Santa Teresinha: uma inspiração para a Filialidade Heroica

 

Juliana Gelatti Lovato – A partir de outubro, publicaremos mensalmente a história de um santo cuja memória se celebra naquele mês. Pe. José Kentenich, nosso fundador, buscou sempre ensinar seus filhos espirituais a buscarem a santidade, dom universal do cristão, e citava frequentemente o exemplo de pessoas que viveram e se santificaram antes de nós. Buscamos seguir seu exemplo, resgatando a história daqueles que são, nas palavras do Fundador, as “causas segundas” de nossa vinculação a Deus.

Santa Teresinha do Menino Jesus e da Sagrada Face

Memória: 1º de outubro
Nascimento: 2 de janeiro de 1873
Morte: 30 de setembro de 1897
Canonização: 17 de maio de 1925 pelo Papa Pio XI

O mês dedicado pela Igreja às missões se inicia com a memória de Santa Teresinha do Menino Jesus, também conhecida como Santa Teresa de Lisieux. Mas o que uma monja carmelita, que literalmente só deixou a casa paterna para entrar no claustro do Carmelo, não tendo nenhuma atividade missionária propriamente dita, tem a ver com as missões? E o que o Pai e Fundador, Pe. José Kentenich, nos fala sobre ela? Vamos conhecer um pouco sua história e sua espiritualidade:

Teresa era a caçula de 9 irmãos, quatro dos quais morreram ainda bebês ou na primeira infância. Por ser a mais nova, era sempre chamada, pelas quatro irmãs mais velhas, de “Teresinha”, nome que conservou ao entrar para a vida religiosa.

Seus pais, Luís Martin e Zélia Guérin-Martin, foram canonizados em 2015 pelo Papa Francisco e são exemplo de santidade na vida matrimonial. Outras de suas irmãs também têm abertos seus processos de beatificação. Esses fatos já demonstram como deveria ser o ambiente familiar onde cresceu Teresinha: um lar profundamente religioso, com hábitos de oração ensinados desde o berço, frequência diária à Santa Missa, confissão regular.

Mas, em sua autobiografia – História de Uma Alma – Santa Teresinha testemunha, também, ter crescido em um ambiente de muito carinho e confiança. Tendo perdido a mãe com 4 anos, suas referências são na maioria às irmãs e ao pai, o qual buscava sempre cultivar momentos de convivência com cada uma das filhas, buscando conhecê-las e cativar sua confiança. Teresinha era sua companheira de passeios pelo campo, durante os quais contemplavam a natureza e meditavam sobre a paternidade de Deus.

Abrigada em Deus Pai

Durante sua infância e adolescência, Santa Teresinha vivenciou o que chamava de “doença dos escrúpulos”, ou seja, tinha um receio muito grande de pecar, considerando qualquer ato descuidado como pecado grave e sofrendo muito interiormente por isso. Faz-nos lembrar da experiência de Ir. M. Emilie Engel, que tinha um temor desequilibrado de Deus e não conseguia sentir-se amada por Ele, curando este mal com a ajuda do Pe. Kentenich. Nesse período, Santa Teresinha contou com o auxílio de sua irmã mais velha e madrinha de batismo, Maria, que com muita paciência e amor ia aos poucos corrigindo a percepção da irmã mais nova.

Aos 14 anos, com duas das irmãs mais velhas no Carmelo de Lisieux e a terceira em outra comunidade religiosa, Teresinha sente-se chamada irresistivelmente à vida religiosa e comunica-o ao pai, que acolhe a vocação da filha com muito amor, mesmo sabendo que não seria fácil concretizá-la tão cedo, já que era costume esperar até em torno de 20 anos para a entrada das jovens em conventos. Ambos vão até o Papa Leão XIII para pedir a autorização, conseguindo a permissão para que Teresinha “saísse do mundo”, na expressão típica carmelita, para viver totalmente para Deus.

Mas como uma menina tão jovem poderia optar por tal vocação? Desde muito pequena ela sentia-se chamada a ser religiosa, desde as brincadeiras da infância. Considerava a vida de oração e serviço a Deus incomparável aos atrativos do mundo, mas também sentiu-se, muitas vezes, dividida: sentia-se atraída, também, pelos grandes feitos, como Joana D’Arc, que liderou soldados em campo de batalha para cumprir a vontade de Deus. Mas, aos poucos, conheceu a missão que Deus lhe dava: “No coração da Igreja, serei o amor”.

 

 

O que podemos aprender com ela para nossa vida de Aliança?

Na sua breve vida, podemos ver exemplos claros do que aprendemos em Schoenstatt como a Santidade da Vida Diária, de ser fiel nas pequenas e nas grandes coisas. Em sua autobiografia, ela relata alguns episódios da vida conventual em que buscava exercitar a paciência e a entrega de cada pequeno sacrifício a Deus – o que ficou conhecido como a Pequena Via, seu caminho ascético. Ela conta o quanto buscava sorrir e ser gentil com aquela irmã que não lhe era muito agradável, como aprendeu a agradecer os respingos de água que outra irmã provocava, enquanto elas lavavam roupas juntas, e muitos outros pequenos sacrifícios praticados diariamente – já que por sua saúde frágil era impedida de exercitar o jejum ou ficar longas horas em oração. Ela também é um bom exemplo de como deixar-se guiar pela Divina Providência:

“Padre Kentenich vale-se também de uma imagem usada por Santa Teresinha do Menino Jesus. Ela queria ser como uma pequena bola nas mãos de Deus, de modo que ele pudesse tê-la nas mãos ou, se preferisse, jogá-la a um canto. Sua atitude era: ‘Senhor, faze comigo o que quiseres. Assim como uma criança brinca com uma bola, assim quero ser em tuas mãos’. A ela bastava que Deus a amava e que ela lhe pertencia. Ela queria apenas agradá-lo e dar-lhe alegria em tudo” (cf. Pe. Rafael Fernandez de A. “Sim Pai, Nossa Entrega Filial a Deus”, p. 6).

