Pe. Kentenich nos ensina a viver bem o Advento

Ir. M. Inácia Bett – Numa conferência para a Família de Schoenstatt de Aschaffnburger/ Alemanha, em 28 de novembro de 1937, com o título: “O objetivo de vida do autêntico cristão”, nosso Pai e Fundador, Pe. José Kentenich, dá orientações para vivermos bem o tempo de advento, preparando a festa do Natal. Suas indicações são realmente proféticas, pois nos mostram, com tanta clareza e segurança a situação daquele tempo que é a mesma situação do tempo em que vivemos hoje.

Ele nos dá três indicações para vivermos bem o tempo do advento:

1º — Aproveitar os exercícios ordinários de oração, como escola de amor. O tempo do advento nos ensina a amar. E se amamos, somos capazes de vencer a situação do tempo.

2º — Em segundo lugar, devemos fixar tempos exclusivos para o bom Deus. Que tempos poderíamos reservar para isto? Em casa não vivemos sozinhos, por isso precisamos ser engenhosos para conseguir retirar-nos diariamente ao menos por cinco ou dez minutos para o cultivo da oração interior, para estar exclusivamente com o bom Deus. Fixar um tempo de oração aos domingos ou durante a semana!
Quanto tempo o mundo, hoje, exige de nós! O homem moderno está em contínua agitação, está sempre a caminho.
Precisamos, pois, educar-nos para, com mais ardor dedicar tempo a Deus!

3º — O tempo atual assemelha-se a uma fábrica. Ali a fumaça é tanta que compenetra a roupa das pessoas. O mesmo acontece com a poluição que há no mundo. Ela penetra na alma. Nossa missão de vida é ser um sinal, uma indicação a Deus! Se não nos esforçarmos para estar muitas vezes, também no correr do dia, em santa solidão com o bom Deus, podemos ouvir quantas homilias quisermos, ler tantos livros, quanto pudermos, mas eles não nos atingirão em profundidade.
Por ex. uns minutos antes de adormecer, procuremos desligar-nos dos meios de comunicação, estando por uns minutos ofline, para estamos em contato direto com o bom Deus.

O Fundador pergunta:
Quais são nossos primeiros pensamentos, ao acordar, e qual a sua importância? Um barril conserva o odor do primeiro líquido nele colocado. O mesmo vale também para mim. Quais são meus primeiros pensamentos, ao acordar? Geralmente os mesmos com os quais adormeci. Isto porque durante a noite o subconsciente continua a atuar na alma. Um pensamento saboreado com interesse, à noite, continua a atuar durante o sono e, pela manhã, ao acordar, é o primeiro que surge na consciência.

Que devemos, então, fazer? Dar grande importância aos últimos e aos primeiros momentos do dia. É costume na Família fazer o sinal da cruz, ao despertar. Porém, devo fazê-lo com alma. Coloco-me, assim, sob a proteção do Crucificado. Quem cultiva intensa vida interior, também tem oportunidade, aqui, de renovar sua consciência do batismo: sou cristão, sou batizado, sou filho do Pai Celestial! Depois, deveríamos recordar nosso Ideal Pessoal, renovar nosso horário espiritual e o propósito particular.

Para refletir:
Como posso aproveitar o tempo de advento em preparação à festa do Natal?

  • Ir. M. Inácia Bett é responsável pelo Secretariado pela Beatificação do Fundador e de Ir. M. Emilie, em Atibaia/SP

Fonte: Schoenstatt.orb.br

Não estou aqui eu que sou sua Mãe?

Ir. M. Nilza P. da Silva – A aflição era muito grande! Suas moradias eram dizimadas, os espanhóis, ao mesmo tempo em que invadiam suas terras, traziam missionários que lhes anunciavam que Deus é amor e que em Jesus todos somos iguais. A bondade dos missionários e a crueldade dos exploradores se contradiziam. Era dezembro de 1531 e Juan Diego percorre o duro caminho em busca de ajuda para seu tio enfermo. De repente uma senhora interrompe seu caminho, pede que ele vá até o bispo e peça a construção de um Santuário:

“Eu sou Maria, sempre Virgem, Mãe do verdadeiro Deus, por quem vivemos. Desejo muito que se erga aqui um templo para mim, onde mostrarei e prodigalizarei todo o meu amor, compaixão, auxílio e proteção a todos os moradores desta terra e também a outros devotos que me invoquem confiantes.”

