Padre Kentenich e o caminho de Via Sacra

“Os dados foram lançados… Para mim o caminho atual é, sem dúvida, o melhor; senão Deus não me levaria por ele. Para mim, vale esta frase: ‘Ninguém tem maior amor do que aquele que dá a vida por seus amigos’. Desse modo, dirijo e fecundo a Família”.
Este fragmento de carta é de um homem que está prestes a assumir um caminho de cruz e, bem possivelmente, de morte. Como ele entende essa situação? Para ele, se esse caminho é um desejo do Bom Deus, então é “um ato de amor especial”. O seu último conselho? “Quarta-feira vou para Dachau… Permaneçam simples, desprendidos, fiéis e fortes”.

Padre José Kentenich fez de sua vida um caminho de Via Sacra com o Senhor. Compreendia cada momento do dia como uma oportunidade única de causar alegria ao Pai, sendo, dessa forma, também um filho alegre. Nas muitas conquistas e também no sofrimento, podia dizer: “(Jesus) Eu te agradeço, porque diariamente posso oferecer-te os ombros para a cruz que sustém a vida. Forma-me, assim como teu reflexo, que cumpre filialmente o desejo do Pai” (RC, 273).

Carregar alegremente a cruz

Na vida diária, também se apresentam a nós alguns “momentos de Dachau”, situações que nos colocam como em plena Sexta-feira Santa: quando me fere a injustiça, a falta de liberdade, a perda de direitos, a renúncia do mais querido, a perda de bens, de pessoas, a crise econômica, a falta de dinheiro… O que me diz, então, o exemplo do Padre Kentenich?

Todo e qualquer sacrifício é para que eu morra para mim mesmo e viva somente para o Pai. Tudo isso, diz ele, pode se unir ao sacrifício de Jesus e ajudá-lo a carregar a cruz: “Por minha vida de sacrifício, dá-me suprir o que falta em plenitude à cruz e ao sofrimento de Cristo” (RC 209).

A Sexta-feira Santa, em sua essência, é tomada de silêncio e memórias de dor, mas, principalmente, de profunda gratidão pela entrega de Jesus.

“De modo misterioso Ele (Jesus) vive mais uma vez sua Sexta-feira Santa com todos e em todos que, como São Paulo, suprem em seu corpo o que ainda falta à Paixão de Cristo (Col 1,24), que ficam calados quando a ‘massa dos Pilatos’ grita com ímpeto tempestuoso: ‘Crucifica-o!’; que não sucumbem quando tipos como Judas os atraiçoam e os vendem por trinta moedas de prata. A cada dia Ele celebra a Páscoa, mesmo que só encontre poucas testemunhas de sua Ressurreição e de sua gloriosa Vitória. A todos que perseveram na oração e na fração do pão, Ele envia o Espírito Santo” (Padre José Kentenich, em: Cristo minha Vida).

Fonte: schoenstatt.org.br

Roubo da Cruz da Unidade no Chile: sinal da Divina Providência?

No início desta Semana Santa a Família de Schoenstatt no mundo inteiro ficou chocada com a notícia que a Cruz da Unidade do Santuário de Bellavista/Chile foi roubada. A primeira Cruz, que chamamos ‘Cruz da Unidade Original’, se encontra no Santuário de Stuttgart, na Alemanha, presenteada pelo próprio fundador, às Senhoras de Schoenstatt desta região, após seu retorno do exílio.

 

A Cruz da Unidade de Bellavista é a primeira réplica, presenteada pela Região de Stuttgart (Alemanha) das Senhoras de Schoenstatt ao Santuário de Bellavista. Esta Cruz foi entronizada no dia 19 de março de 1969 pelas mãos de Eugênia Mahringer, então superiora da Região de Stuttgart das Senhoras de Schoenstatt.

Cruz da unidade, um símbolo especial para a Família de Schoenstatt

Com o passar dos anos, a partir do Chile, a cruz da unidade se tornou um símbolo muito especial para a Família de Schoenstatt internacional. Está praticamente em todos os Santuários de Schoenstatt no mundo. E muito tem esta cruz no seu Santuário Lar ou a portam no pescoço, no terço…

A cruz da unidade foi um dos símbolos principais das celebrações do Centenário da Aliança e dos 75 anos do Ideal Tabor.

Também outros movimentos e comunidades a assumiram como símbolo.

Em Santa Maria, os schoenstattianos tem um ‘santo orgulho’ pelo fato do seu projeto ter sido concebido em Santa Maria, por um grupo de seminaristas chilenos e porque a cruz da unidade original ter sido feita no Brasil. No jardim do Santuário Tabor existe também uma bela cruz da unidade.

Para saber a história da cruz da unidade CLIQUE AQUI.

 

O que Deus quer nos dizer com o roubo da cruz da unidade?

Além de rezarmos pela Família de Schoenstatt chilena que foi especialmente atingida por este roubo, o fato de ter acontecido no início da Semana Santa pode servir de chamada de atenção para todos nós: estamos vivendo este tempo como deveríamos? Não seria o momento de trazermos a cruz de Jesus e Maria mais presente em nossa vida?

