Como descobrir minha vocação?

 

Karen Bueno – Estamos vivendo no Brasil um Ano Vocacional, por isso vale a pena recordar uma reflexão feita a algum tempo aqui no site do Santuário Tabor.

A Igreja oferece infinitas possibilidades de caminhos vocacionais a seguir – a pessoa pode se casar, pode se consagrar, ser celibatária, tudo isso estando ligada a uma das muitas comunidades, congregações ou movimentos religiosos. Contudo, somente um único caminho é sonhado por Deus para a vida de cada pessoa e um grande desafio é descobrir qual é esse plano de amor que o Pai sonhou.

O discernimento vocacional não é fácil, está permeado de muitas dúvidas e incertezas, mas quando inspirado pelo Espírito Santo, leva à realização de uma felicidade sincera e nobre: “A vocação se revela na medida em que nos deixamos penetrar profundamente por Deus. Começa com um desejo ardente de querer algo mais, um sentimento de mudança de vida, o mundo já não nos satisfaz. Indecisões, perguntas, medo de equivocar-se, sensação de nunca conseguir tomar uma decisão fazem parte deste processo interior de busca pela verdadeira felicidade querida por Deus”, comenta a Sra. Ana Christina Melquiades, do Instituto Nossa Senhora de Schoenstatt.

 

O que fazer então?

A vocação humana é um caminho pessoal de descoberta, mas algumas dicas podem ser úteis àqueles que buscam reconhecer o plano de Deus para sua vida.

Pe. Afonso Wosny, do Instituto Secular dos Padres de Schoenstatt, aponta três coisas que considera importantes no processo de discernimento vocacional: “Uma vida de oração intensa, de diálogo com Deus, porque a vocação nasce do amor a Deus, a vocação é uma história e um caminho de amor, ela é fruto de uma relação pessoal com Deus e com o mundo de Deus. Outra coisa é um acompanhamento espiritual, de preferência com um sacerdote, uma pessoa com quem você possa se abrir sem nenhuma pressão, que juntos procurem a vontade de Deus. A terceira coisa é algo que nosso Fundador sempre dizia, ficar bem atento às vozes de Deus no coração, às vozes da alma – o que eu sinto dentro de mim, no meu coração, na minha consciência, que está muito forte?”

A Sra. Ana Christina concorda e acrescenta: “Para tomar uma decisão é preciso dialogar com Deus, pois é a sua vontade que desejamos realizar. Manter uma intensa vida espiritual, rezar ao Espírito Santo, manter o vínculo com o Santuário e, principalmente, dar tempo para que Ele fale e atue, estando atentos aos acontecimentos diários – Deus fala por meio das circunstâncias”.

Toda vocação exige desprendimento, de si mesmo, da casa paterna, de uma vida confortável: “Chega uma época na vida em que a gente se pergunta: ‘para que eu nasci? Para onde vou?’. Tanto na vida consagrada como na vida matrimonial, esse momento pede um salto no escuro, você não sabe o que te espera, então é preciso confiar que Deus sabe o que é melhor para nós”, diz Ir. M. Bruna Sturba de Renzo, do Instituto Secular das Irmãs de Maria de Schoenstatt.

 

Como ter clareza do plano de Deus para minha vida?

Para o Pe. Afonso, é muito difícil a uma pessoa ter certeza absoluta da vocação antes de dar um primeiro passo: “Vamos descobrir se esse é realmente o nosso caminho examinando a própria consciência, o próprio coração constantemente, e observando algumas coisas que são frutos do Espírito Santo, por exemplo, a paz, a alegria que sentimos. Quando seguimos a vocação que Deus planejou para nossa vida, mesmo que ela exija algo difícil, isso não tira a força e vontade de viver, pelo contrário, dá alegria, essas renúncias nos fazem crescer. Mas somente depois de se lançar, pelos frutos, que você vai ter a certeza”.

Quando se está no caminho certo, o coração vai revelando pouco a pouco: “Nós nos lançamos nos braços de Deus e, como consequência, encontramos a paz interior, a alegria de servir, de entregar-se, de sacrificar-se, porque acima de tudo é o plano de Deus que se realiza em nós. Acreditar no plano de Deus, ter fé e desprender-se de si mesmo, é fundamental para o salto da decisão”, afirma a Sra. Ana Christina.

Ao descobrir qual é seu caminho, “você tem que ter uma firmeza muito grande e uma base muito forte, ter a certeza de que Deus te escolheu e que você foi chamado para aquilo”, ressalta Joelma Melo, da União Apostólica Feminina de Schoenstatt.

 

Liberdade e confiança

Pe. Afonso diz que o vocacionado deve ter muita liberdade interior para decidir e confiança de que Deus vai cuidar: “Temos que ter fé que ele vai mostrando. Se foi ele quem colocou a pergunta vocacional no coração do jovem, ele vai falando, mostrando, confirmando. E a alegria e realização que surgem no coração quando damos um ‘sim’, surgem dele”.

