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Categoria: espiritualidade

Nossa Senhora do Rosário: Mãe e Educadora

 

Ir. Lucia Maria Menzel – Celebramos hoje a festa de Nossa Senhora do Rosário, instituída pelo Papa Pio V em 1571, após a vitória da batalha naval de Lepanto, impedindo a invasão dos turcos. Antes da batalha, o Papa havia pedido aos cristãos para rezarem o rosário suplicando que a Mãe de Deus afastasse o perigo.

Com a festa de Nossa Senhora do Rosário em outubro, a Igreja Católica dedica este mês ao Santo Rosário.

Uma coroa de rosas

A origem do termo Rosário está ligada aos romanos e gregos, que tinham o costume de coroar com rosas as imagens que representavam os seus deuses, como símbolo da oferta dos seus corações. Daí surgiu a palavra “rosário”, que significa “coroa de rosas”.

Com base nessa tradição, as mulheres cristãs que eram levadas ao coliseu romano para serem martirizadas, utilizavam coroas de rosas em suas cabeças, simbolizando a alegria e a entrega dos seus corações a Deus. À noite, os cristãos iam até o coliseu e recolhiam essas rosas rezando os salmos pelo descanso eterno dessas mártires.

A repetição da Ave Maria encontramos no século XII e com ela o início da evolução histórica do rosário, que chega à sua forma atual somente no século XVI. Em análogo da recitação dos 150 salmos bíblicos, os monges de pouco estudo repetiram 150 Pai Nossos ou 150 Ave Marias.

São Domingos e seus frades foram os grandes difusores desta prática religiosa, divulgando assim a devoção à Virgem Maria.

Aprendemos isso com o nosso Pai…

Para nós Schoenstattianos, a imagem de Nossa Senhora do Rosário possui um significado importante. Foi diante da imagem dela que a mãe do Pe. José Kentenich, Catarina, entregou seu filho à Nossa Senhora, quando devia deixá-lo aos cuidados de religiosas num orfanato. Esta consagração à Maria foi tão marcante na vida do Pe. Kentenich que se referiu frequentemente a ela ao longo de sua vida. Podemos nomeá-la como “vivência central da sua infância e experiência chave de toda a sua vida”. [1]

Talvez a memória desta vivência, a prática religiosa em casa e seu grande amor à Maria fizeram crescer o amor do Pe. Kentenich ao rosário.

Em muitas ocasiões Pe. Kentenich incentivava a recitação do terço. Nas palestras para as famílias em Milwaukee/EUA dedica quatro noites para falar sobre o Rosário. [2] “Pelo fato de sermos uma família de Schoenstatt, assumimos em certo sentido – não obrigados sob pecado – a obrigação: nenhum dia sem rosário, o breviário da família” [3]

⇒ Veja aqui outras citações do Pe. Kentenich sobre o Rosário

Em Ennabeuren/Alemanha, cidade onde ele espera, depois de sair do campo de concentração, para voltar a Schoenstatt, fala para a comunidade:

“O rosário é nosso grande amigo. … Que importância tem um bom amigo! Com ele, a criança sente-se abrigada em terra estranha! … Somos dependentes da fidelidade de bons amigos. O rosário é bom na alegria, melhor na luta. O rosário é o bom amigo na luta de nossos dias” [4]

Como o Rosário me ajudou

Vivenciei isso quando, durante a faculdade, estava fazendo estágio social. Acompanhando o trabalho de uma assistente social, nos deparamos com uma pessoa que queria se suicidar. Jovem, inexperiente, aflita porque não sabia o que fazer, coloquei minha mão no bolso onde se encontrava meu terço. Senti nesse momento como que a presença de “um amigo” e isso me ajudou a acalmar.

Embora que meus pais às vezes rezassem conosco o terço, não o experimentei como uma oração atrativa para uma criança. Mas, “na reconquista da minha fé” na juventude, aprendi valorizar esta oração em minha vida. Chama-me muita atenção que nos momentos difíceis da despedida de um ente querido a oração do terço cria uma atmosfera de paz.

O estimulo do Pe. Kentenich às famílias em Milwaukee vale também para nós: “Posso me imaginar que nós, como católicos, queríamos justamente, neste mês de outubro, transformar o rosário em nossa oração predileta”. [5]

 

Foto destacada: imagem diante da qual Catarina Kentenich consagrou seu filho José Kentenich, ao entregá-lo no orfanato. Esta imagem se encontra, atualmente, na Casa Padre José Kentenich, em Schoenstatt/Alemanha.

 

Referências:

[1] SCHLICKMANN, Dorothea M., José Kentenich, Uma vida à beira do vulcão, p. 29

[2] Estas palestras se encontram no livro: Pe. José Kentenich, O Rosário

[3] KENTENICH, Pe. José, O Rosário, p. 13

[4] KENTENICH, Pe. José, material não editado

[5] KENTENICH, Pe. José, O Rosário, p. 12

Frases do Padre Kentenich sobre a Bíblia

Hoje, último domingo de setembro, a Igreja no Brasil celebra o ‘Dia da Bíblia’. Vejamos algumas frases do Fundador do Movimento de Schoenstatt, Padre José Kentenich, sobre a Sagrada Escritura.

