Ele vive e está no meio de nós!

Pe. Francisco José Lemes Gonçalves – Seguimos no Tempo Pascal, que nos prepara para a grande Festa de Pentecostes, quando o Espírito Santo nos fará, nestes nossos tempos, “testemunhas de Jesus”, testemunhas de seu amor expresso na entrega por amor na cruz, testemunhas de uma comunidade que tem Jesus como centro e que nos alimenta na Palavra proclamada, explicada e feita oração; e nos alimenta com seu próprio Corpo e Sangue, nos fortalecendo na missão!

Neste Domingo há uma continuidade do evangelho do encontro de Jesus com os discípulos de Emaús. Depois do partir o pão, os olhos deles se abriram e reconheceram Jesus. Partiram no mesmo instante para anunciar a experiência que fizeram com o Crucificado Ressuscitado.

Em meio aos apóstolos que ouviam a experiência deles, o próprio Jesus se põe no meio deles. Atônitos, num misto de medo, de surpresa e até de dúvida – achavam que estavam vendo um fantasma – Jesus lhes diz que é Ele mesmo, mostrando suas feridas de amor. As feridas de Jesus são as marcas de quem passou pelo sofrimento e por meio dele chegou à ressurreição num corpo glorioso, processo que também nós iremos passar. Diz o apóstolo Paulo: “Se com Cristo somos crucificados, com Ele ressuscitaremos”.

Jesus então come com eles, ou seja, o Crucificado Ressuscitado senta-se conosco, se alimenta e se dá em alimento para nós; confirma as realidades bíblicas nele realizadas e no seu perfeito cumprimento.

Toda essa experiência se faz em e na comunidade que se reúne semanalmente para ouvir a Palavra e se Alimentar do pão e do vinho eucaristizados. Verdade que, por enquanto, por mediadas de amor para com o próximo e a nós mesmos, estamos ausentes fisicamente de nossas comunidades, mas espiritualmente bem unidos através dos meios de comunicação. Ali, mesmo que distantes, continuamos como comunidade nos reunindo para ouvir a Palavra e nos alimentar do Pão e do Vinho feitos Corpo e Sangue do Senhor.

Esta é a HORA de dar um verdadeiro testemunho de nossa fé que deve, qual “pequeno círio pascal”, iluminar o mundo em trevas e muito confuso e dividido. Cabe a nós, cristãos católicos, em nossa IGREJA DOMÉSTICA, casa do pão, da oração, da solidariedade e da caridade, ser sinal de esperança e de fé para os que estão desesperançados e desiludidos.

Também é nosso grande DIA 18, dia de renovar com a Mãe e Rainha nossa Aliança de Amor. Espiritualmente, unidos estaremos em nossos Santuários de Schoenstatt, neste Domingo Pascal, para com nossa Mãe e Rainha espalhar as alegrias da Ressurreição. Que os que partiram sejam pela nossa Boa Mãe conduzidos à glória da Ressurreição; e a nós que ficamos, sejamos testemunhas credíveis de que Ele vive e está no meio de nós!

Leituras deste Domingo:

  • 1ª Leitura – At 3, 13-15.17-19
  • Salmo – Sl 4
  • 2ª Leitura – 1Jo 2, 1-5a
  • Evangelho – Lc 24, 35-48

Fonte: schoenstatt.org.br

Como a oração pode ajudar a transfigurar a realidade?

Ir. M. Isabel Cristina Benedeti – Nunca se ouviu tanto a palavra orar, rezar, como neste tempo de pandemia… De várias formas, cada ser humano, por mais ateu que se considere, parou para elevar um pensamento para o alto, um pensamento bom e positivo, um pensamento para Deus, suplicando por sua vida, pela vida de alguém querido, ou pelas pessoas que estão sofrendo ou numa situação difícil…

E nos perguntamos: Qual a importância da oração para se transfigurar a realidade…? Qual realidade? A realidade de um vírus que está ceifando milhares de pessoas? A realidade da minha vida pessoal, do meu trabalho, da minha família, a realidade dos que me cercam? A realidade de um mundo paganizado?

Percebemos o valor da oração? O valor da oração na vida diária… de não separar Deus da minha vida cotidiana… “aqui” é a minha realidade e “lá” está Deus?

O valor da oração diante de um sofrimento? Já se provam os efeitos positivos da oração em pacientes com doenças graves, em casos desenganados:

“Para comprovar essa tese, um trabalho do Instituto Dante Pazzanese, com quase 250 artigos de todo o mundo, concluiu que a prática regular de atividades religiosas – sejam elas quais forem – pode reduzir o risco de morte em 30%.

Isso porque ter uma religião promove bem-estar psicológico, menos pensamentos e comportamentos suicidas, menos consumo de álcool e drogas e um maior incentivo a hábitos saudáveis. O estudo mostrou ainda que a religião contribui também para reduzir a carga viral em pacientes com HIV, além de reduzir mortes por AVC e problemas cardíacos” [1]

 

 

Nossa missão, como Irmãs Adoradoras, é rezar

Em nossa vida de Irmãs Adoradoras já experimentamos milhares de vezes como as pessoas se sentem confortadas somente com a resposta: “Sim, vamos rezar! Vamos levar física ou espiritualmente suas intenções no Santuário, diante de Jesus Sacramentado, diante do trono da Mãe e Rainha!”

