7 de outubro: Dia da Mãe e Rainha do Rosário

 

Karen Bueno – Podem ser bolinhas de madeira, bolinhas coloridas, podem ser missangas ou até mesmo dez marcas numa enxada… Tudo isso pode ajudar a parar um momento durante o dia e rezar – ou até mesmo rezar trabalhando, como fazia do Sr. João Pozzobon ao capinar a terra. No dia 7 de outubro a Igreja celebra Nossa Senhora do Rosário e convida a recordar o valor dessa oração.

O que te vem à mente quando se fala na oração do Terço?

É quase impossível, para um schoenstattiano, falar sobre o Rosário e não se lembrar de João Luiz Pozzobon. A imagem mais conhecida dele traz a Mãe Peregrina Original segurada sobre o ombro e o terço na outra mão.

João, aos poucos, começou a rezar 15 terços diariamente: “O Rosário é ainda algo que dá segurança e se o tirássemos, o povo ficaria com as mãos vazias. Seria despojá-lo do pouco alimento espiritual que tem”. O Diác. João também explicou, e acrescentou, que “o Rosário é a liturgia dos pobrezinhos, através da qual se aproximam de Deus por meio de Nossa Senhora”. E conta: “Por todas as experiências que fiz, o Rosário é um meio para unir o povo, para promover movimentos de romarias. Depois de rezar o terço, pode-se evangelizar as famílias” [2].

Ele descobriu uma coisa importante em suas caminhadas ao longo da vida: “Através do Santo Rosário é que se tornam conhecidos e amados por todos a Mãe de Deus e o Deus Uno e Trino” [3].

 

     

      (Foto: cathopic.com)

 

Em todas as situações

O Pe. José Kentenich, por inspiração divina, entendia o terço como o “breviário das famílias”.

Mas, o que é um “breviário”? Breviário é o nome dado ao livro no qual se encontram os textos da Liturgia das Horas (ou “Ofício Divino”), que é a oração pública e comunitária oficial da Igreja Católica. Os sacerdotes e religiosos precisam rezar diariamente o Ofício, mas, como isso seria possível na realidade das famílias? A resposta encontrada pelo Pe. Kentenich está no Rosário:

“Os padres rezam o breviário e as religiosas rezam o breviário… E nós [famílias], no futuro, vamos rezar também o breviário? Pois bem, se tomarmos o volumoso breviário dos padres na mão para rezar, certamente não teríamos mais tempo para criar os filhos, não poderíamos mais trabalhar e cuidar corretamente da comida e bebida para eles”.
“O rosário é o nosso breviário familiar, o breviário para uma família que considera o Santuário o centro de sua vida”.[4]

Pe. Kentenich também estimula a aplicar a oração do Terço no dia a dia, tanto nos momentos de alegria e gratidão, como nos momentos de dificuldade:

– A minha esposa foi abençoada com um novo filho e espera o nascimento, estou preocupado… O que fazer?
– Meus filhos estão diante de exames e provas…
– Eu mesmo estou procurando um novo trabalho, estou em grandes apuros financeiros…
– Preciso construir uma casa… O que fazer? Seguramos o rosário na mão. O rosário é a armadura de luta em todas as situações.

Neste dia de Nossa Senhora, “poderíamos usar também o rosário para vincular-nos, sempre mais profunda e intimamente, ao Santuário”, fazendo uma visita espiritual à Mãe de Deus e oferendo as dezenas de amor que existem no coração.”

 

[1] KENTENICH, Pe. José. O Rosário. Palestras sobre o Rosário para Famílias da cidade norte-americana de Madison

[2] URIBURU, Pe. Esteban J. Heroi Hoje, Não Amanhã. Carta à Ir. Lucia dos Santos, 29 de julho de 1972

[3] URIBURU, Pe. Esteban J. Heroi Hoje, Não Amanhã. Testamento Espiritual do Servo de Deus João Luiz Pozzobon.

