Primeiro Domingo da Quaresma: Tempo de renovação

Pe. Francisco José Lemes Gonçalves – Marcados com o sinal das cinzas, que nos lembra que do pó viemos e para ele retornaremos, mas também nos lembra que debaixo das cinzas sempre há uma brasa que, ao ser assoprada, se acende novamente o fogo; assim as cinzas recebidas nos devem lembrar que debaixo das “cinzas” que acumulamos do mundo, há o fogo do Espírito dentro de nós!

Na ocasião éramos lembrados: oração (fortalece nosso espírito), jejum (fortalece o corpo e nos faz moderados em tudo) e a esmola/caridade (ação fraterna em favor dos pobres, doentes e necessitados). Eis os remédios eficazes e sem contraindicação que devemos tomar ao longo desses 40 dias que nos preparam para a Páscoa da Ressurreição do Senhor!

Neste Primeiro Domingo da Quaresma o evangelista Marcos nos relata as tentações de Jesus, a prisão de João e o início do anúncio da Boa Nova por Jesus. Este evangelista não detalha as tentações como os outros evangelistas, apenas contata que Jesus fora tentado. Assim como Jesus, seremos tentados, pois o inimigo não nos quer servindo a Deus e ao seu Reino, quer nos dispersar e invalidar a Boa Nova. E até nos tenta com o aparente fracasso dos que estão na lida do Reino (mostra o evangelista a prisão de João seguida de sua morte), mas Jesus não desiste, segue em frente. Anuncia, proclama e põe em prática a novidade do Reino de Deus: ele já está entre vós!

Atravessamos mais uma Quaresma dentro da pandemia do coronavírus. Somos tentados ao desânimo, tentados ao comodismo, tentados à murmuração. A pandemia é este deserto da atualidade. Mas Jesus nos encoraja a atravessar esse deserto, fortalecidos pela Palavra e pela Eucaristia, e a ganhar o mundo. Embora estejamos num período de distanciamento social, podemos e devemos ganhar o mundo pelas redes sociais anunciando a Boa Nova que já está entre nós, proclamando a sincera conversão deste retorno para Deus!

Nossos Santuários de Schoenstatt são esses pequenos “desertos” de encontro com Deus e fortalecimento da fé e encorajamento para a missão evangelizadora. São espaços onde a Mãe de Deus nos educa para vencer as tentações – que, enquanto estivermos neste mundo, sempre nos visitarão; assim também foi durante toda a vida terrena de Jesus. Aqui no Santuário, Ela nos moldará à imagem de seu Divino Filho, nos enviará neste vasto mundo para anunciá-lo e iluminar as trevas do mundo com a Luz de Cristo.

Viva bem esta Quaresma e mais ainda nesta pandemia. Quaresma é tempo de conversão, preparação do coração para as alegrias pascais. Não é tempo sombrio ou de dizer que o “diabo está solto”; é tempo favorável da graça de Deus, tempo de renovação!

 

Leituras deste domingo

  • 1ª Leitura – Gn 9,8-15
  • Salmo – Sl 24,4bc-5ab.6-7bc.8-9 (R. cf. 10)
  • 2ª Leitura – 1Pd 3,18-22
  • Evangelho – Mc 1,12-15

Fonte: schoenstatt.org.br

 

Os pastorzinhos de Fátima, crianças “Três Vezes Admiráveis”

Juliana Gelatti Lovato – Neste dia 20 de fevereiro, a Igreja faz memória de dois santos que foram contemporâneos ao Pe. José Kentenich em sua juventude. Francisco e Jacinta Marto, dois dos três videntes das aparições de Nossa Senhora em Fátima, Portugal, foram chamados por Deus ainda crianças, pouco tempo depois de terem visto a Mãe de Deus, mas com a promessa de que iriam para o Céu.

Francisco e Jacinta eram os mais novos dos nove filhos de Olímpia de Jesus e Manuel Pedro Marto, uma família pobre, porém de fé sólida e esclarecida. Rezavam o terço diariamente e iam à Missa aos domingos. Embora não soubessem ler, os pequenos aprendiam a doutrina em casa, com os pais. Francisco nasceu em 11 de junho de 1908, tinha 9 anos quando testemunhou as aparições. Jacinta nasceu em 11 de março de 1910, tinha 7 anos quando viu Nossa Senhora.

Eram crianças como as outras da aldeia, mas, após as aparições, pôde-se notar uma transformação nas três. Depois de terem visto, primeiramente, o Anjo de Portugal, que os ensinou a rezar e avisou que Deus tinha para eles desígnios de misericórdia, e depois, Nossa Senhora, que revelou a eles a realidade do inferno, castigo dos pecadores e pediu que rezassem e se sacrificassem pelo fim da guerra e pela conversão do mundo, os pequenos passaram a dedicar muitas horas do dia à oração e à adoração ao Santíssimo Sacramento. Estavam profundamente tocados pela realidade de que poderiam sacrificar-se para reparar as ofensas feitas ao Imaculado Coração de Maria e, assim, salvar muitas almas da condenação.

“Ela [Maria] quis chamar a atenção das crianças – eram pequenitos – e perguntar-lhes se estavam dispostas a entregar-se totalmente a Deus. Aqui já vemos a referência a Deus. Sim, elas deviam entregar-se totalmente a ele. Mas esta entrega, este dom total de si mesmas, deveria ser expresso na reparação e na penitência. E aqui surge de novo uma coisa original. Reparação e penitência não só para expiar perante a majestade amorosa de Deus Eterno que foi ofendido, mas também fazer reparação pelas ofensas que se praticam contra o Seu Imaculado Coração”, diz o Pe. Kentenich.

