“E vós, quem dizeis que eu sou?”

Pe. Francisco José Lemes Gonçalves – Diante da pergunta “quem dizem os homens ser o Filho do Homem?” Jesus deseja saber a quantas andam suas pregações e os sinais milagrosos diante das pessoas. Ainda as pessoas o confundem com João Batista ou algum dos grandes profetas. Ainda não é bem clara a imagem de Jesus, sua pregação do Reino, seus sinais previstos nas escrituras para se perceber a presença do Messias entre eles.

Ao dirigir a pergunta aos seus amigos, é Pedro quem toma a dianteira e, iluminado pelo Espírito (pois não foi sua carne que lho revelava), professa fé no Messias enviado por Deus. Mas, não basta professar solenemente a fé em Jesus, o Cristo de Deus. Esta fé implica em renúncia, sofrimento, esperança na ressurreição.

Nosso Pai e Fundador, Pe. José Kentenich, chama de “fé prática”, ou seja, não basta apenas o conhecimento teórico de Deus e de sua doutrina. Esta fé conhecida passa pelo crivo da cruz e de seu seguimento em todas as circunstâncias. Seguir Jesus implica a renúncia do dia a dia, pois Ele mesmo renunciou a glória que gozava junto do Pai e tomou a nossa condição humana – exceto o pecado, mas, sim, as consequências que o pecado trouxe.

Rezemos com o nosso Pai e Fundador:

“Pai, eu te peço toda a cruz e sofrimento que preparaste para mim.
Liberta-me da vontade própria doentia,
Que eu satisfaça teus mais suaves desejos!
Torna-me semelhante, igual a meu Esposo (Jesus),
Só então serei feliz e sumamente rico”
(Rumo ao Céu, 393-394)

Fonte: schoenstatt.org.br

… por isso, nunca posso desistir do amor

Yana Barbosa – Existe uma frase da qual gosto muito, creditada a São João Paulo II, que expressa: “O amor me explicou o sentido de todas as coisas. Por isso, eu nunca posso desistir do amor”. Devemos sempre reconhecer a atuação do Espírito Santo e por isso, foi inevitável perceber que, ao ler essa frase pela primeira vez, muito do que penso e sinto se tornou ainda mais consciente para mim.

Digo isso, pois dentro do meu ser sempre existiu uma sede de amar: sempre quis que esse sentimento me dominasse de tal maneira que norteasse minha conduta em todas as situações. Mais do que isso, sempre desejei encontrar nos outros esse mesmo anseio e poder perceber em outro alguém a atuação desse sentimento que, para mim, é uma das forças mais poderosas entre o Céu e a Terra.

O meu amor por Nossa Senhora sempre foi tão forte e fecundo que fez com que eu permitisse questionar a mim mesma se a minha vocação não seria a consagração de toda a minha vida à Deus como Irmã de Maria. Portanto, me permiti silenciar o coração e escutar o que Deus esperava de mim e, assim, perceber que gostaria de seguir outro caminho, que minha vocação era o matrimônio.

 

Consciência do amor e da Providência Divina

Minha formação dentro da Juventude Feminina de Schoenstatt sempre me fez entender que, sendo meu corpo um templo do Espírito Santo, não poderia entregá-lo, no sentido físico, a qualquer um, aí consiste a preservação da pureza. Mas, ao tentar encontrar o amor em alguns relacionamentos, aprendi algo com os meus erros: se em meu coração existia o amor, e o amor tudo cura e resignifica, por que eu dedicaria minha energia e mais do que isso, entregaria esse amor (que é o que de mais precioso eu poderia dedicar aos demais) também para quem não o merecesse?

E então, quando percebi isso, aprendi que eu não deveria querer que minha vontade prevalecesse diante da vontade divina. Eu sabia qual era minha vocação e o que poderia fazer era, simplesmente, rezar e pedir à Deus que eu pudesse realizar meu desejo, não com qualquer um, mas sim com aquele que Ele elegeria para mim. Quando eu realmente amadureci minha percepção acerca do amor, Deus me presenteou ao me permitir conhecer (e reconhecer o que eu sentia) o amor em outra pessoa: meu namorado, Mateus.

 

Ser filho e ser filha

Sempre colocamos nossa relação sob a condução do olhar materno de Maria, implorando à ela que nos abençoasse e guiasse. Sob a proteção dela, aprendemos que o diálogo, companheirismo, respeito e cuidado deveriam ser mútuos, pois nos fortalecíamos um ao outro. Tive a graça de encontrar alguém que, assim como eu, cresceu em Schoenstatt e, além de crer nos mesmos ideais que eu, também sempre desprende-se de si para entregar sua juventude à Mãe.

Um ensinamento do Pai e Fundador, Pe. José Kentenich, que levo comigo é de que aprende-se amar na medida em que sabemos que somos amados. Com isso, ao reconhecer a subjetividade do amor, aprendi que não temos outro meio de nos prepararmos para o namoro de outra forma senão pedindo a Deus sua bondosa intercessão e que, como filha ou como filho diante do Pai, não podemos aceitar nada menos do que alguém que também se coloque nessa posição. Somente assim, entregues primeiramente ao amor Dele, podemos crescer em maturidade no amor para cumprir o plano que Ele tem para nossa vida.