Como conta esta senhora: “Meu testemunho é no sentido do conforto espiritual. Eu particularmente fico esperando todos os dias essas palavras que acalmam e me dão serenidade para mais um dia. Encaminho para o meu grupo da Mãe Peregrina e para minhas irmãs; elas retornam agradecendo e quando precisam de orações me pedem para pedir por elas. Só tenho a agradecer o empenho por trazer conforto espiritual para nós nesse momento difícil que estamos vivendo… …” C.S

“Quando eu fui convidada para participar do grupo, eu estava com Síndrome do Pânico e depressão, eu queria ir embora e ficar sozinha. Agora, com as orações da adoração, eu me sinto tão bem e mais forte. Muito obrigada por me ajudarem”, C.

E, como estes, teríamos muitos testemunhos sobre como a oração, o contato com pessoas que rezam, transfigura a nossa realidade. Podemos ver isso na transfiguração no Monte Tabor.

Um antigo Hino da festa da Transfiguração do Senhor, Tradição Bizantina, diz: “Hoje, no Tabor, transformou Cristo a escura natureza de Adão: revestindo-a de seu esplendor, divinizou-a”.

Nesta frase podemos ver bem o que significa “transfigurar”: Cristo transformou a natureza de Adão… revestindo-a de seu esplendor, divinizou-a!

Nosso Pai e Fundador nos mostra que em Maria, Deus criou a imagem perfeita do ser humano divinizado – a Imaculada. Nela, Deus transfigurou a imagem do homem decaído pelo pecado.

No Documento de Pré-Fundação, nosso Pai nos fala das características deste ser humano divinizado, transfigurado: interiorizado e personalizado; não considera como o mais importante o saber e nem o ter; impõe-se pela força e riqueza interior de sua personalidade; não vive do mundo da técnica e do desenvolvimento, mas o domina e o forma; é personalidade firme, movida por convicções e princípios; é livre; é sacerdotal: personalidade sobrenatural e apostólica; é mariano: esta característica se tornou o elemento essencial da espiritualidade de Schoenstatt; é comunitário.

Para que todas essas características se façam presentes em nós, necessitamos de uma vida de oração profunda, de santidade de todos os dias, diria nosso Pai e Fundador. A Mãe nos diz: trazei-me “zelosa vida de oração”.

 

*Existem duas comunidades de Irmãs de Maria de Schoenstatt Adoradoras no Brasil: em Atibaia/SP e em Santa Maria. Para fazer enviar suas intenções de oração para as Irmãs Adoradoras de Atibaia clique AQUI. Se desejar enviar suas intenções para as Irmãs Adoradoras em Santa Maria, clique AQUI.

 

Fotos: Márcia Kazumi

[1] Fonte: http://g1.globo.com/bemestar/noticia/2013/07/fe-pode-ajudar-muito-no-tratamento-e-cura-de-doencas-defendem-medicos.html

Ter a coragem heroica de renunciar a si mesmo

Pe. Francisco José Lemes Gonçalves – Chegamos à última semana da Quaresma, tempo da graça de Deus, especialmente na vivência deste deserto que a humanidade vive com a pandemia. Tempo em que o Bom Deus, através de todas essas adversidades, nos chama à conversão, à mudança de nossas posturas, a nos aproximar dele pela oração, a sermos solidários com os que mais estão sofrendo nestes tempos e a valorizar a vida como dom de Deus! Tempo de graças, embora o cenário pareça nos dizer o contrário – e são nessas ocasiões que somos chamados a uma fé heroica!

Neste Domingo veremos que alguns gregos queriam conhecer Jesus e, para isso, aproximam-se de Filipe. Ao irem a Jesus, este lhes fala de sua morte como glorificação para que muitos creiam nele e sejam como Jesus, capazes de abrir mão da própria vida em favor de muitos. Mais uma vez, enquanto Jesus fala, o Pai se manifesta, dizendo que o glorificará – e esta glorificação acontecerá na sua morte de cruz.

Jesus é o trigo perfeito do Pai que, morrendo, produz muitos frutos. Macerado como o grão de trigo, Cristo torna-se a boa farinha para o Pão da Vida e, pela força do Espírito Santo, se transforma na Eucaristia, pão vivo e verdadeiro. Os discípulos de Jesus devem de ter a coragem heroica, muitas vezes, de renunciar a si mesmos em favor da causa do Evangelho para que assim, sendo muitos, possam desfrutar da Vida Nova que Jesus no-la mereceu no altar da Cruz e nos altares de nossas igrejas.

Com sua morte, foi expulso do mundo aquele que nos acusava e Jesus, levantado na Cruz, atrairá todos para Ele e na sua cruz seremos salvos!

Nosso mundo vive um Calvário com essa pandemia e muitos que estão sofrendo ou morrendo são imagens de Jesus Crucificado. Aos pés desta cruz está, como sempre, sua e nossa Mãe. São tempos sombrios, mas tempos que devem fazer-nos levantar a cabeça, olhar para Jesus Crucificado e esperar a Luz Pascal que mais uma vez brilhará nesta escuridão.

