Brumadinho nos chama para ser comunidade

Juliana Dorigo – Durante seu discurso, na benção da pedra fundamental do Santuário de Londrina/PR, o Pe. José Kentenich disse: “Considerando a nós mesmos, espontaneamente nos surge o pensamento: nós homens pequeninos e incapazes, de repente devemos adquirir poder sobre a Mãe de Deus? Dependerá realmente de nós, que ela estabeleça aqui? O destino de milhões de homens será o mesmo colocado em nossas mãos, por séculos?” [1].

Assim como ele acreditava na força dos pequeninos para realizar grandiosidades, podemos observar por meio da tragédia com o rompimento da barragem em Brumadinho/MG, os pequenos que se unem para demonstrar a solidariedade com os mais necessitados. De fato, tudo indica que a tragédia poderia ser evitada e que houve falta de ser comunidade, absteve-se da preocupação com as pessoas, que trabalhavam ou moravam ao redor da barragem.

No mesmo discurso, o Pai Fundador acrescenta que “Deus escolheu os pequenos deste mundo, para confundir os grandes. É sinal muito promissor o fato de sermos tão poucos e tão pequenos, quase tão insignificantes como esta pedra” [2]. Os pequenos, que se tornam grandes, ao dedicar suas vidas a tarefas por um bem maior. “Outros podem travar grandes lutas, conquistar fama… No entanto, se nós virmos e entendermos bem a tarefa de hoje e a cumprimos, teremos interferido muito mais no mecanismo do tempo” [3].

O que é ser comunidade?
A comunidade, descrita pelo Movimento Apostólico de Schoenstatt como: “consiste em que as pessoas que a constituem vivem uma na outra, com a outra e para a outra. O laço de amor que as une e leva-as sentirem-se profunda e solidariamente responsáveis umas pelas outras” [4]. A união de pessoas, caminhar lado a lado e ser família. “É a comunidade animada pelo vínculo do amor que o Espírito Santo infunde em nossos corações, que vence o coletivismo massificante e também o individualismo que isola” [5].
Pe. Kentenich fez uma reflexão sobre a grandeza de estar unido: “Não acham que se trata de algo grande? Se agora caminharmos lado a lado ao encontro do grande objetivo, creio poder dizer: a Família tornar-se-á grande! E escutamos bradar: ‘Vede como eles se amam!’ ‘Onde dois ou três se reúnem, eu estou no meio deles’. Onde duas ou três regiões se reúnem, somos invencíveis, embora formemos um grupo pequeno, muito pequeno”[6].

O homem novo em comunidade
O Pai Fundador define o homem novo schoenstattiano como: “é a personalidade autônoma, de uma grande interioridade, com uma vontade e disposição permanente em se decidir por si próprio, responsável diante de sua própria consciência e interiormente livre, que se afasta tanto de uma escravidão a formas como de arbitrariedade destruidora dos vínculos” [7].
Criar uma comunidade baseada em homens novos é o principal objetivo do movimento de Schoenstatt, que seja fermento de uma nova ordem cristã da sociedade. Homens e mulheres pequeninos e capazes de grandes feitos em união. O incidente de Brumadinho mostra que esta missão continua atual e é cada vez mais necessária para que surja uma nova terra mariana.

_____
Referências:
[1,2 e 3]: Pe. José Kentenich, discurso durante a benção da pedra fundamental do Santuário de Londrina em 25 de abril de 1948.Livro Documentos de Schoenstatt.
[6]: Pe. José Kentenich, palestra em Santiago (Chile), Terciado de 2 de fevereiro a 1º de março de 1951. Livro Tua Aliança nossa missão.
[4,5 e 7]: Pe. Rafael Fernaández de Andraca. Livro 150 perguntas sobre Schoenstatt, 2011.

 

Fonte:schoenstatt.org.br

 

Papa: é em casa que a fé é transmitida

Jackson Erpen / Cidade do Vaticano – Na Festa do Batismo do Senhro, o Papa presidiu à Celebração Eucarística na Capela Sistina com o Rito do Batismo de 27 crianças. Francisco destacou o papel dos pais na transmissão da fé, pedindo também a eles para nunca brigarem diante das crianças.

Um sinfonia diferente na Capela Sistina na manhã deste domingo, Festa do Batismo do Senhor,  uniu às vozes do Coral Pontifício o choro e o balbuciar das crianças que foram batizadas pelo Santo Padre. Eram 27, acompanhadas pelos pais, padrinhos e madrinhas.