 

* Contribuição da Juventude Feminina de Schoenstatt do Regional Sul

Foto: www.comunidadesantarosa.com.br

 

Fonte: www.schoenstatt.org.br

 

Guardar palavras e fazê-las frutificar

 

Pe. Francisco José Lemes – “Guardar as suas palavras”, “O Pai e eu faremos morada”, “o Espírito Santo que o Pai enviará em meu nome”; expressões confortadoras de Jesus para seus apóstolos no ambiente de Última Ceia, pois estava se despedindo e se entregando livremente para a nossa salvação. Expressões que nos confortam também hoje, diante de um mundo que nos afasta de Deus e no qual vivemos isolados: tudo mora em nós, menos o Deus Uno e Trino.

Guardamos muita coisa e muitas informações e até nos perdemos… no homem de hoje parece não haver lugar para as palavras de Jesus, que são espírito e vida, por isso um mundo de morte e vive-se sem sentido da vida, uma crise existencial!

Jesus deseja a Paz, não a paz do mundo – por vezes muito ilusória. A paz que Jesus nos dá é a paz que nos tira do comodismo, a paz que nos faz solidários diante do sofrimento humano, a paz que tem um olhar misericordioso e compassivo para com os que estão nas trevas e sombras da morte e do pecado, a paz de quem sabe ouvir para entender a vontade de Deus.

Jesus fala-nos de sua volta ao Pai e da alegria que deveríamos sentir, pois voltando preparar-nos-á um lugar no céu, nossa verdadeira pátria! E junto do Pai nos enviará o Espírito Santo que será nosso defensor durante nossa missão neste mundo até o dia em que o Pai nos chamar para junto de si.

Que neste Domingo Pascal sejam estas expressões de Jesus motivação para nossa missão, esperança de novos céus e nova terra. Peregrinando aos nossos Santuários Filiais, espalhados por todo o Brasil, ou em nossos Santuários Lares, na escola de nossa Mãe e Rainha, estas palavras de Jesus nos motive para a construção de uma Nova Terra Mariana!

Reflexão para o Sexto Domingo da Páscoa (Jo 14, 23-29)

Foto: Poliane Bôsco

Fonte: schoenstatt.org.br

“Deveis amar-vos uns aos outros”

Pe. Francisco José Lemes – O contexto do evangelho deste domingo, 19 de maio, o quinto do Tempo Pascal, é a Última Ceia. Após lavar os pés de seus apóstolos, tendo Judas saído para que se cumprissem as Escrituras, que um levantaria o calcanhar e o trairia, Jesus nos dá o mandamento do amor. Seu testamento! Sua herança: amar com o amor com que ele nos amou!

Amor que nos renova, não um amor humano que deixamos de amar no primeiro defeito ou decepção. Mesmo Judas o traindo, mesmo Pedro – com sua coragem no Jardim das Oliveiras ao cortar a orelha de um dos soldados e depois negando-o – Jesus ama! Ama com amor incondicional. Supera as fraquezas humanas, supera as falsas expectativas e vê o ser humano, mesmo falho, com olhos de amor.

O amor de Cristo que nos une será a nossa marca e muitos conhecerão Jesus pela forma de como nos amamos. O amor de Cristo que une cura as feridas, aproxima quem está distante, acalma os que estão atormentados e esclarece os que estão em dúvida. Ele nos amou primeiro e com um amor a ponto de entregar a sua vida e o continua a fazer a cada vez que se renovam no altar suas palavras sobre o Pão e o Vinho. Ali, no altar, Ele se derrama em puro amor e vem ao nosso encontro quando, na fila da comunhão, o recebemos dizendo ‘Amém’, quando a hóstia imaculada nos é entregue por amor como Corpo de Cristo.

Num mundo onde o amor é tudo, menos um amor ágape – de entrega sem esperar recompensas ou reconhecimento – somos desafiados a amar com o amor de Cristo Crucificado-Ressuscitado!

Nesses 70 anos da entrega da Coroa e do Cetro à Mãe e Rainha como Rainha da Filialidade Heroica, na construção de uma nova terra mariana, a Mãe, na sua escola de amor, nos faz discípulos missionários do amor de seu Divino Filho. Ela, a Mãe do Belo Amor! Sejamos, nas mãos de nossa querida Mãe, instrumentos do amor de Cristo, semeando amor verdadeiro onde ele é falso, interesseiro, erótico e enganador. Sob o olhar e sob sua proteção de Educadora, nos educará para o verdadeiro amor e, assim sendo, seremos reconhecidos como fieis discípulos de seu Divino Filho.

“Mãe Três Vezes Admirável, dá que sejamos sempre teus instrumentos. Com amor, hoje e sempre nos consagramos ao teu serviço. Usa-nos, como agrada a Deus, inteiramente para teu Reino de Schoenstatt”(Rumo ao Céu, 600).

