Hoje celebramos Todos os Santos

Hoje celebramos a  Solenidade de Todos os Santos. Normalmente, no Brasil, esta solenidade é celebrada no primeiro domingo de novembro, enquanto que na maioria dos países é celebrada em no primeiro dia deste mês. Neste ano, porque a celebração de finados cai no primeiro domingo, celebramos hoje, sábado.

Origens 

A Solenidade de Todos os Santos de Deus é chamada por alguns de “Páscoa de outono”, é celebrada pela Igreja, que, mais uma vez, não olha para si mesma, mas olha para o céu e lhe aspira. De fato, a santidade é um caminho para o qual todos somos chamados a trilhar sob o exemplo desses nossos “irmãos mais velhos”, que nos são propostos como modelos, porque aceitaram ser encontrados por Jesus, rumo ao qual se encaminharam com confiança, com seus desejos, fraquezas e sofrimentos. “Todos os fiéis cristãos, de qualquer estado ou ordem, são chamados à plenitude da vida cristã e à perfeição da caridade. Todos são chamados à santidade: ‘Deveis ser perfeitos como o vosso Pai celeste é perfeito’ “(Mt 5,48) (CIC 2013).

Raízes Antigas

A solenidade tem raízes antigas: no século IV começou a celebração dos mártires, comuns para as diferentes Igrejas. Os primeiros sinais desta celebração foram encontrados em Antioquia, no domingo após o dia de Pentecostes, sobre a qual já falava São João Crisóstomo.

Difusão da Festa

Entre os séculos VIII e IX, esta festa começou a difundir-se também na Europa, e, em Roma, de modo particular, no século IX. Ali, o Papa Gregório III (731-741) quis que esta festa fosse comemorada no dia 1º de novembro. A data foi escolhida porque coincidia com a consagração de uma Capela, na Basílica de São Pedro, dedicada às relíquias “dos santos Apóstolos, dos Santos mártires e confessores e de todos os Justos, que chegaram à perfeição e descansam em paz no mundo inteiro”. Na época de Carlos Magno, esta festa já era muito conhecida como ocasião para a Igreja, que vagueia e sofre na Terra, mas que olha para o céu, onde estão seus irmãos mais gloriosos.

 

É a festa da esperança, que nos recorda o objetivo da nossa vida

Memória Litúrgica

A memória litúrgica dedica um dia especial a todos aqueles que se uniram com Cristo em sua glória. Eles não nos são indicados apenas como arquétipos, mas invocados também como protetores das nossas ações. Todos os Santos são os filhos de Deus que atingiram a meta da salvação. Eles vivem, na eternidade, aquela condição de bem-aventurança expressa por Jesus no discurso da Montanha, narrado no Evangelho de Mateus (5,1-12).

Companheiros na Imitação de Cristo

Os Santos são aqueles que nos acompanham no nosso percurso de imitação de Jesus. Eles nos levam a ser pedra angular na construção do Reino de Deus. Neste dia, a Mãe Igreja faz este apelo a todos nós, seus filhos: “O apelo à plenitude da vida cristã e à perfeição da caridade se dirige a todos os fiéis cristãos.” “A perfeição cristã só tem um limite: ser ilimitada” (CIC 2028).

Um Interesse Humano

Sendo assim, nós passamos a compreender o início do sermão do Abade São Bernardo: “Para que louvar os santos, para que glorificá-los? Para que, enfim, esta solenidade? Que lhes importam as honras terrenas? A eles que, segundo a promessa do Filho, o Pai celeste glorifica? Os santos não precisam de nossas homenagens. Não há dúvida alguma, se veneramos os santos, o interesse é nosso, não deles”.

Convite para olhar para o Alto

A Igreja nos convida a contemplarmos os nossos “heróis” da fé, esperança e caridade. É um convite a olharmos para o Alto, pois, neste mundo escurecido pelo pecado, eles brilham no Céu com a luz do triunfo e esperança daqueles que viveram e morreram em Cristo, por Cristo e com Cristo, formando uma “constelação”, como São João havia dito: “Era uma imensa multidão, que ninguém podia contar, de todas as nações, tribos, povos e línguas” (Ap 7,9).

 

Somos chamados a imitar o exemplo de Santidade

Sinal do Espírito Santo

Todos esses combatentes de Deus merecem nossa imitação, pois foram adolescentes, jovens, homens casados, mães de família, operários, empregados, patrões, sacerdotes, pobres mendigos, profissionais, militares ou religiosos que se tornaram um sinal do que o Espírito Santo pode fazer num ser humano que se decide a viver o Evangelho atuando na Igreja e na sociedade.

Modelos para os  fiéis 

Portanto, a vida desses modelos acabaram virando proposta para nós, uma vez que passaram fome, apelos carnais, perseguições, alegrias, situações de pecado, profundos arrependimentos, sede, doenças, sofrimentos por calúnia, ódio, falta de amor e injustiças. Esses constituem o cotidiano dos seguidores de Cristo que enfrentam os embates da vida sem perder o entusiasmo pela Pátria definitiva, pois “não sois mais estrangeiros, nem migrantes; sois concidadãos dos santos, sois da Família de Deus” (Ef. 2,19).

 

Fonte: Canção Nova

Bartolo Longo: o santo que inspirou o Pe. Kentenich

 

Ir. M. Nilza P. da Silva – No último domingo, 19 de outubro, na Praça de São Pedro, no Vaticano, o Papa Leão XIV presidiu a cerimônia de canonização de Bartolo Longo, o santo que Deus usou para inspirar o Pe. José Kentenich para a Aliança de Amor, a fundação da Obra Internacional de Schoenstatt.

