1º Domingo do Advento: “Ficai preparados”

O primeiro domingo do Advento é o primeiro dia do novo Ano Litúrgico – a partir de agora Ano A – para a Igreja Católica e, nesta ocasião, no Evangelho (Mt 24,37-44), Jesus encoraja os fiéis a ficar “atentos, porque não sabeis em que dia virá o Senhor”.

“Por isso, também vós ficai preparados! Porque, na hora em que menos pensais, o Filho do Homem virá”, diz o Senhor.

As leituras bíblicas desta primeira semana e pregação são um convite a estar vigilantes, atentos para quando o Senhor vier. Por isso, é importante que as famílias façam um propósito que lhes permita avançar no caminho para o Natal.

Em um momento propício ou talvez depois de acender a primeira vela da Coroa do Advento, os membros da família poderiam começar revisando as relações familiares e terminar pedindo perdão a quem tenham ofendido, assim como perdoando os outros.

Este deve ser o princípio de um ano renovado que buscará seguir crescendo em um ambiente de harmonia e amor familiar, o qual também deverá se estender aos demais grupos com os quais se relaciona cotidianamente, seja na escola, no trabalho, na vizinhança etc.

Por fim, é importante recordar que o Ano Litúrgico é o conjunto das celebrações com as quais a Igreja comemora anualmente o mistério de Cristo.

O tempo do Advento, que é o primeiro período do Ano Litúrgico, tem a duração de quatro semanas, começando neste domingo, 1º de dezembro, e se estende até o dia 24 de dezembro.

 

“Vós sabeis em que tempo estamos, pois já é hora de despertar. Com efeito, agora a salvação está mais perto de nós do que quando abraçamos a fé” (Rm 13,11).

O Evangelho de hoje diz que, no tempo de Noé, todos estavam muito ocupados, atarefados nos seus compromissos e, no corre-corre da vida, perderam a graça da salvação na Arca de Noé.

Nos dias de hoje, estamos perdendo a salvação porque estamos muito ocupados com nossas tarefas, obrigações e não despertamos para a fé, não acordamos para a fé, não abrimos os nossos olhos para enxergar o Senhor que está perto de nós para que nós O abracemos a cada dia.

Vamos propor viver uma espiritualidade do Advento que nos coloque atentos, acordados, de olhos abertos e fixos em Jesus, de modo que possamos revisar a nossa vida, os nossos comportamentos e ações na vida, para que possamos fazer a vontade do Senhor na nossa própria vida.

Acordemos, despertemos de todo sono, lentidão e letargia que nos paralisa, nos adormece para que não percamos o tempo da graça.

É hora de despertar, de acordar, de levantar, de abrir os olhos… Não abra os olhos para olhar o comércio, as cores do Natal que estão no mundo exterior. Abramos os nossos olhos para olhar para o nosso interior, para dentro do nosso coração, para dentro da nossa própria alma, para rever e ver tudo o que precisamos mudar em nós para que estejamos mais perto do Senhor.

Fontes: Acidigital e Canção Nova

Coluna Masculina: o esporte entra em campo

 

Pe. Heitor Morschel / Pe. Alexsandro Mello – Quando se fala em saúde, todos concordam e desejam ter uma vida saudável. Todavia, quando se fala da prática de exercícios físicos para manter uma vida saudável, há muitos que se justificam em não praticá-los: falta de tempo, periculosidade dos parques e praças, comodismo, sedentarismo e por aí vai. Cada um tem uma desculpa.

No dizer da Organização Mundial da Saúde (OMS) [1], “a atividade física é uma das formas de retardar o desenvolvimento das doenças crônicas não transmissíveis (DCNT)”. Bem verdade, quando falamos e observamos a quantidade de doenças causadas pelo sedentarismo em nossa sociedade. Da mesma forma a OMS “vem sensibilizando os diferentes países membros quanto à necessidade emergencial de modificar o estilo de vida sedentária e praticar atividade física regular, a fim de propor maior qualidade de vida” [2].

Fato mais agravante é quando a OMS analisa os dados de meninos e meninas de 11 a 17 anos. Chama atenção o fato de que “84% dos adolescentes nessa faixa etária são menos ativos do que deveriam” [3]. Os dados são de 2016 e analisam 1,6 milhões de jovens em 146 países. Talvez o grande fator que pode levar a esta realidade seja a “revolução digital” [4], também chamada de “Terceira Revolução Industrial”. A internet está cada vez mais presente na vida das pessoas, especialmente dos jovens e adolescentes. É uma nova geração com novas necessidades.

 

 

Hoje tem gol…

Ao tratarmos novamente da temática do esporte, analisando o povo brasileiro, percebemos a grande paixão nacional pelo futebol. O mesmo pode ser visto pela ótica do entretenimento e, até mesmo, pela competição entre partes. Como entretenimento, vimos milhares de pessoas ligadas aos jogos, seja pela ida aos estádios de futebol, ou ligados à televisão através de algum dos inúmeros canais de esporte.

Nos últimos dias, vimos milhares de pessoas acompanhando os jogos das competições da “Libertadores da América” ou do “Brasileirão”. Foram jogos que mexeram com os ânimos, com os nervos e com o coração de muitas pessoas, tanto no Brasil como no continente. Muitas emoções e lágrimas de alegria ou tristeza.