[4] KENTENICH, Pe. José. O Rosário. Palestras sobre o Rosário para Famílias da cidade norte-americana de Madison

 

Fonte: schoenstatt.org.br

Um chamado à decisão por Cristo

A Liturgia da Palavra deste primeiro domingo da Quaresma insere-nos na luta pela qual nossos primeiros pais, Adão e Eva, tiveram que combater e da qual, nem mesmo o Filho de Deus foi poupado. Conhecemos o resultado: pela desobediência Adão e Eva romperam a amizade com Deus, desperdiçaram a graça da sua presença e prostraram a humanidade toda na mesma condição. Por outro lado, contemplamos a obediência de Cristo, o novo Adão que se coloca totalmente no plano da sua relação com o Pai, pois, para Jesus, ser “Filho de Deus” significa viver em comunhão com o Pai, escutar a sua voz e realizar os seus planos. Deste modo convida-nos a olhar com seriedade para a nossa principal tarefa como cristãos. Sobre ela fala-nos o  Padre Kentenich, em uma homilia quaresmal de 1963:

A tarefa essencial do cristão “consiste em decidir-se definitivamente contra o demônio e a favor do bom Deus. Deveríamos fazê-lo sempre de novo, em nossa vida, e começar a Quaresma com uma dupla decisão. Deveríamos aprender a repetir, todos os dias, o que o Evangelho nos diz: ‘Afasta-te de mim, Satanás’.”

FreepikAssumir as promessas batismais

No Batismo — e sempre que renovamos suas promessas, seja na Vigília Pascal, ao selarmos a Aliança de Amor ou em outra ocasião especial — proclamamos nossa decisão por Cristo e seu Reino, e também a renúncia ao demônio.

Em primeiro lugar, renunciamos ao pecado, a tudo aquilo que provoca desunião e ao próprio autor e princípio do pecado. Com o coração e a alma abertos, professamos particularmente a nossa fé: creio em Deus Pai, Criador de todas as coisas; no Filho, Redentor do mundo; no Espírito Santo, santificador; na Igreja e nas verdades que ela professa.

Uma decisão diária

Entretanto, esse ato não pode permanecer isolado ou restrito a momentos ‘solenes’. Ele precisa repercutir na vida cotidiana, nas pequenas e grandes decisões e atitudes que tomamos. Assim, tornamos fecunda a graça da filiação divina que recebemos no Batismo.

Cada escolha concreta — no modo de falar, agir, perdoar, servir e resistir às tentações — torna-se uma renovação prática daquela decisão fundamental: estar com Deus e contra tudo o que nos afasta d’Ele.

A Quaresma, portanto, é tempo privilegiado para reafirmar essa opção. Não se trata apenas de evitar o pecado, mas de escolher ativamente a vontade de Deus, nosso Pai, que nos ama e nos chama a colaborar com o seu plano de amor.

 

 

Estímulos do Papa Leão XIV para a Quaresma

“Escutar e jejuar. Quaresma como tempo de conversão” é o título da mensagem do Papa Leão XIV para a Quaresma de 2026. O Santo Padre nos estimula a não apenas jejuar abstendo-nos de alimentos, mas, de modo especial, de palavras ofensivas, aumentando o espaço que damos à voz do outro.

Primeiro passo: ESCUTAR

“Este ano gostaria de chamar a atenção, em primeiro lugar, para a importância de dar lugar à Palavra através da escuta, pois a disponibilidade para escutar é o primeiro sinal com que se manifesta o desejo de entrar em relação com o outro.” Em um tempo no qual se busca tanto ‘ter voz’, abrir espaço para que o outro fale é um grande desfio. Mas “entrar nesta disposição interior de recetividade significa deixar-se instruir hoje por Deus para escutar como Ele, até reconhecer que «a condição dos pobres representa um grito que, na história da humanidade, interpela constantemente a nossa vida, as nossas sociedades, os sistemas políticos e econômicos e, sobretudo, a Igreja”, ressalta Leão XIV.

