Domingo da Alegria: Vamos presentear rosas?

 

Pe. Francisco José Lemes – Aproxima-se a Festa da Páscoa do Senhor! Neste Quarto Domingo da Quaresma, com a narrativa do evangelista São Lucas sobre a parábola do “Filho Pródigo” ou do “Pai misericordioso”, somos chamados à alegria da verdadeira conversão, depois de experimentar a ilusão do pecado. O filho mais novo quer aventurar-se e o pai lhe dá essa liberdade, mas espera sua volta, mesmo que essa seja longa e que o filho retorne desfigurado. O pai espera, não se arrepende da liberdade que lhe confia, pois sabe que as ilusões do mundo e da riqueza duram pouco. Ele está disposto a acolher e lhe confiar toda a riqueza gasta irresponsavelmente, acolhe, vai ao encontro – e ir ao encontro faz com que o filho reconheça que errou e, no abraço misericordioso, está disposto a começar de novo.

Este Domingo é um convite a sairmos de nós mesmos, a não nos fecharmos como o filho mais velho, a não murmurar; a nos alegrarmos com a conversão dos que estão fora da comunidade e querem entrar para experimentar uma vida nova. Abrir as portas de nossa comunidade aos que a vida maltratou ou se perderam pela ilusão de perspectivas frustrantes. Domingo de fazer a experiência da alegria de ser misericordioso, como o Pai do Céu é; alegria de que a Vida vence a morte, Domingo do abraço que acolhe, da festa ao redor das Mesas da Palavra e da Eucaristia.

A cor litúrgica e um antigo costume

Neste Domingo a cor litúrgica será o ROSA, símbolo da alegria pascal que se aproxima. Em tempos idos da história da Igreja, era o Domingo em que o Papa abençoava a Rosa de Ouro, oferecida a personalidades que mantinham uma boa relação com o Papa e a Igreja, mais tarde oferecidas a Santuários – como, recentemente, o Papa Francisco ofereceu ao Santuário de Aparecida, por ocasião dos 300 anos do achado da imagem da Virgem Imaculada, a quem chamamos de Aparecida. Domingo em que os cristãos presenteavam uns aos outros com rosas, pois a Páscoa estava próxima.

Vamos presentear rosas?

Inspirando-se nesse costume, também podemos oferecer, neste Domingo, rosas espirituais de gestos de misericórdia. Como?

– Oferecendo nosso perdão a quem nos ofendeu,
– Recebendo o perdão de quem nos fez algum mal,
– Acolhendo, com alegria, os que vêm pela primeira vez ou que retornam à nossa comunidade,
– Oferecendo o jejum como forma de solidariedade aos que passam fome e, marcados pela fúria da natureza, perderam tudo,
– Rezando por aqueles que nos perseguem e nos fazem mal,
– Indo ao encontro daqueles que estão nas periferias da vida, marcados pela dureza da vida e experiências negativas que lhes tiraram a alegria da vida.
– Essas são algumas ideias e sugestões…

“A rosa é o símbolo do amor. Amar significa que entregamos nossos corações. Deixemos que a rosa fale por nosso coração. Digamos: ‘Para aquele a quem eu entrego a rosa, entrego meu coração. A rosa fala de meu amor’.” (Pe. José Kentenich, Que as Rosas falem por nós).

Um reflexo do Pai misericordioso

Pe. José Kentenich teve essa característica de Pai acolhedor e paciente, que sempre tinha uma palavra de ânimo aos que dele se aproximavam. Isso deriva de sua experiência de amor que sentiu do Pai do Céu e na sua confiança na Divina Providência. Que a figura do Pe. José Kentenich nos impulsione a irmos ao encontro do Pai e fazermos essa experiência de nos sentir amados e acolhidos por este Pai que se alegra com a nossa conversão.

Fonte: schoenstatt.org.br

25 de março: Solenidade da Anunciação do Senhor

 

Pe. Francisco José Lemes – “Mãe, sem vacilar pronuncias teu Fiat e trazes Jesus sob o coração; como diaconisa, no silêncio, preparas a oferenda, como o Pai espera de ti” (Rumo ao Céu, 341)

O Anúncio do Anjo Gabriel à Virgem de Nazaré inaugura novos céus e nova terra, a “plenitude dos tempos”, dos quais fala o Apóstolo Paulo. O que Eva fechara pela desobediência, a jovem de Nazaré abre com seu “sim”, colocando-se como Serva do Senhor, totalmente livre para que se cumpra o que o Senhor lhes dissera pelo Anjo.

Coberta pela “sombra do Espírito”, Maria gera aquele que é seu Senhor e torna-se Mãe do eterno Deus feito homem para nos salvar. Jesus, o novo Adão, feito homem para reparar a desobediência que pelo pecado gerou a separação do homem e Deus. Jesus nascendo de Maria Virgem por obra do Espírito Santo inaugura novos tempos, sua Encarnação já nos aponta para sua Paixão, Morte e Ressureição. Ele, a benção do Pai, habita entre nós.

Maria, a Serva do Senhor, é-nos modelo de abertura ao novo de Deus. Maria se entrega às surpresas de Deus. Deixa-se conduzir pela Palavra que agora habita em seu ser gerando a vida que mais tarde dirá: “Eu sou a Vida”. Maria portadora da Vida, sinal de contradição aos que pregam o aborto. Maria porta da Vida, sinal de contradição a uma sociedade pautada na morte. Maria Serva, sinal para um mundo egoísta, movido pelo consumismo, que torna o ser humano vazio depois que experimenta as ilusões de bens materiais – bens esses que são necessários, mas que não nos trazem a verdadeira felicidade. Maria, solo fértil para que o Verbo de Deus lhe habitasse… quando comungamos o Corpo e Sangue de seu Divino Filho, nos tornamos terrenos férteis para que a Palavra de Deus habite em nós e se espalhe para o mundo.

