senhor fala a Maria, ele se faz presente naquele lugar, ele desce e passa a habitar nela. Não havia testemunhas naquele momento, mas certamente que, se alguém estivesse presente, poderia dizer: “Façamos tendas, aqui é bom estar!”

Pe. José Kentenich dizia, na Páscoa de 1962: “Em nome de Deus, ele (o Anjo Gabriel) saudou a Bendita entre todas as mulheres, com a alegre mensagem: Ave, cheia de graça! (Lc 1, 28) Que significa para nós? Maria aparece, de modo evidente, como modelo insuperável do homem novo pascal, da nova criatura em Cristo Jesus” (20 de maio).

O “homem novo” é o filho heroico, transfigurado. É aquele que tem a atitude de Cristo no Monte Tabor, que tem a atitude de Maria na hora da Anunciação.

As pequenas e grandes decisões da vida: um momento de Anunciação

Escolhas fazem parte da vida e trazem uma das realidades mais bonitas que o ser humano possui: a liberdade. E, nessa condição de homens livres, “devemos examinar o nosso dia a dia pelo pulsar de Deus, pois Deus bate à minha porta através da vida diária” [1], diz o Pe. Kentenich.

Não vamos receber a mensagem de um anjo, nem presencialmente, nem via Whatsapp, mas cada acontecimento da vida diária é para nós como que uma “saudações do anjo”, diz o Pe. Kentenich. Por meio de pessoas e situações, Deus nos faz propostas e nos dá a liberdade de responder: “Eis-me aqui”, ou então “Sinto muito”. Essas são também horas de Tabor na vida diária, que somente os que se colocam na presença de Deus conseguem perceber e sentir.

Optar ou não pelo caminho que Deus indica é uma decisão pessoal espontânea e é o que pode imprimir nessas escolhas um “selo de Tabor”. Quais são hoje suas decisões, pequenas e grandes, a tomar? Qual sua resposta?

 

[1] Pe. José Kentenich. Ser Filho Diante de Deus, vol 1

Fonte: schoenstatt.org.br

Anunciação a Maria: um sim que marcou a história

Ir M Rosequiel Fávero – Hoje celebramos a Festa da Anunciação do Senhor, em que recordamos o momento que a Segunda Pessoa da Santíssima Trindade se encarnou no ventre de Maria.

 

Unidade de Jesus e Maria

Na liturgia e na espiritualidade cristã, toda e qualquer referência à Virgem Maria está ligada diretamente ao seu Filho Jesus. Por isso, originariamente, ao menos no Oriente, a festa de 25 de março era considerada uma festa mariana. Nos séculos seguintes a festa foi introduzida também no Ocidente, algumas vezes com referência ao Senhor, outras a Maria, até o Concílio Vaticano II esclarecer definitivamente. De fato, Paulo VI na Exortação apostólica Marialis cultus, de 1974, ao fixar a denominação “Anunciação do Senhor” esclarece que se trata da festa conjunta de Cristo e da sua Mãe.

Na verdade, sendo ou não uma festa mariana, Maria é – sem dúvida – uma protagonista no acontecimento da anunciação, pois Deus se faz depender do sim da ‘pequena Serva de Nazaré’ para a realização de seu plano.

 

O sim crente e obediente de Maria

No momento da Anunciação vemos Maria como a Virgem ouvinte: ela ouve, em silêncio, o anúncio do anjo; deixa que Deus fale e esta palavra entra em seu coração como a chuva penetra em terra fértil. A Anunciação não é um fato isolado na vida de Maria, como se somente neste momento ela tivesse ouvido o Senhor. A Sagrada Escritura registra nas passagens onde Maria aparece, que sua atitude fundamental era ouvir a mensagem de Deus, que lhe falava pelos acontecimentos (o Edito do Rei e a consequente viagem para Belém) e pelas pessoas (Simeão, São José, os pastores, seu próprio Filho). Sua atitude é sempre de acolhida e interiorização, expressa na observação do autor bíblico: “Maria conservava todas estas palavras, meditando-as no seu coração” (Lc 2, 19).

