Santuário: Escola de misericórdia

 

“O amor misericordioso há de ser uma disposição permanente de nossa alma, sempre pronta a perdoar” (Pe. José Kentenich – Santidade de Todos os Dias).

Vejamos algumas situações distintas:

1) Num período de grande fome, uma pessoa tem apenas um pão e nada mais para comer durante o dia. Mesmo assim ela divide esse pão.

2) Alguém que está ao seu lado deixa cair algo no chão, rapidamente você se abaixa e pega – e isso se repete muitas vezes no período de trabalho.

3) Alguém fala coisas negativas sobre você, prejudica suas ações, mas, você perdoa, trata como se nada tivesse acontecido, protege esse pessoa e faz de tudo para que ela seja bem considerada.

4) Chega a notícia de que um conhecido perdeu algum familiar: é tempo de ligar ou escrever uma mensagem solidária a ele.

Essas são situações simples, habituais, que demonstram a misericórdia partilhada na vida do dia a dia. Cada um desses exemplos é retirado das biografias do Pe. José Kentenich, dentre tantos outros que poderiam ser mencionados. Como Fundador, e principalmente como Pai, ele educa os filhos para a misericórdia na vida diária.

Misericordiosos como o Pai

Na ‘escola da Mãe de Deus’, em Schoenstatt, muitos se deixam educar como instrumentos de misericórdia….

José Engling, nas férias do seminário, permaneceu em seu povoado de Prossitten, junto com o pároco, após a evacuação da cidade, no início da guerra. Quando o grupo de soldados chegou, sedento e esfomeado, ele correu o tempo todo, fornecendo água e o pouco de alimentos que pôde conseguir – até as últimas maçãs, encontradas em casa, repartiu com eles.

João Pozzobon realizou muitos gestos, dos quais se pode evidenciar a Vila Nobre da Caridade. Era um conjunto de casas simples, que ele mesmo construiu como moradia gratuita para os pobres, “para – segundo explica – educar, saber valorizar-se como pobre, formar cidadãos e, também, para que todos tenham conhecimento da religião”.

Ir. M. Emílie Engel assumiu, em certo período, a tarefa como superiora de uma filial dedicada a um lar de assistência a jovens abandonadas. Sua natureza maternal foi essencial para ajudar essas jovens: “Só se precisa de muita paciência, amor, tempo e um bom raciocínio”, dizia ela.

Esses exemplos são atos grandiosos, heroicos. Mas, diante deles, é preciso ter claro que só foram possíveis graças à persistência de viver a misericórdia nas pequenas coisas.

Ser um ‘milagre de misericórdia’

Pe. Kentenich vivia e irradiava a misericórdia em sua personalidade, de forma prática, por isso podia inspirar os filhos espirituais.

Como educador, ele cita um exemplo concreto para se viver e sentir a misericórdia na profissão e na vida diária: “Uma enfermeira trabalha incansavelmente durante o dia e frequentes vezes também à noite, para socorrer os doentes e moribundos. Ora faz um curativo, ora alivia uma dor, em toda a parte consola, estimula e acalma. Por seu trabalho, ela dá uma belíssima ideia da própria bondade de Deus. A misericórdia divina, diríamos, quer ser revelada ao mundo, do modo mais perfeito possível, por meio desta enfermeira”. Esse raciocínio vale para qualquer outra função ou trabalho realizado durante o dia.

Ao viver a misericórdia divina e se apoiando nela, surge a missão de também ser misericordioso com os que estão próximos. Os grandes gestos de misericórdia que o Pai e Fundador e os heróis de Schoenstatt foram capazes de realizar se sustentam nos pequenos atos: um sorriso, uma palavra de ajuda, compreensão, sacrifícios e entregas silenciosas ao Capital de Graças… Como escreve o Cardeal Van Thuan: “Para fazer uma linha reta é necessário fazer milhões de pontos e se fizermos bem cada ponto, teremos uma bela reta. Nossa vida está formada por milhões de minutos; se vivermos bem cada minuto teremos uma vida santa. Não se pode ser santo por intervalos, não se pode viver respirando por intervalos, porque tem que se respirar sempre”.

Fonte: schoenstatt.org.br

O coração de Maria é o melhor refúgio

 

Como Igreja da América Latina, no próximo dia 12, iremos consagrar nosso país à Mãe de Deus. Alguns, infelizmente, criticam esse gesto de fé. Mas, como schoenstattianos, queremos unir-nos a essa consagração, pois nossa história é repleta de experiências do quanto ela ama e cuida de seus filhos.

Segue aqui uma parte da palestra do Pe. José Kentenich, para a comunidade paroquial de Ennabeuren/Alemanha, em 28 de Abril de 1945, logo após ele ter saído do Campo de Concentração e o local ter vivenciado uma grande proteção de Maria:

“Fui prisioneiro, durante quatro anos, e venho do Campo de Concentração, como se tivesse vindo das férias. Superamos inúmeros perigos. No meio de uma grande mortalidade – de janeiro a março morreram 4000 cada mês – Maria foi verdadeiramente Mãe do pão para nós. Cheios de confiança, nós também recorremos a ela, de mãos abertas.