“E o mundo se ilumina por teu Fiat”

Com o Pai e Fundador, Pe. José Kentenich, acolhamos o Verbo que em nossa Mãe e Rainha se fez carne. Seja nosso Schoenstatt essa Nazaré onde, com a Mãe, acolhemos a mensagem do Anjo e com ela nos abrimos à vontade de Deus que, por meio do Reino de Schoenstatt, o anunciara a todo o mundo.

Com a Peregrina levamos a Serva do Senhor, que fará habitar nos lares o “fruto bendito de seu ventre”, formando, com as famílias, novos céus e nova terra, na construção de uma “nova terra mariana”, pois, foi por esta Porta do Céu que o Divino veio ao mundo, “armou sua tenda entre nós” e será por meio Dela que o encontraremos.

Que na Solenidade da Encarnação, quando o Anjo do Senhor anunciou a Maria, o Verbo de Deus encontre morada em nossos corações!

“Teu Santuário é nossa Nazaré (…)
Ali, Imaculada,
Orando, lutas cheia de anseio
Pela aurora da salvação;
Ali Gabriel te faz o pedido
E o mundo se ilumina por teu Fiat”
(Rumo ao Céu 181 – 182)

Fonte: schoenstatt.org.br

Viver como filho de Deus exige coragem

 

Ir. M. Marcia Carmo da Silva – Realizar um ato de grande coragem é o que distingue um super-herói. Na Igreja temos muitos exemplos de coragem, assim vemos São Paulo, que anuncia o evangelho em meio aos perigos de morte; São Francisco de Assis, que deixa sua riqueza para doar-se no serviço aos pobres; e o Servo de Deus Pe. José Kentenich, que ama a Igreja, mesmo enfrentando as dificuldades de um longo exílio de 14 anos.

O heroísmo é uma graça do Espírito Santo que atua no coração dos filhos de Deus. O sopro divino imprime régia dignidade e, com o dom da fortaleza, ajuda a dizer um sim filial à vontade de Deus, mesmo diante das mais duras lutas e dificuldades. “O Espírito é dado pelo Pai e leva-nos ao Pai”.[2]

Não basta saber que somos filhos de Deus, “precisamos lembrar-nos de que devemos comportar-nos como filhos de Deus”[3]. Isso exige coragem, pois nos leva por caminhos e escolhas que não correspondem ao que vivenciamos em nossa sociedade. Desta forma, por exemplo, pode parecer estranho quando devolvemos o troco que recebemos a mais, quando acordamos cedo para participar da Santa Missa, quando evitamos conversas e situações que nos expõem ao pecado.

“Maria, Mãe, desperta o coração do filho adormecido em cada homem. Assim, nos leva a desenvolver a vida do batismo pela qual nos tornamos filhos”.[4] Ela é nossa educadora e nos ajuda a reencontrarmos o caminho ao Pai, pois ser filho “é a nossa vocação primordial, é aquilo para o que fomos feitos, o nosso ‘DNA’ mais profundo”[5], diz o Papa Francisco.

“Ser filial significa grande coragem”[6]

A vida diária, com suas lutas e dificuldades, nos chama a tomar uma decisão muito importante: Assumir nossa condição de filhos ou viver como escravos, presos às amarras da autossuficiência e incredulidade.

“Quando todos os ninhos protetores são atirados ao mar, quando todos os apoios terrenos nos são tirados, o que nos resta então? Nada mais do que penetrar no coração de Deus. Mesmo que ruja tempestade, que brame o vento, que estronde o raio, penso como filho do marinheiro: ‘O pai está no leme!’ Mater Habebit Curam! (A Mãe cuidará). Essas palavras deveriam estar dia e noite em nossos lábios. Não devemos esperar muito de nós mesmos. Porém devemos ser heróis da confiança filial!”[7], ensina o Pe. José Kentenich.

A filiação divina é o segredo que impulsionou os Santos a viver a confiança filial. A coragem para realizar grandes coisas é fortalecida na consciência do amor de Deus, que nunca abandona seus filhos. “Aquele que me enviou está comigo; ele não me deixa só, porque faço sempre o que lhe agrada”.[8]

Minhas atitudes e escolhas agradam a Deus? Acredito e confio na presença de Deus Pai que nunca me abandona? O que preciso melhorar para viver como filho de Deus?

“A filialidade é o caminho para o céu”[9], diz Pe. José Kentenich. A graça da adoção filial torna-nos capazes de trilhar o caminho da santidade.

Foto: pexels.com/pt

 

[1] 1 João 3

[2] Papa Francisco. SOLENIDADE DE PENTECOSTES. Vaticano: 15 de Maio de 2016.

[3] Catecismo da Igreja Católica nº2784

[4] Conselho Episcopal Latino-Americano. A EVANGELIZAÇÃO NO PRESENTE E NO FUTURO DA AMÉRICA LATINA. Conclusões: Puebla. São Paulo: Loyola, 1995

[5] Papa Francisco. SOLENIDADE DE PENTECOSTES. Vaticano: 15 de Maio de 2016.