 

Francisco, um menino como todos os outros

Francisco era um menino como os demais, gostava do campo, das flores e dos passarinhos. Tinha muita pena quando via algum animalzinho machucado ou quando alguém destruía os ninhos dos pássaros. Gostava de contemplar o céu, admirando a “Lamparina de Nosso Senhor”, o Sol, e as “velas dos anjos”, as estrelas. Jacinta, por outro lado, preferia a Candeia de Nossa Senhora, a Lua. Era atento às necessidades dos demais, oferecendo-se para ajudar sempre que podia.

Até a época das aparições, era orientado pelos pais a rezar o terço durante o tempo em que ele, a irmã e a prima cuidavam das ovelhas no campo. Mas, para ter mais tempo para brincar, eles pronunciavam apenas “Ave Maria, Ave Maria… Pai Nosso…”

Mas já na primeira aparição da Mãe de Deus, quando Lúcia pergunta se Francisco irá para o Céu, ela responde que sim, mas que ele terá que rezar muitos terços. Foi o que bastou para que ele e suas companheiras passassem a dar a maior importância para a oração e demais sacrifícios por amor a Jesus e Maria.

 

Jacinta, a mais nova dos três

Jacinta era igualmente pura e alegre, gostava de brincar e ouvir histórias. Mas sua preferida era sobre a Paixão de Jesus. Ela exclamava: “coitadinho de Nosso Senhor! Eu nunca mais cometerei pecados, já que tanto o fazem sofrer!” Após a primeira aparição, foi ela quem contou aos familiares o que tinha acontecido, mesmo que os três tenham combinado manter segredo. Durante os meses seguintes, sofreu junto ao irmão e à prima a perseguição das autoridades que duvidavam do que eles diziam e os pressionavam para que desmentissem.

Após as aparições, usava a criatividade para inventar formas de sacrificar-se pelos pecadores: oferecia sua merenda aos colegas, comia azeitonas verdes e ácidas, assim como outros frutos amargos. Quando questionada, respondia “É por causa disso que as como, assim se convertem os pecadores”. Ela teve ainda algumas visões particulares, de Nossa Senhora e do Papa.

Jacinta e Francisco morreram de uma gripe que se espalhou pela Europa, na época, a pneumônica. Francisco passou o tempo da doença em casa falecendo em abril de 1919, mas Jacinta foi para um hospital em Lisboa, onde ficou por 18 dias e chegou a ser operada, apenas com anestesia local. Morreu em 20 de fevereiro de 1920. Seu corpo permaneceu incorrupto, e está, assim como o de Francisco, na Basílica de Nossa Senhora do Rosário da Fátima. Eles foram beatificados por São João Paulo II em 2000, e canonizados pelo Papa Francisco no centenário das aparições, em 13 de maio de 2017.

“Nossa Senhora chama a atenção das crianças – e assim também a nossa – sobre o que tinham visto: o lugar onde um grande número de pessoas vai parar, o inferno. E acrescenta: Deus quer livrar o mundo desta queda para o inferno, através do amor, da veneração ao meu Sagrado e Imaculado Coração”, contextualizava o Pe. Kentenich.

 

Orações ensinadas pelo Anjo de Portugal aos pastorzinhos:

Meu Deus, eu creio, adoro, espero e amo-Vos. Peço-vos perdão pelos que não creem, não adoram, não esperam e não vos amam.

Santíssima Trindade, Pai, Filho e Espírito Santo, adoro-vos profundamente e ofereço-vos o preciosíssimo Corpo, Sangue, Alma e Divindade de Jesus Cristo, presente em todos os sacrários da Terra, em reparação dos ultrajes, sacrilégios e indiferenças com que Ele mesmo é ofendido. E pelos méritos infinitos do seu Santíssimo Coração e do Imaculado Coração de Maria, peço-vos a conversão dos pobres pecadores.

Oração ensinada por Nossa Senhora, para ser rezada após cada dezena do terço:

“Ó meu Jesus, perdoai-nos, livrai-nos do fogo do inferno, levai as almas todas para o céu, principalmente as que mais precisarem”.

Inspirando-se nos Pastorinhos, o Pe. Kentenich nos ensina e rezar: “Querida Mãe e Rainha Três vezes Admirável de Schoenstatt: Transforma-nos em crianças três vezes admiráveis de uma contínua alegria divina e de um chorar humano, ligados com o sorriso divino. Amém”.

 

Referências
Fonte: Livros São Francisco Marto e Santa Jacinta Marto, da coleção Sede Santos, Editora Katechesis. Autor: Frei Antônio Corredor Garcia.

Frases do Pe. Kentenich: Este texto faz parte de um conjunto de dissertações do Pe. José Kentenich escritas no Campo de Concentração de Dachau durante o Verão de 1944, intitulado“Semelhanças e diferenças entre Fátima e Schoenstatt”

Foto: Enrique Flores em cathopic.com

Fonte: schoenstatt.org.br

Um Carnaval para transfigurar a nossa realidade

Ana Paula Paiva – Não é muito comum falarmos sobre isso, mas o carnaval não é, ontologicamente, uma festa pagã. Às vezes é difícil conceber essa realidade, em especial porque o carnaval atual extrapola qualquer carga simbólica e descamba na vulgaridade e em festas puramente instintivas.

