Reflexão sobre a liturgica da Festa do Batismo do Senhor

Pe. Cesar Augusto dos Santos, SJ / Cidade do Vaticano – O tema do Evangelho deste domingo está no versículo 15:  “Devemos cumprir toda a justiça”. Jesus fala essa mensagem a João Batista e, como percebemos, fala na primeira pessoa do plural. Ele fala em nome do Pai – cujo projeto Jesus cumpre fielmente –  está falando em nome do Espírito – que virá sobre ele –  e também em nome de todos aqueles que se comprometem com ele, desde a Virgem Maria, passando por São José, pelo próprio João Batista e chegando até nós.

Essa justiça que constrói o Reino está dentro de nossa história e se caracteriza não pela violência como João anunciava, como vimos no primeiro Domingo do Advento, mas na solidariedade para com os pecadores, como nos anunciou o Evangelho do segundo Domingo.

O Pai quer que Jesus salve a humanidade, essa é a justiça que ele deverá cumprir. Para isso se solidariza com a humanidade ao receber de João o batismo de penitência. Contudo o Pai e o Espírito manifestam que o verdadeiro batismo se dá fora da água, se realiza quando Jesus sai do Jordão, o céu se abre, o Espírito vem sobre Jesus e pousa sobre ele. Jesus assumiu o projeto do Pai, irá realizar a justiça, irá redimir a humanidade, o Espírito o ungiu para isso!

Neste momento recordemos as palavras de Isaías na primeira leitura: “Eu, o Senhor, te chamei para a justiça e te tomei pela mão; eu te formei e te constituí como centro da aliança do povo, luz das nações, para abrires os olhos dos cegos, tirar os cativos da prisão, livrar do cárcere os que vivem nas trevas”. Em Jesus se realiza essa vocação. Ele é rei e sacerdote, foi ungido para cumprir toda a justiça dando origem ao Reino de Deus.

Recordemos o nosso batismo. Fomos inseridos no Povo de Deus também para essa missão, cumprir a justiça, não apenas para nos salvar. Temos uma dimensão apostólica, colaborar com o Senhor na instauração da justiça, da solidariedade, da acolhida a todos, especialmente daqueles que são marginalizados porque pecadores.

A missão é ir atrás da ovelha perdida, é resgatar os extraviados, é colaborar para que a cana rachada não se quebre e nem o pavio que ainda fumega seja apagado, como falou Isaías.

Ser batizado é ter um coração misericordioso e integrador, como o de Jesus. De acordo com esse coração que é reflexo do amor do Pai, justiça não é manter as pessoas excluídas por causa de seus erros, mas justiça é transformá-las em filhas de Deus, assim como aconteceu e acontece com cada um de nós.

Fonte: Vatican News

2020 já começou! Quais são as suas metas?

Fernando Gabriel de Carvalho e Silva – Com a chegada de um novo ano é comum nos sentirmos motivados para estabelecer novos projetos ou definir novas metas em nossas vidas, sejam eles pessoais, profissionais ou até mesmo espirituais. É aquele momento em que conversamos com nós mesmos e dizemos: “esse ano eu vou emagrecer”, “esse ano vou alcançar aquela promoção no trabalho”, “esse ano vou fazer aquele curso” ou ainda, “esse ano eu vou conversar mais com Deus”.

Porém, é bem verdade que quando surgem os primeiros obstáculos, ou por mera preguiça, muitos desses projetos e metas acabam ficando apenas nos planos das ideias, sendo adiados indefinidamente, sem nos darmos conta de que o tempo que passou desperdiçado não voltará e de que não viveremos para sempre.

Pois bem. Esse artigo tem como objetivo ajudá-lo a criar as suas metas e alcançá-las no decorrer deste ano. Mas, por que criar projetos e metas?

É normal do espírito humano o desejo de evoluir, de alcançar novos horizontes, de aprender coisas novas, ou ainda, como católicos genuínos, de nos aproximar ainda mais de Deus, da Mãe e Rainha, enfim, de nos santificar! Mas para que não seja apenas um desejo, é necessário, em primeiro lugar, entender a nossa motivação interior.