O Catecismo da Igreja Católica afirma que, antes de qualquer coisa, “Deus criou o homem por amor, também o chamou para o amor, vocação fundamental e inata de todo ser humano. Pois o homem foi criado à imagem e semelhança de Deus, que é amor” (1604).

“A vocação é um presente de Deus, uma graça que recebemos de sua infinita misericórdia, é querer assumir livremente a missão que Deus entrega a cada um de nós, seja no caminho da vida matrimonial ou no caminho da vida consagrada”, ressalta Sra. Ana Christina Melquiades.

 

Conheças as diversas comunidades e ramos de Schoenstatt

Fonte: schoenstatt.org.br

”?

Talvez muitos já tenham ouvido em algum evento da Família de Schoenstatt a jaculatória ‘Nos cum Prole pia, benedicat Virgo Maria’, uma expressão latina que, em português, quer dizer ‘Com o vosso divino Filho, abençoai-nos, ó Virgem Maria’.

Recordando:  jaculatória é uma forma de oração muito breve, uma frase, que usamos isoladamente ou dentro de uma celebração. Por exemplo: ‘Sagrado Coração de Jesus, fazei nosso coração semelhante ao vosso’. Muitas vezes é composto de duas partes que, em comunidade, serve como invocação e resposta da assembléia.

História da jaculatória ‘Nos cum prole pia’

Não se sabe ao certo a sua origem, mas já se tem registro dela num texto do século XII. Seu uso tornou-se frequente especialmente nas escolas sob direção da Ordem dos Jesuítas no século XVII. Como estas escolas se tornaram berço das Congregações Marianas, ela foi muito usada neste meio.

Existem muitos mosaicos, estampas e imagens que utilizam esta jaculatória, como a imagem abaixo, da Abadia de Maredret, Bélgica, ou como acima, no Mosteiro de Monte Cassino, Itália.

E em Schoenstatt?

Lembramos que o Movimento de Schoenstatt tem sua origem na Congregação Mariana fundada em abril de 1914 no seminário palotino em Schoenstatt e que a jaculatória já devia ser conhecida e usada pelos jovens seminaristas congregados.

De certa forma, podemos dizer que ela se torna ‘schoenstattiana’ quando o Padre Kentenich utiliza-a na conferência de inauguração da capelinha da Congregação Mariana de Schoenstatt (o ‘Santuário Original’), em 18 de outubro de 1914, data fundacional de Schoenstatt. Esta conferência passou para a história da Obra de Schoenstatt como ‘1º Documento de Fundação’. Na oportunidade ele inicia a palestra dizendo: “Primeiro que tudo quero voltar a saudar-vos, depois de muito tempo, de novo com a bela saudação: Nos cum Prole Pia, benedicat Virgo Maria . É a primeira vez que esta palavra dos Congregados se faz ouvir aqui neste lugar. Oxalá, continue a ecoar, a ressoar através de todos os tempos vindouros!”

Com o passar do tempo, esta jaculatória passou a fazer parte do 'patrimônio espiritual' de Schoenstatt, tanto nas orações, e também como forma de saudação entre schoenstattianos. No Brasil é mais comum usar a versão em português: 'com o vosso divino filho, abençoai-nos, ó Virgem Maria'.

O uso desta invocação inspirou o Sr. Paulo Sérgio de Queiroz Rodrigues, de Aquiraz/CE, a fazer uma melodia para ela. Vale a pena escutar!

Clique aqui para baixar letra e cifra.

Imagem do Mosteiro de Montecassino

 

O 2º Domingo do Tempo Comum: nossa vocação

Padre Cesar Augusto – Neste domingo a liturgia nos convida a refletirmos sobre nossa vocação. A leitura do Profeta Isaías fala da vocação do Servo do Senhor, escolhido por Deus desde o seio materno para cumprir uma missão muito importante.

Acontece que, logo no início, vemos que esse servo não é uma pessoa em especial, mas um povo, o Povo de Israel. “Tu és o meu Servo, Israel, em quem serei glorificado.”

Contudo, Israel está em uma situação nada feliz. É um povo exilado, prisioneiro e escravo na Babilônia. Mas é assim que Deus lhe dá uma grande missão, levar a salvação a todos os povos. O Senhor quer servir-se de um povo escravo para protagonizar uma grande missão e manifestar a todos os povos sua glória, isto é, a libertação das pessoas de todo e qualquer tipo de opressão.