Mas na essência, o carnaval tem origem na preparação para o início da quaresma, que se manifesta como um tempo de penitência, jejum e oração. Evidentemente, o feriado de carnaval não é uma festa litúrgica, mas reconhecer que sua origem não é manifestadamente contrária a fé católica, pode nos ajudar a nos posicionar bem.

Ora, vivenciar o carnaval como preparação para a quaresma é refletir como as alegrias fazem parte da vida, como podem ser experimentadas de maneira saudável e, mesmo assim, reconhecer que jamais, nenhum acontecimento desse mundo nos fará alcançar a verdadeira Alegria que é Cristo, que aguarda nossa conversão sincera, e que concede à Sua Igreja um tempo propício para tal.

A festa de carnaval marca, portanto, o início do tempo litúrgico para a preparação para a Páscoa (que concretamente começa no dia seguinte). Foram os povos e suas culturas que, inadequadamente, passaram a ter no Carnaval a última oportunidade de prazer, e daí os excessos perniciosos da ‘despedida’ do mundo. Mas em si mesmo, o carnaval só nos oportuniza reconhecer que se inicia um tempo litúrgico importantíssimo, e uma oportunidade de santificação imperdível.

Um bom exemplo de como viver adequadamente o carnaval pode ser encontrado nas Missões Familiares (este ano estão acontecendo de modo presencial e virtual no Regional Paraná) de nossa Obra de Schoenstatt. Ao invés de apregoar que toda alegria do carnaval enaltece o mal e o inferno, com os pecados, passa-se todo o feriado refletindo sobre a grandeza do amor de Deus, que é Ele sim, a verdadeira e única alegria, insuperável e verdadeira.

O lema de nossa Obra também parece ser bem conveniente nesse aspecto: Podemos transfigurar a nossa realidade. Podemos ser instrumentos de uma nova cultura. Podemos, com nossa vida de fé e apostolado (silencioso e humilde) iluminar a escuridão dos tempos e manifestar a Glória do Cristo Tabor. O carnaval (como tudo) é mais uma chance.

Assim, para efeito de nossa meditação pessoal, pouco importa que os governos estaduais tenham desistido das festas de carnaval, devido à pandemia. A nossa atitude de meditar sobre nossa limitação, finitude e conversão, como nos lembra a quarta-feira de cinzas, segue pertinente e salutar.

E exatamente por isso devemos bradar, ainda nesse tempo desafiador: Sim, temos carnaval. E teremos quarta de cinzas, e sim, teremos – graças ao Bom Deus e Sua infinita misericórdia – a oportunidade de ter uma quaresma que nos aproxima mais da verdadeira Alegria de Deus.

Fotos: Cleiton Correa

Fonte: schoenstatt.org.br

Somos frágeis, mas sabemos rezar: esta é nossa força

Suellen Figueiredo – O Dia Mundial do Enfermo foi criado para que possamos nos lembrar, e lembrar toda a sociedade e comunidade mundial, da necessidade de ter um olhar mais atento a todos aqueles que estão em condições que necessitam de cuidados de saúde.

Seja aquela pessoa que está em um leito de hospital, ou aquela que convive todos os dias com algum tipo de doença crônica; também todos aqueles que trabalham nos cuidados dos enfermos, várias vezes sem condições adequadas. Neste dia queremos, como Igreja, lembrar essa situação e fazer o apelo por melhores condições a todo aquele que precisa.

E neste ano em que ainda enfrentamos a pandemia causada pela Covid-19, que nos assola desde 2020 e tem feito, até hoje, 106.643.519 (cento e seis milhões e quarenta e três mil, quinhentos e dezenove) infectados – e tantos são os falecidos por essa enfermidade que atinge todo o mundo – temos convivido diariamente com a condição da doença.

Nesse contexto, como cristãos, podemos pensar: como viver uma vida de oração quando muitas vezes não conseguimos ter forças para realizar as mínimas tarefas do dia?

Como encontrar forças para manter o espírito de confiança na Divina Providencia e não esmorecer sobre o medo e as dificuldades que essa doença causa?

Com esses questionamentos, pus-me em busca de entender, com quem passou pela experiência de ter o diagnóstico positivo para Covid-19, como foi passar por isso e onde a espiritualidade de Schoenstatt pode ajudar a superar essa fase.

 

Aproveitando um tempo difícil para rezar

“Na condição de acometido pela pandemia, gostaria de tecer um breve relato. Tudo iniciou como uma irritação na garganta, sintomas de gripe e febre, até que após dois atendimentos de emergência e exame, foi comprovado o diagnóstico para Covid-19.

Em um terceiro atendimento, com o agravamento dos sintomas, ficou constatado o comprometimento de 70% dos pulmões que, graças à nossa MTA, não evoluiu para pior. Mas, devido a efeitos colaterais, precisei ser internado para exames. Foi quando, devido à condição do ar no ambiente de espera do atendimento, na recepção, senti uma sensação de sufocamento, que normalizou mudando de ambiente. Lembrei após, nos momentos de oração, do desespero que deve ser para os que evoluem para um quadro grave, de tudo o que passou o nosso Pai e Fundador, o Pe. Kentenich, no período em que passou no campo de concentração.