Nosso Fundador admirava a vivência profunda da filialidade na vida de Santa Teresinha e a indicava como exemplo para a Família de Schoenstatt. Ele nos desafiou a “assumir a filialidade numa forma semelhante à de Santa Teresinha, que, no seu modo de ser filial disse: ‘Sou a bolinha de Deus’. Experimentem ser uma bola Deus e verão que esse caminho não é fácil. Isso desperta o mais elevado heroísmo! Mas devemos conseguir esse heroísmo”. [1]

 

Padroeira das missões

Um dos fatos que justifica ser a padroeira das missões, é que, já no Carmelo, ela ganhou dois irmãos espirituais que eram missionários. Um seminarista e um sacerdote que já não tinham familiares que rezassem por eles, escreveram para o convento pedindo que a superiora escolhesse uma irmã para que pudessem se vincular com algumas cartas e com cujas orações pudessem contar. Nas duas oportunidades a superiora escolheu Teresinha, que cumpriu fielmente a missão de rezar por seus irmãos espirituais e, por meio deles, fazer que seu ardor apostólico rompesse os muros do convento.

Santa Teresinha morreu aos 24 anos, após longos meses de sofrimento físico causado pela tuberculose. Vivenciou também sofrimentos espirituais, pois, embora ao longo de sua vida tivesse vivido sempre na esperança do céu, durante sua doença não conseguia vislumbrar essa mesma esperança. Mas, não se deixou abater e deu um belo testemunho às suas irmãs, dizendo que, ao chegar ao céu, derramaria uma chuva de rosas, de bênçãos e graças, em todo o mundo. O Pai e Fundador fala sobre ela na conferência que ficou conhecida como o terceiro documento de fundação de Schoenstatt: “Ao infinitismo da profundidade, da altura e da largura, corresponde também o infinitismo do comprimento. Nosso objetivo não vale somente para nós aqui; ou para hoje e amanhã, mas para toda a vida. E o que se abraça, se anela e aspira na terra, com todo o amor pode ser e será – tanto quanto possível – o objeto de nossos cuidados por toda a eternidade. Santa Teresinha estava convicta de que no céu continuaria e completaria a tarefa que tivera aqui na terra. Em nós também vive a singela fé de que todos os falecidos de nossa Família gozam de influência em nossa Obra comum, e no céu, no além, atuam do modo mais eficiente no sentido de nossa missão”.

Poema de Santa Teresinha:

O MEU CANTO DE HOJE
A minha vida é um só instante,
Uma hora passageira
A minha vida é um só dia
Que me escapa e me foge
Tu sabes, ó meu Deus!
Para amar-Te na terra
Só tenho o dia de hoje!

Oh! Amo-Te, Jesus!
A minha alma por Ti suspira
Sê por um só dia
O meu doce apoio.
Vem reinar no meu coração,
Dá-me o teu sorriso
Somente por hoje!

Que me importa, Senhor,
Se o futuro é sombrio?
Nada posso pedir-Te,
Oh não, para amanhã!
Conserva-me o coração puro,
Cobre-me com a tua sombra
Somente por hoje.

Se penso em amanhã,
Temo a minha inconstância
Sinto nascer em mim
A tristeza e o desgosto.
Mas aceito, meu Deus,
A prova, o sofrimento
Somente por hoje.

Quero ver-Te em breve
Nas margens eternas
Ó Divino Piloto!
Cuja mão me conduz.
Nas ondas alterosas
Guia em paz a minha barca,
Somente por hoje.

Ah! Deixa-me, Senhor,
Esconder na tua Face,
Onde já não ouvirei
O ruído vão do mundo
Dá-me o Teu amor,
Conserva-me na tua graça,
Somente por hoje.

Junto do teu Coração divino,
Esqueço tudo o que passa
Já não receio
Os pavores da noite
Ah! Dá-me, Jesus,
Um lugar nesse Coração
Somente por hoje.

Pão vivo, Pão do Céu,
Divina Eucaristia
Ó Mistério sagrado!
Que o Amor produziu…
Vem habitar no meu coração,
Jesus, minha Hóstia branca,
Somente por hoje.

Digna-Te unir-me a Ti,
Vinha Santa e sagrada
E a minha frágil vergôntea
Dar-Te-á o seu fruto
E poderei oferecer-Te
Um cacho dourado
Senhor, desde hoje.

Este cacho de amor,
Cujos bagos são almas
Para o formar só tenho
Este dia que foge
Ah! Dá-me, Jesus,
O ardor de um Apóstolo
Somente por hoje.

Ó Virgem Imaculada!
Tu és a Doce estrela
Que me dás Jesus
E me unes a Ele.
Ó Mãe! Deixa-me repousar
Sob o teu manto
Somente por hoje.

Santo Anjo da Guarda,
Cobre-me com as tuas asas
Ilumina com a tua luz
O caminho que eu sigo
Vem dirigir-me os passos…
Ajuda-me, por ti chamo
Somente por hoje.

Senhor, eu quero ver-Te,
Sem véu, sem nuvem,
Mas ainda exilada,
Longe de Ti, desfaleço
Que o Teu adorável rosto
De mim seja escondido
Somente por hoje.

Voarei em breve
Para cantar os teus louvores
Quando o dia sem ocaso brilhar
Sobre a minha alma
Então, eu cantarei
Com a lira dos Anjos
O Eterno Hoje!

 

[1] KENTENICH, Pe. José. Ser Filho Diante de Deus, vol I

Fotos: Karen Bueno

Foto de capa: Angélida Mendoza, em Cathopic

Fonte: schoenstatt.org.br

Deus sai a nos buscar todas as horas do dia

Pe. Carlos Padilla – Hoje Jesus me mostra como ele atua em minha vida. Parte sempre ao meu encontro e não se importa onde estou, em que circunstâncias da minha vida: “O Reino dos Céus é como a história do patrão que saiu de madrugada para contratar trabalhadores para a sua vinha. Combinou com os trabalhadores uma moeda de prata por dia, e os mandou para a vinha. Às nove horas da manhã, o patrão saiu de novo, viu outros que estavam na praça, desocupados, e lhes disse: ‘Ide também vós para a minha vinha! E eu vos pagarei o que for justo’. E eles foram. O patrão saiu de novo ao meio-dia e às três horas da tarde, e fez a mesma coisa. Saindo outra vez pelas cinco horas da tarde” (Mt 20, 1-6).