 

1) Quem santifica a vida diária procura assimilar os ensinamentos da Sagrada Escritura e dos santos, aprendendo a portar-se em relação ao próximo com delicadeza, respeito e amor.
(Livro: A Riqueza do Ser Puro. Prólogo da primeira edição, 1939)

2) Baseando-nos na Sagrada Escritura, coloquemos neste contexto todas as reflexões, todos os processos de vida, as vivências, os dons que interiormente recebemos.
(Livro: Abrigado em Deus Pai – Textos escolhidos sobre Deus Pai. Marcantes traços de pai na imagem de Deus apresentada por Jesus)

3) Quando lemos a Sagrada Escritura damo-nos conta de que, por vezes, brotam espontaneamente dos lábios de Jesus palavras que nos revelam o seu mundo interior. É como se estivéssemos diante de uma rocha com algumas fendas e descobríssemos um mundo imenso, olhando através delas.
(Livro: Às Segundas-feiras ao Anoitecer – Diálogos com famílias. Vol 3, Reflexo do Pai. 9 de julho de 1956)

4) A Sagrada Escritura e Jesus revelam-nos um mundo imenso, mostram-nos o que o Pai faz para nos atrair a si, para que nos doemos inteiramente a ele, de livre vontade e não obrigados pelo medo e pela coação.
(Livro: Às Segundas-feiras ao Anoitecer – Diálogos com famílias. Vol 21, Nossa vida à luz da fé. 19 de junho de 1961)

5) Cristo é o grande pensamento do santo do dia a dia. Por isso, ele gosta de pesquisar a Sagrada Escritura, quer tenha à mão uma edição da Bíblia, quer na liturgia, pois no centro da Sagrada Escritura está sempre a grande personalidade do Homem-Deus.
(Livro: Cristo minha vida – Textos escolhidos sobre Cristo. Intimidade com Cristo do santo do dia a dia)

6) Como devemos, então, cultivar a intimidade com Cristo no Ano Novo?
Não queremos ler a Sagrada Escritura mais do que até agora o temos feito?
(Livro: Cristo minha vida – Textos escolhidos sobre Cristo. Dimensões do amor a Cristo)

7) Deus nos fala através da Sagrada Escritura, pelos estímulos e iluminações internas.
Por isso, a Piedade de instrumento gosta de colocar-se sob a influência da palavra inspirada por Deus, isto é, gosta de ler com prazer, frequente e frutuosamente, a Escritura Sagrada e permanece conscienciosamente atenta às inspirações interiores da graça. Para não errar, no primeiro caso, baseia-se na interpretação da Igreja e, no segundo caso, esforça-se por conseguir uma singela abertura para com o confessor e diretor espiritual.
(Livro: Espiritualidade Mariana do Instrumento. 1º capítulo. B: A palavra de Deus)

8) Quem quiser saber pormenorizadamente como Jesus amou, abra a Sagrada Escritura, a Carta de Deus a seus filhos.
(Livro: Santidade de Todos os Dias. 2º capítulo: Da vinculação de Jesus aos homens)

9) Ao ler a Escritura Sagrada, porém, permanece na palavrinha “amor” sempre que a encontrares. Porquanto esta palavrinha é a maior e a mais rica em conteúdo de toda a Sagrada Escritura. A perfeição consiste unicamente no amor e no cumprimento da vontade de Deus.
(Livro: Santidade de Todos os Dias. 3º Capítulo: A lei de vida dos santos)

10) O cristão vive inteiramente o espírito da Sagrada Escritura. Sabe muito bem que não vale tanto aquele que planta ou aquele que rega, mas quem dá crescimento e faz frutificar, e este é Deus. E Deus gosta de unir sua graça às nossas palavras, aos nossos ensinamentos e aos outros esforços apostólicos que façamos, mas, de preferência, à nossa oração.
(Livro: Santidade de Todos os Dias. 3º Capítulo. Força impulsionadora do amor. O zelo pelas almas)

Foto: cathopic.com

Publicado em: schoenstatt.org.br

Sábado, dia de Nossa Senhora

Rita de Sá Freire – Segundo a tradição, a Igreja tem por costume dedicar o Sábado a Nossa Senhora é pelo fato de ter sido no primeiro Sábado Santo, que Ela viveu sem ter Jesus vivo. Esse dia foi considerado o Sábado da solidão, do deserto, da morte e do luto. Foi o dia em que Maria Santíssima chorou e sofreu pela ausência de seu Filho.

Podemos pensar que foi no sábado que precedeu a Ressurreição de Jesus que a Virgem Maria viveu o mistério da dor, profetizado por Simeão: “Uma espada de dor transpassará tua alma” (Lc 2,35). Entretanto, Ela manteve-se firme na fé, com esperança inabalável em seu Doloroso e Imaculado Coração, aguardando a Ressurreição d’Ele. De acordo com a Exortação Apostólica Marialis cultus sobre o Culto da Virgem Santíssima na Liturgia:

“Não se deve esquecer, por outro lado, que o Calendário romano geral não registra todas as celebrações de conteúdo mariano: é ao Calendário particular que compete recolher, com fidelidade as normas litúrgicas mas também com cordial adesão, as festas marianas próprias das diversas Igrejas locais. E falta ainda acenar à possibilidade de uma comemoração litúrgica frequente da Virgem Santíssima, mediante o recurso à memória de Santa Maria “in Sabbato”: memória antiga e discreta, que a flexibilidade do Calendário atual e a multiplicidade de formulários do Missal tornam extremamente fácil e variada.”

Com o passar do tempo, muitos fiéis passaram a celebrar o dia de sábado com muitos atos de piedade cristã, em honra da Virgem Santíssima, tais como: recitando as “Mil Ave-Marias”, rezando o terço em família e o Ofício da Imaculada Conceição, indo à Missa, recebendo a Eucaristia, realizando obras de amor ao próximo.