Como explica a psicóloga Camila Carlos Moreira: “Quando falamos sobre mudança, a primeira coisa que vem à nossa mente é a fase da ação, onde já nos imaginamos transformados. Mas, antes que isso ocorra, precisamos pensar em alguns pontos importantes para que possamos chegar a essa fase. Como, por exemplo, definir qual será a sua meta e se realmente ela é atingível; se for, qual será o seu plano para alcançá-la? Se precisar ser alterado, diante de situações inesperadas, não há problema, mude a ação, mas não a meta. E o mais importante é analisar: qual é a sua motivação para isso? Que diferença ela fará em sua vida? Por que ela é importante para você? E, lembre-se, a mudança que acontece no interior é a mais importante, porque tudo que está ao redor acaba mudando também”.

É preciso ser concreto

Ora, será que a motivação para alcançarmos novas metas ou estabelecer projetos é “boa”, ou seja, provém de bons sentimentos? Será que a busca por essas novas metas, ou a própria meta em si, será algo que irá nos edificar? Nesse ponto, é interessante analisarmos o fundo das nossas motivações. É bem verdade que algumas pessoas querem ganhar mais e mais dinheiro apenas para esnobar, outras desejam uma promoção para ter “poder” sobre os seus subordinados. Esses são típicos exemplos de metas sem boas motivações e que, obviamente, não vale a energia e o investimento para alcançá-las.

Nesse período inicial de definição de metas e projetos, pergunta-se: O que essa meta ou esse projeto irá me proporcionar? Vale o exercício de mentalizar a meta, ou seja, imagina-se no momento em que você alcançou a meta e pergunta-se, qual o meu sentimento? É bom ou é ruim?

Lembre-se que o nosso cérebro não reconhece metas abstratas, como por exemplo “eu quero ser feliz” ou ainda, “eu quero viver em harmonia”. No processo de elaboração da meta, é preciso que ela seja o mais concreta possível, como por exemplo: “Eu quero passar no concurso para trabalhar no ‘Banco X’ este ano”.

Ser sempre positivo, apontando ao alto

Uma vez conhecida a real motivação, é necessário ter organização. Toda meta deve ser anotada e todo projeto deve ser elaborado! Com a tecnologia que nos cerca, isso tornou-se fácil… Certamente no seu celular há um aplicativo chamado “notas”, utiliza-o! Ou ainda escreva em um papel e guarde na carteira ou na bolsa, de modo que seja fácil visualizar em qualquer lugar e em qualquer horário. Mas, por que escrever a meta? A ciência explica… O ato de escrever faz com que utilizemos outras áreas do cérebro, ajudando, inclusive, a memorizar aquilo que queremos alcançar. Além disso, visualizar a meta escrita funciona como um recado para o inconsciente, que irá trabalhar para nos dar as condições necessárias para alcançar aquilo que desejamos. A mente é confusa e, às vezes, ao cair na rotina, esquecemos aquilo que temos como meta, aí entra o papel ou o “notas” do celular para nos lembrar.

Como nosso Pai e Fundador sempre ensinou, é interessante escrever a meta como algo positivo, e jamais como negativo. Por exemplo, em vez de escrever “eu não vou comer doces” ou “eu não quero ter preguiça”, é melhor escrever “eu vou me alimentar de maneira saudável” ou “eu serei mais proativo”. O sentimento de alegria quando nos imaginamos cumprindo ou alcançando a meta é proporcionado quando escrevemos de maneira positiva, e é exatamente esse sentimento que irá ajudá-lo e motivá-lo na caminhada até o sucesso.

É interessante também escrever a meta no presente, me refiro ao tempo verbal, vejamos: se sua meta é estudar, em vez de escrever “eu vou estudar mais” experimente escrever “eu sou estudioso”. Escrever no presente cria um fenômeno conhecido como Dissonância Cognitiva. Esse fenômeno, explica o Coach e autor do livro o Poder das Metas, Fernando Rui, “é contradição criada por você ao afirmar algo que você não é. Isso faz seu cérebro tentar resolver essa diferença. Isso força o mesmo a buscar sua meta com você”.

