A Liturgia da Palavra deste primeiro domingo da Quaresma insere-nos na luta pela qual nossos primeiros pais, Adão e Eva, tiveram que combater e da qual, nem mesmo o Filho de Deus foi poupado. Conhecemos o resultado: pela desobediência Adão e Eva romperam a amizade com Deus, desperdiçaram a graça da sua presença e prostraram a humanidade toda na mesma condição. Por outro lado, contemplamos a obediência de Cristo, o novo Adão que se coloca totalmente no plano da sua relação com o Pai, pois, para Jesus, ser “Filho de Deus” significa viver em comunhão com o Pai, escutar a sua voz e realizar os seus planos. Deste modo convida-nos a olhar com seriedade para a nossa principal tarefa como cristãos. Sobre ela fala-nos o  Padre Kentenich, em uma homilia quaresmal de 1963:

A tarefa essencial do cristão “consiste em decidir-se definitivamente contra o demônio e a favor do bom Deus. Deveríamos fazê-lo sempre de novo, em nossa vida, e começar a Quaresma com uma dupla decisão. Deveríamos aprender a repetir, todos os dias, o que o Evangelho nos diz: ‘Afasta-te de mim, Satanás’.”

FreepikAssumir as promessas batismais

No Batismo — e sempre que renovamos suas promessas, seja na Vigília Pascal, ao selarmos a Aliança de Amor ou em outra ocasião especial — proclamamos nossa decisão por Cristo e seu Reino, e também a renúncia ao demônio.

Em primeiro lugar, renunciamos ao pecado, a tudo aquilo que provoca desunião e ao próprio autor e princípio do pecado. Com o coração e a alma abertos, professamos particularmente a nossa fé: creio em Deus Pai, Criador de todas as coisas; no Filho, Redentor do mundo; no Espírito Santo, santificador; na Igreja e nas verdades que ela professa.

Uma decisão diária

Entretanto, esse ato não pode permanecer isolado ou restrito a momentos ‘solenes’. Ele precisa repercutir na vida cotidiana, nas pequenas e grandes decisões e atitudes que tomamos. Assim, tornamos fecunda a graça da filiação divina que recebemos no Batismo.

Cada escolha concreta — no modo de falar, agir, perdoar, servir e resistir às tentações — torna-se uma renovação prática daquela decisão fundamental: estar com Deus e contra tudo o que nos afasta d’Ele.

A Quaresma, portanto, é tempo privilegiado para reafirmar essa opção. Não se trata apenas de evitar o pecado, mas de escolher ativamente a vontade de Deus, nosso Pai, que nos ama e nos chama a colaborar com o seu plano de amor.