É como se a vida nos tivesse sido dada de novo. Estamos mais abertos para Deus, temos de novo a capacidade de agradecer. Agradecemos, de todo o coração, a Deus e à Mãe de Deus. Em gratidão, entregamo-nos a Eles, inteiramente e sem reservas. Motivados por um novo amor, aproximamo-nos da Santa Comunhão e permanecemos abertos para o bem. Queremos construir – e agora temos que construir – um mundo novo, no qual a gratidão tenha um lugar de destaque.

Um mundo novo! Acreditem num mundo novo!

Eu acredito totalmente em um mundo totalmente novo. Estamos no início dele, em um novo tempo do triunfo de Cristo, nunca visto antes. O Papa Pio XI disse-nos, uma vez, numa audiência: ‘Vejo o povo do Oriente fazer uma peregrinação à Igreja e vai experimentar a entrada triunfante’. Pouco antes da sua morte, o Papa disse, aos jovens alemães, estudantes de teologia: ‘Vós vereis o triunfo de Cristo na Alemanha, a sua pátria’. Ele não disse quando seria, mas será.

O fato de termos que passar primeiro por uma noite escura é uma questão secundária. Em gratidão, pela nova vida que nos foi dada, queremos oferecer a nossa vida e colaborar na construção de um mundo novo. Queremos continuar a cooperar na preparação da vitória de Cristo e a nos prender e puxar o seu carro triunfos.

Como queremos fazer isso? Não é nossa intenção dizer grandes palavras ou discursos. Este novo mundo significa para nós que Cristo tem que reinar em mim, Ele tem de reinar na minha Família. Renovação do mundo significa renovação da minha personalidade, renovação da minha cidade, de Schoenstatt, no lugar em que me encontro.

Muitos de vós têm em suas casas a imagem da Mãe Três Vezes Admirável de Schoenstatt. Suponho que gostes da Mãe de Schoenstatt. Quem venera a Mãe Três Vezes Admirável de Schoenstatt é, assim, membro de um grande Movimento de renovação. Portanto, a tarefa e a missão de Schoenstatt é também a sua missão e tarefa.

Veneramos Maria não só como auxiliadora nas necessidades do corpo e da alma, mas, também como Mãe das Graças. Somos chamados a ser os seus colaboradores e colaboradoras.

O coração de Maria é nosso refúgio

Estamos gratos a Maria, pela proteção que nos deu em 22 de Abril de 1945 (o lugarejo onde o Pai Fundador estava hospedado foi salvo de um bombardeio). Ao agradecer-lhe, recordamos o II Documento de Fundação, de 1939, no qual se diz: ‘O coração da MTA de Schoenstatt é o refúgio antiaéreo muito mais seguro do que todos os abrigos de antiaéreo do mundo’. Esse Documento caiu nas mãos dos Nazistas e a referência ao coração de Maria, como um abrigo anti-bomba, irritou-os. ‘Veremos!’, disseram eles. E o que eles conseguiram ? Por acaso nós ficamos desiludidos com a nossa confiança? Como é que a luta terminou? A Santíssima Virgem glorificou-se a si mesma. Ela não decepcionou a nossa confiança”.

Fonte: schoenstatt.org.br

Jesus traz a vida

Pe. Francisco José Lemes Gonçalves – Neste último Domingo da Quaresma e com essa experiência de “quarentena”, a ressurreição de Lázaro é anuncio da Ressurreição do Senhor.

Na imagem de seu amigo Lázaro, Jesus antecipa a nossa realidade do encontro com a “irmã morte” (expressão de São Francisco de Assis) da qual ninguém escapará. Ela será a porta de entrada para a Vida Eterna, pela qual Jesus também teve que passar. Ele assumiu também a morte, que trouxera a desgraça e fez dela um meio para a nova vida.

A voz forte de Jesus impressiona!

Voz de quem tem poder e autoridade sobre a morte! Voz geradora da vida! Voz de quem dissera “eu vim para que todos tenham vida” (Jo 10,10). Quem ouve a sua voz sai das sombras e trevas da morte. Lázaro a ouviu e obedeceu; pois conhecia a voz de seu Pastor! Desamarram-no das mortalhas: Está livre! Este episódio me faz lembrar nosso Pai Fundador, no Campo de Concentração, ali quiseram amordaça-lo, mas como Lázaro ele vivia de espírito livre. Conhecia Aquele a quem pôs toda sua confiança!

Hoje, em meio a esta pandemia, podemos ver como estávamos sepultados e amordaçados. Vimos na Praça São Pedro, quando o Papa Francisco caminhava sozinho, rumo ao altar da grande praça, e nos convidava a dar lugar na proa de nossa vida para Jesus, pois ele acalma as tempestades. Esse evangelho do 5º Domingo vem confirmar que, acalmando a tempestade, Jesus nos devolve a vida e aqueles que são fiéis à sua voz, eles  virão em socorro para desamarrar as mortalhas.

Possivelmente, teremos uma Semana Santa bem diferente. Mas, é ocasião para vivenciar com fé os mistérios que talvez desprezávamos, nesta época de corrida desenfreada para aproveitar ao máximo o feriado prolongado. Em casa, somos convidados a fazer a experiência do povo da Antiga Aliança, nos reunir em oração. Com Cristo, faremos o êxodo da vida mecânica que vivíamos para a verdadeira vida, sempre querida por Deus aos seus filhos e filhas muito amados!