Uma vez escrita, é necessário identificar quais os recursos que você possui para alcançar a sua meta ou realizar o seu projeto. Quer fazer mais exercícios? Talvez precise de um tênis novo. A meta é fazer um curso? Possivelmente será necessário um investimento financeiro. As vezes será necessário cumprir uma meta para depois cumprir outra, o que é absolutamente natural.

Avalie-se!

Crie alternativas! Conforme explica a Master Trainer e especialista em programação neuro linguística, Carmen Zara, “você precisa ser flexível para alcançar o que quer. Uma opção é limitada, duas cria um dilema e três permite a escolha. Responda: como você vai lidar com as dificuldades e os desafios?”

Avalie-se ao menos semanalmente! Lembre-se de avaliar a sua meta, ou melhor, a sua caminhada até a meta, ao menos semanalmente. Se você está buscando emagrecer, pese-se! Está estudando para um concurso, faça provas. O sistema de avaliação semanal é importante para entendermos em que fase estamos e onde precisamos mais investir para alcançar o que almejamos.

Faça uma avaliação final! Alcançou a sua meta? Realizou aquele projeto? Parabéns, mas não se esqueça de fazer uma avaliação final. Veja o que mudou em sua vida e na vida das pessoas que você gosta. O que você aprendeu e em que você cresceu? Antes de buscar outra meta, experimente o prazer de ter alcançado essa última. Curta o momento, do contrário, nunca sentirá a sensação de alegria e satisfação. Isso certamente irá lhe ajudar a se motivar para alcançar novos objetivos.

Schoenstatt pode te ajudar

O Pe. Kentenich buscou criar uma pedagogia própria, basicamente tarefas práticas que nos ajudassem no processo de autoeducação e na busca pela santidade na vida diária.

Um desses instrumentos é o Horário Espiritual. Trata-se de uma planilha mensal na qual se marca diariamente se aquele determinado propósito foi alcançado ou não! Esses propósitos, ao longo dos meses, podem resultar no alcance das suas metas.

Para fazermos nosso horário espiritual, precisamos nos conhecer e identificar o que precisamos mudar. Na linguagem schoenstattiana, falamos sobre a autoeducação e é exatamente isso, olhar para o nosso interior.

O Horário Espiritual lhe convida a agir diariamente e, ao final do dia, no momento de marcá-lo, acabamos por nos autoavaliar e descobrir o porque de conseguirmos ou não alcançar aquele determinando propósito diário. É um instrumento poderoso para aqueles que possuem metas ambiciosas, especialmente voltadas para uma vida mais próxima a Deus, ou seja, se buscamos uma santidade diária e um contato permanente com Deus e com Maria. Mas, é claro, pode ser utilizado para propósitos mais práticos, como, por exemplo, acordar no horário marcado; não se atrasar para o trabalho, ser mais organizado, etc., mas sempre levando em consideração esses quatro pontos de vinculação: a Deus, comigo mesmo, ao próximo e ao trabalho!

Há, ainda, o propósito particular, que é um ponto específico do seu horário espiritual no qual você deseja trabalhar por um determinado período de tempo, mas sempre marcando e avaliando diariamente.

Para saber mais sobre o horário espiritual, leia no artigo

Não se esqueça, o ano já começou e não podemos perder tempo se desejamos chegar ao final dele com as nossas metas e projetos cumpridos. Portanto, é hora de agir. Boa sorte!

 

Por Fernando Gabriel de Carvalho e Silva
Com a colaboração de Camila Carlos Moreira

Fonte: schoenstatt.org.br

Levanta-te, toma o Menino e sua Mãe!

 

Levanta-te! Na Sagrada Escritura é muito comum encontrar essa expressão: Levanta-te! Assim como São José, outras figuras bíblicas também receberam essa incumbência. Jesus usou muitas vezes essa expressão quando realizou milagres de cura, durante sua vida pública. Essa expressão soa como uma ordem. E somente quem tem autoridade pode usá-la.

Levanta-te! Essa palavra exige ação! Quando recebemos o convite para fazer parte de algum grupo de Schoenstatt, independentemente de como foi esse convite, era Deus batendo à porta do nosso coração, dizendo-nos: “Levanta-te, toma o Menino e sua Mãe”.

