“Vais comigo ao presépio?” Terceira parte

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Hoje, quando em muitos locais se inicia a novena para o Natal, foi lançada a segunda parte da série de Advento ‘Vais comigo ao presépio?’, uma realização das Irmãs de Maria de Schoenstatt que videm junto ao Santuário Tabor.

No vídeo de hoje, as Irmãs nos propõe revisitar uma antiga tradição na Igreja, a ‘procura de albergue’, onde se recorda os momentos de angústia de José e Maria pelas ruas de Belém, à procura de um abrigo para o nascimento do Salvador.

Além das Irmãs, que apresentam uma versão cantada da procura de albergue (tradição do século XIX), as crianças Joaquim Corso Cabral e Maísa Jobim D´Avila, da Escola de Educação Infantil Jardim de Maria, colaboraram com ‘magnífica interpretação’.

O quarto vídeo da série será postado na próxima semana, quase às vésperas do Natal

O que significam os Símbolos de Advento e Natal?

Ir. M. Nilza P. da Silva – A preparação e a festa do Natal são relacionadas com muitos símbolos cujo significado pode perder-se com a comercialização. Como cristãos autênticos, somos chamados a restaurar o sentido de cada símbolo, a fim de que ele represente a graça e a vida que floresce com a festa do nascimento de Jesus.

Guirlanda ou coroa de Advento: o arranjo de cedrinho com as quatro velas (acendendo uma a cada semana do Advento) representa os milhares de anos que o povo de Israel esperou pelo Salvador. Cada vela que se acende nos indica que a noite do pecado está próxima a ser vencida, que a luz de Deus brilhará nas trevas. “A luz brilhou nas trevas… o Verbo é a luz verdadeira que ilumina todo o homem” (Jo. 1, 4; 9)

Arranjos na porta: quando se deu a libertação de Israel da escravidão no Egito, Deus pediu que os judeus assinalassem a porta com o sangue do cordeiro imolado. Esse sinal representava a fé dos judeus na ação divina. Todas as casas com as portas assinaladas não sofreram o castigo. Hoje, colocando um sinal em nossa porta, testemunhamos que somos cristãos e acreditamos que Jesus vem nos libertar da escravidão do pecado. É como se disséssemos aos que passam: nesta casa mora uma família que crê em Jesus e se  esforça para, com a ajuda dele, libertar-se de seus pecados. “Iahweh… passará diante dessa porta e não permitirá que o exterminador entre em vossas casas para vos ferir” (Ex. 12, 23)

Pinheiro: a árvore de Natal é um pinheiro, árvore resistente ao  frio do inverno. Ele simboliza que Jesus é a verdadeira árvore da vida e seu reino supera todos os outros reinos. Assim também, nossa fé, como o pinheiro deve suportar todas as adversidade. O verde nos lembra a esperança da vinda do Messias que está para nascer. “É a árvore da vida para os que o colhem e felizes os que a retêm” (Prov. 3, 18)

Bolinhas coloridas: as bolinhas e enfeites coloridos colocados na árvore de Natal simbolizam a diversidade das boas ações que somos capazes de fazer, a fim de permanecermos unidos a Cristo. Cada enfeite deveria ser a expressão de um bom ato que fazemos na preparação de nosso coração para o Natal. “É pelo fruto que se conhece a árvore” (Mt 12, 33)

Presentes: Jesus é a maior dádiva do amor do Pai para conosco e cada um de nós deve tornar-se um dom para o outro. Ao dar um presente para alguém, expressamos o desejo de que Jesus seja o maior dom em sua vida. “Todo o  dom precioso e toda a dádiva perfeita vem do alto e desce do Pai das luzes” (Tiago 1, 17)

Velas: o Menino que vai nascer é a Luz do mundo. Com seu nascimento esvai-se a treva do pecado. Ele, nascendo em nós, nos torna luz para todos os que convivem conosco. “Eu sou a luz do mundo, quem me segue não andará nas trevas” (Jô, 8,12)

Estrela: a estrela de Belém guiou os reis magos até Jesus. Maria é a Estrela da evangelização, aquela que anuncia o Sol que é Cristo. Também nós devemos ser uma estrela- guia que indica o caminho, a fim de que muitos cheguem até Deus. “Vimos a sua estrela no oriente e viemos adorá-lo” (Mt. 2, 2)

Sino: quando os sinos tocam, eles anunciam que algo importante vai acontecer. Os sinos de Natal nos lembram o maior de todos os acontecimentos: “O Verbo se fez carne e habitou entre nós!” (Jo 1, 14). Também nossa vida deve ser um constante anúncio de que Deus habita em nosso meio.