Nas aparições de 13 de junho e 13 de julho de 1917, Nossa Senhora de Fátima, chamou a atenção de Lúcia para o costume de dedicar os sábados em Sua honra e rezar o terço em reparação: “Jesus quer estabelecer no mundo a devoção do meu Imaculado Coração”. Depois os três pastorinhos viram Nossa Senhora tendo em sua mão direita um coração cercado de espinhos. Compreenderam que era o Coração Imaculado de Maria, ultrajado pelos pecados da humanidade, que pedia reparação.

“Se fizerem o que vou vos dizer, muitas almas serão salvas e haverá paz. […] Voltarei para pedir a consagração da Rússia ao meu Coração Imaculado e a devoção reparadora dos primeiros sábados (de cada mês).”Honrar Nossa Senhora especialmente nos sábados vem nos recordar que a Mãe de Deus quer nos apontar a direção de seu Filho que é o Senhor dos nossos dias e todos os outros dias da semana.

 

Nossa Senhora da Solidão, rogai por nós!

Fontes consultadas:
– Bíblia Sagrada Ave Maria – Edição Pastoral.
– Exortação Apostólica Marialis cultus do Santo Padre Paulo Vi para a reta ordenação e desenvolvimento do culto à bem-aventurada Virgem Maria.
– SÁ FREIRE, Rita de : Mensagem de Nossa Senhora de Fátima: O plano Divino de Paz e Salvação. Ed. Petrus, 2011. São Paulo – SP.
– Catecismo da Igreja Católica
– Pe. Antonio Lorenzatto, Livro da Família 1997.
-https://www.mariadesatadoradosnos.com.br/o-dia-de-nossasenhora/
Fonte: a12.com
Fotos: Fiore Bagatelo, em cathopic.com

 

A Festa da Exaltação da Santa Cruz

Ir. Lucia Maria Menzel – “Se não tivéssemos cruz, seria motivo para nos surpreendermos. Uma cruz grande e pesada é um privilégio especial, porque assemelha de modo singular a Cristo crucificado” (Pe. José Kentenich) [1]

Uma vida sem cruz não existe. A festa de hoje quer nos ensinar a “carregar nossas cruzes”, enfrentar as dificuldades, os sofrimentos, os desafios com o olhar glorioso da ressurreição.

Talvez muitos de nós, católicos, não nos lembremos da existência desta festa. Passa, para muitos, despercebida. A origem da festa baseia-se na tradição de que Santa Helena de Constantinopla, mãe do Imperador Constantino, encontrou restos da cruz de Jesus durante uma peregrinação. No local da descoberta foi construída a Igreja do Santo Sepulcro. Em 13 de setembro de 335, a igreja foi dedicada e no dia 14 de setembro a cruz foi posta em exposição para que os fiéis pudessem venerá-la.

Enquanto a Liturgia da Sexta-feira Santa coloca o acento na paixão e morte de Jesus, na festa de hoje, olhando para cruz de Jesus, contemplamos a cruz como instrumento de salvação, fonte de santidade e símbolo da vitória de Jesus sobre a morte e o pecado.

Pe. José Kentenich dizia em 1941:

“Escolhemos a cruz, o sinal de graças para a fonte de graças, para a força e o fruto da graça. Indicam-se aqui os Sacramentos que brotaram do coração de Jesus. … Mas a cruz é também um sinal de campo de luta, da luta do amor. Jesus não se deixou pregar na cruz somente para fazer expiação, mas também para demonstrar seu infinito amor… Enfim, a cruz quer ser também o grande sinal de vitória. Eis o que ela é para nós! … Nossa vitória começa onde começamos a lutar”. E assim nos exorta: “Devemos cuidar que por toda a parte a cruz receba as honras devidas”.

Pe. Kentenich queria que as verdades teológicas penetrassem em nossa vida. Assim, estimulou os jovens para, ao levantarem-se, ajoelhar e fazer o sinal da cruz. Com o sinal da cruz mentalizar: fui batizado (a), sou filho, filha de Deus, Deus me ama, Deus cuida de mim, Jesus venceu a morte.

Com este sentimento de vida, começar o dia e enfrentar todas as situações. Podemos cuidar que haja em nossa casa, além do Santuário Lar, também uma cruz em nossos quartos. Assim aprendemos, olhando para a cruz, confiar na força da fé em Jesus Cristo.

 

[1] KENTENICH, Pe. José. Às Segundas-feiras ao Anoitecer, vol 21 – Nossa vida à luz da fé. 17 de abril de 1961

Fonte: schoenstatt.org.br

Dogma da Assunção de Nossa Senhora

Orani João, Cardeal Tempesta, O. Cist. – Arcebispo Metropolitano de São Sebastião do Rio de Janeiro, RJ –         No dia 1º de novembro de 1950, o Papa Pio XII, pela Constituição Apostólica Munificentissimus Deus (Deus munificentíssimo), proclamou o dogma da assunção de Nossa Senhora ao céu em corpo e alma. Eis a razão de refletirmos, de modo um tanto teológico-catequético, sobre tão importante acontecimento.

Faz-se oportuno, antes do mais, esclarecer o que é um dogma de fé e como se chega à sua elaboração final. Pois bem: é dogma de fé – a título genérico – tudo aquilo que o Magistério da Igreja, de modo ordinário e costumeiro, proclama como verdade revelada por Deus e que, enquanto católicos, aceitamos na Profissão de Fé ou no Credo. Ao lado desse magistério ordinário, há o magistério extraordinário, que é exercido por um Concílio Ecumênico (universal) ou pelo Papa, doutor supremo da Igreja, com uma declaração ex cathedra (a partir da cadeira) ao definir uma verdade de fé e proclamá-la solenemente. Um exemplo desse tipo de proclamação, que obriga a todos os fiéis, se deu com Pio XII, em 1950, ao definir solenemente, a pedido do Povo de Deus, o dogma da Assunção de Maria ao céu em corpo e alma (cf. Dicionário de Teologia: conceitos fundamentais da Teologia atual, vol. I, São Paulo: Loyola, 1970, p. 439-440).