Deus exige de nós ação. Levante-te! Ele exige que sejamos os primeiros a amar em nosso lar, a respeitar, a perdoar, que deixemos para trás a preguiça, o desânimo, as dificuldades, o egoísmo. Levanta-te! Não fiquei aí parado, achando que a transformação do mundo em Cristo, por uma cultura da Aliança, acontecerá com a chegada de um raio que vem do céu!

Pe. José Kentenich nos convida a refletir sobre essa passagem bíblica que acabamos de ouvir:

Reflitamos por uns momentos como, em sonho, foi confiada a missão a São José. O que lhe disse o Anjo em sonho? “José, levanta-te, toma o Menino e sua Mãe!” Ele não disse apenas: “Toma o Menino!”, mas: “Toma o Menino e sua Mãe!” (Mt 2, 13.20).
Como São José, também nós ouvimos hoje as palavras: Levanta-te! Não te deites nem descanses, ou: não lhe desejo uma vida de conforto ou de comodidade ou de passar bem neste mundo… Não, o Anjo disse: Levanta-te toma o Menino e sua Mãe! Recebe-a primeiramente, recebe-a em teu próprio coração; depois prepara-lhe um lugar agradável em tua própria família e a seguir nos corações dos outros!” [1]

A cultura cristã, a cultura da aliança, precisa penetrar em nosso coração. Não é possível ‘mudar o destino dos povos’ se eu não mudar o destino da minha vida. A reflexão feita pelo Pe. José Kentenich aponta-nos caminhos concretos para a formação da cultura da aliança em primeiro lugar em nós.

São José recebeu a missão de levar Jesus – o Menino e sua Mãe – Maria Santíssima. E nós recebemos a mesma missão de São José. Em nossa vida diária de cristãos, devemos mostrar que para nós não existe fé sem Cristo e Maria. Ambos devem dominar totalmente a nossa vida diária.

Toma o Menino e sua Mãe! “Portanto, leva-os para fora, leva-os para os povos” [2] A que povos? Leve-os ao encontro de todos os que te cercam, ao encontro das famílias. Maria não entra sozinha nas casas, ela leva nos braços o Salvador, pois sua missão é fazer com que Cristo nasça novamente no coração de cada um.

Viver em Aliança não significa apenas uma mudança pessoal em nosso comportamento, visando a autoeducação. Viver em Aliança também significa empenhar nossas forças no apostolado, pois assim nos tornamos portadores de Cristo para o nosso tempo.

 

 

* Reflexão retirada da Oficina para Missionários da Campanha da Mãe Peregrina de Schoenstatt, Módulo IV, editado pelo Secretariado de Atibaia/SP. Texto editado e adaptado.

 

[1] Pe. José Kentenich. Conferência para Casais em Milwaukee/EUA. 16 de novembro de 1958. Disponível no livro: Com Maria ao novo Milênio

[2] O Fundador nos Fala, vol 1. Pág 18

 

Fonte: schoenstatt.org.br

Festa da Sagrada Família: Jesus, Maria e José

 

Pe. Francisco José Lemes Gonçalves – Vivenciamos com alegria o Nascimento do Divino Salvador e ainda estamos dentro destas alegrias! Deus veio visitar seu povo, é o Emanuel, o Deus que está conosco. Revestido de nossa fragilidade humana, feito criança, aí se esconde o grande amor de Deus que se revela na gruta de Belém. Somente com os olhos da fé olhamos o Menino de Belém e nele vemos Deus tão próximo de nós que, como diz a canção: “até o posso tocar… Jesus está aqui”!

A Festa da Sagrada Família nos mostra que o próprio Deus quis ter uma família, valorizando assim o matrimônio, as relações saudáveis de homem e mulher, na educação esmerada no amor e no temor a Deus. A Sagrada Família também atravessou dificuldades: recenciamento, procura de abrigo para que Maria pudesse dar à luz, frio (pois era inverno em Belém), exílio – pois Herodes procurava o menino para matá-lo, instalação e acomodação quando estiveram no Egito, o regresso depois que tudo estava ajeitado, a aflição daqueles três dias em que o Menino Jesus ficara no Templo… Diante de todas essas dificuldades, a casa de Nazaré não ruiu, pois estava construída sobre a rocha inabalável da confiança em Deus que realiza suas promessas. Jesus era o centro desta família!

