Santa Maria Goreti, Virgem e Mártir

A Igreja, neste dia, celebra a virgem e mártir que encantou e continua enriquecendo os cristãos com seu testemunho de “sim” a Deus e “não” ao pecado. Nascida em Corinaldo, centro da Itália, era de família pobre, numerosa e camponesa, mas muito temente a Deus.

Com a morte do pai, Maria Goretti, com os seus, foram morar num local perto de Roma, sob o mesmo teto de uma família composta por um pai viúvo e dois filhos, sendo um deles Alexandre. Aconteceu que este jovem por várias vezes tentou seduzir Goretti, que ficava em casa para cuidar dos irmãozinhos. E por ser uma menina temente a Deus, sua resposta era cheia de maturidade: “Não, não, Deus não quer; é pecado!”

Santa Maria Goretti, certa vez, estava em casa e em oração, por isso quando o jovem, que era de maior estatura e idade, tentou novamente seduzi-la, Goretti resistiu com mais um grande não. A resposta de Alexandre foram 14 facadas, enquanto da parte de Goretti, percebemos a santidade, na confidência à sua mãe: “Sim, o perdoo… Lá no céu, rogarei para que ele se arrependa… Quero que ele esteja junto comigo na glória eterna”.

O martírio desta adolescente, de apenas 12 anos, foi a causa da conversão do jovem assassino, que depois de sair da cadeia esteve com as 400 mil pessoas, na Praça de São Pedro, na ocasião da canonização dessa santa, e ao lado da mãe dela, que o perdoou também (até aqui, extraído da Canção Nova).

 

Santa Maria Gorete: modelo para a Juventude

Santa Maria Goretti manteve-se pura e santa por causa do seu amor a Deus, por isso na glória reina com Cristo.

A juventude olha para a jovem Maria Goreti e vê nela o anseio que reside nos seus corações: ser uma outra Maria, pura e imaculada. Neste sentido, nosso Pai e Fundador falou à Juventude Feminina de Schoenstatt em agosto de 1968:

“A juventude olha para o futuro e quer dedicar-se a grande tarefas. No futuro nossa tarefa será a participação na missão da querida Mãe de Deus. A imagem da Imaculada nos anuncia qual seja esta missão. Aqui teríamos a oportunidade de penetrar mais profundamente, para reconhecermos em que grau o corpo pertence ao Senhor, em que grau somos templos do Espírito Santo, como somos e devemos ser igrejinhas da Santíssima Trindade. Queremos tornar-nos um ‘Sacrarium Dei’, um Santuário do Deus Eterno, um Santuário da Santíssima Trindade”.

 

 

Foto: Schoenstatt International Communication

Quem é minha mãe? Quem são meus irmãos?

 

Ir. Afonso Murad – Neste domingo, o evangelho nos apresenta um acontecimento da vida de Jesus um tanto ‘desconcertante’. Certa vez, Jesus estava com seus discípulos e a multidão, quando alguém lhe disse: “Sua mãe e seus irmãos estão ali fora e querem vê-lo”. Jesus respondeu: “Minha mãe e meus irmãos são aqueles que ouvem a palavra de Deus e a colocam em prática” (Lc 8,19-21).

Esta cena traz algumas dúvidas para os católicos, que desde cedo aprendem a admirar Maria, principalmente porque ela é a mãe de Jesus. Será que Jesus tratou mal a sua mãe? Teria esquecido toda a dedicação de Maria, desde a gravidez até o momento em que, aos 30 anos, ele saiu de casa para realizar sua missão?

 

Um exemplo atual

Talvez um fato de hoje possa ajudar a entender a atitude de Jesus: Luis Carlos é voluntário da Pastoral dos Enfermos. Ele vai aos hospitais visitar os doentes, especialmente os que estão nas enfermarias e não recebem atenção dos outros. Veste um jaleco branco com a marca da pastoral, com um crachá de identificação. Um dia, Luis Carlos se aproximou de uma mulher que estava sozinha. Quando ela o viu, reagiu: “Você não é da minha religião. Não quero saber de sua conversa! Vai embora”. Então Luis percebeu que ela precisava de mais atenção e cuidado. Saiu do quarto, retirou o jaleco e o crachá. Depois voltou e disse para a mulher: “Joana, você aceita a visita de um amigo?” Meio sem graça, ela consentiu. E assim, Luis vinha visitá-la toda semana. Até que um dia soube que Joana havia ganho alta.