[6] Kentenich, J. O OBJETIVO DE TUA VIDA CRISTÃ. Aschaffenburger. Alemanha: 28 de novembro de 1937

[7] ibidem

[8] João 8, 28

[9] Kentenich, J. SER FILHO DIANTE DE DEUS. Santa Maria/RS: Vol. II

Fonte: schoenstatt.org.br

Com confiança, ide a José!

Pe. Francisco José Lemes – Neste tempo de Quaresma, tempo de conversão, oração, penitência e caridade, abre-se a solenidade de São José, o “justo” – título que o evangelista Mateus lhe confere diante da gravidez de sua noiva, Maria de Nazaré, gravidez esta que lhe fora revela pelo anjo como obra do Espírito Santo. José acolhe com amor de esposo fiel sua amada esposa e, para cumprir as Escrituras, dá o nome de Jesus e sua descendência de Davi àquele que salvaria seu povo e toda a humanidade.

Embora não ouçamos a voz de José no relato do evangelho de Mateus, por suas atitudes, de um modo muito belo, ele também diz o seu “faça-se em mim segunda a tua vontade”. José acolhe este grande mistério na sua vida, confia cegamente em Deus e na sua Providência, que coloca em prática a sua fé nas Escrituras e nas promessas de Deus a seu povo.

Pai, esposo, modelo de santo

José é o guardião da mais sagrada das famílias. É modelo, para nós, de homem justo e cumpridor da Palavra de Deus a ele dirigida. Modelo de pai, pois, mesmo não sendo o Menino seu filho natural, José o amou como se fosse seu próprio filho, conferindo a ele o seu ofício de carpinteiro. Amou sua esposa com pureza de corpo e alma – a mais bela de todas as criaturas estava sob seus cuidados; aquela que foi pensada por Deus desde toda a eternidade, jardim perfeito de Deus, terra imaculada, estava sob seus cuidados.

Pai daquele a quem Deus lhe confiou os cuidados paternos aqui na terra, é com toda honra protetor da Igreja que nascia de seu lado aberto de Cristo na cruz. Com o mesmo cuidado e zelo que cuidara da Sagrada Família, cuida com igual zelo e cuidado da Igreja, Povo de Deus e também cuida do sucessor de Pedro na terra, o Papa Francisco – que nesse dia tomava posse da Barca de Pedro, a Igreja, o qual a São José confiamos seu pontificado.

Dois “Josés”

Na história de Schoenstatt temos dois “josés” marcantes. O primeiro deles, nosso Pai e Fundador, o Pe. JOSÉ Kentenich. Em sua vida experimentou, como José de Nazaré, o exílio. Quando Herodes procurava matar o Menino, São José toma sua esposa e o menino e se exilam no Egito, até o tempo determinado por Deus para retornarem. E quando chegou a hora, Deus os chama de volta para Nazaré. Também nosso Pai e Fundador, como José de Nazaré, experimentou um exílio de 14 anos nos Estados Unidos. Assim a sua Obra Apostólica de Schoenstatt seria provada e, no tempo previsto por Deus, retorna para seu Nazaré/Schoenstatt, onde veria, como o Menino Jesus, crescer em tamanho e graça diante de Deus e dos homens.

Nosso segundo “José” é o seminarista na Primeira Guerra Mundial, o congregado José Engling que, inocente, dava sua vida como oferta ao Capital de Graça para a recém fundada Obra de Schoenstatt. Assim como aquelas crianças inocentes derramavam seu sangue pelo Salvador ainda criança, José Engling oferecia sua vida pela Obra de Schoenstatt, que contribuirá para o Reino de Cristo, por meio de Maria, se espalhar pelo mundo.

Como São José de Nazaré, nossos José Kentenich e José Engling amaram a Maria, tomaram-na em seus corações castos e belos e, com Ela, acolheram a vontade de Deus e em suas vidas.

A São José recorremos nestes tempos difíceis para a Igreja de Cristo. Dele queremos aprender o silêncio, que não é de omissão, mas de escuta de Deus e de sua vontade. Dele queremos aprender a sermos acolhedores, mesmo que muitas vezes a acolhida não seja aquilo que planejamos. Dele queremos aprender a total confiança na Divina Providência e, na hora da provação, colocar em prática aquilo que professamos! Com confiança… Ide a José!

Fonte: schoenstatt.org.br

Como vivenciar a Quaresma em família?

 

Daniel e Miriam Maria Bueno – Como fazer para vivermos a Quaresma e a Semana Santa com três crianças pequenas? Como participar de missas tão longas em família, quando as crianças querem andar de um lado para o outro? Como viver um tempo de silêncio, de sacrifícios e aspirações mais profundas, numa casa cheia de brinquedos e barulho?

Para nós, quando nossas filhas eram pequenas, essas eram perguntas constantes, especialmente no ano em que a Elisa e a Lorena (nossas filhas mais velhas) tinham 4 anos e a Alice (caçula) tinha 2. Aquilo que parecia muito difícil transformou-se em Graças e momentos inesquecíveis para a nossa família! Mas, para viver bem esse tempo em família, foi preciso que nós, como pai e mãe, colocássemos uma verdade em nosso coração:

Nós somos os principais responsáveis por nossos filhos

Essa frase parece óbvia, mas nem sempre é clara em nosso interior. Certa vez lemos uma frase de nosso Fundador que nos chamou muito a atenção:

“As famílias transferiram sua responsabilidade com a educação dos filhos, em grande parte, para a Igreja e para a escola. Esta tarefa, mais urgentemente que qualquer outra, deve ser retomada pela própria família” (Pe. José Kentenich – Conferência de Dachau, 1967)

A educação de nossos filhos é nossa tarefa! Estamos acostumados a pensar e nos preocuparmos com nossas vivências pessoais – o que vamos receber de formação nessa Quaresma? Qual será nosso crescimento espiritual? – e a delegar a responsabilidade de nossos filhos às outras instituições.