O pobre índio não tem coragem de ir, mas a senhora insiste. Ele vai e não é recebido pelo bispo. Juan Diego desvia seu caminho, para não encontrar mais a senhora, mas, ela está lá, interpondo-se em seus planos e repete seu pedido. Ela insiste e o pobre índio, ao mesmo tempo que não resiste, já está cansado e sem coragem. Quando se acabam todos os seus argumentos e suas forças, eis que ressoa na voz da jovem senhora:

“Não deixe nada afligi-lo e não tenha medo. Não estou aqui eu que sou sua Mãe? Você não está sob meu manto e proteção?”

O coração do simples índio não resiste e ele se dirige novamente ao bispo, levando as flores que a Senhora lhe indicara. Sabemos do final da história, como a imagem da Senhora se gravou no manto do índio, o milagre abriu o coração do bispo e foi construído o Santuário, do qual até hoje Nossa Senhora de Guadalupe distribui graças infindas.

É próprio de seu coração materno inclinar-se aos filhos mais desvalidos, oferecer-lhes um lar e auxílio. O mesmo aconteceu em Schoenstatt, em 18 de outubro de 1914: Ela se inclina a um simples sacerdotes e alguns adolescentes, pede ofertas de amor para estabelecer-se numa capelinha e iniciar um movimento de renovação mundial. Ela repete ao Pe. José Kentenich, pelos acontecimentos,o que disse a Juan Diego: “Tu és o meu embaixador, digno de toda a confiança.”

Ele ousa na fé, apresenta sua ideia predileta e os santuários de Schoenstatt se multiplicam. Tornam-se o manto materno de Maria, que se multiplica pelo mundo inteiro, no qual ela continua a repetir a cada filho: “Não deixe nada afligi-lo e não tenha medo. Não estou aqui eu que sou sua Mãe? Você não está sob meu manto e proteção?”

Ela nos ama! Pe. Kentenich nos diz: “Hoje, ela nos carrega no coração. Nunca nos expulsa do seu coração, mesmo que cometamos pecado sobre pecado.. Sua dedicação e seu amor permanecem sempre voltados para nós e seus cuidados estão sempre dedicados a nós.”¹

Nada nos aflija! Ela terá o perfeito cuidado!

¹ Fonte: Maria, Mãe e Educadora, homilias na quaresma de 1954

Aliança de Amor: Chamei-te pelo teu nome, tu és meu

Pamella Carvalho – Com o objetivo de valorizar o nome de Maria, como o próprio Jesus nos pediu em diversas situações, a festividade de 12 de setembro incentiva os fiéis a confiarem na poderosa intercessão da Mãe de Deus e nos convida à reflexão da missão de nossos nomes.

A magnitude do nome da Mãe do Salvador é trazida já no momento da saudação do Arcanjo Gabriel: “e o nome da virgem era Maria” (Lc 1, 27); “Não temas Maria, porque achaste graça diante do Senhor” (Lc 1, 30). Não um nome qualquer: “O nome de Maria, que significa Senhora da luz, indica que Deus a encheu de sabedoria e luz, como astros brilhantes, para iluminar os céus e a terra”.

Meu nome é sagrado

Tal como o nome de Maria, o valor de nossos nomes é trazido no Catecismo da Igreja Católica (2158): “O nome de todo homem é sagrado. O nome é a imagem da pessoa. Exige respeito em sinal da dignidade do que o leva”. Junto ao nosso nome, acrescenta-se o de Filhos de Deus. Pensado desde sempre pelo Criador, o evangelista Lucas nos lembra que nossos nomes estão escritos no céu, como sinal de amor e filialidade. “Os nomes de vocês estão escritos nos céus” (Lc 10, 20).