Em sua breve homilia, pronunciada de forma espontânea, o Papa enfatizou a importância do testemunho dos pais na transmissão da fé: É em casa que a fé é transmitida!

“Vocês pedem a fé à Igreja para os filhos de vocês. E hoje eles receberão o Espírito Santo, o dom da fé em seus corações, na sua alma. Mas esta fé, depois, deve se desenvolver, crescer”.

 

Papel dos pais na transmissão da fé

Mas antes de estudar a fé na Catequese que as crianças frequentarão mais adiante – chamou a atenção Francisco  – “a fé é transmitida. E este é um trabalho que diz respeito a vocês. É uma missão que vocês recebem hoje. Transmitir a fé. A transmissão da fé e isso se faz em casa. Porque a fé é sempre transmitida em dialeto, o dialeto da família, o dialeto da casa, no ambiente da casa.”

A missão dos pais, portanto, é “transmitir a fé com o exemplo, com as palavras, ensinando a fazer o sinal da cruz, acrescentou. E isso é importante. Há crianças que não sabem fazer o sinal da  cruz (…). Mas o importante, é transmitir a fé com a vida de fé de vocês. Que vejam  o amor dos cônjuges, que vejam a paz da casa, que vejam que Jesus está ali”.

 

Nunca brigar diante das crianças

Francisco então, dá um conselho aos pais:

“Nunca briguem diante das crianças. Nunca! É normal que os esposos briguem, é normal! Seria estranho se não. Mas façam de forma que eles não ouçam, não vejam. Vocês não sabem a angústia que tem uma criança quando vê os pais brigarem! Permitam-me este conselho, que ajudará vocês a transmitir a fé (…)”.

“É ruim brigar?”, pergunta o Papa. “Nem sempre. É normal, é normal”, responde. “Mas que as crianças não vejam, não escutem, pela angústia”, insiste.

“Mas tenham em mente isto”, reiterou o Pontífice: “A missão de vocês é transmitir a fé a eles, transmiti-la em casa, porque ali se aprende a fé. Depois se estuda na catequese”.

Deixando todos bem à vontade no recinto adornado com afrescos de Michelangelo, Rafael, Perugino e Sandro Botticelli, Francisco disse às mães para não se constrangerem em amamentar as crianças:

“Vocês sabem que as crianças se sentem hoje em um ambiente que é estranho: muito calor, estão cobertas. E sentem o ar abafado – isto por primeiro – e depois choram porque tem fome, tem fome. E um terceiro motivo do choro é o “choro preventivo”. Como algo estranho, não? Não sabem o que acontecerá, “mas primeiro eu choro e depois vejamos…”. É uma defesa. Eu digo para vocês: que estejam acomodados. Cuidem para não cobri-los muito, e se choram de fome, os amamentem. Digo às mães: “Amamentem as crianças, tranquilas, o Senhor quer isto”. Porque elas – onde está o perigo?” – também têm uma vocação polifônica. Um começa a chorar, e o outro faz o contraponto, e o outro, e depois isto se torna um coral de choro. E assim sigamos em frente com esta cerimônia em paz, com a consciência que cabe a vocês a transmissão da fé”.

Fonte: Vatican News

Hoje celebramos a Solenidade da Maternidade Divina de Maria

Ir M Rosequiel Fávero – Hoje a Igreja celebra a Solenidade da Maternidade Divina de Maria. Desta forma, começa o a no civil com o selo mariano e sob seu olhar materno. Mas celebrar Maria como Mãe de Deus diz muito mais.

Quando o dogma da Maternidade Divina de Maria foi proclamado (ano de 431), o que realmente estava em discussão era a identidade daquele a quem ela dera à luz: Jesus Cristo era Deus ou homem, ou os dois juntos? Foi o Concílio de Éfeso que deu a palavra final: Jesus que nasceu em Belém, que foi reconhecido como o filho do carpinteiro em Nazaré, que anunciou o Reino de Deus, foi crucificado e ressuscitou, filho de Maria segundo a geração humana, é Filho de Deus. Portando Maria é Mãe de Deus!

Maria foi plenamente Mãe de Jesus. Como tal prestou serviços maternais ao Filho de Deus: acolheu-o com amor, alimentou-o, dedicou-lhe cuidados e educação.

A verdadeira grande da de Maria como Mãe de Deus, todavia, não reside na sua maternidade natural, mas sim na sua fé heroica. Ela é a discípula missionária de Jesus, é a Mãe do sim obediente e livre. Santo Agostinho, um dos maiores teólogos da Igreja, explica: “Maria carregou Cristo antes em seu coração do que em seu seio”.