Fonte: schoenstatt.org.br

Ultimato: Uma geração que necessita de heróis

 

Felipe Seitenfus – O filme “Vingadores: Ultimato”, lançado em abril, foi um fenômeno. Sua estreia ocupou 80% das salas de cinema do Brasil e, apenas no primeiro fim de semana, faturou US$ 1,2 bilhão mundo afora. Seu impacto ultrapassou as barreiras de idade e sexo e muitos chegaram a virar a madrugada para assistir ao filme. No meu círculo de amigos, praticamente não se fala em outra coisa… há TRÊS semanas!

Particularmente, não sou um grande fã de super-heróis. Sempre preferi obras em que os protagonistas têm personalidade dúbia, seu psicológico é complexo, seu passado é problemático, apanham, sofrem horrores e, mesmo com tudo isso, conseguem chegar lá. Mas, há algo que une o meu gosto e o gosto de quem foi assistir “Vingadores”: A procura por heróis. Não apenas no sentido “super” da coisa, mas no sentido de referência, um espelho. E por quê?

É uma tendência humana procurar âncoras desde sempre. No início da vida, as pessoas ‘dotadas de superpoderes’, que nos protegem e impulsionam ao heroísmo, são nossos pais e familiares mais próximos. Ao longo do tempo, vamos encontrando novas referências, novos rostos e ideais. Numa atmosfera muitas vezes sufocante, que isola o ser humano no meio da multidão, a procura por espelhos, por heróis, algo que sirva de socorro para as angústias aumentou consideravelmente. Podemos notar isso ao ver as convenções de games, animes e afins tomados por Cosplayers, cujo número de participantes cresce ano a ano (como, por exemplo, na Comic Con São Paulo, a maior do mundo). Também não é de se admirar que a maioria dos filmes e séries de sucesso hoje em dia tenham um pé no realismo fantástico, nos super-heróis.

Tudo isso, nos casos mais variados, pode ser sintoma de fuga, negação, de um escape. Mas, será que é só isso? Não. Também revela o natural anseio humano de encontrar referências heroicas. O recente número de expectadores nos cinemas indica, de certo modo, a procura por exemplos morais que, pelas suas virtudes, transformam o lugar em que vivem, ou mesmo o mundo.

Em busca de novos herois

Diante da carência de personalidades que nos inspirem, Schoenstatt nos apresenta uma galeria de super-heróis que se tornaram modelos. José Engling, Ir. M. Emilie Engel, Mário Hiriart, Bárbara Kast, João Pozzobon, o próprio Pe. José Kentenich. Todos eles (e vários outros) são considerados “heróis” pelos mesmos motivos que os Vingadores – são um exemplo, uma âncora, pessoas a serem espelhos e referências para nós. A diferença é que os heróis da Marvel são resultado da ficção, enquanto que nossos modelos schoenstattianos foram pessoas de carne e osso, com virtudes e falhas; eles, por meio da autoeducação contínua e da fiel Aliança com a Mãe Admirável, tornaram-se exemplos de fé, de coragem e testemunho, enfrentando todo desafio possível pela obra da Igreja, pela Obra de Schoenstatt.

E nós, cristãos católicos, hoje? Sabemos de todos os problemas que nos cercam, que nossas individualidades são cerceadas, que nosso espírito tende a se sentir perdido na bagunça que se tornou a mentalidade moderna. Como os demais, procuramos heróis. Mas com atenção especial, heróis que, por meio de seu exemplo, contribuíram com o plano divino, que foram peça-chave no crescimento daqueles ao seu redor, que, com seus ideais, conseguiram ligar Deus ao mundo e o mundo a Deus, como nós devemos também fazer.

Assim como eles, hoje somos nós que precisamos buscar essa vida heroica, que é modelo para os demais. E para isso, segundo nosso Pai e Fundador, “somente um grande amor a Deus pode gerar esta força motriz e determinar a intensidade desta luta e aspiração heroica da vida cotidiana”. Pois o amor apresenta “a tendência ao heroísmo. Vive de uma elevada aspiração e de ações heroicas. Em sua tarefa cotidiana vive de anelos heroicos e de ações heroicas” [1].

Nós, pessoas comuns, não carregamos um escudo, um martelo ou uma armadura de alta tecnologia. Entretanto, temos o elemento mais precioso que nos nutre e fortalece: o genuíno “herói”, que lutou, deu a vida por nós e assim se fez carne. Ele é a verdadeira âncora, o espelho que devemos ter em nossa frente. Segundo o Pe. Kentenich, “herói é quem consagra sua vida a algo grande” e, ao “recebermos Jesus na sagrada comunhão, ele cuidará que se torne plenamente realidade o que hoje esperamos e prometemos” [2].

 

[1] NAILIS, Dra. M. A. Santidade de Todos os Dias – Espiritualidade Laical de Schoenstatt, vol 1.

[2] KENTENICH, Pe. José. Eu saúdo os Lírios. Col Jufem Brasil, vol 1. 18/01/1949

Foto: Pat Loika

Fonte: schoenstatt.org.br

Toda mulher nasceu para ser mãe?

 

Ir. M. Dioneia Lawand – A duquesa de Cambridge, Kate Middleton, em um documentário partilhou sua experiência sobre a maternidade: “Nada nos pode realmente preparar para a extraordinária experiência que é tornarmo-nos mães. É cheia de emoções complexas de alegria, exaustão, amor e preocupação, todas juntas. A nossa identidade fundamental muda da noite para o dia. Deixamos de pensar enquanto pessoas individuais, para sermos mães, acima de tudo” [1].

