“Tranquilizai-vos, sou eu. Não tenhais medo!”

Pe. Francisco José Lemes Gonçalves – Este evangelho é a continuação do domingo passado: Jesus multiplica os pães diante da lógica dos discípulos: “manda embora este povo”, ou seja, “que eles se virem”. Jesus não segue essa lógica. A multiplicação dos pães foi um gesto para a conversão dos discípulos e da própria multidão. Seguir Jesus exige uma conversão na Providência Divina, que em cinco pães e dois peixes, Deus provê alimento para a multidão e ainda houve sobras – uma lição para que não desperdicemos o “pão de cada dia” que o Senhor nos dá hoje!

Neste domingo, Jesus também rompe com a lógica do “tchau geral” e despede as multidões, ou seja, Ele os envia e tem o cuidado para com cada um. Retira-se para rezar, ou seja, agradecer o dia e a ação de Deus providente. Conduz seus discípulos à Barca – simbolismo da Igreja. Enquanto rezava, ventos contrários sobrevém sobre a barca (ventos contrários sempre se abaterão contra a Igreja e nos que nela estão). Jesus, andando sobre as águas, vem em socorro da Igreja e de seu povo. Mas… como sempre, nos deixamos levar pelos “ventos fortes” e diante disso não somos capazes de reconhecer Jesus e até chegamos a confundi-lo com fantasma! Mas a sua voz soa aos ouvidos, dizendo: “SOU EU, não tenhais medo!”. Mesmo assim, como Pedro, ainda duvidamos e condicionamos o Senhor: “Se és tu, manda…” e ele diz suavemente com sua voz de quem sempre nos chama: “VEM!”

No começo, acreditamos e seguimos andando sobre as águas agitadas da vida, mas, quando elas insistem a querer nos afundar, perdemos a fé e começamos a ceder. Aí, gritamos e Jesus estende o braço para que nele possamos nos apoiar e sermos salvos! Quando ele entra na barca de nossa vida, tudo se acalma! Recobramos a fé e a professamos que verdadeiramente Ele é O Senhor!

Esses tempos têm sido de muitas ondas agitadas no mundo global, no mundo familiar, no mundo religioso, enfim, ondas se abatem nas nossas barcas. Mas não estamos sozinhos. Se levantamos nossos olhos, Ele está diante de nós esperando que o convidemos para tomar a frente de nossas barcas! As ondas fortes são necessárias para nossos barcos, são meios de fortalecer a nossa fé, meios de sentir a presença do Senhor que tudo pode, sim, como dizia Gabriel à Virgem de Nazaré: “nada lhe é impossível”!

Mês vocacional

Nesta semana somos chamados a rezar pela Família! Lembrando nossos pais, aos quais Deus concede a graça da paternidade, do cuidado para com os que lhe são confiados como filhos e filhas. A figura paterna deveria ser esta figura de Deus Pai que ama seus filhos com imenso amor. Prova de seu grande amor de Pai por nós está na Cruz. Ali está o manancial de amor de Pai e Filho e Filho e Pai. Todo pai deveria se espelhar no amor de Deus Pai em todos os sentidos! Se assim fizermos, os filhos sentirão o amor que Jesus veio revelar, pois ele é o “Filho amado, no qual está toda a complacência”.

Pe. José Kentenich é denominado “pai” porque experimentou ser amado por este Pai. Ele teve, na Senhora de Schoenstatt, sua educadora e ela o moldou à imagem do Filho querido do Pai do Céu. Muitos que dele se aproximavam sentiam-se como filhos e filhas. José de Nazaré cuidou de Jesus como um pai, por quê? Porque experimentou como Deus o amava e enchia seu coração de um amor paternal que todos ao olharem para Jesus diziam: “Não é ele o filho do carpinteiro”?

Rogo a Deus Pai por todos os pais vivos, para que cresça e seus corações o amor com que Deus os ama e assim sendo possam ser para os filhos este reflexo de amor. Aos falecidos a recompensa por todo amor que puderam expressar e que agora junto de Deus Pai intercedam pelos filhos que hoje são pais!

 

Leituras deste domingo:
1ª Leitura – 1Rs 19, 9a.11-13
Salmo – Sl 84
2ª Leitura – Rm 9, 1-5
Evangelho – Mt 14, 22-33

 

Foto: Julio Grandi (Terço dos Homens Mãe Rainha de Bélem/PA, em uma ação social)

Fonte: schoenstatt.org.br

Muito além do futebol: Pai terrestre, o reflexo de Deus Pai

Flávio e Maria Ângela Kolberg – “A paternidade do pai terrestre, em primeiro lugar, é expressão da paternidade de Deus. Em segundo lugar, é um meio para gravar no filho a paternidade de Deus. Finalmente, em terceiro lugar, é, também, uma contínua proteção da imagem do pai, da imagem do pai celeste, para os filhos, no decorrer de toda sua vida” [1] (Pe. José Kentenich).

Pe. José Kentenich foi um dos primeiros a perceber que a desvalorização da figura do pai terrestre, em andamento, traria sérias consequências para a sociedade e a Igreja. Esse lento e sistemático enfraquecimento da figura paterna terrestre poderia, no futuro, esfriar ou até apagar do coração do homem a figura amorosa de Deus como um pai que nos ama como a “pupila de seus olhos”.

Deus deu ao Pe. José Kentenich dons específicos para realizar uma missão muito especial, a de revelar-nos Deus como um pai amoroso, que quer se fazer presente em nossas vidas, que tem todo o perfeito cuidado conosco: Ele é nosso Pai!

Para qual time seu filho torce?