Durante a quarentena, para minha recuperação, que não permitia as atividades normais, reservava tempo para orações, entre elas o “Confio” e meditação no Rumo ao Céu”, conta C. R., de Olinda/PE

Rezando com o olhar

Muitas vezes é em casa que o enfermo está e é nela que vivenciamos a doença, com aqueles que amamos por perto. Foi o que nos contou a Priscila Araújo, de Olinda/PE:

“Estou casada há dois meses e, tanto eu quanto meu esposo, somos profissionais de saúde, eu formada em farmácia e ele enfermeiro de UTI. Já convivíamos com a realidade da Covid desde o ano passado quando no ano do nosso casamento veio a pandemia.

O meu esposo chegou a ser contaminado quando ainda estávamos noivos e casamos no final de novembro. Foi um ano cheio de desafios. No último mês, quando ele acabou sendo contaminado pela segunda vez, agora já casados, acabamos ficando os dois doentes.

O fato de sermos profissionais de saúde nos ajudou a cuidar um do outro quando o outro estava pior. E ter a vivência de Schoenstatt desde nosso tempo de juventude nos ajudou a manter a fé, mesmo quando não conseguíamos rezar como fazemos sempre.

Por muitas vezes, minha única oração foi voltar o meu olhar para a Mãe de Deus, no meu Santuário Lar da Sabedoria, que conquistei no último ano em que estive na Jufem, e pedir à MTA que cuidasse de nós e não permitisse que o medo e a doença nos fizesse piorar.

Hoje, estamos curados e voltamos ao Santuário Tabor da Nova Evangelização para agradecer à Mãe pelo cuidado de sempre”.

 

Somos seres frágeis, mas sabemos rezar

Que neste dia do enfermo, possamos rezar por aqueles que ainda sofrem nos leitos de hospitais, seja pela Covid-19, seja por outras enfermidades. Que, por intercessão de nossa Mãe e Rainha, possam manter-se seguros na fé e confiantes na vitória. Rezemos principalmente por aqueles que não conseguem mais rezar, para que possam enxergar a Deus agindo na vida de cada dia.

“A oração cristã infunde no coração humano uma esperança invencível: qualquer que seja a experiência que toque o nosso caminho, o amor de Deus pode transformá-la em bem. […] Somos seres frágeis, mas sabemos rezar: esta é a nossa maior dignidade, é a nossa fortaleza. Coragem! Rezar em cada momento, em cada situação, porque o Senhor está próximo de nós. Quando uma oração está em sintonia com o coração de Jesus, obtém milagres” (Papa Francisco, Audiência, 10 de fevereiro de 2020).

Foto: Neivaldo Moraes

Fonte: schoenstatt.org.br

 

Não podemos calar aquilo que carregamos dentro de nós

Pe. Carlos Padilla Esteban – Jesus cura a muitos. Cura a sogra de Pedro. Impressiona-me a sua forma de curar, que fala sobre a delicadeza de Deus. Jesus se aproxima, inclina-se, a pega pela mão. Ele poderia fazer isso à distância – ele pode fazer tudo. Nesse gesto está seu amor humano. Ele sabe que nós, homens, necessitamos de carícias, que nos toquem, que nos beijem, que nos abracem – Jesus também precisa disso. Precisamos que Deus toque nossas feridas com suas mãos, bem perto de nós, aos nosso lado.

Jesus se deixa tocar. Jesus toca. Coloca-se ao lado, a levanta. E ela começa a servi-los, torna-a capaz de amar de novo, de se levantar. A primeira coisa que ela faz, depois de estar enferma, é servir aos outros. A força curativa de Jesus a levanta, dá a ela um novo coração. Jesus nos cura e nos liberta, isso nos dá força para amar e servir. Jesus, ao libertar o coração doente, o capacita para viver a vida com paixão, intensamente. […]

Às vezes podemos viver cumprindo obrigações, nos atendo aos limites, amando com um conta-gotas. Medimos, calculamos, contabilizamos… E não nos abrimos para a generosidade. Outro dia, uma pessoa me falava sobre sua mãe recentemente falecida, me dizia que impressionava a sua generosidade. Que ela dava tudo, que sempre ficava em segundo plano, por último; que entregava as mãos cheias, sem calcular as consequências, sem esperar algo em troca. Fiquei impressionado com a descrição: “Queria sem limites e sem limites se doava a si mesma e tudo o que possuía”. É assim que eu gostaria de viver.

Tantas vezes não olho para o ideal e me conformo com o mínimo. O Pe. Kentenich dizia: “O ideal ilumina o âmbito das obrigações, nos permite desenvolver de forma mais fácil e adequada o âmbito das obrigações e, além disso, ajuda-nos a fazer, de forma heroica, mais do que o obrigatório e a dar todas as forças da nossa vida àqueles que Deus nos deu e confiou” [1].

Fazer mais do que o obrigatório. Jesus fez mais do que o obrigatório? Jesus nunca poupou esforços. Ele não buscou comodidade. Quando ele se retirava ao silêncio, se retirava para orar, para encher o leito de seu oceano. Ele queria ficar sozinho com seu Pai. Ela precisava descansar Nele. E tirou um tempo de seu sono, não tempo dos outros, não tempo de curar ou de estar com os seus. Esse tempo de solidão em que a alma respira, onde ele repousa no regaço de seu Pai, onde se sente filho amado. De sua oração, Jesus colhe forças para amar. […]

A Igreja é missionária. Sonhamos com uma Igreja em saída. O Papa Francisco nos disse: “Uma Igreja que não sai é uma Igreja ‘de gente requintada’. Um movimento eclesial que não sai em missão é um movimento ‘de gente requintada’. E, no máximo, em vez de ir buscar ovelhas para trazer, ou ajudar a dar testemunho, se dedica ao pequeno grupo, a pentear ovelhas. São cabeleireiros espirituais. Isso não é bom. Ou seja, sair, sair de nós mesmos. Uma Igreja ou um movimento, uma comunidade fechada, adoece. Tem todas as doenças de estar fechados. Um movimento, uma Igreja, uma comunidade que sai, se equivoca, se equivoca. Mas é tão bonito pedir perdão quando uma pessoa se engana. Assim, não tenham medo de sair em missão” [2].