Bartolomeu Longo (1841-1926) foi um advogado italiano que, em sua juventude, abandonou o catolicismo e tornou-se um líder espírita e anticlerical. Após se reconverter à fé católica, dedicou sua vida à reza do Rosário. Em 1876, fundou o Santuário de Nossa Senhora do Rosário de Pompeia, na cidade de Pompéia/Itália, e se tornou um apóstolo da devoção mariana. Ele foi beatificado em 1980 e agora seu nome entra no Canon Romano, é reconhecido como santo.

 

Santuário de Nossa Senhora de Pompéia

Sua influência em Schoenstatt

Em julho de 1914, quando Bartolo Longo ainda vivia, tinha então, 73 anos, sem que ele soubesse, Deus o usou para o surgimento de mais um Santuário, o da Mãe, Rainha e Vencedora Três Vezes Admirável de Schoenstatt. Pe. Kentenich nos conta:

“Em agosto de 1914 iniciou a Primeira Guerra Mundial. Para nós, a guerra foi rica em manifestações da vontade de Deus, rica em revelações dos seus misteriosos planos… No início, houve dois acontecimentos que não tiveram que ver diretamente com a guerra, mas a sua mensagem claríssima ajudou-nos a compreender e a responder aos sinais que a guerra nos dava. Trata-se de dois textos aparentemente nada especiais.

O primeiro era um breve artigo  publicado no jornal Allgemeine Rundschau, escrito pelo Pe. Cyprian Fröhlich, que relata a história da fundação do famoso lugar de peregrinação no vale de Pompeia, na Itália. Ali, junto às ruínas da antiga cidade pagã, Bartolo Longo fundou duas grandes instituições para meninas órfãs e filhos de presidiários, assim como um lugar de peregrinação.

O autor do artigo perguntava: ‘Como surgiu tudo isto? É simplesmente um milagre. Mesmo que Nossa Senhora de Pompeia não tivesse realizado ali grandes milagres, o maior milagre é que um advogado desconhecido pode fundar, na Itália moderna, depois de 1871, um lugar de peregrinação sobre as ruínas de uma cidade pagã’.”

 

Leia aqui o artigo que Pe. Kentenich leu

Capa da Revista que Pe. Kentenich leu

Interpretação do Pe. Kentenich

Ele continua: “Quando a fé na Divina Providência se torna uma segunda natureza para nós, vemos em todo o lado pequenos mensageiros e mensagens de Deus… Em sentido figurativo, a cena da Anunciação repete-se incontáveis vezes e espera-se que reflitamos, como fazia Nossa Senhora no seu quarto de Nazaré. Ela interrogava-se sobre o significado daquela saudação e perguntava: ‘Como é isso possível?’. Em seguida, deu um ‘sim’ de todo o seu coração…

Nesse caso (na sua leitura do artigo), aconteceu o mesmo. Logo surgiu em mim a pergunta: Não poderia estar no plano de Deus motivar Nossa Senhora para se estabelecer assim como em Pompeia? Estabelecer-se aqui, na Capelinha de São Miguel… até então, um depósito de velhas ferramentas de jardim, não tanto para realizar milagres no mundo natural, mas, antes, para realizar milagres na ordem sobrenatural: milagres de transformação, de encontro, com muita fecundidade, com um lar espiritual.

Ela é a grande missionária

Pallotti tinha imaginado desse modo a atividade de Nossa Senhora, quando disse: ‘Ela é a grande missionária; ela fará milagres’.  Portanto, Nossa Senhora é a grande educadora do povo, a fundadora e líder de um movimento apostólico de renovação e educação e, nessa tarefa, poderia utilizar Schoenstatt e todos os filhos de Schoenstatt como seus instrumentos…

 

 

Segundo aquilo que entendíamos ser o novo plano de Deus, Nossa Senhora devia passar a ser o ponto central, como colaboradora permanente do Senhor na obra de salvação, assim como nossa educadora. Como condição para desenvolver a sua atividade em Schoenstatt, Ela exigiu e inspirou o trabalho de autoeducação, começado e coroado com sua sábia atuação pedagógica.

Séria autoeducação e apostolado

Essa ideia foi apresentada aos jovens, a 18 de outubro de 1914, na capela que, entretanto, tinha sido devidamente reformada. As palavras ditas naquele dia são hoje conhecidas como Documento de Fundação. O dia 18 de outubro é considerado o dia da fundação e o dia 18 de cada mês é celebrado neste sentido em todos os lugares do mundo onde Schoenstatt criou raízes…

 

 

 

No Documento de Fundação fala-se sobre os milagres da graça e os tesouros que Nossa Senhora quer distribuir aqui. O que diz tem a forma de uma Aliança de Amor:

‘Ego me diligentes diligo… Provai primeiro que me amais realmente, que levais a sério o vosso propósito… Então estabelecer-me-ei de bom grado entre vós e distribuirei abundantes dons e graças… então, daqui atrairei a mim os corações juvenis, e passarei a educá-los como instrumentos aptos nas minhas mãos’.

A nossa séria auto santificação e o apostolado deveriam ser as provas da autenticidade do nosso amor.

‘Exijo esta santificação de vós. Ela é a armadura com que deveis revestir-vos, a espada com a qual deveis lutar pelos vossos desejos. Trazei-me diligentemente contribuições para o Capital de Graças: conquistai muitos méritos pelo fiel e fidelíssimo cumprimento do dever e de uma zelosa vida de oração e colocai-os à minha disposição’

Os jovens assumiram esse plano com entusiasmo. Gradualmente, esse entusiasmo penetrou a sua vida espiritual, até à raiz das suas almas, e se tornou a grande força que tirou Schoenstatt da escuridão para a luz, atraindo para a sua esfera de influência círculos cada vez mais amplos de pessoas.”[1]

 

O exemplo de Bartolo Longo no Documento de Fundação

Pe. Kentenich indica que podemos encontrar a relação com Bartolo Longo na sua conferência em 18 de outubro de 1914, o Documento de Fundação, quando ele diz aos jovens:

“Quantas vezes, na história mundial, as coisas pequenas e insignificantes foram fonte de coisas grandes e das coisas maiores? Por que não poderia acontecer o mesmo no nosso caso?”