A família como vai?! Era um dos temas de Campanha da Fraternidade. Em nossos dias a família não anda bem. Todos passam por dificuldades e em diversos níveis da vida. Muitas famílias estão se dividindo; nela uns estão se afastando dos outros… por quê? Olhando os núcleos familiares, constata-se a ausência de Deus e o exagerado apego aos bens materiais e à espera de soluções mágicas e rápidas. Quando Deus não é a rocha sobre a qual se constrói a família, não se tem força necessária para superar os “ventos e tempestades” e o final é trágico, a ruína da casa! Quando se tem Deus como alicerce, supera-se as dificuldades e, nessas horas, se unem mais ainda, pois unido se tem força!

Olhar para a Sagrada Família com um olhar de esperança e superação das dificuldades, sempre recordando que no centro dela esta Jesus, o Deus conosco! Dificuldades todos terão, a diferença é que, quando se tem Deus, elas são motivação para o crescimento e amadurecimento da família.

Estamos no ano Jubilar dos 70 anos da Campanha da Mãe Peregrina de Schoenstatt. Senhor João Luiz Pozzobon (iniciador da Campanha da Mãe Peregrina) tinha como motivação: salvar a família custe o que custar, rezando o Santo Terço. E a Campanha ganhou o mundo e muitas famílias foram restauradas e fortalecidas à chegada da imagem de graças da Mãe Peregrina! Roguemos que nesta Festa da Sagrada Família as famílias sejam restauradas e fortalecidas para viverem mais um ano da graça de Deus que desponta no horizonte.

Fonte: schoenstatt.org.br

Mensagem do Diretor Nacional do Movimento

 

Querida Família de Schoenstatt, queridos filhos da Mãe e Rainha,

Alegremo-nos porque estamos na festa de Natal. Alegremo-nos porque estamos na festa do Senhor. Alegremo-nos porque Ele se faz presente entre nós.

Natal é o tempo de olhar para a grandiosidade de Deus que se tornou pequeno entre os homens. Nos ensina a parar, neste tempo de final de ano, e convida-nos deixar de olhar para as grandes coisas, a sonhar com o impossível e se concentrar no pequeno.

Que bonito olhar o presépio, onde ali tudo é pequeno. O menino Jesus, o mais pequeno entre todos. Mas também, pequeno ali está: Maria, José, os anjos, os pastores, a vaca, o burro, o galo, as ovelhas, etc. Todos estes personagens olhando numa única direção: O Menino Jesus. Ele é o centro do acontecimento. Todos tocados pela cenário tão terno e acolhedor. Assim é a expressão que Deus quis se manifestar entre nós. O menor, o pequeno, o indefeso. Aquele que deixou-se ajudar pelos homens para salvá-los.

Este é o tempo de olharmos para o presépio e nos colocarmos ali, pequenos nas mãos de Deus.

Qual o pequeno personagem do presépio que gostaríamos de ser, para estar olhando para o personagem principal, o Menino Jesus?

João Luiz Pozzobon, escolheu um personagem do presépio. Escolheu ser o burrinho!
Ele se denominava o burrinho de Maria. Queria levar a Mãe de Deus nos ombros onde Ela achasse melhor. Ela sempre carregando o seu filho, necessitava também de ajuda! João era seu instrumento para locomoção.

Que este Natal seja um tempo para olharmos humildemente para o nosso interior, desprotegido de todas as defesas e buscar o encontro com Deus que se fez pequeno entre nós! Que Suas Graças possam encontrar corações abertos, preparados e generosos!

Desde o Santuário de Schoenstatt, recebam as Bênçãos do Menino Jesus!
Feliz e abençoado Natal!

 

Pe. Vandemir J. Meister
Diretor da Central Nacional de Assessores do Movimento Apostólico de Schoenstatt

 

Foto – Pilgerzentrale Schoenstatt

Fonte: schoenstatt.org.br

9º Dia da Novena de Natal: Cristo deve nascer novamente!