Vivamos esta Semana Santa com fé e meditemos como um fato tão triste pode nos ajudar no crescimento do amor à cruz.

A oração seguinte, escrita por nosso Pai e Fundador, Padre José Kentenich, no campo de concentração de Dachau, pode nos ajudar nesta meditação.

Ó santa cruz, me prostro em tua frente,
Para entoar ardentes hinos de júbilo e
Gratidão, em ti, nosso Senhor consumou
A Redenção que nos tornou filhos de Deus.

Quero mergulhar-te profundamente
Em meu alegre coração,
Dar-te constantemente todo o meu amor;
Em ti, ó Crucificado, e em tua Esposa,
Se apoie toda a esperança de minha vida.

Faze que eu vos leve aos povos, para
conquistá-los
e lutando, diariamente
Arrisque a vida por vós.
Vosso Reino seja vitorioso em toda parte
E amplie suas fronteiras até os confins do
Universo.

Como sinal da Redenção, levarei,
Aos povos a cruz e a imagem de Maria,
Para que jamais seja separado
O que o plano de amor do Pai
Concebeu como unidade.

Schoenstatt permaneça um instrumento fiel
E vos inscreva unidos nos corações, para que o reino de satanás
Seja eficazmente destruído
E, no Espírito Santo,
Seja dada maior glória ao Pai. Amém.

(Rumo ao Céu – Oração Final Via Sacra)

 

Com informações de: schoenstatt.org.br

 

 

 

Como Kentenich, seguir Cristo até a Cruz

Karen Bueno – Em muitas viagens, é comum os motoristas se deixarem conduzir pelas indicações de um GPS. Com um aparelho ou aplicativo, é possível planejar a rota mais curta, menos movimentada, mais rápida… Imagine que você precisa chegar a determinado lugar e uma voz interior (bem diferente dessa que fala no GPS) indica um caminho mais difícil e complicado, repleto de desafios. Você sabe que é a opção mais difícil, porém, é a melhor e mais correta para a sua vida. E então, por qual caminho você iria?

Era mais ou menos isso que Jesus vivia no caminho para a Páscoa. Ele sabia a direção a tomar, conhecia o desejo do Pai. Mas, ao mesmo tempo, compreendia que esse caminho lhe traria dor e sofrimento. A continuação da história todos a conhecem: ele é fiel até o fim. Por sua entrega, conquista a redenção para todos. Ao longo dos anos, esse acontecimento é sempre um convite atual a cada pessoa, para percorrer, com Cristo, o caminho da cruz na vida diária, na vida de Aliança.

O exemplo que vem do Pai

Foi esse também o caminho na vida do Pe. José Kentenich. Era como se ele ouvisse esse “GPS interior” o orientando e soubesse o caminho a tomar. O grande fato que caracteriza sua entrega à vontade do Pai é o dia 20 de janeiro de 1942. Nessa ocasião, com a possibilidade de ser dispensado da prisão no campo de concentração de Dachau, ele decide enfrentar a cruz, pois não queria ser libertado por estratégias humanas. Assim escreve: “Antes de iniciar a sua Paixão, Jesus rezou: ‘Ninguém me tira a vida… eu a dou porque quero’. Eu também faço assim: Ninguém me tira a liberdade, eu a entrego livremente… Entrego-a porque Deus assim o deseja… E meu alimento, minha tarefa predileta é fazer a vontade d’Aquele que me enviou e cumprir a sua Obra”.

Humanamente falando, era muito improvável que ele saísse vivo de Dachau, mas a Mãe e Rainha cuidou perfeitamente de tudo e, ao contrário, foi justamente na prisão que a Obra cresceu ainda mais e se expandiu pelo mundo. Olhando nessa perspectiva, o caminho de cruz alcançou seu propósito fundamental: O resultado de sua decisão e entrega foi a confirmação de que Schoenstatt é uma Obra divina e tem uma grande missão para a Igreja e o mundo.

A aplicação na vida diária

É assim também, vez ou outra, na vida de cada pessoa. “Todo o homem há de carregar uma cruz, seja ela qual for; se fugir de uma, cairá em outra”, escreve o Pe. José Kentenich. Mas, que atitude tomar diante das cruzes que a vida nos impõe?

Pe. Kentenich, com seu próprio exemplo, inspira a seguir Jesus até a cruz e deixar-se pregar com ele: “Toda a opinião pública, de um modo geral, tem a mesma posição: tudo, menos a cruz, o sofrimento; fora com toda cruz e sofrimento! Temos que constatar: faz parte da essência da tarefa da vida cristã, numa grande parcela, a cruz e o sofrimento. Cada pessoa e cada família deve tomar sobre seus ombros uma parte muito grande de cruz e sofrimento. Assim se deu com Jesus. Jesus sofreu, sofreu muito. E sabemos que foi pela cruz e sofrimento, especialmente por sua morte, que Ele remiu o mundo”.

