Neste domingo, o Rio Grande do Sul celebra sua padroeira ‘Nossa Senhora, Medianeira de Todas as Graças’. A tradicional romaria, que anualmente atrai mais de cem mil peregrinos, não pode acontecer, por causa da pandemia da covid-19. Todavia, pelos meios de comunicação e redes sociais, um número muito maior acompanha as celebrações no Santuário-Basílica, em Santa Maria/RS.
O que significa dizer que Maria é Medianeira?
No primeiro volume da coleção ‘A Escola de Maria’, meditando a passagem bíblica das boas de Caná (Jo 2, 1-12), encontramos elementos para responder esta pergunta.
A Mediação Materna de Maria
Desde os tempos mais remotos, os católicos vêm no relato das bodas de Caná uma indicação para a intercessão de Maria em favor de seus filhos. Como escreve o Papa João Paulo II na sua encíclica Redemptoris Mater (A Mãe do Redentor):
“De fato (…) depois de elevada ao céu, Maria não abandonou este papel de salvação, mas com a sua múltipla intercessão, continua a alcançar-nos os dons da salvação eterna” (LG 62). Com este caráter de ‘intercessão’, que se manifestou pela primeira vez em Caná da Galiléia, a mediação de Maria continua na história da Igreja e do mundo. (…) Maria, “com a sua caridade materna, cuida dos irmãos de seu Filho, que ainda peregrinam e se debatem entre perigos e angústias, até que sejam conduzidos à pátria bem-aventurada” (LG 62). Deste modo, a maternidade de Maria perdura incessantemente na Igreja, como mediação que intercede; e a Igreja exprime a sua fé nesta verdade invocando-a sob os títulos de Advogada, Auxiliadora, (Perpétuo) Socorro e Medianeira” (40).
Como Mãe, Maria intercede por nós junto de Deus, como fez pelos noivos em Caná. A tradição católica costuma chamar Maria de ‘Onipotência Suplicante’. Somente Deus é realmente ‘onipotente’. O único poder de Maria é sua intercessão junto a Deus por seus filhos, o que ela faz sem cessar.
Quando falamos na mediação de Maria é importante lembrar que o único Mediador entre nós e Deus é Jesus Cristo, pois Ele mesmo disse: “Ninguém vai ao Pai a não ser por mim” (Jo 14,6). Porque o batismo nos insere em Cristo e nos faz participar de sua vida e missão, todos nós batizados podemos ser também ‘mediadores’. Na medida em que vivemos unidos a Cristo, que anunciamos a sua Palavra e conduzimos muitas pessoas a Ele, estamos sendo – em Cristo e em sua dependência – também mediadores. E Maria? Porque ninguém viveu mais unido a Cristo que sua Mãe santíssima e pela sua grande missão como Mãe de Deus e Mãe da Igreja, a mediação de Maria é especial. Ela é, todavia, sempre inserida e dependente da única mediação de Cristo.
Como Medianeira, por um lado, Maria intercede por nós junto de Deus e, por outro, apresenta o ‘Filho’ aos filhos, com a admoestação: “Fazei tudo o que Ele vos disser” (Jo 2, 5). Essas são suas últimas palavras registradas no evangelho, quase como um ‘testamento’ da Mãe de Deus. Mais que aos criados de então, estas são palavras dirigidas aos homens de todos os tempos. Encerram todo o anseio, a vivência e a missão de Maria: conduzir-nos à identificação com Cristo.
O Papa Paulo VI, na sua encíclica Marialis Cultus (O Culto de Maria), interpreta essas palavras de Maria como uma ressonância da frase usada pelo povo de Israel para confirmar a aliança selada com Deus no Monte Sinai, quando responderam: “Faremos tudo o que o Senhor disse” (Ex 19, 8). Ao mesmo tempo, Paulo VI diz que podemos fazer um paralelo das palavras de Maria “Fazei tudo o que Ele vos disser” com a voz do Pai na teofania (‘manifestação de Deus’) no Monte Tabor, quando da transfiguração de Jesus: “Eis o meu Filho muito amado, em quem pus toda minha afeição; ouvi-o” (Mt 17, 5) (cf. Marialis Cultus, 17).

Escola de Maria, Volume 1, ‘A Imagem Bíblica de Maria’, Sociedade Mãe e Rainha, p. 94 e 95.

Gertrud Pollak – Nas estações de trem e espaços públicos piscam os relógios digitais. Em nossos contextos privados são simplesmente os mostradores que transmitem de forma precisa o horário via rádio. Onde ainda há estes relógios não eletrônicos, com um pêndulo móvel? O pêndulo se move da esquerda para a direita e volta em ritmo audível. O suave som do pêndulo acalma e, quando os tons do relógio aumentam, podemos ouvir que horas são. O pêndulo é suspenso com segurança, para e se move num só ritmo.




Esse novo olhar sobre os demais traz luz na escuridão. Esse olhar muda a minha forma de acolher quem está longe de mim. Todos podem participar da minha festa. Minha festa não necessita de ingressos exclusivos. Mas muitas vezes não é assim. Custa-me compartilhar minha alegria. Eu a guardo para mim mesmo. Não convido quem não merece. Não convido aqueles que não podem me devolver o mesmo que eu ofereço. Eu me sinto tão egoísta. Não saio pelas estradas buscando a todos, como Jesus faz hoje. Ele sai. Sua festa é para todos. Ele não quer ficar sozinho em sua festa. Para mim parece importar menos ter de ficar sozinho em minha festa. Sofro a solidão. Isso dói. Mas custa para mim compartilhar minhas alegrias e minhas tristezas. Uma alegria não compartilhada é uma alegria menor.