Não podemos calar sobre o que carregamos dentro de nós. Queremos sair em missão, ir a tantos lugares que nunca ouviram falar de Deus. Hoje ouvimos: «Pregar o evangelho não é para mim motivo de glória. É antes uma necessidade para mim, uma imposição. Ai de mim se eu não pregar o evangelho! Se eu exercesse minha função de pregador por iniciativa própria, eu teria direito a salário. Mas, como a iniciativa não é minha, trata-se de um encargo que me foi confiado» (1Cor 9, 16-17).

Somos anunciadores. Não podemos deixar de contar o que aconteceu conosco, de anunciar a alegria do Evangelho. É preciso coragem para sair e deixar Cafarnaum. O conforto pode nos impedir de sair de onde estamos. Podemos nos acostumar com as nossas coisas e não sair. Pode nos faltar espírito de luta e entrega, força para nos colocarmos a caminho e romper nossos limites. Precisamos do Espírito Santo para sair. Ser um sinal de contradição é desafiador, difícil para quem tem uma missão. Ser politicamente correto é mais atrativo. Ser aceito por todos é o que queremos. Quando não estamos incomodando, todos nos procuram. Mas, queremos ser capazes de romper nosso conforto e sair. Uma missionária, ao falar sobre o vírus Ebola, disse: “Quantas vezes você vê a necessidade dos demais e se esquece de si mesma”. Vemos a necessidade dos outros e esquecemos o que precisamos. Assim nasce o missionário. Ele sai porque vê a necessidade ao seu redor. É o caminho da missão. Vale a pena deixar tudo e partir.

Leituras deste domingo:

  • 1ª Leitura – Jó 7, 1-4.6-7
  • Salmo – Sl 146
  • 2ª Leitura – 1Cor 9, 16-19 22-23
  • Evangelho – Mc 1, 29-39

 

[1] J. Kentenich, Textos pedagógicos

[2] Papa Francisco. Encontro com a Família Internacional de Schoenstatt, 26 de outubro de 2014

 

Homilia para o 5º Domingo do Tempo Comum, Ano B, 8 de fevereiro de 2015. Original em espanhol. A versão publicada foi reduzida, leia o texto integral clicando aqui.

 

Fonte: schoenstatt.org.br

Mostrai-nos vossos caminhos Senhor

Pe. Marcelo de Souza – Queridos irmãos e irmãs, a Palavra de Deus nos aponta diariamente a direção para vivermos com fidelidade a vontade do Senhor. Acolher e pôr em prática seus ensinamentos é um desafio, mas o verdadeiro cristão reconhece que mesmo sendo grandes os desafios, é preciso buscar intensamente a Graça de Deus.

Na primeira leitura o Profeta Jonas recebe uma missão do Senhor: ir à cidade de Nínive e pedir para que o povo se converta. A pregação de Jonas foi acolhida! “Deus viu as obras de conversão e que eles se afastaram do mau caminho”. A cidade não foi destruída! O que causaria a destruição de Nínive? Seus inúmeros pecados! A voz de Deus foi ouvida através da voz de Jonas! A exemplo de Jonas, devemos afastar nossos irmãos e irmãs do mau caminho. Afastá-los da destruição que o pecado causa!

No Evangelho ouvimos o insistente pedido de Jesus: “Convertei-vos e crede no Evangelho”. Nós vamos aprender com Jesus que a conversão não só nos convoca à mudança de vida, mas, a partir dessa nova vida, somos convocados a segui-Lo. Disse Jesus: “Segui-me e eu farei de vós pescadores de homens”. A conversão provoca o seguimento! A conversão provoca compromisso com o Reino de Deus! Com as nossas mãos lançamos as redes: o amor, a bondade e a misericórdia arrastam muitos para Jesus.

 

 

Na segunda leitura o cristão que vive a sua conversão não mantém seus olhos voltados para esse mundo, pois reconhece que a “figura deste mundo passa”. Seus olhos estão fixos na vida eterna que um dia será sua morada definitiva. A conversão faz com que nosso olhar veja o que realmente é útil para nossa vida. O cristão não deve viver na ilusão do mundo e sim na realidade da vida eterna!

E assim podemos concluir: A conversão que foi provocada e que agora provoco! Com a minha voz! Com o meu seguimento! Com o meu compromisso! A partir da minha conversão faço com que olhem para Jesus e O acolham como: Caminho, Verdade e Vida. Assim seja! Amém.

 

Leituras deste domingo:

  • 1ª Leitura – Jn 3, 1-5.10
  • Salmo – Sl 24
  • 2ª Leitura – 1Cor 7, 29-31
  • Evangelho – Mc 1, 14-20

Foto: Marcia Kazumi

Fonte: schoenstatt.org.br

 

Domingo da Palavra de Deus: apesar de tudo, Ele está sempre conosco

Bianca Fraccalvieri / Cidade do Vaticano – Por que ter um Domingo da Palavra de Deus? A essa pergunta responde o Padre Antonio Hofmeister, que trabalha da Seção de Língua Portuguesa da Secretaria de Estado do Vaticano.