Por isso, falar sobre a paternidade terrestre é crucial neste momento. Famílias estão esfaceladas quer pela ausência física do pai, quer pela imagem fraca de pai que damos aos nossos filhos. Isso nos faz lembrar quando nosso filho era pequeno e queríamos muito que ele torcesse pelo mesmo time de futebol que torcíamos. Não queríamos correr o risco que ele torcesse pelo time rival. Uma coisa tão banal, mas que nos causou empenho e dedicação – e hoje podemos dizer que deu resultado. Esse empenho ocasionou uma enorme ligação entre pai e filho. Hoje, ele caminha pelas próprias pernas e torce sozinho, mesmo quando não estamos presentes.

Bobagem tudo isso! Talvez sim, muito provavelmente sim, mas nosso ponto é: como é que dedicamos tanto tempo a coisas que não são essenciais e levamos de uma maneira “light” as que são realmente vitais e que acarretam a salvação de nossos filhos?! Comprar a camiseta do time com o nome dele ou o do melhor jogador escrito nas costas, levar a jogos, comprar a pipoca e o cachorro quente durante a partida para que a experiência de estar no campo assistindo ao time do coração fosse a mais maravilhosa do mundo, e que ficasse impressa na sua mente para sempre. E ficou…

Não há problema algum nos pais quererem que os filhos partilhem dos mesmos gostos, afinal são uma família. É saudável termos momentos assim, pois fortalecem os vínculos familiares. Mas esses mesmos vínculos deveriam estar também nas questões de cunho espiritual. Por que não utilizamos os mesmos métodos e empenho nas coisas relacionadas à vida espiritual de nossos filhos?

 

 

Uma sugestão médica alternativa, mas eficaz

Muitas famílias chegam ao meu consultório de pediatria completamente desestruturadas, perdidas pelos mais variados motivos: separação, brigas pela guarda dos filhos – e estes ficando um dia em cada casa, sem ter o porto seguro de um lar cristão. Sempre que possível, tento dialogar e por várias vezes consegui que alguns deles fossem até ao Santuário para fazer a consagração a Nossa Senhora, e muitos retornam dizendo que ficaram emocionados neste momento no Santuário.

Pais presentes, fortes, verdadeiros transparentes de Deus Pai é o que nós mais precisamos neste momento. Fortes, não apenas fisicamente, mas espiritualmente, dando testemunho a seus filhos do caminho certo a percorrer para bem realizar a vontade de DEUS. Comprar a camiseta, levar ao campo de futebol, jogar bola juntos, comprar a pipoca gostosa e o DVD das vitórias do time e assistir juntos, não esquecendo da bandeira, tudo isso é bom, e saudável! Paremos para pensar se temos o mesmo empenho com a vida espiritual dos nossos filhos!

Pe. José Kentenich viveu da Fé Prática na Divina Providência. Mostrou no decorrer de toda sua vida que Deus e sua Mãe eram pessoas presentes e ensinou a nós, Família de Schoenstatt, a vivermos assim. Procurou o Deus na vida diária, cotidiana, nos pequenos e grandes acontecimentos de sua vida. Assim devemos fazer e ensinar aos nossos filhos. Esse é o maior legado que podemos, como pais, dar a eles. Se Deus for presente no nosso dia a dia, ele será presente na vida deles também.

“Teu ser e tua vida repercutem neles”

Uma igreja do sul dos Estados Unidos realizou uma pesquisa muito interessante e chegou às seguintes conclusões: se a criança for a primeira a se converter na família, há 2% de probabilidade que a família se converta também; se a mãe for a primeira, a probabilidade de conversão da família sobe para 17%; mas se o pai for o primeiro, o número é estarrecedor: 93% de probabilidade que a família se converta também [2].

O testemunho cristão de um pai muda a realidade de sua família. Você, pai católico, é chamado a viver sua fé no seu dia a dia através de suas escolhas, de sua maneira de falar, de agir, do tempo que você dá a Deus em sua vida.

Deus nos chamou para vivermos nossa fidelidade a Ele. Sejamos sal da terra, luz do mundo como Jesus nos pede, só assim seremos pais como Deus nos pede que sejamos e estaremos revelando aos nossos filhos o maior tesouro que eles podem ter em suas vidas: sentirem-se filhos amados por Deus.

 

Referências:

[1] A Nova Imagem do Pai – Conferência do Pe. José Kentenich aos homens, Schoenstatt – 18/junho/1966

[2] Fonte: A Importância do Ministério com Homens nas Igrejas Evangélicas, Vilson Trindade Monteiro -> link: https://pt.scribd.com/doc/52423038/A-IMPORTANCIA-DO-MINISTERIO-COM-HOMENS-NAS-IGREJAS-EVANGELICAS-FINAL

Foto de capa: Ronny Sison, via unsplash.com

Fonte: schoenstatt.org.br

O tesouro escondido: Quem achá-lo encontrou a felicidade

 

Pe. Francisco José Lemes Gonçalves – Nas leituras deste domingo, Jesus continua sua série de parábolas sobre o Reino dos Céus e neste fim de semana elas têm comparações muito bonitas: tesouro escondido no campo, pérolas preciosas, rede de pesca e boa instrução nas coisas de Deus.

O Reino começa dentro de nós, pois em nós habita, pelo Batismo, a Santíssima Trindade. Temos que conquistá-lo! Se o Reino for nosso grande ideal de vida, e por ele estivermos prontos a nos sacrificar e instaurá-lo no mundo, seremos capazes de vender tudo o que temos para sua conquista. Ele passará a ser nossa preciosidade, saberemos fazer boas escolhas por ele e desprezaremos tudo que não é compatível ao Reino; à exemplo de Jesus adolescente no Templo, cuidando das coisas do Pai, saberemos dar coisas boas a todos que se aproximam de nós.