É um testemunho concreto e belo sobre a missão materna feminina e talvez, diante dele, podemos nos perguntar: Mas, toda mulher nasceu para ser mãe? Como posso ser mãe, mesmo sem ter filhos? O que é ser mãe?

Para Lisa Mladinich, autora católica, apresentadora e coach nos Estados Unidos, “a maternidade espiritual pode ser um autêntico dom e vocação, conectando-se com a realidade de que podemos ser mães de uma pessoa só ou mesmo de nenhuma na carne, mas mães de muitos em espírito. Essa maternidade espiritual contribui para o verdadeiro esplendor de uma mulher. E o generoso desejo materno de compartilhar a riqueza da nossa vida espiritual faz parte do ‘gênio feminino’ que São João Paulo II descreveu de forma tão eloquente em Mulieris dignitatem” [2].

 

Eu, que não tenho filhos, também posso ser mãe?

A mulher concebe a vida e, fazendo a doação de si mesma, ela alimenta com seu próprio sangue, e depois com seu leite materno, essa vida. Porém, não existe apenas uma maternidade biológica, mas também uma maternidade espiritual. Esta segunda alimenta, com seu ser voltado para Deus e para os homens, todos aqueles que estão à espera de sua dedicação desinteressada, de sua ajuda, de seu coração de mulher feito para o amor. Pe. José Kentenich indica que “a maternidade espiritual é o metafísico, o imutável, o absoluto, o eterno na natureza feminina” [3]

Segundo a essência metafísica do ser feminino, a mulher é símbolo de uma misteriosa e indizível doação que acolhe o outro, de uma doação receptível e animadora. Pode-se dizer de uma doação acolhedora. Também se pode dizer que sua natureza é símbolo da doação receptiva. Ao mesmo tempo em que se dá, que se doa, ela recebe. Essa doação receptiva é denominada por Pe. Kentenich como “o eterno na mulher” ou, como define Gertrud Le Fort (1960), “a Mulher eterna” [4].

“O eterno na mulher está documentado ou corporificado de modo perfeito na querida Mãe de Deus. […]. Portanto, o eterno na mulher consiste na doação receptiva, na serviçalidade singela e desinteressada de si mesma, forte e imersa no divino” (Pe. Kentenich, 1945).

Le Fort complementa: “Em todo dom de si brilha um raio do mistério da Mulher eterna. Mas este raio se extingue quando a mulher procura a si mesma”.

 

Mulheres, consagradas e mães espirituais

Pode se ver esse ‘eterno na mulher’ corporificado em tantas figuras femininas que, por sua grandeza vivida no mistério de seu ser, projetam luz inextinguível no decorrer da história da Igreja, dos povos e das nações. Com modéstia e simplicidade, elas acompanham a marcha da história e, muitas vezes, contribuem decisivamente em momentos singulares de seu destino.

Vejamos dois exemplos de mulheres que marcaram a história, exercendo a maternidade espiritual:

Joana D’Arc

A França, sofrendo pela ‘Guerra dos Cem Anos’, dominada pelos ingleses, de repente recebe novas forças e um entusiasmo revigorado. Os ingleses foram vencidos e o rei conduzido a Reims para ser coroado. A França estava livre.

De onde veio a força que reorganizou e disciplinou um exército exausto, interiormente decaído? Quem foi capaz de mover o sucessor do trono – um homem frágil e somente interessado em seu luxo – a reagir? Joana D’arc, a virgem de Orleans, uma jovem, uma mulher!

Os soldados respeitavam Joana e estavam prontos a lutar e a morrer por ela e por suas idéias. Seu ser de mulher, sua modéstia enobreceram o ambiente, despertaram forças em todo o exército e conduziram o rei da França à coroação.

 

Catarina de Sena

Pensa-se em Catarina de Sena, que exerceu um papel ativo e surpreendente na Igreja do séc. XIV, cuja vida empolgou artistas e escritores, atraídos por sua misteriosa personalidade. Num século em que a mulher não tinha voz nem vez na sociedade, conseguiu uma vitória inacreditável: fez com que o Papa Urbano VI, há 70 anos exilado na França, voltasse a sua sede em Roma.

No século XX, em 1970, ela aparece novamente no cenário da história universal. Paulo VI, para surpresa do mundo cristão, proclama-a Doutora da Igreja. É a primeira mulher na história da Igreja que recebe esse título.

Poderíamos continuar a nomear uma falange de mulheres que marcaram os séculos com sua presença atuante, envoltas no véu de sua maternidade espiritual vigorosa. Algumas delas que também se consagraram a Schoenstatt, como esses dois exemplos, dentre tantos outros:

Gertraud von Bullion

A primeira mulher a ingressar na Obra de Schoenstatt é Gertraud von Bullion, uma condessa nascida em família nobre, mas que decidiu-se pelo servir aos necessitados. Dotada de liderança, escolheu livremente dedicar ajuda materna como enfermeira da Cruz Vermelha na Primeira Guerra Mundial. Gertraud foi mãe para muitos pacientes: “Na medida do possível, lavávamos os pobres, dávamos a todos de comer e de beber, fazíamos curativos aos que estavam piores e os deitávamos, enquanto havia camas, em camas, depois, em sacos de dormir e em cobertores no chão” [5]

Havia grande respeito por ela, e ela, em caso de necessidade, sabia impor-se, sem que a sua maternidade sofresse por causa disso. Muitos pacientes continuaram a corresponder-se com a enfermeira Gertraud após a guerra, como lhe escreve um deles: “Continuo a admirar a sua influência na enfermaria. Na ausência das enfermeiras, faziam-se as piores conversas; a partir do momento em que entravam na sala, tudo ficava calado”.