Aqui no Rio Grande do Sul, há uma prática que vem consolidando-se a cada dia: o “GRENAL da Amizade”, ou seja, na disputa clássica entre os maiores rivais do futebol gaúcho – Grêmio e Internacional – uma parte do estádio que sedia o jogo dispõem de um espaço comum, para que os torcedores rivais assistam aos jogos sentados lado a lado na mesma arquibancada em convivência harmoniosa. Usa-se até o chavão: “rivais sim, inimigos nunca!” Belo exemplo a ser seguido pelos demais times em todo o Brasil! Isto demonstra que o esporte, além de fazer bem para o corpo, também faz bem para a alma, pois pode ser um grande elo entre as pessoas.

O jogo disputado pelo nosso Fundador

Já nas Sagradas Escrituras percebemos a importância da prática do esporte associado à evangelização. O Apóstolo Paulo nos adverte que a vida do cristão é um grande combate e nos exorta: “combate o bom combate, conquista a vida eterna para a qual fostes chamados” (ITim 6,12). Para este duelo é necessário utilizar os instrumentos certos: “ponde-vos de pé e cingi os rins com a verdade, revesti-vos da couraça da justiça e calçai os pés com o zelo para propagar o Evangelho da paz, empunhando sempre o escudo da fé, com o qual podereis extinguir os dardos inflamados do Maligno. Tomai o capacete da salvação e a espada do Espírito que é a Palavra de Deus” (Ef 6,14-17). Certamente com estes meios seremos vitoriosos neste mundo e no outro!

Em conferência proferida no Centenário do Congresso de Hoerde, na Alemanha, em agosto passado, a Ir. M. Nurit Stosiek, ao comentar os bastidores que levaram ao Congresso de 1919, nos revelava algo interessante sobre outro jogo: “O acontecimento de Hoerde que hoje nos ocupa é a final de um jogo no qual o jovem Padre Kentenich ‘compete’ com o próprio Deus. Ele fala de uma ‘competição entre condução divina através da lei da porta aberta e docilidade humana’” [5]. Realmente, este jogo levou à criação e difusão de um Movimento presente no mundo inteiro. E, como no dizer de tão respeitada Irmã, “o jogo continua, sendo agora a nossa vez de atravessar portas e abrir novos espaços no sentido de nossa missão e em cooperação com nossos aliados celestes” [6]. Hoerde está mais vivo do que nunca e a competição continua em cada um de nós!

 

Nesta foto histórica os congregados heróis de Schoenstatt jogam futebol ao lado do Santuário Original

 

 

* Contribuição da União Apostólica dos Sacerdotes Diocesanos de Schoenstatt

 

Fotos: Jumas Jaraguá

 

Referências:

[1] Organização Mundial da Saúde: vale a pena ler o artigo disponível no endereço: http://www.saude.br/index.php/articles/84-atividade-fisica/229-recomendacoes-da-oms-dos-niveis-de-atividade-fisica-para-todas-as-faixas-etarias

[2] Idem

[3] Disponível em: https://globoesporte.globo.com/pr/puro-esporte/noticia/organizacao-mundial-de-saude-alerta-80-dos-adolescentes-nao-praticam-atividade-fisica.ghtml

[4] A Revolução Digital, também conhecida como a Terceira Revolução Industrial, refere-se aos processos associados à passagem da tecnologia eletrônica mecânica e analógica para a eletrônica digital, iniciada entre o final dos anos 1950 e o final dos anos 1970, com expansão do uso de computadores digitais e a constituição de arquivos digitais, processo que segue até os dias atuais.

[5] Vale a pena ver toda a Conferência, disponível em: http://www.schoenstatt.org.br/wp-content/uploads/2019/08/palestra-ir.-nurit.pdf?fbclid=IwAR2YlZIuwLPIUyqol44cHa8QPET8ydOQlefijRPopZpIGUoMnEeJpxEvGg4

[6] Idem

 

Fonte: schoenstatt.org.br

Dia da Gratidão: O que temos para agradecer?

 

Karen Bueno – No mês de novembro, a 4ª quinta-feira do mês é considerada o Dia Mundial de Ação de Graças. Uma ocasião para recordar e agradecer todos os presentes que Deus nos oferece ao longo do ano.

O Pe. José Kentenich gostava de repetir uma frase em alemão que é um jogo de palavras feito para rimar: “Eine Gabe ist eine Aufgabe”. Traduzindo, significa que um presente (Gabe) é uma tarefa (Aufgabe). “Todo presente exige uma dádiva de retribuição”, ele dizia muitas vezes – e valorizava muito a oração como essa dádiva de retribuição [1].

A ciência indica

A virtude da gratidão parece simples – pode ser resumida num “obrigado(a)” –, mas possui um sentido profundo e o poder de transformar a realidade.

Estudiosos da neurociência já demonstraram que a gratidão pode alterar a percepção das coisas. Um grupo de pesquisadores da Universidade de Indiana, nos Estados Unidos, chegaram à conclusão de que ser grato pelas pequenas coisas da vida pode causar grandes mudanças – inclusive cerebrais. Um artigo publicado no jornal científico NeuroImage atesta que, depois de poucos meses exercitando sua gratidão por meio da escrita, seu cérebro passa a se sentir ainda mais condicionado a ser grato. E isso traz benefícios. [2]

Por que agradecer?

Na Bíblia encontramos algumas respostas:

  • Porque agrada a Deus: fomos criados para louvar ao Senhor (Salmo 145).
  • Porque temos muitas razões: mesmo se tudo parece ruim, temos a promessa da vida eterna por meio de Jesus (Efésios 1, 3-6).
  • Porque muda nossa mentalidade: quando agradecemos pelas coisas boas, aprendemos a valorizá-las e não damos tanta importância às coisas más (Efésios 5, 4).
  • Porque Deus abençoa: Deus dá a quem sabe valorizar as bênçãos (Lucas 19:26).