Como fez com Maria, chamou Deus a Samuel (1 Sm 3, 4); a Moisés (Êx 3, 4); aos discípulos, ao Padre Kentenich e a cada um de nós nos concedendo missões. Como cristãos, já adquirimos a de ser seguidores de Cristo, pelo sacramento do Batismo.

Chamei-te pelo nome

“Não temas, porque eu te remi; chamei-te pelo teu nome, tu és meu” (Is 43, 1)
Ao dizer que nos chama pelo nome, Jesus quer dizer que nos conhece intimamente: angústias, alegrias, sonhos, faltas e vitórias. Podem existir nomes parecidos com o nosso, mas o sobrenome, o nome de nossa família, nossa personalidade e tudo que somos, tornam-nos únicos e especiais para Deus.

Conhecendo-nos profundamente, dá a cada um de nós uma missão. Particular e inclusivo, Deus nos enxerga por inteiro. Ama as particularidades de cada um igualmente e não se esquece de nenhum de seus filhos.

Como schoenstattianos, nossa missão é viver a Aliança de Amor. Podemos viver uma preparação em grupo, mas nossa conquista e compromisso com Deus são pessoais. A troca de corações é individual. Maria não sela a Aliança com a massa, mas com filhos escolhidos para viver Schoenstatt. Dessa forma, nossa contribuição é intransferível. Eu selei uma Aliança, eu colaboro, eu encho a talha do Capital de Graças. Por meio de nossa Aliança de Amor, cada um adquire um autoconhecimento que o leva ao seu Ideal Pessoal. Ele está intimamente ligado ao seu nome, pois este carrega sua missão.

José Kentenich: Um nome e uma grande missão

Com o Fundador de nossa Obra, Pe. José Kentenich, não foi diferente. A missão cedida por Deus: Construir um novo reino, dedicado a Maria, servindo a Igreja. Desde cedo o pequeno Pedro José entregou sua vida aos cuidados da Mater e tinha convicção de seu chamado. Prontamente, acolheu a vontade do bondoso Pai e dedicou sua vida à construção da Obra Internacional de Schoenstatt. Uma grande Família, unida por um mesmo ideal, donos de personalidades firmes, livres, apostólicas e convictas de sua entrega pessoal.

Todos esses exemplos reforçam a beleza da Festividade deste dia. Que sigamos conscientes da importante missão desempenhada por Maria e saibamos compreender qual a missão que Deus deu a cada um de nós.

Fonte: schoenstatt.org.br

Maria renasce hoje

Felipe e Lucas Galhardo – Hoje, dia 8 de setembro, a Igreja celebra a Festa da Natividade de Nossa Senhora. Com o nascimento de Maria, Deus nos presenteia, mais uma vez, com seu amor e nos concede a garantia concreta de que a salvação está próxima. É um Grande Sinal de luz e esperança para o mundo, a Aurora da Salvação para toda a humanidade; ela que é a Mãe de Jesus e nossa Mãe, a Companheira e Colaboradora de Cristo em toda a Obra da Redenção. Dessa forma, ao celebrar seu nascimento não somente recordamos com grande alegria o início de uma nova era, mas também reafirmamos nosso compromisso de continuarmos sua missão, sendo colaboradores de Cristo aqui na Terra, lutando pela construção de um mundo novo.

Pe. Kentenich instrumento para o novo nascimento de Maria

Nosso Pai e Fundador, Pe. José Kentenich, foi um instrumento escolhido para um novo nascimento de Maria. Ele, desde sua infância, sempre teve um grande vínculo com a Mãe de Deus, que o educou e o formou em sua missão. Em 18 de outubro de 1914, o Pe. Kentenich, juntamente com os congregados, fazem com que Maria renasça ao mundo, convidando-a a se estabelecer na pequena capelinha de Schoenstatt, como representado nestes trechos do Documento de Fundação:

 

“(…) Para mim, é como se Nossa Senhora, neste momento, aqui na antiga Capelinha de São Miguel, nos falasse pela boca do Santo Arcanjo: (…) Trazei-me com frequência contribuições para o Capital de Graças: conquistai muitos méritos através do fiel e fidelíssimo cumprimento do dever e de uma intensa vida de oração e colocai-vos à minha disposição. Então, estabelecer-me-ei de bom grado entre vós e distribuirei abundantes dons e graças. Então, daqui, atrairei a mim os corações juvenis e educá-los-ei como instrumentos aptos nas minhas mãos.”