 

Ir. M. Emanuele Seyfried

Ir. M. Emanuele fez parte do primeiro grupo de Irmãs de Maria missionárias que chegaram ao Brasil, em 1935. Seus talentos pedagógicos, sua inteligência, nobreza e, sobretudo, sua dedicação maternal e espiritualidade profunda fizeram dela uma figura de destaque no Instituto e nos lugares onde atuou. Quando as primeiras vocações brasileiras se apresentaram para a comunidade, o Fundador lhe confiou o cargo de Mestra de Noviças. Assim, toda a primeira geração brasileira das Irmãs foi por ela formada e encontrou em sua personalidade e maternidade um modelo para a vida consagrada.

O Capítulo Geral do Instituto, de 1967, elegeu Ir. M. Emanuele, por unanimidade, como superiora geral. Assim, devia voltar à sua pátria para exercer o máximo cargo na direção do Instituto. Um sacerdote do Chile a caracterizou: “Ela foi mulher extraordinária, que corporificou de modo excelente os valores femininos que Schoenstatt visa dar ao mundo. Sua maternidade ultrapassou os limites de sua comunidade. Ela possuiu, de modo preponderante, a sabedoria da mulher e a plenitude da maternidade, numa dedicação total a Deus” [6].

Observamos, no decorrer dos séculos, que onde há manifestação de vida, ali se encontra uma figura feminina. A mulher, quando autêntica, fiel a si mesma e à sua essência metafísica, nela brilha a luz da maternidade física e, acima de tudo, uma maternidade espiritual.

O Santo Padre, Papa Francisco, une “as mães espirituais” que devemos ter como amparo: “Nós não somos órfãos, temos uma mãe! Nossa Senhora, a mãe Igreja e a nossa mãe. Não somos órfãos, somos filhos da Igreja, somos filhos de Nossa Senhora e somos filhos das nossas mães” (Audiência Geral, 07.01.2015).

 

Foto: Phil Hearing, via unsplash.com

 

Referências:

[1] Documentário “Out of the Bue”, transmitido em Londres no dia 23.03.2017. Trecho disponível no YouTube

[2] Aleteia, 24 de dezembro de 2015, disponível em pt.aleteia.org

[3] Lawand D, Bertan L A. Pedagogia e o Colégio Mãe de Deus – contribuições para a educação brasileira. Arte e Ciência Editora 2008 p. 121

[4] LE FORT, Gertrud. Die ewig Frau: die Frau in der Zeit, die zeitlose Frau. München: Kösel-verlag, 1960

[5] Gertraud von Bullion – Serviam, Resposta de Amor. Nikolaus Lauer

[6] A volta de Ir. M. Emanuele ao lar eterno. Pág. 30, 1973

Fonte: schoenstatt.org.br

Tu me amas?

 

Pe. Francisco José Lemes – É uma das páginas mais belas do Evangelho (Jo 21,1-19). Jesus confirma a vocação de Pedro e, nele, confirma a vocação do Papa, hoje nosso querido Francisco! Também confirma nossa vocação: somos chamados a “apascentar” os cordeirinhos do Senhor nas diversas atuações de nossa vida de cristãos batizados, ‘eucaristizados’ e confirmados no Espírito.

Quando Jesus pergunta a Pedro sobre seu amor por ele, Jesus o faz querendo saber se ele, Pedro, o ama com o mesmo amor com que Jesus o ama. Ao chorar, Pedro vê que seu amor pelo Mestre não é suficiente. Mas, surpreendentemente, Jesus aceita o amor que Pedro lhe devota e assim mesmo lhe confia o rebanho conquistado pela sua Morte e Ressurreição. Ao longo da vida de Pedro, o Senhor Crucificado-Ressuscitado o irá habilitando e Pedro provará seu amor quando morrer por seu Mestre.

Jesus nos interroga de nosso amor para com ele. Será que nós o amamos com o mesmo amor, de dar a própria vida por nós? Ele aceitará o seu, o meu e o nosso amor – mesmo que seja pouco – nos confiará seu rebanho e nos capacitará, na medida em que a Ele nos entregarmos confiantes.

Segue-me!

Nosso Pai e Fundador, Pe. José Kentenich, fala que é muito fácil expressar nosso amor a Jesus quando estamos bem (financeiramente, emocionalmente, etc.). Mas, nos momentos de Calvário, provar nosso amor a Jesus exigirá de nós uma “Filialidade Heroica”, ou seja, a provação de nosso ouro e prata no cadinho da humilhação. Aí, nosso amor a Jesus será verdadeiro e, se preciso for, até a vida lhe daremos.