Vamos com a Rainha da Saúde

Vamos com nossa Mãe e Rainha, a quem coroamos no último dia 25 de março, como Rainha da Saúde do Mundo. Ela nos conduziu maternalmente, nestas cinco semanas quaresmais, como nossa Mestra Espiritual. Ela estará conosco como esteve com seu Divino Filho e nos acompanhará neste êxodo novo que o Senhor nos proporciona neste ano. Tenho dito aos que me pedem orações: “Para quem crê, os tempos não são difíceis, mas são tempos de graças especiais!”

Fonte: schoenstatt.org.br

O SIM de Maria se une ao SIM do Filho

Pe. Francisco José Lemes Gonçalves – Celebramos a Encarnação de Cristo, por obra do Espírito Santo, no ventre Imaculado de Maria Virgem, dentro do Mistério Quaresmal, em que Jesus se entrega ao Pai por nós na cruz. Neste Tempo Litúrgico celebrativo, nos preparamos para a Páscoa do Senhor: Qual será a relação deste Mistério da Encarnação?!

No silencio de Nazaré, a Virgem diz seu SIM.

Deus entra em nossa humanidade, assumindo-nos, inteiramente, com exceção do pecado. O “Novo Adão” começa sua obra de reconciliação com Deus, naquela que o bom Deus fez como “Nova Eva”, a Mãe dos Viventes. Aos pés da Cruz, ela dá à luz aos irmãos e irmãs de Jesus, por ele redimidos. O SIM de Maria se une ao SIM do Filho que se entregava ao Pai por nós e essa entrega foi livre!

Em Belém dava à luz ao Menino Deus feito homem sem dores. Mas, na Cruz o que não sentira no parto sentia ali em meio as dores do Filho. Maria faz esse itinerário, de Nazaré ao Calvário, que também é o caminho de cada um que abraça a fé em Jesus Cristo. Ela testemunha anuncia a Boa Nova ao mundo sedento da Palavra de Deus.

Somos amados por Deus

O mistério da Encarnação é a plenitude dos tempos, em que Deus vem e caminha com o ser humano, por ele criado a sua imagem e semelhança e desfigurado pelo pecado. Deus o quer novamente uma nova criatura. É maravilhoso: Deus aceita ser homem, uma de suas criaturas amadas, mesmo que o homem peca, nega e dá as costas para Deus. Ele vem do céu na humilde casinha da Virgem de Nazaré, qual um novo Jardim do Éden e quer reatar a Aliança quebrada.

Esta solenidade deve despertar em nós o quanto somos amados por Deus e acordar em nós a filialidade recebida no Batismo. Queremos recuperar as vestes batismais, que ao longo do tempo vai se manchando ou até é substituída por vestes mundanas. Ele, o Filho do Eterno pelo qual fomos criados, desvestiu-se de sua glória e vestiu-se de nossa humanidade.

Levamos Cristo ao mundo!

Nosso Santuário é essa Nazaré, onde nossa Mãe Três Vezes Admirável nos espera Ali, com Ela, somos convidados a também dizer nosso SIM. Junto do altar, ela nos oferece o “fruto bendito de seu ventre”. A exemplo de Maria, ouvindo o que seu Divino Filho nos fala, queremos acolhê-lo em nosso coração e levá-lo ao mundo. De seu Santuário, partiremos levando-O aos que estão na sombra da morte, para trazê-los à vida.

Fonte: schoenstatt.org.br

A pequenez atrai o olhar do Pai

Pe. Francisco José Lemes Gonçalves – Este Domingo Quaresmal é chamado de Domingo da Alegria, devido à antífona de entrada da missa: “Alegra-te, Jerusalém!” (Is 66, 10-11). Em tempos de coronavírus, tempos que estamos numa “quaresma” mais profunda nos recolhendo em nossas casas e saindo somente para o estritamente necessário, este domingo nos traz a alegria e a esperança. Somos chamados a ser luz e dela produzir frutos (2ª leitura) num mundo envolto em trevas e pânico, somos chamados a iluminar os que ao longo destes tempos se distanciaram de Deus.

Deus, na sua dinâmica, escolhe os pequenos, os que nem reparamos ou, em nossos julgamentos, achamos que não são capazes. Na escolha de David como rei, Samuel vê as aparências dos filhos de Jessé, mas todos são reprovados por Deus, já que o Senhor não vê as aparências, mas o coração. Samuel aprende a ver com os olhos de Deus. Quando David vem do pasto (estava a pastorear as ovelhas de seu pai), o óleo da unção é sobre ele derramado e o espírito de Deus apodera-se dele.

Precisamos ver as pessoas com os olhos de Deus, não nos enganar com as aparências… A lógica de Deus é bem diferente da nossa – nossa boa Mãe já nos canta isso: “olhou para a pequenez de sua serva… exalta os humildes”.

Jesus, sua luz seja minha luz

Na cura do cego de nascença em dia de sábado, Jesus se revela como luz, não só da cegueira de nascença, mas da pior cegueira: a da alma! O ato milagroso da cura é para despertar os fariseus e seus discípulos da cegueira da alma.