Foto: Freepik

Segundo passo: JEJUAR

Talvez nos venha aos pensamentos quais alimentos podemos abster-nos neste tempo quaresmal: doces, bebidas, ou ainda impor-nos limites na alimentação a fim de fortalecer nossa vontade para realizar os desejos de Deus… Porém, neste aspecto, o Santo Padre nos sugere algo diferente, sem esquecer da importância deste exercício de penitência: “gostaria de vos convidar a uma forma de abstinência muito concreta e frequentemente pouco apreciada, ou seja, a abstinência de palavras que atingem e ferem o nosso próximo. Comecemos por desarmar a linguagem, renunciando às palavras mordazes, ao juízo temerário, ao falar mal de quem está ausente e não se pode defender, às calúnias. Em vez disso, esforcemo-nos por aprender a medir as palavras e a cultivar a gentileza: na família, entre amigos, nos locais de trabalho, nas redes sociais, nos debates políticos, nos meios de comunicação social, nas comunidades cristãs. Assim, muitas palavras de ódio darão lugar a palavras de esperança e paz.”

Um apelo

“Comprometamo-nos a fazer das nossas comunidades lugares onde o clamor de quem sofre seja acolhido e a escuta abra caminhos de libertação, tornando-nos mais disponíveis e diligentes no contributo para construir a civilização do amor”, este é o apelo final do Sumo Pontífice, para toda a Igreja Católica.
Como Família de Schoenstatt brasileira, que caminha sob o lema “Em diálogo com a vida, herói hoje”, possamos aprofundar estas palavras do Santo Padre e torná-las vida em nosso caminho de santidade nas pequenas coisas.

Leia na íntegra a MENSAGEM DE SUA SANTIDADE PAPA LEÃO XIV PARA A QUARESMA 2026

Foto da capa: VaticanNews

Hoje celebramos Nossa Senhora de Lourdes

Hoje a Igreja recorda a aparição de Nossa Senhora em Lourdes/França.

Aparição
Foi no ano de 1858 que a Virgem Santíssima apareceu 18 vezes nas cercanias de Lourdes, França, na gruta Massabielle, a uma jovem chamada Santa Marie-Bernard Soubirous ou Santa Bernadete. Essa santa deixou por escrito um testemunho que entrou para o ofício das leituras de 11 de fevereiro.

Escritos
“Certo dia, fui com duas meninas às margens do Rio Gave buscar lenha. Ouvi um barulho, voltei-me para o prado, mas não vi movimento nas árvores. Levantei a cabeça e olhei para a gruta. Vi, então, uma senhora vestida de branco; tinha um vestido alvo com uma faixa azul celeste na cintura e uma rosa de ouro em cada pé, da cor do rosário que trazia com ela. Somente na terceira vez, a Senhora me falou e perguntou-me se eu queria voltar ali durante quinze dias. Durante quinze dias lá, voltei; e a Senhora apareceu-me todos os dias, com exceção de uma segunda e uma sexta-feira. Repetiu-me, vária vezes, que dissesse aos sacerdotes para construir, ali, uma capela. Ela mandava que fosse à fonte para lavar-me e que rezasse pela conversão dos pecadores. Muitas e muitas vezes perguntei-lhe quem era, mas ela apenas sorria com bondade. Finalmente, com braços e olhos erguidos para o céu, disse-me que era a Imaculada Conceição”.

Conversão para os pecadores
Maria, a intercessora, modelo da Igreja, imaculada, concebida sem pecado, nessa aparição, pediu o essencial para a nossa felicidade: a conversão para os pecadores. Ela pediu a conversão dos pecadores pela oração, conversão e penitência.

Contexto
Isso aconteceu após 4 anos da proclamação do Dogma da Imaculada Conceição. Deus quis e Sua Providência Santíssima também demonstrou, dessa forma, a infalibilidade da Igreja, que chancela do céu essa aparição da Virgem Maria em Lourdes, os milagres que aconteceram e continuam a acontecer naquele local, lá onde as multidões afluem, o clero e vários Papas estiveram.

Nossa Senhora de Lourdes é a padroeira dos que sofrem com as doenças. Por isso hoje, 11 de fevereiro, é o Dia Mundial do Enfermo.