Neste Terceiro Domingo Pascal, renovemos nosso amor a Jesus, renovemos nossas promessas batismais, nos fortaleçamos pela escuta da Palavra e nos alimentemos de seu Corpo e Sangue. Nossa Mãe e Rainha – Vencedora – nos ajudará nessa caminhada e, como Mãe dada aos pés da Cruz, estará conosco em nossos “calvários” e, se por acaso sentirmo-nos fracos, Ela virá em nosso socorro.

Fonte: schoenstatt.org.br

Esperando contra toda esperança

 

Pe. Vandemir J. Meister – A esperança contra toda desesperança volta a surgir no rosto da primeira comunidade cristã na passagem bíblica de Emaús. Esse rosto que tem cada um de nós, que peregrinamos neste mundo, seja com o outro, com os outros e, muitas vezes, sozinhos. Em nossas esperanças, muitas vezes caímos na desesperança, porque o que supúnhamos que nos dava seguridade se esvai por entre as fendas dos dedos de nossas mãos. Em quem, então, colocar nossas esperanças?

Vem-me à memória a história de um sacerdote, Pe. José Kentenich, que no momento de maior desesperança encontrou a esperança que lhe deu sentido e fortaleza onde reinava um ambiente infernal. Ele, durante a Segunda Guerra Mundial, foi preso num minúsculo calabouço, que era um antigo cofre forte de um banco desativado e tornado prisão, na Alemanha. Ali, sem a luz do dia, sem contato humano, ficou preso durante 30 dias. Nesse lugar tenebroso, segundo seu testemunho, foi onde teve maior intimidade com Deus. Dizia ele que, se não fosse essa intimidade espiritual, sairia daquele lugar praticamente desequilibrado, isto é, louco.

Voltamos agora ao acontecimento do evangelho, onde dois dos discípulos de Jesus voltam, desde Jerusalém, para Emaús. Tinham perdido toda a esperança que tinham depositado em Jesus. Com a crucificação e morte, a esperança desses dois discípulos esvai-se. Aquilo que dava sentido em suas vidas, agora já não está presente para cativá-los no dia a dia. Já não lhes dá o ânimo de uma alegria contagiante. A desesperança marca profundamente o coração de qualquer um, mas não produz esquecimento. Sim, a desesperança nos leva a tomar novas decisões. Esses dois discípulos tomam a decisão de voltar ao seu lugar de origem e recomeçar a vida, a dar um sentido para ela. Estão em busca do sentido.

Ele é a história, Ele é o acontecimento

Os acontecimentos em Jerusalém foram grandes a respeito da crucificação de Jesus. Não foi um acontecimento paralelo na vida da cidade, um acontecimento somente acompanhado e percebido por um pequeno número de pessoas. Vê-se na indignação dos dois discípulos: “Tu és o único peregrino em Jerusalém que não sabe o que lá aconteceu nesses últimos dias?” Para os dois peregrinos desesperançados, que não reconheceram quem os acompanhava no caminho de retorno a Emaús, os acontecimentos de Jerusalém tinha causando-lhes impacto e desilusão. Não compreenderam as palavras do Senhor sobre a ressurreição. Tinham estado com o Senhor. Quantos milagres quiçá tinham visto. Encontro com Maria, com os demais apóstolos. Tudo isso não lhes tinha assegurado sentido.

Fazendo o caminho de retorno, juntamente com esse outro peregrino que se juntou a eles, buscavam partilhar os acontecimentos últimos. Fazendo o caminho com eles, Jesus Cristo faz-se portador da história por eles contato. Ele é a história, Ele é o acontecimento. Os discípulos, ainda incrédulos, o convidam para acomodar-se em sua casa. Essa cena é muito bonita. Ao partilharem em comum a refeição, percebem que o peregrino ao seu lado era Cristo. Perceberam ao partir o pão. Jesus está ali presente; mas ao mesmo tempo não podem tocá-lo, não podem detê-lo. Ele está ali, mas ao mesmo tempo já se foi.

Não ardia o nosso coração?

A ressurreição é que dá sentido à vida desses peregrinos. A ressurreição lhes traz novamente alegria e vida. Traz-lhes esperanças. “Não estava ardendo o nosso coração, quando ele nos falava pelo caminho e nos explicava as Escrituras?” Essa esperança é que lhes dá força para partir novamente para testemunhar em Jerusalém.

Quantas vezes não temos a mesma experiência dos discípulos, do desânimo, da desesperança, de não valorizar aquilo que temos e somos? De desacreditar nos outros, na vida, na fé? Só tem uma coisa que nos dá fortaleza interior, apesar de termos perdido todas as outras coisas – dinheiro, honra, influência, amizades, etc. – somente nos sobra a FÉ, a Fé em Jesus Ressuscitado.

Essa fé foi que salvou mentalmente e fisicamente o Pe. Kentenich do calabouço e do campo de concentração durante a Segunda Guerra Mundial.

 

Foto: Karen Bueno

Fonte: schoenstatt.org.br

O jovem e a Semana Santa: Essa mistura combina?