Por vezes nos fechamos em nossas construções intelectuais e até na construção de uma fé instrumental e mecânica. Deste modo, corremos o risco de desprezar as pessoas, não descer ao seu real sofrimento (espiritual, físico, financeiro etc.). Jesus vê, toca, faz caminhar para o encontro da cura e dá coragem para testemunhar e fortalecer a fé.

Jesus espera que neste período quaresmal sejamos por Ele iluminados, curados e fortalecidos na fé. Ele é a Luz! É o Pastor que nos conduz! Dele iluminados, seremos luz e produziremos frutos de luz que a muitos ajudarão a sair das trevas e sombras da morte.

Enquanto nosso Pai e Fundador, Pe. José Kentenich, esteve no campo de concentração – lugar de trevas e morte – foi luz iluminando os abatidos e, mesmo naquele “inferno”, a muitos fez viver o dia na esperança e certeza de que não estavam sozinhos.

Que neste tempo possamos nos voltar para nossos Santuários Lares e que sejam lugares onde a Luz do Menino, que Maria carrega, ilumine a vida de sua família e de seus arredores, restaurando a filialidade que recebemos no Batismo e que, por tantos motivos, pode estar em nós adormecida.

Foto destacada: Exe Lobaiza, em Cathopic

Deus prega o retiro. Participe dele!

Ir. M. Nilza P. da Silva – Quando chega a quaresma, muitos grupos se reúnem para retiros, a fim de preparar melhor o coração para vivenciar com Jesus a renovação do mistério de sua paixão, morte e ressurreição. Alguns pregadores são famosos e rapidamente se encerra a inscrição, pois todos querem ouvi-los. Imagine você se o pregador fosse o próprio Deus e se não houvesse limites de inscrições! É isso que acontece está acontecendo com a pandemia do coronavírus.

Desde o dia 31 de dezembro de 2019, quando, pela primeira vez, as autoridades chinesas alertaram a Organização Mundial da Saúde (OMS) sobre o surgimento do coronavírus, Deus está pregando um retiro para a humanidade. O número de participantes cresce cada dia mais, nunca estivemos tão iguais, como humanidade, todos sob a mesma ameaça e vivenciando a mesma pequenez. Só Deus é grande.

Como você está participando desse retiro?

Há alguns que vão para os retiros só para ouvir novidades, sentem-se muito importantes porque sabem algo que outros não sabem e fica só nisso, porque a mensagem não lhes atinge o coração. Há aqueles que estão ali só de corpo presente: não seguem as instruções, não se recolhem em silêncio, não param para refletir e rezar. Eles tão de forma errada no lugar certo. Tem muitas formas de se participar de um retiro, algumas delas atrapalham os participantes e não acrescenta nada na vida. Quem é você nesse retiro pregado por Deus? Como você quer participar desse retiro pregado por Deus?

Nesse retiro de quaresma, que dura bem mais do que 40 dias, o bom Deus nos dá muitas mensagens. Vamos silenciar o coração para ouvir e deixar que essa mensagem se decante em nossas reflexões e desçam a profundidade do coração, para se tornar ações em nossa vida. Então, a celebração da Páscoa, da vida nova em toda a humanidade, será um fato que os historiadores narração como um novo recomeço para a história da redenção mundial.

Damos início a algumas reflexões, que você pode continuar a aprofundar na oração e depois compartilhar nas conversas, porque afinal, quem ainda não se cansou de tantas informações pessimistas? Pensemos por exemplo:

Nunca a humanidade esteve tão igual

É verdade que há diferenças de recursos, mas, quem está 100% livre de ser infectado? Quem sabe como seu organismo vai reagir ao Covid-19? Não há diferenças de raça, idade, posição social, religião, cultura. Como humanidade todos estamos na mesma situação de perigo, de vivência do quanto somos frágeis e limitados. Nesse retiro estão em patamar de igualdade as diferentes correntes ideológicas, os países considerados mais desenvolvidos cientifica e economicamente estão sob a mesma ameaça que os considerados subdesenvolvidos, a qualidade de acesso a internet e o grau das pesquisas digitais se inclinam e todos querem se proteger, os exércitos mundiais mais poderosos são atacados por um vírus que não se transmite por mísseis e nem por voos não guiados, mas, de pessoa a pessoa. Só Deus é grande e precisamos nos inclinar diante dele! 

Palavras do Pe. Kentenich: “Deus é o Deus da vida. Onde Ele permite que algo se rompa e se despedace, onde permite que algo pereça e morra, é porque aí quer criar nova vida. Assim, a semente deve antes morrer para produzir muitos frutos. Apliquemos este critério à época atual: constatemos os terríveis escombros, as tremendas devastações com que nos defrontamos, a toda hora, na ordem física, moral e espiritual. Suspendamos a respiração. “Transitus Domini est”. 0 que Ele quer formar novamente das catástrofes e ruínas deve ser um mundo maravilhoso, deve ser uma ordem admirável” (1949)¹.