Por isso, Jesus nos ensinou a pedir, na Oração do Pai Nosso, que “venha a nós vosso Reino”. Ora, que Reino é este? Não sejamos como os apóstolos que visionavam um reino terrestre nos moldes dos que estamos a ver na história de ontem e de hoje. Não é um reino de ideologias, não é um reino partidário… este Reino é de Amor! Nele precisamos levar a solidariedade aos que são vulneráveis, ser misericordioso e compassivo, ser sal da terra e luz do mundo, ser instrumento de construção de paz, derrubar muros que separam e construir pontes que nos unem.

Jesus é esta imagem do Reino. Se repararmos sua atuação enquanto esteve no mundo, compreenderemos sua linguagem sobre o Reino e suas comparações. Porém, se estivermos acomodados e sempre à espera de solução para este mundo e suas vicissitudes, nos frustraremos como Judas Iscariotes, ou teremos ambições como os filhos de Zebedeu (sentar à direita e à esquerda). Reino é para quem se faz como criança, já advertia Jesus!

Nosso Pai e Fundador, Pe. José Kentenich, encontrou em Schoenstatt esse tesouro do Reino. A este Reino se entregou de corpo e alma por meio da Aliança de Amor e sob os cuidados da Mãe Admirável e vinculado ao Santuário, fonte límpida de graça! Na Escola de Maria, a grande servidora do Reino, vinculados na Aliança de Amor, levaremos ao mundo as boas sementes do Reino, onde Schoenstatt (Belo Lugar) se estabelecer, o Reino tornar-se-á uma realidade!

Neste domingo fazemos memória dos avós de Jesus, pais de sua querida Mãe, São Joaquim e Santa Ana. Milagrosamente, em idade avançada, Deus os presenteou com a vida de Maria! Seus pais são o retrato do último versículo do Evangelho deste Domingo, pois deram a Maria o melhor que tinham do conhecimento de Deus. E esta, por sua vez, acolheu a mensagem do Anjo e prontamente disse seu SIM. Neste dia envie mensagens carinhosas a seus avós – se estiverem vivos; e, se já estão na eternidade, envie seus nomes para as intenções de missa de nossos Santuários. Devido a este tempo de pandemia, estamos distantes socialmente, mas isso não impede de sermos carinhosos para com eles através dos meios de comunicação de hoje.

Leituras deste domingo

1ª Leitura – 1Rs 3, 5.-712
Salmo – Sl 118
2ª Leitura – Rm 8, 28-30
Evangelho – Mt 13, 44-52

 

Fonte: schoenstatt.org.br

Competitividade – Por uma “Tensão Criadora”

          

Pe. Heitor Morschel – “Nesta longa estrada da vida, vou correndo e não posso parar, na esperança de ser campeão, alcançando o primeiro lugar”. Assim versava uma antiga música do cancioneiro popular brasileiro. E mais: é bem verdadeira! Sim, a vida é uma grande corrida. E, por não dizer, uma grande experiência de vencedores, já que nascemos vencendo e vindo ao mundo como tal. Pelo simples fato de estarmos vivos e saudáveis, já nos damos por satisfeitos. E toda a nossa vida vai sendo construída sobre projetos e realizações. Alguns de nós somos mais acanhados e tímidos. Outros mais ousados, indo mais longe.

O vocábulo “competitividade” é muito utilizado na economia de mercado. Inúmeros são os artigos, livros, teses e dissertações que abordam o tema. Contudo, não é nossa intenção discursar sobre esta ótica. A competitividade – ou “inovação”, como é mais conhecida no mundo empresarial nos dia de hoje – é a “característica ou capacidade de qualquer organização em lograr cumprir sua missão, com mais êxito que outras organizações competidoras. Baseia-se na capacidade de satisfazer as necessidades de seus clientes aos quais serve” [1], a competitividade também pode ser entendida como projeto de vida, quando referida à busca incessante do ser humano na sua realização neste mundo.

A busca incessante

Santo Agostinho, após a sua conversão ao cristianismo, expressava a sua angústia e anseio de procurar conhecer a “Verdade” e, quando a encontrou, utilizou a seguinte expressão: “Fizeste-nos para ti e inquieto está o nosso coração, enquanto não repousa em ti” [2]. Na vida dele, a sua sede em conhecer os mistérios do mundo ofuscou sua capacidade de enxergar os Mistérios de Deus. Agora, tirado este véu, a sua alma torna-se livre para o “Sumo Bem”.

Assim é a vida da gente: nunca estaremos satisfeitos enquanto não repousarmos no “Sumo Bem”. Pois sabemos que a vida é dom e tarefa: dom recebido como graça santificante e tarefa humana recebida de Deus. Somos co-criadores, colaboradores de Deus na obra da criação: “E Deus disse: sede fecundos, enchei e submetei a terra” (Gn 1,28).

Por instinto, às vezes positivo ou às vezes negativo, a vida humana se torna um grande combate! Pode ser uma luta conosco mesmos ou com os outros e a competitividade instiga essa luta a avançar. São Paulo nos exorta: “Combate o bom combate, com fé e boa consciência” (ITim 1,18-19). E o Catecismo da Igreja Católica acrescenta: “Não existe santidade sem renúncia e sem combate espiritual”. [3] Ao comentar sobre a oração do cristão, o Catecismo nos diz: “a oração é um combate. Contra quem? Contra nós mesmos e contra os embustes do Tentador que tudo faz para desviar o homem da oração, da união com Deus” (2725) [4].

 

         

                                                     (Foto: Florian Schmetz, via unsplash.com)

 

A tensão criadora

Pois bem, dentro de cada um de nós está o germe do antigo e do novo, entre o que foi e o que será, entre a tradição e a novidade. Pe. José Kentenich procurava ser um homem assim: “Foi fiel ao princípio de conservar o antigo e abrir-se moderadamente ao novo… Conservava-se no colo da tradição e, ao mesmo tempo, era moderno” [5].