A maternidade de Maria, no espírito da fé heroica, não se limitou a Jesus Cristo, mas, recebeu nele uma dimensão universal que abrange todos os tempos e a totalidade dos homens. “Carregado Jesus em seu seio, Maria carregava todos aqueles cuja vida se achava encerrada na do Salvador” (Papa Pio X, na encíclica Ad diem illum). A maternidade espiritual de Maria em relação a toda a humanidade é consequência e complemento da maternidade divina. Dessa forma, Maria está diante de nós como a ‘Nova Eva’, como a verdadeira ‘Mãe dos viventes’ que, pela sua fé e obediência, reparou o que Eva perdera pela sua descrença e desobediência.

O dogma da maternidade divina aponta para a grandeza da mulher como colaboradora de Deus para gerar a vida. Em Maria reconhecemos os traços da mulher que assume sua vocação maternal, seja na maternidade física ou na espiritual (cf. Na Escola de Maria 2, Os Dogmas Marianos, p. 28 a 30).

O Padre Kentenich ensina sobre Maria:

“Sim, ecce Mater tua (Eis aí tua Mãe)! A exclamação de Jesus Crucificado ressoa quase como uma nova revelação. (…) Qual é a nossa resposta ao ‘Ecce Mater tua”? Damo-la com a seguintes palavras: cremos firmemente e cheios de confiança que a Mãe de Deus não é apenas Mãe de Cristo, mas também real e verdadeiramente nossa Mãe, minha Mãe, tua Mãe – portanto, a Mãe Três Vezes Admirável” (Maria, Mãe e Educadora, p. 35).

Reflexão para a Festa da Sagrada Família

Cidade do Vaticano – Neste domingo dentro da Oitava de Natal a Igreja celebra a Festa da Sagrada Família. Vale a pena refletir sobre os textos da liturgia de hoje e sobre suas consequências para a família na atualidade. A Família de Nazaré nos ensina a cristianizar a família pós moderna, recolocando Deus no centro e n’Ele reencontrando a verdadeira felicidade.

O perdão dos pecados acontece por causa de uma atitude de amor para com os pais, pois o lar, Igreja doméstica, voltou a ser o local do encontro com Deus.

A misericórdia em todos os relacionamentos, mas especialmente para com os pais, está em referência ao próprio Deus que é o Pai por excelência. Portanto, honrar os pais, respeitá-los, é prestar culto a Deus.

Tanto a primeira leitura quanto a segunda, da liturgia de hoje, não escondem as falhas no relacionamento familiar e humano, mas nos dizem que o importante aos olhos de Deus não está em ser sem defeitos, em ter uma família perfeita, mas sim na capacidade de amar sem medidas, apesar dos limites e das falhas pessoais. Claro que Deus deseja que sejamos perfeitos, mas mais importante para Ele é que nos amemos e nos perdoemos como Ele nos amou e nos perdoou, sem limites, sem restrições.

Dentro desse pensamento sobre o relacionamento familiar, será importante refletir sobre a realidade da família deste início de século, onde e como vive. Certamente a maioria mora em grandes centros urbanos e é constituída pelo casal e por um ou dois filhos. Um terceiro já faz considerá-la família numerosa.

Também a mãe trabalha fora e pais e filhos se encontram à noite, cansados, muitas vezes diante da televisão, ou durante o jantar. Se isso acontece já poderão se classificar felizes, pois em outros lares, muitas vezes quando pais saem para o trabalho, os filhos ainda dormem e quando voltam eles já estão deitados. O encontro, nesse caso, só se dá no final de semana.

Rezar juntos, passar para os filhos a vivência de uma oração em família, mesmo que seja apenas à mesa, só excepcionalmente, pois em muitos casos, para que possam descansar, não cozinham em casa e vão comer fora, em um restaurante ou na casa de parentes ou de amigos.

É difícil passar valores, enfim, formar os filhos. A sociedade pós moderna penetra em suas entranhas e é muito custoso prepará-los para o futuro, para que sejam filhos e irmãos como Deus quer. Só com a graça divina e com a disposição dos pais para uma autêntica renúncia e sacrifico.

Renúncia aos apelos de dar aos filhos tudo o que a sociedade consumista coloca como valores e que os pais enxergam como coisa boa e vantajosa. É preciso renunciar fazer do filho ou da filha pessoas como nos pede o elitismo, relativizar seus códigos. É preciso questionar os valores propostos por ela e crer nos do Evangelho.

