Hoje celebramos Maria, Mãe da Igreja.

Talvez muitas pessoas não saibam que na segunda após a Solenidade de Pentecostes, a Igreja celebra a memória de Maria, Mãe da Igreja.

No Decreto “Ecclesia Mater” da Congregação para o Culto Divino e a Disciplina dos Sacramentos, divulgado em 3 de março de 2018, mas com data de 11 de fevereiro de 2018, fica estabelecido que esta memória seja celebrada na segunda-feira após Pentecostes, com o objetivo de “favorecer o crescimento do senso materno da Igreja nos pastores, religiosos e fiéis, bem como da genuína piedade mariana”.

“Esta celebração nos ajudará a recordar que, para crescer, a vida cristã deve estar ancorada ao mistério da Cruz, à oblação de Cristo no banquete Eucarístico, a Virgem oferente, Mãe do Redentor e dos remidos”, lê-se no documento. De fato, a união de Maria com Cristo culmina na hora da Cruz, quando Maria acolhe a vontade do Filho e aceita, num certo sentido perdendo-o, de se tornar Mãe de toda a humanidade.

 

A maternidade de Maria e a maternidade da Igreja

“Todas as palavras de Nossa Senhora são palavras de mãe”, desde o momento da “Anunciação até o fim, ela é mãe“. O Papa Francisco o havia dito na Casa Santa Marta, na primeira Missa celebrada em memória da Bem-Aventurada Virgem Maria, Mãe da Igreja, em 21 de maio de 2018.  E explicava como os Padres da Igreja haviam entendido que a maternidade de Maria era a maternidade da Igreja.

Mosaico ‘Mãe da Igreja’ na praça de São Pedro

 

Ao salientar a dimensão feminina da Igreja e também a importância da mulher, afirmou: “Sem a mulher a Igreja não vai em frente, porque ela é mulher, e essa atitude da mulher vem de Maria, porque Jesus assim o desejou”.

Naquela ocasião, Francisco indicou a ternura como aquela atitude materna que deve distinguir a Igreja, acrescentando: “também uma alma, uma pessoa que vive essa pertença à Igreja, sabendo que também é mãe, deve seguir o mesmo caminho: uma pessoa mansa, humilde, terna, sorridente, cheia de amor”.

 

As raízes profundas do título de Maria Mãe da Igreja

Se o título de Maria Mãe da Igreja tem raízes nos primeiros tempos do cristianismo – e já está presente no pensamento de Santo Agostinho e São Leão Magno, no Credo de Nicéia de 325, e já os Padres do Concílio de Éfeso (430) haviam definido Maria como “verdadeira mãe de Deus” – ele retorna ao Magistério de Bento XIV e Leão XIII.

Mas foi o Papa Paulo VI, no final da terceira sessão do Concílio Vaticano II, em 21 de novembro de 1964, a declarar a Bem-Aventurada Virgem “Mãe da Igreja, isto é, de todo o povo cristão, tanto dos fiéis como dos pastores que a chamam de Mãe amantíssima”.

Mais tarde, em 1980, João Paulo II inseriu nas Ladainhas Lauretanas a veneração a Nossa Senhora como Mãe da Igreja, até chegar o Decreto desejado pelo Papa Francisco que, na memória de um ano atrás, em 10 de junho de 2019, escreveu em um tweet que continua atual: “Maria, mãe da Igreja, ajuda-nos a entregar-nos plenamente a Jesus, a crer no seu amor, sobretudo nos momentos de tribulação e de cruz, quando nossa fé é chamada a amadurecer”.

 

Fonte: Adriana Masotti, em Vatican News

Fotos: Schoenstatt International Communication Office; e Johannes Joas, Public domain, via Wikimedia Commons

 

Por que junho é o mês do Sagrado Coração de Jesus?

 

Na sexta-feira após o segundo domingo depois de Pentecostes é celebrada a Solenidade do Sagrado Coração de Jesus. Ela está inserida na oitava de Corpus Christi e tem o objetivo de dirigir o olhar dos fiéis ao lado aberto de Cristo na Cruz. Por causa desta celebração, a Igreja dedica o mês de junho a devoção ao Sagrado Coração de Jesus.

Em 2014 o Papa Francisco explicou o sentido desta festividade: “consiste em descobrir cada vez mais e em deixar-nos abraçar pela lealdade humilde da mansidão do amor de Cristo”. Junto com Corpus Christi e a Santíssima Trindade, a Solenidade do Sagrado Coração tem um caráter “sintético”, como ensinou o Papa Bento XVI em 2008. As três festas seguem o tempo forte da Páscoa e tem o sentido de catequisar os cristãos sobre quem é Deus.

Do Sagrado Coração de Jesus jorra sangue e água, que a Igreja entende como referências aos sacramentos do Batismo e da Eucaristia.

“O Coração de Jesus é trespassado pela lança. Aberto, torna-se uma fonte; a água e o sangue que saem remetem para os dois Sacramentos fundamentais de que vive a Igreja: o Batismo e a Eucaristia. Do lado trespassado do Senhor, do seu Coração aberto brota a fonte viva que corre através dos séculos e faz a Igreja”, explicou o Papa Bento XVI, homilia por ocasião da Solenidade do Sagrado Coração de Jesus no encerramento do Ano Sacerdotal (2009-2010).