No livro “A Santidade de Todos os Dias”, o Pe. Kentenich aconselha: “Cultiva com esmero a gratidão e a alegria. Sente-se filialmente grato pela dádiva mais insignificante, ainda que se trate das coisas mais necessárias para o sustento”.

Pe. Kentenich já te agradeceu um dia

A gratidão é um gesto a ser passado de Pai para os filhos na Família de Schoenstatt. O Fundador deu muitos exemplos concretos de reconhecimento – ele chegou a compor, na prisão de Coblença, o “Hino de Gratidão”, um poema de 14 estrofes que fecha o Rumo ao Céu.

Um outro exemplo:

Certa vez, em Milwaukee, um estudante alemão perguntou ao Pe. Kentenich o que ele pretendia fazer primeiro quando terminasse o seu exílio. O jovem esperava que ele respondesse: “Visitar todos os centros de Schoenstatt; dedicar-me ao jovem Instituto dos Padres de Schoenstatt…”, algo assim. Mas, nada disso! Pe. Kentenich olhou, pensativo, ao longe e respondeu: “Se eu pudesse, viajaria primeiro pelo mundo inteiro, para agradecer a todos os que perseveraram na fidelidade a mim”  [3]

Viajar pelo mundo não foi possível, por uma série de motivos, mas certamente ele continua, do céu, agradecendo a cada um. Na realidade, ele já fez isso certa vez, em seus 25 anos de sacerdócio (1935): “Agradeço a todos os filhos de Schoenstatt; agradeço aos falecidos, agradeço aos vivos, agradeço às gerações futuras. […] Devo ainda manifestar meu agradecimento aos que ainda não foram chamados à vida, aos que ainda virão. O que será de Schoenstatt se as gerações futuras não forem possuídas e penetradas do mesmo espírito que nós? Não deve permanecer, por todos os tempos em nossa Família, a lei: cada geração deve conquistar novamente Schoenstatt para si?” [4]

Neste dia mundial da gratidão, pelo que você deseja agradecer?

 

Foto: Cleber Lima

 

[1] NAILIS, Ir. M. Annette. Padre Kentenich como nós o conhecemos. Sociedade Mãe e Rainha, Santa Maria/RS: 2011. 3ª edição revisada.

[2] Revista Galileu (acessado em 27/11/2019): https://revistagalileu.globo.com/Ciencia/noticia/2016/01/expressar-gratidao-pode-mudar-seu-cerebro.html

[3] NAILIS, Ir. M. Annette. Padre Kentenich como nós o conhecemos. Sociedade Mãe e Rainha, Santa Maria/RS: 2011. 3ª edição revisada.

[4] Celebração do jubileu de prata de sacerdócio do Pe. José Kentenich, em 11 de agosto de 1935. Disponível em: MONNERJAHN, Engelbert. Padre José Kentenich: Uma vida pela Igreja

“Compreendi a Aliança de Amor através da música”

 

Lucas Siduoski – Desde os primórdios da história da humanidade a música sempre se fez presente nas diversas civilizações e povos, sendo uma expressão fundamental da cultura. Na Bíblia vemos, já no Antigo Testamento, diversos relatos do povo cantando para louvar e agradecer a Deus, como no livro do Êxodo, na passagem do povo de Israel pelo Mar Vermelho, conduzidos por Moisés (Ex 15, 1-15).

Para a maioria de nós, a música tem seu papel no dia a dia quando o que sentimos já não “cabe em palavras”. Quando não é suficiente falar, cantamos ou tocamos um instrumento; quando nossa alma experimenta intensa alegria ou tristeza, encontramos uma música que expressa exatamente o que sentimos, que não pode ser traduzido apenas numa sucessão de letras – é necessária uma melodia.

Pe. José Kentenich, na prisão de Coblença, cantava para acalmar os demais prisioneiros que estavam perturbados com os maus tratos recebidos dos soldados. Podemos nos perguntar: por que ele não conversou com os prisioneiros somente? Um homem tão sábio, que teria diversas palavras de conforto, que entendia o que estavam sentindo – pois estava na mesma situação – por que não tentou acalmá-los somente com suas sábias e doces palavras? Porque ele sabia que a música chegaria em lugares que as palavras não chegam, trazendo lembranças de lugares e dias felizes, esperança para as almas esgotadas.

Compreendi a Aliança de Amor em minha vida através da música. A santidade nas coisas do dia a dia, nas pequenas coisas, fez sentido para mim ao estudar piano na universidade, ao ensaiar o Coral no meu trabalho. Se não tivermos atenção nos mínimos detalhes, ao preparar e executar uma obra musical, ela não toca por completo o coração das pessoas e não atinge seu grande objetivo: aproximar as pessoas de Deus.

A paz que cura todas as ansiedades vem de Deus, vem de buscar Ele em cada nota da partitura. O equilíbrio entre o eu interior e exterior está no quanto se busca ser um músico que quer mais do que simplesmente estar afinado ou não – está na busca da “santidade musical”, em executar cada nota como se fosse a única. Como toda missão que leva ao Céu, isso não é fácil de ser feito, é um processo árduo e difícil para as limitações humanas que enfrentamos. E é nesse momento que eu experimento o Capital de Graças e a Aliança de Amor cumprindo seu papel: é preciso entregar tudo nas mãos de Maria, para que Ela me eduque e, pela graça de Deus, torne possível o que humanamente não sou capaz: ser um músico santo.

Santa Cecília, Rogai por nós!