Foi Maria, a humilde serva do Senhor, a escolhida para ser a Mãe de Deus. Jesus vem a nós na fragilidade de um recém-nascido e nos comprova, através de sua vida, que a encarnação foi para valer, ele é um humano, sua humanidade não é aparente. Ao fazer-se homem, ele também se fez pobre, assumindo a condição social humana de quem nada tem.

Deus quer salvar os homens, não de acordo com os nossos valores, mas segundo o seu coração, tornanando-os mais filhos e irmãos, à sua própria imagem e à do seu filho, divinizando-os.

A festa do Natal celebrou essa ação de Deus e Jesus é apresentado como o verdadeiro Servo do Senhor. Sua paixão e morte na cruz ratificarão esse desígnio de Deus, de nos salvar através da entrega amorosa e radical de seu filho. Será através do aparente fracasso e da morte que o Senhor se tornará vitorioso em sua missão.

João Batista percebe tão bem essa missão de Jesus, que o apresenta como o Cordeiro que veio tirar o pecado do mundo. Sabemos, pelo relato do Êxodo, que o cordeiro, para libertar o povo, deverá ser imolado; assim é Jesus, o Cordeiro imolado de Deus. Do mesmo modo que o sangue do cordeiro da páscoa libertava os judeus da escravidão egípcia, o sangue do Cordeiro Jesus nos liberta, através do batismo, da escravidão da morte eterna.

Na segunda-leitura, Paulo fala de sua vocação, do chamado pessoal feito a ele por Deus, para anunciá-lo onde jamais foi conhecido.

Vimos na primeira leitura que a vocação é comunitária, que o Servo representa um grupo. A aspersão do sangue de Jesus, a imersão batismal, nos torna irmãos e filhos, nos faz Igreja, Povo de Deus. Eis nossa vocação. Nossa missão é – em meio a tantos crimes, guerras, ódios, pecados – anunciar a bondade do Senhor que ama, que perdoa, que quer nossa felicidade, custe o que custar, até a morte de seu Filho na cruz, para nossa redenção.

Texto: Vatcan News

Imagem: cathopic.com

Maria, Mãe da Santa Esperança

Ir. M. Nelly Mendes – Esta época de final e início de ano é um tempo que, muitas vezes, traz consigo insegurança, anseios, esperanças. O texto que segue quer nos ajudar a encontrar a fonte de nossa esperança!

No livro do Eclesiástico lemos: “Lancei raízes no meio de um povo glorioso, cuja herança está na partilha de meu Deus; e fixei minha morada na assembleia dos santos. Sou a mãe do puro amor, do temor (de Deus), da ciência e da santa esperança, em mim se acha toda a graça do caminho e da verdade, em mim toda a esperança da vida e da virtude. Vinde a mim todos os que me desejais com ardor, e enchei-vos de meus frutos; pois meu espírito é mais doce do que o mel e minha posse mais suave que o favo de mel. A memória de meu nome durará por toda a série dos séculos” (24, 26.24-28).

Desde o início dos tempos, quando o homem rompeu sua Aliança com Deus, a Mãe de Deus já foi anunciada como o grande sinal de luz e de esperança para a humanidade. Ela foi escolhida para trazer ao mundo Jesus Cristo, o Filho Unigênito do eterno Pai, aquele que é o sentido de nossa vida, Jesus é a nossa Esperança.

Em todos os momentos da vida de Jesus, a Mãe de Deus foi este sinal de esperança. Na Anunciação deu o seu sim; até o supremo momento do Gólgota, ela permaneceu fiel ao seu sim, mesmo que lhe custasse o sofrimento da perda de Jesus.

Aberta e dócil à vontade do Pai eterno, o coração da Mãe de Deus permaneceu voltado somente a Ele e, com prontidão e disponibilidade filial, ela cumpriu o plano que Deus tinha para ela na Obra da Redenção. A Mãe de Deus estava presente junto de Jesus e hoje sabemos que ela caminha conosco.

Conservemos o olhar e o coração voltados a ela

Vivemos num tempo de total insegurança, um tempo carente de amor e de fidelidade. Os valores cristãos são atacados e atirados fortemente ao chão, há uma confusão no pensar e agir das pessoas, os corações estão vazios de Deus.

Olhando nossa querida Mãe e Rainha de Schoenstatt no Santuário, renova-se nossa confiança e a certeza da vitória. Ela é nossa esperança. A Aliança de Amor que selamos com a Mãe, Rainha e Vencedora Três Vezes Admirável de Schoenstatt, sua ação educadora em nossa vida, forma realmente nosso modo de pensar e de agir, de maneira tão genuína que podemos somente servir a nossa Igreja, servir a Jesus.

Por sua atuação no mundo de hoje, a Mãe de Deus nos presenteia a esperança de tempos mais humanos e mais cristãos, nos ajuda a sermos verdadeiramente discípulos e missionários.