Pelo contato pessoal se atinge o mundo

Qual estrategista de marketing aconselharia a atingir o mundo sem o uso das redes sociais? Nenhum deles. No entanto, Deus nos mostra que o que se transmite de modo pessoal alcança o mundo inteiro, de modo muito rápido. Portanto, fortalecer os vínculos pessoais é colaborar para que o amor abrace o mundo. Pe. Kentenich explica: “Necessitamos empenhar-nos a fim de nos vincularmos pelos laços do amor, pessoa com pessoa, membro para com membro. A Aliança de Amor com a Mãe de Deus tem de se tornar, sempre mais, em nossas fileiras, Aliança de Amor com o Deus Trino, Aliança de Amor entre nós, Aliança de Amor com todos os homens do mundo.”²

Fique em casa e cuide de sua família

Essa mensagem tem se sido um apelo de Deus e da sociedade, durante o nosso retiro: A saúde do mundo depende de sua célula principal: a família. Que lindo se essa mensagem continuar viva também após a pandemia ter sido vencida, pois, “Se quisermos contribuir pra a edificação do Estado, devemos cuidar, antes de tudo, que a célula fundamental seja sadia. Se quisermos educar cidadão sadios e vitoriosos para o Estado, devemos cuidar que essas virtudes sejam cultivadas e garantidas no pequeno círculo da família”4, ensina o Pe. Kentenich.

A família é Igreja viva

Se fecham as portas de nossos templos, mas a Igreja permanece aberta e viva, porque seus membros vivem e cada família é um Santuário. Deus repete o que escreveu Pe. Kentenich para as famílias, que devemos cultivar “ilhas santas de famílias schoenstattianas, que se vão unindo cada vez mais umas às outras até formar uma obra de famílias comum… nos unimos e imploramos com grande fervor um novo e eficiente milagre de transformação.” 5

Uma rede de Santuário

Do Santuário, a Mãe de Deus abraça o mundo enfermo. Se não podemos nos dirigir fisicamente a um Santuário, por meio de uma rede, o Santuário está dentro de nossa casa, a Mãe de Deus está bem junto de sua família. No Santuário Lar fazemos uma peregrinação espiritual e recebemos todas as graças que Deus distribui pelas mãos da Mãe. Por isso, Pe. Kentenich indica: “Levem a imagem de Maria e deem-lhe um lugar de honra nos vossos lares. Assim eles se converterão em pequenos santuários nos quais a imagem de graças mostrará o poder das suas graças, criando uma santa terra familiar e formando santos membros na família.”6  Quanto valem hoje o que Deus nos diz, pelas palavras do Pe. Kentenich: “À sombra do Santuário, serão decididos, por séculos, os destinos da Igreja e do mundo”.

A restauração do equilíbrio do mundo está nas suas mãos

Essa mensagem de Deus em nosso retiro mundial é muito clara: só é possível transformar o mundo e torná-lo saudável se cada um cuidar de si mesmo. Isso não dispensa o cuidado pelos demais, mas, é faz parte do amor ao próximo. Pe. Kentenich nos ensina que a renovação do mundo começa pela transformação do próprio coração. Mais do que antes, entendemos as suas palavras: “Em muitos lugares se espera do ‘homem novo’ a superação do caos da época.”³ Portanto, vamos aproveitar o retiro para conhecer melhor a nós mesmos e, com Maria, empenhar-nos pela transformação de nosso coração. Coloquemos tudo isso em suas mãos e assim colaboramos para que o mundo se renove.

Partilhe conosco

Prezado leitor, estas são apenas algumas das mensagens desse grande retiro quaresmal que Deus prega para a humanidade. O que ele tem lhe falado? Faça silêncio, reze, medite e partilhe conosco o aprofundamento de um dos temas citados aqui, ou o as suas reflexões desse grande retiro que Deus prega para a humanidade. Envie-nos: imprensa1810@gmail.com

Vamos aprofundar juntos a grande pregação de Deus e acolher as bênçãos que esse tempo de recolhimento da humanidade nos oferece. Tudo vai passar e queremos “seguir em frente com esperança, que nunca decepciona” (Papa Francisco) Por isso, unidos na Aliança de Amor, seguimos “Com Maria, cheios de alegre esperança e certos da vitória, rumo ao novo tempo.” (Pe. Kentenich)

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¹ Pe. José Kentenich: Uma vida pela Igreja, Engelbert Monnerjahn

² Schoenstatt e a Igreja. Pe. José Kentenich

³ Carta de outubro de 1948, Pe. José Kentenich

4 Pedagogia Mariana do Matrimônio, Pe. José Kentenich

5 Carta de Santa Maria, Pe. José Kentenich

6 Idem

 

Fonte: schoenstatt.org.br

“Senhor, dá-me dessa água…”

 

Pe. Francisco José Lemes Gonçalves – Nos domingos anteriores desta Quaresma vimos que:

– O diabo queria minar a missão de Jesus (1º Domingo),
– mas Deus vem em socorro dele e o declara seu Filho muito amado e pede que nós o escutemos (2º Domingo).

Jesus, o Filho muito amado, neste 3º domingo diz ser a água viva que sacia a nossa sede e nos revela que a verdadeira religião é de adoradores que adoram a Deus em espírito e verdade. Ou seja, devemos ter cuidado para que nosso agir religioso não seja uma prisão de Deus que o impeça de agir com a sua graça. A religião significa “ligar”, ou seja, fazer pontes e nunca, jamais, desligar e levantar muros.