 

Numa conferência para as Irmãs de Maria, aqui no Brasil, em 18 de agosto de 1949, o Pai e Fundador também comenta sobre essa inspiração em Bartolo Longo: “Sempre deixei que o bom Deus me mostrasse pela situação o que eu devia fazer concretamente… Ainda sabem como cheguei à (ideia) da Capelinha? Um dia, folhei uma revista… foi uma condução singular… A Fé na Providencia tornou-se para mim uma verdadeira cosmovisão… a marca original de nossa Família é acreditar que Deus nos fala por meio das circunstâncias… sem ousadia na fé não é possível. É um tipo de fé muito rara no mundo.

Naquelas alturas, milhares de pessoas leram a revista sobre o lugar de peregrinação de Pompéia. Mas, quando chegou nas minhas mãos, pensei se não seria possível fazer o mesmo ali. Deus fala por meio das circunstancias…”[2]

Agradecemos a Deus que usou São Bartolo Longo para inspirar ao Pe. Kentenich e a ele que soube ler os desejos de Deus, pelo exemplo desse santo sacerdote italiano, que ainda vivia. Ambos intercedam a Deus para que também nós aprendamos a encontrar e interpretar as mensagens de Deus, que inspiremos outros e nos deixemos inspirar por eles, como causas segundas, pelas quais Deus revela seus planos.

 

Urna com o corpo de São Bartolo Longo no Santuário de Nossa Senhora do Rosário de Pompeia

 

 

[1] Locher, Pe. Peter, Niehaus, Pe. Jonathan…, Schoenstatt Reader V1: Encontrar o Pai, Ed Lucerna, 2008

[2] Kentenich. Pe. José. Retiro da Filialidade Heróica – Santa Maria/RS

 

Fonte: Schoenstatt Brasil

Nossa Senhora Aparecida, Rainha e Padroeira do Brasil

 

Hoje, 12 de outubro, os católicos brasileiros celebram Nossa Senhora Aparecida, Padroeira e Rainha do Brasil. Conhecemos a história desta linda devoção?

1717: a imagem é encontrada

Em outubro de 1717, o Conde de Assumar, então Governador do Brasil, foi em visita a Guaratinguetá. Visto que aqueles eram dias de abstinência de carne, Felipe Pedroso, Domingos Martins Garcia e João Alves foram encarregados de procurar outro tipo de alimento para o ilustre visitante e sua comitiva.

 

 

Após algumas tentativas decepcionantes, os pescadores encontraram uma imagem de terracota, representando a figura da Imaculada Conceição. Ela foi pescada em duas vezes: na primeira, acharam o corpo e, na segunda, a cabeça. O fato ocorreu no Porto de Itaguaçu. Como nos relatos bíblicos, a pesca sucessiva foi extremamente abundante.

Os piedosos pescadores e seus familiares iam rezar, todas as noites, diante da imagem da Virgem Imaculada na casa de Felipe Pedroso. Mais tarde, este construiu um pequeno oratório onde colocou a imagem aparecida. Todos os sábados, os vizinhos e as pessoas que sabiam do fato, se reuniam para rezar o Terço. A partir disso, começaram a ocorrer milagres e o povo começou a chamar a imagem como Nossa Senhora Aparecida.

Da primeira capela à basílica

Em 1745 foi inaugurada a primeira capela; com o passar do tempo,  em 1842, foi iniciada a construção de um templo, inaugurado em 8 de dezembro de 1888 e, em 1893, elevado a Santuário de Nossa Senhora da Conceição Aparecida.

Em 1904, deu-se a coroação solene da imagem, a pedido do Papa São Pio X; em 1930, Pio XI a declarou e proclamou “Rainha e Padroeira do Brasil”.

Em 1967, o Papa Paulo VI ofereceu a “Rosa de Ouro” à Basílica de Aparecida, por ocasião dos 250 anos do aparecimento da imagem.

A atual Basílica Nacional foi inaugurada, solenemente, em 1980, pelo Papa São João Paulo II.

 

 

Fonte: Vatican News

História do Rosário (2ª parte)

 

 

Continuamos hoje a recordar a história do rosário, neste mês a ele dedicado.

A partir de 1470, apareceram os dominicanos como os grandes propagadores desta forma simples de oração a cada uma das Ave Marias correspondia um pensamento bíblico.

Por volta de 1500, teve origem a xilogravura. Como o analfabetismo continuava a imperar, usava-se reproduzir em madeira cenas evangélicas para meditação, Usavam-se 15 cenas bíblicas correspondentes a cada dezena de Ave-Marias.

Durante os séculos XVI e XVII generalizou-se o costume de explicitar apenas os 15 pensamentos relativos a cada dezena.

Por volta de 1700, São Luiz de Montfort consagrou a forma de ler um pensamento mais longo, narrando a cena bíblica e sugerindo atitudes práticas a cada dezena de Ave-Marias. Convencionou-se chamar cada um destes pensamentos de ‘mistério’. É a forma mais conhecida hoje, o rosário com 15 mistérios.

Ao celebrar 24 anos de pontificado, no dia 16/10/2002, o Papa São João Paulo II assinou a carta apostólica Rosarium Virginis Luz, em que acrescenta ao rosário, os cinco Mistérios da luz, inspirados na vida pública de Jesus. Desde então, os Mistérios foram divididos em quatro partes, cada qual com 5 meditações: nascimento e infância de Jesus (mistérios da alegria), vida pública e pregação (mistérios luminosos), paixão e morte (mistérios dolorosos), ressurreição e ascensão (mistérios gloriosos).