Que nossos Santuários de Schoenstatt, visitados neste tempo espiritualmente e por meio de nossas redes sociais, lhes seja um apoio na sua fé, ânimo na sua caminhada e a certeza de que ninguém está sozinho. No Santuário temos uma Mãe que reza por nós e está te esperando para juntos, depois de tudo isso, celebrarmos a Páscoa do Senhor!

Será preciso que vejamos a morte de muitos, como grãos de trigo, para que eles alcancem a vida eterna; e nós que ficamos professamos nossa fé na Ressurreição e na Vida Eterna que é para todos!

Leituras deste domingo

  • 1ª Leitura – 2Sm 7,4-5a.12-14a.16
  • Salmo – Sl 88(89),2-3.4-5.27 e 29 (R. 37)
  • 2ª Leitura – Rm 4,13.16-18.22
  • Evangelho – Mt 1,16.18-21.24a

Foto:  Ir. M. Nilza P. da Silva e capri23auto (pixabay.com)

Fonte: schoenstatt.org.br

Um Domingo da Alegria em plena Quaresma

Pe. Francisco José Lemes Gonçalves – “Alegra-te… Deus amou tanto o mundo que deu seu Filho unigênito, para que não morra todo aquele que nele crer (…)” Este é, na quaresma, o domingo da alegria, pois está próxima a Páscoa do Senhor! A cor suave do rosa nos paramentos do padre e algumas flores nos trazem esse “cheiro” da vida que o amor de Deus revelou em seu Filho Unigênito. Levantado no madeiro da cruz, Ele é a verdadeira vida, e vida em abundância! Olhando para o corpo de Jesus pregado na cruz seremos curados, até mesmo desta pandemia!

No deserto o povo desobediente foi picado por serpentes venenosas. Ao se arrependerem, Deus pede a Moises que levante, numa haste, uma serpente de bronze. Quem lançasse um olhar para ela seria curado! Nas suas chagas, o Crucificado tomou todas as nossas dores (inclusive a deste tempo atual: o coronavírus), por isso, neste domingo somos convidados a olhá-Lo e sermos curados física e espiritualmente.

Estamos vivendo uma fase triste da pandemia em nosso querido Brasil, mais uma vez próximo das Festas da Páscoa. Aí… a liturgia nos presenteia com a alegria. Alegria nestes tempos?! Sim… mesmo naqueles que partiram, pois cremos que a morte redentora de Jesus é a porta pela qual entram no céu – e este é o nosso lugar! Sim… nos alegrar diante de tantas dificuldades – que não são poucas – mas, nesta alegria, nunca perder a esperança de dias melhores e sairmos desta crise pessoas humanas melhores!

Pe. José Kentenich, no Campo de Concentração de Dachau (lugar apelidado de “inferno de Dachau”), transformou o ambiente num lugar de alegria que a todos contagiava, mesmo sendo um lugar de morte e onde o ser humano se mostrou tão terrível. A verdadeira alegria nos traz serenidade e equilíbrio diante dessas situações das quais parece não ter saída. Jesus se encontrou diante da morte e, com ela, todo o sofrimento que a antecedeu. Qual o segredo? A confiança ilimitada no Pai que ama tanto o mundo que ainda hoje o dá sobre a Mesa do Altar para a nossa salvação.

Que nossos Santuários de Schoenstatt sejam estes locais onde a Cruz de Cristo se levanta, qual luz que ilumina nossas boas obras e fortalece nossa fé no enviado do Pai. Ali, nossa Mãe e Rainha está debaixo de sua cruz em solidariedade às nossas cruzes e não deixará que nos desviemos dele e assim seremos curados.

No quinto dia da novena para a Solenidade de São José, sejamos acolhedores do amor de Deus que se derrama no seu Filho entregue, doado na cruz para nossa salvação!

Foto: Ir. M. Jutta, via pixabay.com

Fonte: schoenstatt.org.br

24 horas para o Senhor: como participar a distância

A cada ano, durante a Quaresma, o Pontifício Conselho para a Promoção da Nova Evangelização convida a dedicar “24 horas para o Senhor”. Essa iniciativa surgiu a pedido do Papa Francisco e envolve paróquias, movimentos e diversos grupos da Igreja em todo o mundo.

Os dois pilares dessa jornada são a adoração eucarística e a confissão.

Em 2021, a data proposta para as “24 horas” é 12 e 13 de março, sob o lema «Ele perdoa todos os teus pecados» (Sl 103, 3).

Como participar durante a pandemia?

O material para a jornada de oração foi disponibilizado pelo Pontifício Conselho para a Promoção da Nova Evangelização. Clique aqui para acessar

Como muitas pessoas estão impedidas de sair às ruas, é possível participar a distância dessa jornada, reservando um período para a oração e fazendo a “contrição perfeita”, que equivale à Confissão (veja aqui como fazer).

No Santuário Original, na Alemanha, toda sexta-feira há vigílias de adoração, começando às 20 horas e terminando às 7 horas (no Brasil esse horário corresponde das 16h até as 3h da madrugada).