Ceia de Natal: é festa de aniversário, comemoração da vida! Fez parte da libertação do Egito a celebração da ceia pascal. Na Santa Ceia da quinta-feira santa, Jesus instituiu a Eucaristia. A Santa Missa é a renovação dessa Ceia sagrada. Por isso, a ceia do Natal é símbolo de festa, de alegria, do partilhar a salvação que entrou em nossa casa. Ao mesmo tempo, é  compromisso de cada um por esforçar-se  que o pão da vida alimente todos os corações. “Eu sou o pão da vida! Quem vem a mim, nunca mais terá fome!” (Jo. 6,35)

Que neste ano não coloquemos somente um símbolo em nossa casa, mas, com a ajuda da Mãe de Deus, cada um deles expresse o nosso empenho em tornar vida o que eles representam.

Fonte: schoenstatt.org.br

O Tabernáculo e a Manjedoura

natal (1)

Ir. M. Nilza P. da Silva – Nobis datus, nobis natus, exintacta Virgine. Quantas vezes lemos estas palavras gravadas nas portas do Tabernáculo, no Santuário de Schoenstatt. Elas nos indicam que o Tabernáculo e a Manjedoura estão estreitamente unidos.

Tanto no Natal, como em cada celebração eucarística, é o divino que vem ao encontro da pequenez humana. É a humildade de um Deus, Pai de amor e misericórdia, que tem sua alegria em estar com seus filhos.”O Verbo se fez carne e habitou entre nós!”, afirma São João (Jo 1, 14). “Eu estarei sempre convosco, até o fim do mundo…”, continua São Mateus (Mt 18, 20).

O Natal em cada Santa Missa

Acostumados com o barulho e a agitação de nossa cidade, com as exigências de nossos compromissos, muitas vezes não nos damos conta de que Deus continua nascendo, cada vez que o sacerdote eleva o cálice e pronuncia as palavras da consagração. Cada confissão é um advento, no qual preparo a manjedoura de meu coração para acolher Jesus que vem a mim, pequeno e humilde, feito pão, na eucaristia.

Sempre de novo Ele é gerado pela Virgem Maria. Na carta para o Ano da Eucaristia, São João Paulo II escreve que “a Virgem Santa encarnou a lógica da Eucaristia na sua existência inteira. A Igreja, vendo em Maria o seu modelo, é chamada a imitá-la também na sua relação com este mistério santíssimo. O Pão eucarístico que recebemos é a carne imaculada do Filho” (31). Escreve ainda que “No sacramento da Eucaristia o Salvador, que encarnou no seio de Maria vinte séculos atrás, continua a oferecer-se à humanidade como fonte de vida divina” (7).

Que Maria, no Advento, nos conduza a um encontro pessoal com Jesus sacramentado. E os frutos deste encontro seja nosso serviço desinteressado a Jesus, presente no irmão que sofre.

Fonte: schoenstatt.org.br

Preparemos o caminho do Senhor!

   

Pe. Francisco José Lemes Gonçalves – A luz da segunda vela, deste Domingo de Advento, vai iluminando a coroa e nos deve fazer pensar na Luz de Cristo, que já nos visitou e nos visita a cada Eucaristia. Advento tempo de espera, vigilância, oração e solidariedade, ações que, quando o Senhor vier em sua segunda vinda, se no encontrar nessas ações, seremos benditos de seu Pai e entraremos para o grande banquete no céu!

A figura que nos ajuda neste Segundo Domingo de Advento é JOÃO BATISTA

Ele não é a voz, mas clama no deserto de nossas vidas, para que preparemos os caminhos para o Senhor. Endireitemos os caminhos de nossas vidas, ou seja, conversão: mudança de vida a partir da opção por Jesus e seu Evangelho. Quais “João Batista” também somos convidados a gritar nas realidades em que vivemos e a partir de nosso testemunho de discípulo missionário de Jesus, converter os que estão longe e reanimar os que se encontram frios na fé.

Nosso Batismo nos confere essa missão de anunciadores do Reino, por ele somos marcados pelo bom Deus e somos a imagem de seu Divino Filho, em todos os lugares onde estivermos. Por isso, a cada dia 18 do mês, com Maria Imaculada, somos convidados a lembrar nossa consagração a Deus, pelo Batismo, e nossa missão profética de mostrar o amor de Deus ao mundo revelado e personificado em seu Filho.