O Papa Francisco instituiu o III Domingo do Tempo Comum como o Domingo da Palavra de Deus, “mas isso não significa que os outros não sejam”, explica o sacerdote gaúcho.

Esta festa, afirma ele, “é para recordar, sobretudo, que a Palavra de Deus para nós é uma pessoa: Jesus Cristo, a Palavra que se fez carne e habitou entre nós”.

“A Igreja nos ensina que essa revelação de Deus através da sua Palavra nós a encontramos na tradição, mas também na Escritura, na Bíblia. A importância deste testemunho da Sagrada Escritura para a vida de cada cristão: isso é o que nós celebramos de modo ainda mais especial neste Domingo.”

Este ano, esta comemoração se reveste de um significado ainda maior, vivida em tempos de coronavírus:

“Com as limitações todas que a pandemia nos impõe, num tempo em que nós buscamos alguma espécie de conforto, de explicação, de auxílio, nós encontramos com certeza este apoio, esta luz no meio das trevas  – que pode parecer esta pandemia – na Palavra de Deus, que nos orienta, que nos indica o caminho, que nos mostra que apesar de tudo, Ele está sempre conosco, como Ele prometeu.”

Foto: Jesus Rodrigo em Cathopic.com

Tu me chamaste, aqui estou!

Pe. Carlos Padilla Esteban – O seguimento começa com um chamado, com um convite a decidir-se por viver algo grande:

«Naquele tempo, João estava de novo com dois de seus discípulos e, vendo Jesus passar, disse: ‘Eis o Cordeiro de Deus!’ Ouvindo essas palavras, os dois discípulos seguiram Jesus. Voltando-se para eles e vendo que o estavam seguindo, Jesus perguntou: ‘O que estais procurando?’ Eles disseram: ‘Rabi, onde moras?’ Jesus respondeu: ‘Vinde ver’»

Eu penso naquele dia. Tudo o que hoje é contado aconteceu um dia. Tem dias que passam rápido, semanas, meses. E outros que marcam uma vida para sempre. No Evangelho de João, ele nos fala sobre o chamado dos discípulos: gradualmente e pelo nome. Cada um tem uma história, uma hora. Às quatro da tarde: a hora de suas vidas. A hora que começam a segui-lo. […]

Os primeiros discípulos ouvem João e, sem hesitar, seguem Jesus. Eles vão atrás dele para sempre. Por fidelidade ao seu mestre, eles o deixam. Eles confiam em João. É bonito confiar em alguém tanto quanto eles. Existem pessoas nas quais confio cegamente. O que elas me dizem é a voz de Deus para mim. Os discípulos não perguntam, não hesitam. João Batista diz e eles seguem a Jesus. Não importa o quão longe. Eles ainda não se apaixonaram por Jesus e já o seguem. Pelo testemunho de João, eles acreditam. Assim começa a Igreja. Por contágio. Pelo amor de um ao outro.

Depende do nosso testemunho de vida

São João, em seu Evangelho, nos diz que o seguimento a Jesus começa com um testemunho humano, não por um chamado direto de Jesus, como acontece nos evangelhos sinóticos. Às vezes, sentimos o chamado direto de Jesus. Outras vezes, eu acredito porque outra pessoa acredita. Eu olho com os olhos dela. Escuto com seus ouvidos. Vejo luz na vida do outro e quero viver como ele. […]

Nunca houve um discípulo de Jesus sozinho. Dois a dois eles vão aderindo a Ele. É sempre assim que acontece na Igreja. Sempre foi uma comunidade. Assim começou a comunidade dos amigos de Jesus. Pelo testemunho de um, o outro acredita. Os primeiros dois discípulos acreditam por meio de João Batista. Pedro crê por meio de André. “Nós encontramos o Messias”. Pedro viu algo em André e por isso acreditou. Isso me comove. Ele não precisou ir verificar. Ele se colocou a caminho. Pedro confiava em André. Por seu irmão, já sabia que era verdade. Assim sempre acontece na Igreja, desde o princípio, a pessoa vê Jesus, se apaixona e conta para outra. [….]

Apaixonados por aquele primeiro encontro, sua vida se torna um testemunho. Eles estiveram com Jesus, tudo mudou, por isso se lembram da hora exata: “Era por volta das quatro da tarde”. Os enamorados se recordam do lugar e da hora do encontro com a pessoa amada. Aquele momento que mudou suas vidas para sempre. Recordam o lugar em que estavam, os ruídos, os cheiros; lembram de tudo com precisão. Não hesitam, guardam na memória do coração aquilo que importa. Não há fotos, mas as memórias reproduzem com nitidez o momento. Sabem as palavras e os gestos. Recordam os olhares e as lágrimas.

Foi assim com Simão, que recebeu o nome de Pedro

Este é geralmente o caso quando o Senhor entra em nossa vida e nos chama. Ele irrompe em um determinado momento. Um dia e uma hora. O momento em que me senti olhado até o mais fundo. Jesus fixou seu olhar em mim. Ele parou. E me chamou pelo meu nome – meu novo nome, aquele que envolve minha missão, aquele que estava gravado na minha alma e eu não conhecia, meu lugar, minha maneira de doar-me, meu ideal. Vivo algo deste nome, é meu, e descobrirei muito ao seu lado, no caminho. Ele me reconheceu. Eu o reconheci. Ele soube ver a sede de minha alma, minha busca, minha falta de jeito e minha paixão, meus dons, minha solidão. Minha ferida. Meus sonhos.