A partir desse pensamento do Pai, de que a educação dos filhos é uma tarefa que deve ser retomada pela família, começamos a viver este tempo de Quaresma de forma mais ativa, como protagonistas da educação de nossos filhos. O foco não estava mais em nossas vivências pessoais de Quaresma, mas em como fazer essas vivências e celebrações chegarem aos corações de nossas filhas.

O que descobrimos?

Os frutos dessa decisão foi que tivemos Quaresmas e Semanas Santas muito profundas, não só para as nossas filhas, mas principalmente para nós. Nessa fase da vida não tivemos tempo para fazer longos retiros de silêncio, nem para fazer Vias Sacras muito extensas, ou passar a madrugada em adoração (como era possível na juventude). Mas pudemos encontrar Jesus no olhar de nossas filhas em inúmeras vivências em família. Assim, vamos partilhar algumas atividades, ou algumas vivências, que tivemos nesse tempo, talvez seja mais fácil de entender o que tentamos explicar.

Quaresma, um caminho com Jesus

Uma forma de fazer o caminho do tempo quaresmal, para nós, foi ir representando o caminho de Jesus e o nosso.

Em uma experiência, fizemos um cartaz com um caminho de aproximadamente 40 pedrinhas. A cada dia da Quaresma pintávamos uma pedrinha e, conforme íamos avançando nesse caminho, incluíamos os acontecimentos. Desenhamos nossa casa, nosso carro (que havíamos conquistado naquele ano), desenhamos Jesus num burrinho no Domingo de Ramos, os pães da Santa Ceia, as Três Cruzes e, no fim do caminho, Jesus Ressuscitado.

Em outro ano fizemos este caminho com os brinquedos das meninas, como se fosse um presépio, porém com alguns personagens deste tempo. A cada celebração da semana santa elas mudavam a cena.

Vivenciar as celebrações da Semana Santa de perto

Isso pode parecer um pouco estranho, pois estamos acostumados muitas vezes a ver os pequenos no fundo da Igreja nas Missas. Porém, as crianças pequenas têm muita curiosidade, precisam ver e tocar (o que for possível) para aprender e vivenciar as coisas. As celebrações da Semana Santa são muito especiais, cheias de significado, que não podem ser desperdiçadas neste tempo da infância de nossos filhos. Sempre que possível, tentamos nos sentar mais à frente na Igreja, mais próximo do altar, para que as meninas possam ver o que está acontecendo. E, durante a celebração, vamos explicando baixinho os significados, o que o padre está fazendo, em que parte estamos e como elas podem participar.

Por exemplo: “Agora é hora de pedir perdão; você pode pensar se fez algo de errado e pedir perdão ao Papai do Céu”. “Agora é hora do ofertório, o que você gostaria de presentear a Jesus?”. “Agora é hora da comunhão, enquanto o papai e a mamãe vão comungar, você pode fazer sua oração a Jesus”. Um costume que temos, desde que são muito pequenas, é de beijá-las após comungarmos, e dizemos: “Jesus mandou um beijo para você”. É nossa forma de fazê-las sentir e participar desse momento enquanto elas não o podem fazê-lo.

Lava-pés

Desde que são muito pequenas, após a celebração da Quinta-feira Santa, da Instituição da Eucaristia, fazemos uma pequena vivência em nossa casa. Fazemos uma pequena ceia de pão e suco de uva e depois o pai lava os pés de cada uma. É sempre um momento de muita emoção, de carinho, que as meninas ficam ansiosas esperando desde a Quarta-feira de Cinzas.

Sexta-feira Santa

É um desafio grande manter o silêncio nesse dia com crianças pequenas, porém, a dificuldade é sempre maior para os adultos do que para elas. Por exemplo, podemos combinar que neste dia não ligaremos a tv, o som, ou eletrônicos. Se fizermos nossas práticas de oração com a participação dos pequenos, com certeza essa tarefa será mais fácil para todos.

Outras dicas para a Quaresma

  • Procure ir, em família, num horário de adoração reservado para as crianças na paróquia ou comunidade, por exemplo, o horário da catequese, das Apóstolas, dos Pioneiros…
  • Faça a oração da Via Sacra em família, para que possa ser adequada à sua realidade.
  • Coloque as imagens da Via Sacra na altura da criança, para que ela possa observar de perto.
  •  Aproveite a oportunidade para a apreciação de imagens clássicas, onde se pode observar os detalhes da obra de arte. Algumas Igrejas têm vias sacras em alto relevo, se for possível, deixe que as crianças as toquem e sintam sua textura.
  • O importante é saber que nossos filhos vão vivenciar cada parte da celebração a partir de como nos observam, de como percebem que participamos com profundidade e coração aberto. E de que, enquanto são muito pequenos, é importante que estejam conosco e experimentem nosso amor por meio da paciência e, muitas vezes, de nossas renúncias.
  • Outra dica é nunca deixar os pequenos no limite, no limite do cansaço, da fome, do sono. As crianças quando dormem bem, estão alimentadas e confortáveis tendem a se comportar melhor. Na prática, isso quer dizer que quando temos filhos pequenos podemos nos dedicar menos às atividades da paróquia e de muitas reuniões. Sabemos que manter as crianças bem exige trabalho, esforço e tempo dos pais.