 

Fazer Maria renascer hoje

Assim, Schoenstatt se mostra como um dos meios escolhidos por Deus para Maria renascer hoje, trazendo ao mundo uma Mãe que nos conduz aos mais elevados ideais, que cuida de nós e nos educa à sermos personalidades firmes, livres e apostólicas. Por exemplo, em cada Aliança de Amor, nos comprometemos com Maria, em uma verdadeira troca de corações, a nos entregar como seus instrumentos e, por meio do Capital de Graças, contribuir para que distribua ao mundo todo suas glórias.

Ela renasce nos corações

A ternura de sua singela imagem maternal carregando Jesus nos braços – em sua imagem peregrina – também é uma forma de fazê-la renascer no coração de muitas famílias que já haviam perdido a esperança e reavivar o fogo do Tabor daquelas que seguem firmes em sua missão. No aconchego de cada Santuário, locais que Ela escolhe como sua morada, nos apresenta e nos aproxima do Cristo vivo, acolhendo-nos, transformando-nos e enviando-nos para contribuir com a renovação religioso-moral do mundo.

Por uma nova terra mariana

Dessa forma, evidencia-se o caráter Apostólico do Movimento que, em união com nosso Pai e Profeta, luta por uma nova terra mariana, onde Maria possa nascer de novo em cada coração e assim conduzi-los ao Pai, manifestando-se “ao mundo inteiro como o Grande Sinal, ante o qual se afastam a astúcia do demônio e as aflições terrenas; em ti, os povos encontrem abrigo e redenção e alegres te proclamem Medianeira da salvação.” (RC. 508)

Fonte: schoenstatt.org.br

Um ‘Eclipse chamado Maria’ que revela a luz do Pai

 

Karen Bueno – Em todo o mundo, as pessoas se preparam para acompanhar o mais longo eclipse lunar do século, que acontece nesta sexta-feira, 27 de julho:

 

“El eclipse lunar más largo de todo el siglo XXI tendrá lugar esta noche”
anuncia o jornal espanhol.

“Sans la Lune, les humains n’auraient jamais existé” 
(Sem a lua, os humanos jamais poderiam existir)
é manchete na França

“Mondfinsternis des Jahrhunderts – Luna ist eine Projektion”
(Eclipse lunar do século – Lua é uma projeção)
publica um jornal alemão

 

Pe. José Kentenich convidava a descobrir Deus por trás de cada pequeno acontecimento da vida, não perdia uma oportunidade de elevar a mente e o coração ao sobrenatural. Certamente ao contemplar o maior eclipse do século, ele traria reflexões práticas para a Família de Schoenstatt.

“O Pai era muito moderno, via o que acontecia no mundo e conectava com a espiritualidade de Schoenstatt”, narra a Ir. M. Petra Schnuerer. Ela dá um exemplo disso: “E aconteceu a primeira viagem à lua, com a primeira nave espacial. Rapidamente o Pai conectou com Schoenstatt e estudou quão segura deve ser esta nave para resistir à gravidade, para subir e descer… Então ele disse: ‘Nós temos uma cápsula, uma nave espacial, com a qual podemos ir muito mais longe ainda’. Como se chama o primeiro homem que foi à lua? Nossa nave sobe muito mais alto e com mais segurança do que a [nave] de Louis Armstrong. Como se chama a nossa nave? Aliança de Amor! Chegamos até o coração de Deus com esta nave”.

 

Prado do Sol, no brilho do Tabor

A lua, o maior satélite natural da terra, é também o corpo celeste mais brilhante no céu, depois do Sol. Mas, apesar de tão brilhante, ela não possui luz própria: a imagem clara que vemos, ao contemplar o luar, é um reflexo que vem do sol.