Para participar você pode se inscrever e acompanhar virtualmente a adoração pela webcam. Inscreva-se por este formulário:
https://schoenstatt.com/adoration-in-original-shrine/

A adoração online acontece pela webcam do Santuário Original, que pode ser acessada por este link abaixo: http://urheiligtum.de/DE/10-Service/99-Webcam.html

Fonte: schoenstatt.org.br

Quaresma: O tempo propício para a Reconciliação

Juliana Gelatti Lovato – A Confissão, também chamada de sacramento da Penitência ou da Reconciliação, nem sempre ocupa o lugar que deveria na nossa rotina de vida cristã. Muitas vezes é considerada como aquele momento de “terapia”, no qual tiramos um peso da nossa consciência. Mas esta visão tira de foco seu real significado: reparar as ofensas que praticamos contra Deus, buscando seu perdão e purificando nossa alma.

É um degrau necessário na nossa caminhada à santidade, um sacramento que, além de perdoar os pecados passados, confere uma grande força para resistir às tentações futuras e para corrigir nossas imperfeições. Quando estamos em pecado afastamo-nos de Deus e somente pela Confissão conseguimos reatar este relacionamento. Nossas orações passam a ter mais efeito, sobretudo no nosso espírito, e nossa Aliança de Amor fica fortalecida.

Estamos em plena Quaresma, ainda que em um período conturbado para a sociedade, e este é o momento favorável para a conversão, para retomar a caminhada de fé. O pároco da paróquia Santa Catarina, em Santa Maria/RS, Pe. Luciano Eduardo da Silva, explica como fazer uma boa confissão.

Um dos mandamentos da Igreja é confessar-se ao menos uma vez por ano e, outro, comungar ao menos na Páscoa. Isso tornaria a Quaresma o tempo mais propício para retomar o hábito da confissão? De que outras formas podemos aprofundar a vivência deste tempo litúrgico?

A Páscoa é um tempo em que somos obrigados a fazer a comunhão e a confissão. Portanto, a Quaresma seria o tempo mais propício, efetivamente, para a confissão, visto que a Quaresma tem como tema principal a conversão. E, quando nós falamos em conversão, falamos de uma revisão da nossa vida. E a revisão da nossa vida é a base do exame de consciência. Portanto, a Quaresma seria realmente o tempo mais propício para nós nos confessarmos. Se não for possível confessar durante a Quaresma, temos até 8 dias após a Páscoa para fazer a nossa confissão. Mas, lembrando que é primeiro necessário confessar-se para depois comungar e realizar a nossa Páscoa.

 

(Foto: cathopic.com)

 

Como podemos fazer uma boa confissão?

Para fazer uma boa confissão é necessário fazer um bom exame de consciência. E, para fazer um bom exame de consciência, é necessário, antes de tudo, rezar. Colocar-se na presença de Deus, passar algum tempo em silêncio e, em seguida, começar a olhar para nossa vida, ver como estamos vivendo. O exame de consciência se torna mais fácil quando temos o hábito de fazer isso diariamente, à noite, antes de dormir, para pedir perdão a Deus. É importante que nós saibamos primeiramente quais são os pecados mais graves, os pecados veniais, que geralmente são acusados pela nossa própria consciência.

O Catecismo da Igreja Católica nos dá diversos indícios a respeito desses tipos de pecados na parte onde fala sobre a confissão. Então, o exame de consciência é o que há de essencial para a realização de uma boa confissão (sugestões para um bom exame de consciência). Em seguida, rezar a Deus antes de confessar, para que ele nos dê a graça do arrependimento. O arrependimento também é necessário. Não basta contar os nossos pecados, é necessário também arrepender-se de todo o coração e ter o desejo sincero de não mais pecar. Esse desejo vem da nossa vontade. Mesmo que a gente sinta que a nossa atração pelo pecado continua, mas com a nossa vontade, fazemos o propósito de não mais pecar e de se emendar a partir da nossa confissão.

 

Muitos de nós temos a consciência ou muito escrupulosa, ou insensível. Como ter certeza de que estamos diferenciando corretamente os nossos pecados?

Tanto o escrúpulo quanto a consciência insensível são frutos do orgulho. Porque no escrúpulo, eu me preocupo mais com a minha imagem do que em ter um arrependimento verdadeiro por ter ofendido a Deus. Então, é um amor próprio exagerado. E na consciência insensível, eu me considero muito bom, muito santo, e acho que não tenho pecado nenhum. Então, nos dois casos, trata-se de um ato de orgulho. Para que nós possamos distinguir a nossa verdadeira atitude de arrependimento do escrúpulo ou da consciência insensível, é necessário primeiramente um ato de humildade diante de Deus. Reconhecendo que nós somos pecadores e que nós ofendemos a ele. O principal na confissão é essa consciência de que eu ofendi a Deus, que é o maior de todos os bens e que merece todo o meu amor.

Em seguida, é importante ouvir a voz da nossa consciência. A nossa consciência nos acusa naquilo que realmente nós fizemos e ofendemos a Deus, e não naquilo que simplesmente maculou a nossa própria imagem diante dos nossos olhos. Então é importante esse ato de humildade, essa escuta da consciência. E depois, também, é importante um certo estudo, seja do Catecismo, seja através do conselho de algum sacerdote, que possa nos indicar o que é parte de escrúpulo e o que é realmente pecado, que nós devemos confessar. Eu creio que dessas formas, nós podemos encontrar a maneira correta de confessar, evitando todo escrúpulo e evitando também o esquecimento dos pecados, que é fruto de uma consciência insensível.

 

(Foto: Marcia Kazumi)

 

Infelizmente há lugares em que atualmente não está sendo possível confessar-se e mesmo ir à missa. O que o senhor orientaria para essas pessoas?