O mais importante é que nossos filhos sintam o que estamos vivenciando, o tempo que estamos vivendo e que estamos dispostos a estar com eles. Sim, trabalhar para que eles sintam nosso amor por eles, nosso amor por Cristo e pela Igreja, que sintam a verdade escondida em nossos corações.

Como tudo na vida, a educação dos nossos filhos, possui riqueza, mas também conflitos, dificuldades e tensões. Por isso, rezemos nesta Quaresma e busquemos novas luzes e caminhos para guiar nossa família e nossas crianças para que sintam, no sentido mais vivencial da palavra, o Amor que Deus tem por eles neste tempo de Graças e momentos especiais.

Foto: Schoenstatt Caieiras/SP

Fonte: schoenstatt.org.br

A castidade é algo atual hoje em dia?

 

Felipe Seitenfus – Certa vez, um colega de trabalho chegou desesperado. O motivo de seu pânico era simples: havia conhecido uma garota em uma festa, papo vai, papo vem, os dois fizeram sexo e ele estava apavorado com a possibilidade de uma gravidez. Para piorar, ele não tinha o contato da moça.

É um retrato dos tempos atuais. Sejamos francos: as pessoas, especialmente na faixa dos vinte e tantos, tratam as relações sexuais com a banalidade das compras da semana no mercado. O sexo tornou-se um gesto comum em produções midiáticas (vide o recente Sex Education, na Netflix) e, sinceramente, acho um milagre que a universidade em que estudo não esteja lotada de bebês. Mas, isso é algo para nos assustar, ou para diminuir nosso empenho pela missão? Não! Pelo contrário, deve dar-nos força para lutar pelo que é nobre e genuíno.

A literatura católica, em se tratando de castidade e sexualidade, é ampla e variada. Dentro de Schoenstatt, o Pe. José Kentenich fez várias palestras a respeito do tema e muitas delas estão disponíveis no livro Sexualidad, don y desafío (Ed. Patris, Argentina, 2010, sem tradução ao português), organizado pelo Pe. Jonathan Niehaus. É daí que foram tiradas todas as citações presentes neste texto. Em uma delas, o Pai e Fundador faz o seguinte questionamento:

“A cultura de hoje está saturada de sexualismo, ao ponto que se torna excepcionalmente difícil preservar a pureza conforme seu estado (…). A castidade é algo atual hoje em dia? Aqui está a pergunta que nossos filhos costumam fazer, especialmente adolescentes. A castidade é algo antiquado? Toda a atmosfera não está saturada de sexualidade, a ponto de ambos os sexos serem tratados, desde a infância, de uma maneira que parece não reconhecer modéstia?” (Pg. 41)

Geralmente, quando se fala em sexualismo, nós citamos como exemplos os programas de auditório de domingo e os comerciais de cerveja, a exaustão. Mas estamos em 2019, não em 2005: os comerciais de cerveja diminuíram bastante esse tipo de apelo e os programas de auditório com conteúdo sensual hoje se concentram em menos emissoras. Em vez da sensualidade, a marca maior dele hoje é o desleixo. Predomina uma atitude de desrespeito, o culto ao corpo descontruído, roubado de seu sexo. Especialmente nas universidades, há uma necessidade quase patológica de regredir a humanidade ao seu lado mais animalesco, especialmente no trato ao sexo.

 

Mas, e nós?

Se você está lendo esse texto, provavelmente acha a situação atual no mínimo infeliz. Contudo, existem pessoas no Ensino Médio e Superior que decidiram ser castos, mesmo com tanto estímulo para não o ser. Por quê?

“‘Por que eu quero ser casto? Isso parece insignificante, frio, distante, rígido. Eu não quero ser rotulado como quadrado’. Observe se esta não é realmente a maneira de pensar em nossa juventude hoje. Os jovens sabem que precisam ser castos, mas têm medo de serem rotulados como desatualizados. No passado era de bom tom, mas hoje não é mais moderno” (Pg. 166)

No passado a castidade era bem vista, elogiada. Hoje, quem decide ser casto vira a chacota da turma, o saco de pancada: defender uma vida casta é tido como defender uma causa perdida. Mas isso pode ser um diferencial muito importante, que valoriza o ser humano, segundo nos diz o Pai e Fundador:

“O que estamos dizendo quando pronunciamos a palavra ‘casto’? A palavra significa ‘ser puro’. Se bebermos vinho, queremos beber vinho puro. Pense nisso no contexto da bebida: o que se sentiria se o vinho ou o leite fosse aguado? Se você quer vinho ou leite, tem que ser algo de boa qualidade e puro. Caso contrário, será algo adulterado” (Pg. 166-167)

 

Homens e mulheres heroicos

Lembro-me que, no Fórum Nacional do Jumas em 2017, um dos grupos de estudo – curiosamente, o que eu estava – tratou da coerência e do modo de ser de cada um de nós, como Juventude Masculina. E vários dos questionamentos giraram em torno da questão da castidade: Como devemos nos relacionar com pessoas dos outros ramos? Como devemos nos portar quando estamos conversando, por exemplo, com alguma menina da Jufem? Sobre esses questionamentos, o Pai e Fundador nos diz:

“Por exemplo, estou apaixonadamente apegado a uma penitente [a uma jovem]. Eu observo que os instintos que estão sendo despertados me empurram para baixo. Se eu, então, me esforçar para dar a Deus todo o meu amor, não posso esperar, com o tempo, gerar certa reserva para aquela penitente? Devemos expulsar todas as tentações da alma o quanto antes a atenção delas para essas coisas” (Pg. 101-102)

O exemplo é válido tanto para os meninos quanto para as meninas. Infelizmente, criou-se o hábito de pensar que castidade é uma preocupação feminina, apenas. Isso é um equívoco grave. A castidade, a pureza de alma e coração devem urgentemente tornar-se preocupação masculina também. Nós gostamos de dizer “Sê corajoso, porta-te como homem”, não? Pois a pureza e a castidade também entram na conta.