A vida de Aliança pede “muitas contribuições ao Capital de Graças” que, a seu modo, são um “deixar-se pregar na cruz com Cristo”. Nos momentos difíceis, a Cruz da Unidade sempre recorda que Maria está junto, segurando o cálice e abraçando aqueles que se colocam com o Senhor no madeiro.

Com coragem e convicção, o Pe. Kentenich nos ensina a sintonizar o “GPS interior” com a voz da Divina Providência. Somente por aí é possível chegar à Pascoa, mesmo que antes haja pedras e tropeços:

“Devemos ter a mais viva convicção de que Deus traçou um plano, não só um plano para o mundo, mas também um plano para minha vida pessoal. Quem concebeu esse plano? Não só a sabedoria e a onipotência de Deus, mas também o amor de Deus. […] Então eu sei: nesse plano há este ou aquele sofrimento. Ser filho da Providência significa: ter a certeza de que qualquer acontecimento – alegria, dor, desilusão – é um elemento essencial do plano de sabedoria, onipotência e amor de Deus. O filho da Providência, em todas as situações, se sente como o filho predileto de Deus. Não pensar que Deus esteja dormindo. Antes, é como se Deus e eu estivéssemos sozinhos no mundo, tal o cuidado com que Ele toma em suas mãos os fios de minha existência.”

 

Referências:
Novena: Livre em Algemas
Livro: Cristo minha vida – Textos escolhidos sobre Cristo
Livro: Abrigado em Deus Pai – Textos escolhidos sobre Deus Pai
Livro: Santidade de Todos os Dias – Espiritualidade Laical de Schoenstatt

1ª foto: cathopic.com

Fonte: schoenstatt.org.br

 

O Tabor na Quaresma: “Escutai-o”

 

Pe. Francisco José Lemes Gonçalves – Neste nosso itinerário espiritual para celebrar a Páscoa da Ressurreição do Senhor somos convidados a nos desacomodar e nos colocar a caminho – e nisto não estamos sós, Deus caminha conosco (1ª leitura). A salvação vem de Jesus e não são as nossas obras que nos levam à salvação (2ª leitura). Neste domingo somos convidados a subir à montanha, pois lá Jesus nos revela sua glória, mas precisamos escutá-lo e também descer para o chão de nossas realidades, carregar a cruz de cada dia, ser “samaritano” diante das fragilidades de nossos irmãos – e, com Cristo, percorrido este caminho, chegaremos à Ressurreição e alegraremos a muitos.

Deus nos convida, como fizera com Abrão (depois se torna Abraão), a sair de nossa terra, ou seja, daquilo que muitas vezes nos acomoda. E creio que cada um sabe bem aquilo que o acomoda, impedindo muitas vezes de ouvir a voz de Deus. Sair é uma atitude heroica que muitos podem não compreender, pois a lógica hodierna é: quanto mais acomodados estivermos, melhor!

E, ao sair da comodidade, não estamos sós neste caminhar. Deus caminha conosco e nos faz pessoas abençoadas a partir de Deus, que é a fonte de todas as bênçãos. Hoje, o cristão deve estar disposto a este desafio de nosso Bom Deus, pois neste mundo estamos sempre em “saída” até o dia em que nos encontrarmos definitivamente na Pátria Celeste!

Na montanha santa do Tabor Jesus se revela a Pedro, Tiago e João; e ali Moisés e Elias confirmam a missão de Jesus e seu fim trágico de todo aquele que se compromete com a dor do outro; mas será vitorioso e a muitos conduzirá à vitória. Mas, para isso, é preciso ouvir a voz de Deus que nos exorta: ESCUTAI-O! É escutando o Filho que conseguiremos realizar as obras do Reino; é escutando o Filho que veremos nos fragilizados sua imagem; é escutando o Filho que teremos coragem de descer e sair, nos envolver e pôr a “mão na massa”. “É bom estar na montanha santa”, precisamos deste tempo de contemplação, oração, retiro… depois é hora de descer, pois a missão nos espera.

Nosso Pai e Fundador, Pe. José Kentenich, fez do Santuário de Schoenstatt um Tabor das glórias de Maria. Ela, nossa Mãe-Educadora, nos educará para melhor ouvir a voz do Filho Amado de Deus curando-nos do barulho e vozerio do mundo que nos acomoda e por vezes nos faz insensíveis à dor dos outros. Seu Santuário torna-se esta montanha santa, onde é bom estar. Ela nos atrai para seu Santuário, nos aproxima da Mesa da Palavra (instruídos por seu Divino Filho) e nos conduz à Mesa da Eucaristia, onde nos alimentamos, depois nos envia “montanha abaixo” para a missão de transformar o mundo num “belo lugar”.