A devoção ao Sagrado Coração de Jesus

A veneração à Humanidade de Cristo sofrendo na Cruz se desenvolveu especialmente no final da Idade Média. A piedade popular difundiu o culto a coroa de espinhos, as chagas e ao Coração aberto de Cristo. A celebração litúrgica da solenidade do Sagrado Coração nasceu no final do século XVII, graças a expansão desse culto entre os cristãos.

A partir de 1673, difundiu-se pela Europa as visões de Santa Margarida Maria Alacoque sobre o Sagrado Coração de Jesus. Cristo apareceu a Margarida e mostrou seu coração rodeado de chamas e coroado de espinhos.

 

 

Santa Margarida escutou o Senhor dizer: “Eis o Coração que tanto amou os homens, que não poupou nada até esgotar-Se e consumir-Se, para manifestar-lhes seu amor. E como reconhecimento, não recebo da maior parte deles senão ingratidões, desprezos, irreverências, sacrilégios, friezas que têm para comigo neste Sacramento de amor”.

A religiosa também recebe uma grande promessa de Jesus: quem comungasse por nove meses consecutivos, na primeira sexta-feira do mês, receberia o dom da penitência final.

Em 2024, o Papa Francisco promulgou uma carta encílica sobre a devoção ao Sagrado Coração, Dilexit Nos (Amou-nos). Vale a pena ler esta maravilhosa encíclica.

 

Foto do Sagrado Coração de Jesus fotografiareligiosa.com.br

Com informações de: comshalom.org

Padre José Kentenich explica os dons do Espírito Santo

 

Acompanhe abaixo as palavras do nosso fundador, Pe. José Kentenich, sobre cada dom do Espírito Santo. Essas explicações são um resumo do amplo retiro que ele deu para a União Feminina de Schoenstatt e as Irmãs de Maria entre 24 a 30 de agosto de 1930:

O dom do Temor de Deus

Se possuirmos o dom do temor de Deus, a alma não teme nada tanto quanto o pecado… Quando o divino atua na alma, o horror ao pecado é sumamente grande e forte. É tão forte que ela estaria disposta – assim como vemos nos santos – mil vezes a deixar-se queimar do que cometer um único pecado venial.

Quantas vezes sentimos grande dor quando nos flagramos em tantas imperfeições, faltas e pecados?! Por isso, o nosso delicado e finíssimo sentimento de culpa tem que impulsionar a alma a rezar, tanto mais: Vem, Espírito Santo, enche-me de santo temor! Com as graças normais, por mim mesmo, nunca hei de conseguir ter aversão ao pecado.

Além disso, pelo dom do temor: A alma sente-se impulsionada também a evitar, com todos os meios, também o mínimo pecado.

O dom da piedade

O dom da piedade torna a alma sumamente recolhida e submissa a Deus;

A alma torna-se como cera mole. Se o Espírito de Deus quiser imprimir algo nela – por exemplo: a imagem do crucificado, ou a chaga do coração de Cristo – a cera mole aceita tudo com prontidão e alegria.

O dom da piedade torna a alma, para com os homens, sumamente amável e bondosa.

Quando o Espírito Santo preenche a alma, então o amor aos homens será um reflexo do amor divino para com as criaturas humanas.

O dom da piedade torna a alma, frente a Deus e aos homens, sumamente branda e compassiva.

O dom da ciência

Pelo dom da ciência aprendemos a julgar, de modo certo, as coisas deste mundo e as coisas divinas. Pelo dom da ciência a alma aprende a desprezar e a fugir do que é desprezível e fugaz. Por este dom a alma aprende a amar e a procurar o que se deve amar e buscar.

Que faz então o Espírito Santo? Que aspecto tem a alma quando recebe essa graça? Ela julga de modo certo.

O dom da fortaleza

Posso dizer o seguinte: o dom da fortaleza nos torna fortes e perseverantes no cumprimento dos propósitos. Ele nos torna fortes na luta contra as tentações. Torna-nos fortes nas lutas da adversidade… Extraordinariamente fortes – incluam-no sempre, pois trata-se de medidas muito grandes.

O dom do entendimento

O dom do entendimento nos ajuda a compreender, tão perfeitamente quanto possível, as perfeições divinas.

Na luz do entendimento, nossa fé é inabalavelmente firme e está pronta a suportar as maiores dificuldades, até a morte, e não duvidar das verdades da fé.

Pelo dom do entendimento a alma também fica apegada com o coração às verdades sobrenaturais.

O dom da sabedoria

Através do dom da sabedoria a alma conhece de modo mais perfeito a Deus, ama a Deus do modo mais perfeito, ela é transformada do modo mais perfeito.