Na pedagogia de Pe. Kentenich há intencionalmente uma provocação ao qual chama de “Tensão Criadora” [6], pois sabe que, mesmo numa atividade ou numa dificuldade, por pior que seja, o ser humano pode aprender muitas coisas e tirar bons resultados. Nesse sentido, a competitividade pode ser positiva, quando nos impulsiona a algo novo. Nós, brasileiros somos muito bons nisso! A competitividade, associada à criatividade e à solidariedade, nos faz ser um povo único. Popularmente falando, “o brasileiro consegue tirar graça da própria desgraça”. Mesmo agora nos tempos difíceis da pandemia, com milhões de desempregados e necessitados, os brasileiros se reinventam. Há uma corrida contra o tempo para se descobrir qual vacina ou remédio será melhor para evitar o contágio.

Porém, a tensão criadora deve estar sempre alicerçada na vontade divina. Quanto “mais clara, mais se tem a segurança moral de ter interpretado corretamente o plano de Deus” [7]. Tudo isso construído na liberdade, pois em Schoenstatt a liberdade “é entendida como a capacidade que a pessoa tem de se decidir por si mesma e de realizar o que decidiu”. [8] Aqui poderíamos discorrer páginas sobre o binômio “Homem livre” do “Homem Massa” tão pregado pelo Padre Fundador. Grande exemplo desta capacidade criadora e da autoeducação pela liberdade foi José Engling, proclamado pelo Pe. Kentenich como “Documento de Fundação Vivido”. Este herói de Schoenstatt pode ser também conhecido como “cristão autêntico” [9], cuja vida é exemplo de admiração deste “Homem Novo”.

Avancemos, mas na direção certa

A grande tentação na competitividade é a construção de nossos projetos e aspirações mais heroicas sobre a fantasia de nossos pensamentos e do próprio eu. Quando mal trabalhado, nossos desejos e projetos podem nos levar a grandes decepções e até à depressão. Claro que temos nossos projetos e sonhos pessoais. Contudo, devemos fazê-los sempre pela vontade de Deus. Pe. Kentenich nos diz: “Ao contrário, o cristão conhece e ama o ‘agere contra’, agir contra os próprios caprichos e inclinações, movido pelo amor, a fim de estar cada dia mais disposto e pronto a aceitar todos os desejos de Deus” [10]. Isso tudo em vista do “Homem Novo”, da “Nova Comunidade”. E Pe. Kentenich finaliza dizendo: “Avancemos nas pesquisas e conquistas de nosso mundo interior, através da autoeducação consciente. Quanto mais progresso exterior, tanto mais aprofundamento interno. Este é o brado, a senha…” [11]

* Contribuição da União dos Sacerdotes Diocesanos de Schoenstatt

 

Referências

[1] Competitividade. Ver mais em https://pt.wikipedia.org/wiki/Competitividade

[2] Livro: As Confissões de Santo Agostinho. Recomendável à leitura e pode ser encontrado em https://sumateologica.files.wordpress.com/2009/07/santo_agostinho_-_confissoes.pdf

[3] Catecismo da Igreja Católica. Vozes, São Paulo, 1993, n. 2015.

[4] Ibidem. n. 2725.

[5] NAILIS, Annette. Padre Kentenich, como nós o conhecemos. Centro Mariano. Pallotti, Santa Maria – RS, 2001, p. 94.

[6] Ibdem. P. 95.

[7] ANDRACA, R. F. 150 Perguntas sobre Schoenstatt. Nueva Patris, São Paulo, 2011, p. 78.

[8] Ibidem. p. 87.

[9] KENTENICH, J. – NAILIS, A. Santidade de Todos os dias. Sociedade Mãe e Rainha, Santa Maria, 2018, p. 100. Sugestão de aprofundamento: HANNAPPEL, P. José Engling nosso Irmão Maior. Sociedade Mãe Rainha, Santa Maria, 2010. CESCA, O. Herói de Duas Espadas. Instituto Secular dos Padres de Schoenstatt. São Paulo, 1978.

[10] Ibidem. p. 99.

[11] Documento de Pré-Fundação de Schoenstatt

 

Foto destacada: Composita, via pixabay.com.

 

Fonte: schoenstatt.org.br

O Reino dos Céus: boa semente no campo do mundo

Pe. Francisco José Lemes Gonçalves – As parábolas do Reino propostas por Jesus neste domingo nos encorajam na missão a nós confiada pelo Pai. Ele precisa de nossas mãos para lançar a boa semente do seu amor pelo mundo, ainda mais nestes tempos insólitos que a pandemia quer nos tornar, por vezes, terreno estéril para Deus. Mais do que nunca devemos permitir que Jesus, o Divino Agricultor do Pai, visite nosso coração, arando-o e preparando-o para o bom plantio desta semente.

Não devemos temer aqueles que querem plantar o “joio”, eles assim o fazem porque não suportam ver crescer a boa semente. Sempre estarão na escuridão da noite para lançar a semente podre e contaminar toda a plantação. Sejamos pacientes, deixemos as coisas caminharem e no tempo exato de Deus, ele mesmo separará o que não presta do que presta, e jogará fora o que nada serve.

O Reino não cresce de maneira ostensiva, mas no pequenino, no às vezes escondido – quando vemos, já é uma árvore frondosa e acolhedora. Assim é o Reino. Veja Schoenstatt, surgiu no silencioso 18 de outubro de 1914 e hoje, que árvore frondosa é. Do pequenino Santuário acolhe milhões de corações (nestes tempos de modo espiritual).