Com nosso Pai e Fundador rezamos:

“Teu Santuário irradia em nosso tempo o esplendor e a glória do Sol do Tabor.
Onde o Sol de Cristo se manifesta claramente, como outrora no Tabor,
Ali é bom estar, como no paraíso, pois o Espírito Santo estabeleceu sua morada”
(Rumo ao Céu, 196-197)

 

Leituras do 2º Domingo da Quaresma de 2020:

1ª Leitura – Gn 12,1-4a
Salmo – Sl 32,4-5.18-19.20 e 22
2ª Leitura – 2Tm 1,8b-10
Evangelho – Mt 17,1-9

 

Fonte: schoenstatt.org.br

Maria e o Islã: A Mãe de Jesus aproxima cristãos e muçulmanos

“Maria ocupa uma posição única. Ela aproxima cristãos e muçulmanos”. Foi o que reiterou o cardeal Louis Raphael Sako, patriarca da Igreja caldeia, em um discurso dirigido a uma plateia de estudiosos e ouvintes cristãos e muçulmanos e inteiramente dedicado à Virgem Maria como uma figura cara aos corações das multidões de crentes, tanto no cristianismo quanto no islamismo.

A homenagem a Maria como inspiradora da proximidade entre crentes do islã e do cristianismo foi expressa pelo patriarca caldeu durante a noite de diálogo islâmico-cristão organizada em Bagdá com a contribuição organizacional do movimento católico francês Efesia (que há anos organiza encontros sob o título “Junto com Maria”), do Trabalho do Oriente e dos Padres Dominicanos de Bagdá.

O encontro, dedicado ao tema “A Virgem Maria nos une” e realizado no dia 24 de fevereiro na Catedral Latina de Bagdá, contou também com a presença de um grupo de religiosos xiitas de Najaf e membros do Conselho jurídico sunita de Bagdá. Trechos do Evangelho e do Alcorão foram lidos durante a noite, que terminou com algumas intervenções sobre a condição feminina.

Maria, absoluta confiança em Deus e abandono total a Ele

Em seu discurso, o patriarca Sako enfatizou que as diferenças doutrinárias entre o cristianismo e o islamismo em relação à figura de Maria podem ser “avaliadas e compreendidas objetivamente”, no contexto de relações sinceras.

Na experiência cristã – observou o patriarca – a pessoa de Maria está ligada ao mistério de Cristo. Seu papel e sua grandeza são reconhecidos e celebrados “através de seu relacionamento com seu Filho, e nunca separadamente d’Ele.

A fé de Maria e sua esperança “repousam sobre sua absoluta confiança em Deus e seu abandono total a Ele”. Referindo-se depois à “Mariologia islâmica”, o cardeal iraquiano lembrou que o Alcorão fala de Maria em várias ocasiões, e dedica a ela toda uma Sura. O Livro Sagrado do Islã reconhece a virgindade da Mãe de Cristo e sua pureza imaculada.

Maria tem um lugar especial na piedade popular islâmica

No Alcorão, são feitas referências a todas as etapas da vida de Maria: a Anunciação, sua gravidez, o nascimento de Jesus, a apresentação no templo e a dormição. Além disso, o primaz da Igreja caldeia observou que “Maria tem um lugar especial na piedade popular islâmica, vez que as mulheres muçulmanas visitam constantemente os santuários marianos”.

Como um apêndice de seu discurso, o patriarca Sako também enfatizou que “o cristianismo considera o homem e a mulher como criados à imagem e semelhança de Deus”, e, portanto, dotados da mesma dignidade e direitos. O cristianismo – acrescentou o cardeal – rejeita a poligamia como sendo contrária ao plano de Deus expresso na criação.

“Deus – disse o patriarca Sako, entre outras coisas – poderia ter dado a Adão mais mulheres como companheiras, mas em vez disso deu apenas uma, Eva”. Respeitando a ordem da criação desejada por Deus, o cristianismo “considera a poligamia contrária à natureza humana e à vontade de Deus”, e reconhece que “somente o casamento entre um homem e uma mulher é fonte de estabilidade e harmonia”.

Fotos: Pixabay

Fonte: Vatican News

Por que a Igreja guarda o Domingo e não o Sábado?

Prof. Felipe Aquino – O motivo mais importante é que Jesus Cristo ressuscitou no Domingo, inaugurando a “nova Criação” libertada do pecado. Assim o Domingo (= dominus, dia do Senhor) é a plenitude do Sábado judaico. Sabemos que o Antigo Testamento é um figura do Novo; o Sábado judaico é um figura do Domingo cristão. O Catecismo da Igreja assim explica:

§2175 – “O Domingo distingue-se expressamente do sábado, ao qual sucede cronologicamente, cada semana, e cuja prescrição ritual substitui, para os cristãos. Leva à plenitude, na Páscoa de Cristo, a verdade espiritual do Sábado judaico e anuncia o repouso eterno do homem em Deus. Com efeito, o culto da lei preparava o mistério de Cristo, e o que nele se praticava prefigurava, de alguma forma, algum aspecto de Cristo (1Cor 10,11)”.
Os Apóstolos celebravam a Missa “no primeiro dia da semana”; isto é, no Domingo, como vemos em At 20,7: “No primeiro dia da semana, estando nós reunidos para a fração do pão…” Em Mt 28, 1 vemos: “Após o Sábado, ao raiar o primeiro dia da semana, Maria Madalena e a outra Maria vieram ao Sepulcro…” Em Ap 1, 10, São João fala que “no dia do Senhor, fui movido pelo Espírito…” e a coleta era feita “no primeiro dia da semana” (1Cor 16,2).