Embora o Advento não seja um tempo penitencial, somos convidados a fazer penitencia e, por meio dela, nos corrigir e deixar que a graça de Deus nos coloque no caminho certo, aquele que Deus previu para cada um de nós. A conversão exigirá de nós um desacomodar, um desinstalar de situação que fomos agregando ao nosso modo cristão de viver e que não agrada a Deus. João Batista, nas suas vestes simples e no seu comer moderado, é-nos um convite para frearmos nossas ansiedades no comer e beber, nossas preocupações, muitas vezes sem fundamento.

Viver uma vida com sobriedade – em todos os sentidos – tem sido um apelo nesta pandemia; basta nos deixar conduzir pelo Espírito, no qual já fomos batizados. O que precisa ser mudado na minha vida? Antes de olhar para o outro devo me olhar primeiro e minha consciência de mudança levará outros a mudarem também!

Preparando-nos para a grande solenidade da Imaculada Conceição, nossa mestra espiritual deste Tempo de Advento, que seu ser Imaculado nos lave de toda a nossa imundície e nos torne, como Maria, agradáveis ao Bom Deus. Em seus Santuários de Schoenstatt, com seu olhar materno, ela nos convida a uma vida pura, de ações puras, de gestos e modos puros… ali ela nos lembra sempre a bem-aventurança: “Felizes os de puro coração… verão a Deus”. Que nosso Pai e Fundador, Pe. José Kentenich, que em sua vida procurou viver intensamente o ideal de Imaculada, e a todo Schoenstatt procurou levar por este caminho seguro e certo, também esteja conosco nesta preparação para o Natal do Senhor.

Foto: Ir. M. Nilza P. da Silva – Caminho ao lado do Sant Original

Fonte: schoenstatt.org.br

Como se preparar para o Advento em família?

 

Edson e Rosangela Pieralisi – Está chegando o Advento, logo é Natal.

Os dias parecem correr, tudo é tão rápido… são tantas atividades e desafios que nem percebemos que um novo tempo nos espera com alegria.

Como podemos vivenciar em família este tempo tão especial do Advento, preparando-nos do melhor modo possível para o Natal?

Precisamos silenciar! Parar e ouvir Deus falar! Tomar consciência dos Seus passos em nossa história no decorrer deste ano e, em um “diálogo de amor”, partilhar com Ele os mistérios gozosos, luminosos, dolorosos e gloriosos de nossa vida neste 2020! Aí vamos ver como Deus cuida e caminha conosco, em Aliança. Um retiro pode ajudar muito.

Não podemos esquecer do Presépio, em especial no Santuário Lar. E podemos configurar algo especial, como colocar na manjedoura um coração com o nome das pessoas que amamos, ou alguns flocos de algodão representando as nossas Contribuições ao Capital de Graças para o Santo Natal. Também podemos preparar em nossa casa vários pequenos arranjos, como a Coroa do Advento e a Guirlanda na Porta da casa, para que nosso lar seja este ambiente de alegria, de esperança, da chegada do Menino Deus.

Neste tempo litúrgico, nosso Santuário Lar é Belém: aqui nasce o amor, aqui crescem vínculos, aqui se forma família. Por isso, nossa preparação para o Natal passa necessariamente pelo perdão, pela descoberta das alegrias da vida, pelo contar as graças (gratidão). E podemos ir para “águas mais profundas”, sair de si (“família em saída”), e ajudar alguém que precisa. Pode ser uma cesta básica para alguma família necessitada, doar as roupas boas que temos mas que não usamos (vai ser útil para alguém), e – em especial – presentear nosso talento. Por exemplo, se você tem o dom de cantar, ligue ou visite os avós e cante para eles uma bonita música de Natal (com os devidos cuidados ao sair de casa: máscara, álcool gel e distanciamento social).

Temos um costume de vários anos, em nossa família, que nos ajuda muito: dar um “nome” para o Natal. Neste tempo do Advento vamos partilhando tudo o que vivenciamos no ano que passou (os passos de Deus que acima nos referimos) e os desafios do próximo ano… E perguntamos: o que Deus quer nos dizer este ano? Formulamos a nossa resposta em uma palavra. Esta palavra é o nosso “nome do Natal”: Já teve “Natal da Gratidão”, “Natal da Misericórdia”, “Natal da Vitória”, “Natal da Alegria”, entre outros.

E não podemos esquecer do “presente” para o Aniversariante. Sem dúvidas, o nosso coração é um presente que Jesus vai gostar muito, nosso coração é a manjedoura para Jesus nascer. Este ano, junto com o nosso coração, queremos presentear a Jesus a conquista do “Ideal Pessoal” que trabalhamos em família neste tempo de pandemia. E você e sua família, o que podem presentear para Jesus?