Imaginemos que somos cegos de nascença e nunca vimos as belezas, as maravilhas deste mundo. Já lemos sobre elas, porque aprendemos Braille. Já ouvimos muito sobre a maravilha do sol, as belezas do céu estrelado, da admirável beleza da solidão da floresta e outras coisas. Agora, repentinamente recebemos a luz dos olhos. De alguma forma, com os outros dons, a nossa alma já havia aceito a luz em si mesma… De repente, acontece o milagre da cura! Como se encherão de alegria os olhos e o coração ao verem, de fato, todas essas belezas como realidades das quais até agora só ouviram falar? O mesmo acontece com a alma sob a luz do dom da sabedoria

Dom do conselho

As criaturas são ideias e desejos encarnados de Deus. Necessito ter clareza a respeito desta ordem do ser, a qual me indica seguramente como tenho de agir.

O êxito não me cairá nas mãos de hoje para amanhã. Mas afinal, hei de colhê-lo e vencer tão certamente como Deus vence, se me orientar na ordem do ser. Não é preciso colher e ver logo o resultado. Deus o dará quando lhe aprouver.

* Todas as palavras sobre os dons (com exceção do conselho) foram retiradas do livro “O Espírito Santo e o Reino da Paz”
O dom do conselho foi retirado do livro: Linhas Fundamentais de uma Pedagogia Moderna Para o Educador Católico

 

Fonte: schoenstatt.org.br

Véspera de Pestecostes: recordamos Nossa Senhora Rainha dos Apóstolos

 

Hoje, recordamos Nossa Senhora Rainha dos Apóstolos, venerada com grande devoção por São Vicente Pallotti. Ele colocou toda a sua fundação sob a sua proteção.

O Fundador da Obra de Schoenstatt, Padre José Kentenich, foi padre palottino e nutriu uma especial veneração por Vicente Pallotti. O Movimento de Schoenstatt vê-se como herdeiro de sua visão do ‘Apostolado Universal’, que valoriza a vocação missionária de cada batizado.

Vamos conhecer a imagem da ‘Rainha dos Apóstolos’ e seu significado?

 

 

A imagem da Rainha dos Apóstolos foi pintada, em 1847, por Serafim Cesaretti (1777-1858), a pedido de São Vicente Pallotti. Nela aparece em destaque o Espírito Santo e Maria, Rainha dos Apóstolos. A pintura foi baseada na obra de Frederico Overbeck (1789-1869), pintor romancista alemão. Maria aparece, no centro, com uma auréola na cabeça, indicando que é a esposa fiel, envolta pelo Espírito. Ela porta um traje azul, cor do céu, sinal da plenitude do amor de Deus que a escolheu para ser a Mãe do Salvador.

Ela está numa posição de oração, com as mãos postas e com a cabeça levemente inclinada para a direita. O seu semblante é de muita ternura, serenidade e compaixão. Ela é a eterna intercessora para todos aqueles que foram lavados pela água do batismo e revigorados pela força do Espírito. É a Rainha dos Apóstolos porque não só os ensina a serem perseverantes na oração, como também os acalenta para poderem levar o

Evangelho de seu Filho de maneira destemida.

 

Maria está com os olhos fechados, recordando o Espírito Santo que a envolveu com sua sombra na anunciação: “Eu sou a Serva do Senhor; faça-se em mim segundo a Tua Palavra!” (Lc, 1, 38). Assim como ela, as duas mulheres que estão ao seu lado, porém um pouco mais atrás, também têm seus olhos fechados. Elas representam as discípulas de Jesus e as santas mulheres que esperaram pela vinda do Messias, a saber: Sara, Rebeca, Raquel, Miriam, Débora, Ana, Judite e Ester que mantiveram viva a esperança da Salvação e hoje representam as mulheres que colaboram com a edificação do Reino de Cristo.

São João, o discípulo amado, aparece à direita de Maria e São Pedro à esquerda com as chaves depositadas no chão, ao seu lado, simbolizando o poder que recebeu de Cristo para conduzir o Seu rebanho. São duas chaves, uma de ouro e a outra de bronze. O ouro simboliza a realeza divina da qual o seu ministério representa, e o bronze é o poder recebido de Cristo para ligar e desligar. Está ligado diretamente à missão de reger a Igreja militante. Ele serve de ponte para ligar o céu e a terra: “Tudo o que ligares na terra, será ligado no céu e tudo o que desligares na terra será desligado nos céus” (Mt 16, 19).

 

 

As chaves colocadas ao chão, no momento da oração, significa que, diante de Deus, todo poder cessa. Quando Pedro reza com a Igreja, invocando o Espírito, reza como alguém que está com seu coração aberto à misericórdia divina, porque tudo é graça, é dom. Até mesmo o poder deve ser entendido como dom a ser disponibilizado a serviço de todos. Por isso, Pedro e João aparecem em destaque, porém num plano abaixo de Maria e dos outros apóstolos. Pedro representa a instituição e João a Igreja que se abre para amar e acolher Cristo. Ele, na Ceia foi quem estava com a cabeça reclinada sobre o peito do Senhor.

Maria e as duas mulheres permanecem em profundo recolhimento, com os olhos fechados, como que recordando o dia em que encontraram o túmulo vazio e receberam do Senhor a missão de comunicar aos apóstolos tal acontecimento. Conscientes da nova realidade, elas recordam de tal mistério, pela força do Espírito. Agora todos juntos abraçam a mesma causa: anunciar para todo o mundo a presença do Reino em nosso meio.