Para o Pe. Kentenich, a lua remetia à imagem de Maria. Diversas vezes ele fala de Cristo como o grande Sol – o ‘Sol Tabor’ – e Maria é a lua, que reflete a luz de Cristo e ilumina o mundo. “Ela é comparável à lua, conquanto esta não possui luz própria, mas recebe toda a sua magnificência de Cristo” [1].

 

Ela nos acompanha

Sempre ao olhar para o céu, em dias claros, a lua está ali presente. Ela se encontra em rotação sincronizada com a Terra, acompanhando seus movimentos. Assim também é a Mãe de Deus, sempre presente na vida dos filhos. Como a lua, ela vai de casa em casa visitando os filhos, nos mais diversos cantos onde estejam. É uma luz que ilumina a todos, sem distinção.

Durante cerca de um mês, é possível contemplar o desenrolar das quatro fases lunares: nova, crescente, cheia e minguante. O Pe. José Kentenich diz que isso recorda as diversas fases da vida, as horas de alegria e as horas de dificuldade: “Que quer dizer isto? Tudo o que é transitório… Todos os prazeres deste mundo são passageiros. É claro que podemos gozá-los, mas não devemos esquecer-nos, mesmo na super-satisfação cultural de hoje, que o homem é chamado a morrer, a sofrer, a estar dependurado na cruz. Nenhuma geração e nenhuma cultura podem dispensar-nos dessa tarefa”. [2]

 

Com os olhos no alto e os pés na terra

Esta noite, ao olharmos para a lua, além da bela imagem que o Bom Deus nos presenteia neste eclipse, podemos recordar a Mãe e o brilho de suas graças sobre nós.

Mas, é necessário olhar ao alto com os pés firmes no chão, como dizia o Pai e Fundador em 1959: “Lemos nos jornais sobre os planos para viajar até a lua, ir ao espaço cósmico. Qual é a dificuldade? Contanto que a cápsula espacial esteja na gravidade da terra, tudo está bem. Mas o que acontecerá quando sair para o espaço sideral e cair na gravidade da lua? Compreendemos a figura e podemos aplicá-la em nossas vidas? Estamos afetados pela gravidade do mundo, estamos sob a influência das coisas ao nosso redor. Temos que permanecer sob a influencia do ‘Sol’, que significa, Deus. Quem nos ajudará? O Espírito Santo. Não devo dizer que devemos detestar o mundo e não olhar para ele. O Pai Celeste criou a terra. O mundo veio de Deus. Deveríamos usar e desfrutar as coisas, mas não nos tornar seus escravos”. [3]

 

[1] Pe. José Kentenich, Espiritualidade Mariana do Instrumento, Santa Maria/RS: 2000

[2] O Fundador nos fala I – Conferências e alocuções para as Mães Schoenstattianas e a Família de Schoenstatt

[3] Pe. José Kentenich, Que as rosas falem por nós

Fonte: schoenstatt.org.br

Santuário: Escola de misericórdia

 

“O amor misericordioso há de ser uma disposição permanente de nossa alma, sempre pronta a perdoar”(Pe. José Kentenich – Santidade de Todos os Dias).

Vejamos algumas situações distintas:

1) Num período de grande fome, uma pessoa tem apenas um pão e nada mais para comer durante o dia. Mesmo assim ela divide esse pão.

2) Alguém que está ao seu lado deixa cair algo no chão, rapidamente você se abaixa e pega – e isso se repete muitas vezes no período de trabalho.

3) Alguém fala negativo de você, prejudica suas ações, mas, você perdoa, trata como se nada tivesse acontecido, protege esse pessoa e faz de tudo para que ela seja bem considerada.

4) Chega a notícia de que um conhecido perdeu algum familiar: é tempo de ligar ou escrever uma mensagem solidária a ele.

Essas são situações simples, habituais, que demonstram a misericórdia partilhada na vida do dia a dia. Cada um desses exemplos é retirado das biografias do Pe. José Kentenich, dentre tantos outros que poderiam ser mencionados. Como Fundador, e principalmente como Pai, ele educa os filhos para a misericórdia na vida diária.