Cabe a pergunta: formo minha família para ser cidadã deste mundo ou para ser cidadã do Reino de Deus, mas neste mundo? Jesus rezou ao Pai dizendo que não queria que nos tirasse do mundo, mas nos preservasse do mal.

Sacrifício: sacrificar significa tornar sagrado. Meu filho, minha filha, são do mundo ou de Deus? O batismo os retirou do paganismo e os fez filhos de Deus, sagrados. Respeito a senhoria de Deus sobre eles ou sou conivente com as solicitações consumistas e mundanas?

A imagem da Família de Nazaré como família migrante e pobre nos obriga a refazer a imagem da família atual, retornando às origens e aos valores, ou seja, a abundância de bens materiais não é necessária para ser feliz e amar a Deus e ao próximo.

É importantíssimo não só a simplicidade de vida, mas sobretudo é fundamental a convivência afetiva e efetiva, além do respeito aos idosos como gratidão e como referência à sua experiência de vida que porta sabedoria e os referenciais da autêntica tradição.

A Família de Nazaré nos ensina a cristianizar a família pós moderna, recolocando Deus no centro e n’Ele reencontrando a verdadeira felicidade.

Fonte: Vatican News

Que presente podemos dar ao Senhor?

Que presente podemos dar ao Senhor?

Em nossa pequenez se reconhece a misericórdia de Deus.

É Natal. Celebrando o nascimento de Jesus, muitos trocam presentes entre si. Mas, o que podemos presentear a essa criança que é Deus todo poderoso? Sente ele falta de alguma coisa? A história de São Jerônimo ajuda a refletir e pensar num presente bem pessoal e bonito para oferecer ao Menino Jesus. Acompanhe:

A história de São Jerônimo:

São Jerônimo, Doutor da Igreja dos primeiros tempos, viveu no século IV e é conhecido pela tradução da Bíblia e por seus muitos escritos pastorais, que foram transmitidos às gerações futuras. Ele morou dois anos em Belém, perto da Igreja do Nascimento de Jesus. Nesta Igreja, no local onde hoje se encontra a grande estrela no chão, indicando o lugar que Jesus nasceu, havia naquele tempo uma manjedoura com uma imagem do Menino Jesus.

São Jerônimo ia muitas vezes nessa Igreja para meditar. Numa dessas meditações pouco antes do Natal, ele contemplou, por muito tempo, o Menino Jesus na manjedoura. Ele viu que a imagem tornou-se viva e sorria. Então, São Jerônimo lhe disse: “Menino Jesus, logo farás aniversário e eu gostaria de dar-te um presente!”.

O Menino Jesus lhe respondeu então: “Se queres presentear-me algo, então, deve ser uma coisa pessoal!”.

São Jerônimo encheu-se de alegria e disse: “Quero presentear-te todos os livros que já escrevi sobre tua pessoa”. O Menino Jesus respondeu: “Jerônimo, isso não é pessoal. De quem recebeste os pensamentos para escreveres tanto? Esses pensamentos te foram dados por meu Pai!”.

Jerônimo refletiu e reconheceu que era verdade. Depois de um tempo, disse: “Então, quero presentear-te a minha alegria em poder visitar-te aqui”. O Menino Jesus disse: “A tua alegria é amor de meu Pai. Foi ele quem te deu a alegria e o amor!”.

Como ainda não tivesse acertado, Jerônimo disse: “Então, quero dar-te minha amabilidade para com os outros”. Mas nem com isto o Menino Jesus estava contente. Ele disse: “Ser amável é uma graça que meu Pai te concedeu. Nada disso quero receber de ti!”.

Por fim, Jerônimo disse: “Menino Jesus, então, vou presentear-te as minhas doenças e todas as dificuldades da vida diária!”. Ele olhou, seriamente, e respondeu: “Reflete se teus cuidados, doenças e sofrimentos não são permissões e disposições que te conduzem mais profundamente no amor e na bênção de meu Pai!”.

E Jerônimo refletiu, refletiu para acertar. Se tudo isso é um dom de Deus, o que me pertence pessoalmente, o que não pertence a Deus e aos outros? De repente, lembrou-se: “Sim, tenho uma vontade livre, posso decidir-me livremente”. Então, ele disse: “Presenteio-te a minha liberdade!”. Mas o Menino Jesus ainda não estava contente: “A vontade livre também foi meu Pai que te deu, mas estás perto para reconhecer o que o meu Pai não te deu!”.

O que darei então?