No entanto, importa dizer – em contrário do que, às vezes, se fala, de modo infundado – que a Igreja não cria ou inventa novos dogmas, pois ela não está acima, mas a serviço da Palavra de Deus (cf. Dei Verbum, 10; Catecismo da Igreja Católica n. 85-87). Daí, para proclamar solenemente um dogma, faz-se necessário que 1) exista fundamento bíblico, explícito ou implícito, para a crença em questão e 2) tal crença seja difundida em âmbito geral e universal, ou seja, que a ampla maioria dos católicos em todo o mundo a professe como sendo uma verdade certa de fé.

Sobre o item 1, temos os textos bíblicos que tratam da glória de Maria. Ei-los: o Sl 44,10.14-16 que diz: “Entre as tuas amadas estão as filhas do rei; à tua direita uma dama, ornada com ouro de Ofir. Com muitas jóias cravejadas de ouro. Vestida com brocados, a filha do rei é levada para dentro, até o rei, com séquito de virgens. Introduzem as companheiras a ela destinadas, e com júbilo e alegria elas entram no palácio do rei”. Também Ct 3,6 no qual se lê: “Que é aquilo que sobe do deserto como colunas de fumaça perfumada como incense e mirra, e perfumes dos mercadores?” ou Ap 12,1 que narra: “Um sinal grandioso apareceu no céu: uma Mulher vestida de sol, tendo a lua sob os pés e sobre a cabeça uma coroa de doze estrelas”. Com relação a este último texto, a nota b da Bíblia de Jerusalém comenta que essa “Mulher” relembra aquela de Gn 3,15-16; no entanto, lembra ainda a Igreja, povo santo dos tempos messiânicos em luta contra o mal. “É possível que João pense também em Maria, a nova Eva, a filha de Sião, que deu nascimento ao Messias (cf. Jo 19,25)”. Há também textos que falam da assunção de Nossa Senhora ao céu por ser isenta do pecado original: assim, Gn 3,15, ao prever a vitória da Mulher e sua descendência (o Protoevangelho); e – como comentam os estudiosos – aplicam-se também à Virgem Maria todos os textos de São Paulo a demonstrarem a ressurreição corporal dos seres humanos, tendo o Senhor Jesus por modelo primeiro (cf. Rm 5-6; 1Tm 1,1 e, sobretudo, 1Cor 15,21-26;54-57). A diferença, no entanto, da Virgem Maria para conosco é que nós esperamos essa ressurreição em corpo glorioso no último dia (cf. Jo 6,44; 1Cor 15,22s; 1Ts 4,16s), ao passo que Nossa Senhora já foi, de modo singular, assunta ao céu em corpo e alma (cf. Munificentissimus Deus n. 4-6).

Sobre o item 2 vale a pena ler com vagar o que o Papa Pio XII apresenta na Constituição Apostólica Munificentissimus Deus n. 12-37, pois sustentam a fé da Igreja inteira, desde antiquíssima data, na assunção de Nossa Senhora ao céu em corpo e alma. Eis a regra do sensus fidei (senso da fé) conforme ensina São Vicente de Lerins († 450) ao escrever: “É pois, sumamente necessário, ante as múltiplas e arrevesadas tortuosidades do erro, que a interpretação dos Profetas e dos Apóstolos se faça seguindo a pauta do sentir católico. Na Igreja Católica, deve-se ter maior cuidado para manter aquilo em que se crê em todas as partes, sempre e por todos. Isto é o verdadeiro e propriamente católico, segundo a ideia de universalidade que se encerra na própria etimologia da palavra. Mas isto se conseguirá se nós seguimos a universalidade, a antiguidade e o consenso geral. Seguiremos a universalidade se confessamos como verdadeira e única fé a que a Igreja inteira professa em todo o mundo; a antiguidade, se não nos separamos de nenhuma forma dos sentimentos que notoriamente proclamaram nossos santos predecessores e pais; o consenso geral, por último, se, nesta mesma antiguidade, abraçamos as definições e as doutrinas de todos, ou de quase todos, os Bispos e Mestres” (Commonitorium, 2).