Maria se decide livremente para os planos de Deus. Ela utiliza sua liberdade para comprometer-se com o que constitui a opção fundamental de sua vida: seguir em tudo o plano traçado pelo amor do Pai para a sua vida. Ela é a Virgem obediente que, mesmo quando não entende a vontade de Deus, a abraça inteiramente. O que não impede que ela indague e tente entender como o milagre vai acontecer. Seu consentimento é a realização máxima da liberdade do homem redimido, dado na força da graça divina. É como um eco do ‘Eis-me aqui’ de Jesus do qual fala São Paulo: “Eis por que, ao entrar no mundo, Cristo diz: ‘Não quiseste sacrifício nem oblação, mas me formaste um corpo. Holocaustos e sacrifícios pelo pecado não te agradam. Então eu disse: Eis que venho (porque é de mim que está escrito no rolo do livro), venho, ó Deus, para fazer a tua vontade” (Hb 10, 5-7). Porém, o sim de Maria é também fruto do seu empenho pessoal em decidir-se para Deus e sua vontade. Ela é o modelo dos livres filhos de Deus.

 

Maria, instrumento vivo de Deus na ‘história da aliança’

Com o anúncio do anjo, Maria toma consciência da missão que Deus lhe confiou: o Todo-poderoso a convida a aceitar livre e fielmente a vocação de ser a Mãe do Salvador. Ela intui que o seu ‘faça-se’ não é simplesmente um acontecimento escondido na sua história pessoal, mas o início de uma nova etapa da relação entre Deus e a humanidade. Da sua resposta depende todo o gênero humano.

O acontecimento da Anunciação coloca Maria no centro da história da aliança, onde lhe é pedida sua colaboração livre e incondicional. Deus, que é Onipotente, é fiel a si mesmo e não quer salvar o mundo sem a cooperação humana. Por isso, o ingresso do Deus encarnado no mundo é precedido da livre cooperação de Maria. Sua resposta pronta e generosa faz dela instrumento vivo de Deus na obra da Salvação.

O sim de Maria tem, portanto, uma dimensão individual, pois faz parte da sua vocação e história de vida, que é única, irrepetível. Todavia, tem também uma dimensão comunitária, pois teve consequências para a humanidade inteira. Também é o modelo das nossas relações com Deus. Cada cristão é chamado a viver muitos ‘momentos de anunciação’ em sua vida: ouvir a voz de Deus, decidir-se pelo seu plano e cumprir a sua vontade. A exemplo de Maria e com ela, é chamado a ser instrumento para a construção do Reino do Pai.

 

No Santuário de Schoenstatt: a Mãe e Rainha nos educa a dizer ‘Fiat’ (Faça-se)

A Mãe de Deus continua sua ação em nosso mundo como cooperadora na obra de seu divino Filho. Nós cremos que ela realiza a sua missão hoje, também, pelos Santuários de Schoenstatt, onde, pela Aliança de Amor, educa seus filhos a, com e como ela, dizerem sempre sim aos desejos e à vontade do Pai.

Uma das graças específicas do Santuário é a da transformação interior. Maria, como boa Mãe, é educadora e não descansa até que todos os filhos a ela confiados recebam os traços de seu divino Filho Jesus Cristo. E quem foi mais parecida com Jesus do que sua própria Mãe? Por isso, a Aliança de amor com a Mãe Três Vezes Admirável visa a fazer de cada um que estende as mãos a ela, pequenos reflexos de Maria.

Especialmente a prática de entregar as contribuições para o Capital de Graças nas mãos da Mãe e Rainha, no seu Santuário, nos educa a dizer constantemente nosso ‘Faça-se’ à vontade de Deus. Deus nos envia alegrias? Faça-se a sua vontade! Ele nos prova com a dor? Faça-se a sua vontade! Nossos empreendimentos, apesar de todo esforço e boa-vontade, são um fracasso? Faça-se a sua vontade! Apesar de todo esforço na autoeducação, ainda sofremos tanto com nossas faltas e fraquezas? Faça-se a sua vontade! Tudo colocamos, com alegria, no Capital de Graças! Cada vez que colocamos nossas contribuições nas mãos de nossa querida Mãe e Rainha, vivemos pequenos ‘momentos de anunciação’ em nossa vida.

 

Fotos: 1 (Natthias Stomer, em Wikipedia; Dimitris Vetsikas, em Pixabay; Ir M Lisane Gossler)

 

 

 

 

Por que existe um domingo dedicado ao Tabor na Quaresma?