Na primeira leitura vemos a impaciência do povo que no deserto caminha e sente sede. Esquecem que Deus é a fonte viva de água que os libertou da escravidão. Começam a murmurar e a duvidar da presença de Deus com eles. Quantas vezes agimos assim nas horas de “deserto da vida”? Partimos para cima até dos servos de Deus (no passado fora Moisés, hoje são os ministros ordenados de Deus pela Igreja). Como Moisés, ainda existem ministros intercessores que se dirigem a Deus e transformam nossos desertos em oásis – afinal, Deus não nos fez para vivermos no deserto, mas para florir.

Na comunidade nós nos aproximamos da Mesa da Palavra e da Mesa da Eucaristia, que são poços de água cristalina. Em uma delas (Mesa da Palavra), o Filho Amado do Pai nos fala – ouçamos sua voz e não fechemos nossos corações; na outra (Mesa da Eucaristia), ele nos alimenta para que possamos, como a samaritana, anunciar a boa nova e mostrar o verdadeiro poço de água pura e cristalina.

Nosso Santuário de Schoenstatt é esse poço onde a Mãe de Deus, com segurança, nos aproxima da ÁGUA VIVA que é seu Divino Filho. Ela nos ensina a adorar ao Bom Deus em espírito e verdade, nos ajudando a fazer de nossa vivência religiosa um caminho para a construção de pontes. Que os peregrinos que chegarem aos nossos Santuários, neste Domingo Quaresmal, possam beber abundantemente da ÁGUA VIVA que nossa Mãe Três Vezes Admirável nos aponta.

 

Leituras do 3º Domingo da Quaresma de 2020:

1ª Leitura – Ex 17, 3-7
Salmo – Sl 94, 1-2.6-7.8-9
2ª Leitura – Rm 5, 1-2.5-8
Evangelho – Jo 4, 5-42

 

Foto: Santuário Tabor Fonte de Vida Nova, Poços de Caldas/MG

Fonte: schoenstatt.org.br

Um caminho especial a se percorrer

           

Pe. Francisco José Lemes Gonçalves – Tempo da Quaresma, tempo de conversão e de fazer nossa sincera opção por Jesus. Mesmo em meio aos conflitos dos desertos de nossa vida, Ele nos aponta como vencer as tentações, alimentados pela força da Palavra de Deus. Jesus, após 40 dias e noites de jejum, sente fome – a fraqueza humana lhe abate pela fome e o inimigo quer aproveitar esta brecha para tentá-lo. Mas, Jesus estava sim abatido pelo jejum, porém, fortalecido no espírito. E, diante dos conflitos pelo tentador apresentado, Jesus vence com o espírito forte e a força da Palavra de Deus. Vencedor, Jesus se alimenta e tem certeza da sua missão e dos desafios que lhe esperam.

Deus criou um belo jardim onde nos colocou para viver. Ali deu vida às coisas e ao homem que, feito sua imagem e semelhança, pode usufruir das coisas boas que Deus criou. Mas, quando nos deixamos levar pela nossa ganância e o desejo de ser como Deus, nos esvaziamos e o pecado nos corrói. Contudo, o Bom Deus não nos deixa à própria sorte, Ele nos envia o Salvador que, como o “Novo Adão”, restaura o que o “velho Adão” fizera perder com sua desobediência.

Quando, na Quarta-feira de Cinzas, éramos marcados na testa, seu sinal simbólico nos remete à nossa fragilidade, nossa fraqueza diante dos conflitos que muitas das vezes nos fazem ceder à tentação. Porém, as cinzas nos lembravam o apelo à conversão ao Evangelho e a partir dele fortalecer nosso espírito; pois, se estamos alimentados pela Palavra de Deus, sairemos como Jesus: vitoriosos diante dos conflitos e por eles seremos fortes para os outros que virão. Estamos neste “vale de lágrimas”, mas sempre ao final Jesus nos é mostrado por meio de nossa Mãe e Rainha, nossa Mestra Espiritual neste tempo santo.

Que a Campanha da Fraternidade seja uma motivação para bem viver nossa Quaresma, no socorro aos que sofrem, não sendo indiferente; ao ver situações de cruz, aproximemo-nos e façamos o que estiver ao nosso alcance para curar, renovar e restaurar vidas.

Aos que vierem aos nossos Santuários de Schoenstatt, que possam, neste período quaresmal, fazer a experiência do “belo lugar”, como o belo jardim que Deus criou para o nosso bem. Contemplemos nossa Mãe e Rainha, a nova Eva, que nos apresenta Jesus, o Novo Adão, em seus braços. Somos convidados a levá-lo ao mundo, feitos “Joãos Pozzobon” salvando os jardins das famílias e fazendo delas um belo lugar onde Deus habita.

 

Leitura do dia
Primeira Leitura (Gn 2,7-9; 3,1-7)
Salmo Responsorial (Sl 50)
Segunda Leitura (Forma longa – Rm 5,12-19 – Forma breve – 5,12.17-19)
Evangelho (Mt 4,1-11)

 

Foto: Ir. M. Nanci Meister

Fonte: schoenstatt.org.br

Padre Kentenich: Cristo tem em mira o meu coração

 

Primeiro Sermão Quaresmal do Pe. José Kentenich, no Ano Mariano de 1954:

A Igreja, nossa mãe, introduziu-nos hoje no tempo da Quaresma. Impondo-nos a cinza na fronte, expressou o pensamento fundamental que nos acompanhará até a alvorada radiosa da Páscoa.