“Deixe-me dizer-lhe que muitos homens também são afetados pelo ‘amor livre’, que muitos homens são mais idealistas e sensíveis do que parecem. Um menino pode rir porque você é esquiva, mas internamente ele vai te admirar mais. Acontece que parte da natureza humana é desejar o que você não pode ter. Muitas vezes o jovem esconde sua timidez por trás de um comportamento arrogante. Quase todos os homens têm a capacidade de se distanciar internamente do que fazem” (Pg. 170)

 

A castidade aprofunda o amor e a alegria

Em conclusão, fica a nossa tarefa de levarmos nossa castidade, como católicos, como schoenstattianos, ainda que sejamos apenas nós lá fora. Não nos deixemos abater por isso. Acima do que os outros podem pensar, é algo que pertence a cada um de nós.

“Ser casto não significa ser inacessível, nem rejeitar o amor e a união corporal em sua vida, mas, exatamente o contrário. A castidade aprofunda o amor e a alegria na consumação do amor. Que alegria e consumação nos referimos aqui? Para a consumação do amor através da plena união corporal no tempo e da maneira conveniente. Preserva o frescor e a sensação de não estar desgastado até a hora certa” (Pg. 172-173)

 

* Este artigo foi resumido pelo editor, para ler o texto completo clique aqui.

Foto: Cristiane Dominico Lacerda

Fonte: schoenstatt.org.br

Heroísmo: uma graça do Espírito Santo

Ir. M. Marcia Carmo da Silva – Superman, Batman, Mulher Maravilha, Capitão América, Hulk, Homem Aranha, Homem de Ferro… Quem não se lembra deles? Por que eles nos encantam ou nos encantavam na infância?

Os super-heróis atraem o carinho das crianças porque possuem poderes com os quais conseguem superar as dificuldades, enfrentar os perigos e fazer coisas que para as pessoas normais são impossíveis. Esse universo imaginário revela a experiência da limitação humana que necessita de alguém forte, capaz de ajudar em qualquer situação.

Mas, o heroísmo é mais do que um mundo fantástico presente nas histórias, nos livros e filmes. Ele acontece quando, em nosso dia a dia, somos capazes de enfrentar as dificuldades que estão acima de nossas forças. A crise da sociedade atual necessita de heróis, pessoas que tenham iniciativa, determinação, resiliência e coragem para ações capazes de edificar o mundo novo.

Cada dia nos apresenta novos desafios. Como agimos diante das dificuldades? Lutamos como filhos confiantes ou nos desesperamos e nos deixamos levar pelo pessimismo?

Pe. José Kentenich ensina que “precisamos ser fortes, mas só o Espírito Santo é nossa força. Jesus disse aos seus apóstolos: Ele, isto é, o Espírito Santo, inspirar-vos-á o que haveis de dizer (cf. Mt 10, 19s). Em situações difíceis não podemos fiar-nos nos seres humanos”.[2]

Heróis existem também hoje

Poucas vezes houve tanta canonização de santos como atualmente. Os santos são heróis, são pessoas que superaram as lutas e dificuldades da vida na vivência do heroísmo da fé, da esperança e da caridade. A força e segurança que eles tiveram ao enfrentar a cruz e o sofrimento é fruto da atuação do Espírito Santo. Assim aconteceu na vida dos apóstolos, que, em pentecostes, recebem a coragem e iniciam o caminho de anúncio que os leva ao heroísmo da entrega da própria vida por Cristo.

Nem todo heroísmo é marcado pelo sangue. Somente um olhar atento é capaz de identificar, por exemplo, quantos atos heroicos uma mãe ou um pai faz pelo bem de seus filhos. Atitudes como: honestidade, fidelidade, paciência e humildade exigem muita força de vontade e nos convidam a despertar o herói dentro de nós.

Quais situações em minha vida exigem heroísmo? Qual minha atitude diante das dificuldades? O que posso fazer para abrir-me ao atuar do Espírito Santo?

“Se eu consigo ser heroico e fazer sempre a vontade de Deus, então sei que minha alma está sob o influxo do Espírito Santo”, diz o Pe. José Kentenich.

 

[2] Kentenich, J. Deus meu Pai. Santa Maria/RS: 1999.

 

Foto: pexels.com/pt-br

Fonte: schoenstatt.org.br

“Ó Santa Cruz, me prostro em tua frente”

Pe. Francisco José Lemes Gonçalves – Viver um tempo quaresmal diferente, com propósitos bem definidos e amadurecer nossa ação na Aliança

 

“Ó Santa Cruz, me prostro em tua frente,

Para entoar ardentes hinos de júbilo e gratidão,

Em ti, nosso Senhor consumou a Redenção

Que nos tornou filhos de Deus (…)

Como sinal da Redenção,

  Levarei aos povos a cruz e a imagem de Maria (…)

Quaresma: tempo de conversão e penitencia. Tempo de nos aproximar dos exercícios quaresmais: uma boa e sincera confissão, Via Sacra, Mistérios Dolorosos do Rosário, Caminhadas Penitenciais, mortificações no comer e em nossas ações em família, trabalho, relacionamentos… tempo forte de mudança de vida. Tempo também de experimentar a nossa “fé prática na providência divina”.