Karen Bueno – Você provavelmente já notou que todos os anos, durante a Quaresma, um domingo é dedicado à leitura sobre a transfiguração de Jesus. É como se os evangelistas nos pegassem pelas mãos, nos levassem lado a lado até o Tabor, junto com Jesus e os discípulos, para que pudéssemos reviver esse momento tão especial. É uma oportunidade muito bonita para a vida dos cristãos, já no nosso caso, como schoenstattianos, vai além: é uma necessidade!

Ler de novo essa passagem bíblica e redescobrir o mistério do Tabor, que ilumina nosso carisma, faz compreender a missão com mais profundidade e viver o ideal com ousadia e coragem.

O evangelho do Tabor é rico em simbolismos e há alguns motivos especiais que o tornam uma leitura obrigatória na Quaresma. Vejamos dois deles…

 

A vivência do Tabor prepara para a cruz

Você já se perguntou como Jesus, sendo humano, foi capaz de suportar tanta dor e injustiça? Em nossa simplicidade e pequenez, não conseguimos entender tudo de maneira completa, mas sabemos que alguns episódios foram decisivos para o “sim” da cruz. A experiência do Tabor foi um desses momentos fundamentais, onde está o núcleo da força de Jesus.

No alto do monte, Cristo vivenciou a transfiguração como uma antecipação da Páscoa. Lá ele ouviu a frase que desde sempre o fez entregar tudo pela missão: “Este é o meu Filho amado” (Mc 9, 7). É uma frase curta apenas, de poucas letrinhas, mas que tem uma dimensão arrasadora, capaz de transformar a história – a minha e a sua história, a história do mundo todo.

Ser um filho amado: essa vivência fez Jesus enfrentar qualquer desafio, dar tudo de si. E pode nos levar a fazer o mesmo. “Só compreenderemos a vida de Jesus quando soubermos que para ele o mais importante era o amor filial”, diz o Pe. José Kentenich. E acrescenta: “Se eu tiver um grande amor, sei que existe em mim uma alegre prontidão em fazer tudo o que Deus quer, como Ele quiser e também a alegre prontidão em sofrer o que Deus quiser. Percebem como isso é extraordinariamente simples?”[1]

 

A transfiguração completa passa pela cruz

A transfiguração e a ressurreição são duas coisas interligadas. Falar que Jesus se transfigurou é o mesmo que dizer que ele viveu uma antecipação da Páscoa – ou seja, no Tabor, Cristo ainda não tinha morrido, era humano como todos nós, mas seu corpo já reluzia os traços da ressurreição eterna.

A transfiguração completa e definitiva, este estado perfeito de graça, só foi possível para Jesus por meio do sofrimento e do abandono total em Deus. “Este estado de transfiguração, que aqui se manifesta passageiramente, tornou-se seu estado permanente após a ressurreição. Mas Jesus precisou primeiro merecer, por sua paixão, a irrupção do divino em sua natureza humana. Não precisava o Senhor sofrer tudo isto, para assim entrar na sua glória?” [2]

Em nossa Quaresma de cada ano, revivemos a passagem bíblica do Tabor para lembrar tudo isso: somos filhos amados e a consciência desse amor nos torna capazes de entregar tudo pela missão. Pela cruz e sofrimento podemos nos assemelhar a Cristo como personalidades transfiguradas, ou, como também gostamos de dizer, como homens novos.

 

Família Tabor, transfigura hoje a realidade

O Santuário de Schoenstatt é nosso Tabor, onde a Mãe de Deus nos ajuda a nos sentirmos como um filho amado – e descobrir que somos de verdade. Cada um que chega no Santuário, vive a experiência da transfiguração e dá vida às páginas do evangelho. No princípio estavam Pedro, Tiago e João no alto do monte Tabor, mas hoje essa lista de nomes é muito maior. Pense bem, seu nome está na lista daqueles que desejam transfigurar a realidade hoje?

“Que felicidade seria se também nós pudéssemos dizer: ‘nosso rosto resplandece como o sol, nossas vestes são brancas como a neve!’ Que felicidade seria se pudéssemos irradiar algo destas glórias do Tabor!” [3]

 

Referências

[1] KENTENICH, Pe. José Kentenich. Abrigado em Deus Pai. Conferência para as Irmãs de Maria de Schoenstatt, 6 de novembro de 1935

[2] KENTENICH, Pe. José. Tabor nossa missão, coleção Brasil Tabor, vol 1. 2 de setembro de 1947. Santa Maria/RS, segunda conferência

[3] KENTENICH, Pe. José. Tabor nossa missão, coleção Brasil Tabor, vol 1. 1º de setembro de 1947, Santa Maria/RS, de manhã

Fonte: schoenstatt.org.br

Quaresma, tempo de ‘arrumar a casa’

Pe. Nicolás Zweizer – De vez em quando temos que por nossa casa em ordem: limpá-la, arrumá-la, jogar fora o lixo e as coisas inúteis e supérfluas. Assim, é possível viver melhor e com mais prazer.