Jerônimo disse, em voz baixa: “Mas eu me sinto envergonhado em dizer que nem sempre causei alegria com a decisão da minha vontade livre!”. O Menino Jesus sorriu e exclamou: “O fato de sentires vergonha também é uma graça de Deus. Mas atrás da vergonha existe algo que não queres mostrar e é isto que pertence a ti!”.

Jerônimo enrubesceu e perguntou: “Mas minhas culpas e pecados podem causar-te alegria?”.
E o Menino Jesus respondeu: “A maior alegria que podes causar a mim e ao meu Pai é presentear-me todos os teus pecados, pois o amor misericordioso de meu Pai é tão grande que ele me mandou ao mundo para libertar todos os pecadores da sua culpa. Foi dado a mim fazer expiação, pelo sofrimento e morte na cruz, para que teu coração se tornasse mais aberto e amplo para o amor de meu Pai. Lembra-te que “na cruz está a salvação!”.

Então, Jerônimo escreveu esta meditação a todos os que querem alegrar o Menino Jesus com seus presentes.

A Palavra de Deus em Exemplos, G. Mortarino J. C. Edições Paulinas, SP. 1ª edição, 1961, p. 95

schoenstatt.org.br

O Natal já bate à porta de nosso coração

Ir. M. Nilza P. da Silva – Este 4º Domingo do Advento apresenta-nos uma verdade muito profunda: Deus quis vir até nós por meio de Maria. A primeira leitura nos indica que Deus escolhe o que é pequeno, para realizar seus planos. Em seguida, Paulo indica que o que mais agrada ao Senhor é a entrega total de nós mesmos. O Evangelho apresenta-nos Maria, a pequena Serva do Senhor, cmo modelo de quem sente-se inteiramente pequena, mas, por sua entrega sem reservas aos planos de Deus, se tornou a “Bendita és tu entre as mulheres e bendito é o fruto do teu ventre!” (Lc 1,42)

Deus escolheu Maria

Como ela canta em seu Magnificat: “Ele olhou para a pequenez de sua serva e grandes coisas operou em mim o Todo-poderoso” (Lc 1,48). Ele se fez carne em sua carne, fez dela o seu primeiro sacrário, sua morada. Como portadora de Deus, ela se fez missionária, está sempre a caminho. Como em sua visita a Isabel, ela chega sempre de novo ao nosso lar, ao nosso coração. São João Paulo II escreve: ‘‘Feliz d’Aquela que acreditou (Lc 1, 45): Maria antecipou também, no mistério da encarnação, a fé eucarística da Igreja. E, na visitação, quando leva no seu ventre o Verbo encarnado, de certo modo Ela serve de ‘sacrário’ – o primeiro ‘sacrário’ da história para o Filho de Deus, que, ainda invisível aos olhos dos homens, Se presta à adoração de Isabel, como que ‘irradiando’ a sua luz através dos olhos e da voz de Maria. ”

Ela mora entre nós

Ela é bendita entre todas as mulheres também porque é plenamente Mãe de todos os cristãos. Como Mãe de Deus feito homem, Mãe de Cristo, ela é também Mãe de todo cristão e não se cansa de visitar-nos também hoje. Mais que isso, para estar bem junto de nós, ela estabelece sua morada no meio de seus filhos. Pe. Kentenich escreveu em 1954, sobre os Santuários marianos: “A piedade e fé populares, mas também muitos concílios, testemunham que ela estabeleceu de modo particular o seu trono nesses lugares, para viver e atuar em meio ao povo, para acolher suas aflições, aceitar suas homenagens e conduzi-lo vitoriosamente por todas as batalhas do nosso tempo. Assim como o sol brilha em todo o lugar, mas atua com maior fecundidade em determinados lugares e regiões, e assim como em alguns lugares da terra existem fontes extraordinárias de águas medicinais, em seus lugares.”

O que ela faz em seu Santuário?

“Onde se estabelece, a Mãe e Rainha Três Vezes Admirável de Schoenstatt atua segundo seu modo de ser, sobretudo como Educadora para os tempos de hoje. Seus Santuários são sementeiras e oficinas da nova personalidade e da nova ordem social, tal como Deus as deseja para que a Igreja possa realizar plenamente sua missão histórica. A partir dali, ela quer atrair a si os corações e educá-los como instrumentos perfeitos em suas mãos. Todos os que ali se consagram a ela, todos os que ali selam uma Aliança de Amor com ela são por ela introduzidos numa séria escola de verdadeira e sólida santidade de todos os dia, como o tempo atual exige.