Fonte: schoenstatt.org.br

Um dia dedicado aos corações apaixonados por Jesus

 

Karen Bueno – Duas pessoas que se amam gastam tempo, durante o dia, conversando entre si. Mesmo que seja apenas um “Bom dia” no Whatsapp, ou um telefonema breve no horário de almoço, há pequenos espaços que são dedicados a cultivar o amor. E, quanto maior o amor, mais tempo é encontrado para isso.

No dia 21 de novembro a Igreja celebra a Apresentação de Maria no Templo e dedica um dia especial às pessoas que vivem uma Vida Contemplativa. Estamos falando daqueles “apaixonados” por Jesus que, em nome de toda a Igreja, são os que presenteiam mais tempo ao Senhor.

Na Igreja, adoração é sinônimo de missão. A maior parte do dia, para as pessoas que vivem a vocação contemplativa, é dedicada à oração e adoração. Em Schoenstatt temos alguns exemplos de vocação contemplativa nos Institutos Seculares, de pessoas que têm, como sua primeira tarefa e missão, rezar pela Igreja, pelo mundo e pela nossa Obra.

Cristo “é o grande pensamento do santo do dia a dia” (Pe. José Kentenich)

Mas, rezar pela Igreja e pelo mundo não é só tarefa dos consagrados. Existe, junto com eles, muitos leigos que passam algumas horas da semana em adoração. Em vários Santuários de Schoenstatt há uma escala de adoradores voluntários.

No Santuário de Porto Alegre/RS, por exemplo, Ana Virginia Pacheco está presente com frequência nas quintas-feiras, já há 15 anos: “Pois é assim que encontro com Jesus Eucarístico e me ajuda nas dificuldades cotidianas”, diz ela. Ana Virginia conta sua experiência: “Com a Adoração foi aumentando a minha necessidade de estar junto com o Santíssimo em sua presença real, o que me motiva e me traz paz, tranquilidade e gratidão por todos os momentos. Como já são vários anos de adoração, aprendi que, de joelhos dobrados e com muita humildade, devemos entregar todas as nossas necessidades e as de nossos irmãos nas mãos de Deus, assim, podemos confiar na Divina Providência e ajudar na santificação das famílias e necessidades do mundo”.

“À tarde, entre as 7 e às 8 horas, estou diante do Santíssimo durante uma hora” (Papa Francisco) [1]

Em São Paulo/SP, no Santuário do Jaraguá, Cirléia Botássio descobriu que estar diante de Jesus “nos fortifica, nos fortalece, nos dá ânimo, nova alegria para lutar e enfrentar as dificuldades”. Ela encontrou alento nas horas de sofrimento, em especial diante das dificuldades de saúde, e nas horas de alegria: “Estar diante de Jesus, para mim, é muito forte, porque ali eu coloco todas as minhas alegrias, as minhas fraquezas, as minhas necessidades e eu sinto que ele me fortalece”.

Cirléia também sentiu a importância da adoração, em sua vida, num momento especial de desprendimento, quando seu filho ingressou no seminário dos Padres de Schoenstatt: “Quando o Lucas ouviu o chamado ao sacerdócio e entrou no seminário, eu fui diante de Jesus, porque aquele desligamento do meu filho, ver ele partindo, mexeu muito comigo. E Jesus foi colocando paz e tranquilidade no meu coração. Hoje a gente faz [adoração] com mais frequência ainda, porque nós rezamos pelas vocações e nós temos que rezar por elas”.

“Procura-se Jesus em toda a parte. Assim acontece com a alma que é cativada por Ele” (Pe. José Kentenich)

Para o Pe. José Kentenich, Cristo “é o grande pensamento do santo do dia a dia”. Ou seja, aqueles que desejam ter uma vida santa, buscam cultivar essa proximidade com Jesus em tudo o que fazem. “Por isso [o santo do dia a dia] gosta de pesquisar a Sagrada Escritura, quer tenha à mão uma edição da Bíblia, quer na liturgia, pois no centro da Sagrada Escritura está sempre a grande personalidade do Homem-Deus”, diz o Pai e Fundador.

O Papa Francisco motiva todos a serem adoradores e diz que a oração de adoração é “esta que nos prostra sem nos prostrar”, que “nos dá nobreza e grandeza”. Ele convida a ir “dos sacrifícios ao silêncio; à adoração”. “Mas – continua o Papa – só podemos conseguir com a memória de termos sido eleitos, de termos dentro do coração uma promessa que nos impulsiona a seguir, e com a aliança nas mãos e no coração. E sempre em caminho: caminho difícil, caminho em subida, mas em caminho rumo à adoração”.

 

Referências:

– Todas as citações do Pe. José Kentenich foram retiradas do “Retiro para as Irmãs de Maria de Schoenstatt, de 4 a 11 de março de 1933”, texto disponível no livro:
KENTENICH, Pe. José. Cristo Minha Vida – Textos escolhidos sobre Cristo. Editado pelo Instituto Secular Padres de Schoenstatt, editora Pallotti, Santa Maria/RS, 1997. 1ª edição.