Ressoa ainda nos nossos ouvidos a advertência do sacerdote, ao tocar a nossa testa com a cinza: “Memento, homo, quia pulvis es et in pulverem reverteris: Lembra-te, ó homem, que és pó e em pó te hás de tornar”. É expressão antiga e conhecida. Vale para todos os tempos, regiões e para todos os homens. Particular valor tem para nós que, durante o ano, preocupamo-nos em aumentar as nossas riquezas e não nos cansamos de atender ao nosso corpo, ao seu bem-estar, à sua saúde e beleza. Esta palavra adverte a nós, que vemos pelas muitíssimas apresentações dos programas de rádio, TV e imprensa, prestar — muitas vezes de modo fascinante — o culto ao corpo. Este corpo, a quem tanto cultuamos, um dia se tornará pó, voltará a ser matéria da qual foi formado. “Lembra-te, ó homem, que és pó e em pó te hás de tornar”.

É uma palavra séria a ecoar em nossa alma. Por isso nas próximas semanas não queremos dar demasiada atenção ao nosso corpo e aos nossos negócios, como nos ensina a Santa Mãe Igreja; mas dirigir o nosso olhar ao alto. Sursum corda! Corações ao alto! Inicia o tempo cheio de graças e que requer de nós maior diligência para com o que é eterno e divino, bem como para com a nossa alma. Sursum corda! Corações ao alto! Dirijamos nosso olhar ao alto! Neste tempo da Quaresma, fixemos com especial amor nosso coração e nossos olhares no grande drama do Gólgota. Ao badalar os sinos, ressoe no ouvido e no coração a exclamação do Senhor: “Quando eu for levantado da terra, atrairei todos os homens a mim” (Jo 12,32). Assim explico vossa numerosa presença neste lugar sagrado. O Gólgota, e com ele Cristo crucificado, se antepõe aos nossos olhos numa forma dominante, assim como o contemplamos na pintura do coro desta igreja de Santa Cruz. Repetidas vezes a admiramos, sem, contudo, refletir sobre ela. Assim também acontece frequentemente em nossa vida: as coisas com que diariamente estamos em contato não nos impressionam. Nessas próximas semanas, porém, esta imagem cativará a nossa alma. Nós a levaremos conosco para a vida de cada dia, a fim de que tome forma, figura e vida.

Jesus, suspenso na cruz, anseia atrair a si o nosso coração, tornando realidade a sua afirmação: “Quando eu for levantado da terra, atrairei todos os homens a mim”. Ele tem em mira o meu coração. E o coração que durante o ano esteve tomado de cuidados pelas coisas terrenas. É o mesmo coração que fora alvo das pretensões de muitos homens, do mundo e do demônio, caindo, infelizmente, vítima deles. Este, porém, que está pregado na cruz, chama a atenção para si, com maior insistência do que em outros tempos. Faz valer o seu direito sobre o nosso coração tão cobiçado. Quer atraí-lo a si; deve pertencer a Ele, com todas as fibras. Todas as suas pulsações serão para aquele que tem direito sobre o nosso coração. Este é o sentido que devemos dar à expressão: “Quando eu for levantado da terra, atrairei todos os homens a mim”. Este é também o motivo pelo qual nos reunimos neste local santo, ao chamado dos sinos, para ouvir o sermão quaresmal. Cristo, pendente da cruz, atrai-nos com força irresistível. Faz-nos esquecer dos afazeres diários, convidando-nos a vir à igreja, a ouvir a sua palavra, a responder ao seu convite de amor.

 

Fonte: Maria, Mãe e Educadora – Uma Mariologia aplicada, 2ª edição, 1981.

 

Foto: redschoenstatt.org

Publicado em: schoenstatt.org.br

Eu, você e todos mais: vamos juntos nesta Quaresma?

 

Pe. Vandemir Jozoé Meister – Tem um ditado popular que diz: “Se quiseres chegar rápido, corra sozinho; se quiseres chegar longe, vá acompanhado”. Este adágio serve para nós neste tempo. A Quaresma não é um tempo de assumir atitudes e fazer o caminho sozinho. Isso somente corresponderia a uma espiritualidade individualista. A Quaresma nos convida a tomarmos atitudes individuais para vivermos uma maior plenitude comunitária. O comunitário é o meio para chegarmos à meta última, que é o Deus Trino.

Somos convidados a fazer o caminho da Quaresma “juntos” para chegarmos longe. “A comunidade, que guarda os pequenos detalhes do amor e na qual os membros cuidam uns dos outros e formam um espaço aberto e evangelizador, é lugar da presença do Ressuscitado que a vai santificando segundo o projeto do Pai. Sucede às vezes, no meio destes pequenos detalhes, que o Senhor, por um dom do seu amor, nos presenteie com consoladoras experiências de Deus.” [1]

 

Caminho comunitário

Este tempo quaresmal, imediatamente, nos leva a pensar em penitência, renúncias, sacrifícios, etc. De que adianta isso, se não estiver integrado com a fé comunitária para alcançarmos aquilo. O destino da minha fé está entrelaçado com a do outro. Aqui, então, se vislumbra a importância de uma preparação pessoal para fazer juntos o caminho comunitário. Uma preparação pessoal para tornar a jornada da caminhada comunitária mais suave e juntos ir longe.