Tempo oportuno para fazer descer ao chão o propósito de uma “Terra Mariana”, tendo nossa Mãe e Rainha de Schoenstatt, a nossa Mãe e Mestra Espiritual neste itinerário quaresmal. Como Educadora, nos fará caminhar nos passos da Via Crucis de seu Divino Filho, fazendo-nos homens e mulheres novos e educando-nos nas dificuldades do calvário do cotidiano de seus filhos e filhas, uma oportunidade de nos santificar e levar a muitos à santidade.

 

Orientação materna

A Quaresma sob a orientação materna de nossa Mãe e Rainha, unidos na Aliança de Amor, lhe seremos bons instrumentos na construção de um mundo novo, mundo este que nasce do sofrimento redentor de Cristo na cruz e que precisa ser conhecido e vivido por todos.

Pe. José Kentenich tem muito a nos ensinar neste período santo quaresmal, pois de seus 14 anos de exilio em Milwaukee (Estados Unidos), fez dele uma contemplação das 14 estações da Via sacra. Olhando sua espiritualidade, vê a partir desse exilio o amadurecimento de toda sua Obra. Não murmura como nós facilmente fazemos, não dá as costas ao sofrimento – mesmo que esse lhe veio por parte da Igreja – muito pelo contrário amou-a mais ainda. Diferentes de nós, que nas agruras da Igreja abandonamos a Barca de Pedro, ele soube colher desse momento, em que até sua fé lhe era provada, ocasião para se fortalecer e fortalecer a Obra de Schoenstatt e tantos schoenstattianos que com ele, ofereciam este calvário como tempos novos de ressurreição.

 

Aliança que nos une

Então, vamos segurar nas mãos de nossa Mãe e Rainha e de nosso Pai Fundador?! Viver um tempo quaresmal diferente, com propósitos bem definidos e amadurecer nossa ação na Aliança, que nos une e nos impulsiona na missão; fazendo desse Brasil Tabor, uma Terra Mariana. Oferecer valiosas contribuições ao Capital de Graças, de tudo que nos acontecer nesses 40 dias, para que a Mãe, ao subir conosco para o Calvário, do lado aberto de seu Divino Filho, derrame graças especiais sobre toda a Igreja e humanidade.

Ref: Pe. Kentenich: Rumo ao Céu

Fonte: schoenstatt.org.br

Por que é importante confessar?

Juliana Dorigo – Misericórdia, benevolência, amor, graça e amabilidade. O desejo de uma vida nova e a absolvição dos pecados. O sacramento misericordioso do amor de Deus. A confissão é dever principalmente na Quaresma, mas deve ser exercida em qualquer período.

No tempo quaresmal, um momento de grande reflexão e penitência, a graça do perdão, é oferecida a todos que reconhecem que são frágeis e pecadores, diante do Altíssimo. “Deus deseja a nossa confissão porque é uma condição para recebermos a sua misericórdia. Esta é a sua mensagem constante desde os dias de Adão e de Caim e ao longo de todas as gerações da Igreja de Jesus Cristo”. [1]

 

Ato de egoísmo

Quando pecamos estamos realizando um ato de egoísmo exagerado, preferindo a si mesmo e antepondo-se a Deus e aos outros. É ser individualista, cedendo a paixões desordenadas e desejos, rejeitando e agindo contra o amor do Pai, se declarando infiel a Ele. “Pecado é toda a distância que existe entre o projeto de Deus e a nossa situação concreta; em última análise, é não ser filho como o Filho e não dirigir ao Pai o mesmo olhar de Jesus”.[2]

“Dize aos filhos de Israel: Se um homem ou uma mulher causar um prejuízo qualquer ao seu próximo, tornando-se assim culpado de uma infidelidade para com o Senhor, confessará o seu pecado e restituirá integralmente o objeto do seu delito, acrescentando um quinto àquele que foi lesado”. (Núm 5, 5-7).

O Pe. Kentenich explica sobre o conceito do pecado: “Miseráveis na medida em que, pelo pecado original e pelos pecados pessoais, experimentamos continuamente nossa miséria”. [3]

 

Deus nos abraça

Por amor a humanidade, Deus é paciente e espera de nós o arrependimemto, mesmo quando nos afastamos, Ele jamais abandona seus filhos. “Deus é paciente conosco, porque nos ama; e quem ama compreende, espe­ra, dá confiança, não abandona, não derruba as pontes, sabe perdoar. Recordemos na nossa vida de cristãos: Deus sempre espera por nós, mesmo quando nos afastamos! Ele nunca está longe e, se voltarmos para Ele, está pronto para nos abraçar”. [4]

Quando realizamos o ato da Confissão, Deus no liberta dos pecados e purificando a alma. “Ao declarar a remissão total dos pecados de al­guém, exerce uma prerrogativa divina. Para Ele, curar a alma era uma ação divina muito maior que a de curar o cor­po. E levava a cabo a segunda parte para sublinhar a primei­ra. O ato de curar era um sinal externo de uma realidade in­terior ainda maior”.[5]