Foto: Cathopic.com

Fonte: Na Escola de Maria, Nossa Senhora no Magistério da Igreja, p. 113.

História do Rosário (1ª parte)

Estamos em outubro, mês dedicado tradicionalmente ao rosário.

Conhecemos a história do rosário?

Hoje, vemos a primeira parte da história de um processo muito longo, até chegar ao que hoje conhecemos.

 

Origens históricas

Segundo consta, o rosário teve suas origens na Irlanda, no século IX. Naquela 150 época, os 150 salmos de Davi eram uma das formas mais usadas de oração entre os monges. Os leigos, não sabendo ler, contentavam-se em ouvir a recitação dos Salmos.

Por volta do ano 800, começou a surgir, entre os leigos, o costume de recitarem 150 “Painossos” (texto bíblico). No início, os devotos usavam uma bolsa de couro com 150 pedrinhas para contar as vezes que repetiam a oração. Mais tarde começou a ser usado um cordão com 50 pedacinhos de madeira. É a origem o instrumento que chamamos de terço.

 

               São Pedro Damião

 

Em 1072, São Pedro Damião menciona que já era costume em sua época, recitar, em forma de diálogo, 50 vezes a ação angélica (primeira parte da Ave-Maria).

Durante o Sec. XIII apareceu o costume de se recitar 150 louvores a Maria (breves pensamentos lembrando as virtudes e glórias de Nossa Senhora). Neste período aparece a palavra ‘rosarium’ que significa ‘buquê de rosas’.

Por volta de 1356, Henrique Kalkar agrupou as 150 saudações angélicas em dezenas, intercalando um Pai-Nosso em cada grupo de 10 Ave-Marias. Desta data até 1470 foram feitas outras modificações.

 

Fonte: ‘Na Escola de Maria’ – Nossa Senhora no Magistério da Igreja, p. 112.

Fotos: Santiago Megia LC e Exe Lobaiza, em Cathopic

 

Celebramos hoje São Francisco de Assis

Filho de Pedro e Dona Pica Bernardone, Francisco nasceu entre 1181 e 1182 , na cidade de Assis, Itália. Seu pai era um rico e próspero comerciante. Foi batizado em Santa Maria Maior com o nome de João (Giovanni). Mas quando Pietro Bernardone voltou de uma viagem à França, mudou de ideia e resolveu trocar o nome do filho para Francisco, prestando uma homenagem àquela terra. Segundo a maioria dos biógrafos de São Francisco, o caráter e as qualidades melhores lhe vieram da mãe. Como todo jovem ambicioso de sua época, Francisco desejava conquistar, além da fortuna, também a fama e o título de nobreza. Para tal, fazia-se necessário tornar-se herói em uma dessas frequentes batalhas. No ano de 1201, incentivado por seu pai, ele partiu para uma guerra que os senhores feudais haviam declarado contra a Comuna de Assis.

Entre 1202 e 1205 encontramos um Francisco inquieto. Não é apenas a consequência de uma doença longa e misteriosa. É a inquietude de quem está incerto quanto ao sentido de sua vida. Ele decide ser cavaleiro e vai em nome da honra defender a Igreja e seus interesses, convocados pelo Papa Inocêncio III. Na cidade de Espoleto, sintomas de febre fizeram com que Francisco não pudesse partir. Ali pensou ter ouvido a voz do Senhor, com quem dialogou: “Francisco, o que é mais importante, servir ao Senhor ou servir ao servo? Servir ao Senhor, é claro. Respondeu o jovem. Então, por que te alistas nas fileiras do servo? Senhor, o que quereis que eu faça? Volta a Assis e ali te será dito, diz a Voz”.

Em busca de respostas, decidiu viajar para Roma, isso no ano de 1205. Visitou a tumba do Apóstolo São Pedro e exclamou: “É uma vergonha que os homens sejam tão miseráveis com o Príncipe dos Apóstolos!” E jogou um grande punhado de moedas de ouro, contrastando com as escassas esmolas de outros fiéis menos generosos. A seguir, trocou seus ricos trajes com os de um mendigo e fez sua primeira experiência de viver na pobreza. Voltou a Assis, à casa paterna, entregando-se ainda mais à oração e ao silêncio.

Em 1206, passeando a cavalo pelas campinas de Assis, viu um leproso, repugnante à vista e ao olfato, lhe causando nojo. Mas, então, movido por Deus, colocou seu dinheiro naquelas mãos sangrentas e deu-lhe um beijo. Falando depois a respeito desse momento, ele diz: “O que antes me era amargo, mudou-se então em doçura da alma e do corpo. A partir desse momento, pude afastar-me do mundo e entregar-me a Deus”. Pouco depois, entrou para rezar e meditar na pequena capela de São Damião, semidestruída pelo abandono. Estava ajoelhado em oração aos pés de um crucifixo quando uma voz, saída do crucifixo, lhe falou: “Francisco, vai e reconstrói a minha Igreja que está em ruínas”.

Seu Pai se indignava cada vez mais e resolveu exigir que seu filho lhe devolvesse tudo quanto recebera dele, levou perante o bispo para que o julgasse. Francisco, ciente da sentença de Cristo: “Quem ama o seu pai ou a sua mãe mais que a Mim, não é digno de Mim” (Mt 19,29), sem vacilar um momento se despojou de tudo até ficar nu, jogou os trajes e o dinheiro aos pés de seu pai, e exclamou: “Até agora chamei de pai a Pedro Bernardone. Doravante não terei outro pai, senão o Pai Celeste”. O Bispo, então, o acolheu. Daquele momento em diante, cantando “Sou o arauto do Grande Rei, Jesus Cristo”, afastou-se de sua família e de seus amigos e entregou-se ao serviço dos leprosos, e à reconstrução das Capelas da cidade.