Deus os confia aos seus cuidados a fim de que sejam por ela educados a partir do Santuário, para os grandes planos divinos. É este o método que Deus costuma aplicar em seus prediletos: ele os entrega a sua Mãe para que ela os eduque.” (Pe. Kentenich)

Na Noite Santa, Deus vem habitar entre nós e se deixa encontrar, como Menino, nos braços de Maria. Pelo seu exemplo, nos ensina que seu o santuário coração de nossa Mãe deve ser para cada um de nós um lugar em que podemos ter uma profundo encontro ele.

Faltam poucos dias! Vamos a Belém! Vamos ao Santuário coração da Mãe de Deus, para encontrar-nos pessoalmente com Jesus.

Fontes:
Encíclica “A Igreja vive da Eucaristia”, Papa João Paulo II, 55

Maria, Mãe e Educadora, Pe. José Kentenich

Schoenstatt.org.br

Final – Padre Kentenich nos ensina a viver o Advento: diante da cruz e do sofrimento

Ir. M. Inácia Bett – Continuando a reflexão do Pe. José Kentenich sobre a preparação ao Natal, reflitamos sobre nossa postura perante às cruzes e sofrimentos:

Precisamos repetir sempre de novo, dia por dia: hoje o bom Deus quer derramar o seu amor sobre mim. E mesmo que me visite com cruzes e sofrimentos, continuarei acreditando no seu amor. Os santos aceitaram as cruzes e os sofrimentos como dádivas especiais de Deus. Henrique Seuse sentia-se infeliz quando passava alguns dias sem ter que carregar alguma cruz especial.
É bom perguntar-nos muitas vezes, também no exame de consciência: presenteou-me, hoje, o bom Deus, seus benefícios? Lembrei-me de agradecê-lo? E renovo o meu agradecimento, o meu muito obrigado! Perguntemo-nos onde mais experimentamos a proteção de Deus. Realmente, Ele nos ama!

Aqui começa o que nós chamamos de doutrina da Divina Providência – o bom Deus mantém um relacionamento paternal e pessoal conosco. Ele diz um sim paternal à minha pessoa. Que aprendemos no catecismo sobre a Divina Providência? Que, desde toda a eternidade, com amor, sabedoria e onipotência, Deus traçou o grande plano do mundo e também o plano de minha pequena vida. E que, com amor, sabedoria e onipotência, Ele realiza o pequeno plano de nossa vida, até seus mínimos detalhes, mas sempre em dependência de nossa livre vontade.

Da parte de Deus, isto inclui dois atos:

1º – Um ato de inteligência. Ele fez um plano e nele incluiu tudo o que hoje acontece no mundo. Isto nos tranquiliza. Tudo está previsto. “Tudo vem da bondade de Deus.”

2° –  Em segundo lugar, um ato da vontade. Ele quer que todas as coisas da vida sirvam à realização de seu plano.

Precisamos aprofundar estes pensamentos na oração. Portanto, nada do que acontece, deve transtornar-nos. Precisamos repetir muitas vezes: Se rugir a tempestade não precisamos temer! A fé na Providência é inata em nós, católicos. Atrás de tudo vemos a vontade paternal de Deus. Sei que sou amado e que minha sorte não é jogada cegamente de cá para lá. Atrás de todos os acontecimentos encontramos Deus Pai. Aprofundemos estes pensamentos em meditações. A meditação não precisa trazer sempre novas ideias. Devemos ser homens de uma única e grande ideia.

Portanto, precisamos adquirir,
* Uma nova mentalidade de criança semelhante a Deus,
* Uma nova atitude filial diante de Deus e de todos os acontecimentos.

Rezemos a oração predileta de Ir. M. Emílie:

“Eu sei que tu és meu bom Pai, em cujo amor estou abrigado.
Eu não pergunto aonde vais, seguir-te quero sem cuidado.

E se a mim, ao meu dispor, me desses minha própria vida,
Repô-la-ia em tuas mãos, em confiança sem medida”.

* Ir. M. Inácia Bett é responsável pelo Secretariado pela Beatificação do Fundador e de Ir. M. Emilie, em Atibaia/SP

Fonte: schoenstatt.org.br

Parte 3 – Padre Kentenich nos ensina a viver o Advento: Tempo de viver como filho

Ir. M. Inácia Bett – Pe. Kentenich indica caminhos de preparação ao Natal, dizendo que o mais belo que Deus nos deu, como Família de Schoenstatt, é a singela fé na Divina Providência. Como famílias genuinamente cristãs, precisamos dar muita importância a uma singela fé na Providência. O motivo mais profundo para isto é a verdade de que, a graça da filiação recebida no batismo é graça de filialidade ou de espírito filial.