 

Lanna Costa – Estamos neste tempo de Quaresma, que é tempo de preparação para a festa mais importante da nossa fé cristã, a Páscoa – Vida, Paixão, Morte e Ressurreição do nosso Salvador. É uma caminhada de 40 dias em que nos unimos a Cristo, dia após dia, na necessidade de intensificarmos as penitências e os sacrifícios.

Nesse período, somos chamados à reflexão, conversão e a ajudar Jesus a carregar a sua pesada cruz. Nosso coração, olhar e sentidos se voltam para a maior prova de amor: a entrega total de Jesus por nós. Somos convidados à experiência do deserto, vivido por Jesus na tentação, e a procurarmos acompanhar o sofrimento dele, agradecendo todo o amor de Deus para conosco.

Nós, como jovens, podemos viver mais intensamente a Semana Santa que se aproxima tendo em mente que queremos tornar a cruz de Jesus mais leve. Para isso podemos contribuir arduamente com o Capital de Graças, na persistência de seguir nossos ideais – por exemplo, da Juventude Feminina sendo ‘Lírio do Pai, Tabor para o Mundo’, da Juventude Masculina sendo e vivendo ‘Vinculados por Maria, Fogo do Cristo Tabor’. Outra forma de viver a Semana Santa com mais profundidade é fazer renúncias, nos autoeducando e, assim, causando alegria a Cristo por nossa luta à santidade. Como disse nosso Papa este ano:

“A Quaresma chama os cristãos a encarnarem, de forma mais intensa e concreta, o mistério pascal na sua vida pessoal, familiar e social, particularmente através do jejum, da oração e da esmola. Jejuar é aprender a modificar a nossa atitude para com os outros e as criaturas, passar da tentação de «devorar» tudo para satisfazer a nossa voracidade, à capacidade de sofrer por amor, que pode preencher o vazio do nosso coração. Orar, para saber renunciar à idolatria e à autossuficiência do nosso eu, e nos declararmos necessitados do Senhor e da sua misericórdia. Dar esmola, para sair da insensatez de viver e acumular tudo para nós mesmos” (Mensagem para a Quaresma 2019).

Fazer o ordinário de forma extraordinária

Com nossa Rainha da Juventude, em seu Santuário de Graças, vamos procurar, nesse tempo de Quaresma, aprofundar mais e melhor nossa vinculação com Cristo. Assim, podemos ter um tempo fecundo em todos os ambientes (escola, faculdade, trabalho) e nos nossos relacionamentos (família, namoro, amizade), da mesma forma que fizeram nossos heróis, realizando o ordinário de forma extraordinária.

Que nossos jejuns e abstinências não sejam hipócritas. Que os façamos do modo que nos ensina a Sagrada Escritura: sem tocar “trombetas” à nossa frente. E, ainda, tão importante quanto o sacrifício doado são as atitudes do nosso dia a dia. De nada adianta jejuar, ficar sem comer carne alguns dias, sem bebidas alcoólicas, doces e outros e, assim que se termina a Quaresma, “tirar a barriga da miséria” – como se diz popularmente – sem ter a mudança de conduta, sem o progresso espiritual.

Motivação para o protagonismo

A Igreja no Brasil este ano, por meio da Campanha da Fraternidade, pretende estimular a participação dos cristãos em políticas públicas, à luz da Palavra de Deus e da Doutrina Social da Igreja, para fortalecer a cidadania e o bem comum, sinais da fraternidade. Que sejamos jovens que lutam pela defesa da vida, da família, dos valores cristãos, sem medo de nadar contra a corrente!

Que busquemos ser instrumentos na vida de muitas pessoas, sendo reflexos de Maria no nosso modo de agir e se comportar, levando sempre o amor em nossas ações, para não sermos juízes dos demais, e sim servindo sempre ao próximo de forma desinteressada. Verdadeiras luzes no mundo com a esperança de que nossas renúncias e ofertas ao Capital de Graças contribuam para que muitos corações se voltem para Cristo e reconheçam o amor misericordioso do Pai.

É tempo de lembrar-nos da nossa fragilidade e pequenez e purificar nossa alma e nosso coração por meio da oração, do sacrifício e da expiação, para depois, na Páscoa, purificados, fortalecidos e alegres, ressuscitarmos com Cristo.

“Queridos irmãos e irmãs, a ‘quaresma’ do Filho de Deus consistiu em entrar no deserto da criação para fazê-la voltar a ser aquele jardim da comunhão com Deus. Que a nossa Quaresma seja percorrer o mesmo caminho, para levar a esperança de Cristo também à criação. Não deixemos que passe em vão este tempo favorável!” é o apelo final do Papa.

* Lanna Costa é da Juventude Feminina de Schoenstatt de Brasília/DF

Fonte: schoenstatt.org.br

É minha vida um caminho de sacrifício?

 

Sra. Ana Christina Melquiades – É minha vida um caminho de cruz, um caminho de sofrimento, um caminho de sacrifício? A resposta deveria ser sempre “Sim”. Por quê? Porque assim foi a vida de Jesus, adverte nosso Pai e Fundador em várias de suas homilias e nos retiros.

Neste tempo da Quaresma somos convidados a refletir sobre o sentido de nossa vida em Cristo e nosso espírito de entrega e sacrifício.