Meses depois, quando estava no ônibus, alguém lhe bate no ombro. Luis se vira e vê Joana de pé, em boa saúde. Ela olha nos seus olhos e diz emocionada: “Muito obrigado! Você foi para mim um irmão. Quando eu senti muita solidão e nenhum parente veio me visitar, você foi mais do que alguém da família!” E então os dois se abraçaram como irmãos.

 

E Jesus e Maria?

Jesus gostava muito de sua família. Ele foi bem educado por Maria, e não faria de jeito nenhum uma desfeita para sua mãe. No entanto, quando Jesus começou a sua missão, ele convocou homens e mulheres para fazer parte de uma nova família, não mais ligada por laços de parentesco.

Nessa nova família, o que importava era “ouvir a palavra e colocá-la em prática”, ser discípulo de Jesus e colaborar para difundir o Evangelho. Alguns parentes não aceitaram a proposta de Jesus e o rejeitaram. Mas, para Maria, a realidade foi outra. Ela não foi somente a mãe biológica, mas também aderiu ao grupo dos seus seguidores/as. Acompanhava seu Filho e os discípulos pelos povoados da Galileia.

 

 

Não uma crítica, mas um elogio

O evangelista João conta que, na hora da cruz, Maria estava ao lado de Jesus, com outras mulheres e o discípulo amado (Jo 19,25). Com a morte e ressurreição de Jesus, Maria se tornou então a mãe da comunidade dos seus seguidores. Ela fez parte tanto da família biológica de Jesus, como também da nova família dos discípulos-missionários. Por isso, a palavra de Jesus não é uma crítica, mas sim um elogio para Maria.

 

Imagens: Pixabay

Fonte: Academia Maria (a12.com)

Hoje celebramos a solenidade do Sagrado Coração de Jesus

 

Pe. Francisco José Lemes Gonçalves – Na solenidade do Sagrado Coração de Jesus a liturgia nos apresenta o texto de Lucas da “ovelha perdida e a alegria de seu pastor ao encontrá-la”. Do coração vem os sentimentos mais nobres do ser humano e do coração divino de Jesus são abundantes estes sentimentos que chega a expressar na alegria de uma só ovelha encontrada!

Do seu lado aberto pela lança escorrem “sangue e água” – sacramentos da Eucaristia (vida doada e entregue) e o Batismo (inserção na Igreja Povo de Deus e nossa filiação divina); mas, também, deste coração rasgado pela lança corre o manancial de sua misericórdia e acolhida ao seu coração aberto para todos os pecadores; pois ali, encontrarão alívio do fardo e descanso.

Nesta solenidade, a partir da liturgia da Palavra, somos convidados a ter um coração misericordioso e alegre. Espalhar a misericórdia, pois é o remédio contra toda a violência e medo existente hoje no coração do ser humano. Neste coração está a verdadeira alegria, não aquela oferecida pelo mundo, que é logo passageira e nos leva a buscar, em lugares ou pessoas, uma felicidade que nos frustra. Ali no Coração de Jesus encontramos a verdadeira alegria: no servir com generosidade, como ele mesmo nos serviu e serve à mesa da eucaristia!

Neste dia somos convidados a rezar, junto deste Coração Sagrado, pelos sacerdotes e por sua santificação diária. Peçamos que nossos padres se assemelhem a este Coração na misericórdia, bondade, serviço e profunda intimidade com o Pai. Peçamos a este Coração humano/divino que nossos padres encontrem nele o alívio do cansaço pastoral, o verdadeiro amigo com o qual se pode confidenciar suas necessidades espirituais e até materiais. Peçamos que este Coração envolva nossos padres no fogo de seu amor para que sempre mantenham aceso o amor pela vocação à qual um dia foram chamados.

Junto deste Coração está Maria que, com seu coração imaculado, bate junto ao Filho. Consagremos ao seu Imaculado Coração nossos padres, assim sendo, como o próprio Jesus ali foi formado, sejam também formados!

 

Rezemos com nosso Pai e Fundador:

“Por Ele, o Cordeiro sempre vitorioso,
Que jaz como imolado em tua frente,
Recebe, ó Pai, no Espírito santo,
Que eleva a ti a criação inteira,
De nosso coração filial sincero:
Adoração, expiação, agradecimento e súplica. Amém”
(Rumo ao Céu, 115)

 

Foto: Gera Juarez, via cathopic.com

Fonte: schoenstatt.org.br

História da Festa do Sagrado Coração de Jesus

A Solenidade do Sagrado Coração de Jesus – Dia de Oração pela Santificação dos Sacerdotes – é celebrada na sexta-feira (neste ano, amanhã, 07/06), após a Solenidade do Corpus Christi, visto que a Eucaristia/Corpus Christi nada mais é que o próprio Coração Jesus, um “Coração” que “cuida” de nós.