 

 

Os apóstolos têm os olhos abertos e elevados para contemplar a ação do Espírito que veio na forma de pomba. A sua presença santifica, aquece, ilumina, fortalece e unifica a Igreja e a Sociedade do Apostolado Católico para que todos possam imitar Cristo, o Apóstolo do Eterno Pai. Por isso dele sai uma grande luz que envolve todo o ambiente e solta raios luminosos como centelha da graça de Deus que irradia por toda parte. Essa força luminosa impulsiona a Igreja e faz com que nela se perpetue o milagre da Eucaristia, alimento e força para a caminhada de todos os batizados e daqueles que são convocados a trabalhar na obra do apostolado: sacerdotes, religiosos e leigos.

A imagem do cenáculo é apresentada atrás de um grande arco na forma de moldura, como se fosse uma ampla janela, amparada por duas colunas. Por esta janela é possível avistar, de longe, as pessoas envoltas por uma misteriosa luz. A janela é ampla e está aberta para que todos se sintam convidados a participar deste grande acontecimento, manifestado por Cristo, através do Espírito. O cenáculo é espaçoso e por isso tem lugar para todos. O cenáculo recorda, ainda, que só é possível testemunhar a força do ressuscitado se todos permanecerem unidos em oração e em comunhão uns com os outros.

Fonte: Seminário Maior Palotino RJ

Ascensão do Senhor, a certeza de que um dia voltará

Cidade do Vaticano – A Ascensão é uma solenidade litúrgica comum a todas as Igrejas cristãs, que é celebrada 40 dias depois da Páscoa da Ressurreição. Com a Ascensão ao Céu conclui-se a presença de Cristo no contexto histórico e inaugura-se a história da Igreja. No Brasil, é celebrada neste domingo.

“Depois de dizer isto, Jesus foi elevado, à vista deles, e uma nuvem o retirou aos seus olhos. Continuavam olhando para o céu, enquanto Jesus subia. Apresentaram-se a eles então dois homens vestidos de branco, que lhes disseram: ‘Homens da Galileia, por que ficais aqui, parados, olhando para o céu? Esse Jesus que, do meio de vós, foi elevado ao céu, virá assim, do mesmo modo como o vistes partir para o céu’” (At 1, 9-11).

A Solenidade da Ascensão do Senhor é celebrada no Brasil e em outros países neste domingo.  Estamos no Tempo Pascal, ou seja da alegria, da libertação da morte e do pecado graças à Ressurreição, no tempo da promessa de salvação.

Portanto, Jesus despede-se novamente dos apóstolos que agora estão prontos para o destacamento, como filhos crescidos. Porém, a separação é só aparente porque o Senhor, invisível, continua a operar na Igreja, e é temporâneo, porque um dia Ele voltará.

 

Fontes históricas e origens da solenidade

Os Evangelhos falam pouco da Ascensão: Mateus e João terminam suas narrações com a aparição de Jesus depois da Ressurreição; Marcos dedica-lhe a última frase do texto, enquanto que Lucas descreve muito mais, principalmente nos Atos dos Apóstolos.

Nos Atos, Lucas detalha que 40 dias depois da Páscoa – um número muito simbólico em toda a Bíblia – Jesus conduz os apóstolos para Betânia e ao chegar no Monte das Oliveiras (chamado por isso Monte da Ascensão) os abençoa e fala a todos antes de subir ao céu e retornar ao Pai. Neste discurso Jesus confirma a promessa da vinda do Espírito que não os deixará sós e prefigura a sua segunda vinda, no final dos tempos.

A celebração da Ascensão tem origens antigas e é testemunhada tanto por Eusébio de Cesareia como pela peregrina Egéria, e é influenciada pela tradição judaica como por exemplo na imagem da “subida” para Deus não apenas física – embora catedrais e mosteiros estejam quase sempre em posições elevadas – mas também espiritual, entendida como purificação e recolhimento para escutar a sua Palavra. Inicialmente era celebrada em Belém para evidenciar que tudo tinha começado ali e era unida à festa de Pentecostes, celebrada na tarde do mesmo dia.

Mas no século V-VI já estavam separadas como demonstram São João Crisóstomo e Santo Agostinho que dedicaram várias homilias à Ascensão.

 

O significado da Ascensão

Retornando ao Pai, Jesus conclui um ciclo, que atravessou a sua existência humana para voltar aos céus, mesmo permanecendo vivo e presente na Igreja. Mas é graças ao momento da Ascensão que esta dicotomia entre céus e terra é superada: Jesus parte, mas apenas precede – como um irmão, como um rei e como o Filho predileto -, todos os homens no paraíso, ali onde está Deus.

Como um homem, Jesus tinha descido aos infernos para salvar Adão e assim, com a Ascensão, reitera mais uma vez que o céu é o destino que o homem deve almejar, a santidade, resumindo o sentido do mistério da Encarnação e o objetivo final da salvação. A glorificação da natureza humana, encarnada pelo Verbo em toda a sua pobreza e mais tarde, elevada aos céus por Ele, é muito bem explicada em várias orações da tradição bizantina nas quais superar-se a disputa entre céu e terra.