Santo Inácio de Antioquia (†107), mártir no Coliseu de Roma, bispo, dizia: “Aqueles que viviam segundo a ordem antiga das coisas voltaram-se para a nova esperança, não mais observando o Sábado, mas sim o dia do Senhor, no qual a nossa vida foi abençoada, por Ele e por sua morte” (Carta aos Magnésios. 9,1).

“Devido à Tradição Apostólica que tem origem no próprio dia da ressurreição de Cristo, a Igreja celebra o mistério pascal a cada oitavo dia, no dia chamado com razão o dia do Senhor ou Domingo” (SC 106). O dia da ressurreição de Cristo é ao mesmo tempo “o primeiro dia da semana”, memorial do primeiro dia da criação, e o “oitavo dia”, em que Cristo, depois do seu “repouso” do grande Sábado, inaugura o dia “que o Senhor fez”, o “dia que não conhece ocaso”. (Cat. §1166)

São Justino (†165), mártir, escreveu: “Reunimo-nos todos no dia do sol, porque é o primeiro dia após o Sábado dos judeus, mas também o primeiro dia em que Deus, extraindo a matéria das trevas, criou o mundo e, neste mesmo dia, Jesus Cristo, nosso Salvador, ressuscitou dentre os mortos“ (Apologia 1,67).

São Jerônimo (†420), disse: “O dia do Senhor, o dia da ressurreição, o dia dos cristãos, é o nosso dia. É por isso que ele se chama dia do Senhor: pois foi nesse dia que o Senhor subiu vitorioso para junto do Pai. Se os pagãos o denominam dia do sol, também nós o confessamos de bom grado: pois hoje levantou-se a luz do mundo, hoje apareceu o sol de justiça cujos raios trazem a salvação.” (CCL, 78,550,52)

Desta forma a Sagrada Escritura e a Sagrada Tradição da Apostólica nos mostram porque desde a Ressurreição do Senhor a Igreja guarda o Domingo como o Dia do Senhor.

Foto: cathopic.com

Fonte: Canção Nova

Hoje, festa da Apresentação do Senhor: Vamos com Maria ao Templo

Pe. Francisco José Lemes Gonçalves – “Cheia de anseio pela Redenção, no templo ofereces aquele que concebes do Espírito Santo; volvendo a nós teu olhar de Mãe, o devolves irrestritamente ao Pai. Como tu, Servidora da oferenda, entrego o mais caro pelas almas”. (Rumo ao Céu, 344).

Maria e José se dirigem ao Templo com seu Menino luz que chegou no Natal… lá, fatos impressionam o casal e eles voltam para casa conservando no coração o que lhes fora dito por Simeão e Ana. Nossa Mãe medita, guarda, conserva e dá a Deus o fruto de seu ventre. Esta oferta já remete à grande entrega que fará de seu Filho, que se entregará livremente na Cruz pela nossa  salvação. Ali, como reza nosso Pai e Fundador, Maria dá o que tem de mais “caro pelas almas”. No Templo ela ainda não compreende, pois conserva no coração, e só mais tarde compreenderá; aí sim devolverá “irrestritamente ao Pai” seu bem mais precioso, seu próprio Filho.

E nós? Quantas vezes Deus nos dirige ao “templo de nossa vida”?  Num mundo onde somos por demais apegados com muitas preocupações, pautados pelo produzir e até mesmo um sorrateiro pensamento mecanicista, o que teremos para lhe oferecer como mais “caro pelas almas”?

Nossa Mãe sobe ao Templo, um rito prescrito pela Lei, mas Deus a faz ir mais além da Lei – Deus Pai a leva antecipadamente ao Calvário onde, serena, entrega o Filho. Nos calvários da vida muitas vezes temos medo, temos medo da oferenda que Deus nos pede e às vezes voltamos decepcionados e cabisbaixos. Eis então a Mãe da Apresentação, que nos encoraja na entrega e, mesmo diante da profecia que traspassa sua alma, vê no seu Menino a Luz para o mundo – uma Luz que o Pai fez ela, Maria, gerar; uma Luz que o Pai lhe entrega em suas mãos e cuidados; Luz que, em meios às dores do Calvário, iluminará as trevas dos que estão perdidos na agitação do mundo que nos dispersa.

Hoje, Festa da Apresentação do Senhor, como nossa Mãe e Rainha subamos ao Templo, subamos ao Santuário de Schoenstatt – nosso pequeno templo – onde ali, com Maria, queremos oferecer  “o mais caro pelas almas”. Ali com Ela queremos mostrar ao mundo seu Menino Luz. E, se não compreendermos os desígnios  de Deus, com Ela voltamos para nossa casa, conservando no coração aquilo que não compreendemos de imediato; pois, a seu tempo, como aconteceu com Ela, Deus nos vai revelando seu plano de amor.