O Papa Francisco recordou, logo no início da pandemia, no ano passado, uma orientação para situações especiais, presente no Catecismo da Igreja Católica. Lá diz que as pessoas que não podem se confessar – atualmente isso ocorre por causa da pandemia – podem fazer um exame de consciência e ter um propósito, um arrependimento perfeito, detestando o pecado e querendo, fazendo um ato de desejo de realmente confessar-se quando for possível (saiba mais aqui). E para as pessoas que não podem ir à missa, o Santo Padre reconheceu também que a participação da missa através dos meios de comunicação seria igualmente válida através de uma confissão espiritual. Então, neste caso da pandemia, nós temos essas duas soluções.

Mas, em outros casos, ou seja, quando eu posso encontrar padres para me confessar em outros lugares, mesmo que sejam lugares distantes, é importante que a gente possa fazer um esforço de ir em busca da confissão, porque isso também será um sacrifício de expiação dos nossos pecados. Ir em busca da confissão em lugares que a gente sabe que o padre pode nos atender. Como é necessário confessar-se somente uma vez por ano, por mandamento da Igreja, então não será muito difícil ir atrás de um padre que esteja disponível para confessar. Quanto à missa, a mesma coisa. Podemos assistir à Eucaristia através dos meios de comunicação, mas, se há lugares em que a Santa Missa está sendo celebrada, podemos fazer um esforço, nem que seja mensal, para irmos e assistir, participar da Santa Missa pessoalmente.

Foto destacada: cathopic.com

Fonte: schoenstatt.org.br

Do Tabor à cruz, da cruz à ressurreição

Ir. M. Eliane Cunha – Estamos vivenciando um tempo muito difícil e de profunda insegurança. Por todos os lados as notícias são as mais alarmantes. Por vezes, mesmo tendo fé, nos vemos em meio à esta turbulência, um pouco perdidos.

O que o Ideal Tabor, o Ideal de Cristo que nosso Pai e Fundador nos presenteou há 74 anos, pode nos trazer como resposta?

Temos um canto de nosso Movimento que nos diz: “a visão do Tabor é a força que nos vai animar”. Podemos perguntar: Por que Jesus levou Pedro, Tiago e João ao monte Tabor e se transfigurou diante deles? (Cf. Mt 17,1-9)

Em nossas palavras: Para que eles pudessem ver que aquele Jesus que caminhava com eles, comia com eles, sentia cansaço com eles, era verdadeiramente o Filho de Deus, como o havia anunciado. E que, ao cumprir a missão que o Pai lhe confiou – entregando-se totalmente por nós até a culminância da morte de cruz – não seria o fim. Mas que a promessa da ressurreição e da vitória também se cumpriria.

Nosso Pai e Fundador nos disse aqui no Brasil:

“Para onde dirigimos nosso olhar? Olhamos para o alto do Monte Tabor. Ali, vemo-lo de forma drástica: Eis meu Filho muito amado! Ali, o divino, que até então estava oculto, irrompe com força elementar. Por isso, suas vestes ficam brancas como a neve e seu rosto brilhante como o sol. É a natureza humana elevada e transfigurada. E diante de Pilatos? Exteriormente, está desprovido de forma e beleza, mas, ocultamente, sua natureza está transfigurada. Porque quem está ali é o Deus verdadeiro, Luz da Luz, verdadeiro Deus do Deus verdadeiro”. (Tabor, nossa missão)

Portanto, não precisamos temer, devemos confiar! Pois aquele em quem acreditamos é o vencedor da morte. É Deus quem dá a última palavra. Vamos passar por provações? Vamos passar por perdas de pessoas queridas? Vamos enfrentar situações difíceis que querem roubar nossa esperança? Sim. Pois seguimos a Cristo, o Filho heroico do Pai. Mas, pela experiência do Tabor, também nós vamos nos fortalecer para superar todas essas dificuldades e sofrimentos, vivenciando aqui também a vitória e no momento previsto por Deus, a Ressurreição.

Foto: Foto: Luis Ángel Espinosa

Fonte: schoenstatt.org.br

“Este é o meu Filho amado. Escutai-o!”

Pe. Francisco José Lemes Gonçalves – Nosso itinerário rumo à grande Festa da Páscoa de Nosso Senhor Jesus Cristo vai a cada semana avançando, num constante convite à conversão e a nos tornarmos cada vez mais “imagens de Cristo”, que iluminam a escuridão do mundo.

Neste Domingo somos convidados a “subir” ao Tabor e ali fazer a experiência da transfiguração. Olharmos Jesus! Mais tarde ele estará tão desfigurado que as pessoas nem terão coragem de contemplá-lo, mas é preciso fazer esta experiência para que, ao vê-lo transfigurado na Ressurreição, tenhamos a verdadeira alegria. Não há glória sem a passagem pela cruz! É bom estar ali, exclama Pedro; mas melhor ainda é “ESCUTÁ-LO!” Este é o grande apelo do Pai naquela nuvem que os cobria.