Fonte: Canção Nova

Foto: cathopic.com

Bem-aventuranças: programa do Reino dos Céus

 

O Sermão da Montanha, introduzido pela proclamação das bem-aventuranças, é o programa do Reino dos Céus já presente entre nós. Elas constituem as virtudes de Jesus. São, segundo Santo Agostinho, uma regra perfeita de vida cristã. Nas bem-aventuranças encontramos valores universais, que podem ser entendidos e acolhidos por todos. As bem-aventuranças são o caminho concreto para a transformação deste mundo em um mundo de fraternidade, justiça e paz.

Bem Aventurados os pobres de espírito (…). Os bens, desde que sejam adquiridos com justiça, devem ser possuídos e administrados em justiça. A ganância é contrária à pobreza de espírito. Deixemos que o Espírito nos dê um coração de pobre. Somos mendigos do Espírito.

Bem Aventurados os que choram (…). Vivamos numa experiência da misericórdia divina no nosso coração. Deixemos que Deus enxugue as nossas lágrimas e recebamos a sua consolação. Acreditemos que por maiores que sejam os nossos sofrimentos e dores, a Misericórdia divina superabunda tudo isso.

Bem Aventurados os mansos (…). Conhecemos que a mansidão, a paciência e a humildade são caminhos para a glória eterna. Sejamos mansos, puros e humildes.

Bem Aventurados os que têm fome e sede de justiça (…). A nossa fome e sede do espírito são de amor a Deus, que é justiça e de amor ao próximo. Desenvolvamos essa fome espiritual, que só a fé sacia.

Bem Aventurados os misericordiosos (…). A misericórdia é a força do nosso coração. Como a anunciamos aos irmãos?

Bem Aventurados os puros de coração (…). O nosso coração cresce em sinceridade e retidão para com os outros? Cultivamos um coração simples? Deixemos vivificar em nós, a experiência de que somos templos do Espírito Santo.

Bem Aventurados os pacíficos (…). Os nossos valores éticos constituem uma afirmação evangélica contra as normas de uma sociedade desprovida do Deus de Amor. A Paz esteja convosco: disse-nos Jesus. Assim, ela é um dom de Deus. Somos construtores da paz. Nunca se esqueça que a Paz se opõe as atitudes de guerra, de agressividade, de conflito e de autoritarismo.

Bem Aventurados os que sofrem perseguição (…). As perseguições, mentiras e ataques perseguem os discípulos de Jesus. Como ontem, assim hoje são perseguidos, às vezes até pela própria família. Você é perseguido? A explicação está aí. Por isso, aguente firme. Aceitemos tudo isso, para nos deixarmos morrer interiormente, afim de que Cristo ressuscite em nós. Que a partilha das Bem-Aventuranças contribua para uma vivência de vida cristã e de uma comunidade de amor.

 

Fonte: Canção Nova

Imagem: Wikipedia

Hoje é dia de Dom Bosco: Pai e Educador da juventude

Hoje a Igreja celebra a memória de São João Bosco, patrono da juventude.

O Fundador do Movimento de Schoenstatt, Padre José Kentenich, muitas vezes citou Dom Bosco em suas palestras, apontando o valor de sua ‘pedagogia do amor’.

Dom Bosco nasceu perto de Turim, na Itália, em 16 de agosto de 1815. Muito cedo conheceu o que significava a palavra sofrimento, pois perdeu seu pai tendo apenas 2 anos. Sofreu incompreensões por causa de um irmão muito violento que teve. Dom Bosco quis ser sacerdote, mas sua mãe o alertava: “Se você quer ser padre para ser rico, eu não vou visitá-lo, porque nasci na pobreza e quero morrer nela”.