Nessa confusão de ideias e de valores, conservemos nosso olhar e coração voltados à Mãe de Deus, esperança da humanidade.

Cada um de nós que já selou sua Aliança de Amor deve renová-la cada dia para ser uma pequena luz de esperança em sua família, no trabalho, na Igreja e na sociedade.

Nosso Pai e Fundador, Pe. José Kentenich, olhando para nós e para o futuro com muita confiança no atuar da querida Mãe e Rainha de Schoenstatt nos estimula a irmos “com Maria, cheios de alegre esperança e certos da vitória, rumo ao tempo novíssimo!” (07.09.1968)

Neste mundo escuro, a Mãe de Deus é nossa única esperança.

 

Foto: Erick Henrique Alaídes, Itabira/MG

 

Fonte: schoenstatt.org.br

” cantado em 31 de dezembro

Tradicionalmente, nas vésperas de fim de ano, mais precisamente no dia 31 de dezembro, o Papa entoa o hino Te Deum laudamus (Nós te louvamos, Deus), um canto cristão antigo que tradicionalmente é cantado como forma de agradecimento pelo ano que passou. Ele é cantado hoje em muitos mosteiros e igrejas pelo mundo.

O Te Deum é um hino de ação de graças e não é cantado somente em 31 de dezembro. Por exemplo, é cantado quando acontece a eleição de um Pontífice ou durante a conclusão de algum Concílio convocado pela Igreja.

“Nós te louvamos, Deus, te proclamamos Senhor. Eterno Pai, toda a terra te adora. A Ti cantam os anjos e todas as potências do céu: Santo, Santo, Santo é o Senhor Deus do Universo”, diz um dos trechos do Te Deum.

Autoria

O canto é de autoria desconhecida, mas é por vezes atribuído a São Cipriano, do século VIII, e também a Santo Agostinho, o qual o teria composto no dia de seu batismo, após sua conversão que aconteceu em Milão, Itália, no ano 386.

Atualmente, os especialistas atestam que a redação oficial do texto tenha sido feita por Nicetas Choniates, historiador bizantino de 1155.

Ouça hino Te Deum laudamos

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Fotos: Vatican News e Jorge Royam/Wikipedia

Fonte: Canção Nova

O santo que inspirou a lenda do Papai Noel

Juliana Gellatti Lovato – No dia 6 de dezembro celebra-se a memória de São Nicolau de Mira, nascido em Pátara, atual Turquia, aproximadamente, no ano de 270. É neste santo da Igreja que originou a figura do Papai Noel que, apesar de toda a associação atual com o consumismo, conserva vivas algumas das características que deram a São Nicolau a fama de santidade. Uma delas é o hábito de dar presentes às escondidas para pessoas pobres, atendendo suas necessidades mais urgentes, e usar vestes vermelhas, como um bispo.

São Nicolau nasceu e cresceu em uma família nobre e virtuosa, e o desejo de pertencer totalmente a Deus nasceu nele ainda durante a infância. Devotado à Palavra de Deus, levou a sério o Evangelho em que Jesus diz “Em verdade eu vos digo, que todas as vezes que fizestes isso a um dos menores de meus irmãos, foi a mim que o fizestes!” (Mt 25,40). Além da piedade e da virtude, é um exemplo de caridade e de desapego material.

Quando seus pais morreram, São Nicolau herdou uma grande fortuna, mas todos os bens da família foram distribuídos, gradativamente, aos pobres. Um dos episódios mais conhecidos é que, sabendo que em uma família muito pobre, o pai havia mandado suas três filhas se prostituírem para não passarem fome, São Nicolau deixou na porta da casa três sacos de ouro, somas que possibilitaram que a família saísse da miséria e que as três jovens se casassem com bons esposos.

Órfão, foi criado por um tio, também chamado Nicolau, e que também era bispo. Surgiu o desejo de entrar na vida monástica, e nesse processo, foi visitar os lugares sagrados, na Terra Santa. Ao retornar para a cidade de Mira, foi aclamado bispo. Lá, ficou muito famoso pelos grandes milagres que Deus realizou por sua intercessão. Assim que é também chamado de Nicolau, o taumaturgo.

Um dos seus maiores devotos foi São Tomás de Aquino. Celebrando a Santa Missa em memória de São Nicolau, em uma capela dedicada a ele, teve uma visão, uma revelação divina que o fez conhecer a Deus de uma forma aterradora. Tanto que desejou queimar tudo o que havia escrito até então, pois não se aproximava da verdade que lhe foi revelada.

Defesa da verdade

Muitas vezes associa-se a imagem de alguém bondoso e caridoso a uma pessoa ingênuo ou sem opinião. Mas, São Nicolau está longe disso. Um fato de sua vida que revela isso é a sua participação no Concílio de Niceia, em 325, reunião em que a Igreja refutou a heresia do arianismo. A tradição conta que, quando os bispos ali reunidos ouviram os argumentos de Ário, todos ficaram indignados, mas nenhum chegou ao mesmo ponto que o bispo de Mira.