Deus está vindo ao nosso Encontro e quer revelar seu imenso Amor por nós neste Natal. Preparemos nosso coração para que o Milagre da Noite Santa brilhe como a Estrela de Belém em nosso lar, em nossa família e em nosso olhar!

Foto: cathopic.com

Fonte: schoenstatt.org.br

Dia da Gratidão: O que temos para agradecer?

 

Karen Bueno – No mês de novembro, a 4ª quinta-feira do mês é considerada o Dia Mundial de Ação de Graças. Esse dia é dedicado a recordar e agradecer todos os presentes que Deus nos oferece ao longo do ano. Mas, podemos pensar: 2020 foi um ano tão difícil, mesmo assim vale a pena agradecer? O que teríamos para agradecer neste ano?

Ao se fazer essa pergunta, talvez seja necessário colocar os “óculos da Providência” e tentar descobrir os presentes que Deus nos ofereceu ao longo dos últimos meses. É um exercício que pode fazer bem, como mostra a ciência…

A ciência indica

A virtude da gratidão parece simples – pode ser resumida num “obrigado(a)” –, mas possui um sentido profundo e o poder de transformar a realidade.

Estudiosos da neurociência já demonstraram que a gratidão pode alterar a percepção das coisas. Um grupo de pesquisadores da Universidade de Indiana, nos Estados Unidos, chegou à conclusão de que ser grato pelas pequenas coisas da vida pode causar grandes mudanças – inclusive cerebrais. Um artigo publicado no jornal científico NeuroImage atesta que, depois de poucos meses exercitando sua gratidão por meio da escrita, seu cérebro passa a se sentir ainda mais condicionado a ser grato. E isso traz benefícios. [2]

Por que agradecer?

Na Bíblia encontramos algumas respostas:

  • Porque agrada a Deus: fomos criados para louvar ao Senhor (Salmo 145).
  • Porque temos muitas razões: mesmo se tudo parece ruim, temos a promessa da vida eterna por meio de Jesus (Efésios 1, 3-6).
  • Porque muda nossa mentalidade: quando agradecemos pelas coisas boas, aprendemos a valorizá-las e não damos tanta importância às coisas más (Efésios 5, 4).
  • Porque Deus abençoa: Deus dá a quem sabe valorizar as bênçãos (Lucas 19:26).

No livro “A Santidade de Todos os Dias”, o Pe. José Kentenich aconselha: “Cultiva com esmero a gratidão e a alegria. Sente-se filialmente grato pela dádiva mais insignificante, ainda que se trate das coisas mais necessárias para o sustento”. Ele também gostava de repetir uma frase em alemão que é um jogo de palavras feito para rimar: “Eine Gabe ist eine Aufgabe”. Traduzindo, significa que um presente (Gabe) é uma tarefa (Aufgabe). “Todo presente exige uma dádiva de retribuição”, ele dizia muitas vezes – e valorizava muito a oração como essa dádiva de retribuição [1].

O “muito obrigado” do Fundador para ti

A gratidão é um gesto a ser passado de Pai para os filhos na Família de Schoenstatt. O Fundador deu muitos exemplos concretos de reconhecimento – ele chegou a compor, na prisão de Coblença, o “Hino de Gratidão”, um poema de 14 estrofes que fecha o Rumo ao Céu.

Um outro exemplo:

Certa vez, em Milwaukee, um estudante alemão perguntou ao Pe. Kentenich o que ele pretendia fazer primeiro quando terminasse o seu exílio. O jovem esperava que ele respondesse: “Visitar todos os centros de Schoenstatt; dedicar-me ao jovem Instituto dos Padres de Schoenstatt…”, algo assim. Mas, nada disso! Pe. Kentenich olhou, pensativo, ao longe e respondeu: “Se eu pudesse, viajaria primeiro pelo mundo inteiro, para agradecer a todos os que perseveraram na fidelidade a mim”  [3]

Viajar pelo mundo não foi possível, por uma série de motivos, mas certamente ele continua, do céu, agradecendo a cada um. Na realidade, ele já fez isso certa vez, em seus 25 anos de sacerdócio (1935): “Agradeço a todos os filhos de Schoenstatt; agradeço aos falecidos, agradeço aos vivos, agradeço às gerações futuras. […] Devo ainda manifestar meu agradecimento aos que ainda não foram chamados à vida, aos que ainda virão. O que será de Schoenstatt se as gerações futuras não forem possuídas e penetradas do mesmo espírito que nós? Não deve permanecer, por todos os tempos em nossa Família, a lei: cada geração deve conquistar novamente Schoenstatt para si?” [4]

Neste dia mundial da gratidão, pelo que você deseja agradecer?