 

Um grande sacerdote, mas incompreendido

Logo, Dom Bosco foi crescendo diante do testemunho de sua mãe Margarida, uma mulher de oração e discernimento. Ele teve de sair muito cedo de casa, mas aquele seu desejo de ser padre o acompanhou. Entrou para o seminário em 1835 e, em junho de 1841, aos 26 anos de idade, ele recebeu a graça da ordenação sacerdotal. Um homem carismático, Dom Bosco sofreu. Desde cedo, ele foi visitado por sonhos proféticos que só vieram a se realizar ao longo dos anos. Um homem sensível, de caridade com os jovens, que se fez tudo para todos. Dom Bosco foi ao encontro da necessidade e da realidade daqueles jovens que não tinham onde viver e necessitavam de uma nova evangelização, de acolhimento. Um sacerdote corajoso, mas muito incompreendido. Foi chamado de louco por muitos, devido à sua ousadia e à sua docilidade ao Divino Espírito Santo.

 

Educador dos jovens e devoto de Maria

Dom Bosco, criador dos oratórios, e, por meio desses, as catequeses e orientações profissionais foram surgindo para os jovens. Enfim, Dom Bosco era um homem voltado para o céu e, por isso, enraizado com o sofrimento humano, especialmente dos jovens. Grande devoto da Santíssima Virgem Auxiliadora, foi um homem de trabalho e oração. Exemplo para os jovens, foi pai e mestre, como encontramos citado na liturgia de hoje. São João Bosco foi modelo, mas também soube observar tantos outros exemplos. Em 1859, tendo o auxílio de Papa Pio IX, fundou a Congregação dos Salesianos dedicada à proteção de São Francisco de Sales, que foi o santo da mansidão. Isso Dom Bosco foi também para aqueles jovens e para muitos, inclusive aqueles que não o compreendiam.

 

 

Em 31 de janeiro de 1888, tendo se desgastado por amor a Deus e pela salvação das almas, ele partiu, mas está conosco no seu testemunho e na sua intercessão. Foi beatificado por Pio XI em 2 de junho de 1929 e canonizado pelo mesmo em 1 de abril de 1934. Por ocasião do centenário de sua morte, São João Paulo II, o declarou “pai e mestre da juventude”.

Fonte: Canção Nova

São Tomás de Aquino: o ‘doutor angélico’

 

Juliana Gelatti Lovato – Neste dia 28 de janeiro, a Igreja faz memória a São Tomás de Aquino, o maior doutor e uma de suas colunas mestras em matéria doutrinal e teológica, ao lado de São Paulo e Santo Agostinho. Por ser domingo, a memória deste santo não é celebrada, mas vale a pena recordá-lo.

Monge dominicano, Dão Tomás de Aquino conciliou a fé cristã ao conhecimento herdado de Aristótelese  é hoje também chamado de Doutor Angélico ou Doutor Universal. Mas, nos seus tempos de faculdade, seu apelido era bem diferente: por seu porte corpulento e temperamento fleumático e silencioso, os colegas o chamavam de “o boi mudo da Sicília”, sem suspeitar dos prodígios que o Espírito Santo e Nossa Senhora já realizavam em seu interior.

Além da indiscutível influência em toda a doutrina católica, São Tomás também foi uma fonte de inspiração para o Pe. José Kentenich, que resgatou de seu maior legado, a Suma Teológica, o princípio das “causas segundas”. Segundo ele, Deus é a “causa primeira”, a origem de tudo, e se serve de suas criaturas como causas segundas livres (o homem) e causas segundas inanimadas (a criação material) para completar sua obra. Outros princípios filosóficos e teológicos pregados por São Tomás e ensinados pelo Pe. José Kentenich são: 1) a graça constrói sobre a natureza e 2) a ordem do ser é a ordem do agir.

A vida de São Tomás

São Tomás é o mais novo de 12 irmãos, nascido em uma família nobre e guerreira, na fortaleza de Roccasecca, na região da Sicília, sul da Itália, entre os anos de 1224 e 1225. O futuro dos filhos é planejado com cuidado e, além de almejar posições na corte, seus pais também abrem o caminho para alguns dos filhos seguirem a vocação religiosa e sacerdotal. Sonhando em ter um filho abade, enviam Tomás ainda pequeno para a abadia beneditina de Montecassino, onde ele inicia seus estudos junto com os monges. Na juventude, conhece uma das primeiras ordens monásticas mendicantes, os dominicanos, e apaixona-se por seu modo de vida, decidindo-se pelo hábito dominicano.