 

“Nossa Senhora quer criar um mundo totalmente novo, um mundo novo a partir do Santuário, Cristo deve nascer novamente!” (Pe. José Kentenich)

Chegamos ao Natal no ano dedicado a João Luiz Pozzobon. Às vésperas do nascimento de Jesus, desejamos que o Menino Deus transforme e renove todas as coisas. Ele precisa nascer e habitar nos corações para que surja um mundo novo.

Pensando sobre este novo nascimento de Cristo, o Pe. José Kentenich nos indica um caminho eficaz: a Mãe de Deus. O Pai e Fundador nos convida e ver “Nossa Senhora não só como caminho para a intimidade com o Pai, mas também como caminho para o nascimento de Cristo para o nosso tempo, para os novos tempos”.

João Pozzobon compreendeu isso e, por esse motivo, levou Maria a todas as pessoas. Sabemos que com a Mãe está o filho. É Jesus que chega de casa em casa, todos os meses, fazendo a vida de cada família ser um novo Natal.

“A fé firme deve mostrar-nos que não temos nada mais a fazer do que, em toda a parte, levar Nossa Senhora para o campo de batalha e dar-lhe a oportunidade de novamente dar à luz Cristo” (Pe. José Kentenich).

Neste Natal, junto com a Mãe e com São José, nos colocamos diante do milagre, o mistério quase inconcebível de um Deus imenso que se põe em humildes faixas: “Podemos compreender muito bem como um acontecimento tão singular já de início levou os homens à inquietação, uma inquietação que ainda hoje perdura e que durará até ao fim dos tempos”, diz o Pe. Kentenich.

O lado bonito dessa inquietação está nos detalhes: “Uma santa inquietação que se torna sempre mais viva como o desejo, o desejo sempre crescente de uma vinculação ao Deus em faixas. Encontramos esta inquietação santa também no estábulo de Belém: parte no coração da Mãe de Deus, parte no coração de São José. Encontramos esta inquietação nos pastores: o desejo de Deus, do Deus em faixas, leva-os de seu lugar de trabalho para o estábulo. Desejo, desejo santo, santa inquietação, leva também os três Reis Magos do Oriente para o presépio”.

Caros ouvintes, perguntemos agora: que inquietação é essa que se torna viva em nosso coração quando vemos diante de nós o Deus em faixas?

 

Reflexões retiradas do livro:

Cristo minha vida
Pe. José Kentenich, em:
Conferência para os Padres de Schoenstatt
31 de maio de 1963

 

Foto: Marcia Kazumi

 

Fonte: schoenstatt.org.br

8º Dia da Novena de Natal: Três caminhos para a filialidade

Na reflexão de ontem vimos que, para viver a filialidade e ser um sinal de Deus no mundo, é preciso colocar-se na presença de Deus. Mas, como podemos fazer isso? O Pe. José Kentenich diz que poderemos alcançar essa meta somente com o auxílio de graças extraordinárias, mas que, também, podemos nos preparar um pouco mais. Para isso, ele dá três respostas:

1º) Aproveitar os exercícios ordinários de oração, como escola de amor. Depende do bom Deus se aprendemos a amar. E se amamos, somos capazes de vencer a situação do tempo. Certamente todos nós também queremos saber muito; mas, saber muito, para amar.
Que exercícios posso incluir no meu Horário Espiritual? Precisamos fazer exigências a nós mesmos! Não devemos somente incluir as orações comuns, de costume. Isto não basta. É preciso ir tão longe quanto possível. Porém, de maneira razoável, sensata! O mundo de hoje se afasta do bom Deus. Por isso é bom incluir no Horário Espiritual um breve tempo diário para cultivar a oração interior.