 

“À direita do Pai”

Há muitos pontos, dentro dos Evangelhos, nos quais Jesus prefigura o que acontecerá na Ascensão, por exemplo na Última Ceia, quando anuncia “vou ao Pai”. E o lugar à direita do Pai é, justamente, o lugar de honra, o Filho predileto que por amor se fez carne, morreu e ressuscitou para salvar a humanidade.

Aquele lugar é seu para sempre, porque Jesus antes de ser um homem é Filho do Pai e junto d’Ele tem a glória eterna. Portanto, Jesus sobe aos céus para dar início ao reino que não tem fim, mas também para preparar o nosso lugar no céu.

Se Jesus não retornasse ao Pai nos céus, não haveria redenção nem salvação para o homem: de fato, só assim Ele completa a Sua Ressurreição enviando ao mundo, em seguida, o Consolador.

Fonte: Vatican News

Hoje celebramos a Visitação de Nossa Senhora a Isabel

Acacio Vieira de Carvalho – Hoje celebramos a festa lirtúrgica da visitação de Maria à sua parente Isabel.  A narrativa da Visitação apresenta-se como consequência do Pentecostes de Maria, quando na Anunciação, o Anjo Gabriel, revela que o Espírito Santo desceria sobre ela com seu poder. Animada pelo Espírito, a Virgem se põe a caminho e, com solicitude vai até a casa de sua prima Isabel para ajudá-la em suas necessidades, pois essa era de idade avançada.

A visita de Maria não foi apenas um gesto de cortesia. Fecundada pelo Espírito Santo, Maria pôs-se a caminho para transmitir o mistério santificador da Palavra que, misteriosamente, se fez carne. Ela sentiu-se movida pelo desejo de comunicar à sua prima a alegria que sentia pelo prodígio nela operado pelo Senhor. Esta alegria é cantada no Magnificat: “o meu espírito se alegra em Deus”.

Na sua mensagem de encerramento do mês mariano em 2013, o Papa Francisco sintetizou o comportamento de Maria no episódio da Visitação em três palavras: escuta, decisão e ação.

Escuta: Maria está atenta a Deus, escuta a Deus, mas Maria escuta também os fatos, lê os acontecimentos de sua vida. Está atenta a realidade concreta e não fica na superfície, mas vai ao profundo para acolher o significado. A parente Isabel, que já é idosa, espera um filho. Esse é o fato. Mas Maria está atenta ao significado, sabe acolhê-lo: “Nada é impossível a Deus” (Lc 1,37).

Decisão: Maria não vive da pressa, da ânsia, mas como destaca São Lucas “meditava todas essas coisas no seu coração” (Lc 2,19). Também no momento decisivo da anunciação do Anjo ela também pergunta “como acontecerá isso?”, mas não se detém nem mesmo no momento da reflexão, dá um passo a mais: decide. Ela não vive da pressa, mas apenas quando é necessário vai rapidamente.

Ação: “Maria pôs-se em viagem e foi depressa”. A ação de Maria é uma consequência de sua obediência às palavras do Anjo. Ela vai até Isabel para ser-lhe útil. Esta sua saída de casa, de si mesma, por amor, carrega o que tem de mais precioso: Jesus. Ela carrega seu Filho.

Portanto, o mistério da Visitação lembra a todos que o “levar Cristo” é uma atitude “mariana”. Por esta razão a Igreja mantém os olhos fixos na Virgem Mãe: grávida do Pão eucarístico, ela torna perpétuo entre os homens o caminho missionário daquela que, como Arca da Aliança e Tabernáculo vivo de Deus que se fez carne, trazia em si Aquele que visitou e redimiu o seu povo: “Socorreu Israel, seu servo, lembrando-se de sua misericórdia, conforme prometera aos nossos pais, em favor de Abraão e de sua descendência, para sempre”.

Foto: Fiore Bagatello, em cathopic.com

Fonte: Academia Marial – A12

As Representações da Santíssima Trindade nas obras da Ir M Senira Biscaro

Amanhã celebramos o maior mistério da nossa fé: a Santíssima Trindade. Nestes mais de dois milênios de cristianismo, muitos teólogos se ocuparam com este mistério, buscando entendê-lo e explicá-lo.

Enquanto a inteligência humana é pequena demais para entender o mistério de Deus, a arte cristã procurou expressar em imagens o que as palavras não o podem.

Nos Santuários de Schoenstatt há também um conjunto de símbolos que representam a Trindade: a cruz (acima do tabernáculo), o Símbolo de Deus Pai (também é símbolo da Santíssima Trindade) acima do quadro da MTA e o Espírito Santo, bem acima do altar, como se estivesse ‘pairando’ sobre o recinto sagrado do presbitério (local bem na frente, onde ficam o altar e trono da Mãe e Rainha).

Cada Santuário de Schoenstatt tem formas variadas para estes símbolos, mas eles sempre estão presentes.

                                                                              Santuário Tabor

 

Em Santa Maria, encontramos nas capelas das Irmãs de Maria sempre uma representação da Santíssima Trindade no conjunto artístico do altar. Todas são obra da Ir M Senira Biscaro (falecida em 2015), que dedicou sua vida à arte sacra, especialmente na missão de traduzir em símbolos a espiritualidade de Schoenstatt.