– Todas as citações do Papa Francisco foram retiradas da “Homilia Matutina na Casa Santa Marta, em 5 de fevereiro de 2018”, disponível em vatican.va

[1] Entrevista concedida ao Pe. Antonio Spadaro, diretor da revista italiana La Civiltá Cattolica

 

Fonte: schoenstatt.org.br

“Onde está teu tesouro…”

 

Ir. M. Eliane Cunha – Neste Dia da Aliança do mês de novembro queremos refletir sobre “onde está o nosso tesouro…”

Nosso Pai e Fundador, Pe. José Kentenich – cujo aniversário de nascimento celebramos no último dia 16 – referindo-se a esta palavra da Sagrada Escritura, disse em uma de suas palestras em Santa Maria/RS: “Cremos que, do alto da cruz, Jesus nos presenteou a Mãe de Deus como testamento. (…) Por isso gostaríamos de dizer que ela é o tesouro no prado de paz de Schoenstatt”. (…) E, ao fazer a pergunta, ele segue com a resposta: “Onde está o tesouro que devemos guardar? É a Mãe e Rainha Três Vezes Admirável de Schoenstatt em nosso Santuário”. (24/02/1952)

Pela Aliança de Amor ela se estabelece no Santuário e ali está sempre à nossa espera para entrar em diálogo conosco, para acolher a nossa vida, nossos anseios, dificuldades, alegrias e conquistas.

João Pozzobon encontrou o grande “tesouro” e vinculou-se profundamente ao Santuário – lugar do “tesouro”. Vários testemunhos dele nos atestam isto:

“No dia 11 de julho de 1951, escreveu uma pequena carta a Schoenstatt, satisfazendo um desejo que tinha há muito tempo, isto é, o de visitar o Santuário Original da Mãe Três Vezes Admirável. Como não lhe fosse possível chegar até lá, estudou um meio através do qual pudesse entrar com algo próprio nesse Santuário. Dizia ao Pe. Kentenich: “Envio esta cartinha, com minha fotografia e letra de próprio punho, para que represente minha pessoa no Santuário de Schoenstatt, sempre que lhe seja possível” (Herói hoje, não amanhã, p.59)

“Mãe e Rainha Três Vezes Admirável sempre quero estar vinculado ao teu Santuário. Tenho fé; sinto uma disposição que nunca tive. Para mim tudo é um Santuário, seja rezando, seja trabalhando, seja viajando, enfim, tudo”. (Idem, p.54)

“Posso dizer, com certeza, que assisto a Missa no Santuário há 31 anos. Eu assistia a Missa dominical – o que é um dever de todos – e quando comecei a entrar na educação de Schoenstatt, do Santuário, nesse momento comecei a assistir um dia mais à Missa, no meio da semana; depois mais dois e, assim, pouco a pouco, cheguei à Missa diária. Não queria me comprometer com algo e, depois, abandoná-lo. Queria, antes, amadurecer e depois ir todos os dias. Agora, vou todos os dias ao Santuário” (ibidem, p.80).

 

O Sr. João também usava imagens de coisas do dia a dia para expressar sua vinculação ao Santuário:

“Referiu-se à aboboreira que, ao ser plantada, vai criando longos ramos que se alastram sobre a terra. De tanto em tanto, prende-se a ela por meio de guias, através das quais a planta se alimenta. Se quando a planta, já estendida a certa distância, com bastante guias que a prendam na terra é cortada de sua origem, pode continuar dando flores, porém não produzirá mais sementes, devido à perda de contato com sua raiz principal”. Usando esta imagem, explicou: “De maneira semelhante devemos permanecer unidos à origem de Schoenstatt, se queremos produzir frutos nesta grande Obra”.

 

E nós? Temos a consciência de que o Santuário acolhe um “grande tesouro” e descobrimos formas de estar vinculados a ele?

– Podemos fazer nossa visita real ou espiritualmente;

– Podemos renovar nossa Aliança junto a um Santuário ou nos colocarmos espiritualmente nele;

– Também utilizar meios tecnológicos: a janela virtual, o correio postal, as celebrações transmitidas pela web de algum Santuário.

Se somos capazes de ser criativos e encontramos maneiras de estarmos unidos à MTA, no Santuário, significa que descobrimos, de fato, nosso tesouro e, por isso, nele está também nosso coração.

 

Foto: David Schwarzenberg, pixabay.com

Fonte: schoenstatt.org.br

Cristo deve ressurgir no nosso tempo, em cada um de nós

 

Ir. M. Claudete Rauen – O relato da cena do Tabor é muito rica em detalhes. Ela diz que, no monte, enquanto Jesus se manifestava transfigurado, ouviu-se uma voz que procedia da nuvem que os envolvia: “Este é o meu Filho muito amado!”

“Filho amado”, neste contexto, significa “Filho único”, aquele que tem com o Pai uma relação absolutamente incomparável, que nenhum outro pode ter. Podemos dizer também: filho predileto, aquele que é amado e tem um lugar seguro no coração do Pai, que sabe e sente-se amado.

Jesus é o Filho do Pai, que assumiu a natureza humana e se revestiu da fragilidade dos homens. Ele é verdadeiramente homem e verdadeiramente Deus.

O nosso Pai e Fundador, Pe. José Kentenich, quis assegurar esta verdade através da espiritualidade de Schoenstatt e confiou a tarefa a nós, filhos de Schoenstatt no Brasil. A imagem de Cristo que ele nos apresenta é o FILHO. Ele, Cristo, é o Filho do Pai por excelência.

Cultivar a NOVA TERRA MARIANA exige que tomemos a sério o nosso caminho de autoeducação para que a nossa MTA possa formar em nós Cristo. Ele deve novamente ressurgir no nosso tempo, em cada um de nós.

Pe. Kentenich apontou-nos a imagem de Cristo como o FILHO: de natureza elevada, de natureza perfeita e de natureza sacrificada.

1. Filho de natureza elevada – Filho transfigurado do Pai

Filho de natureza elevada é o mesmo que filho transfigurado. Em Jesus a sua divindade permanecia oculta. Normalmente não se percebia nele a sua divindade, embora ela sempre estivesse presente. No Tabor esta natureza elevada se manifestou e os apóstolos puderam contemplá-lo em sua divindade.