                                                                       Baílica em Assis/Itália

 

Quando estava quase encerrando a reconstrução da capelinha de Santa Maria dos Anjos, perguntava-se o que faria, o que Deus quereria dele. Então, certo dia, Francisco escutou, durante a missa, a leitura do Evangelho: “sem túnicas, sem bastão, sem sandálias, sem provisões, sem dinheiro no bolso …” (Lc 9,3). Tais palavras encontraram eco em seu coração e foram para ele como intensa luz. E exclamou, cheio de alegria: “É isso precisamente o que eu quero! É isso que desejo de todo o coração!” E sem demora começou a viver, como o faria em toda a sua vida, a pura letra do Evangelho. Repetia sempre para si e, mais tarde, também para seus companheiros: “Nossa regra de vida é viver o Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo”!

A partir de então, Francisco saiu a pregar percorrendo as vizinhanças e levando o Evangelho. Não tinha intenção nenhuma de adquirir seguidores, somente viver sua vida austera e evangelizar. Porém, logo Bernardo de Quintaval se juntou a ele e pelo caminho juntou-se aos dois Pedro de Catânia. Por três vezes abriram o livro do Evangelho, e as três respostas que encontraram foram as seguintes: “Se queres ser perfeito, vende o que tens e dá-o aos pobres. Depois vem e segue-me” (Mt 19,21). “Não leveis nada pelo caminho, nem bastão, nem alforge, nem uma segunda túnica…” (Lc 9,3). “Se alguém quer vir após mim, negue-se a si mesmo, tome a sua cruz cada dia e siga-me” (Mt 16,24). “Isto é o que devemos fazer, e é o que farão todos quantos quiserem vir conosco” – exclamou Francisco, que subitamente viu brilhar uma luz sobre o caminho que ele e seus companheiros deveriam seguir. Finalmente encontrou o que por tanto tempo havia procurado! Isto aconteceu a 24 de fevereiro de 1208, dando início à fundação da Fraternidade dos Irmãos Menores.

Em 1209, Francisco e seus companheiros foram até o Papa Inocêncio III para pedir a aprovação de seu carisma. Ele ficou maravilhado com o propósito de vida daquele grupo e, especialmente, com a figura de Francisco, a clareza de sua opção e a firmeza que demonstrava. Reconheceu nele o homem que há pouco vira em sonho, segurando as colunas da Igreja de Latrão, que ameaçava ruir. O Papa reconheceu que era o próprio Deus quem inspirava Francisco a viver radicalmente o Evangelho, trazendo vida nova a toda a Igreja. Por isso deu a seu modo de viver o Evangelho a aprovação oficial. Autorizou Francisco e seus seguidores a pregar o Evangelho nas igrejas e fora delas.

Francisco inspirou Clara para a santidade, dela surgiu as clarissas. Tomás de Celano diz: “Então se submeteu toda ao conselho de Francisco, tomando-o como condutor de seu caminho, depois de Deus. Por isso, sua alma ficou pendente de suas santas exortações, e a acolhia num coração caloroso tudo que ele lhe ensinava sobre o bom Jesus. Já tinha dificuldade para suportar a elegância dos enfeites mundanos, e desprezava como lixo tudo que aplaudem lá fora, para poder ganhar a Cristo”.

Todos os anos, de 15 de agosto a 29 de setembro, Francisco tinha o costume de preparar-se com uma quaresma de oração e jejum para a festa de São Miguel Arcanjo. No ano de 1224, ele teve a visão do Serafim alado e recebe os estigmas. Seu estado de saúde piora muito a partir daí. Era final de agosto, em 1226, pede para ser levado à Porciúncula. No dia 3 de outubro, à tarde, Francisco, morreu cantando “mortem suscepit”. No domingo seguinte é sepultado na igreja de São Jorge, na cidade de Assis. No dia 16 de julho de 1228, Francisco foi canonizado pelo Papa Gregório IX. Se tornou o padroeiro dos animais, pela sua admiração e relação estreita com a natureza. Também foi elevado a padroeiro principal da Itália, em 1939 por Pio XII.

São Francisco de Assis, rogai por nós!  

Oração: 

Senhor, Fazei de mim um instrumento de vossa Paz. Onde houver Ódio, que eu leve o Amor, Onde houver Ofensa, que eu leve o Perdão. Onde houver Discórdia, que eu leve a União. Onde houver Dúvida, que eu leve a Fé. Onde houver Erro, que eu leve a Verdade. Onde houver Desespero, que eu leve a Esperança. Onde houver Tristeza, que eu leve a Alegria. Onde houver Trevas, que eu leve a Luz! Ó Mestre, fazei que eu procure mais: consolar, que ser consolado; compreender, que ser compreendido; amar, que ser amado. Pois é dando, que se recebe. Perdoando, que se é perdoado e é morrendo, que se vive para a vida eterna! Amém

Referências:
franciscanos.org.br
Livro: Um santo para cada dia

Fotos: cathopic.com

Fonte Canção Nova

Hoje é a festa do Santo Anjo da Guarda!

É uma consoladora verdade de fé que desde a infância até a morte nossa vida seja circundada pela proteção dos anjos e por sua intercessão, pois que lê-se no Catecismo da Igreja Católica “Cada fiel é ladeado por um anjo como protetor e pastor para conduzi-lo à vida. Ainda aqui na terra, a vida cristã participa na fé da sociedade bem-aventurada dos anjos e dos homens, unidos em Deus“.

A existência desses seres espirituais, não corporais, chamados anjos, tem a seu favor o claro testemunho das Sagradas Escrituras e a unanimidade da Tradição. “O anjo de Iahweh acampa ao redor dos que o temem, e os liberta”.(Sl 34,8). Os anjos são mensageiros da salvação: “porventura não são todos eles espíritos servidores, enviados ao serviço dos que devem herdar a salvação?”, lê-se na carta aos Hebreus (1,14).