A mais famosa destas obras é a Capela Tabor, com seu lindo altar. Nele vemos uma cruz transfigurada pela luz do Tabor, com Cristo, o Filho amado do Pai, que volve seu olhar para o conjunto dos símbolos do Espírito Santo e de Deus Pai.

 

‘Do outro lado da avenida’ está o Centro Mariano, centro do Movimento de Schoenstatt e local de acolhida dos peregrinos do Santuário Tabor. Na sua Capela está uma linda representação da Trindade. Nela vemos Cristo também transfigurado pela luz do Tabor, representado como Rei coroado e sacerdote. No alto, a mão do Pai envia o Espírito Santo.

 

Mesmo depois do falecimento de Ir M Senira, a Metalarte Padre José Kentenich continua produzindo objetos de arte sacra, especialmente com a espiritualidade de Schoenstatt.

 

 

Fátima e Schoenstatt: Maria quer estar bem perto de nós!

Ir. M. Nilza Pereira da Silva – Certa manhã, aqui no Brasil, uma família – pai, mãe, avó e dois filhos pequeninos – cruzava, com seu carro, uma linha férrea em Juiz de Fora/MG, quando deu pane geral e o carro travou. Os pais desceram e tentaram empurrar o carro quando, de repente, ouviram o barulho do trem se aproximando rapidamente. Foi um momento de desespero. Quando a mãe viu que não havia mais o que fazer, o trem atingiria em cheio o carro e não dava mais tempo para tirar seus filhos, imediatamente, ela abriu a porta e entrou no carro, jogou-se no banco de trás, ao lado deles. De fato, o trem atingiu o automóvel, mas, graças a Deus, todos se salvaram. Então, quando tudo se acalmou, um repórter perguntou para a mãe por que ela fez isso, sabendo que poderia morrer. Sua resposta é: “Quando vi que não tinha mais jeito, entrei no carro, pois se acontecesse algo pior eu estaria com meus filhos.”[1]

 

Nos maiores perigos, ela vem para junto de seus filhos!

Se uma mãe na terra tem esse amor heroico, tanto maior é o amor de Maria por nós, pois nela nada atrapalha a força do amor de Deus. Ela nunca abandona seus filhos e, em tempos de maiores perigos, coloca-se ainda mais perto do que em tempos normais. Nós temos muitas experiências disso, em nossa história e na história da Igreja, por isso, podemos ser fortes também agora, nessa pandemia.

No início da primeira guerra mundial, ela diz: “Se acontecer algo pior, quero estar junto com os meus filhos!” Então, ela desce do céu, sela a Aliança de Amor, em 1914, e estabelece sua morada no Santuário, em Schoenstatt/Alemanha. É isso que explica também que, apenas dois anos depois, quando a Guerra arrasa a Europa, muitas famílias perdem tudo e a dor pela perda de pessoas amadas sangra os corações, em 13 de maio de 1917, Maria aparece em Fátima/Portugal.

 

“Não tenham medo!”

 

 

Nesse dia, ela se aproxima de três crianças, Jacinta, Francisco e Lúcia, e, por meio delas, diz ao mundo inteiro: “Não tenham medo!” Como Mãe, assim como fez em Schoenstatt, ela diz ali também que Deus conta com nossa participação para devolver a paz ao mundo, para salvar as almas e ela acalma os corações aflitos. Seu método pedagógico é sempre o mesmo: iluminar o mundo interior, o microcosmo, para que se faça o homem novo. Lemos nos relatos de Lúcia, que Nossa Senhora “abriu as mãos, transmitindo-nos uma luz tão intensa, que entrava no mais íntimo da alma, fazendo-nos ver a nós mesmos em Deus”.

 

Oração e sacrifícios

Para ajudar a salvar o mundo da tragédia que o assolava, Maria pede que as pessoas exijam o máximo de si mesmas (fazer penitências) e zelem pela vida de oração (rezar o terço). “Rezem o terço, todos os dias, para alcançarem a paz para o mundo e o fim da guerra” [2] Vejam que muda a forma como Maria se manifesta, pois em Schoenstatt não houve nenhuma aparição ou outra coisa extraordinária, mas, é a mesma Mãe e Educadora, com o coração repleto de amor e faz, de forma diferente, os mesmos pedidos.

 

Ela vence os poderes das trevas

Em Dachau, em 1944, Pe. Kentenich fala sobre Fátima. Ali “a Mãe de Deus apresenta-se a si própria como uma arma pronta para a batalha contra todos os poderes das trevas, contra todos os inimigos da alma e contra a grande infelicidade do mundo. Revela-se a si mesma como a Rainha… Sabemos que Deus exige para a salvação do mundo também a nossa própria cooperação… Ela disse: ‘Pensem que há tantas almas que se perdem eternamente, porque não há ninguém que reze e se sacrifique por elas.’” [3]

 

Renovemos nossa entrega ao seu coração

Quando o perigo é eminente e “não tem como nos desviar de sermos atingidos pelo trem”, Maria enfrenta o perigo e fica bem perto de nós. Em Schoenstatt, ela nos motiva para a consagração pessoal ao seu coração imaculado, em Fátima, ela repete esse pedido, que o mundo todo seja consagrado a ela. Como continua a dizer, nosso Pai e Fundador, em Fátima e em Schoenstatt, “Ela é considerada como a mão de Deus. Ele quer chamar para si os pequenos, os menores, por meio de Nossa Senhora.”