O nosso Pai e Fundador explica-nos: “Exteriormente não encontramos forma de beleza em seu ser, mas, de modo oculto, vive nele a natureza transfigurada, pois quem aí está é o verdadeiro Deus” (Pe. Kentenich 02.09.1947).

Pelo batismo, todos nós fomos incorporados à natureza elevada do Filho de Deus.
Que consequências práticas traz para nós esta realidade?
Como posso valorizar a dignidade à qual fui elevado pelo batismo, pela realidade de ser filho de Deus?
Estou consciente da minha grandeza e dignidade? Como testemunho a nobreza do meu ser? As minhas atitudes, a forma como realizo as minhas atividades, mesmo aquelas mais simples, revelam a beleza do ser filho de Deus?

 

2. Filho de natureza perfeita – Filho muito amado do Pai

Quando o nosso Pai e Fundador fala do Filho de natureza perfeita, ele nos apresenta o modelo da nossa perfeição. A natureza é perfeita quando está ordenada, em harmonia consigo mesma, quando cada dimensão que faz parte da natureza está no seu lugar, quando não há inversão nas dimensões do ser. O ser humano perfeito é aquele em que há harmonia entre a razão, a vontade e a vida de afetos.

O nosso Pai e Fundador novamente aponta o Tabor, onde vemos a manifestação plena do Filho de Deus: “Como é perfeita a sua natureza no alto do Tabor!” (Pe. Kentenich 02.09.1947).

Cristo, como modelo de natureza perfeita, é colocado diante de nós pelo nosso Pai e Fundador como modelo da nova personalidade a que todos nós devemos aspirar. Para tanto, ele nos ofereceu os meios pedagógicos que nos ajudam a lutar para alcançar o ideal da natureza perfeita. O esforço na autoeducação é o grande instrumento que nos ajuda a restabelecer a ordem e a harmonia da nossa natureza tão fragilizada pelas consequências do pecado.

Somos um Movimento de educadores e de educação. Em Schoenstatt somos estimulados a olhar para nós mesmos, a fazermos um sério caminho de autoconhecimento e reconhecimento e a trabalhar seriamente buscando a perfeição da nossa natureza, até que possamos nos assemelhar aos traços do Filho amado do Pai.

Neste contexto, o nosso Pai e Fundador nos ajuda a refletir. Ele pergunta: “Como deverá reanalisar-se a perfeição da minha natureza? Onde estão as fraquezas da minha natureza? Quanto ainda sou tão fortemente escravizado à minha vida instintiva!”

O nosso caminho de Aliança de Amor deverá conduzir-nos até a semelhança com Cristo, de modo que o Pai possa dizer também sobre nós: “Este é o meu filho muito amado”.

 

3. Filho de natureza sacrificada – Filho heroico do Pai

Com Pedro, Tiago e João, Jesus sobe ao monte e revela-lhes toda a sua divindade. O nosso Pai e Fundador descreve este acontecimento: “Ali vemos Jesus, seu ser resplandece em tanto brilho que os apóstolos não conseguem olhá-lo. Tudo está voltado para ele e do céu ressoa a palavra do Pai”.

A transfiguração de Jesus no Tabor é a manifestação plena da sua glória divina e antecede a sua ida para Jerusalém, onde ele viverá a paixão e morte. Ali, Jesus prepara os apóstolos para a “subida a Jerusalém, onde serão confrontados com o mistério da condenação do Filho de Deus à morte na cruz”.

Cristo é o FILHO que se sacrificou por nós na cruz. O seu sacrifício foi um ato perfeito de doação!

O nosso Pai e Fundador apresenta-nos está imagem colocando-nos na cena em que Jesus é apresentado a Pilatos: “Eis o homem! Como a sua natureza está sacrificada, como a sacrificou! Por isso a coroa de espinhos! Por isso o manto de escárnio! Natureza humana sacrificada” (Pe. Kentenich 02.09.1947).

O seu caminho de entrega e de total aniquilamento tornou-se o penhor da sua vitória e da sua transfiguração. Também na dor, Cristo revelou-se como o Homem do Tabor, o Filho Heroico do Pai. Jamais ele perdeu a sua dignidade e a consciência de ser o Filho amado do Pai.

Como filhos do Tabor partilhamos da vida de Cristo, também no seu sofrimento. Faz parte da vida de todo o cristão participar da cruz redentora do Salvador, assemelhando-se a Ele. Para nós, em Schoenstatt, esta participação assume uma dinâmica especial, pois, pelo Capital de Graças, o nosso sofrimento torna-se redentor.

 

*Trecho da palestra apresentada no Congresso de Outubro de 2019 no Regional Nordeste, em 26.10.2019

 

Referências:
Citações retiradas do livro:
KENTENICH, Pe. José. Tabor Nossa Missão. Coleção Brasil Tabor, vol 1. Sociedade Mãe e Rainha, Santa Maria/RS, 2007, 1ª edição.

 

Foto: Iris Marcomini

 

Fonte: schoenstatt.org.br

Os tesouros que não passam

Pe. Francisco José Lemes Gonçalves – A Liturgia da Palavra deste fim de semana nos leva a refletir sobre a segurança que depositamos nos bens materiais, como garantia de bem-estar. O exagero da preocupação muitas vezes nos impede de servir melhor a Deus; as vaidades que nos fazem cuidar – muita das vezes exageradamente – de nós mesmos, gera em nós um sentimento de não nos importarmos com o outro. Que neste domingo a liturgia nos leve a buscar as coisas do alto, desapegando-nos de tudo que possa ser empecilho ou maldade que nos afasta de Deus.