Jesus fala de um Deus que sai em busca do homem, que não espera por mim em sua torre de vigia, mas que chega até o lugar onde estou. Não uma vez, mas muitas vezes. Ao amanhecer. Ao meio dia. No meio da tarde. Ao cair da noite.

O evangelho diz: “Ele saiu de novo”. É um Pai que sempre sai à procura dos homens. Que não se dá por vencido. O próprio Jesus faz isso na terra. Alcança as estradas e sai ao encontro do homem. Não fica sentado esperando. Vai até o lago e busca os pescadores. Faz-se encontrar com os discípulos de Emaús.

Gosto de olhar assim para Deus

Deus sai a me buscar em todas as horas de minha vida. Gosto de olhar assim para Deus. Ele busca a cada um. Cada um tem uma hora na sua vida. E Deus dá mil oportunidades. Isso me dá paz. Sempre tive medo de deixar Deus passar e não vê-lo. Por que temer? Deus voltará a me buscar. Chama a todos. Ele me busca pelos caminhos. Busca aos distintos homens em distintos momentos de sua vida.

A uns ele encontra ainda crianças, em meio a uma família que zela pela fé, nesse amor paternal que é um reflexo de um amor infinito de Deus. É o amanhecer da vida. A outros ele chama no meio de uma crise da juventude, quando não sabem o que fazer da vida. É o meio-dia de seu caminho. Têm tudo pela frente.

A outros ele busca em momentos de cruz, ou numa grande bênção, passados alguns anos. Ou em uma encruzilhada de sua vida, quando tocaram o fracasso. Outros ele chama ao descobrirem o amor verdadeiro no meio de seu caminho. Ou ao encontrarem um medo profundo, quando tudo estava cheio de paz e calma. Pode já ser o meio da tarde em suas vidas. A outros, diante de uma enfermidade ou da morte, ele vem chamar. É a última hora do dia, em que surgem as perguntas mais verdadeiras. Ao cair da tarde. Para todos ele tem o mesmo amor, a mesma proposta, o mesmo desejo, a mesma pergunta. Deus sai a me buscar todas as horas do dia. Mesmo se eu disser não pela manhã, convida-me novamente à tarde. Nunca é tarde para mim. Meu momento nunca passa. Deus sai novamente para me encontrar.

Ele me chama, me convida. De manhã, quando minha vida está cheia de esperança. Ao meio-dia, quando vivo atarefado. No meio da tarde quando estou cansado, ou triste, ou cheio de dúvidas. Sai também em meio à minha noite, quando só tenho perguntas. Deus chega de novo e me ama igual. Não me diz que perdi meu tempo pelos caminhos. Ele fica igualmente feliz se eu lá estive toda a minha vida ou se acabei de chegar. Sempre há um lugar para mim junto dele, ao seu lado. Seu amor não tem medida.

Isso está claro para mim. Quero acreditar que Deus é assim comigo. Para poder ser eu também igual com os demais. Para aproximar-me de novo daquele que me magoou e chamar com paixão aquele que falhou comigo, procurar com ternura aquele que fugiu, deixando-me só. Quero fazer como Ele faz comigo. Eu quero ser assim. Isso me custa muito porque minha mente estreita tende a pensar que Deus é como eu, que recompensa ou pune de acordo com os méritos, que olha o relógio, a hora do dia, e julga. Mas Deus sempre me transborda. Porque me dá tudo, ainda que eu não dê nada. Para ele, é curioso, um minuto ao seu lado vale uma vida inteira, e minha vida inteira se mede em um minuto. E Ele sai de novo a me buscar, de novo e de novo, em todas as horas da minha vida. Qual é a minha hora quando Deus me chama neste momento?

 

Esta reflexão é um trecho da homilia do Pe. Carlos Padilla, de 24 de setembro de 2017. Para ler a homilia completa, em espanhol, clique aqui
O Pe. Carlos Padilla pertence ao Instituto Secular dos Padres de Schoenstatt da Espanha, seus materiais estão disponíveis no site: padrecarlospadilla.com

 

Foto: Exe Lobalza, em Cathopic.com

 

Publicado em: schoenstatt.org.br

“Senhor, quantas vezes devo perdoar?”

 

Pe. Francisco José Lemes Gonçalves –Na liturgia deste domingo, estamos no capítulo no qual Jesus, em Mateus, traça o perfil da comunidade e a convivência com os irmãos e irmãs. A boa convivência precisa transparecer o amor de Deus e, ao sermos olhados, os que não creem possam exclamar: “Vejam como se amam” e queiram fazer parte da comunidade.

Perdoar é um dom, graça de Deus, e uma arte. Uma ação que nos faz olhar para o Pai do céu que nos chama à perfeição e à santidade; faz chover sobre bons e maus e faz o sol brilhar sobre justos e injustos. Se Deus agisse somente com a justiça, ninguém subsistiria! Por isso, seu amor vem acompanhado da justiça, tudo que Deus faz é por amor, com amor e para o amor. Tudo que ele faz é para nosso bem, mesmo o sofrimento no seu amargo tem um bem. Como dizia Dom Aloisio Lorcheider: “É o remédio amargo que nos cura”.

Na passagem de hoje, Pedro quer agir segundo os preceitos da Lei escrita, que previa o perdão sete vezes ao dia para quem pecasse. Uma ação limitada! Jesus vai além, resgatando o espírito da Lei: perdoar até setenta vezes sete, ou seja, sempre! Estar disposto a perdoar pequenas e grandes falhas, já nos ensinará no Pai Nosso: “Perdoai as nossas ofensas, assim como nós perdoamos quem nos tenha ofendido”. Perdoar nos ressuscita e ressuscita quem recebe o perdão. Liberta! Cura! A medicina já diz, em seus estudos, que o perdão pode curar muitas doenças. Perdoar revela em nós a nobreza de Deus.