 

História da devoção ao Sagrado Coração de Jesus

Em 20 de outubro de 1672, o sacerdote francês, João Eudes, celebrou esta festa pela primeira vez. Mas, alguns místicos alemães da Idade Média – Matilde de Magdeburg (1212-1283), Matilde de Hackeborn (1241-1298) e Gertrudes de Helfta (1256-1302) e Beato dominicano Enrico Suso (1295 – 1366), já cultivavam a devoção ao Sagrado Coração de Jesus. No entanto, as revelações que a religiosa da Visitação, Margarida Maria Alacoque (1647-1690), recebeu do Senhor, contribuíram para uma maior difusão do culto.
Margarida Maria Alacoque viveu no convento francês de Paray-le-Monial, desde 1671. Já tinha fama de grande mística quando, em 27 de dezembro de 1673, recebeu a primeira visita de Jesus, que a convidou a tomar o lugar, na celebração da Última Ceia, que pertencia a João, o único apóstolo que, fisicamente, encostou a cabeça no peito de Jesus. E lhe disse: “Meu divino coração é tão apaixonado de amor pelos homens que, não podendo conter em si as chamas da sua ardente caridade, precisa da tua ajuda para difundi-las. Por isso, escolhi você para este grande desígnio”.


No ano seguinte, Margarida teve outras duas visões: na primeira, viu o coração de Jesus em um trono de chamas, mais brilhante que o sol e mais transparente que o cristal, circundado por uma coroa de espinhos; na segunda, viu o coração de Cristo, fulgurante de glória, que emitia chamas por todos os lados, como uma fornalha. Conversando com ela, Jesus lhe pediu para “comungar, todas as primeiras sextas-feiras do mês”, durante nove meses consecutivos e “se prostrar no chão por uma hora”, na noite entre quinta e sexta-feira. Deste modo, nasceram as práticas das Nove sextas-feiras e da hora Santa de Adoração.
Em uma quarta visão, Cristo pediu a Margarida que fosse instituída uma festa em honra do seu Sagrado Coração e orações em reparação das ofensas por Ele recebidas. Esta festa passou a ser obrigatória em toda a Igreja, a partir de 1856, por ordem de Pio IX. Neste mesmo dia, em 1995, São João Paulo II instituiu o “Dia Mundial de Oração pela Santificação do Clero”, para que o sacerdócio fosse protegido pelas mãos de Jesus, ou melhor, pelo seu Coração, para ser aberto a todos.

Fonte: Vatican News

Imagens: cathopic.com

São Paulo VI e o ‘Dilexit Ecclesiam’ do Padre Kentenich

 

Esta foto é muito cara para a Família de Schoenstatt: a audiência de nosso Pai e Fundador, Padre José Kentenich, com São Paulo VI, em 22 de dezembro de 1965, dois dias antes de seu retorno a Schoenstatt. E esta cena nos vem a mente por que, hoje, a Igreja celebra a memória deste grande ‘Santo Padre’, Paulo VI, canonizado em 2018 pelo Papa Francisco.

 

Quem foi Paulo VI?

Giovanni Battista Montini nasceu na Lombardia (Itália), em 26 de setembro de 1897, e faleceu em Castel Gandolfo, em 6 de agosto de 1978, após um pontificado de 15 anos iniciado em 1963.

Em 29 de maio de 1920, aos 22 anos, foi ordenado sacerdote e enviado a Roma para estudar na Pontifícia Universidade Gregoriana, na Universidade de Roma La Sapienza e na Pontifícia Academia Eclesiástica.

Quatro anos depois, foi designado para o escritório da Secretaria de Estado, onde permaneceu por 30 anos.

No dia 1ºde novembro de 1954, aos 57 anos, foi nomeado arcebispo de Milão e, em 15 de dezembro de 1958, São João XXIII o nomeou cardeal.

Em 1963, com a morte de São João XXIII, o então cardeal Montini foi eleito papa no dia 21 de junho, tomando o nome Paulo VI e dizendo ao mundo que continuaria com o trabalho de seu predecessor.