A renúncia terá sentido assim, se me capacita à austeridade, fortaleza da alma, para enfrentar, na jornada, as dificuldades que advirão sem oscilar minha fortaleza interior. Me capacito para peregrinar junto com meus irmãos, este caminho de fé proposto pelo tempo quaresmal. E tudo que faço, faço pensando no Senhor.

 “Aquele que distingue os dias, é para o Senhor que os distingue, e aquele que come, é para o Senhor que o faz, porque ele dá graças a Deus. E aquele que não come, é para o Senhor que não come, e ele também dá graças a Deus. Pois ninguém de nós vive e ninguém morre para si mesmo, porque se vivemos é para o Senhor que vivemos, e se morremos é para o Senhor que morremos… Com efeito, Cristo morreu e reviveu para ser o Senhor dos mortos e dos vivos. Por que julgas teu irmão? E tu, por que o desprezas? Pois todos nós compareceremos ao tribunal de Deus” (Rm 14, 6-10).

 

Cruz da Unidade

O tempo de Quaresma me traz à contemplação a imagem da Cruz da Unidade. Maria junto com Cristo na Cruz. Vejo, nesta imagem estática, toda uma atitude dinâmica de vida, a atitude de Maria acompanhando a missão do seu Filho. Maria faz um caminho de fé comunitária. Sabendo-se Mãe do Salvador, partilhou essa missão com sua prima Isabel, com São José, com sua família, com os discípulos e apóstolos, com todas aquelas pessoas que a rodeavam. O maior testemunho foi seu olhar de fé no alto do Calvário, no sofrimento do Filho.

Somente um olhar de fé poderia compreender a missão do Filho e aquele sofrimento no alto da cruz. Maria contempla os olhos sofredores de Cristo desde a fé, e não com um rosto de indignação e resignação.

 

Caminho da Quaresma

Maria também quer nos ensinar a percorrer o caminho da Quaresma com sua atitude de fé. Mostrar-nos, a partir de sua experiência, que fazemos todas as atividades para o Senhor. Ela quer nos educar à imagem de seu Filho.

Sua experiência de Educadora quer nos presentear, para que nos aproximemos mais como filhos e filhas do Senhor. “A face que a Cristo mais se assemelha é Maria”, dizia Dante Alighieri. Nada menos que Ela, para indicar o que melhor nos aproxima de seu Filho. Ela, toda Mãe, toda Educadora. Ela nos precedeu na Fé em Jesus Cristo. Ela sabe o caminho. Ela é a “Odigitria“, aquela que indica o caminho – seu Filho.

Não vamos optar por um chegar rápido, mas vamos optar por um chegar longe, acompanhados por Maria, que melhor nos indica o caminho, e aprendendo uns com os outros a caminhar. O caminho da Quaresma não é símbolo de rosto fechado, de cara “amarrada” ou, ainda, de cara de sofrimento, em função das renúncias quaresmais. É um caminho de alegria. De alegria porque estamos com o Senhor.

 

Alegria interior

O Pe. José Kentenich fala da alegria interior, invocada por Maria ao Espírito, para Ela e para nós. “Reportemo-nos espiritualmente até a sala da Última Ceia, ao Cenáculo. ‘Et erant omnes perceverantes unanimiter in oratione cum Maria, Matre Jesu (At 1,14).  Estavam todos reunidos unanimemente em oração com Maria, Mãe de Jesus’. Sabemos que um profundo espírito mariano, um profundo espírito de oração e um profundo espírito de solidão nos deve acompanhar. A Mãe de Deus junta as mãos conosco. Formamos com Ela uma família. ‘Emitte Spiritum tuum – envia o vosso Espírito’, o espírito da perfeita alegria…, e nossa vida haverá de passar por uma transformação nova, intensa e interior!”. [2]

Papa Francisco nos remete também a uma realidade cotidiana da alegria. “O santo é capaz de viver com alegria e sentido de humor. Sem perder o realismo, ilumina os outros com um espirito positivo e rico de esperança. Ser cristão é ‘alegria no Espírito Santo’ (Rm 14,17), porque, ‘do amor de caridade, segue-se necessariamente a alegria. Pois quem ama sempre se alegra na união com o amado. (…) Daí que a consequência da caridade seja a alegria’. Recebemos a beleza da sua Palavra e abraçamo-la ‘em plena tribulação, com a alegria do Espírito Santo’ (1Ts 1,6) Se deixarmos que o Senhor nos arranque da nossa concha e mude a nossa vida, então poderemos realizar o que pedia São Paulo: ‘Alegrai-vos sempre no Senhor! De novo o digo: Alegrai-vos!’ (Flp 4,4)” [3].

As cinzas que recebemos, na Quarta-feira, seja o símbolo de nossa pequenez diante do Deus Altíssimo, sinal de uma vida alegre no Senhor que ressuscita para nos mostrar o caminho da plenitude de vida.

 

 

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[1] Papa Francisco: Exortação Apostólica Gaudete et Exsultate, n◦ 145.
[2] Pe. Kentenich: Viver com Alegria
[3] Papa Francisco: Exortação Apostólica Gaudete et Exultate, n◦ 122

Foto: Actualidade Religiosa

Fonte: schoenstatt.org.br