Muitos poderão dizer: “ah mais é difícil padre”, “o senhor não sabe o que ele/ela me fez”, “posso até perdoar, mas não quero papo”, “o que fez para mim foi um golpe no coração” e assim vai uma longa ladainha. Já parou para pensar se Deus agisse assim conosco quando não vamos à missa, quando trocamos as coisas de Deus pelas do mundo, quando deixamos de ser solidários agindo com a mais fria indiferença, quando só achamos que nós estamos sofrendo nesta pandemia? Pois é, no entanto, Deus segue te amando: o sol brilha na sua janela, tens saúde, ainda tens um trabalho, possivelmente ninguém da tua casa foi contaminado nesta pandemia, enfim, quanta coisa Deus te presenteia!

Perdoar é converter e fazê-lo com um coração nobre, inflamado pelo Espírito de Deus. Nosso Pai e Fundador sempre cultivou esta nobreza do perdão diante das incompreensões, até mesmo da própria Igreja diante da Obra de Schoenstatt; o Sr. João Luiz Pozzobon também teve essa nobreza do perdão diante das dificuldades na Campanha da Mãe Peregrina… Quando entramos na escola de Maria, no seu Santuário de Schoenstatt, ela vai nos modelando à imagem de seu Divino Filho e assim percorremos este mundo tão dilacerado pelo ódio, irradiando o amor de Cristo!

Leituras deste domingo (13/09/2020)
1ª Leitura – Eclo 27, 33-28,9
Salmo – Sl 102
2ª Leitura – Rm 14, 7-9
Evangelho – Mt 18, 21-35

 

Fonte: schoenstatt.org.br

Num só coração: Vale a pena buscar a unidade!

 

Pe. Francisco José Lemes Gonçalves – Mais uma vez nos aproximamos das Mesas da Palavra e da Eucaristia; em uma escutamos e somos educados pela força da Palavra, na outra somos alimentados e enviados em missão, para, com Maria, dar forma de Cristo ao mundo.

Neste domingo somos convidados a viver em comunidade e saber lidar com as limitações dos irmãos e irmãs. O meu erro e o erro do próximo devem ser corrigidos por meio da caridade, chamando outras pessoas; que sejam idôneas e sensatas, para ganhar aquele que esteja se perdendo ou nos ajudar a trilhar de volta o caminho do bem. O ligar e o desligar estão numa dinâmica de crescimento: ligar o que agrada a Deus, o que é perfeito e justo e desligar tudo que nos impede de viver como filhos e filhas de Deus muito amados!

O desligamento da pessoa da comunidade que não quer se emendar, e até mesmo ser tratada como pagã ou publicana (pecadora), é para que ela sinta falta da comunidade e perceba como a comunidade é vital em sua vida. Desligando-nos da comunidade, nós nos perdemos. Desligados da comunidade perdemos o equilíbrio e corremos o risco de trilhar caminhos que nos distanciam da verdade, da luz e da vida! Na comunidade, quando unidos, Jesus está no meio de nós e tudo que pedirmos em seu nome o Pai do Céu nos concederá. Unidos somos mais fortes! Unidos incorremos menos ao pecado e vivemos mais a vida da graça! Unidos, ninguém passa fome do pão material e espiritual. Unidos, na oração, vencemos esta pandemia!

O Santuário de Schoenstatt, com a Mãe e Rainha, é a nossa escola de crescimento fraterno e solidário. Ali, a Mãe de Deus nos educa na caridade, nos reúne para, em comunidade, seu Divino Filho estar no meio de nós. É onde, com carinho materno, ela vai até Jesus e lhe apresenta nossas talhas para serem transformadas em vinho bom. Nesta pequenina escola de Maria somos fortalecidos na fé e enviados para fazer deste nosso mundo um Schoenstatt Tabor – um belo de lugar de se estar!

Na proximidade dos 70 anos da Campanha da Mãe Peregrina de Schoenstatt (10.09.1950 – 10.09.2020) que a pequenina imagem de graças da Mãe e Rainha seja a educadora dos lares, comércios, escolas e outras modalidades, ambientes de fraternidade (caridade na correção e obediência acolhedora no ser corrigido) e oração comunitária, para com Maria experimentar a presença do seu Divino Filho no meio de nós!

 

Fonte: schoenstatt.org.br

 

“Se alguém quer me seguir, renuncie a si mesmo”

Pe. Francisco José Lemes Gonçalves – Domingo passado Jesus queria saber quem ele era para os que o seguiam, inclusive os mais de perto: os apóstolos! Também queria saber o que você pensa dele e também confia a você o poder das “chaves” de ligar nos céus as coisas boas e desligar o que não nos aproxima de Deus e dos irmãos. Assim como ele constrói sua Igreja sobre a fé de Pedro, também sobre nós, pedras vivas, e na vivência de nossa fé prática na vida diária ele constrói a sua Igreja!

Neste Domingo, Jesus faz seu primeiro anúncio da Paixão, mostrando que em breve entregará sua vida e muitos o abandonarão. Sua morte será vista como um grande fracasso, mas deste fracasso surgirá aquele que Pedro e nós professamos: “verdadeiramente tu és o Cristo de Deus! Mas… como sempre nos acomodamos e temos horror ao sofrimento e à cruz. Pedro mostra bem esse nosso lado: “Deus te livre disso Jesus”. A Pedra sobre a qual, na fé, constrói sua Igreja, passa a ser uma pedra de tropeço, capaz de estragar os planos de Deus. Jesus repreende Pedro e a nós quando assim pensamos; vem o conselho de Jesus para Pedro e para nós: tomar a nossa cruz de cada dia e SEGUI-LO. Seguir Jesus e não os outros! Seguir os rastros que ele seguramente nos deixou pela sua cruz!