É preciso aprender a renunciar e, nesta renúncia, encontrar a verdadeira felicidade e liberdade. Usar dos bens que passam para ganhar os que não passam.

Quando estamos exageradamente apegados às coisas deste mundo, o Evangelho e as leituras deste fim de semana podem trazer um sentimento de repulsa, ou de deboche, como:

“Imagina viver de brisa!” ou
“Ah, mas não dá para viver assim”
ou outras expressões que utilizamos para justificar;

Mas, quando de fato fazemos uma experiência de desapego e confiança na Divina Providência de Deus, experimentamos uma alegria e liberdade que o mundo nunca entenderá. Ter e, ao mesmo tempo, fazer deste ter algo “divino”. Colocar a segurança (total) nos bens que passam gera, ao fim deles ou no desgaste deles, um profundo vazio existencial e espiritual.

Jesus desapegou-se até mesmo de seu ser Deus e veio morar entre nós. Viveu do pão de cada dia na lida com José na carpintaria. Vivia alegre com Maria, sua Mãe, no coser o pão e juntos a meditar a Palavra de Deus. Com Jesus descobrimos a simplicidade dos lírios do campo, a fé na providência deste Deus, que cuida até dos pássaros. Para um mundo que nos leva ao consumismo, na busca do melhor corpo, nas satisfações do ter e do prazer… fica difícil viver na simplicidade e no despojamento.

 

Como nosso Pai…

 

Neste estreito quarto o Pe. José Kentenich passou vários anos de sua vida. O quarto fica na Casa da Aliança, em Schoenstatt. Pela simplicidade percebe-se o desapego do Fundador dos bens materiais

 

Nosso Pai e Fundador, Pe. José Kentenich, nasceu numa família simples, viveu um sacerdócio na simplicidade, nos ensinou a viver e confiar na Divina Providência, como ele mesmo vivia. Não foi apegado a coisa alguma, nem mesmo a Schoenstatt, que era a Obra do seu coração: quando o Movimento foi-lhe tirado, ao longo dos 14 anos de exílio, aceitou essa entrega com confiança. Quando mergulhamos em Deus, somos felizes e ricos! Desejamos que nossa Mãe e Rainha nos eduque nesta vivência e, em seus Santuários, como bons filhos, escolhamos a melhor parte e sentemos ao redor da Mesa da Palavra para ouvir seu Divino Filho e, por Ele alimentados, partir em missão!

Mês Vocacional… reze pelo seu sacerdote e ajude-o na santidade, sendo você também santo naquilo que lhe cabe. Zele pela vocação de seu padre, reze para que “ele seja o amor do Coração de Jesus” e o consagre quantas vezes for possível à Mãe e Rainha dos corações sacerdotais! Felicite seu padre pelo dia do padre, procure lembrar dele neste dia com amor e perdoe se não conseguiu ser-lhe imagem límpida de Cristo!

Fonte: schoenstatt.org.br

Reflexão para o XVII Domingo do Tempo Comum

Padre César Augusto dos Santos / Cidade do Vaticano – A leitura do Gênesis falando da intercessão que Abrãao faz a Deus pelos seus conterrâneos, serve para nós como incentivo para uma oração bem feita.

Abrãao dialoga com Deus, suplica, apresenta suas razões, escuta, volta a falar, enfim são dois amigos convesando através de um diálogo espontâneo e sincero.

No Evangelho, os discípulos pedem a Jesus que os ensine a rezar.

Jesus começa dizendo que quando quiserem rezar, deverão se dirigir a Deus chamando-O de Pai, pois Ele é o nosso querido Pai. Jesus dá um passo gigantesco em relação a Abraão. Se esse já demonstrava confiança e intimidade, Jesus recomenda o posicionamento de filho que conversa com o Pai querido.

Simultaneamente, demonstramos que de fato somos seus filhos quando pedimos que o seu Reino, ou seja, os seus planos, seus projetos, também sejam nossos, sejam realizados. Estamos, somos comprometidos com a realização da nova sociedade.

Ao mesmo tempo nos ensina que somos irmãos, por isso o pedido do pão para cada dia, feito também na primeira pessoa do plural, no nós, significando que assumimos como nossas, as necessidades dos demais, seja de alimento, de moradia, de saúde, de educação, de emprego, de justiça.

Nossa filiação se torna mais autêntica quando pedimos para que perdoe as nossas ofensas do mesmo modo que perdoamos aos que nos ofenderam. “Filho de peixe, peixinho é”, diz um ditado! Filho de um misericordioso, também é misericordioso! Filho de um Deus perdão, também perdoa!

Abraão foi muito humilde em sua oração. Jesus também nos indica a humildade quando nos orienta pedir ao Pai que não nos deixe cair em tentação. Se Deus não nos ajudar, nada conseguiremos, somos fracos, somos pó.

Finalmente o ensinamento de Jesus termina com o resultado de nossa oração, com a certeza de quem pede, recebe: quem procura, encontra;  para quem bate, se abrirá. Pedi e recebereis!

É preciso confiar em Deus, reconhecê-lo como Pai e Pai querido.

Fonte: Vatican News

Dia dos Avós: Pais com açúcar

 

Paulo e Isa de Carvalho – Hoje, Dia dos Avós, celebramos São Joaquim e Sant’Ana, os avós de Jesus. Como aconteceu com eles, os netos chegam em nossas vidas, quase sempre, depois que os filhos saem de casa. Fica sempre um vazio quando um filho deixa o nosso lar e vai formar sua própria família. Isso dói no coração dos pais e os faz sentir que o tempo passou depressa demais. Assim, quando os netos chegam, a gente sente como se aquele filho estivesse voltando, criança, e trazendo novamente as alegrias de um tempo que passou.