Devoto de Maria, publicou três encíclicas marianas (a mais conhecida e marcante é Marialis Cultus) e expressou seu carinho pela Virgem Maria sob o título de Nossa Senhora Aparecida em 1967, quando enviou uma rosa de ouro para a Basílica de Aparecida. O presente foi dado em função do jubileu de 250 anos do encontro da Imagem nas águas do Rio Paraíba.

Paulo VI também promoveu importantes diálogos com o mundo. Foi o primeiro Papa a viajar de avião e também o primeiro a visitar os cinco continentes. Foi o primeiro Papa a conversar com o líder da Igreja Anglicana e o primeiro, depois de muitos séculos, a conversar com dirigentes das diversas Igrejas Ortodoxas do Oriente.

Paulo VI publicou 12 exortações apostólicas e sete encíclicas. Entre as mais conhecidas estão Evangelii Nuntiandi, sobre a evangelização, e Humanae Vitae, sobre o controle da natalidade, que se tornou de referência para a Igreja Católica nas questões sobre aborto, esterilização e métodos contraceptivos.

 

São Paulo VI e o Padre Kentenich

Certamente, São Paulo VI é recordado pela Família de Schoenstatt como o Papa do retorno do Pai e Fundador do exílio e seu retorno a Schoenstatt, depois de 14 longos anos em Milwaukee, nos Estados Unidos. Talvez menos conhecidas, mas muito significativas, são suas palavras na audiência geral de 8 de abril de 1970, menos de dois anos após a morte do Padre Kentenich, saudando um grupo de peregrinos alemães.

“Queridos filhos e filhas! Sobre a pedra sepulcral de um destacado sacerdote e pastor de almas alemão, estão escritas palavras que foram expressão de sua personalidade e conteúdo de sua vida abençoada: ‘Dilexit Ecclesam’ – Ele amou a Igreja, As mesma palavras nós dirigimos a vós: Amai a Igreja! Nestes tempos agitados permanecei fiéis ao magistério da Igreja e ao sucessor de São Pedro. E assim, também vossa vida se tornará rica e plena de sentido”.*

Que a memória de São Paulo VI nos ajude a, como Família de Schoenstatt, recordar e viver a herança do Pai e Fundador.

 

* Engelbert Monnerjahn – Padre José Kentenich: uma vida pela Igreja, 294.

Com informações de: acidigital.com

Símbolos da Santíssima Trindade

No próximo domingo, 26/05, vamos celebrar a solenidade da Santíssima Trindade, uma das maiores verdades de nossa fé.

Nos primeiros séculos do cristianismo, a arte cristã não se ocupou em representar Deus. As pinturas, ícones ou esculturas diziam respeito a Jesus Cristo, a Nossa Senhora e aos santos. A maioria dos mais antigos símbolos para a Santíssima Trindade nasceram já na Idade Média. Vejamos alguns.

O Triquetra

Este símbolo contém três formas semelhantes a folhas que se interligam e se entrelaçam com um círculo. As folhas representam a Trindade; o círculo, a vida eterna. Esta imagem é associada à arte celta e pode ser vista, por exemplo, no famoso Livro de Kells.

O ‘escudo’ da Trindade

Este antigo símbolo mostra que cada Pessoa da Trindade é o mesmo e único Deus, mas, ao mesmo tempo, as três são distintas uma da outra. Ao longo da história, foi bastante usado como ferramenta de catequese.

O Trevo de Três Folhas

Frequentemente atribuído a São Patrício, o trevo de três folhas se tornou uma das representações mais facilmente identificáveis ​​da Santíssima Trindade na arte cristã. Diz-se que São Patrício, o santo padroeiro da Irlanda, uma vez usou o trevo três-folhas, planta abundante no solo irlandês, para explicar para a um rei celta pagão o que era a Santíssima Trindade: “três folhas, uma só planta” era uma metáfora para “três pessoas, um só Divino Ser”.

O dedo de Deus

Esta imagem ressalta Deus criador, envolto em nuvens, em grande majestade e poder, tendo a mão direita estendida e o dedo anular apontando o universo. É a mão direita de Deus que opera prodígios, segundo a expressão: Digitus Dei est hic. [Vulgata, Êxodo 8.19] O dedo de Deus está aqui. Em muitas oportunidades Deus foi representado simplesmente pela mão saindo de uma nuvem.