Seduziste-me, Senhor

Jesus orienta a tomar cuidado para não querer ganhar a vida neste mundo, pois tudo é passageiro, embora muita coisa seja necessária. Ao contrário, ele ensina a fazer o bem, juntando tesouros no céu onde a traça não corrói e nem o ladrão pode roubar! Ganhar a vida servindo com amor, ganhar a vida sendo útil onde formos colocados. Ganhar a vida se entregando como Jesus fez, sempre com e por amor!

Somos pedras sólidas de fé e vida ou pedras de tropeço que afasta e divide? Hoje, há muita coisa dividindo e sendo tropeço, com facilidade seguimos outros e lá na frente caímos e nos decepcionamos, por quê? Porque queríamos ganhar a vida neste mundo!

É tempo de pandemia, tempo de distanciamento social, tempo de muitas crises… como sairemos disso tudo? Melhores ou piores? No evangelho deste domingo está a resposta… depende de nós seguir ou não seguir.

Pe. José Kentenich abraçou a cruz principalmente em dois grandes momentos de sua vida: no campo de concentração (Segunda Guerra) e no exílio nos Estados Unidos. Ocasiões críticas, mas delas saiu melhor e vencedor. Nessas horas de crise a Mãe de Deus é nossa grande educadora. Quem melhor que ela?! Foi quem seguiu seu Divino Filho no árduo caminha da Cruz! Segui-o até o fim. Que Ela nos ajude a seguir Jesus sem desanimar e sempre seguindo os passos Dele deixados em nosso caminho!

 

Leituras deste domingo

1ª Leitura – Jr 20, 7-9
Salmo – Sl 62
2ª Leitura – Rm 12, 1-2
Evangelho – Mt 16, 21-27

Foto: Dimitri Cornejo em Cathopic

Fonte: schoenstatt.org.br

Cultura do cancelamento x Cultura da Aliança

 

Jaqueline Montoya – Certamente em algum momento da quarentena, ou dos últimos meses, você pode ter se deparado com chamadas na internet ou comentários citando a expressão “cultura do cancelamento”. O termo faz referência a uma nova forma de convívio social estabelecida por alguns grupos de internautas. Em poucas palavras: deixar de seguir determinado perfil, grupo ou página (seja de personalidade pública ou não/empresa ou produto) ao se deparar com uma atitude ou posicionamento considerado “inaceitável” para os dias atuais.

A busca pelo politicamente correto

A cultura do cancelamento ganhou tanto destaque que, em 2019, foi eleito o “termo do ano” [1]. Sinal de sua atual relevância, devemos nos atentar a alguns detalhes do que está por trás do “cancelamento” de alguém.

Desencorajar posturas e atos incorretos ou impraticáveis é uma atitude considerada positiva – e pode ser de fato. Mas temos que estar atentos, como cristãos e schoenstattianos: o que isso pode significar?

O imediatismo da internet, a exposição do particular ao público e o julgamento rápido fazem com que a tolerância zero seja adotada, em muitos casos. Basta um ‘post’ com o qual não concordo e pronto: ‘cancelado’. Simples, não?! Mas e na vida real? Será possível cancelar todos com os quais discordo? Como me posiciono em situações de divergência?

O “cancelamento” também traz outros questionamentos: a internet tem cada dia mais se tornado um tribunal implacável. Em muitos casos, cancelar ultrapassa a questão da diferença do aceitável e se torna uma questão pessoal, até mesmo um discurso de ódio pela não aceitação daquela ideia. Além disso, há situações em que mal-entendidos geram o cancelamento e o julgamento imediato da internet não dá nem chances para esclarecimentos. Todos estes elementos tornam o tema uma discussão ampla e ainda mais complexa.

Lidar com o diferente, com opiniões e posturas contrárias é parte do convívio em sociedade. Parte que pode estar cada dia mais se perdendo, porque o diálogo parece não ser mais opção para muitos. É mais fácil atacar, criticar, “cancelar” do que dialogar e respeitar opiniões, mesmo quando discordamos delas.

Cultura do encontro… cultura da Aliança

Se o cancelamento ganha força, quem o rejeita também. O Papa Francisco, desde o início de seu pontificado, nos apresenta uma chave para vencer os problemas dos tempos atuais, marcados pela indiferença e o ódio: a cultura do encontro. Cultura do encontro que, como ele mesmo disse a nós schoenstattianos, também pode ser traduzida em ‘nosso linguajar’ como cultura da Aliança: trilhar um caminho juntos.

Muitas vezes, o Papa nos alerta para estarmos atentos e abertos ao outro. Para Francisco, o encontro não é apenas um momento, em que depois cada um segue seu rumo, mas um marco para as duas pessoas. “As pessoas cruzam-se entre si mas não se encontram (…) não é suficiente ver, não: é preciso olhar — se não paro, se não olho, se não toco, se não falo, não posso realizar um encontro, não posso ajudar a construir uma cultura do encontro”, afirmou o pontífice em 2016 [2].

Buscar pontes e não muros

A busca por pontes deve guiar nossa atitude diante do outro. Como o Papa nos lembra, “aqueles que constroem os muros acabarão presos pelos muros que construíram. Mas, aqueles que constroem pontes vão muito à frente. Para mim, construir pontes é algo que vai quase além do humano, exige muito esforço” [3].

Assim como na vida de Aliança de Amor: não podemos simplesmente fechar os olhos para aquilo que discordamos. A cultura da Aliança nos desafia, a cada dia, a ouvir a voz de Deus no meio dos acontecimentos diários, a interpretar os sinais dos tempos. Se me fecho em meu mundo de “cancelamentos”, como poderei ver o que os tempos me dizem? Nosso Pai e Fundador nos ajuda na reflexão, ao explicar as dimensões da Aliança de Amor: “Necessitamos empenhar-nos a fim de nos vincularmos pelos laços do amor, pessoa com pessoa… A aliança de amor com a Mãe de Deus tem de se tornar, sempre mais, em nossas fileiras, aliança de amor com o Deus Trino, aliança de amor entre nós, aliança de amor com todos os homens do mundo”[4]

“Dificuldades da época são tarefas da época” [5]

Se entre tantas luzes no mundo hoje, encontramos também trevas e dificuldades (seja ele real ou virtual), o Pai e Fundador, Pe. José Kentenich, nos lembra que “estamos acostumados a utilizar a época atual como livro de estudo. Isso nos dá um impulso vigoroso a abraçar com grande ardor o que hoje se rejeita” [6].