Misericordiosos como o Pai

Na ‘escola da Mãe de Deus’, em Schoenstatt, muitos se deixam educar como instrumentos de misericórdia….

José Engling, nas férias do seminário, permaneceu em seu povoado de Prossitten, junto com o pároco, após a evacuação da cidade, no início da guerra. Quando o grupo de soldados chegou, sedento e esfomeado, ele correu o tempo todo, fornecendo água e o pouco de alimentos que pôde conseguir – até as últimas maçãs, encontradas em casa, repartiu com eles.

João Pozzobon realizou muitos gestos, dos quais se pode evidenciar a Vila Nobre da Caridade. Era um conjunto de casas simples, que ele mesmo construiu como moradia gratuita para os pobres, “para – segundo explica – educar, saber valorizar-se como pobre, formar cidadãos e, também, para que todos tenham conhecimento da religião”.

Ir. M. Emílie Engel assumiu, em certo período, a tarefa como superiora de uma filial dedicada a um lar de assistência a jovens abandonadas. Sua natureza maternal foi essencial para ajudar essas jovens: “Só se precisa de muita paciência, amor, tempo e um bom raciocínio”, dizia ela.

Esses exemplos são atos grandiosos, heroicos. Mas, diante deles, é preciso ter claro que só foram possíveis graças à persistência de viver a misericórdia nas pequenas coisas.

Ser um ‘milagre de misericórdia’

Pe. Kentenich vivia e irradiava a misericórdia em sua personalidade, de forma prática, por isso podia inspirar os filhos espirituais.

Como educador, ele cita um exemplo concreto para se viver e sentir a misericórdia na profissão e na vida diária: “Uma enfermeira trabalha incansavelmente durante o dia e frequentes vezes também à noite, para socorrer os doentes e moribundos. Ora faz um curativo, ora alivia uma dor, em toda a parte consola, estimula e acalma. Por seu trabalho, ela dá uma belíssima ideia da própria bondade de Deus. A misericórdia divina, diríamos, quer ser revelada ao mundo, do modo mais perfeito possível, por meio desta enfermeira”. Esse raciocínio vale para qualquer outra função ou trabalho realizado durante o dia.

Ao viver a misericórdia divina e se apoiando nela, surge a missão de também ser misericordioso com os que estão próximos. Os grandes gestos de misericórdia que o Pai e Fundador e os heróis de Schoenstatt foram capazes de realizar se sustentam nos pequenos atos: um sorriso, uma palavra de ajuda, compreensão, sacrifícios e entregas silenciosas ao Capital de Graças… Como escreve o Cardeal Van Thuan: “Para fazer uma linha reta é necessário fazer milhões de pontos e se fizermos bem cada ponto, teremos uma bela reta. Nossa vida está formada por milhões de minutos; se vivermos bem cada minuto teremos uma vida santa. Não se pode ser santo por intervalos, não se pode viver respirando por intervalos, porque tem que se respirar sempre”.

Fonte: schoenstatt.org.br

Alegrai-vos, a Páscoa continua!

 

Karen Bueno – O Tempo Pascal, na liturgia da Igreja, é formado pelos 50 dias entre o domingo da Ressurreição e o domingo de Pentecostes. É um período de alegria e de exultação, como se fosse um único dia de festa, ou seja, esses cinquenta dias são como “um grande domingo”. Por isso diz-se que são “dias de Páscoa” e não “dias após a Páscoa”.

Já os oito primeiros dias desse tempo (em 2017 vai de 16 a 23 de abril) são chamados de Oitava da Páscoa e são celebrados como solenidades do Senhor, segundo as Normas sobre o Ano Litúrgico e o Calendário (n. 24). Isso ocorre porque a Igreja compreende a ressurreição como uma celebração tão importante que um dia apenas é muito pouco para celebrá-la, por isso estende a festa – e com isso suas graças – por oito dias.

“A Páscoa não é simplesmente uma festa entre outras: é a festa das festas, solenidade das solenidades”, diz o Catecismo da Igreja Católica (1169).