2º) Em segundo lugar, devemos fixar tempos exclusivos para o bom Deus. Que tempos poderíamos reservar para isto? Em casa não vivemos sozinhos, por isso precisamos ser engenhosos para conseguirmos nos retirar diariamente ao menos por cinco ou dez minutos para o cultivo da oração interior, para estar exclusivamente com o bom Deus. Senão, fazemos grandes palestras, entusiasmamo-nos por grandes ideias, mas o coração está muito pouco compenetrado do bom Deus. Fixar um tempo de oração aos domingos ou durante a semana! Quanto tempo o mundo, hoje, exige para si! O homem moderno está em contínua agitação, está sempre a caminho. É preciso que haja uma reação contrária. Precisamos, pois, educar-nos para, com mais ardor, elevá-lo ao trono de nosso coração. Devemos dedicar tempo a Deus! Nós dois nos pertencemos mutuamente. Eu te pertenço e Tu podes fazer comigo o que quiseres.

3º) Estar, no correr do dia, em santa solidão com o bom Deus. O tempo atual assemelha-se a uma fábrica. Ali a fumaça é tanta que compenetra a roupa das pessoas. O mesmo acontece com a poluição que há no mundo. Ela penetra na alma. E minha missão de vida é ser um sinal, uma indicação a Deus! Se não nos esforçarmos para estar muitas vezes, também no correr do dia, em santa solidão com o bom Deus, podemos ouvir quantos sermões quisermos, mas eles não nos atingirão em profundidade. Vejamos uma imagem: com chuva, andamos de bicicleta, sem guarda-chuva, mas com capa de chuva. Ao retirarmos a capa, percebemos que nossa roupa permaneceu enxuta; a chuva não a atingiu. O mesmo acontece hoje em dia, com os sermões. Isto porque à palavra deve seguir a ação.

 

Reflexões retiradas do manuscrito:

O Objetivo de Vida do Autêntico Cristão, Pe. José Kentenich. Conferência à Família de Schoenstatt de Aschaffenburg/Alemanha

 

Fonte: schoenstatt.org.br

Foto: br,freepik.com

7º dia da Novena de Natal: ser uma indicação para Deus

 

“Por meu ser, devo tornar-me uma indicação original a Deus. Quem me vê, deve ver Deus em mim”, nos diz o Pe. José Kentenich.

Em cada pessoa, Deus deseja passear pelo mundo: “Também eu devo ser, de maneira concreta, uma indicação a Deus, um ‘sursum corda’ (corações ao alto) aonde estiver: na loja, na escola ou em casa. Quem me vê, deve sentir-se enlevado: ‘Corações ao alto!’ Ninguém deverá, por mim, ser arrastado para baixo. Pelo contrário, todos devem ser conduzidos a Deus. Pode ser que no meu ambiente haja tanta maldade, cobiça; pode ser que encontre olhos flamejantes… Mas nada disso importa. O meu testemunho de vida é como um sermão – mas diferente daquilo que nós, sacerdotes, fazemos só com a boca. O homem de hoje gostaria de encontrar homens autênticos, dignos de fé. Tais pessoas podem pregar muito melhor”.

E, agora, uma pergunta bem concreta: o que posso fazer para viver dessa forma?

“Devo procurar viver constantemente na presença de Deus. […] Se vivo junto de Deus, todo o meu ser resplandece no seu brilho. Que devo, então, fazer para alcançar isto? Porque o mundo destrona o bom Deus, devo procurar com todo o ardor, elevá-lo ao trono do meu coração. Justamente o esforço que se faz para destituí-lo dos corações é que me impulsiona a isto, até que Ele me possua inteiramente”.

 

Reflexões retiradas do manuscrito:

O Objetivo de Vida do Autêntico Cristão, Pe. José Kentenich. Conferência à Família de Schoenstatt de Aschaffenburg/Alemanha

Fonte: schoenstatt.org.br

4º Domingo do Advento: “Não tenhas medo…”

 

Pe. Francisco José Lemes Gonçalves – A coroa do Advento está toda iluminada, o Sol Nascente virá nos visitar em breve: é Jesus, o fruto bendito do ventre de Maria e Filho do eterno Pai, que em José encontrou o amor paterno e a segurança de seu nome e a linhagem da casa de Davi. Deus age maravilhosamente na história humana e em corações como os de Maria e de José, que se apresentam disponíveis aos seus desígnios de amor!