Que à luz da Aliança de Amor possamos sempre buscar o caminho do diálogo. Frente às situações de dúvida ter uma atitude coerente de observar, analisar, dialogar e só então me posicionar. Bem como nos ensinou o Fundador: em cada situação da vida “observar – comparar – resumir/extrair um princípio e aplicar”.

 

 

Referências:

[1] O termo foi eleito pelo Dicionário Macquarie, responsável por selecionar anualmente palavras e expressões que mais moldaram o comportamento humano. Fonte: https://canaltech.com.br/redes-sociais/a-cultura-de-cancelamento-foi-eleita-como-termo-do-ano-em-2019-156809/

[2] PAPA FRANCISCO, meditações matutinas na santa missa celebrada na capela da Casa Santa Marta, 13 de setembro de 2016 http://www.vatican.va/content/francesco/pt/cotidie/2016/documents/papa-francesco-cotidie_20160913_cultura-do-encontro.html

[3] PAPA FRANCISCO, diálogo com jornalistas no voo de retorno do Marrocos, 31 de março de 2019  https://www.vaticannews.va/pt/papa/news/2019-03/quem-constroi-muros-permanece-prisioneiro-papmar.html

[4] PE. JOSÉ KENTENICH. Schoenstatt e a Igreja, p. 18

[5] PE. JOSÉ KENTENICH. Filialidade Heroica – Brasil Tabor 2, pág. 52

[6] PE. JOSÉ KENTENICH. Filialidade Heroica – Brasil Tabor 2, pág. 53

Foto: Geralt, via pixabay.com

Fonte: schoenstatt.org.br

As luvas de Deus

Deus usa luvas! Sim! Essa é uma das imagens que o Pe. José Kentenich utiliza para explicar a ação de Deus em nossa vida, à luz da fé, por trás de todas as situações. É o atuar da Divina Providência em cada segundo do nosso dia.

Ele explica que a mão de Deus nos toca, muitas vezes, de forma indireta, em situações que podemos até não nos dar conta, por exemplo, por meio de “mãos humana”. Vejamos sua reflexão…

 

Pensem na outra imagem que nos é familiar: o bom Deus coloca luvas. Podem ser luvas duras, de ferro, e podem ser luvas macias.

Como são essas luvas? De onde provêm? As luvas são a mão humana que nos toca.

Podem ser…

 

(Foto: pixabay.com)

 

LUVAS DE FERRO

São as pessoas que nos querem mal, que, por exemplo, nos caluniam ou querem prejudicar-nos financeiramente.

Por exemplo, uma determinada pessoa que conheço e que me quer mal. Suponho que ela é uma luva de ferro que me toca, mas dentro da qual está a mão macia do Pai. A mão humana pode prejudicar-me, mas, por meio dela, a mão do Pai quer dar-me algo de bom.

Vou contar-lhes um pequeno exemplo, singelo e concreto, para que esta realidade se grave nova e mais profundamente em nós…

Já lhes falei, algumas vezes, de um fato da vida do pequeno Geraldo Majella. Ele era um simples irmão leigo redentorista. Lá fora, no mundo, aprendera o ofício de alfaiate e no convento costurava o tempo todo. […] Ele tinha, desde criança, a mesma atitude sobrenatural que nós designamos como “viver do espírito de fé”. Na juventude fora aprendiz de alfaiate. Os auxiliares de seu mestre eram muito duros e cruéis para com o jovem aprendiz. Surravam-no […]. Sempre que ele cometia um erro, não se contentavam em ralhar com ele, surravam-no. E o pequeno Majella, o que fazia? Não se defendia, limitava-se a sorrir. Aquele que o maltratara ficou embaraçado, sem saber o que fazer. “É verdade – diz o pequeno Majella – eu rio”. Por que seria? A frase singularmente bela que devemos gravar é a seguinte: “Alegro-me porque a mão que me bate é a mão de Deus Pai”.

Isso é a aplicação concreta do que acabamos de explicar, compreendem? Entendemos o “espírito de fé” que semelhante atitude supõe? O heroísmo de fé que significa viver assim? Penso que devem deter-se neste exemplo e refletir como a mão de Deus os tocou, pessoalmente, na sua própria vida; ou seja, como Deus usou intermediários, mãos humanas, para tocá-los.

 

 

(Foto: Anastasia Zhenina, via pixabay.com)

 

LUVAS MACIAS

Deus pode utilizar de mãos humanas cruéis, mas pode, de igual modo, ter utilizado mãos bondosas.

Permitam que chame novamente a atenção para um aspecto que habitualmente não tomamos tanto em conta. Achamos natural que as pessoas sejam boas para nós, não relacionamos logo esse fato com o bom Deus. Mas, à luz de Deus, à luz da fé, é sempre, de alguma forma, o bom Deus que nos toca! Não é por acaso que, de vez em quando, alguma pessoa vem amável e bondosamente ao meu encontro, me ajuda, me dá um conselho e assim por diante; ou que minha firma vai bem. Precisamos aprender a relacionar também todas essas coisas ao bom Deus e a agradecer-lhe de coração.

E por que isso?

Quero gravar especialmente nos senhores uma ideia que ainda não compreendemos em suficiente profundidade. Conhecem a velha expressão: “as pessoas propõem e Deus dispõe”? Por que os planos humanos são tantas vezes totalmente diferentes dos planos de Deus? É assim: o plano traçado pelo bom Deus desemboca sempre no além. (Para ele) o objetivo do mundo e o objetivo de cada pessoa é o céu, o além. Nós vemos apenas a vida das pessoas aqui na terra. É por isso que, na maioria das vezes, nossa previdência terrena é essencialmente diferente da Providência divina.