Eu não acreditava em mim mesmo. Sempre fui mais um. Mais um pescador. Não para Jesus. Ele fixou seu olhar em mim. Ele me esperava. E eu também o esperava. Ele mudou meu nome para aquele que Deus pronunciou ao criar-me: de “Simão” a “Pedro”. Ele me diz que eu serei sua rocha, seu apoio. A rocha que se romperá de dor, de amor. A rocha que meu pecado vai quebrar tantas vezes. A rocha quebrada que Jesus, apesar de tudo, seguiu amando ainda mais. A rocha onde todos se apoiarão.

Tudo mudou naquele dia, naquela mesma hora, quatro da tarde. Não sei o que vi Nele. Não sei o que aconteceu em meu coração. Toda a minha vida se encaixou. Minha vida começou de verdade. Eu quero estar com Ele. Porque Ele me amou. Porque ele me acolheu como eu era e acreditou no que eu poderia ser. Porque ele queria estar comigo.

Tudo começa com um encontro profundo

Tudo começa com um encontro profundo, com uma experiência gravada na alma. Eu também, como João, me lembro inclusive a hora daquela vivência. Guardo no coração a hora e o dia do meu chamado vocacional. Mas guardo também outro momento que o precedeu, no qual vi Maria atuando em minha vida. Guardo esses dois momentos como um tesouro. Como eu posso esquecer? Muitas vezes, ao longo da minha vida, volto a esses instantes. Tenho a imagem gravada: a cor da paisagem, a disposição dos móveis… Um desses momentos está muito unido a Maria. Ela próxima de mim, caminhando em uma Via Sacra. O outro momento é muito unido a Jesus. No silêncio de um quarto.

Essas duas vivências têm sido fundamentais ao longo da minha vida e nunca as esqueci. Guardo o lugar, o cheiro, os pensamentos daquela hora. As palavras e o silêncio. A profundidade do coração. As lágrimas. Eu os guardo como um tesouro. Às vezes a vida passa muito rápido e não temos tempo para guardar memórias. Eu não quero esquecer. Acontece comigo como a João, eu escrevo a hora, as palavras, não esqueço.

Leituras deste domingo:
1ª Leitura – 1Sm 3,3b-10.19
Salmo – Sl 39
2ª Leitura – 1Cor 6,13c-15a.17-20
Evangelho – Jo 1,35-42

 

Homilia de 18 de janeiro de 2015, original em espanhol. Versão resumida, veja o texto completo em espanhol aqui: homilia

Foto: cathopic.com

Fonte: schoenstatt.org.br

A Sagrada Família de ontem e a Sagrada Família de hoje

ennedy Rocha – A família é a célula da sociedade, a sua importância é tamanha que até o próprio Deus quis ter uma família, quis nascer no seio de uma família através do SIM de Maria e José ao Plano de amor do Pai. Essa Família Sagrada, desejada por Deus, foi o abrigo e a proteção do Verbo Divino e, ao santificar a Família de Nazaré, Deus santificou todas as famílias como dom e Sua presença no mundo.

“Eis porque a família de Nazaré é santa: por estar centrada em Jesus, todas as atenções e solicitudes de Maria e José eram dirigidas a ele” (Papa Francisco – 30/12/2018)

A Sagrada Família está centrada em Jesus. Jesus é a causa primeira de sua existência, é para onde o olhar de Maria e José se convergem, pois sabem que Ele é a fonte de toda a graça. E como fazer para que a minha família também seja santa? Precisamos apenas colocar Jesus no centro, fazer o sagrado permear as nossas relações ordinárias tornando-as extraordinárias.

A oportunidade de santificar a família

Atravessamos um ano de muitos desafios que foram potencializados pela pandemia do Covid-19. Muitas famílias precisaram reaprender a conviver, a enxergar no outro o seu próximo mais próximo. Com as igrejas, shoppings, parques, cinemas e muitos outros lugares de convivência fechados, não houve outra saída a não ser assumir a sacralidade de nossas relações familiares. Nós tivemos que olhar além de nossos celulares e redes sociais, pois a nossa família pediu socorro, e aqueles que se permitiram moldar segundo a fôrma da Sagrada Família descobriram que a cozinha se tornou restaurante, que a sala de TV virou cinema, que a mesa da sala de jantar se tornou sala de aula, mas o mais importante, a nossa casa se tornou um Santuário Lar, onde Deus pôde realizar o seu ágape entre os seus filhos.

No início não foi fácil, ficamos perdidos e sem saber o que fazer. As incertezas nos fizeram perder um pouco o equilíbrio e precisamos nos reinventar, criando ritos e símbolos que nos permitissem ver a realidade invisível que acontecia ao nosso redor: “Ele está no meio de nós!” e nunca nos abandona. Como no início da Igreja Primitiva, celebramos a Páscoa em nossas casas, o Anjo do Senhor passou e viu os umbrais de nossas portas ungidos com o Sangue do Cordeiro (Êxodo 12,23) e pudemos constatar que “Deus está pregando um retiro para toda a humanidade” (Papa Francisco).