O olho de Deus

Nos séculos XVIII e XIX, Idade Contemporânea, a arte cristã começa a representar o olho como símbolo de Deus, nas igrejas e capelas, especialmente nos portais, acima dos púlpitos, nos altares e nas pinturas do teto. O olho de Deus geralmente era representado no meio de raios luzentes, também sobre uma nuvem e, em geral, associados a um triângulo simbolizando a Santíssima Trindade. Era o esforço da Igreja para trazer novamente ao coração e à vida do homem a realidade da presença de Deus, numa época marcada pela fuga de Deus.

O olho de Deus geralmente era representado dentro de um triângulo

Os ângulos iguais do triângulo servem muito bem para explicar o mistério de Deus uno e trino. Um só Deus, em três pessoas: Pai, Filho e Espírito Santo. Não são três Deuses, mas um só. “A unidade divina é trina”, diz-nos o catecismo da Igreja católica, no nº 254. No centro do triângulo está o olho, representando a onipresença de Deus, à qual nada fica oculto aos seus olhos, tal como lemos na Escritura:

“Os olhos do Senhor observam os caminhos do homem e vigiam todos os seus trilhos.” (Provérbios 5,21) – “Os olhos do Senhor são infinitamente mais luminosos do que o sol, vêem todos os caminhos dos homens e penetram os lugares mais secretos. Antes de serem criadas, ele já conhecia todas as coisas.” (Eclesiástico 23,19s) – “Teus olhos viam como fui formado. No teu livro estão todos inscritos os dias que foram fixados e cada um deles nele figura.” (Cf. Salmo 139, 16)

Em Schoenstatt temos também símbolos para a Santíssima Trindade?

Isso veremos nas próximas matérias.

Solenidade de Pentecostes

 

Pe. Francisco José Lemes – Com esta grande solenidade encerramos o Tempo Pascal e se inicia o Tempo do Espírito, que nos impulsionará na missão de sermos testemunhas de Cristo e seu Evangelho renovando a face da terra. Sim… tempo do Espírito que nos encorajará a inflamar o mundo no amor de Cristo, o Amado do Pai. Espírito que nos fará, no Filho, nos sentir amados pelo Pai. Espírito que nos ajudará a fazer deste Brasil Tabor uma nova terra mariana.

Ao soprar sobre os apóstolos, lhes transmitindo este Espírito que vem do Pai pelo Filho, também hoje Jesus sopra sobre a Igreja, renovando-a e fortalecendo-a para que seja um sinal de sua presença no mundo e de sua ação salvífica por meios de nós, homens e mulheres, que, como vasos de barro, guardam este tesouro. Nas suas línguas de fogo purificará nossa inteligência, fazendo-nos compreender a mão de Deus no curso da história, como dizia nosso Pai e Fundador, Pe. José Kentenich: “Com a mão no pulso do tempo e os ouvidos no coração de Deus” nos ajudará a falar novas línguas, sendo que a principal é e sempre será a do amor; pois Deus é amor!

Rezemos com Pe. José Kentenich, como nos ensinou na oração das Vésperas do Rumo ao Céu, e o façamos com nossa querida Mãe e Rainha, que é Coração da Igreja. Em seu Santuário, nosso pequeno Cenáculo, como outrora ela se reunia com os Apóstolos, hoje se reúne conosco, por isso, juntos, lhe supliquemos:

“O sol se encaminha para o seu repouso e nos convida a olhar o Cenáculo.

Ali imploraste para a Igreja o Espírito que a libertou das aflições da mediocridade,

que a introduziu nos ensinamentos de Cristo e nela avivou o espírito de apóstolo e de mártir”
(Rumo ao Céu 211-212)

Sim… de teu Santuário queres “fortalecer em nós, fracos, o olhar da fé, / para contemplarmos a vida com o olhar de Deus/e caminharmos sempre à luz do céu” (RC 213). [No Santuário] nosso pequeno Cenáculo – sua escola de amor – Ela, a “cheia de graça”, quer nos formar homens e mulheres que “adorarão o Pai em espírito e verdade” e serão fortes e corajosos, ousados na fé para que de novo o mundo nos olhe e se converta ao ver que nos amamos uns aos outros.

Fonte: schoenstatt.org.br

Fátima: Algumas reflexões do nosso Pai e Fundador

                          

Hoje, com toda a Igreja recordamos as aparições de Nossa Senhora em Fátima. Fato que tem um profundo significado sobre a presença e atuação de Maria junto a seus filhos.