A liturgia deste Domingo, ao nos levar ao Tabor, reforça que: nossa conversão só será eficaz se escutarmos com atenção a voz do Filho Amado do Pai. Sim, se o escutarmos, ele irá nos transfigurar em novas criaturas. Se o escutarmos, desceremos do Tabor encorajados para a nossa missão de anunciadores da Boa Nova nos corações das pessoas e transfiguraremos nossos ambientes. O “subir” exigirá de nós um esforço de reconhecer que somente a graça de Deus é transformadora. A contemplação nos livrará da excessiva agitação do mundo. Jesus ladeado de Moisés e Elias nos levará a crer que realmente ele é “verdadeiramente o Filho de Deus”, cumpridor de todas as promessas!

Os que chegarem aos nossos Santuários de Schoenstatt neste fim de semana, presencialmente ou pelos meios de comunicação, deverão experimentar este Tabor das Glórias de Maria, onde ali, no seu pequenino Santuário, nos levara até Jesus e Ela nos mergulhará na sua luz e abrirá nossos ouvidos para escutá-lo!

Leituras deste domingo:

  • 1ª Leitura – Gn 22,1-2.9a.10-13.15-18
  • Salmo – Sl 115
  • 2ª Leitura – Rm 8, 31b-34
  • Evangelho – Mc 9, 2-10

Viver em diálogo, viver em Igreja, viver em Aliança

Diác. Filipe Araujo – Neste ano, a V Campanha da Fraternidade Ecumênica nos convida a refletir o tema “Fraternidade e Diálogo: compromisso de amor”. Trata-se de um convite para trilhar um caminho que busca a unidade e a paz, o que passa pela “superação de todas as formas de intolerância, racismo, violências e preconceitos” mediante um arrependimento que “contribua para assumirmos outras posturas em relação a cada pessoa que encontrarmos” [1].

Apesar de todas as controvérsias que surgiram frente ao texto base e seu contexto (que certamente podem gerar discussões importantes), acredito que valorizar os aspectos positivos que o tema da Campanha oferece poderia fazer muito bem a todos nós. Olhando para o horizonte de evangelização que temos como Igreja, podemos reconhecer que essa missão é tão ampla que há distintos modos de realizá-la, com distintos meios e distintos acentos. Por outro lado, essa missão só pode ser cumprida quando caminhamos juntos e agimos a partir da totalidade da nossa fé e doutrina, da nossa tradição e da escuta e interpretação dos signos dos tempos à luz do Evangelho. Sem dúvidas, o contexto atual exige que entremos em diálogo uns com os outros para poder levar a cabo nossa missão evangelizadora.

Isso não exclui nem minimiza a possibilidade de ter ressalvas frente a ideias e expressões que a redação do texto apresenta, já que, em um contexto de diálogo, todos podem expor pontos de vista diferentes. O objetivo, no entanto, sempre é a escuta mútua para se chegar a um consenso que nos permita avançar à unidade e à paz tão necessárias. A mesma Igreja, no Concílio Vaticano II, nos recorda que “o nosso respeito e amor devem estender-se também àqueles que pensam ou atuam diferentemente de nós em matéria social, política ou até religiosa. Aliás, quanto mais intimamente compreendermos, com delicadeza e caridade, a sua maneira de ver, tanto mais facilmente poderemos com eles dialogar” [2].

 

A realidade dos vínculos

Em uma humilde tentativa de assumir essa perspectiva desde a nossa espiritualidade, podemos ver que o caminho de conversão para o qual somos convidados nessa Quaresma tem relação direta com o tema dos vínculos, um dos elementos centrais do nosso carisma. O organismo de vinculações expressa a realidade que Jesus mesmo apresenta em seu novo mandamento: amar a Deus e amar ao próximo são coisas inseparáveis. Não há amor autêntico ao nosso Senhor que exclua outra pessoa, e toda mostra de amor a alguém é mostra de amor a Deus. Quando voltamos a essa realidade, entendemos que nossa cultura da Aliança nos dirige ao ponto mais central da nossa fé, integrando o mundo natural e sobrenatural. A Aliança que selamos no Santuário com nossa Mãe nos conduz a amar mais o Deus Trino e a amar mais o próximo.

Nesse sentido, podemos encontrar um grande valor no convite que nos faz a Campanha da Fraternidade, já que o crescimento no amor implica um passo muito concreto: a revisão das formas com as quais nos vinculamos aos demais. Esse é, em primeiro lugar, um convite muito pessoal para um exame de consciência. O Evangelho da Quarta-Feira de Cinzas exortava: “quando tu orares, entra no teu quarto, fecha a porta e reza ao teu Pai que está oculto” (Mt 6, 6). Em uma oração sincera e contrita, revisemos nossos pecados frente ao mandamento do amor. Como tenho tratado aos que são diferentes de mim? Como vejo aqueles que pensam diferente e tem costumes diferentes? Tenho atitudes, mesmo que estejam ocultas em meu interior, de intolerância e preconceito?

Todos as falhas no âmbito dos vínculos aos demais ferem todo o organismo de vinculações. São inúmeras as diferenças que podem se tornar barreiras aos demais. Mas, cada barreira é uma consequência do pecado em nosso interior, que precisa ser sanada pela graça de Deus. Nesse sentido, a melhor atitude é sempre a abertura: por um lado, a abertura ao outro e à sua realidade; por outro lado, a abertura ao Deus Salvador, que quer agir em nossos corações e nos reconciliar.