 

Foto: Cleber Lima

 

[1] NAILIS, Ir. M. Annette. Padre Kentenich como nós o conhecemos. Sociedade Mãe e Rainha, Santa Maria/RS: 2011. 3ª edição revisada.

[2] Revista Galileu (acessado em 27/11/2019): https://revistagalileu.globo.com/Ciencia/noticia/2016/01/expressar-gratidao-pode-mudar-seu-cerebro.html

[3] NAILIS, Ir. M. Annette. Padre Kentenich como nós o conhecemos. Sociedade Mãe e Rainha, Santa Maria/RS: 2011. 3ª edição revisada.

[4] Celebração do jubileu de prata de sacerdócio do Pe. José Kentenich, em 11 de agosto de 1935. Disponível em: MONNERJAHN, Engelbert. Padre José Kentenich: Uma vida pela Igreja

Fonte: schoenstatt.org.br

Novembro Azul: Cuidados com a saúde e a Aliança de Amor

Pe. Heitor Morschel – Certamente esse é o desejo de milhões de pessoas nesses tempos de pandemia do Covid-19, seja aqui no Brasil como no mundo inteiro. Os infectados somam mais de 55 milhões e às mortes perto dos 1,4 milhão [1]. No início deste ano, ninguém poderia imaginar que este vírus poderia atingir e levar a óbito tantas pessoas pelo mundo afora. A separação e isolamento, a dor e sofrimento pelos que partiram, bem como a sensação de incapacidade marcaram as mentes, os países e as economias globais. Nesse cenário, a pandemia nos ensinou uma grande lição: “que é o homem para dele te lembrares?” (Sl 8,5). Pergunta esta feita pelo salmista e repetida nos séculos nos momentos de crise da humanidade.

Realmente, estamos vivendo uma crise de humanidade. Mas, ao mesmo tempo, redescobrimos o sentido de nossas existências e o lugar que ocupamos no universo, na supremacia sobre as economias, sobre as ideologias e sobre a política. O resgate do essencial nos faz perceber que o ser humano precisa de muito pouco para ser feliz e o que precisamos está bem perto de nós: saúde, família e religião. O restante se conquista!

Quando percebemos o amor de Deus por nós, que nos cria e que não abandona a obra criada, descobrimos que “Ele cuida de nós, tudo ordena e tudo dirige. Nada lhe é por demais insignificante” [2]. A fé na Divina Providência nos lembra que somos filhos do bom Pai do céu e irmãos de todo o gênero humano. E o filho percebe que, “segundo a ordem da criação, Deus está em nós e em toda a parte como criador, conservador e guia… Na ordem sobrenatural, isto é, pela graça, o amor tornou possível sua habitação na alma humana de uma forma toda especial” [3]. Para nós, Maria é o exemplo mais prefeito desta relação e dessa confiança. Ao realizarmos a Aliança de Amor com Maria, nos propomos a viver mais fielmente nossa aliança batismal com a Santíssima Trindade. Somos morada de Deus e devemos cuidar bem de “nossa casa”, ou seja, de nossa saúde.

O que significa ter saúde?

Em 2012 a CNBB lançou a Campanha da Fraternidade com o tema “Fraternidade e Saúde Pública”; o seu texto base mencionava a definição de “saúde” pela Organização Mundial da Saúde (OMS) que, em 1946, a definia assim: “é um estado de completo bem-estar físico, mental e social, e não apenas a ausência de doenças” [4]. A mesma Organização acrescentou a “espiritualidade” em 2003 no conceito de saúde: bem-estar físico, mental, social e espiritual. Realmente, a espiritualidade associada à saúde ou na enfermidade desta faz toda a diferença no bem-estar da pessoa. Quando usamos o vocábulo “saúde” na língua latina (Salus) percebemos que há uma identidade entre saúde e salvação. Assim sendo, toda a pessoa deve cultivar uma vida saudável para ter saúde e salvação.

No Brasil, a cada ano, promovem-se períodos em que se destacam os cuidados com a saúde dos brasileiros. Estamos no novembro azul, ou seja, período do ano dedicado à conscientização de doenças masculinas, especialmente na prevenção do câncer de próstata, o mais frequente entre os homens brasileiros depois do câncer de pele. Segundo a Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS), órgão ligado ao Ministério da Saúde, “diariamente 42 homens morrem em decorrência do câncer de próstata e aproximadamente 3 milhões vivem com a doença” [5]. Existem, entre os homens, certo preconceito e descaso quando se trata de saúde sexual masculina. As mulheres são mais atentas aos sinais do seu corpo! Por isso, as campanhas de conscientização para que os homens procurem um profissional da saúde e façam o diagnóstico precocemente.