E isso que dizemos da casa material, vale muito mais ainda para o mundo espiritual. Sabemos que Quaresma é o tempo propício para a conversão, a mudança, a renovação. É o momento perfeito para ordenar nossa vida e nosso coração.

Por que precisamos parar e refletir todo ano?

• Porque, sem nos dar conta, acaba que prestamos menos atenção ao Senhor e, então, nossa vida interior vai ficando bagunçada e debilitada.

• Deixamos de lado a oração, o contato frequente com Deus, e mergulhamos nos interesses, nas coisas e nas preocupações do mundo.

• Não procuramos crescer, avançar espiritualmente e, então, ficamos estancados ou até retrocedemos em nossa vida religiosa. Então existe o perigo de entrar num estado de indiferença ou tibieza espiritual.

E, desse modo, pode suceder que Deus passe para um segundo ou terceiro lugar e, até mesmo, vá desaparecendo de nossa vida. E então outros deuses ocuparão seu lugar em nosso coração.

O cuidado com os ídolos modernos

São os ídolos dos quais nos fala a sagrada escritura: “Não farás para ti nenhum ídolo”. Eles criam uma dependência crescente em nós e vão nos escravizando pouco a pouco.

Que ídolos podem ser? Existe uma quantidade enorme de substitutos que podem ocupar o lugar de Deus em nossa vida. Os mais conhecidos são o dinheiro e os bens materiais, o afã de poder, o sexo, toda a ambição desmedida.

Mas também podem ser outros deuses menores, que requerem nossa entrega e atenção excessiva, como, por exemplo: o vício ao trabalho, à comida ou bebida, à televisão, redes sociais, o consumismo.

Um tempo para fazer de Cristo o protagonista

E então Cristo nos convida hoje a expulsar todos os ídolos de nosso coração, para dar de novo o lugar principal a Ele.

Mas, não somente em nosso interior; porventura também em nossa família pode ocorrer algo semelhante. Por exemplo: não separamos um tempo para o diálogo profundo e, assim, se torna cada vez mais difícil nos entender.

Começam a aumentar as discussões ásperas e os períodos de silêncio pesado. Não buscamos com tanto interesse a ocasião para estarmos juntos e chegamos a sentir que dividimos o superficial, mas não os ideais mais íntimos… Então, evidentemente, temos que pôr ordem na casa.

Para isso vem a Quaresma: para ordenar a casa de Deus, a firmeza espiritual do próprio coração, o lar, a Igreja. É uma ocasião de purificação para a grande Igreja universal e para a pequena igreja doméstica.

Um tempo para redescobrir o amor incondicional do Senhor

Deus nos oferece sua palavra e sua graça para que possamos ordenar bem nossas vidas. Ele sabe quais são as nossas necessidades e possibilidades. Ele conhece nossas conveniências e os perigos. Seus mandamentos são uma expressão de amor, uma ajuda indispensável para ordenar nossas vidas.

Queridos irmãos, se não nos decidimos a abraçar essa tarefa com força e alegria, é possível que o mesmo Deus se encarregue de chamar nossa atenção. Seus métodos podem ser muito persuasivos e contundentes. Seu amor é tão grande que as vezes não repara em meios para recuperar nosso carinho e nossa atenção, quando vê que vão se debilitando.

Perguntas para a reflexão:

1. Como eu poderia começar a colocar ordem em meu interior?
2. Quais são meus ídolos no mundo atual?
3. Como está minha vida de oração? Tenho tempo para isso?

Fonte: schoenstatt.com

Oração pelos Enfermos

Hoje é o Dia Mundial de oração dos enfermos. Rezemos por todos os que padecem alguma doença e por todos os profissionais que se empenham por eles.

“Eu vim para que todos tenham vida e a tenham em abundância!” (Jo 10,10)

Senhor Jesus, pela vossa palavra e pelos gestos de vossas mãos, curastes cegos, paralíticos, leprosos e tantos outros doentes. Animados pela fé, nós também vimos suplicar pelos nossos enfermos.