 

Um convite comunitário e social

Em segundo lugar, o convite é comunitário e social. A reconciliação do ser humano consigo mesmo e com Deus tem sempre um horizonte conjunto, o que conhecemos em Schoenstatt como “o homem novo na nova comunidade”. Com certeza esse é um desafio enorme e complexo, mas não precisamos ter medo frente a ele. Já existe um bom caminho andado se acreditamos de verdade que amar ao próximo é amar a Deus. Essa convicção nos ajudará a percorrer juntos esse caminho.

O Papa Francisco, na Encíclica Fratelli Tutti, nos apresenta linhas muito inspiradoras sobre o diálogo social, os caminhos do encontro na sociedade atual e o papel das religiões na construção da fraternidade. Pode fazer muito bem ler essa encíclica, sobretudo os capítulos VI, VII e VIII. Apresento aqui apenas uma de suas ideias que podem ajudar a nossa discussão:

O diálogo social autêntico pressupõe a capacidade de respeitar o ponto de vista do outro, aceitando como possível que contenha convicções ou interesses legítimos. A partir da própria identidade, o outro tem algo para dar, e é desejável que aprofunde e exponha a sua posição para que o debate público seja ainda mais completo. Sem dúvida, quando uma pessoa ou um grupo é coerente com o que pensa, adere firmemente a valores e convicções e desenvolve um pensamento, isto irá de uma maneira ou outra beneficiar a sociedade; mas só se verifica realmente na medida em que o referido desenvolvimento se realizar em diálogo e na abertura aos outros. Com efeito, «num verdadeiro espírito de diálogo, nutre-se a capacidade de entender o sentido daquilo que o outro diz e faz, embora não se possa assumi-lo como uma convicção própria. Deste modo torna-se possível ser sincero, sem dissimular o que acreditamos, nem deixar de dialogar, procurar pontos de contato e, sobretudo, trabalhar e lutar juntos» [3].

O caminho do diálogo é sempre um grande desafio, por isso é muito importante deixar que o Bom Deus nos conduza e abra nossos corações uns aos outros, de modo que não haja medo nem aversão em nosso meio. Só assim assumimos verdadeiramente o rosto e a missão da Igreja, que é “o sacramento, ou sinal, e o instrumento da íntima união com Deus e da unidade de todo o gênero humano” . Que essa Quaresma seja para nós um tempo muito frutífero para crescer na Aliança, no encontro, na unidade, na reconciliação e no amor!

 

Referências

[1] Texto base da V Campanha da Fraternidade Ecumênica, n.14. Disponível em: <https://www.conic.org.br/portal/files/cf_texto_base_2021.pdf>.

[2] Constituição Pastoral Gaudium et Spes sobre a Igreja no mundo atual, n.28. Disponível em: <http://www.vatican.va/archive/hist_councils/ii_vatican_council/documents/vat-ii_const_19651207_gaudium-et-spes_po.html>

[3] Carta Encíclica Fratelli Tutti do Santo Padre Francisco sobre a fraternidade e a amizade social, n.203. Disponível em: <http://www.vatican.va/content/francesco/pt/encyclicals/documents/papa-francesco_20201003_enciclica-fratelli-tutti.html>.

Foto: Schoenstatt International Communication Office 2014

Fonte: schoenstatt.org.br

Quaresma, tempo de vinculações

Kennedy Rocha – Dia 17 de fevereiro de 2021 iniciamos o Tempo da Quaresma e com ele temos a oportunidade de aprofundar a nossa vinculação a nós mesmos, com o próximo e com Deus.

A Quaresma faz memória aos 40 anos que o povo de Deus passou pela caminhada no deserto, rumo à terra prometida, e, principalmente, lembra os 40 dias que Jesus jejuou e foi tentado. No Evangelho de São Marcos (1, 12-15) ouvimos a narrativa das tentações de Jesus no deserto, que podemos resumir em três temas: os bens materiais (ter), o prazer e o poder. Essa reflexão não é algo do passado, mas faz parte da vida de cada um de nós, pois as tentações permanecem em nosso dia a dia…

 

A tentação do prazer

Desde sempre o homem é tentado a seguir pelo caminho mais fácil e mais prazeroso. Buscar coisas e situações que nos causam alegria é natural e saudável. É preciso, no entanto, ter cuidado para não buscar somente isso, com frequência e constantemente sem equilíbrio. A busca do prazer apenas pelo prazer, sem um sentido espiritual, conduz a um vazio existencial e afasta a pessoa de si mesma. Então quais as ferramentas para vencermos a tentação do prazer?

“Conheça-te a ti mesmo”, nos disse Sócrates e nos repetiu Santa Teresa d’Ávila. O autoconhecimento é uma grande e eficaz ferramenta na luta pela santidade. “O grau do nosso progresso no domínio das ciências tem que ser o grau do nosso aprofundamento interior, do crescimento da nossa alma. Caso contrário, cria-se também no nosso interior um vazio enorme, um abismo tremendo que nos faz sentir profundamente infelizes. Portanto autoeducação!”, diz o Pe. José Kentenich [1]. Ao nos conhecermos melhor, poderemos identificar nossos pontos fracos, nossos vícios e, a partir daí, encontrar as ferramentas adequadas para a autoeducação.