Nesse 13 de maio, renovemos nossa entrega a Ela, nossa Aliança, e nos empenhemos para cumprir as exigências de amor que ela nos faz, para desvendarmos nosso mundo interior, elevar ao máximo a exigência a nós mesmos, pela autoeducação, e cultivar uma zelosa vida de oração, que para todo cristão mariano inclui, sem dúvidas, a reza do terço.

 

[1] http://g1.globo.com/mg/zona-da-mata/noticia/2015/11/recomeco-diz-motorista-que-ficou-com-os-filhos-ao-ser-atingida-por-trem.html

[2] Relatos de Irmã Lúcia, em “Apelos”, 1997

[3] Pe. José Kentenich, Schoenstatt e Fátima – manuscrito não publicado

 

Fotos: Ir. M. Nilza P. da Silva

Fonte: schoenstatt.org.br

Palavras do Padre Kentenich às mães

Neste Dia das Mães, as palavras de nosso Pai e Fundador nos ajudam a meditar sobre a missão das mães terrenas à luz da Mãe de Deus.

 

Ela [a Mãe de Deus] o centro de nossos interesses, principalmente neste mês de maio e, de modo especial, no dia de hoje, festa das mães: Festa em honra das mães terrenas, mas, em especial, festa em honra da querida Mãe de Deus, nossa Mãe Celestial. E como devemos hoje – Dia das Mães – imaginá-la? […]

Cumpre, conforme me parece, não só seu olhar materno, mas também seu coração materno e principalmente suas mãos maternais; Ela se serve de tudo isto na educação. Esta é a concepção autêntica, correta: tudo o que a Mãe de Deus fez, durante sua vida terrena, em favor do seu Filho Unigênito, continua a fazer por nós, após ter subido ao céu.

Seus olhos maternais foram olhos de fé. E com eles contemplou seu Filho Unigênito como sendo o Deus Eterno, Vivo. Seu olhar materno repousa também sobre mim; olhar materno! Olhos da Mãe de Deus! Ela contempla em mim não só o exterior, a beleza corporal, o porte externo. O que contempla em mim? O Filho de Deus.

A Mãe do cardeal [Melchior von] Diepenbrok confessou várias vezes a seus filhos o quanto ela sofreu pela responsabilidade que sentia por eles. Muitas vezes não conseguia sequer conciliar o sono. Por que tudo isso? Olhos maternais!

A Mãe de Deus, com zelo singular, acompanhou-nos durante toda nossa vida; empenhou-se por afastar os perigos: os perigos à castidade, ao pudor. Por quê? A fim de que o filho de Deus que somos – e com ele também as três virtudes teologais – não fossem perturbados. E hoje, caros ouvintes, ao celebrar o Dia das Mães, pensando em nossas mães terrenas, desejamos perguntar: nossas mães terrenas também usaram o olhar materno mariano em nossa educação? Elas ainda agem assim hoje? Veem, à luz da fé, a nós seus filhos de maneira correta, como filhos de Deus, os quais devem educar para o Pai do Céu, para o Céu? Ao considerar as mãos maternais vale o mesmo princípio. Para onde as mãos maternais de Maria conduziram o Salvador? Com um grande ardor, amor e intimidade, para o templo! Essa mesma tarefa exerce a Mãe de Deus em relação a cada um de nós. Deseja tomar-nos em suas mãos e levar-nos sempre ao templo, ao Deus Eterno e Vivo, e estimular-nos a nos doar e consagrar a esse Deus sem reservas.

Às mães terrenas

Eu, como mãe, como atuo com minhas mãos maternais? Sem dúvida, deveis lutar e empenhar-vos, trabalhar incansavelmente para que vossos filhos possam sobreviver. Porém, essas vossas mãos também procuram encaminhar para Deus os vossos filhos? Nada temos para mastigar e comer, passamos por trabalhos e sofrimentos, a fim de sobreviver. Porém, quantas concessões fazemos a nossos filhos: desejamos concorrer com os demais e assim disponham não só o melhor vestido, mas também de presentes especiais! Com isso, coisas que em si não são importantes influem na vida deles! Qual deve ser o cuidado da mãe: empregar também as mãos – ou seja, como mãe, incentivar os filhos para que se dirijam a Deus.

Coração materno da querida Mãe de Deus

Em seu coração habita e reina um amor ardente a Deus. Ao amar a Jesus, Ela ama também a Deus. E ao me amar, Ela ama em mim também a Deus. Como sucede comigo, como mãe, como mãe corporal? O Bom Deus ocupa um lugar em meu coração? O sentido de minha vida é realmente passar aos meus filhos o amor a Deus, a fim de que o busquem em todas as circunstâncias da vida?