Rezemos neste dia por todos os religiosos e religiosas para que, a exemplo de Maria, ofereçam suas vidas com amor aos carismas que seus fundadores ou fundadoras receberam como inspiração do Espírito Santo para a realização do Reino de Cristo na Igreja e no mundo.

Fonte: schoenstatt.org.br

A ousadia do “Pai nosso”

 

Dom Murilo S. R. Krieger – Na Santa Missa, quando o presidente da celebração introduz a oração do “Pai Nosso”, tem à sua disposição várias formas para convidar a comunidade a apresentar ao Pai os pedidos que Jesus nos ensinou a fazer. Uma delas, a mais antiga, propõe: “Obedientes à palavra do Salvador e formados por seu divino ensinamento, ousamos dizer…”

“Ousamos dizer….” Sim, somente impulsionados por uma santa ousadia nós, pecadores, temos mesmo a coragem de apresentar a Deus pedidos tão amplos e grandiosos como os sete que fazem parte do “Pai Nosso”. Mas quem nos ensina a ter tal ousadia é o próprio Jesus. É que seus discípulos, vendo-o em oração, lhe pediram: “Ensina-nos a rezar!” (Lc 11,1). Os discípulos, como bons judeus, sabiam rezar. A oração dos Salmos era parte integrante de seus encontros, aos sábados, na Sinagoga. Mas eles queriam rezar como Jesus. Desejavam, na verdade, entrar em sua intimidade. Aprenderam, então, que rezando ao “nosso” Pai, é a seu Pai – o Pai de Nosso Senhor Jesus Cristo – que nos dirigimos pessoalmente, e o fazemos com confiança, porque Jesus nos purifica de nossos pecados (cf. Hb 1,3) e nos introduz diante da face do Pai (cf. Hb 2,13).

Ao rezar o “Pai nosso” fazemos sete pedidos; sete bênçãos. A primeira série de pedidos tem por objeto a glória do Pai: a santificação de Seu nome, a vinda de Seu Reino e o cumprimento de Sua vontade. Aí está uma característica do amor: pensar primeiramente naquele que amamos. Os quatro pedidos seguintes apresentam-lhe nossos desejos: eles dizem respeito à nossa vida, para nutri-la ou para curá-la do pecado, e se relacionam com nosso combate, visando à vitória do Bem sobre o Mal.

Eis nossas solicitações:

1º – “Santificado seja vosso nome”. Ao pedir isso, entramos no plano de Deus. Seu nome, revelado a Moisés e apresentado por Jesus, deve ser santificado em todas as nações e por todos os seres humanos.

2º – “Venha a nós o vosso Reino”. Com esse segundo pedido, temos em vista principalmente a volta de Cristo e a vinda final do Reino de Deus; solicitamos, também, pelo crescimento de Seu Reino no “hoje” de nossas vidas.

3º – “Seja feita a vossa vontade, assim na terra como no céu”. No terceiro pedido, rezamos a nosso Pai para que se realize o que Ele deseja; e o que Ele mais deseja é “que todos os homens sejam salvos e cheguem ao conhecimento da verdade” (1Tm 2,3-4).

4º – “O pão nosso de cada dia nos dai hoje”. Esse quarto pedido exprime nossa confiança filial no Pai do céu. “Pão nosso” designa o alimento terrestre necessário à subsistência de todos nós, mas significa, também, a Palavra de Deus e o Corpo de Cristo. Trata-se, pois, de um alimento indispensável à nossa vida e essencial no Banquete do Reino que a Eucaristia antecipa.

5º – “Perdoai-nos as nossas ofensas, assim como nós perdoamos aos que nos têm ofendido”. O quinto pedido implora a misericórdia de Deus para nossas ofensas – misericórdia que somente pode penetrar em nosso coração se soubermos perdoar a todos, a exemplo de Cristo.

6º – “Não nos deixeis cair em tentação”. Aqui, rogamos a Deus que não nos permita trilhar o caminho que conduz ao pecado. Esse pedido implora o Espírito de discernimento e de fortaleza; solicita a graça da vigilância e a perseverança final. “Ser tentado” faz parte da vida; é uma das consequências do pecado original em nós. O problema nasce quando consentimos na tentação.

7º – “Mas livrai-nos do mal”. No último pedido, solicitamos que se manifeste a vitória já alcançada por Cristo sobre Satanás – aquele que se opõe frontalmente a Deus e a seu plano de salvação. O mal, aqui, não é uma abstração, mas designa uma pessoa – o pai da mentira. A vitória sobre o “príncipe deste mundo” (cf. Jo 14,30) foi alcançada, de uma vez por todas, por Jesus.

Pelo “Amém” final exprimimos nossa concordância total em relação aos pedidos feitos. Ora, como Deus, “rico em misericórdia” (Ef 2,4), Pai de nosso Senhor Jesus Cristo, deixaria de atender a nossos ousados pedidos, já que feitos com tanta confiança?…

 

Fonte: cnbb.org.br

Como surgiu o canto da Consagração a Maria?