Farto das mentiras propagadas por esse apóstata sobre a pessoa divina de Jesus Cristo e a maternidade divina de Nossa Senhora, São Nicolau teria dado um soco no rosto dele, conforme conta a tradição. Embora estivessem contra Ário, os outros bispos decidiram punir o ato violento do colega e o prenderam, cassando seus direitos de bispo. Porém, aqueles que Nicolau vingara vieram em sua defesa.

Conta-se que Jesus e Maria teriam visitado Nicolau em sua cela, perguntando o porquê da condenação: “Porque vos amo, meu Deus e Senhor”. Na mesma hora, foram-lhe devolvidos o pálio e a cópia dos Evangelhos. Por isso, em algumas de suas representações, São Nicolau aparece rodeado por Jesus e Maria, segurando os símbolos do seu episcopado.
São Nicolau é o padroeiro da Rússia, Grécia, Noruega, e das cidades de Amsterdã e Moscou.

Fotos: Rigo Neumann e  e Logga Wiggler em Pixabay

Fonte: schoenstatt.org.br

Padre Kentenich nos ajuda a viver bem o Advento

 

Ir. M. Inácia Bett – Numa conferência para a Família de Schoenstatt de Aschaffnburger/ Alemanha, em 28 de novembro de 1937, com o título: “O objetivo de vida do autêntico cristão”, nosso Pai e Fundador, Pe. José Kentenich, dá orientações para vivermos bem o tempo de Advento, preparando a festa do Natal. Suas indicações são realmente proféticas, pois nos mostram, com tanta clareza e segurança a situação daquele tempo, que é a mesma situação do tempo em que vivemos hoje.

Ele nos dá três indicações para vivermos bem o tempo do advento:

 

1º) Aproveitar os exercícios ordinários de oração, como escola de amor. O tempo do Advento nos ensina a amar. E, se amamos, somos capazes de vencer a situação do tempo.

2º) Em segundo lugar, devemos fixar tempos exclusivos para o bom Deus. Que tempos poderíamos reservar para isto? Em casa não vivemos sozinhos, por isso precisamos ser engenhosos para conseguir retirar-nos diariamente ao menos por cinco ou dez minutos para o cultivo da oração interior, para estar exclusivamente com o bom Deus. Fixar um tempo de oração aos domingos ou durante a semana!
Quanto tempo o mundo, hoje, exige de nós! O homem moderno está em contínua agitação, está sempre a caminho.
Precisamos, pois, educar-nos para, com mais ardor, dedicar tempo a Deus!

3º) O tempo atual assemelha-se a uma fábrica. Ali a fumaça é tanta que compenetra a roupa das pessoas. O mesmo acontece com a poluição que há no mundo. Ela penetra na alma. Nossa missão de vida é ser um sinal, uma indicação a Deus! Se não nos esforçarmos para estar muitas vezes, também no correr do dia, em santa solidão com o bom Deus, podemos ouvir quantas homilias quisermos, ler tantos livros, quanto pudermos, mas eles não nos atingirão em profundidade.
Por ex: uns minutos antes de adormecer, procuremos desligar-nos dos meios de comunicação, estando por momento offline, em contato direto com o bom Deus.

 

O Fundador pergunta:

Quais são nossos primeiros pensamentos, ao acordar, e qual a sua importância? Um barril conserva o odor do primeiro líquido nele colocado. O mesmo vale também para mim. Quais são meus primeiros pensamentos, ao acordar? Geralmente os mesmos com os quais adormeci. Isto porque durante a noite o subconsciente continua a atuar na alma. Um pensamento saboreado com interesse, à noite, continua a atuar durante o sono e, pela manhã, ao acordar, é o primeiro que surge na consciência.

Que devemos, então, fazer? Dar grande importância aos últimos e aos primeiros momentos do dia. É costume na Família fazer o sinal da cruz, ao despertar. Porém, devo fazê-lo com alma. Coloco-me, assim, sob a proteção do Crucificado. Quem cultiva intensa vida interior, também tem oportunidade, aqui, de renovar sua consciência do batismo: sou cristão, sou batizado, sou filho do Pai Celestial! Depois, deveríamos recordar nosso Ideal Pessoal, renovar nosso horário espiritual e o propósito particular.

Para refletir:

Como posso aproveitar o tempo de advento em preparação à festa do Natal?