Enfrenta forte resistência familiar. Em uma das tentativas da mãe e dos irmãos de dissuadi-lo, inclusive por meio de uma jovem mal intencionada, reza fervorosamente a Jesus pedindo que Maria intercedesse a ele a libertação de toda a impureza. Em sonho, recebe de Nossa Senhora o dom da perfeita e vitalícia castidade, e depois disso, nunca mais sentiu os impulsos desordenados da carne. Desde a infância, aliás, São Tomás já cultivava um forte vínculo com a Mãe de Deus; tinha o hábito de anotar à margem de seus cadernos as palavras “Ave Maria

Para concretizar sua vocação dominicana, foge do castelo onde havia sido preso por seus irmãos rumo a Nápoles. Futuramente, dirige-se a Paris, para prosseguir seus estudos e, mais tarde, a Colônia, na Alemanha. É no convento alemão que recebe, dos colegas, o apelido de “boi mudo da Sicília”, por conta de seu jeito taciturno. Eles também acreditavam que precisavam ajudar o Frei Tomás a entender as disciplinas, mas em pouco tempo perceberam que a ele deveriam se dirigir para aprender. Com 25 anos, torna-se professor da Universidade de Colônia.

Preferindo seguir a vocação intelectual e pedagógica, recusa convites dos papas para ser Abade em Montecassino e Arcebispo de Nápoles. Em 1252 é nomeado professor na Universidade de Paris. Lecionavam ao seu lado Santo Alberto Magno e São Boaventura, e juntos eles atraíam cada vez mais estudantes. Com sua grande sabedoria e clareza de ideias, São Tomás ganhou a confiança do Rei São Luís, que o consultava com frequência.

Aos 35 anos, é chamado pelo Papa Alexandre IV para ser professor do Studium Geral Itinerante. Os dominicanos nomeiam-no como pregador geral. Foi seu período mais fecundo, durante o qual foi instrumento de inúmeras conversões.

Seu trabalho é incansável, chega a ter três copistas anotando seus ditados simultaneamente. Mas não iniciava nenhum estudo sem antes dedicar longas horas à oração e a organizar e aprofundar em sua mente os esboços do conteúdo sobre o qual iria discorrer. Seu lema era: orar antes de estudar. Frequentemente era surpreendido em êxtases de entendimento e de coração, em que muitas ideias sobre as verdades da fé lhe eram esclarecidas.

Em 6 de dezembro de 1273, Frei Tomás celebra a Santa Missa na Festa de São Nicolau com especial devoção. Após a celebração, é encontrado de joelhos, chorando. Seus copistas perguntam por que não dá sequência aos ditados, e ele responde: “não posso, depois do que Deus se dignou revelar-me, parece-me palha tudo o que escrevi durante a minha vida”. Em pouco tempo regressa à casa do Pai, deixando um legado incomensurável para toda a Igreja.

Pensamentos sempre atuais

Todos os papas, desde Alexandre IV, recomendam a São Tomás, especialmente no âmbito da formação dos sacerdotes e da educação. O Papa Leão XIII o declarou Padroeiro das Escolas e Universidades Católicas. Mas essa recomendação nem sempre foi obedecida. Durante o Concílio Vaticano II São Tomás retoma o posto de grande mestre da teologia e da filosofia oficiais da Igreja: é o que os padres conciliares decidiram, citando-o em diversos trechos dos documentos, como no trecho do Decreto sobre a Formação Sacerdotal:

“Quanto for possível, os mistérios da salvação de forma perfeita, aprendam a penetrá-los mais profundamente pela especulação, tendo por guia Santo Tomás, e a ver o nexo existente entre eles. Aprendam a vê-los presentes e operantes nas ações litúrgicas (37) e em toda a vida da Igreja” [1].

Porém, a orientação é, muitas vezes, ignorada, sobretudo por aqueles grupos que tentam dividir a Igreja entre pré e pós Concílio Vaticano II.