 

Fonte: O Espírito Santo Educador Exímio, Pe. José Kentenich

Fotos: Família Fenelon, EUA

Fonte: schoenstatt.org.br

Ser mãe à imagem de Maria

 

Rosângela Marramarco Lovato – Ser mãe é o sonho de muitas mulheres. Um sonho às vezes acalentado por muitos anos e uma grande aspiração, objetivo de vida. Nem todas o realizam e, às vezes, algumas são surpreendidas pela maternidade assim como Maria. O que não sabemos ao iniciar a jornada é que essa missão de serviço é incondicional, ultrapassa o tempo, as forças físicas e emocionais e não nos poupará nada, até a última lágrima. Lágrimas de preocupação, ira, desilusão, mas também de alegrias que não cabem no coração e transbordam pelos olhos. Uma vez mãe, sempre mãe! Como Maria!

O amor Ágape

Ao nascerem nossos filhos, talvez pensássemos como Pedro (Jo 21, 15-19), ao ser perguntado pelo Senhor: “Pedro, tu me amas (ágape)?” que a resposta: “Eu te amo (filos)”, seria suficiente. Ó santa ingenuidade! [1]

O amor ágape terá que surgir, nem que tenha de nascer “à fórceps” de dentro do nosso coração! Um amor que dá tudo e não reserva nada para si, porque aprendemos a amar nossos filhos quase que com violência. As situações de suas vidas que impactaram as nossas e exigiram o máximo de nós nos mostraram como viver o amor Ágape – o amor de Maria como Mãe!

Ela aprendeu que amar seu Filho lhe custaria muito mais que admiração, inquietações ou falta de sono. Seu amor por Ele levou-a ao cume do sofrimento, da rejeição, do medo, mas também, por sua fidelidade, a viver, antes de todos, aquilo que nos foi prometido: ir para o Céu em corpo e alma, junto à seu Filho! (Sonho de toda boa mãe católica)

A busca e o pedido

“Por que me procuravam? Vocês não sabiam que devia estar na casa de meu pai?” (Lc 2, 41-51). Como não te procurar Filho? Como não te buscar até te encontrar? Como te deixar? A exemplo de Maria, como nós, mães de filhos imperfeitos, por nós gerados, poderemos descansar até que nossos filhos achem o Verdadeiro caminho da Vida? Se ela e José correram de volta à Jerusalém atrás de Jesus, o que faremos nós? Não descansaremos nunca até que nossos filhos possam ser salvos! Teremos parte na sua salvação ou na sua condenação eterna.

Assim como ouvimos dezenas, centenas, milhares de vezes aquele chamado insistente: “Mãe! Mãe!! Mãe!!!” até que respondêssemos: “O quê ? Estou aqui” Nossa Mãe Admirável também não cansa de ouvir nossas súplicas. Ela, a Onipotência Suplicante diante de Deus Trino, ouve as nossas súplicas insistentes como as das crianças. Súplicas de ordem física, material e espiritual. Algumas delas prontamente respondidas e tantas outras adiadas e encaminhadas. Quem dera, por nós protocoladas junto ao coração da Mãe de Deus. Pois nós, a seu exemplo, podemos ser essa ponte entre o humano e o Divino, transcendendo o plano natural e encaminhando esses pedidos de nossos filhos, revelados ou não, ao coração Imaculado de Maria.

A empatia

Uma mãe sempre entende outra mãe! Como pediatra há mais de 30 anos e mãe de seis filhos, tive a graça de ouvir e receber muitas angústias e solicitações. E o melhor mesmo que já pude fazer foi encaminhar tantas delas a nossa querida Mãe, com a súplica de que estivesse comigo, me ajudasse naquilo que para mim era impossível de resolver! O resultado foi e é maravilhoso! O efeito resultante é sobrenatural e ultrapassa muito minha limitada capacidade humana de prescrever, ouvir ou aconselhar – portanto, só poderia ser obra dEla! Assim também percebemos isso na vida dos nossos filhos. O Thomé e eu não temos como duvidar que a Graça superabundou sobre a natureza e sobre nossa restrita capacidade de educar e conduzir nossos filhos a Deus. É tudo obra dEla, desta Mãe Três Vezes Admirável, e o que pode vir a faltar certamente será por não termos recorrido suficientemente ao seu amparo precioso como os cristãos o fazem há séculos:

“Lembrai-vos ó piíssima Virgem Maria, que nunca se ouviu dizer
que algum daqueles que tem recorrido à vossa proteção,
implorado a vossa assistência e reclamado o vosso socorro
fosse por vós desamparado.
Animado eu, pois, com igual confiança a vós, Virgem entre todas singular, 
como a Mãe recorro, de vós me valho e, gemendo sob
o peso dos meus pecados, me prostro aos vossos pés.
Não desprezeis as minhas súplicas, ó Mãe do Filho de Deus humanado, 
mas dignai-vos de as ouvir propícia e de me alcançar
o que vos rogo. Amém.

(Oração composta por São Bernardo)

 

Feliz Dia das Mães!

 

*Rosângela e Thomé Lovato são da União de Famílias de Schoenstatt de Santa Maria/RS

 

Foto: Schoenstatt International Communication Office 2014

 

[1] Pedro acreditava que um amor ‘filos’ (o amor fraterno, que envolve mútuos benefícios) bastaria, mas Jesus lhe pedia mais, pedia um amor ‘ágape’ (o amor incondicional, completo, heroico).

Fonte: schoenstatt.org.br