 

  • Ir. M. Inácia Bett é responsável pelo Secretariado pela Beatificação do Fundador e de Ir. M. Emilie, em Atibaia/SP

Os símbolos do Advento

Maria Milvia Morciano / Cidade do Vaticano – A coroa do Advento não é um costume antigo. Parece que tenha surgido pela primeira vez entre os luteranos alemães no século XVI, mas introduzida ainda mais tarde, em 1839, pelo pastor protestante Johann Hinrich Wichern, que foi um dos fundadores da Home Mission, um movimento pioneiro que na Alemanha se ocupava da pastoral urbana.

A primeira coroa era uma grande roda de madeira com muito mais velas, vinte pequenas para os dias de semana e quatro para os domingos. Mais tarde, essa tradição típica das igrejas protestantes alemãs também foi adotada pelas católicas. No início, era encontrada somente em locais eclesiásticos, mas com o tempo entrou em residências particulares de todo o mundo.

 

O Advento, as velas, os dias de espera

Conta-se que foram as crianças do orfanato a sugerir a ideia ao pastor Wichern. As crianças perguntavam continuamente a ele quantos dias faltavam para o Natal. E de fato, com as suas velas a serem acesas a cada domingo, a coroa do Advento marca o tempo, os dias que passam.

Uma canção infantil tradicional muito apreciada pelas crianças alemãs explica isso de uma forma muito simples e extremamente eficaz:

Advent, Advent, ein Lichtlein brennt. Erst eins, dann zwei, dann drei, dann vier, dann steht das Christkind vor der Tür.

Advento, Advento, um pouco de luz queima. Primeiro um, depois dois, depois três, depois quatro, e o Menino Jesus está às portas.

 

A forma circular

Os símbolos ajudam o homem a decifrar o mistério. A coroa do Advento ajuda a tornar visível o tempo de espera e de estar juntos. Sua forma circular se refere ao início e ao fim, alfa e ômega, compreendidos dentro a eternidade e a unidade. Um ciclo que sempre volta e que traz consigo a perfeição divina. É um símbolo do amor infinito do Senhor.

 

Os ramos de pinheiro e abeto

No auge do inverno, a natureza apaga as suas cores, mas brilha com suas plantas sempre verdes, que não murcham. Assim, a coroa é formada de ramos de pinheiro e abeto para recordar vitalidade e esperança.

 

As velas

Com a família reunida, cabe ao mais novo acender as velas. Hoje são em sua maioria vermelhas, uma cor típica do Natal, mas caso se quisesse seguir o tempo litúrgico, as duas primeiras deveriam ser roxas e a terceira rosa, como acontece nos paramentos dos sacerdotes. Branca a eventual e menos difundida quinta vela para o dia de Natal.

O roxo recorda o significado original e mais profundo do Advento, que originalmente era a preparação para o Natal mediante o jejum e a penitência, enquanto o rosa alude à alegria e o branco à pureza absoluta de Jesus, a luz do mundo.

 

O significado da primeira vela

No início da primeira semana do Advento acendemos a primeira vela, a da esperança, chamada “de Profeta”, porque recorda as profecias sobre a vinda do Messias. É ainda uma luz pequena, mas já arde com “a menor das virtudes, mas a mais forte”, como o Papa Francisco define a esperança (Angelus, 15 de novembro de 2015), que é escondida, mas tenaz e paciente. Dá-nos a certeza de que a escuridão desaparecerá com a luz.

Fonte: Vatican News

Imagem de Reinhold Schlagen, em pixabay.com

“Os que levam a Igreja adiante são os santos”

 

“O primeiro favor que vos peço é a santidade” (Papa Francisco, encontro com a Família de Schoenstatt, 26.10.2014)

Eu cheguei a Milwaukee com uma amiga minha, nós duas éramos estudantes universitárias cheias de ideias, teorias para conquistar o mundo com a razão. Quando o Pe. Kentenich nos perguntou tão bondosamente: “Por que vieram?” Nós tiramos uma lista enorme com 50 perguntas sobre espiritualidade, sobre a visão de futuro, sobre a problemática da Igreja, do país, da economia, da política, queríamos a resposta do Pai a essas interrogações e, para quê? Para voltar à nossa universidade e, com o grupo de schoenstattianas, analisar, avaliar, sistematizar. O Pai pegou a lista, leu com muita atenção, depois dobrou o papel, pôs de lado e disse: “Isto vamos discutir antes que voltem à Alemanha!” – Mas, “Padre, para isso nós viemos!” […] Ele disse: “Eu tenho outro plano, o que vocês acham? Primeiro quero estar à disposição de cada uma, pessoalmente. […] Isso é justamente o que faremos, colocaremos ordem no coração, em toda a sua pessoa, em sua vida”. Imaginem nossa reação, nós que éramos jovens, cheias de valentia, de planos, de visões de futuro e nesse momento o Pai nos chamava a atenção sobre a ordem de nossa própria personalidade. […] E todas as dúvidas da lista? “Estas perguntas as senhoras mesmas vão responder quando houver ordem em seu próprio coração”, ele respondeu.