Olhemos ao presépio! O Advento quer novamente despertar o nosso anseio. Ele quer recordar-nos que devemos ser filhos de um anseio muito profundo. Quer conscientizar-nos mais profundamente da grande distância existente entre o ideal e a realidade.

“Aquele que sou saúda tristemente aquele que eu deveria ser”.

Temos diante de nós a imagem do que gostaríamos de ser. Assim como sou, com todas as minhas fraquezas, saúdo tristemente aquele que eu deveria ser. Assim estamos diante de nosso Ideal Pessoal e o Ideal de nossa Família. No tempo do Advento, deveríamos ver nosso Ideal Pessoal ou o Ideal da Família nesta nova luz. Seria esta uma forma de saborearmos o Advento de maneira indizivelmente profunda.

Levar a sério o ser e viver como filho

Sê acredito na autenticidade das palavras de Jesus, então devo prestar-me conta a respeito, devo poder dar uma resposta à pergunta: Está a filialidade contida no meu Ideal Pessoal e no Ideal da Família? Aspiro conforme a grande ideia: tornar-me obra e instrumento nas mãos da Mãe Três Vezes Admirável de Schoenstatt?

Se a Família total e cada um de seus filhos não for obra da Mãe Três Vezes Admirável, então Schoenstatt também não é nossa obra. Percebemos que aqui existe forte dependência e vinculação filial. E podemos apalpar com as mãos esta dependência.

Schoenstatt é filho da Mãe de Deus e, consequentemente, também do Pai. Quem compreende profundamente o espírito de Schoenstatt, compreende também o espírito da filialidade. É como se expressou, certa vez, um Bispo: “Schoenstatt não perecerá enquanto permanecer fiel às palavras: ‘Servus Mariae nunquam peribit’”. Um servo de Maria não perecerá! Um filho da Mãe Três Vezes Admirável não pode perder-se. Poderá, de vez em quando, ser bem sacudido, mas não se perderá. Precisamos, então, fazer-nos algumas perguntas e dar-nos mesmos as respostas: é minha atitude em relação ao Pai e à Mãe, singela e filial?

Duas palavras gravam profundamente em nós a importância do tornar-nos criança, do ser filial. Queremos novamente interrogar a Jesus e recolher tudo o que Ele disse a respeito do tornar-se criança, na ocasião em que proclamou a grande lei do Reino dos jovens e das crianças.

Vejamos. Ele está cansado, fatigado! Algumas mulheres se aproximam. Elas amam Jesus, estão cheias de entusiasmo por Ele e têm um grande desejo: que sua mão repouse sobre a cabeça de seus filhinhos, abençoando-os. Elas nem pensam no cansaço de Jesus. Apenas ali chegara e já vêm ao seu encontro com seus filhos. E os apóstolos, como pessoas razoáveis, acham que devem proteger Jesus. Mas Ele lhes diz: “Deixai vir a mim estas criancinhas…” (Mt 19,14).

Para refletir:

Como o ser filial está expresso em meu Ideal pessoal e Ideal de família (Santuário Lar)?

– Ir. M. Inácia Bett é responsável pelo Secretariado pela Beatificação do Fundador e de Ir. M. Emilie, em Atibaia/SP

Fonte: schoenstatt.org.br

Quando o coração em Aliança se torna manjedoura

Karen Bueno – A penúltima vela na coroa do advento está acesa e a contagem regressiva para o grande dia vai se aproximando do fim. Providencialmente, faltando menos de uma semana para o Natal, chega o momento de novamente renovar a Aliança de Amor.

Pe. Kentenich sempre recorda que a Aliança de Amor com a Mãe de Deus representa “uma troca de corações, uma troca de dons e uma troca de tarefas – doo à Mãe de Deus o meu coração e ela doa-me o seu coração”.

Desse modo, renovar a Aliança no mês de dezembro é uma forma concreta de preparar o coração para acolher o Menino Jesus no Natal. É novamente oferecer o coração à Mãe de Deus, para que ela faça dele uma manjedoura.