Acresce que o bom Deus não nos revela de uma só vez o seu plano para a humanidade, […] mas só abre um pouco a portinha, abre apenas uma janelinha. É uma obra de mestre olhar pela portinha e captar, em certa medida, o plano do bom Deus.

Todo autêntico filho de Schoenstatt vive da fé na Providência. […] Concretamente, perguntamos: quando vivemos da fé na Providência? A primeira resposta é: quando escutamos, em todas as situações da nossa vida, um chamado de Deus Pai. Ou, melhor ainda: devemos escutar um chamado do amor de Deus em todas as situações da vida individual e nos acontecimentos do mundo. O chamado de amor desperta uma resposta de amor. Uma segunda resposta, no mesmo sentido, [..] é sentir, em toda a parte, a mão de Deus!

 

Fonte:
KENTENICH, Pe. José. Às segundas-feiras ao anoitecer, Diálogos com famílias, vol 21 – Nossa vida à luz da fé. Sociedade Mãe e Rainha

Quem é Jesus na sua vida?

Pe. Francisco José Lemes Gonçalves – No evangelho deste domingo, Jesus quer saber os efeitos de seu ministério e quem ele é para o povo que o segue e por ele é curado. Ainda há muito desencontro sobre a identidade de Jesus. Aos seus mais próximos, Jesus questiona o que pensam dele e é Simão Pedro quem dá a resposta certa: Tu és o Cristo, Filho do Deus vivo! Uma resposta certa, porque iluminada por Deus, que o fez ver nos sinais e ensinamentos aquele que todo Israel de Deus esperava. Jesus lhes confere as chaves de sua Igreja, ou seja, Jesus confia a Pedro o poder de cuidar, zelar e confirmar os irmãos na fé depois que partir para junto do Pai.

Para nós, quem é Jesus?! Qual sua experiência pessoal que te leva a professar a sua fé naquele que, por obra do Espírito Santo, se fez homem no ventre Imaculado de Maria? Você, como Pedro, também é chamado a cuidar da Igreja de Jesus, zelar pela unidade, confirmar os irmãos na fé, socorrer os indefesos, principalmente nestes tempos pandêmicos que estamos vivendo. São tempos de uma profissão de fé heroica, tempos de ligar no céu e desligar o que não nos traz a salvação, desligar daquilo que nos afasta da filialidade com Deus, tempos de ligar a Deus nossa filialidade!

Nossa experiência pessoal com Jesus deve vir à luz para iluminar os que estejam nas trevas e perdidos, porque se afastaram da comunidade. Nosso seguimento a Jesus deve se tornar muito concreto na realidade que o Covid-19 está gerando e ainda vai gerar – não podemos estar a confundi-lo como naquele tempo estavam. Já o conhecemos, aliás, nós dele nos alimentamos e escutamos sua Palavra. Professar a fé em Jesus Cristo deverá nos lançar na conquista de corações nos quais ele já não habita e ligar pela chave do amor estes que estão perdidos.

Somos convidados a rezar pelo Papa Francisco, legítimo sucessor de Pedro para nossos tempos, que incansavelmente vem ligando, pelas chaves do amor, o homem que ainda insiste no egoísmo, na ganância e na falta de solidariedade para com os que sofrem as consequências dessa pandemia. Vem com caridade e fé confirmar a nossa fé que Jesus é o enviado do Pai e que a Igreja é o lugar da experiência dessa fé e o lugar de envio para anunciar a alegria do Evangelho.

Com nosso Pai e Fundador, Pe. José Kentenich, aprendemos a amar a Igreja; ele que, mesmo diante de um ato restritivo da Igreja, levando-o ao exílio de 14 anos nos Estados Unidos, nunca deixou de amá-la e respeitar o sucessor de Pedro de seu tempo. Diante disso tudo procurou ser a “chave do amor” que através de Schoenstatt e da Mãe Educadora Três Vezes Admirável de Schoenstatt, procurou ligar ao céu, pois, nossa vida cá na terra é Rumo ao Céu!

Rezemos ao Senhor da Messe para que presenteia a Igreja com boas e santas vocações leigas, especialmente para o ministério de catequistas, que celebramos neste domingo.

Leituras deste domingo

1ª Leitura – Is 22, 19-23
Salmo – 137
2ª Leitura – Rm 11, 33-36
Evangelho – Mt 16, 13-20

Foto: Ir. M. Nilza P. da Silva

Fonte: schoenstatt.org.br

Homens e mulheres da Igreja no coração do mundo…

 

…e homens do mundo no coração da Igreja

Maria Rita Fanelli Vianna – “Essa pessoa é muito leiga” – assim ouvimos ou até dizemos. Nesse sentido, é a pessoa que tem pouca familiaridade com determinado assunto, profissão, etc.

A palavra ‘leigo’ vem do grego laikós, que significa massa, multidão, aglomeração de gente; então, é a multidão dos leigos que formada pelos filhos e filhas de Deus!

O Catecismo da Igreja Católica ensina: “Sob o nome de leigos entendem-se aqui todos os cristãos, exceto membros das Sagradas Ordens ou do estado religioso reconhecido na Igreja, isto é, fiéis que, incorporados a Cristo pelo Batismo, constituídos em Povo de Deus e a seu modo feitos participantes da função sacerdotal, profética e régia de Cristo, exercem, em seu âmbito, a missão de todo o Povo cristão na Igreja e no mundo”. [1]

A Constituição Dogmática Lumen Gentium assim expressa sobre a vocação leiga: “Todos os cristãos, de qualquer condição ou estado, são chamados pelo Senhor, cada um por seu caminho, para a perfeição da santidade pela qual o próprio Deus é perfeito”. [2]

O Documento de Aparecida [3] também esclarece: “Os fiéis leigos são os cristãos incorporados a Cristo pelo batismo, que formam o povo de Deus e participam das funções de Cristo: sacerdote, profeta e rei. Realizam, segundo sua condição, a missão de todo povo cristão na Igreja e no mundo. São ‘homens da Igreja no coração do mundo, e homens do mundo no coração da Igreja” [4]. Portanto, é pelo Batismo que todos, inclusive os leigos, recebem a vocação de cristãos; pelo Batismo, inicia-se a vida espiritual; nos tornamos templos do Espírito Santo, discípulos missionários de Jesus.