Ora, Pio XII seguiu essa sábia norma ao considerar os pedidos de definição dogmática que chegavam à Santa Sé (cf. Munificentissimus Deus n. 7-10) e ao consultar o episcopado do mundo todo por meio encíclica Deiparae Virginis Mariae, de 1º de maio de 1946, na qual colocava aos bispos a seguinte consulta: “[…] Vós, veneráveis irmãos, na vossa exímia sabedoria e prudência, julgais que a assunção corpórea da santíssima Virgem pode ser proposta e definida como dogma de fé, e se desejais que o seja, tanto vós como o vosso clero e fiéis” (idem n. 11 e 41). Das 1181 respostas recebidas, 1169 – a esmagadora maioria, portanto –, era totalmente favorável à definição do dogma da assunção da Virgem Maria ao céu em corpo e alma (cf. Justo Collantes. La fe de la Iglesia Católica: las ideas y los hombres en los documentos doctrinales del Magisterio. 3ª ed. Madri: BAC, 1986, p. 302). Para Dom Pedro Carlos Cipollini, meu irmão no episcopado, bispo de Santo André, SP, esse tipo de consulta aos bispos – como também Pio IX fizera antes de proclamar o dogma da Imaculada Conceição de Maria, em 1854 –, é “uma espécie de Concílio por escrito” (O dogma da Imaculada Conceição: Ela apareceu cheia de graça. Brasília: CNBB, 2017, p. 23). Serve para medir o sensus fidei sobre o assunto na Igreja: “A totalidade dos fiéis que receberam a unção do Santo (cf. Jo 2,20.27) não pode enganar-se na fé; e esta sua propriedade peculiar manifesta-se por meio do sentir sobrenatural da fé do povo todo, quando este, ‘desde os Bispos até ao último dos leigos fiéis’ (cf. S. Agostinho, De Praed. Sanct. 14, 27: PL 44, 980), manifesta consenso universal em matéria de fé e costumes” (Lumen Gentium, 12). Esse sensus fidei é “uma ‘peculiaridade’ de ‘todo’ o povo de Deus. No contexto, mencionam-se ‘a totalidade dos fiéis’, ‘povo todo’, ‘bispos e fiéis leigos’. Portanto, não é algo setorial, ou de uma categoria de fiéis” (Dom Pedro Carlos Cipollini. Os fiéis também sabem: o sentido da fé (sensus fidei) na Igreja. Brasília: CNBB, 2018, p. 19).

Uma vez bem confirmada a fé de toda a Igreja, Pio XII proclamou, então, solenemente o dogma da Assunção de Nossa Senhora ao céu em corpo e alma: “Pelo que, depois de termos dirigido a Deus repetidas súplicas, e de termos invocado a paz do Espírito de verdade, para glória de Deus onipotente que à virgem Maria concedeu a sua especial benevolência, para honra do seu Filho, Rei imortal dos séculos e triunfador do pecado e da morte, para aumento da glória da sua augusta mãe, e para gozo e júbilo de toda a Igreja, com a autoridade de nosso Senhor Jesus Cristo, dos bem-aventurados apóstolos S. Pedro e S. Paulo e com a nossa, pronunciamos, declaramos e definimos ser dogma divinamente revelado que: a imaculada Mãe de Deus, a sempre virgem Maria, terminado o curso da vida terrestre, foi assunta em corpo e alma à glória celestial” (Munificentissimus Deus n. 44).

Notemos que a expressão “foi assunta” é muito precisa no âmbito lógico e teológico, uma vez que só Cristo, nosso Senhor, ascendeu ao céu, ao passo que a Virgem Santíssima foi assunta ou elevada por Deus. Daí celebrarmos a Ascensão (elevar-se por si mesmo) do Senhor e a Assunção (ser elevada por outro) de Nossa Senhora. Tal elevação é muito coerente, pois se a Mãe de Deus e nossa não esteve, por especial predileção divina, sujeita ao pecado, também não poderia ficar sob o poder da morte, consequência do pecado (cf. Rm 5,12). Vê-se, com isso, que o dogma da assunção corporal de Nossa Senhora está estritamente ligado à sua Imaculada Conceição, conforme dissemos e bem frisa Pio XII ao escrever que “a Igreja sempre reconheceu esta grande liberalidade e a perfeita harmonia de graças, e durante o decurso dos séculos sempre procurou estudá-la melhor. Nestes nossos tempos refulgiu com luz mais clara o privilégio da assunção corpórea da Mãe de Deus. Esse privilégio brilhou com novo fulgor quando o nosso predecessor de imortal memória, Pio IX, definiu solenemente o dogma da Imaculada Conceição. De fato, esses dois dogmas estão estreitamente conexos entre si. Cristo com a própria morte venceu a morte e o pecado, e todo aquele que pelo batismo de novo é gerado, sobrenaturalmente, pela graça, vence também o pecado e a morte. Porém Deus, por lei ordinária, só concederá aos justos o pleno efeito desta vitória sobre a morte, quando chegar o fim dos tempos. Por esse motivo, os corpos dos justos corrompem-se depois da morte, e só no último dia se juntarão com a própria alma gloriosa. Mas Deus quis excetuar dessa lei geral a bem-aventurada virgem Maria. Por um privilégio inteiramente singular ela venceu o pecado com a sua concepção imaculada; e por esse motivo não foi sujeita à lei de permanecer na corrupção do sepulcro, nem teve de esperar a redenção do corpo até ao fim dos tempos. Quando se definiu solenemente que a virgem Maria, Mãe de Deus, foi imune desde a sua concepção de toda a mancha, logo os corações dos fiéis conceberam uma mais viva esperança de que em breve o supremo magistério da Igreja definiria também o dogma da assunção corpórea da virgem Maria ao céu” (Munificentissimus Deus n. 3-6).