Estes tempos de pandemia são tempos propícios para semear o Reino. Tempos de confinamento, distanciamento social, cuidados que não tínhamos e agora temos que nos reeducar para prevenir o contágio, mortes e perdas… parece um terreno inóspito?! Aos olhos do mundo sim… mas para Deus é terreno propício para plantar as sementes da esperança, da fé, do amor solidário, da criatividade para vencer os reveses, crescer no espírito de oração, renúncia e abnegação!

Nosso Pai e Fundador, Pe. José Kentenich, soube muito bem aproveitar essas “portas abertas” para fazer a vontade do Pai e ser um bom instrumento em suas mãos. Conquistou corações juvenis para a Mãe, que os formou à imagem de seu Divino Filho. Em duas guerras, Pe. Kentenich viu a mão de Deus para semear as sementes da esperança, sempre pronto se preciso fosse dar a própria vida. No exílio, o inimigo queria enfraquecer a Obra de Schoenstatt, mas a Divina Agricultora, Maria, Vencedora de Schoenstatt, não permitiu, pois, a semente era boa, era de Deus. Cuidemos das sementes que o Bom Deus lhe confiou, não nos desanimemos diante das provações, aliás, elas existem para que a semente se fortalece e produza bons e abundantes frutos!

Leituras deste domingo:

1ª Leitura – Sb 12, 13.16-19
Salmo – Sl 85
2ª Leitura – Rm 8, 26-27
Evangelho – Mt 13, 24-43

Fonte: schoenstatt.org.br

Foto: Pexels em Pixabay

Música: No tranquilo ritmo de Deus

 

Ir. M. Sandra Regina Netto – Desde a concepção estamos cercados por um ambiente musical, seja pelos sons exteriores ou pela vida que se inicia com o pulsar do coração.

Quem não se lembra de músicas que marcaram sua infância, adolescência ou juventude? Geralmente, quando recordamos determinada música, esta nos remete a acontecimentos que faziam parte daquele momento. É impressionante como simples melodias podem despertar nossas emoções, trazer um sorriso para o rosto e nos fazer esquecer por alguns momentos os desafios e as preocupações do dia a dia.

A música pode também ajudar no tratamento de doenças, basta pensarmos nos inúmeros benefícios que a Musicoterapia nos tem apresentado.

Nos últimos anos, alguns estudos têm provado como a música pode ajudar a reavivar a memória de idosos com Alzheimer ou outros tipos de demências. O documentário Alive Inside (Vivo por dentro), produzido nos Estados Unidos, mostra diversas experiências positivas neste sentido. Ao ouvirem suas canções favoritas, parece que os idosos recebem uma nova luz e suas mentes ficam mais ativas, conseguindo responder melhor a perguntas e estímulos e recordar a sua própria história. Renomados especialistas nesta área dão sua contribuição com depoimentos impressionantes. O documentário quer mostrar, acima de tudo, a forte conexão entre música e alma, a cura que consegue chegar onde medicamentos normais não conseguem ter efeito.

Daí a importância de selecionar aquilo que eu escuto. Que mundo está contido nas músicas que eu escuto? O que eu quero trazer dentro de mim?

Schoenstatt, meu mundo! Meu mundo deve se tornar Schoenstatt!

Nosso fundador, Pe. José Kentenich, diz que a música é um meio para que o homem possa penetrar no tranquilo ritmo de Deus. Ele mesmo conta de suas experiências quando esteve na prisão em Coblença, por causa do Nazismo que despontava na Alemanha. Durante as quatro semana que esteve preso no bunker (lugar muito pequeno, escuro e sem ventilação) cantou os cantos de Schoenstatt e lamentou quando não conseguia lembrar todas as estrofes. Seu canto ecoava na prisão e servia de consolo também para outros prisioneiros.

Que mundo trago em mim?

Após ser libertado do campo de concentração, iniciou suas viagens para os países onde enviara as jovens Irmãs, nos anos de 1933 e 1935. Ao chegar ao Brasil, narram as crônicas, após cumprimentar as Irmãs, se dirigiu à Capela e ali cantou com muito entusiasmo o Hino da Minha terra, cuja letra se encontra no livro de orações Rumo ao céu, escrita em meios aos horrores do Campo de Concentração. Essa música exprime o mundo que o Pe. Kentenich trazia em seu coração:

“Conhece a terra tão rica e pura, reflexo da eterna beleza…”

O mundo de Schoenstatt deve impregnar o nosso ser.

Para encerrar, um testemunho de Irmã Maria Vera (Irmã de Maria de Schoenstatt), presa pelo regime comunista na antiga Tchecoslováquia:

“Minha cela tinha o tamanho de três vezes quatro passos. Durante meio ano tivemos interrogatórios. Eu não tinha nenhuma ocupação. Que fazer? Eu não podia continuamente meditar, não tinha nada para ler, não devia trabalhar. Assim eu cantei muito, muito. Ir. Marie e Ir. M. Jana fizeram o mesmo. Nosso canto ressoou das celas, foi algo maravilhoso. Compreendi que força e poder tem os nossos cantos.

Lembro-me ainda, de uma vez que faltou energia elétrica na prisão. A polícia juntou todas para que ninguém pudesse fugir. Nós, pobres mulheres, como poderíamos ter fugido? Havia muros altos em torno da prisão, com fios elétricos etc. Portanto, tudo estava escuro. Fomos então tocadas para dentro de um barracão. Era um barracão para presos políticos. A escuridão perdurou muito tempo. De repente veio-nos a ideia: vamos cantar. E isso nós três o fizemos corajosamente. Nossos cantos ressoaram pela escuridão. Por exemplo, o canto: “Ó Virgem Protetora – no qual se repete sempre de novo “não havemos de perecer!”. Cantamos muitos cantos nesta escuridão. Isto foi maravilhoso. Olhando pelas janelas vimos as torres de vigia, de lá observavam com grandes refletores cuidando que ninguém fugisse. E nós cantamos! Esses cantos naquela noite prepararam a consagração de 70 mulheres da prisão. Este foi o começo do nosso trabalho para Schoenstatt no campo. Tal força tinham esses cantos.