A nossa pequenez

Santa Teresinha do Menino Jesus dizia que: “O que agrada a Deus em minha pequena alma é que eu ame a minha pequenez e a minha pobreza. É a esperança cega em sua misericórdia.” E qual o melhor lugar para sermos pequenos e servimos com humildade? A família. Esse tempo de distanciamento social nos permitiu enxergar a nossa pequenez humana e nossa fragilidade. O vírus não fez acepção de pessoas, mas colocou todos nós diante de uma mesma limitação. E dentro de nossa casa, distantes socialmente dos familiares e amigos, tivemos que aprender o que é o essencial, o que realmente importa para a nossa vida. O Retiro que Deus vem pregando para a nossa família nos ensina que não precisamos de muito, que o amor é o que sustenta nossas relações e o resto é palha, é apenas enfeite que dá um colorido à mais.

Aprendemos que a nossa relação com Deus deve se pautar na confiança cega em sua misericórdia. Aquilo que Ele nos permitiu viver, serviu para conferir uma têmpera maior para enfrentarmos os desafios que ainda estão por vir como filhos e como família. Como nos disse o Pe. José Kentenich “Sabemos que a família é impensável sem sacrifício. Sabemos que a mesa familiar é, antes de tudo, um altar de oferenda sacrifical. Quem quer fundar, nestes tempos, uma família, deve contar com uma enorme reserva de alegre disposição ao sacrifício e vontade de sacrifício”

O Evangelho de hoje…

“Deveríamos ficar angustiados quando, por mais de três dias, nos esquecemos de Jesus, sem rezar, sem ler o Evangelho, sem sentir a necessidade de sua presença e de sua amizade consoladora”. E tantas vezes passam os dias sem que eu me recorde de Jesus. Mas isso é feio, isto é muito feio. Deveríamos nos angustiar quando estas coisas acontecem” (Papa Francisco)

A Família que se esquece de Jesus, que perde este referencial, acaba se perdendo. A oração pessoal, e em especial rezar em família, deveria ser tão essencial como se alimentar. Não podemos perder o Senhor de vista, não podemos deixar que as angústias e tormentas da vida retirem de nós a esperança de sermos um Novo Nazaré, escolhidos por Deus para transformar o mundo em um Tabor das Magnificências de Maria.

A Família é um tesouro a ser protegido e defendido, nos exorta o Papa, e como dizia o Pe. José Kentenich “Salvai a família custe o que custar.”

Que o exemplo da Sagrada Família de Nazaré nos ensine a ser família, que chora, que luta, que vence e se alegra, mas que, principalmente, está centralizada em Jesus.

Sagrada Família rogai por nós e por nossas família!

Fonte: schoenstatt.org.br

O Natal está logo ali

Pe. Francisco José Lemes Gonçalves – Toda a Coroa do Advento se completa com a luminosidade de Cristo, Luz do mundo que veio do céu para nos iluminar e trazer a verdadeira alegria! Luz que abraça toda a Terra nos seus pontos cardeais, luz que ilumina a esperança e faz nascer e florescer onde estava seco e sem vida. Luz que ilumina a cruz nossa de cada dia, não nos deixando cair no desânimo e na apatia. Natal do Senhor! Ele está bem perto!

Durante o Tempo de Advento, por muitas vezes ouvíamos a expressão: “dias virão…”, especialmente nos profetas, como Isaías e Jeremias, entre outros que pudemos ouvir na Liturgia da Palavra. E, estes dias chegaram: “O Anjo Gabriel foi enviado à Nazaré… a uma virgem chamada Maria”, o céu toca a terra no ventre imaculado de Maria, jardim fechado o qual só o Senhor pode entrar e sair. Ali o Espírito Santo encontrou morada digna! Ali encontrou um coração obediente e pronto para Deus.

O Dia chegou! Todas as promessas agora são realidade no ventre de Maria e sob os cuidados de José. O “Deus Emanuel”, o Jesus, “aquele que salva”, reside entre nós. Mas… somente olhos de fé o perceberão na pobreza de seus pais e na fragilidade da criança que chora na gruta fria de Belém. Quem não tem fé continuará negando pouso e novamente Jesus nascerá fora de nossos corações e vidas.

Por isso, a Liturgia deste Domingo nos mostra Maria, a “serva do Senhor”. Modelo de mulher pobre e despojada que se abre ao novo de Deus e por ele se deixa surpreender. Mesmo diante dos desafios que o SIM dado por ela lhe acarretará, ela se coloca como um vaso límpido e vazio para que Deus o preencha com sua graça. A Igreja espera que, ao olharmos para Maria, nos animemos a ter as mesmas atitudes de Maria nestes tempos de pandemia. Deixar-se surpreender por Deus. Permitir que a sombra do Espírito nos cubra e como em Maria fecundar Jesus, “fruto bendito de seu ventre” e que na Eucaristia tornar-se-á nosso fruto bendito!

Em nossos Santuários de Schoenstatt Maria repete este SIM; eles são os nossos “pequenos Nazarés”, onde a Mãe Imaculada nos incentiva a de novo dizer sim e tornar real a encarnação na nossa história marcada pela pandemia e suas consequências. Nossos Santuários de Schoenstatt são também nossos “pequenos Beléns”, onde a Mãe no altar pelas mãos sacerdotais dá à luz seu Divino Filho… é belo essa espiritualidade encerrada nas paredes de nossos Santuários! Por isso, eles não são somente centros de visita ou passeio, mas verdadeiros espaços onde “estes dias” preditos pelos profetas estão sempre aptos a se tornarem realidade mediante nossa fé.

 

Leituras deste Domingo

1ª Leitura – Jr 23, 5-8
Salmo – Sl 71
Evangelho – Mt 1, 18-24

 

Fonte: schoenstatt.org.br