Fundando esta verdade de fé na própria afirmação de Jesus, a Igreja nos diz que cada cristão, desde o momento do batismo, é confiado a um anjo particular, que tem a missão de guardá-lo, guiá-lo no caminho do bem, inspirar-lhe bons sentimentos, secundar suas livres escolhas quando estas o encaminham a Deus, ou fazer-lhe perceber a censura interior da consciência quando elas conduzem à transgressão da lei divina.

Por isso, hoje é dia de recordarmos o anjo da guarda e daquelas lindas orações aprendidas quando crianças:

Meu anjinho, meu amiguinho, me leve sempre ao bom caminho!

Santo Anjo do Senhor, meu zeloso guardador, se a ti me confiou a piedade divina, sempre me rege, me guarda, me governa, me ilumina. Amém

Santo anjo da guarda, rogai por nós!

Santa Teresinha: Uma inspiração para a Filialidade Heroica

Juliana Gelatti Lovato – O mês dedicado pela Igreja às missões se inicia com a memória de Santa Teresinha do Menino Jesus, também conhecida como Santa Teresa de Lisieux. Mas o que uma monja carmelita, que literalmente só deixou a casa paterna para entrar no claustro do Carmelo, não tendo nenhuma atividade missionária propriamente dita, tem a ver com as missões? E o que o Pai e Fundador, Padre José Kentenich, nos fala sobre ela? Vamos conhecer um pouco sua história e sua espiritualidade:

Teresa era a caçula de 9 irmãos, quatro dos quais morreram ainda bebês ou na primeira infância. Por ser a mais nova, era sempre chamada, pelas quatro irmãs mais velhas, de “Teresinha”, nome que conservou ao entrar para a vida religiosa.

Seus pais, Luís Martin e Zélia Guérin-Martin, foram canonizados em 2015 pelo Papa Francisco e são exemplo de santidade na vida matrimonial. Outras de suas irmãs também têm abertos seus processos de beatificação. Esses fatos já demonstram como deveria ser o ambiente familiar onde cresceu Teresinha: um lar profundamente religioso, com hábitos de oração ensinados desde o berço, frequência diária à Santa Missa, confissão regular.

Mas, em sua autobiografia – História de Uma Alma – Santa Teresinha testemunha, também, ter crescido em um ambiente de muito carinho e confiança. Tendo perdido a mãe com 4 anos, suas referências são na maioria às irmãs e ao pai, o qual buscava sempre cultivar momentos de convivência com cada uma das filhas, buscando conhecê-las e cativar sua confiança. Teresinha era sua companheira de passeios pelo campo, durante os quais contemplavam a natureza e meditavam sobre a paternidade de Deus.

 

Abrigada em Deus Pai

Durante sua infância e adolescência, Santa Teresinha vivenciou o que chamava de “doença dos escrúpulos”, ou seja, tinha um receio muito grande de pecar, considerando qualquer ato descuidado como pecado grave e sofrendo muito interiormente por isso. Faz-nos lembrar da experiência de Ir. M. Emilie Engel, que tinha um temor desequilibrado de Deus e não conseguia sentir-se amada por Ele, curando este mal com a ajuda do Pe. Kentenich. Nesse período, Santa Teresinha contou com o auxílio de sua irmã mais velha e madrinha de batismo, Maria, que com muita paciência e amor ia aos poucos corrigindo a percepção da irmã mais nova.

Aos 14 anos, com duas das irmãs mais velhas no Carmelo de Lisieux e a terceira em outra comunidade religiosa, Teresinha sente-se chamada irresistivelmente à vida religiosa e comunica-o ao pai, que acolhe a vocação da filha com muito amor, mesmo sabendo que não seria fácil concretizá-la tão cedo, já que era costume esperar até em torno de 20 anos para a entrada das jovens em conventos. Ambos vão até o Papa Leão XIII para pedir a autorização, conseguindo a permissão para que Teresinha “saísse do mundo”, na expressão típica carmelita, para viver totalmente para Deus.

Mas como uma menina tão jovem poderia optar por tal vocação? Desde muito pequena ela sentia-se chamada a ser religiosa, desde as brincadeiras da infância. Considerava a vida de oração e serviço a Deus incomparável aos atrativos do mundo, mas também sentiu-se, muitas vezes, dividida: sentia-se atraída, também, pelos grandes feitos, como Joana D’Arc, que liderou soldados em campo de batalha para cumprir a vontade de Deus. Mas, aos poucos, conheceu a missão que Deus lhe dava: “No coração da Igreja, serei o amor”.

 

 

O que podemos aprender com ela para nossa vida de Aliança?

Na sua breve vida, podemos ver exemplos claros do que aprendemos em Schoenstatt como a Santidade da Vida Diária, de ser fiel nas pequenas e nas grandes coisas. Em sua autobiografia, ela relata alguns episódios da vida conventual em que buscava exercitar a paciência e a entrega de cada pequeno sacrifício a Deus – o que ficou conhecido como a Pequena Via, seu caminho ascético. Ela conta o quanto buscava sorrir e ser gentil com aquela irmã que não lhe era muito agradável, como aprendeu a agradecer os respingos de água que outra irmã provocava, enquanto elas lavavam roupas juntas, e muitos outros pequenos sacrifícios praticados diariamente – já que por sua saúde frágil era impedida de exercitar o jejum ou ficar longas horas em oração. Ela também é um bom exemplo de como deixar-se guiar pela Divina Providência:

“Padre Kentenich vale-se também de uma imagem usada por Santa Teresinha do Menino Jesus. Ela queria ser como uma pequena bola nas mãos de Deus, de modo que ele pudesse tê-la nas mãos ou, se preferisse, jogá-la a um canto. Sua atitude era: ‘Senhor, faze comigo o que quiseres. Assim como uma criança brinca com uma bola, assim quero ser em tuas mãos’. A ela bastava que Deus a amava e que ela lhe pertencia. Ela queria apenas agradá-lo e dar-lhe alegria em tudo” (cf. Pe. Rafael Fernandez de A. “Sim Pai, Nossa Entrega Filial a Deus”, p. 6).