Ir. M. Nilza Pereira da Silva – Fátima Gabrielli pertence à União das Mães, no Movimento Apostólico de Schoenstatt e compôs a melodia de um dos cantos mais entoados no Brasil, a oração de consagração: “Ó minha Senhora e também minha Mãe…” Nesse artigo ela nos enriquece ainda mais, explica a origem dessa oração tão bela: “Devo reconhecer como Nossa Senhora tem agido em minha vida com graças especiais. Com seu imenso amor de Mãe, me deu a graça de compor um canto com a letra de uma oração tão querida, onde nos entregamos a ela com toda a confiança”.

A história dessa oração é a seguinte:

“Essa oração é atribuída a um padre jesuíta, chamado Zuchi. Aos dez anos de idade, perdeu sua mãe. Levado por profundo impulso religioso, raciocinou nesses termos: Não tenho mais mãe terrena. Que farei? Sem mãe não poderei viver. Consagrar-me-ei por isso à Mãe de Deus, me farei total e inteiramente dependente dela. Compôs a oraçãozinha, escrevendo-a com sangue, é a oraçãozinha conhecida por todos”. Este texto está no livro ‘Viver da Fé’, pág. 46, escrito pelo Pe. José Kentenich.

Depois ele acrescenta:

“O Pe Zuchi atingiu idade avançada. Antes de morrer, colocou o ponto final em sua consagração, confessando solenemente o seguinte: esforcei-me para viver esta consagração e com suma gratidão tenho de testemunhar, frente à Mãe de Deus, ter-me Ela livrado, durante toda a vida, do pecado grave. Ela de fato agiu comigo como sua possessão e propriedade. Agora posso partir para a felicidade eterna, para contemplá-la e nela ser propriedade de Deus eterno, por toda a eternidade”. O Pe Kentenich escreveu esse texto baseando-se no livro escrito por Bartoli, que se chama Vita del Pe. Nicola Zuchi, na cidade de Napoli, Itália, no ano de 1888.

Essa é a história da letra, e a história da musica?

A melodia foi composta por volta do ano de l975, após uma visita ao Santuário da Mãe e Rainha no bairro do Jaraguá, em São Paulo/SP, quando ganhei uma novena onde havia essa oração. Foi gravada originalmente em 1992, na época em uma fita gravada por mim, chamada Caminho da Paz, e depois regravada por muita gente, Maria do Rosário, Pe. Antonio Maria e muitos outros por esses anos afora.

[vc_video link=”https://youtu.be/eBsUFwA5jW8″ el_width=”80″ align=”center”]

Fonte: schoenstatt.org.br

Paulo: Pequeno e débil, revolucionário e rebelde

 

Hoje a Igreja celebra a ‘Conversão de São Paulo’. Nem todos prestam atenção no altar do Santuário, mas – como ‘guardiões da Mãe e Rainha’ – as estátuas de São Pedro e São Paulo ladeiam o sacrário.

Na reflexão que segue, o Padre José Kentenich fala aos jovens congregados de Schoenstatt sobre São Paulo. Ele mostra como Paulo tornou-se grande justamente ao fazer-se pequeno, ao servir os demais. O Padre Kentenich convida cada um a vivenciar este mesmo “amor serviçal”:

Ninguém pode igualar-se a Paulo

Motivos suficientes impulsionam-nos a dar mais importância que até agora ao amor fraterno, ao amor ao próximo. Para que nosso jovem coração se inflame por esta rara virtude, a estudaremos mais de perto, com um dos maiores dentre os grandes que passaram pelo palco do mundo. Trata-se de São Paulo, cuja memória celebramos hoje.

Pequeno e débil, de temperamento extremamente revolucionário e rebelde, com seu corpo dolorido e doente, muitas vezes abalado por violentos ataques, terá Paulo sido realmente grande? Amigos e inimigos são unânimes: ninguém, na história, pode igualar-se a Paulo…

Para nós, predispostos como somos à grandeza, é particularmente estimulante penetrar na vida psíquica deste homem. O melhor caminho é analisar seu relacionamento com o próximo. A este podemos aplicar, assim como ao seu estilo, o conhecido ditado francês: (o relacionamento com o próximo) é o homem tal qual ele é, reflete seu modo de ser. Diga-me não somente com quem andas, mas igualmente como tratas os outros, e eu te direi quem és. Vou explicar brevemente a sua atitude e o seu procedimento, para depois expor em síntese as relações humanas do grande Apóstolo universal.

Tornar-se tudo para todos

Meus queridos congregados! Os princípios que determinavam seu procedimento para com os outros permitem reconhecer a atitude de São Paulo. Que princípios eram esses? De que fonte brotavam? Eis duas perguntas que requerem resposta.

Os primeiros princípios a considerar podem ser resumidos nos seguintes termos: servo dos homens. Estas palavras despertam em nós repugnância e rejeição, são conceitos inteiramente opostos ao nosso anelo à autonomia, à liberdade, à autodeterminação.