 

A Ir. M. Petra Schnuerer vivenciou esse episódio quando era bem jovem e ainda nem pensava sobre sua vocação. Ela e seu grupo de amigas tinham um grande desejo de mudar o mundo e ajudar a renovar a Igreja. Para buscar respostas, elas trabalharam, juntaram dinheiro e enviaram duas representantes, da Alemanha, numa jornada ao encontro do Pe. José Kentenich, que vivia nos Estados Unidos, para saber o que ele pensava sobre essas questões. Esperavam encontrar nele respostas para as grandes questões globais, mas o Pe. Kentenich as conduziu, em primeiro lugar, a descobrir seu próprio mundo interior, pois – ele disse – as respostas elas mesmas teriam quando houvesse ordem em seu coração.

A Ir. M. Petra, esta jovem “revolucionária”, conviveu como secretária do Pe. Kentenich por três anos e mais tarde se tornou Irmã de Maria de Schoenstatt. Atuando ao lado dele, ela observou o seguinte: nosso Pai e Fundador “solucionava os problemas da Igreja no pequeno espaço de sua vida diária”. Ou seja, ele vivia, na rotina do dia a dia, aquilo que acreditava ser a resposta para as grandes questões da Igreja. Essa constatação mostra que é possível, também a cada um hoje, ajudar a renovar a Igreja a partir da vida diária. Como assim? Dois teólogos nos ajudam nessa reflexão:

Só podemos mudar o mundo se mudamos a nós

Para o Pe. Rodrigo da Rosa Cabrera, sacerdote da Arquidiocese de Santa Maria/RS e membro do Instituto dos Padres Diocesanos de Schoenstatt, a santidade é a principal resposta:

“Em primeiríssimo lugar está a nossa identidade de filhos de Deus e membros da Igreja. Nós sabemos que a Igreja é chamada santa, porque fundada por nosso senhor Jesus Cristo. Agora, os homens da Igreja, com a sua natureza ferida pelo pecado original, podem cometer grandes pecados – assim como de fato cometem – e isso pode entristecer, pode até escandalizar muitos membros da Igreja ou mesmo a sociedade.

Podemos ajudar a resolver os grandes problemas da Igreja no espaço da nossa vida diária sendo fiéis à Igreja e àquilo que ela nos pede. Em primeiro lugar, ter uma verdadeira conversão de vida, porque só podemos mudar o ambiente, mudar alguma coisa, se mudamos a nós. A conversão do mundo, a conversão daquilo que nós queremos converter, começa dentro de nós mesmos. Então, devemos estar conscientes da necessidade de estarmos convertidos, de mudarmos.

Foi nesse sentido que o nosso Pai e Fundador tanto insistiu no autoconhecimento, para que nós tenhamos muito claro que o nosso primeiro chamado é à santidade, é a alcançarmos o céu. Então, para solucionar os problemas da Igreja, nós primeiro mudamos a nós mesmos, dando um testemunho firme e decidido da nossa fé católica; e isso se torna um grande testemunho para aqueles que estão ao nosso redor, porque não adianta levantarmos grandes bandeiras, fazermos grandes manifestações e grandes movimentos, se nós não mudamos a nós mesmos em primeiríssimo lugar – esse mundo “sempre antigo e sempre novo”, como disse o nosso Pai e Fundador lá no início. Então, eu acredito que essa frase tem um eco muito importante para os dias de hoje, quando muitos se sentem motivados a renovar as estruturas da Igreja, renovar as paróquias, os movimentos… Esse desejo de renovação deve passar, em primeiro lugar, pelo nosso coração e pela nossa alma, só assim nós podemos fazer algo de concreto na Igreja”.

Apontar os problemas com profundo respeito

Para Geni Maria Hoss, membro da União Apostólica Feminina de Schoenstatt e doutora em Bioética, o caminho passa pelo testemunho pessoal.

“Os desafios de cada época e lugar nos interpelam a dar uma resposta. A melhor resposta, segundo o Pe. Kentenich, é aquela que se sustenta sobre o nosso testemunho de vida. Não se trata, em primeiro lugar, de fazer discursos, mas de encontrar uma solução a partir da vida e só depois apresentá-la como solução. O amor à Igreja, uma herança preciosa do Pe. Kentenich ao Movimento, é muito mais que uma ideia, ela implica em muitos desafios, especialmente quando o barco da Igreja é balançado de um lado a outro e mudanças se fazem necessárias. Podemos e devemos identificar os problemas para que possamos efetivamente dar a nossa melhor contribuição.