Pe. Kentenich diz que, “em virtude da Aliança de Amor, faço meus os interesses de Maria e ela faz seus os meus interesses”. Ele afirma também que conhecemos o âmbito dos interesses da Mãe de Deus: “Seu ser, também sua vida e atuação estão inteiramente voltados para Cristo… Ela só existe em função dele. Não conhece outro fundamento para a sua existência. Por isso, entrega-se total e perfeitamente, por tempo e eternidade, exclusivamente aos interesses, às necessidades e desejos de Cristo e do Reino de Deus”.

Isso traz consequências muito bonitas para aqueles que selaram a Aliança de Amor, pois Maria leva a atenção pessoal de seus filhos a se voltar também para Cristo. O Pai e Fundador reconhece esse cuidado maternal: “Pela consagração, somos inseridos o mais perfeitamente possível neste mundo de valores: nós, que devido à situação atual corremos permanentemente o risco de sermos dominados pelo espírito do mundo, pela agitação dos negócios, pela matéria. Graças a Deus podemos e devemos confessar que a Mãe de Deus assume a responsabilidade por nós, em virtude da Aliança de Amor”.

Para além do coração

Um coração renovado pelo amor pede, também, atos de amor. Quando chega o Natal, as oportunidades de realizar boas ações são inúmeras – é tempo de presentear as pessoas queridas, colaborar nas campanhas sociais da paróquia ou instituições, rezar pelo próximo, ajudar os necessitados com alimentos, roupas, acessórios… Tudo o que é solidário se intensifica nesse período.

A Aliança de Amor se concretiza também por esses gestos missionários que podem ser vividos no Natal – ela é “uma troca de dons e de tarefas”. Cada aceno de carinho e ternura realizado faz ‘suave violência’ à Mãe.

Ao renovar a Aliança, Maria torna os interesses de seus filhos unicamente os interesses de Cristo, renovando, assim, a vivência do Natal. Por isso, nesse dia 18, peçamos com ela:

“Vem Jesus, ó Rei divino, ao meu pobre coração. Eu te espero com saudade, alegria e gratidão. Se o mundo te rejeita, com dureza e rigor, minha alma te acolhe, com ternura e amor”.

*As citações são retiradas do livro: Tua Aliança, nossa missão – Textos escolhidos do Pe. José Kentenich sobre a Aliança de Amor. Peter Wolf. Sociedade Mãe e Rainha, 2014, Santa Maria/RS.

Parte 2 – Padre Kentenich nos ensina a viver o Advento: Devemos nos tornar divinizados

Ir. M. Inácia Bett – Deus se fez homem, nascendo como criança. E nós devemos tornar-nos divinizados pelo caminho do renascimento espiritual e não somente nas quatro semanas do Advento, mas até o fim de nossa vida. Jesus coloca diante de nós, como objetivo de vida: “Se não vos transformardes e não vos tornardes como as criancinhas…” (Mt 18,3). Que, então, exige Ele de nós? Um novo nascimento!

Se, no Advento, Jesus exige que nos tornemos crianças no sentido do mistério do Natal, significa que perante Deus sejamos verdadeiras crianças, semelhantes a Jesus no presépio. O ser criança ou o ser filial perante Deus possui diversos graus. No primeiro grau, a filialidade procura-se muito a si mesmo; quer experimentar abrigo, ser feliz. Vista no segundo grau, filialidade é dedicação desinteressada de si mesmo, como Jesus nos ensinou e previveu. Sua vida foi caracterizada pela atitude filial: “O que agrada ao Pai, e não o que agrada a mim. …” A vontade do Pai é para o Filho a medida de todas as coisas (cf Jo 8, 29). A atitude de filialidade significa austeridade vigorosa. Nossa tarefa consiste em aspirar as qualidades nobres da criança, do filho.

A criança é uma revelação original de Deus. Ela é:

— reflexo original de Deus.  É como um espelho que reflete a imagem do Pai, é presença de Deus no ambiente em que vive e
atua. Jesus diz: “Quem me vê, vê o Pai” (Jo14,30) e “Eu e o Pai somos um”(Jo10,30)

— indicação original a Deus . -Nosso ser e nossa vida deveriam  ser sempre um indicador para Deus. Jesus diz: “Eu sou o
caminho, a verdade e a vida” (Jo 14,6)

— glorificação de Deus.  “Glorifico-te Pai, senhor do céu e da terra…” (Mt11,25 ss.)

Para refletir:
Como, em meio as tribulações do dia a dia, posso ser um reflexo de Deus, uma indicação a Deus e como posso glorificar a Deus?

*Ir. M. Inácia Bett é responsável pelo Secretariado pela Beatificação do Fundador e de Ir. M. Emilie, em Atibaia/SP

Fonte: schoenstatt.org.br