Nosso Fundador admirava a vivência profunda da filialidade na vida de Santa Teresinha e a indicava como exemplo para a Família de Schoenstatt. Ele nos desafiou a “assumir a filialidade numa forma semelhante à de Santa Teresinha, que, no seu modo de ser filial disse: ‘Sou a bolinha de Deus’. Experimentem ser uma bola Deus e verão que esse caminho não é fácil. Isso desperta o mais elevado heroísmo! Mas devemos conseguir esse heroísmo”. [2]

 

Padroeira das missões

Um dos fatos que justifica ser a padroeira das missões, é que, já no Carmelo, ela ganhou dois irmãos espirituais que eram missionários. Um seminarista e um sacerdote que já não tinham familiares que rezassem por eles, escreveram para o convento pedindo que a superiora escolhesse uma irmã para que pudessem se vincular com algumas cartas e com cujas orações pudessem contar. Nas duas oportunidades a superiora escolheu Teresinha, que cumpriu fielmente a missão de rezar por seus irmãos espirituais e, por meio deles, fazer que seu ardor apostólico rompesse os muros do convento.

Santa Teresinha morreu aos 24 anos, após longos meses de sofrimento físico causado pela tuberculose. Vivenciou também sofrimentos espirituais, pois, embora ao longo de sua vida tivesse vivido sempre na esperança do céu, durante sua doença não conseguia vislumbrar essa mesma esperança. Mas, não se deixou abater e deu um belo testemunho às suas irmãs, dizendo que, ao chegar ao céu, derramaria uma chuva de rosas, de bênçãos e graças, em todo o mundo. O Pai e Fundador fala sobre ela na conferência que ficou conhecida como o terceiro documento de fundação de Schoenstatt: “Ao infinitismo da profundidade, da altura e da largura, corresponde também o infinitismo do comprimento. Nosso objetivo não vale somente para nós aqui; ou para hoje e amanhã, mas para toda a vida. E o que se abraça, se anela e aspira na terra, com todo o amor pode ser e será – tanto quanto possível – o objeto de nossos cuidados por toda a eternidade. Santa Teresinha estava convicta de que no céu continuaria e completaria a tarefa que tivera aqui na terra. Em nós também vive a singela fé de que todos os falecidos de nossa Família gozam de influência em nossa Obra comum, e no céu, no além, atuam do modo mais eficiente no sentido de nossa missão”.

 

[1] KENTENICH, Pe. José. Ser Filho Diante de Deus, vol I

[2] KENTENICH, Pe. José. Ser Filho Diante de Deus, vol I

Fotos: Karen Bueno e cathopic.com

Fonte: schoenstatt.org.br

Hoje se celebra São Jerônimo, presbítero e doutor da Igreja

 

Sofrônio Eusébio Jerônimo é o nome completo de São Jerônimo. Nasceu em Estridão, atual Croácia. Não se sabe a data exata do seu nascimento, estima-se que seja por volta de 347. De família cristã e rica, São Jerônimo recebeu uma sólida educação e, ajudado pelos seus pais, completou os estudos em Roma. Ali, deu-se à vida mundana, deixando-se levar pelos prazeres. Porém, logo se arrependeu, recebeu o Batismo e seguiu a vida contemplativa.

Vida

Jerônimo estudou por toda a vida, viajando a Europa ao Oriente com sua biblioteca dos clássicos antigos, nos quais era formado e graduado doutor. Passando pela França, conheceu um monastério e decidiu retirar-se para vivenciar a experiência espiritual. Uma de suas características era o gosto pelas entregas radicais. Ficou muitos anos, no deserto da Síria, praticando rigorosos jejuns e penitências, que quase o levaram à morte. Em 375, depois de uma doença, Jerônimo passou ao estudo da Bíblia com renovada paixão. Foi ordenado sacerdote pelo bispo Paulino, na Antioquia, em 379. Mas Jerônimo não tinha vocação pastoral e decidiu que seria um monge dedicado à reflexão, ao estudo e divulgação do cristianismo.

Chamado pelo Papa

Voltou para Roma em 382, chamado pelo Papa Dâmaso, para ser seu secretário particular. Jerônimo foi incumbido de traduzir a Bíblia (do grego e do hebraico) para o latim. Nesse trabalho, dedicou quase toda a sua vida. O conjunto final de sua tradução da Bíblia em latim chamou-se “Vulgata” e tornou-se oficial no Concílio de Trento.

São Jerônimo passou o resto da sua vida em Belém, onde sempre se dedicou à Palavra de Deus, à defesa da fé, ao ensino da cultura clássica e cristã e ao acolhimento dos peregrinos. Faleceu em sua cela, nas proximidades da Gruta da Natividade, em 30 de setembro, provavelmente no ano 420.

Contribuição Póstuma

Este santo homem, impetuoso e, muitas vezes, polêmico e divergente, era odiado, mas também muito querido. Não era fácil dialogar com ele, porém deu uma contribuição ao Cristianismo, com seu testemunho de vida e seus numerosos escritos. Com efeito, deve-se a ele a primeira tradução da Bíblia para o latim, chamada Vulgata: traduziu os Evangelhos do grego e o Antigo Testamento do hebraico; ainda hoje, a Vulgata, embora revisada, é o texto oficial da Igreja de língua latina.