Em Jesus, está marcada a vida de cada um de nós; está marcado também esse ritmo de amor que se imola a si mesmo e que chega à morte e ressurreição por nós. É este o caminho da plenitude de vida, é este o mistério que tantos recusam hoje em dia, o mistério do sacrifício, da dor e do sofrimento que chega a ser fecundo porque é alicerçado no amor: eu me sacrifico e ofereço algo por amor a Deus e esse é o mesmo caminho que Jesus trilhou para nossa salvação. Para amar plenamente é preciso seguir o caminho da cruz, da entrega e do sacrifício.

 

Um caminho para viver no coração do Pai

Hoje existe uma aversão muito acentuada ao sofrimento e à cruz, ninguém gosta de fazer sacrifícios, de renunciar, de sentir dor. Estamos diante da mentalidade atual que não vê a cruz de Cristo e o sofrimento como caminhos para glória, para a ressurreição, para viver no coração do Pai. Vivemos em um tempo onde se opta pelo mais fácil, pelo mais cômodo, mais rápido e o que traz alegria e satisfação momentânea. Porém, o sacrifício é necessário para nos tornar livres dos aspectos exteriores: por meio do sacrifício nos libertamos de nossos desejos, satisfações, sentimentos próprios e egoístas, voltando nosso ser para o outro, para um bem maior que é Deus e seu plano de salvação.

“Sofro por amor, me alegro quando Cristo me faz participar da sua dor. Quanto mais vivo essa realidade, mais claramente resplandece a luz da fé. Mas não devemos perder de vista, mesmo que vivamos da fé (Rom 1,17), como São Paulo, e nosso caminhar seja no céu (Fil. 3,20), sempre ficará algo inexplicável. Somente conseguiremos esclarecer tudo quando estivermos frente a frente com Deus (1Cor. 13,12). Então saberemos porque o grau da nossa glória determinou o grau da nossa cruz e da dor que tivemos que levar durante nossa vida na terra” (Pe. José Kentenich, 01 de abril 1964).

 

Alguns se tornam revolucionários enfurecidos, outros amadurecem

Nosso Pai e Fundador, durante toda sua vida, foi marcando o seu caminho com o caminho de Cristo, pela realidade da cruz e do sacrifício. No sofrimento e abandono, experimentou, como ninguém, a presença de Deus na condução de sua vida, experimentou como alguém escolhido: caminho de cruz e glorificação.

“A fé ilumina a reação das pessoas diante da dor. Não é verdade que muitas vezes pude sair adiante com minhas cruzes e outras vezes não? Se observo e comparo as pessoas: Algumas se tornam revolucionárias sob o peso da cruz, ficam enfurecidas, se colocam como feras, jogam tudo para baixo, não querem mais saber de Deus, afastam de si outras pessoas. E outras, experimentam cura de muitas dificuldades pela dor, se purificam na dor, se fazem mais transparentes , amadurecem. Qual é a causa? Tudo é mistério. De que mistério se trata aqui? Do mistério da Justiça Divina. Uma vida sem fé, especialmente nesta época, é simplesmente impossível. Deus não quer somente nos presentear, nos levar ao céu, nos assemelhar a Cristo, mas também exige de nós uma decisão própria. Por isso, nos dá uma vontade livre. O mistério da livre vontade é o mistério da Justiça de Deus. Tenho que ganhar minha glória, não somente recebê-la de presente de Deus” (Padre José Kentenich, 01 de abril 1964).

Por outro lado podemos dizer que nossa vida é um caminho de cruz porque somos afetados pelo pecado original. Deus quer purificar-nos e todo caminho de purificação passa pela dor.

Quando falamos de sacrifício, pensamos em todas as ações concretas que nos fazem estar mais próximos de Deus – é minha prova de amor, é assemelhar-se a Cristo livremente.

 

Há também o sacrifício que Deus nos envia em diversas circunstâncias da vida, para nos fazer crescer, para demonstrar seu amor, sua presença. Pode ser muito difícil dizer sim a Deus Pai, principalmente quando se trata de sofrimentos e sacrifícios, porém, quando proferimos nosso sim, Deus realiza de forma perfeita seus planos em nós. Se nos entregamos a Deus apenas pela metade, não possuímos nem o mundo nem a Deus. Ficamos em cima do muro. Só encontramos a felicidade se giramos em torno a Deus e se seguimos seu caminho.

O sacrifício nos leva a um maior crescimento interior, ao autoconhecimento, à educação dos instintos e dos sentimentos. O caminho do sacrifício é um caminho para atuar criativamente, para demonstrar o amor; nosso crescimento será tanto maior quando aumentarem as dificuldades do que quando temos poucas dificuldades a enfrentar.

Em Schoenstatt somos convidados a conquistar e a lutar pelos nossos ideais, entregando diariamente nossas contribuições ao Capital de Graças para sermos dignos do que desejamos. Entrega heróica e sacrifical: “O Senhor que tudo entregou por nós não se contenta com uma vida pela metade; Ele quer o coração e o espírito por inteiro, e não o pálido brilho de um sacrifício medíocre” (Rumo ao Céu, 411).

Fonte: schoenstatt.org.br