 

 

Apresentando São Tomás em uma audiência, o papa Bento XVI explica de que forma o Doutor Universal conciliou fé e razão, citando um dos princípios da pedagogia de Schoenstatt, de que a graça constrói sobre a natureza:

“Este acordo fundamental entre razão humana e fé cristã entrevê-se num outro princípio basilar do pensamento do Aquinate: a Graça divina não anula, mas supõe e aperfeiçoa a natureza humana. Com efeito, esta última, mesmo depois do pecado, não é completamente corrupta, mas ferida e debilitada. A Graça, concedida por Deus e comunicada através do Mistério do Verbo encarnado, é uma dádiva absolutamente gratuita com que a natureza é curada, fortalecida e ajudada a perseguir o desejo inato no coração de cada homem e de cada mulher: a felicidade. Todas as faculdades do ser humano são purificadas, transformadas e elevadas pela Graça divina” [2].

Outro princípio filosófico de São Tomás adotado pelo Pe. José Kentenich é o “Ordo essendi est ordo agendi” – a ordem do ser é a ordem do agir. Esta lei é apontada pelo Pai e Fundador como um remédio eficaz contra todo relativismo, bem como a separação entre espírito e forma, que estão na raiz tanto do totalitarismo político, quanto de todas as desordens morais que vemos hoje.

Que em seu dia, possamos atender o pedido dos papas de buscar conhecer ainda mais sobre esta coluna mestra da Igreja e, junto a São Tomás, rezar: “Concedei-me, suplico-vos, uma vontade que vos procure, uma sabedoria que vos encontre, uma vida que vos agrade, uma perseverança que vos espere confiadamente e uma confiança que no final chegue a possuir-vos”.

 

Referências

“São Tomás de Aquino”, de Frei Constantino Martínez, O. P. Ed. Katechesis

[1] http://www.vatican.va/archive/hist_councils/ii_vatican_council/documents/vat-ii_decree_19651028_optatam-totius_po.html

[2] http://www.vatican.va/content/benedict-xvi/pt/audiences/2010/documents/hf_ben-xvi_aud_20100616.html

Fotos. cathopic.com

Fonte: schoenstatt.org.br

São Francisco de Sales e Schoenstatt

Hoje a liturgia celebra São Francisco de Sales: bispo, fundador e doutor da Igreja. Ele não é desconhecido para a Família de Schoenstatt, pois suas palavras são citações recorrentes no livro ‘Santidade de Todos os Dias’. Mais precisamente, o Padre José Kentenich nomeou São Francisco de Sales 32 vezes nesta obra, ‘livro de cabeceira’ do schoenstattiano.

São Francisco de Sales é chamado o santo da cordialidade e da paciência. Mas também alguém com uma visão de futuro, que ousou fundar um tipo novo de comunidade religiosa, mais adaptada às realidades do seu tempo sem, contudo, perder a radical aspiração à santidade.

Certamente, além da espiritualidade, este elemento novo na vida religiosa aproximou nosso Pai e Fundador de São Francisco de Sales. Podemos dizer que, de certa forma, um fundador encontrou o outro. Pois nas comunidades de Schoenstatt, especialmente nas Uniões e nos Institutos, o Padre Kentenich presenteia a Igreja e o mundo com um novo estilo de santidade, com o coração e a aspiração orientados no céu, mas com os pés bem firmes na terra e na vida cotidiana.

Que na Aliança de Amor, a Mãe e Rainha forme muitos santos de todos os dias, para que o Brasil e o mundo inteiro se tornem Nova Terra Mariana.