Prevenção e responsabilidade

Segundo a ANS, o diagnóstico precoce é fundamental, “mesmo na ausência de sintomas, homens dos 45 anos com fatores de risco, ou 50 anos sem estes fatores, devem ir ao urologista para conversar sobre o exame de toque retal, que permite ao médico avaliar alterações da glândula, como endurecimento e presença de nódulos suspeitos, e sobre o exame de sangue PSA” [6]. Existem fatores que podem ajudar a prevenir o desenvolvimento do câncer de próstata como uma boa alimentação, exercícios físicos e conhecimento do histórico familiar sobre a doença. A detecção e o tratamento precoces podem salvar vidas!

Apesar de toda nossa fragilidade corpórea, não fomos criados para a enfermidade. Por isso, o desenvolvimento de uma saúde física, psicológica e espiritual faz-se tão necessária para os dias de hoje, seja para os homens, seja para todas as pessoas. A vinculação a Deus e a Nossa Senhora pela Aliança de Amor neste momento particular da história nos garantem serenidade na superação desses desafios, bem como o fortalecimento de relações, pois a doença é também um apelo à fraternidade e à igualdade. Assim, como Jesus passou pelo mundo fazendo o bem e curando a todos, também nós cristãos devemos ser solidários com os que mais sofrem. Por isso cantamos com o refrão da CF 2012: “Tu que vieste pra que todos tenham vida (Jo 10,10); Cura teu povo dessa dor em que se encerra; Que a fé nos salve e nos dê força nessa lida (Mc 5,34); E que a saúde se difunda sobre a terra (Eclo 38,8)”.

* Contribuição da União dos Sacerdotes Diocesanos de Schoenstatt

Foto: Ashkan Forouzani, via unsplash.com

Referências:

[1] https://noticias.uol.com.br/internacional/ultimas-noticias/2020/11/18/mundo-bate-recorde-no-numero-de-mortes-diarias-pela-covid-diz-universidade.htm

[2] Kentenich, José; Nailis, Anette. Santidade de Todos os Dias. Sociedade Mãe e Rainha. Santa Maria, 2018, p. 46.

[3] Idem. p. 49.

[4] Para maior aprofundamento ver Texto Base da Campanha da Fraternidade 2012 da CNBB. Disponível em PDF: http://resultspromocional.com.br/familiamissionaria1/CF%202012%20-%20Texto-base.pdf

[5] ANS, Disponível em: http://www.ans.gov.br/aans/noticias-ans/sobre-a-ans/6016-novembro-azul-mes-de-conscientizacao-sobre-a-saude-do-homem

[6] Idem.

Fonte: schoenstatt.org.br

Solenidade de Cristo Rei do Universo

        

Pe. Francisco José Lemes Gonçalves – Encerramos, com esta Solenidade ao Senhor, o Ano Litúrgico da Igreja e no próximo domingo, PRIMEIRO DO ADVENTO, iniciaremos o Ano Novo Litúrgico da Igreja, nos preparando com Maria e José para a festa da Encarnação de Jesus, o Filho Eterno do Pai! Queremos ser gratos a Deus por esta Ano Litúrgico, particularmente extraordinário devido à pandemia. Tempos difíceis aos quais pudemos experimentar as ações de Deus em nossa vida. Que saiamos melhores de tudo isso e que muitos tenham redescoberto o caminho da verdadeira fé.

Para essa Solenidade nos é proposto o evangelho de Mateus (25, 31ss). Segundo essa passagem Jesus nos julgará pelo bem que fizermos àqueles que passam pelas adversidades da vida: nessas pessoas está Jesus sofredor e, ao socorrê-las, socorremos ao próprio Jesus. Por isso, devemos estar atentos e vigilantes, pois se desprezarmos um destes sofredores, desprezamos o próprio Jesus. Quando rezamos a jaculatória “Jesus manso e humilde… fazei o nosso coração semelhante ao vosso”, é justamente para que, ao nos depararmos com aqueles que sofrem, tenhamos um coração semelhante ao do próprio Jesus; então veremos a Cristo na pessoa desfigurada pela dor e nossa ação será por puro amor! Quando estivermos diante de seu trono de glória, seremos chamados de “Benditos do Pai” e reinaremos com ele na eternidade!

Agora… se desprezamos, julgamos, fazemos para receber em troca, fazemos para desencargo de consciência, fazemos para que outros nos vejam fazer e mereçamos elogios e lugares de honra… agiremos com injustiça e não ouviremos o “bendito de meu Pai”, mas seremos afastados e teremos a sorte dos injustos: o inferno, onde haverá choro e ranger de dentes, distantes da luz de Deus e de seu eterno convívio. Esforcemo-nos por fazer o bem e, para isso, entremos na escola de Maria em seu Santuário de Schoenstatt; ali ela nos ensina as lições de seu Divino Filho e nos forma à sua imagem e com ela percorremos o mundo levando a presença de Jesus.