A solenidade da Ascensão do Senhor é celebrada no Brasil no sétimo domingo da Páscoa. A semana seguinte, até Pentecostes, caracteriza-se pela preparação à celebração da vinda do Espírito Santo. Em sintonia com as outras Igrejas cristãs, no Brasil se realiza nessa ocasião a “Semana de Oração pela Unidade dos Cristãos”. Recomendam-se para a ocasião orações durante a Missa, sobretudo na oração dos fiéis, e oportunamente a celebração da Missa votiva pela unidade da Igreja (cf. Diretório Ecumênico, n. 22 e 24).

Isso significa que ainda é Páscoa, tempo de alegria, de gratidão, de sair ao mundo – como os primeiros cristãos – anunciando que Jesus ressuscitou: “Alegremo-nos, pois o sepulcro está vazio! Jesus ressuscitou dos mortos! Que Cristo ressurja ainda mais, viva mais ainda quando for retirada a dura e grande pedra de nosso coração, a pedra da história do mundo!” (Pe. José Kentenich, 1939).

Fonte de pesquisa: Diretório Litúrgico Pastoral 2016 da Arquidiocese Militar do Brasil.

Schoenstatt.org.br

Sábado Santo: um dia para repousar no coração de Deus

O Sábado Santo traz consigo um maior anseio de Deus, o desejo de reencontrá-lo. Pe. José Kentenich fala sobre essa “volta ao Pai” na vida diária:

Jesus disse: “Saí do Pai e vim ao mundo. Outra vez deixo o mundo e volto para o Pai” (Jo 13,3; 16,28). Tudo aponta para Deus Pai, tudo deve elevar os homens a Deus. Podemos pensar nos anjos e nos santos, em Nossa Senhora, o grande sinal; tudo é para levar os escolhidos ao seu coração.

Isto inclui três coisas:

1. Um anseio veemente e vitorioso. Tudo o que acontece deve despertar um desejo de Deus.
Deus desperta um desejo quando quer nos atrair a si. Nós chamamos a isto um desejo veemente. Não nos sentimos felizes quando tratamos com pessoas que procuram a Deus? Estamos num tempo apocalíptico, daí o desejo veemente. Se Deus nos tira pessoas queridas, se permite que nossas casas desmoronem, o que isso quer dizer? Devemos nos desapegar das coisas, colocá-las em segundo plano e tornar a apegar-nos a Deus. Tantos impedimentos devem ser afastados e todo o nosso ser deve ser mergulhado no infinito.
Tenho esse anseio? Felizes daqueles que o têm! Fome e sede do infinito, anseio por Deus já é realização, é amor de Deus, é posse de Deus.

2. Este anseio vitorioso deve tornar-se um encontro vitorioso com Deus, com o coração de Deus.Isto quer dizer: cada coisa, por mais simples que seja, deve levar-me a Deus. Em todos os acontecimentos colocamos uma escada para nos elevar com o entendimento, com o coração, para encontrar, em toda a parte, Deus, o Deus da vida, no cume dos acontecimentos. Aproveito todas as coisas e todos os acontecimentos para identificar Deus, para falar-lhe com amor, para oferecer-lhe os sacrifícios que Ele espera e exige de mim. Jesus diz: “O Pai poda a videira para que produza frutos” (Jo 15, 2). Devo encontrar o caminho para Deus e, quando estou junto de Deus, também devo sentir-me estimulado a tornar-me fecundo para o Reino de Deus.

Para o coração e para a vida prática:
Talvez conheçamos a seguinte história… O pai de uma criança é médico.
Ele diz ao filho: “Estás doente e deves ser operado”.
“Sim, pai”, diz a criança.
“Deves ser operado sem anestesia”.
“Bem, é o pai que diz, e ele deve saber!”
O bisturi corta, há um murmúrio e uma queixa silenciosa da criança: “Está doendo!” Mas: “Pai, como me amas!”