A título pastoral, a definição do dogma da assunção de Nossa Senhora ao céu em corpo e alma, tem muito a nos dizer. Lembremo-nos de dois aspectos apontados pelo Papa São João Paulo II, na Audiência geral de 09/07/1997: 1) a correta exaltação da mulher: “Na Assunção da Virgem, podemos ver também a vontade divina de promover a mulher. Em analogia a quanto se verificara na origem do gênero humano e da história da salvação, no projeto de Deus o ideal escatológico devia revelar-se não em um indivíduo, mas num casal. Por isso, na glória celeste, ao lado de Cristo ressuscitado há uma mulher ressuscitada, Maria: o novo Adão e a nova Eva, primícias da ressurreição geral dos corpos da humanidade inteira. Sem dúvida, a condição escatológica de Cristo e a de Maria não devem ser postas no mesmo plano. Maria, nova Eva, recebeu de Cristo, novo Adão, a plenitude de graça e de glória celeste, tendo sido ressuscitada pelo poder soberano do Filho mediante o Espírito Santo”; 2) há um apelo à valorização da dignidade do corpo humano: “a Assunção de Maria revela a nobreza e a dignidade do corpo humano. Diante das profanações e do aviltamento a que a sociedade moderna não raro submete em particular o corpo feminino, o mistério da Assunção proclama o destino sobrenatural e a dignidade de cada corpo humano, chamado pelo Senhor a tornar-se instrumento de santidade e a participar na Sua glória. Maria entrou na glória porque escutou no seu seio virginal e no seu coração o Filho de Deus. Olhando para ela, o cristão aprende a descobrir o valor do próprio corpo e a preservá-lo como templo de Deus, na expectativa da ressurreição”.

Que estes ensinamentos, nesta data tão especial, calem fundo nos nossos corações!

Foto: Ric Perezmont por Cathopic

Fonte: Vatican News

O Dogma que inspirou o início da Campanha da Mãe Peregrina

Karen Bueno – Já se perguntou qual foi o ponto de partida que fez João Pozzobon vestir o terno todos os dias, por 35 anos, e sair pelas ruas e estradas com a Mãe Peregrina? Inspiração divina é, sem dúvida, a resposta mais acertada. Mas há também um fato em particular, na história da Igreja, que motivou o início da Campanha.

Em 1950 o Papa Pio XII anunciou a proclamação do dogma da Assunção de Maria ao Céu. O que esse dogma significa? Que ela, a Mãe de Deus, foi levada ao céu de corpo e alma após a morte.

 

Quer saber mais sobre o dogma da Assunção de Maria? Clique aqui.

 

Schoenstatt entra em ação

O Papa anunciou o Ano Santo de 1950 e convocou toda a Igreja para essa proclamação, que seria realizada numa cerimônia pública no Vaticano, no dia 1º de novembro.

Junto com a Igreja, o Movimento de Schoenstatt do Brasil se preparava cheio de entusiasmo para essa ocasião. Assim surgiu a ideia, em Santa Maria/RS, de enviar três imagens peregrinas para visitar as famílias, rezar o terço com elas e preparar a todos para a proclamação do dogma.

“10 de setembro de 1950. Durante esse dia de retiro, do qual participavam aproximadamente 100 homens, foram bentas, no Santuário, as três imagens grandes de Nossa Senhora de Schoenstatt. O Sr. João Luiz Pozzobon tinha ido, por um momento, à sua casa; ao regressar ao Santuário, a Ir. M. Teresinha Gobbo que, com outra Irmã de Maria e um grupo de jovens saíam dali, convidou-o a ir rezar o primeiro terço na casa de uma família. O Sr. João aceitou o convite e partiu com o grupo. A Irmã disse a ele: ‘Esta imagem ficará a seu cuidado. Não é preciso que reze o terço todas as noites. Apenas deverá cuidar que peregrine de casa em casa’. Quem poderia vislumbrar o que ali estava nascendo? O fato é que João Pozzobon aceitou o oferecimento: ‘Ela me confiou esta imagem, depositou em mim toda a sua confiança. Eu me senti responsável, e disse: vou rezar todas as noites o terço’” [1].

 

A Mãe sobe ao céu, mas não deixa de peregrinar na terra

Se 1950 é um Ano Santo por celebrar a subida de Maria ao céu, para Schoenstatt é um ano ainda mais especial, porque marca também a presença constante dela na terra: a Mãe foi elevada ao céu, mas continua peregrinando ao nosso lado, sempre junto dos filhos.

A teóloga Ir. M. Cassiana Jänisch acentua: “Com a Assunção de Maria ao céu, Ela continuou no coração e na vida do povo de Deus, expressão disso são os ícones que os artistas nos legaram. O amor e a confiança que temos na Mãe de Deus, faz com que Ela peregrine através de seus ícones junto às famílias”.

Por João Pozzobon, a partir da proclamação do Dogma da Assunção, a imagem da Mãe e Rainha de Schoenstatt tornou-se um dos ícones mais conhecidos no Brasil e em diversos países: “Maria continua a nos acompanhar e cumpre com fidelidade a missão que recebeu de seu Filho Jesus na cruz: Hoje, Jesus dirige-se novamente a sua Mãe e diz: ‘Mulher, eis aí o teu filho. E depois diz ao discípulo: Eis aí tua Mãe’ (Jo 19, 26-27). Em João vemos todas as famílias que abrem as portas de suas casas para acolher Maria como Mãe e Educadora. Em Maria vemos um coração de Mãe que vai novamente apressado peregrinar até as famílias para presenteá-las a alegria, a esperança e as graças de que necessitam para superar as dificuldades”, diz a Ir. M. Cassiana.

O Padre José Kentenich, fundador do Movimento de Schoenstatt, acentua essa ideia, ao dizer: “Em 1950, Pio XII repete solenemente o ‘Ecce Mater tua’ ao dogmatizar a Assunção da Mãe de Deus ao céu em corpo e alma, apontando sua glória resplandecente junto ao trono de Deus no céu e encorajando à entrega total a ela”. [2]

Ao celebrar a Assunção de Maria, no dia 15 de agosto, Schoenstatt recorda que a Mãe quer ter todos os filhos ao seu lado no céu, por isso ela parte ao encontro, para buscar um a um. Educando os corações, a Mãe os molda para que um dia possam todos estar junto dela, unidos num só coração, no Pai.