Nossa saudação a todos os fiéis leigos e leigas que nesta Solenidade são lembrados pelo seu empenho na evangelização e testemunhas de seu batismo nas diversas realidades vividas. Sejam essa presença real de Cristo no serviço solidário e fraterno aos que sofrem as consequências dessa pandemia e de outras situações da vida.

Foto: cathopic.com

Fonte: schoenstatt.org.br

A experiência de adoração: Um no coração do outro

Karen Bueno – Duas pessoas que se amam gastam tempo, durante o dia, conversando entre si. Mesmo que seja apenas um “Bom dia” no Whatsapp, ou um telefonema breve no horário de almoço, há pequenos espaços que são dedicados a cultivar o amor. E, quanto maior o amor, mais tempo é encontrado para isso.

No dia 21 de novembro a Igreja celebra a Apresentação de Maria no Templo e dedica um dia especial às pessoas que vivem uma Vida Contemplativa. Estamos falando daqueles “apaixonados” por Jesus que, em nome de toda a Igreja e por vocação, são os que presenteiam mais tempo ao Senhor.

Na Igreja, adoração é sinônimo de missão. A maior parte do dia, para as pessoas que vivem a vocação contemplativa, é dedicada à oração e adoração. Em Schoenstatt temos alguns exemplos de vocação contemplativa nos Institutos Seculares, de pessoas que têm, como sua primeira tarefa e missão, rezar pela Igreja, pelo mundo e pela nossa Obra.

Cristo “é o grande pensamento do santo do dia a dia” (Pe. José Kentenich)

Mas, rezar pela Igreja e pelo mundo não é só tarefa dos consagrados. Existe, junto com eles, muitos leigos que passam algumas horas da semana em adoração. Em vários Santuários de Schoenstatt há uma escala de adoradores voluntários.

No Santuário de Porto Alegre/RS, por exemplo, Ana Virginia Pacheco está presente com frequência nas quintas-feiras, já há mais de 15 anos: “Pois é assim que encontro com Jesus Eucarístico e me ajuda nas dificuldades cotidianas”, diz ela. Ana Virginia conta sua experiência: “Com a Adoração foi aumentando a minha necessidade de estar junto com o Santíssimo em sua presença real, o que me motiva e me traz paz, tranquilidade e gratidão por todos os momentos. Como já são vários anos de adoração, aprendi que, de joelhos dobrados e com muita humildade, devemos entregar todas as nossas necessidades e as de nossos irmãos nas mãos de Deus, assim, podemos confiar na Divina Providência e ajudar na santificação das famílias e necessidades do mundo”.

“À tarde, entre as 7 e às 8 horas, estou diante do Santíssimo durante uma hora” (Papa Francisco) [1]

Em São Paulo/SP, no Santuário do Jaraguá, Cirléia Botássio descobriu que estar diante de Jesus “nos fortifica, nos fortalece, nos dá ânimo, nova alegria para lutar e enfrentar as dificuldades”. Ela encontrou alento nas horas de sofrimento, em especial diante das dificuldades de saúde, e nas horas de alegria: “Estar diante de Jesus, para mim, é muito forte, porque ali eu coloco todas as minhas alegrias, as minhas fraquezas, as minhas necessidades e eu sinto que ele me fortalece”.

Cirléia também sentiu a importância da adoração, em sua vida, num momento especial de desprendimento, quando seu filho ingressou no seminário dos Padres de Schoenstatt: “Quando o Lucas ouviu o chamado ao sacerdócio e entrou no seminário, eu fui diante de Jesus, porque aquele desligamento do meu filho, ver ele partindo, mexeu muito comigo. E Jesus foi colocando paz e tranquilidade no meu coração. Hoje a gente faz [adoração] com mais frequência ainda, porque nós rezamos pelas vocações e nós temos que rezar por elas”.

 

 

Adoração online vale?

Neste período de crise sanitária, tornou-se comum a utilização dos meios digitais para participar da vida em comunidade. O que a Igreja pensa a esse respeito? Quais suas dicas para que seja um momento enriquecedor de oração?

No Diretório de Comunicação da Igreja no Brasil encontramos este trecho: “As transmissões têm valor evangelizador, pois, por meio delas, o anúncio da Boa Nova vai ao encontro dos enfermos, das pessoas com idade avançada ou impossibilitadas de participar fisicamente das comunidades. Contudo, o fiel em condições de tomar parte das celebrações deve fazê-lo, pois essa participação presencial permite o envolvimento integral da pessoa em sua comunidade” (99).