Nos evangelhos desses últimos dias, inclusive o de hoje, tem uma frase muito interessante: nos anúncios do Anjo a Zacarias no Templo, à Maria em sua casa e também nos sonhos de José, o Anjo diz: “Não tenhas medo”.

É bem humano o medo diante daquilo que não conhecemos ou ainda não experimentamos, ainda mais diante de algo que vem da parte de Deus. Zacarias deixou o medo se transformar em dúvida sobre o nascimento de João, por isso, ficou mudo até o dia em que o menino João nasceu. Maria e José preferiram dar um salto no escuro da fé, se arriscaram, deixaram-se surpreender por Deus… e a promessa se tornou realidade. O que o Anjo dissera – “(…) para Deus nada é impossível” – também recorda que Deus cumpre suas promessas!

José também faz parte deste plano de salvação de Deus para a humanidade. Ele dará o nome a Jesus, como todo bom pai judeu. Da descendência de Davi, ele dará a Jesus o perfeito cumprimento da profecia, pois as escrituras diziam que o Messias nasceria da família de Davi. Deus valoriza a família, por isso, quis José como pai de seu Divino Filho. Deus conosco, Emanuel… como Deus ama o ser humano e faz parte da sua história!

Quais as lições de Maria e José para esta quarta semana de Advento, dentro dela já o Nascimento do Salvador? Primeiro: como Maria e José devemos nos deixar surpreender por Deus. Que o medo seja o impulso e não o empecilho. Segundo: estejamos sempre vigilantes para que quando o Senhor chegar, como Maria e José estejamos prontos. Terceiro: como Maria e José sempre tenhamos fé e confiança nas promessas de Deus. Elas sempre se cumprem, mas no tempo certo de Deus e não no nosso tempo caprichoso e manhoso. Maria e José são exemplos para nós desta fé e confiança!

Tenhamos os olhos da alma límpidos para ver o Deus Menino na simplicidade da manjedoura entre as palhas. É na simplicidade que Deus se revela e nos corações puros, como de Maria e José – por isso viram a Deus na fragilidade de uma criança!

Meditemos com o nosso Pai e Fundador, Pe. José Kentenich, esta alocução de 1963:

“A história da salvação começou com o “sim” de Maria. Se o mundo hoje quer novamente encontrar Cristo, a Mãe de Deus deve novamente dar à luz Cristo… por isso, devemos levar Maria para o mundo e dar-lhe a oportunidade de novamente dar à luz Cristo”.

 

Foto: Armin Weigel dpa/lby

 

Fonte: schoenstatt.org.br

6º Dia da Novena de Natal: O heroísmo da filialidade

 

Pe. José Kentenich nos fala sobre a virtude da confiança: “Minha maior preocupação deve ser: em cada instante, estar infinitamente despreocupado. Nós nos arranjamos tantos cuidados desnecessários, porque somos muito pouco filiais, muito pouco crianças. Pensamos que nós mesmos devemos conduzir nossa vida. Certo, precisamos cuidar, porém, na medida do necessário”.

Quando devo tomar decisões difíceis, talvez em relação ao meu futuro, em relação às pessoa que amo, que hei de fazer? Segundo o Fundador, meu maior cuidado deverá ser: estar, em cada instante, infinitamente despreocupado, pois os Pai já está cuidando de tudo para mim.

É importante observar que o Pe. Kentenich não está falando em ser um filho acomodado ou conformista, mas um filho que confia totalmente no cuidado paternal: “Filialidade não significa necessidade de encostar-se, porém, autonomia. […] filialidade, na idade madura, é dedicação de si mesmo”.

Se conseguir o heroísmo de vincular-me à vontade do Pai e crer que Ele assume o cuidado de minha vida, posso então esperar que receberei o necessário. “Mais importante do que a segurança econômica é o ‘sim’ dado interiormente a tudo o que o Pai exige de mim”.

Para refletir:

Qual graça especial eu necessito hoje? Colocar essa intenção diante do Pai com confiança

 

Reflexões retiradas do manuscrito:

O Objetivo de Vida do Autêntico Cristão, Pe. José Kentenich. Conferência à Família de Schoenstatt de Aschaffenburg/Alemanha

Fonte: schoenstatt.org.br