 

Referências

[1] Pe. Esteban Uriburu. Heroi hoje, não amanhã

[2] Pe. José Kentenich. Maria Mãe e Educadora. Primeiro sermão – A corrente de consagração na Igreja

Foto: Neivaldo Moraes

Fonte: schoenstatt.org.br

Uma herança de Santo Afonso Maria Ligório nos Santuários de Schoenstatt

Hoje a Igreja celebra Santo Afonso Maria Ligório. Escritor de 123 obras, o fundador da Congregação do Santíssimo Redentor é reconhecido por sua grande contribuição para a compreensão da doutrina católica e sua vivência espiritual.

Nosso Fundador, Padre José Kentenich, utilizou muitas vezes textos de Santo Afonso, reconhecido pelo seu grande amor a Maria. Mas é no Santuário que encontramos uma importante herança sua: na inscrição ‘Servus Mariae Nunquam Peribit‘. Embora a autoria desta frase, que em português anuncia que ‘um servo de Maria nunca perecerá’, seja atribuída a Santo Anselmo de Canterbury (1033-1109), Santo Afonso Maria Ligório (1696-1787) é reconhecido como seu especial propagador.

A escolha da frase foi feita pelo jovem Fritz Esser, que era congregado da primeira geração da Obra de Schoenstatt. Originalmente ele esculpiu uma moldura em madeira para o Santuário Original com essa frase. Seu desejo era presentear a Mãe de Deus, ornamentar o Santuário e afirmar algo que experimentara em muitas ocasiões: a Mãe jamais abandona seus filhos. Presumivelmente, essa moldura foi anexada ao quadro no 5º aniversário da Congregação Mariana, no domingo de 27 de abril de 1919.

Até 1934, a moldura esculpida por Fritz Esser permaneceu no Santuário Original. Mas o calor constante das lâmpadas contribuiu para que ela se desgastasse e teve de ser refeita em madeira. Mais tarde essa peça foi fundida em metais (1947) e reconquistada pelo Instituto Nossa Senhora de Schoenstatt, mas as palavras permanecem as mesmas – e adornam agora a imagem da MTA em todos os Santuários de Schoenstatt do mundo, nos diversos países.

O que nos diz o Padre Kentenich?

Num encontro com casais, em Milwaukee/EUA, ele aponta:

“Olhem o que está escrito por cima do arco, na Capelinha… É o seguinte: Servus Mariae nunquam peribit. De qual Maria se trata? Da Mãe de Deus, que se estabeleceu aqui, para educar as pessoas a partir daqui e colocar, através delas, um mundo novo aos pés de Cristo.
Aquele escrito significa, portanto, que na arca [em Schoenstatt] seremos, sobretudo, preservados da destruição de nossa alma. O primeiro significado das palavras “Servus Mariae nunquam peribit” é este. Porém, a Mãe de Deus não se contenta em preservar do pecado grave os que se consagram a ela no Santuário. […] não se trata apenas de preservar nossa alma, nosso caráter, mas também de sermos educados a um ideal, ao ideal da santidade no meio do mundo, a fim de nos capacitarmos para sermos pais e mães de uma nova sociedade”. [2]

                         A imagem da MTA com a primeira moldura luminosa feita por Esser

 

Com informações de Vatican News e schoenstatt.org.br

Neste domingo: quem visitar um idoso recebe indulgência

Com a celebração do II Dia Mundial dos Avós e dos Idosos, que é celebrado neste domingo, dia 24 de julho de 2022, pessoas de todo o mundo podem alcançar Indulgência Plenária, ao seguirem alguns passos.

Segundo o decreto da Penitenciária Apostólica, é concedida Indulgência Plenária, “sob as habituais condições – confissão sacramental, comunhão eucarística e oração nas intenções do Sumo Pontífice – aos avós, aos idosos e a todos os fiéis que, motivados por um autêntico espírito de penitência e caridade, participarem no dia 25 de julho de 2021, Primeiro Dia Mundial dos Avós e dos Idosos, da solene celebração que o Papa Francisco presidirá na Basílica de São Pedro ou então das diversas funções que ocorrerão em todo o mundo”.

A Indulgência Plenária será concedida também “nesse mesmo dia, aos fiéis que dedicarem tempo para visitar, em presença ou virtualmente, os irmãos idosos necessitados ou em dificuldade, como os doentes, os abandonados, os deficientes e outros”.

Poderão também obter a Indulgência Plenária, os idosos doentes e todos os que, impossibilitados de saírem de casa por grave motivo, unirem-se espiritualmente às funções sagradas do Dia Mundial dos Avós e dos Idosos, através dos meios televisivos e radiofônicos, mas também pelos novos meios de comunicação social.

Veja no vídeo o que são as indulgências plenárias:

 

Fonte: schenstatt.org.br

Hoje celebramos Santa Maria Goretti

A Igreja, neste dia, celebra a virgem e mártir que encantou e continua enriquecendo os cristãos com seu testemunho de “sim” a Deus e “não” ao pecado. Nascida em Corinaldo, centro da Itália, era de família pobre, numerosa e camponesa, mas muito temente a Deus.

Com a morte do pai, Maria Goretti, com os seus, foram morar num local perto de Roma, sob o mesmo teto de uma família composta por um pai viúvo e dois filhos, sendo um deles Alexandre. Aconteceu que este jovem por várias vezes tentou seduzir Goretti, que ficava em casa para cuidar dos irmãozinhos. E por ser uma menina temente a Deus, sua resposta era cheia de maturidade: “Não, não, Deus não quer; é pecado!”