Para aqueles que não podem participar fisicamente, esta é a orientação: “A transmissão por meios eletrônicos, rádio, TV ou internet, deve ser sempre ao vivo. Uma transmissão gravada, embora possua características evangelizadoras legítimas, não possibilita o vínculo entre a comunidade que participa da celebração presencialmente e quem a ela assiste à distância. Tais transmissões gravadas possuem somente estatuto de documentário ou de reportagem” (100).

“Procura-se Jesus em toda a parte. Assim acontece com a alma que é cativada por Ele” (Pe. José Kentenich)

Para o Pe. José Kentenich, Cristo “é o grande pensamento do santo do dia a dia”. Ou seja, aqueles que desejam ter uma vida santa, buscam cultivar essa proximidade com Jesus em tudo o que fazem. “Por isso [o santo do dia a dia] gosta de pesquisar a Sagrada Escritura, quer tenha à mão uma edição da Bíblia, quer na liturgia, pois no centro da Sagrada Escritura está sempre a grande personalidade do Homem-Deus”, diz o Pai e Fundador.

O Papa Francisco motiva todos a serem adoradores e diz que a oração de adoração é “esta que nos prostra sem nos prostrar”, que “nos dá nobreza e grandeza”. Ele convida a ir “dos sacrifícios ao silêncio; à adoração”. “Mas – continua o Papa – só podemos conseguir com a memória de termos sido eleitos, de termos dentro do coração uma promessa que nos impulsiona a seguir, e com a aliança nas mãos e no coração. E sempre em caminho: caminho difícil, caminho em subida, mas em caminho rumo à adoração”.

 

Referências:

– Todas as citações do Pe. José Kentenich foram retiradas do “Retiro para as Irmãs de Maria de Schoenstatt, de 4 a 11 de março de 1933”, texto disponível no livro:
KENTENICH, Pe. José. Cristo Minha Vida – Textos escolhidos sobre Cristo. Editado pelo Instituto Secular Padres de Schoenstatt, editora Pallotti, Santa Maria/RS, 1997. 1ª edição.

– Todas as citações do Papa Francisco foram retiradas da “Homilia Matutina na Casa Santa Marta, em 5 de fevereiro de 2018”, disponível em vatican.va

[1] Entrevista concedida ao Pe. Antonio Spadaro, diretor da revista italiana La Civiltá Cattolica

21 de novembro: Apresentação de Maria no templo

 

Jaqueline Montoya – A figura de Maria é muito discreta na Sagrada Escritura, porém, mesmo com uma presença singela, ali encontramos toda a essência de sua alma e o principal testamento que poderia nos ter deixado: “fazei tudo o que Ele disser”. Neste dia 21 de novembro, a Igreja faz memória à apresentação de Maria ao templo. Mesmo sem referências explícitas nos Evangelhos Canônicos, a festa é celebrada no oriente desde o século VI, tendo como base as escrituras apócrifas de Tiago.

A história….

Contam os manuscritos que Joaquim e Ana tiveram dificuldades para ter filhos, até o nascimento de Maria. A jovem foi levada pelos pais aos três anos para viver no templo. Lá se consagrou em corpo e alma a Deus. Segundo a tradição, permaneceu ali até os 12 anos, quando foi prometida a José.

O significado…

O Papa Paulo VI, em sua exortação apostólica Marialis Cultus (I PARTE § 8), escreveu que “apesar de seu teor apócrifo, a história da Apresentação propõe conteúdos de elevado valor exemplar e continuam veneráveis tradições, radicadas sobretudo no Oriente”.

A apresentação no templo nos demonstra a entrega total de Maria aos planos do Senhor. Com apenas três anos, deixa os pais para seguir a Deus. Durante sua permanência no templo, se consagra para ser inteiramente d’Ele. A data nos remete que Maria estava, desde sempre, sendo preparada para assumir a grande missão de ser a Mãe do Salvador. Posteriormente, o 21 de novembro também recebeu outro significado dentro da Igreja: o Dia Pro Orantibus, no qual se faz memória do dom da vida contemplativa.

Como filhos de Schoenstatt temos na essência de nossa espiritualidade a figura de Maria. Como ela, neste dia, queremos aprender a entregar nossas vidas a Deus. Sua entrega total e incondicional aos planos do Pai foi o que deu sentido à sua vida em todos os momentos. Também nós devemos encontrar, na confiança filial, a motivação para seguir adiante.

Fonte: schoenstatt.org.br