Dai-lhes, Senhor:

A graça da perseverança na oração, apesar do desânimo próprio da doença.

A graça da coragem para buscar a cura, mesmo depois de várias tentativas.

A graça da simplicidade para aceitar a ajuda dos profissionais, familiares e amigos.

A graça da humildade, para reconhecer as próprias limitações.

A graça da paciência nas dores e dificuldades do tratamento.

A graça de compreender, pela fé, a transitoriedade desta vida.

A graça de entender que o pecado é a maior de todas as enfermidades.

Que tenhamos todos a compreensão de que no sofrimento humano se completa vossa Paixão Redentora.

Se for para vossa glória, nós vos pedimos a cura de todos os nossos enfermos.
Amém!

Fonte: schoenstatt.org.br

Vamos festejar a Luz: a festa da Apresentação do Senhor

 

Frei Fábio Vasconcelos, OFM – A festa da Apresentação do Senhor é o momento em que celebramos o mistério pascal de Cristo que se manifesta como luz das nações, tem sua origem ligada à tradição judaica da oferta no Templo em razão do nascimento de um filho, conforme a prescrição de Levítico 12, 1-8. A narrativa bíblica de Lucas 2, 22-40 nos conta esse evento. Sua ligação é profunda com o Natal do Senhor, embora seja celebrada fora deste ciclo, ela é como a sua conclusão definitiva (ADAZÁBAL, 2013).

 

Histórico da ‘Festa das Luzes’

O Missal Romano nos diz que com essa festa se encerram as celebrações natalinas. Por outro lado, com a oferta da Virgem e a profecia de Simeão se abre o caminho da Páscoa. Quarenta dias depois do Natal, no dia 02 de fevereiro, é que se celebra essa festa. Sua origem tem como testemunha remota a peregrina Egéria, que no século IV descreveu como se celebrava essa festa litúrgica em Jerusalém. A peregrina, ao descrever essa liturgia, a situa na quadragésima da Epifania e a apresenta como momento de grande solenidade com procissão na Anástase (MARTINS, 2017).

 

No século III, temos a introdução da lâmpada de luz (lucerna) na ceia da comunidade, conforme a Tradição de Hipólito de Roma, o que leva a crer que essas liturgias, com uso da luz e louvor ao Cristo, clarão do Pai, estivessem presentes em certas celebrações ao cair da tarde. No entanto, foi precisamente no século V que se acrescentou a procissão luminosa à Festa da Apresentação. Foi na região da Gália onde originou-se o costume da bênção e procissão das velas (benedictionem candelarum). Conforme Júlian López Martín (1996), foi o papa Sérgio I ( + 701), de origem síria, quem teria adotado essa festa com a procissão luminosa. Esse rito de “lucernário” se mantém até hoje, baseado no trecho bíblico em que Simeão proclama Cristo “a luz das nações”.

 

Significado

A procissão com a bênção das velas dá sentido ao nome popular para essa festa, conhecida como a festa das candeias ou Candelária. No nordeste brasileiro, mais especificamente em Juazeiro do Norte (CE), ainda se faz uma grande romaria enquanto se canta: “bendita louvada seja a luz que mais alumeia, valei-me meu padinho Ciço e a Mãe de Deus das candeias”.

 

Festa das Candeias, em Juazeiro do Norte/CE

 

Em toda a Igreja do Oriente, essa festa era nomeada de hypapante (Ὑπαπαντή), o que em grego literalmente designa encontro. No século VII, a festa do encontro chega à Roma, mas aos poucos, na Igreja do Ocidente, ela passa a ser celebrada como a Purificação de Maria (In Purificatione B. Mariae Virginis), fixando a data para quarenta dias depois de 25 de dezembro. Desse momento em diante, o caráter cristológico desta festa dá lugar ao aspecto mariano. No calendário reformado à luz do Vaticano II, essa festa volta a assumir um nome que expressa seu significado centrado em Cristo: “Apresentação do Senhor”.

 

Dia da vida consagrada

No ano de 1997, o então Papa João Paulo II, designou o dia da festa da Apresentação do Senhor como dia mundial da vida consagrada. Assim, alguns institutos de vida consagrada optam por celebrar a profissão religiosa junto da festa litúrgica deste dia.

 

Fonte: franciscanosamazonia.org.br