 

Maria e o nosso batismo em Cristo

 

Pe. Antonio Clayton Sant’Anna, C.Ss.R -O calendário cristão finaliza o ciclo do Natal relembrando o episódio bíblico do Batismo de Jesus. Não se trata do mesmo batismo que nós recebemos nele e por Ele, seu autor. Ele nos libertou de nossa condição de pecadores e nos fez filhos e filhas de Deus produzindo em nós uma transformação espiritual interior. Esse batismo sacramental nos é dado através da Igreja e de fato infunde a vida de Deus em nós. Ora, o batismo de João Batista não tinha nem podia ter esse poder, não produzia na vida de ninguém o efeito sobrenatural próprio do sacramento. Não conferia um novo nascimento: o da Graça. João Batista concebido também em pecado herdou o estado de culpa original e precisava como nós todos da regeneração da Graça. Jesus, no mistério da união das duas naturezas -a divina e a humana- evidentemente não esteve sujeito à realidade humana do pecado. Por isso, nenhum tipo de batismo lhe era necessário. Nem mesmo aquele ritual simbólico penitencial de João Batista.

Marcos faz então do batismo de João ocasião para expor a origem divina de Jesus (o Filho amado do Pai) e a sua consagração messiânica. É o início da sua vida pública e do seu ministério sobre o Reino de Deus. O profeta já tinha avisado: “Eu batizei com água, mas Ele vos batizará com o Espírito Santo!” (Marcos, 1,7-8). Jesus inaugura uma nova criação, vida nova e novo nascimento: o batismo no Espírito.

 

 

Ora, a ação recriadora de Deus, realizada na pessoa de Cristo, teve a mediação materna de Maria porque Deus assim o quis. O Verbo se aniquilou no seio puríssimo dela, mesmo se preparado como morada digna. Aí se abrigou o embrião divino-humano do Filho do Altíssimo. Engravidada pela sombra do Espírito Maria foi a mulher peregrina na fé. Se nossa regeneração batismal veio do sangue do Cordeiro inocente imolado na cruz selando a nova aliança da humanidade com Deus, era sangue-elemento biológico herdado de Maria. Dado por ela ao Filho antes mesmo de Ele conferir à Igreja o mandato de ensinar e batizar. Se o batismo nos mergulha na natureza divina, Maria não precisou ser lavada como nós na água sacramental, pois gerou a ‘cabeça da nova humanidade’. É a primeira regenerada, a primeira batizada, a primeira cristã do povo santo e peregrino do Senhor. Impossível desconsiderar a participação da Virgem nesse mistério da graça purificadora que nos lava do pecado e inunda nosso viver da luz de Deus. Encerrado o ciclo natalino, a sequência inexorável do tempo que passa vai desfazendo as expectativas do ano novo, mas o projeto de ser “filhos no Filho” selado em nós pelo Batismo é indelével e continua. E Maria nos acompanha! Nós a invocamos e nela confiamos cantando: “Sou teu povo Senhor e estou nesta estrada. Vai conosco Maria, nossa mãe muito amada”.

Fonte: Academia Marial (A12.com)

Imagens: pixabay.com

Hoje celebramos a festa do Batismo do Senhor

 

Hoje, segundo domingo após a festa da Epifania, celebramos a festa do Batismo do Senhor, encerrando o ciclo litúrgico do Natal.

Origens
No Oriente já celebrava a Epifania e o Batismo de Jesus, no ano 300, em 6 de janeiro, enquanto a Igreja do Ocidente comemorava esta festa apenas na Liturgia das Horas. Somente em 1969, com a Reforma Litúrgica, esta festa foi marcada no Domingo após a Epifania.

Significado

O Senhor desejou ser batizado, diz Santo Agostinho, “para proclamar com a sua humildade o que para nós era uma necessidade”. Com o batismo de Jesus, ficou preparado o Batismo cristão, diretamente instituído por Jesus Cristo e imposto por Ele como lei universal no dia da sua Ascensão: Todo poder me foi dado no céu e na terra, dirá o Senhor; ide, pois, ensinai a todos os povos, batizando-os em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo (Mt 28, 18-19).

No Batismo do seu Filho, o Pai apresenta, manifesta a Israel o Salvador que ele nos deu, o Menino que nasceu para nós: “Tu és o meu Filho amado; em ti ponho o meu bem-querer”, ou, segundo a versão de Mateus: “Este é o meu Filho amado, em quem me comprazo”! (3,17)

 

Fonte: Canção Nova