“Temos necessidade de pedir o “perdão” do outro; te­mos necessidade de demonstrá-lo e temos necessidade de fa­zer alguma coisa nesse sentido”. [6] Somos filhos e precisamos reconhecer que somos miseráveis e por isso, dignos de misericórdia, como explica o Pe. Kentenich. “Na medida em que, como filhos de reis, somos miseráveis, experimentamo-nos também como dignos de misericórdia. Ansiamos pela misericórdia e esse anseio de experimentar a misericórdia de Deus Pai obriga igualmente o Pai eterno a derramar sobre nós sua infinita misericórdia”.[7]

 

Maria: mãe dos pecadores

Maria é o exemplo de amor, fé e humildade. Como Mãe e educadora, ela provou ser divina e repleta da Graça de Deus. “Bastou a caridade de uma única mulher para se obter a misericórdia divina sobre toda a miséria do homem, mediante o consenso ao projeto da graça da Trindade”.[8]

“Maria, só, aos pés da cruz, representa toda a Igreja que recolhe num cálice o Sangue redentor como um vinho inebriante e o oferece à humanidade inteira, a fim de que, bebendo-o, ‘encontre o gozo e a alegria’ (SI 50,10) e ao homem seja devolvida a ‘alegria de ser salvo’” (SI 50,14).[9]

A Mãe é grandiosa e seu amor liberta o mundo do pecado, da desolação e das fraquezas. “Mãe grandiosa, mas também de cooperação es­treita com o Redentor, o seu amor tira os pecados do mundo, a miséria da nossa desolação, da nossa fraqueza, da nossa revolta” [10].

Quando exultamos Ave-Maria, pedimos para que ela se uma a nós, para que venha ao nosso auxílio e atenda a nossa súplica. “Na ‘Ave-Maria’ pedimos à Senhora unir-se a nosso grito, gritar conosco, que não temos mais voz, por nossa vida ter sido tão sufocada e paralisada… Então eu clamo: ‘Rogai por mim’, porque so­zinho não me salvo, e tu me podes conseguir que o olhar do Senhor se incline”.[11]

 

Presença materna

A Mãe de Deus está sempre presente, olhando e educando para nos aproximar de seu Filho. “Ma­ria sempre nos acompanha ao longo do caminho da vida. A sua presença materna, discreta, não pode falhar, sobretudo pelo fato de que, graças à sua As­sunção, ela está sempre diante da face benigna e lu­minosa de Deus. Olhando para ele, olha para nós, acolhendo a sua glória, a derrama sobre nós”.[12]

 

Do céu, rogai a Deus por nós!

Maria do alto dos céus roga a Deus pelos pecadores, ela é capaz de nos carregar nos braços. A Mãe é capaz de nos abrir as portas para o perdão do começo até o final da vida. Ela transforma nossas imperfeições e nos guia a caminho da vida eterna. “Invocando aquela que já está no céu com toda a sua humanidade, nós transformamos nossa im­perfeição numa perfeição, pela qual nosso caminho na terra se abra para uma vida sem limites”.[13]

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[1], [5], [6] Scott Hahn, livro: Senhor, tem piedade de mim: o poder curativo da confissão.

[2], [8], [9], [10], [11], [12] e [13] Cesare Falletti o. cist, Livro:  Ave-Maria.

[3] e [7] Pe. José Kentenich. Abrigado em Deus Pai – Textos escolhidos sobre Deus Pai. Conferências de Roma III. Carta de Natal de 1965.

[4] Papa Francisco, livro: A Igreja da Misericórdia.

Fonte: schoenstatt.org.br

“Tu és pó e ao pó da terra retornarás”


Juliana Dorigo – “Tu és pó e ao pó da terra retornarás!”(Gn 3,19). A Quarta-feira de cinzas marca o início da quaresma para os cristãos. Na Santa Missa de quarta-feira, a imposição de cinzas, em forma de cruz sobre a testa, é um símbolo de penitência, arrependimento e conversão, recordando a fragilidade da vida humana sujeita a morte. Todos somos pó e ao pó da terra voltaremos, até que o corpo seja ressuscitado de maneira gloriosa por Deus, para não mais padecer.

Em preparação para o tempo quaresmal, Pe. José Kentenich ensina como viver este momento sagrado, procurando o sentido mais profundo da paixão e morte de Jesus Cristo e da redenção, louvando também Maria por sua fortaleza ao estar ao lado de seu Filho.

“Dá que eu permaneça fiel a esta Mãe, como seu filho e inscreva profundamente o seu nome nos corações; então o sofrimento que perpassa os povos fará ressoar um jubiloso hino de redenção”. [1]

Ele também ressalta a união com o Pai, com os olhos sempre voltados para a Mãe, para que ela nos conduza como educadora. “Em ti, quero orientar-me sempre no Pai, renunciando ao abrigo deste mundo; voltar ao lar, em sagrada união contigo, os olhos presos nas mãos e no olhar da Mãe… Faze que eu me decida, sempre livremente, que só a obediência oriente meu amar e possa realizar-se em minha vida o eterno plano de amor do Pai”. [2]

Caminhemos diariamente com ela, nesse tempo de quaresma, na imitação de Cristo. Na Aliança de Amor, digamos sempre Sim às “lascas de cruz” que o Pai nos enviar, assim, colaboramos com Cristo, na salvação do mundo.

Clique aqui para rezar e pedir essa força.

[1] e [2] Pe. Kentenich: Rumo ao Céu

Foto: #ArqTl cathopic

Fonte: schoenstatt.org.br