Se estivermos convencidos de que tudo o que acontece vem do Pai e é uma aceleração da volta ao Pai, teremos uma atitude acertada em todas as situações. Aconteça o que acontecer, sei que tudo está assegurado. É o regresso do filho de Deus a Deus Pai.

3. Se regressarmos, se repousarmos no coração de Deus, é certo que seremos conduzidos a Deus. No meio das dificuldades conduzo ao Pai os que me estão confiados. Eu o faço não só pela inteligência, mas pelo coração, pela vida, pelo amor. E eu sei, da minha parte, que todos os acontecimentos, são uma aceleração da volta, uma condução ao Pai. Se não quisermos ver tudo isso, não esqueçamos o que Jesus disse: “Jerusalém, Jerusalém, como uma galinha reúne os seus pintinhos, eu quis reunir os teus filhos junto de mim e tu não o quiseste!” (Mt 23,37; Lc 13,34).

 

Livro: Cristo minha Vida
Pe. José Kentenich – A Imagem do Homem Católico

 

Fonte: schoenstatt.org.br

Amar a Eucaristia, como o Pai amou

“Nós vamos à missa para encontrarmos o Senhor ressuscitado, ou melhor, para nos deixarmos encontrar por ele” (Papa Francisco, audiência geral, 13.12.2017)

Que valor tem a Eucaristia em minha vida pessoal, em minha vida de Aliança? Essa é uma pergunta importante a se fazer pessoalmente – e ainda mais fundamental neste Ano Pe. Kentenich. Seguindo os passos do Pai, compreendemos a sua vida como um estímulo e inspiração para estar sempre perto de Jesus na Comunhão.

A Quinta-feira Santa, que marca o início do tríduo pascal, celebra a instituição da Eucaristia, o presente que é ter Jesus bem perto, como ‘carne da nossa carne’. O Pai e Fundador compara a Eucaristia com o alimento diário: “Vejam, a comida, não importa o que comamos ou bebamos, une-se à nossa vida. Há, portanto, uma unidade de vida que é assimilada à nossa natureza, à nossa própria vida. Na Sagrada Eucaristia há um processo semelhante, só que em ordem inversa. Aqui, nós é que somos assimilados, identificados e inseridos na vida de Jesus”.

Para o Pai e Fundador, a celebração da Santa Missa era o momento central do dia. Quem participava da Eucaristia com o Fundador, percebia claramente como ele se concentrava no essencial: Deus estava com ele; e ele com Deus! Esse fato o levava, quando era o caso, a adiar decisões importantes para a manhã seguinte, após a Santa Missa – como fez no dia 20 de janeiro de 1942, na prisão de Coblença.

Amar pelo servir

Outro ponto fundamental desta Quinta-feira Santa é o serviço: “Se eu, o Senhor e Mestre, vos lavei os pés, também vós deveis lavar os pés uns dos outros. Dei-vos o exemplo para que façais a mesma coisa que eu fiz” (Jo 3, 14s). A atitude de serviço é uma continuação da Santa Missa no dia a dia, como acentua o Pe. Kentenich: “Somos apóstolos, missionários, quer estejamos a sós em nosso quarto ou junto com nossa família em casa, no trabalho ou em meio aos divertimentos que a vida moderna nos oferece. Em todas as situações, vale sempre o mesmo: a missa do dia deve se tornar a missa da vida! Sempre de novo vale a palavra: de uma missa para outra”.

Com esse mesmo amor que o Pai e Fundador se dirigia ao altar, podemos sempre de novo nos colocar na presença de Jesus. O Papa Francisco disse à Família de Schoenstatt que “quando celebramos a Eucaristia, celebramos a renovação da Aliança. Não só mimeticamente, mas de uma maneira muito profunda, muito real. É a mesma presença de Deus que renova a Aliança conosco”. A Quinta-feira Santa inicia esse caminho de renovação da Aliança na Páscoa.

 

 

Referências
Cristo minha vida – Textos escolhidos sobre Cristo
Pe. José Kentenich, Sermão para a Comunidade Alemã de São Miguel, em Milwaukee/EUA
12 de abril de 1964

Fonte: schoenstatt.org.br