Lembro-me como uma senhora, uma senhora boa, cujo esposo há pouco fora executado como criminoso político. Ela veio a mim nesta escuridão e perguntou: “Que cantos são estes? Que mundo eles contêm? Isso vocês precisam me explicar”.

Então… podemos nos perguntar agora: qual é a minha música? Que música poderá me ajudar em momentos de crise em minha vida?

 

Fonte: jufem.com.br

“Um semeador saiu a semear…”

           

Pe. Francisco José Lemes Gonçalves – Neste 15º Domingo do Tempo Comum lemos uma das parábolas mais bonitas de Jesus para ilustrar o Reino dos Céus! Vemos que as sementes são boas, vêm de Deus e, como sabemos, dele não coisa alguma nada com defeito ou improdutivo!

O Filho é quem semeia em nossos corações, diante da abertura que damos, e nós precisamos cuidar e cultivar com atenção suas sementes. Se nos afastarmos de Deus, as vicissitudes da vida e das circunstâncias poderão fazer perder as sementes e aí corremos o risco de abandonar Deus e seus mandamentos. Temos que ter ouvidos atentos para o que o Senhor nos fala. Hoje damos ouvidos a tudo e a todos, mas não damos ouvidos ao que Deus nos fala, não escutamos a harmoniosa voz de nossa Mãe, dizendo: “Fazei o que Ele vos disser”, não somos prontos na obediência quando Ele suavemente nos diz: “Enchei as talhas de água” e nossa fé é fraca, por isso desperdiçamos as “águas de nossa vida” que não se transformam em vinho bom!

Por isso, precisamos educar nossos ouvidos para ouvir o que o Senhor nos fala e assim o terreno de nosso coração será fértil e produzirá bons frutos esperados por Deus.

Num mundo onde o ser humano muito, muito se afastou de Deus, ou sua relação com Deus ficou muito superficial e por vezes uma relação comercial, é urgente limpar a eira de nossos corações. Assim, quando o Mestre Semeador passar, vai jogar as sementes e as chuvas da graça de Deus vão regando nosso coração, até que a semente fecunde e dê abundantes frutos. Para isso, temos que fazer o caminho para Deus. Qual é o caminho? Jesus nos aponto Ele como esse caminho. Deixou um sinal seguro para não nos perdermos durante a caminhada: Maria sua Mãe!

A vida de Pe. José Kentenich foi esse terreno bem preparado pelo Bom Deus, aí plantou a semente de Schoenstatt. Hoje, podemos dizer que essa semente de Schoenstatt é boa. Quem tem ouvidos bons e acostumados a encostá-los ao peito do Senhor, colherá novas sementes e ajudará a semeá-las, transformando o mundo num “belo lugar”!

Leituras deste Domingo, 12 de julho de 2020:

1ª Leitura – Is 55,10-11
Salmo – Sl 64 (R. Lc 8,8)
2ª Leitura – Rm 8,18-23
Evangelho – Mt 13,1-23

Foto: Ir. Lucia Maria Menzel

Fonte: schoenstatt.org.br

Em torno a que centro nós giramos?

 

Pe. Heinrich Walter – Na avaliação da crise do coronavírus, fala-se até mesmo de uma mudança de época na qual estamos sendo conduzidos. Isso faz lembrar o ponto de virada de Copérnico*, quando ele mudou completamente a visão do mundo. Foi reconhecido que não é o sol que gira em torno da terra, mas o contrário, a terra gira ao redor do sol. Essa constatação coincidiu com uma lenta mudança na maneira de pensar e agir das pessoas.

Qual é o centro da humanidade? Nossa sociedade global hoje gira em torno do mercado de bens. A oferta e a demanda determinam a dinâmica. Buscamos a eficiência e temos prestado menos atenção à estabilidade. Tudo gira em torno de números e cotas. O objetivo final é o crescimento. Quantos somos? Quanto temos? O que podemos fazer para sermos mais?

E então, o pequeno vírus veio e deteve esta dinâmica por enquanto. O foco mudou em algumas semanas. Isso aconteceu em todo o mundo. O foco mudou para ajudar, considerar, salvar vidas humanas, incluindo as dos asilos de idosos. A mídia mostrou imagens de corresponsabilidade e valorização das profissões que, de repente, se tornaram relevantes, como a coleta de lixo.

A sociedade começou a girar mais e mais em torno da pessoa humana. A humanidade foi movida para este foco sem precedentes na vida humana.

E assim a pergunta é: O que é o homem? Quão livre é o homem? Esta liberdade pode ser limitada para salvar os outros? O que inclui a dignidade do ser humano? E em todo o mundo está surgindo um novo tipo de vínculo, conectado entre estratos da sociedade, entre moradores da mesma rua anteriormente desconhecidos. Começou-se a ser levada em consideração a vida do outro, a família se tornou uma convivência estreita. Na grande necessidade, a preservação do mercado foi relativizada em favor do ser humano. Em torno de que centro giramos?

No momento da necessidade, a impotência tornou-se evidente, e cada semana de novo, como agora com os novos surtos do vírus. Está chegando uma segunda onda? Não temos tudo sob controle, como sempre acreditamos: Yes we can! (sim, nós podemos)? A insegurança e o medo estão se espalhando. Onde colocar esses medos? Os textos das Escrituras falam de um Deus amoroso: “Não temais… todos os cabelos em sua cabeça estão contados”! Também se fala da graça. A graça é a promessa de Deus de que somos amados, aceitos e abrigados. Graças a um Criador que é um Deus pessoal e olha para cada um de nós com amor.