Mas, por isso não deixa de ser verdade que o grande São Paulo tenha escolhido livremente, conscientemente, a atitude de serviço como norma imutável de sua vida. Na primeira carta aos Coríntios afirma: “Embora eu seja livre e independente de todos, meu próprio senhor, fiz-me servo de todos”. A título de explicação, acrescenta: “Para os judeus fiz-me judeu, para os que estão sob a lei, fiz de conta que estava sob a lei, para os fracos fiz-me fraco. Tornei-me tudo para todos, a fim de salvar alguns a todo o custo, e isso por causa do Evangelho” (cf. 1 Cor 9,10).

Meus queridos congregados! Procurem entender o sentido dessas palavras imortais. Talvez lhes pareçam demasiado flexíveis e condescendentes, desprovidas de princípios, reveladoras de um caráter fraco e desprezível, bom entre os bons e mau entre os maus. Nesse caso, não compreenderam o Apóstolo das Nações, gigante imenso da força de vontade. Eu considero o princípio que acabei de mencionar e de expor como a melhor prova de sua inatacável grandeza. Atribuo a todos vocês suficiente conhecimento do ser humano para confirmarem igualmente essa opinião, quando escutarem que São Paulo quer orientar toda a sua aspiração para a partilha, a atitude serviçal, a situação, a disposição, a sensibilidade e o estado de ânimo de cada pessoa; quer dedicar seus cuidados pastorais e servir cada um segundo suas predisposições, capacidades e necessidades e conquistá-lo, assim, para Cristo.

Por mais que seu temperamento o impelisse a isso, não quer percorrer o mundo como senhor e dominador absoluto, não quer influenciar as pessoas em favor de seus objetivos com ordens ofensivas nem com comportamentos e modos de proceder desafiadores. Um severo autodomínio e a graça de Deus fizeram que nada provocasse mais a sua rejeição do que o espírito que, 1600 anos mais tarde, levou à lamentável cisão da Igreja: o espírito que se manifestou, com orgulhosa exaltação, nas palavras: sic volo, sic jubeo – Assim quero, assim ordeno.

Servir é um constante heroísmo interior

Na medida em que nos exercitarmos em servir, meus queridos congregados, compreenderemos a nobreza de alma e a grandeza que suas palavras refletem, compreenderemos tudo isso. Já experimentamos na pele que servir exige maior medida de energia do que dominar. Servindo, elevamo-nos acima de nós próprios, de todos os instintos e tendências opostos e egoístas. Servir é um constante heroísmo interior. Por isso Jesus diz: quem entre vós quiser ser grande, seja vosso servo.

Paulo não quer dominar, não quer assumir o papel de um tirano sem piedade. Quer servir, servir na liberdade do amor e não como escravo e bajulador, não como carregador revoltado, não mecanicamente ou por tradição.

“Amor serviçal” são as justas palavras para expressar sua ideia de servo dos homens, sua exata visão do princípio do amor ao próximo. Ele caracteriza seu amor serviçal para fazer compreender sua missão de servir maternalmente. É a mãe que encarna o princípio do serviço na família. Não está para dominar, mas para servir, para cuidar, para fazer-se útil, para apoiar, para proteger, para curar, para ajudar, para mediar. Seu atuar de mãe é todo ele um serviço de amor e amor serviçal. Ao estabelecer esta comparação, Paulo emprega palavras cálidas, vindas do coração: “Meus filhos, por quem sofro de novo as dores de parto, até que Cristo seja formado em vós” (Gal 4,19), escreve aos Gálatas. Escutemos, ainda, as palavras calorosas que dirige aos Tessalonicenses: “Eu não me apresentei com adulações, como sabeis; nem com secreta ganância, Deus é testemunha. Tanto bem vos queríamos que desejávamos dar-vos não somente o Evangelho de Deus, mas até a própria vida, de tanto amor que vos tínhamos” (1 Tess 2,5.8).

O valor que atribui ao amor é tal, que o descreve com palavras entusiásticas, com vigor retórico e o exalta como lei sagrada e indispensável. “Ainda que eu falasse línguas, as dos homens e as dos anjos, se eu não tivesse a caridade, seria como bronze que soa ou como címbalo que tine. Ainda que tivesse o dom da profecia, o conhecimento de todos os mistérios e de toda a ciência, ainda que tivesse toda a fé, a ponto de transportar montanhas, se não tivesse a caridade, nada seria” (1 Cor 13,1- 2). Vejam, o “amor serviçal” é o grande princípio do grande Apóstolo, revelador de sua mais profunda atitude interior.

 

Pe. José Kentenich, Palestra para a Congregação Mariana: Relações fraternas. Espírito e Procedimento de São Paulo, Schoenstatt, 29.6.1914.
Trecho retirado do livro Na Escola do Apóstolo Paulo, textos escolhidos do Pe. José Kentenich. Pe. Peter Wolf (editor). Santa Maria/RS: Sociedade Mãe Rainha, 2008.

Fotos:

Santuário de Schoenstatt

Basília São Paulo fora dos Muros, em cathopic.com

 

Fonte: schoenstatt.org.br