A maturidade na fé e a consciência de que cada batizado é membro vivo da Igreja nos permitem ler os acontecimentos como interpelações que requerem uma resposta de nossa parte. Quem ama verdadeiramente a Igreja vê suas feridas sem esmorecer no seu amor a ela, pois sabe que a Igreja é comunidade de fé e, ao mesmo tempo, sujeita a todas as vicissitudes humanas. A Igreja não é só santa nem só pecadora. Ser Igreja, viver Igreja hoje, adotando este ensinamento do Pe. Kentenich, significa discernimento e respeito. Neste ponto, o Pe. Kentenich foi um grande exemplo. Ele não deixou de apontar os problemas da Igreja, mas, ao contrário do que acontece hoje em muitos ambientes, ele os apontou com profundo respeito e responsabilidade movida pela consciência de sua missão, que é a missão de Schoenstatt.

Infelizmente a polarização em diversas esferas sociais se projeta para dentro da Igreja e líderes religiosos, incluindo o Papa, são muitas vezes duramente atacados e julgados arbitrariamente. Um autêntico discernimento, fruto do Espírito Santo, identifica os desafios, mas trata-os com responsabilidade e respeito, como convém àqueles que aprenderam de Jesus a lição do amor ao próximo, que exclui qualquer julgamento e desrespeito. Amar a Igreja é amá-la com sua beleza espiritual e suas feridas humanas, assim como o Pe. José Kentenich ensinou, sobretudo, por meio de atitudes concretas”.

Fonte: schoenstatt.org.br

São Lucas, o evangelista da infância de Jesus

Hoje a liturgia São Lucas evangelista.

Lucas nasceu em Antioquia da Síria, médico de profissão foi convertido pelo apóstolo São Paulo, de quem se tornou inseparável e fiel companheiro de missão. Colaborador no apostolado, o grande apóstolo dos gentios, em diversos lugares, externa a alta consideração que tinha por Lucas, como portador de zelo e fidelidade no coração. Ambos fazem várias viagens apostólicas, tornando-se um dos primeiros missionários do mundo greco-romano. Tornou-se excepcional para a vida da Igreja por ter sido dócil ao Espírito Santo, que o capacitou com o carisma da inspiração e da vivência comunitária, resultando no Evangelho segundo Lucas e na primeira história da Igreja, conhecida como Atos dos Apóstolos.

No Evangelho segundo Lucas, encontramos o Cristo, amor universal, que se revela a todos e chama Zaqueu, Maria Madalena, garante o Céu para o “bom” ladrão e conta as lindas parábolas do pai misericordioso e do bom samaritano. Nos Atos dos Apóstolos, que poderia também se chamar Atos do Espírito Santo, deparamos com a ascensão do Cristo, que promete o batismo no Espírito Santo, fato que se cumpre no dia de Pentecostes, e é inaugurada a Igreja, que desde então vem evangelizando com coragem, ousadia e amor incansável todos os povos.

O ‘pintor’ de Nossa Senhora

Uma tradição – que recolheu no séc. XIV Nicéforo Calisto, inspirado numa frase de Teodoro, escritor do século VI – diz-nos que São Lucas foi pintor e fala-nos duma imagem de Nossa Senhora saída do seu pincel. Santo Agostinho, no século IV, diz-nos pela sua parte que não conhecemos o retrato de Maria; e Santo Ambrósio, com sentido espiritual, diz-nos que era figura de bondade. Este é o retrato que nos transmitiu São Lucas da Virgem Maria: o seu retrato moral, a bondade da sua alma. O Evangelho de boa parte das Missas de Maria Santíssima é tomado de São Lucas, porque foi ele quem mais longamente nos contou a sua vida e nos descobriu o seu Coração.

O Evangelho de Lucas é o que retrata a infância de Jesus, com acontecimentos só encontrados nele como a anunciação do Senhor e a visita de Maria a Izabel.

Duas vezes esteve preso São Paulo em Roma e nos dois cativeiros teve consigo São Lucas, “médico queridíssimo”. Ajudava-o no seu apostolado, consolava-o nos seus trabalhos e atendia-o e curava-o com solicitude nos seus padecimentos corporais. No segundo cativeiro, do ano 67, pouco antes do martírio, escreve a Timóteo que “Lucas é o único companheiro” na sua prisão. Os outros tinham-no abandonado. O historiador São Jerônimo afirma que Lucas viveu a missão até a idade de 84 anos, terminando sua vida com o martírio. Por isso, no hino das Laudes rezamos: “Cantamos hoje, Lucas, teu martírio, teu sangue derramado por Jesus, os dois livros que trazes nos teus braços e o teu halo de luz”. É considerado o Padroeiro dos médicos, por também ele ter exercido esse ofício, conforme diz São Paulo aos Colossenses (4,14): “Saúda-vos Lucas, nosso querido médico”.

São Lucas, rogai por nós!

Com informações e imagem de: Canção Nova