Como cristãos, somos convidados a girar em torno de Deus. Nossas formas de sociedade, nossa economia de livre mercado, nosso mundo em uma rede de possibilidades ilimitadas, tudo isso não é o meio, não é o objetivo e não é o significado. Tudo isso só é saudável e só se desenvolverá de forma saudável se girar em torno do centro, que não é o que fazemos, mas em torno de um centro que nos é dado. Tudo nos foi confiado por Deus, o Criador, que é vida. Em Jesus Cristo, este centro recebeu um rosto humano. Em sua morte e ressurreição somos redimidos do eterno giro ao redor de nós mesmos.

No Santuário de graças em Schoenstatt, Maria está atuando. Seu Santuário é para nós como uma escola que nos ensina a girar em torno do Deus da vida. Quando nos unimos a ela, ela nos educa para esta dinâmica de girar em torno de Deus com nossa vida, trabalho, preocupações e esperanças.

 

Fonte: schoenstatt.com

 

* Nicolau Copérnico foi matemático, astrônomo, médico e cônego da Igreja Católica. Autor de uma das mais importantes hipóteses científicas: a teoria heliocêntrica, que reposicionava o Sol no centro do Sistema Solar. Antes de sua teoria, acreditava-se que a terra era o centro do universo. (https://www.infoescola.com/biografias/nicolau-copernico/)

Solenidade do Sagrado Coração de Jesus

“A piedade popular valoriza muito os símbolos, e o Coração de Jesus é o símbolo por excelência da misericórdia de Deus; mas não é um símbolo imaginário, é um símbolo real, que representa o centro, a fonte da qual brotou a salvação para a humanidade inteira” (Papa Francisco) [1]

“Mas um dos soldados abriu-lhe o lado com uma lança e, imediatamente, saíram sangue e água” (João 19, 33-34).

Iris Marcomini – A Festa do Sagrado Coração de Jesus é a solenidade que se comemora na segunda sexta-feira após a solenidade de Corpus Christi. Ao longo de 2 mil anos, a Igreja escreveu uma espiritualidade em torno do Sagrado Coração de Jesus que se tornou uma das devoções católicas mais difundidas e praticadas até hoje em todas as primeiras sextas-feiras de cada mês, sendo que na sua solenidade também celebra-se o Dia Mundial de Oração pela Santificação dos Sacerdotes.

“Peçamos ao Senhor que nos dê sempre bons pastores: homens trabalhadores, de oração, próximos ao povo de Deus” (Papa Francisco) [2]

O Amor não correspondido

Santa Margarida Maria de Alacoque (1647-1690), da Ordem da Visitação, em Paray-le-Monial, França, foi quem recebeu as visões e revelações sobre esta devoção, entre os anos de 1673 e 1675, tornando-se sua maior divulgadora. Segundo ela, o Amor não correspondido pedia a reparação de todos os fiéis:

“Eis este coração que tanto tem amado os homens. Não recebo da maior parte senão ingratidões, desprezos, ultrajes, sacrilégios, indiferenças… Eis que te peço que a primeira sexta-feira depois da oitava do Santíssimo Sacramento (Corpo de Deus) seja dedicada a uma festa especial para honrar o Meu coração, comungando neste dia e dando-lhe a devida reparação por meio de um ato de desagravo, para reparar as indignidades que recebeu durante o tempo em que esteve exposto sobre os altares. E prometo-te que o Meu Coração se dilatará para derramar com abundância as influências de Seu divino Amor sobre os que tributem esta divina honra e que procurem que ela lhe seja prestada”.

Na primeira revelação, em 27 de dezembro de 1673, Jesus mostrou-lhe seu coração, as maravilhas de seu amor e os segredos conservados até aquela data. A imagem revelada mostrava o Coração de Cristo com uma chaga no lado, devido à lança do soldado romano, e cercado por uma coroa de espinhos que representa as feridas infligidas pelo pecado humano, sendo que o que mais perturba Jesus é que “são os corações a mim consagrados que fazem isto”. No simbolismo da imagem vemos ainda uma cruz, que junto com os espinhos e a chama de fogo fazem referência ao imenso amor de Jesus pela humanidade expressos em sua Paixão. Esta figura estampa as capas de devocionários e medalhas do Sagrado Coração de Jesus até hoje.

As promessas

“Prometo-te, pela Minha excessiva misericórdia e pelo amor todo-poderoso do meu Coração, conceder a todos os que comungarem nas primeiras sextas-feiras de nove meses consecutivos, a graça da penitência final; não morrerão em minha inimizade, nem sem receberem os sacramentos, e Meu Divino Coração lhes será seguro refúgio nessa última hora”.

As outras promessas que Jesus fez nas revelações a Santa Margarida Maria Alacoque:

1 – Conceder-lhe-ei todas as graças necessárias ao seu estado.
2 – Porei a paz em suas famílias.
3 – Consolá-los-ei nas suas aflições.
4 – Serei seu refúgio na vida e especialmente na hora da morte.
5 – Derramarei copiosas bênçãos sobre suas empresas.
6 – Os pecadores encontrarão no meu Coração a fonte, oceano infinito de misericórdia.
7 – Os tíbios se tornarão fervorosos.
8 – Os fervorosos alcançarão rapidamente grande perfeição.
9 – Abençoarei os lugares onde estiver exposta e venerada a imagem do meu Coração.
10 – Darei aos sacerdotes a força de comover os corações mais endurecidos.
11 – O nome daqueles que propagarem esta devoção ficará escrito no meu Coração e de lá nunca será apagado.