Santa Maria Goretti, certa vez, estava em casa e em oração, por isso quando o jovem, que era de maior estatura e idade, tentou novamente seduzi-la, Goretti resistiu com mais um grande não. A resposta de Alexandre foram 14 facadas, enquanto da parte de Goretti, percebemos a santidade, na confidência à sua mãe: “Sim, o perdoo… Lá no céu, rogarei para que ele se arrependa… Quero que ele esteja junto comigo na glória eterna”.

O martírio desta adolescente, de apenas 12 anos, foi a causa da conversão do jovem assassino, que depois de sair da cadeia esteve com as 400 mil pessoas, na Praça de São Pedro, na ocasião da canonização dessa santa, e ao lado da mãe dela, que o perdoou também (até aqui, extraído da Canção Nova).

Santa Maria Goretti manteve-se pura e santa por causa do seu amor a Deus, por isso na glória reina com Cristo.

A juventude olha para a jovem Maria Goreti e vê nela o anseio que reside nos seus corações: ser uma outra Maria, pura e imaculada. Neste sentido, nosso Pai e Fundador falou à Juventude Feminina de Schoenstatt em agosto de 1968:

“A juventude olha para o futuro e quer dedicar-se a grande tarefas. No futuro nossa tarefa será a participação na missão da querida Mãe de Deus. A imagem da Imaculada nos anuncia qual seja esta missão. Aqui teríamos a oportunidade de penetrar mais profundamente, para reconhecermos em que grau o corpo pertence ao Senhor, em que grau somos templos do Espírito Santo, como somos e devemos ser igrejinhas da Santíssima Trindade. Queremos tornar-nos um ‘Sacrarium Dei’, um Santuário do Deus Eterno, um Santuário da Santíssima Trindade”.

Solenidade dos Apóstolos São Pedro e São Paulo

Pe. Francisco José Lemes Gonçalves – Com alegria celebramos aqueles que são as colunas da Igreja de Cristo e que por ele testemunharam, com a vida, a causa de seu Mestre e Senhor: anunciar o Evangelho a toda criatura! Diferentes nas maneiras pelas quais fizeram este anúncio, mas unidos num mesmo e único Senhor, foram fiéis àquilo que receberam. Diante das cruzes e desafios, tiveram Jesus como modelo daquele que os encorajava diante destas situações; com certeza soava-lhes como música de fundo as palavras: “Tendes coragem, eu venci o mundo”, ou, “eu estarei convosco todos os dias até o fim dos tempos”. São figuras humanas com seus defeitos e qualidades, mas o Senhor os capacitou, tornando-os modelo para nossa atuação no mundo em que vivemos.

Pedro

Pescador de peixes, o qual o Senhor o fez “pescador de homens”! Nos seus altos e baixos, nas suas limitações, o Senhor lhe confiou as chaves do Reino e o cuidado de suas ovelhas. Fez Pedro pastor de seu rebanho, sem nunca esquecer que o modelo de Pastor é Jesus, que deu sua vida pelas ovelhas. Ensinava sentado sob uma pedra, lembrando que sobre esta pedra o Senhor edificou sua Igreja. Pedra forte e sólida! Às vezes fora causa de tropeço, mas o Senhor remove-a como tropeço e a faz pedra segura para edificar sua Igreja. Quererão destruí-la, desmoraliza-la, dividi-la, apelidando-a de “retrógrada e estraga prazeres”…, mas o Senhor disse que rezou por Pedro (em consequência reza pelos seus sucessores, e hoje, Papa Francisco) e garantiu que as portas do inferno e suas investidas não a destruirão.

Paulo

Fariseu ferrenho e perseguidor dos cristãos, tornar-se-á um grande missionário, destemido anunciador do Evangelho entre seus irmãos (os judeus) e os gentios. Não perderá tempo, fará longas viagens, escreverá muitas cartas, será preso e torturado várias vezes, mas, ele mesmo dirá: sei em quem coloquei minha confiança. Sua vida será tão conjugada ao Senhor que dirá que ele não vive mais: é o Senhor que vive nele! Terá ternura, mas também saberá se impor com autoridade para corrigir e livrar de erros. Reconhece que é vaso de barro e que carrega, apesar dos espinhos da carne, um grande tesouro! Ao final da vida, condenado que já estava, não se desespera ou fica a lamentar, escreve a Timóteo encorajando-o e feliz porque a coroa da justiça lhe está preparada e pronto está para dar a vida por aquele que o amou desde toda a eternidade.

Que esses grandes homens nos inspirem nestes tempos em que nossa fé é provada por esta pandemia e suas devastadoras consequências. Em nossos Santuários, junto ao Trono de nossa Mãe e Rainha, lá eles estão com olhos voltados para o quadro de graças, a contemplar aquele que a Virgem traz nos braços, pelo qual eles deram a vida e hoje, coroados de glória, intercedem por nós e pela Igreja.

Rezemos neste dia pelo nosso Papa Francisco, legítimo sucessor de Pedro que dirige, com solicitude paterna e pastoral, a todos que lhe são confiados. Sejamos obedientes e fiéis, não fiquemos a ir na onda de muitos que querem desmoralizá-lo. Rezemos muito por ele, conforme ele mesmo sempre nos pede: “Não se esqueçam de rezar por mim!”. Neste dia, em nossos Santuários de Schoenstatt, o consagramos aos cuidados de nossa queria Mãe e Rainha!

Foto: imagens de São Pedro e São Paulo no Santuário Tabor (Ir M Rosequiel Fávero)

Fonte: schoenstatt.org.br