Então, leigo é você, batizado: homem, esposo, pai, profissional, solteiro; leiga é você, batizada: mulher, esposa, mãe, profissional, solteira. E é maravilhoso saber que a Igreja nos aceita como leigos e leigas, a partir do Batismo.

Os leigos podem atuar em todos os setores da sociedade: na política, na educação, nos meios de comunicação, na economia, na cultura, nas ciências, nas artes, enfim, em todos os setores e comunidades, onde quer que estejam: na família, no trabalho, no lazer. Os leigos são a ponte entre a sociedade e a Igreja; levam até ela as experiências, desafios, problemas que vivem no mundo e dela trazem para o mundo, porque assim vivem a Boa Nova, o Evangelho.

Conforme a missão própria, todo leigo tem funções dentro da Igreja: na liturgia, na catequese, no Ministério da Eucaristia ou da Palavra, no canto, na Pastoral da Saúde, da Acolhida… – enfim, são tantas as funções que o leigo pode exercer para ajudar sua comunidade, sua paróquia. Aliás, “pode exercer” é pouco: deve exercer, porque a vocação de todo leigo complementa-se na Igreja, com a Igreja, pela Igreja.

Ser leigo é viver o dinamismo da fé; é encarnar em si a vocação de fazer com que o amor de Deus penetre no seu cotidiano, irradiando o Amor do Pai. É cumprir o Documento de Puebla [5]: Cabe aos leigos “Apresentar a fisionomia de uma Igreja comprometida na promoção da justiça em nossos povos”.

O cristão leigo é chamado a marcar, completar, transfigurar os valores do mundo; valores que, atualmente, nem sempre coincidem com os verdadeiros Valores que Jesus nos deixou. Em meio à tantos desafios, o leigo é chamado a fazer parte do povo de Deus, a ser o povo de Deus, como fermento de santidade, luz do mundo, sal da terra.

A grande inspiradora dos leigos é a Mãe de Deus! Como leiga, assumiu totalmente sua vocação, a partir do Fiat. Foi servir sua prima Isabel; intercedeu pelo primeiro milagre do seu Filho nas bodas de Caná. Como leiga, acompanhou Jesus em sua vida pública, até o sacrifício, a morte de Cruz. Confiou na Ressurreição e foi a grande Companheira dos apóstolos, na espera e na vinda do Espírito Santo.

A Mãe de Deus continua intercedendo por todos os leigos! Tem todos em seu Materno Coração e dá a força necessária para cada um viver, no concreto, sua vocação leiga.

 

Referências
[1] Catecismo da Igreja Católica, 897
[2]: cf. Exortação Apostólica Pós-Sinodal, Papa Francisco, Christus Vivit, pág. 107
[3]: O Documento de Aparecida, 208/5.3.4
[4]: Documento de Puebla 87
[5]: Documento de Puebla 77

 

Fonte: schoenstatt.org.br

Solenidade da Assunção de Nossa Senhora ao Céu

Pe. Francisco José Lemes Gonçalves – A Solenidade da Assunção de Nossa Senhora ao Céu celebra-se no dia 15 de agosto, mas no Brasil ela é transferida para o Domingo próximo para que todo o povo possa celebrar ao redor da Mesa da Palavra e da Eucaristia aquela que, por meio do sim, o Verbo veio habitar entre nós!

A Assunção de Maria é nossa esperança de que um dia seremos assumidos por Deus, já que com Cristo morremos com Ele também ressuscitaremos! Maria, estando no céu junto ao Filho, olha por nós que ainda somos peregrinos neste mundo rumo ao céu. Neste dia é bom cantar: “Com minha Mãe estarei na santa glória um dia (…) Junto à Virgem Maria no céu triunfarei…” Sim, no céu com Ela estaremos, por isso somos convidados a termos as atitudes de Maria: solidariedade como teve com sua prima Isabel levando o fruto de seu ventre que trouxe alegria àquela casa, cantar os louvores de Deus, que em Maria fez grandes coisas e o mesmo fará através de nós, ter sempre esperança nas promessas de Deus que são cumpridas sempre no tempo oportuno; Deus olha sempre para os pequenos que, como Maria, reconhecem a grandeza de Deus e não se levantam no orgulho ou na autossuficiência. Como Maria, crer que o amor misericordioso de Deus é de sempre e para sempre!

 

“Minha alma glorifica o Senhor”!

Nestes tempos de pandemia a Igreja deve olhar para Maria como num espelho e se ver revestida do Sol que é Cristo; com sabedoria saber lidar com as inconstâncias do tempo – símbolo da Lua – e esperar a coroa da vitória, simbolizada na coroa de Doze estrelas! A Igreja, como Maria, precisa ser este grande sinal de Deus nos céus das incertezas geradas por esta pandemia! Como Maria, crer que Deus protege e sempre haverá de vencer os dragões que querem destruí-la!

Olhar para nossa Mãe na Glória do Céu é ter esperança, pois ela não nos perde de vista, sempre está com seus “olhos misericordiosos a nós volvendo” e, ao final de nossa jornada neste mundo, nos “mostrará Jesus o fruto bendito de seu ventre”.

Com nosso Pai e Fundador, Pe. José Kentenich, rezemos à nossa querida Mãe:

“Assim como durante a vida acompanhaste o Senhor,
Com ele viveste, amaste e sofreste;
Ao findar tua existência terrena,
Ele te recebe no céu em corpo e alma.
De coração participo na vossa felicidade
E imploro para o mundo um destino semelhante”.
(Rumo ao Céu 354)

Publicado em: schoenstatt.org.br