A Igreja sempre nos recomendou, para este tempo de Quaresma, a prática do jejum e da abstinência como meio para a busca do equilíbrio. Não é simplesmente deixar de se alimentar ou se privar de algo que gosto por um simples preceito, mas buscar, com isso, a autoeducação. Por exemplo, se estou viciado em doce e a minha glicose está alta, prejudicando a minha saúde, vou fazer o propósito de não comer doces durante um tempo, buscando o equilíbrio da minha saúde e do meu espírito; ou – outro exemplo – se o uso das redes sociais está prejudicando o meu convívio familiar, eu vou autoeducar-me e estipular um horário reduzido para esse fim. O jejum nos ajuda a controlar a nossa ansiedade, nos ensina a esperar; ele nos priva de algo e até pode ser difícil, porém, nos educa na busca do equilíbrio e nos vincula a nós mesmos.

 

A tentação do ter

Para compreender porque “ter” é uma tentação, precisamos entender a diferença entre prosperidade e acúmulo de bens. A prosperidade é presente de Deus e passa pela fé prática na Divina Providência, já o acúmulo de bens passa pela ganância, pelo egoísmo e consumismo. Em nossa cultura, somos induzidos a pensar que o homem vale aquilo que ele tem, não aquilo que ele é. Mas, “de que vale o homem ganhar o mundo inteiro e perder a vida eterna?” (Mc 8,36). Por isso, é preciso “juntar tesouros no céu, onde a traça e a ferrugem não corroem” (Mt 6,20). A tentação de querer ter sempre mais vai nos afastando do outro e rompendo o nosso vínculo fraterno. Então quais as ferramentas para vencermos a tentação do ter?

“Porque há maior alegria em dar do que em receber” (At 20,35). A caridade gratuita é a maior expressão do amor. Se olharmos a história do cristianismo, os mais ricos foram aqueles que mais partilharam: São Francisco de Assis, Santa Teresa de Calcutá, Santa Dulce dos Pobres e muitos outros.

A partilha nos vincula ao outro e reata em nós o sentido de comunidade, família de Deus. “O amor de Deus também não o deixa tranquilo enquanto não tenha cumprido o último desejo de Jesus: ‘Dai e vos será dado; uma boa medida, calcada, plena e transbordante, será derramada em vosso seio’ (Lc 6, 38). Compartilha generosamente com o próximo o escasso pão de sua pobreza e assim observa as palavras de João Batista: ‘Quem tem duas túnicas, dê uma ao que nada tem. E quem tiver mantimentos, faça o mesmo’ (Lc 3, 11). [O cristão] Está consciente de que ‘quem auxiliar a um irmão necessitado, estende a mão a Jesus’, o primogênito entre muitos irmãos. E pode repetir com o apóstolo São Paulo: ‘Sei viver na penúria e sei viver na abundância; estou acostumado com tudo e preparado com o que vier: a ter fortuna e a passar fome, a ter abundância e padecer necessidade. Tudo posso naquele que me dá força’ (FIp 4,12-13)”, escreve o Pe. Kentenich[2].

Só através da caridade poderemos vencer a tentação do ter e através da partilha nos vinculamos ao outro.

 

A tentação do poder

Vivemos num mundo árido pela busca do poder. Muitas pessoas sentem grande necessidade de mandar, de mostrar sua superioridade diante dos outros, de estar “nas alturas”. Porém, a lógica do Reino de Deus é inversa: os humildes são exaltados, os últimos são os primeiros e os pequenos são os grandes. A tentação do poder é como uma contaminação presente em todos os meios de nossa sociedade, seja no pequeno núcleo da vida familiar, seja nas nossas comunidades de fé, no ambiente de trabalho ou onde existir um grupo de pessoas. Mas, como enfrentar a tentação do poder?

A tentação do poder rompe o nosso vínculo com Deus, pois queremos ter o poder Dele em nós, para agirmos segundo a nossa vontade egoísta. Somente por meio de uma vida de oração e humildade, de um espírito filial, conseguiremos nos vincular ao Pai de amor, de onde emana o verdadeiro poder. “Quando orares, entra no teu quarto, fecha a porta e ora ao teu Pai em segredo; e teu Pai, que vê o que está oculto, te recompensará. Nas vossas orações, não multipliqueis as palavras, como fazem os pagãos que julgam que serão ouvidos à força de palavras. Não os imiteis, porque vosso Pai sabe o que vos é necessário, antes que vós lhe peçais” (Mt 6,6-8).

A oração nos aproxima de Deus e mergulhamos no oceano da sua misericórdia, na oração “abrimos mão” do nosso querer para assumir o querer de Deus, pois acreditamos que a sua vontade é boa, perfeita e agradável. Ele é nosso Pai amoroso e quer que cada filho viva na originalidade que Ele criou. “Deus é Pai, Deus é bom e bom é tudo o que Ele faz”, salientava o Pe. José Kentenich. Por meio de uma oração humilde e sincera renovamos o nosso vínculo com Deus e vencemos a tentação do poder.

 

Somos tentados pelo prazer, pelo ter e pelo poder, que rompem os nossos vínculos conosco mesmo, com o outro e com Deus, porém através do jejum, da caridade e da oração podemos refazer os nossos vínculos e, assim, transfigurar a nossa realidade hoje.

 

[1] Documento de Pré-Fundação, 1912

[2] Santidade de Todos os Dias

Foto: Karen Bueno

Fonte: schoenstatt.org.br