O Sagrado Coração na Capela de São Miguel

Em 1915, Pe. José Kentenich escreve, em uma de suas correspondências, que a imagem do Sagrado Coração de Jesus tinha sido entronizada no Santuário Original:

“Konder nos deu uma bela estátua do Sagrado Coração. Uma imagem bonita está sobre o pedestal e nós temos inscrito as palavras: Sagrado Coração de Jesus, abençoai e protegei seus amados congregados nas férias e nos campos de batalha no ano de 1914/15. Como filho de Maria, nosso Senhor é o primeiro e melhor soldado de nossa congregação. Além disso, cada sábado a Santa Missa será oferecida nas intenções dos nossos congregados e em todas as intenções que lhes são confiadas… Você se alegra com isso?” [3]

Na crônica do seminário daquela época pode-se ler que a imagem do Sagrado Coração, citada pelo Pai e Fundador na carta mencionada acima, foi entronizada no canto esquerdo do Santuário, próximo ao altar, como um símbolo visível da devoção ao Sagrado Coração de Jesus:

“Em 10 de janeiro de 1915, nós nos consagramos ao Sagrado Coração, como estava sendo feito em todos os lugares. Em preparação, durante três noites, houve a bênção e uma palestra do Pe. Kentenich”. [4]

Foto: Iris Marcomini

 

Referências

[1] PAPA FRANCISCO, Angelus, Praça de São Pedro, domingo 9 de junho de 2013

[2] PAPA FRANCISCO, meditações matutinas na Santa Missa celebrada na capela da Casa Santa Marta, sexta-feira, 4 de maio de 2018

[3] https://www.schoenstatt.org.br/2018/06/26/sagrado-coracao-no-santuario/

[4] Idem

* formacao.cancaonova.com/espiritualidade/a-festa-do-coracao-de-jesus

Como ovelhas sem pastor

Pe. Nicolás Schwizer – “Ao desembarcar, Jesus viu uma multidão e sentiu pena deles, porque andavam como ovelhas sem pastor…”.

Uma ovelha sem pastor não é uma ovelha livre, mesmo que possa parecer, mas sim uma ovelha desgarrada e perdida. Vaga pelos montes sem saber aonde ir e está exposta ao assalto de qualquer inimigo.

Também os homens, para serem verdadeiramente livres, necessitam de um pastor que oriente seus passos, que ilumine suas mentes. Isso porque a liberdade humana é uma liberdade atada e só pode realizar-se quando o homem escuta e responde a um chamado. Necessitamos de um pastor que nos chame.

Mas, quem será esse pastor? Será, por acaso, outro homem? Não, porque só Deus pode colocar-se à frente do homem. Por isso o Senhor, depois de condenar os falsos pastores de Israel, diz: “Eu mesmo reunirei o resto de minhas ovelhas”. Jesus é Deus conosco. Jesus está diante de nós, o único pastor, o Bom Pastor que reúne as ovelhas desgarradas e perdidas.

Por isso, no Evangelho, Jesus se compadece das pessoas ao ver que elas andam desorientadas, como ovelhas sem pastor. Ele vê a miséria espiritual do povo: por isso começa a ensinar-lhes. E o milagre que fará posteriormente, a multiplicação dos pães, será o sinal de seu imenso amor de pastor.

Também hoje em dia muita gente anda desorientada, também hoje em dia muitos caminham pelo mundo como ovelhas sem pastor. Parece que cada vez temos mais problemas e menos soluções:

  • O que devemos fazer?
  • Em que devemos crer?
  • Em quem podemos confiar?

Antes, tudo era mais simples, mais claro e definido. As verdades da fé e da religião pareciam imutáveis.

Mas, agora tudo é mais complexo e complicado. Agora tudo se move, tudo se questiona, tudo se coloca em dúvida. E isso produz incerteza e angústia em muitas pessoas, porque não estão acostumados a viver sob a influência de tantas e tão contraditórias opiniões.

E isso é muito perigoso para a verdadeira liberdade, porque o medo e a angústia facilmente nos levam à submissão incondicional a outros homens. E não há pior desorientação para o ser humano que a de ser ovelha de outro homem. Muitos países experimentaram isso dolorosamente por muito tempo.

 

 

“Liberdade de” e “Liberdade para”

Convêm distinguir claramente entre a “liberdade de” e a “liberdade para”. Porque há uma LIBERDADE DE pré-julgamentos, de interesses egoístas, ideologias, falsos pastores. E outra LIBERDADE PARA buscar a verdade, para amar ao próximo, para fazer a justiça, para seguir ao Bom Pastor.

O passo de ir da simples liberdade dos falsos pastores até a liberdade para seguir ao Bom Pastor é o que chamamos FÉ. A fé nos dá a verdadeira segurança em Deus e nos faz superar toda desorientação, dúvida ou incerteza.

Quando todas as verdades parecem questionáveis, quando não há quem encontre o caminho, quando a vida se converte em problema, então o Bom Pastor nos chama dizendo-nos: “Eu sou o caminho, a verdade e a vida”.

Peçamos ao Senhor, insistentemente, que nos presenteie mais pastores, porque “a colheita é grande, mas os operários são poucos”.

 

Perguntas para a reflexão

1. Sinto-me livre para dizer ‘sim’ a Deus?
2. Busco o Bom Pastor só nas crises?
3. Sou daqueles que se queixam da vida?

 

Se desejar escrever, comentar o texto ou dar seu testemunho escreva para: pn.reflexiones@gmail.com

 

Foto: Fiore Bagatelo/Cathopic e Pixabay

Fonte: schoenstatt.org.br