 

Fonte: Canção Nova

Santos Arcanjos Miguel, Gabriel e Rafael, soldados do exército celeste

Hoje a Igreja  a festa dos Santos Arcanjos Gabriel, Rafael e Miguel. Celebrados, antes, em datas diferentes, com as reformas do Concílio Vaticano II agora são recordados em um só dia. A memória litúrgica ocorre em 29 de setembro.

Os Santos Arcanjos Miguel, Gabriel e Rafael, são investidos de cargos diferentes.  A Bíblia os lembra com missões específicas: Miguel o adversário de Satanás, Gabriel o anunciador e Rafael o ajudante. O título de arcanjo deriva da ideia de uma corte celestial na qual os anjos estão presentes de acordo com diferentes graus e dignidades. Ocupam as esferas mais altas das hierarquias angélicas. Estes têm a tarefa de conservar a transcendência e o mistério de Deus, ao mesmo tempo que tornam presente e perceptível a sua proximidade salvífica.

 

São Miguel, o Príncipe que luta contra o mal

Segundo a tradição, o Arcanjo Miguel é o Príncipe que luta contra o mal, de cujos assaltos defende perenemente a fé e a Igreja. Além disso, é reconhecido o poder da intercessão, muito venerada tanto no Oriente como no Ocidente.

O Santuário Original, o primeiro Santuário de Schoenstatt no mundo, originalmente era uma capela dedicada a São Miguel Arcanjo. Por isso, todos os Santuários de Schoenstatt (Santuáris Filiais) tem também uma imagem de São Miguel.

 

Foto: Ir M Nilza P Silva – Santuário Original

 

No mundo, são incontáveis as catedrais, os santuários, os mosteiros, as capelas dedicados ao Arcanjo Miguel. Seu nome, é citado cinco vezes na “Sagrada Escritura”, deriva da expressão “Mi-ka-El”, ou seja, “quem é como Deus?”. Pela sua popularidade secular, o Anjo guerreiro que, com a sua espada desembainhada, vigia, do Castelo Santo Anjo, a Cúpula de São Pedro, é também centro de numerosas histórias e anedotas. Uma delas remonta ao dia 13 de outubro de 1884.

Após a celebração da Missa na Capela Vaticana, Leão XIII permanece inerte por uns dez minutos. Seu rosto, dizem as testemunhas, revela, ao mesmo tempo, terror e maravilha. A seguir, o Papa Pecci vai depressa ao seu escritório, senta-se à mesa e escreve de impulso uma oração ao Arcanjo Miguel. Meia hora depois, chama o Secretário e lhe entrega a folha de papel, pedindo-lhe para ser imprensa e enviada a todos os Bispos do mundo, para que a súplica fosse recitada no final da Missa. Leão XIII narra ter tido, naqueles poucos minutos, uma estarrecedora visão de “legiões de demônios” que atacavam a Igreja, quase a ponto de destruí-la, e de ter assistido a intervenção defensiva e decisiva do Arcanjo. 

 

São Gabriel, o mensageiro de Deus

O Anjo Gabriel fez o anúncio a Maria. No Evangelho de Lucas, lemos “foi enviado”; logo, o Arcanjo Gabriel é o mensageiro de Deus, encarregado de explicar à “Virgem, prometida a um homem da casa de Davi, chamado José”, o modo com o qual Deus deveria se encarnar.

Mencionado várias vezes no Antigo e no Novo Testamento, São Gabriel, mensageiro por excelência, é o Padroeiro das Comunicações, além disso foi declarado também Padroeiro da Rádio Vaticano.

Os episódios bíblicos, dos quais Gabriel é protagonista, são narrados no Livro do profeta Daniel. O Arcanjo aparece a Daniel para explicar-lhe o significado de uma visão misteriosa (Dn 8,15-18), enquanto, em outra (Dn 9,20- 27), preanuncia certos eventos.  Ainda no Evangelho, em Lucas, ele comunica a Zacarias sobre o nascimento do seu filho João (Lc 1, 8-20). Assim, Gabriel revela, de modo bem mais claro, ser uma criatura celeste, estar na presença de Deus e ser seu mensageiro.

 

São Rafael, a medicina de Deus

A história do arcanjo Rafael é narrada no Livro de Tobias, na época da revolta dos Macabeus. O núcleo central do livro é a viagem empreendida por Tobias para recuperar, em uma terra distante, um crédito de seu pai que se tornou indigente, com o acompanhamento de outro viajante.

Durante uma parada no rio Tigre, um grande peixe atacou o jovem, que se assustou, mas, depois, encorajado pelo viajante – que era o arcanjo Rafael disfarçado – pegou o peixe, do qual, sempre por orientação do viajante, arrancou o coração, o fígado e a bílis do peixe e os colocou no alforje.

Quando estavam quase chegando ao destino final, o Arcanjo insistiu para que Tobias se hospedasse na família de alguns parentes, onde conheceu sua prima Sara, que a lei de Moisés lhe reservou como esposa. A jovem já estava comprometida com sete homens, todos assassinados no tálamo nupcial pelo demônio Asmodeus, por ciúme da jovem. Sara casou-se com Tobias. A nova tentativa de Asmodeus foi derrotada pelo coração e o fígado do peixe, que o viajante sugeriu colocar em um braseiro, para que a fumaça afugentasse o demônio.

Depois do casamento, Tobias voltou para a casa paterna, e quis recompensar o viajante por toda a sua ajuda. Chamando de lado o pai e filho, o viajante revelou a sua identidade. Explicou-lhes que, devido às orações e caridade deles, ele havia sido enviado por Deus para curá-los e guiá-los. E falando de si mesmo, lhes disse: “Eu sou Rafael, um dos sete Anjos, sempre prontos para entrar na presença da majestade do Senhor”.

 

Santos Arcanjos Miguel, Gabriel e Rafael, rogai por nós!

Fonte: Canção Nova