Netos são presentes muito especiais na nossa vida! … É como se a esperança estivesse entrando por nossa porta e deixando tudo novo, de novo!

Vínculos para a vida

Nessa fase, os avós são como os pais, porém, cheios de experiências que os fazem mais seguros, tranquilos e preparados para enfrentar o choro, as doencinhas, as traquinagens, curiosidade e as incansáveis brincadeiras das crianças. E mais, eles têm todo o tempo disponível para dar a atenção e o carinho que muitas vezes os pais não podem dar. Isso porque, enquanto os filhos crescem, os pais têm que se desdobrar entre o trabalho e a educação deles. Era isso que comentava o Pe. José Kentenich certa vez:

“Na ocasião de que falei há pouco, em Berlim, enquanto discutiam sobre a imagem de pai, também surgiu a proposta de recordar frequentemente a imagem do avô. Motivo para tal é o excessivo nervosismo da maioria dos pais modernos, que não transmitem serenidade, tranquilidade como os avós. Estes fatos são tirados da vida, não são inventados.
Eu conheço uma jovem em plena adolescência, é uma adolescente especial. Quando chega em casa e terminou os trabalhos escolares, vai ter com a avó e ajoelha-se espontaneamente junto dela. A avó começa a contar histórias e a menina não se sacia de escutar. A situação é difícil, porque todos em casa trabalham para ganhar: o pai trabalha fora, a mãe precisa trabalhar fora e ninguém tem tempo para uma jovem daquela idade. Os irmãos mais velhos (também) trabalham fora”. [1]

Por isso se diz que avós são “pais com açúcar”; e eu diria que netos são “filhos com mel”!

 

Os avós vivem da fé

Também o Pe. Kentenich experimentou isso. Nos primeiros anos ele viveu na casa de seus avós Matias e Ana Maria Kentenich, onde era cuidado por eles e pela mãe. Talvez isso tenha feito dele essa pessoa alegre e descontraída! “José Kentenich passou os primeiros anos de sua vida em Gymnich […] na casa dos avós, sob os cuidados de sua mãe. […] Durante aqueles anos, a personalidade dele recebe uma marca decisiva, não por último na convivência com os seus familiares mais próximos, conhecidos e parentes”. [2]

Num encontro com famílias do Movimento, nosso Pai e Fundador certa vez comenta: “Eu creio, e muitas vezes encontramos isto, que nossos avós não eram tão formados como nós na vida religiosa, mas de maneira esplêndida viveram da fé”. [3]

 

Casa da Família Kentenich, em Gymnich

 

Transmissores da fé

Às vezes penso quão bem-aventurados foram São Joaquim e Sant’Ana por terem sido os avós de Jesus! Muita benção de Deus! É deles, também, que vêm muito da riqueza e da espiritualidade de nossa Mãe, Maria. “São Joaquim e Sant’Ana fazem parte de uma longa corrente que transmitiu o amor a Deus, no calor da família, até Maria, que acolheu em seu seio o Filho de Deus e o ofereceu ao mundo, ofereceu-o a nós. Vemos aqui o valor precioso da família como lugar privilegiado para transmitir a fé!”, disse o Papa Francisco. [4]

O Pe. Kentenich afirma que, “se nossos pais e nossos avós deixaram, minimamente, que o sangue católico fluísse nas suas veias, certamente implantaram, de alguma forma, um cálido amor à Mãe de Deus no nosso coração” [5]. Esse amor, a espiritualidade que carregamos, vêm do berço, em especial pela dedicação dos avós. Como disse o Papa Francisco, “aos avós, que receberam a bênção de ver os filhos dos filhos (cf. Sal 128/127, 6), está confiada uma grande tarefa: transmitir a experiência da vida, a história duma família, duma comunidade, dum povo; partilhar, com simplicidade, uma sabedoria e a própria fé, que é a herança mais preciosa!” [6]

Neste dia de São Joaquim e Sant’Ana, desejamos que eles abençoem a todos os avós, intercedendo para que contribuam com os pais na educação dos netos.

 

 

Referências

[1] KENTENICH, Pe. José. Às segundas-feiras ao anoitecer – Diálogos com famílias. Volume 21, Nossa vida à luz da fé. Sociedade Mãe e Rainha, 2008, 1ª edição. Conferência de 26 de junho de 1961.

[2] SCHLICKMANN, Dorthea M. Os anos ocultos – Padre José Kentenich Infância e Juventude (1885-1910). Sociedade Mãe e Rainha, 2008, 1ª edição.

[3] KENTENICH, Pe. José. Cartas e palestras à sua União das Famílias, compiladas, trabalhadas e apresentadas pelo Pe. José Maria Klein, para o dia 16 de julho de 1992 (Alocução para o Curso Custos Sanctuarii, Liebfrauenhöhe, 31 de maio de 1966)

[4] PAPA FRANCISCO, alocução na hora da Ave Maria/Angelus, Balcão do Arcebispado do Rio de Janeiro/RJ, 26.07.2013, durante a Jornada Mundial da Juventude. Disponível em: w2.vatican.va

[5] KENTENICH, Pe. José. Às segundas-feiras ao anoitecer – Diálogos com famílias. Volume 21, Nossa vida à luz da fé. Sociedade Mãe e Rainha, 2008, 1ª edição. Conferência de 20 de maio de 1961.

[6] Encontro do Papa Francisco com idosos e avós, setembro de 2014, Praça de São Pedro, Vaticano

Fonte: schoenstatt.org.br