Reservemos alguns minutos deste dia tão importante para uma reflexão guiada pelo Pai e Fundador do Movimento de Schoenstatt, Padre José Kentenich, sobre a consagração ao Coração de Maria:

“Não sei se nos damos conta de que, quando ofendemos a Deus, quando magoamos o Bom Deus, ofendemos também o Coração Imaculado de Maria. Não sei se na nossa vida prática levamos a sério a indicação que aqui tão claramente se faz e pedimos perdão a Nossa Senhora por toda a dor que lhe causamos. Sim, quase tenho a coragem de perguntar: Nós, que com tanto gosto nos inscrevemos no Coração de Nossa Senhora – não só quando éramos crianças, mas também agora, mesmo sabendo que estamos quase sozinhos neste dom total de nós mesmos – já alguma vez nos sentimos realmente impulsionados a expiar por todo o sofrimento que os cristãos de hoje causam e causaram a Nossa Senhora?”

“Jesus queria servir-se dela para ensinar o mundo a amá-la. Interessante, não é verdade? Talvez ainda não tivéssemos reparado nisso até agora. Nossa Senhora aponta para si própria: o mundo deve amá-la. Se refletirmos mais profundamente, teremos que confessar: Isso não é mais do que a realização daquilo que o Salvador anunciou na cruz: Eis aí a tua Mãe! Que significa isso: ‘Eis aí a tua Mãe’? Tu tens o dever de amá-la! A ordem dada a partir da cruz é aqui tomada a sério. Sim, ela diz a seguir: O Salvador quer espalhar pelo mundo a veneração ao seu Imaculado Coração; e a todos que pratiquem essa veneração, a esses, ele daria a salvação; esses seriam tratados por Deus de uma maneira especial, como flores do jardim de Deus, as flores que ela cultivou, as suas flores”.

“Nossa Senhora falou primeiramente, de novo, de Si própria. Singular – eu acho que sempre tenho que dar realce a isto – Ela fala de Si: Ela quer ter também um lugar no nosso coração”.

“Nossa Senhora aparece sem o Filho nos braços. Não somente sem o Filho nos braços, como nem sequer tinha o Filho consigo… Isso é símbolo do mundo atual, que já não conhece o Filho. Nossa Senhora apresenta-se sozinha, com o Rosário na mão. Que ela quer dizer? Ela tem a missão de dar de novo a luz a Cristo para o mundo de hoje. Uma nova iniciativa divina para o tempo atual, para o mundo de hoje”.

“Talvez não tenhamos ainda reparado e valorizado suficientemente o milagre do sol. Eu penso que nós temos motivos para reconhecer, no milagre do sol, a imagem apocalíptica de Maria. A mulher de sol, rodeada pelo sol, toda dirigida para o sol, envolvida pelo sol, profundamente penetrada de sol, com a tarefa de tornar de novo o sol conhecido por toda a parte, no nosso tempo e no nosso mundo, de entregar o mundo a esse sol.
De certo, se nós olharmos mais profundamente para a imagem apocalíptica de Nossa Senhora, então saberemos que onde aparece a Mulher vestida de Sol, aí está também o dragão. E que quer ele? Matar a Criança que se encontra nos braços da Mulher vestida de Sol. E Ela sofre dores de parto. Essas dores de parto não indicam o primeiro nascimento do Salvador […], mas o segundo nascimento, dos membros de Cristo, especialmente no tempo atual – custa a Nossa Senhora dores de parto. Não é sem razão que salientamos: apesar da imagem de luz que ela apresenta, apesar da admirável beleza que o seu rosto e toda a sua figura irradiam, apesar de tudo isso, há tristeza nos seus olhos, tristeza em toda a sua personalidade. O que significa isso? Através deste simbolismo ela quer mostrar que sofre para dar hoje de novo Cristo à luz”.

“Temos que interpretar em profundidade a expressão “Consagração ao Coração Imaculado de Maria”. Que significa ‘consagração ao Coração Imaculado de Maria’? Que significa consagração? Dar-se, dar-se totalmente. Devemos esforçar-nos por nos entregarmos totalmente ao Coração Imaculado de Maria”.

“A consagração ao Imaculado Coração de Nossa Senhora significa uma transformação total do indivíduo e da sociedade humana. Por isso o demônio tem um interesse enorme em destruir a imagem de Nossa Senhora, em torná-la falsa, como hoje acontece muitas vezes. Nós não seguimos isso. Quantas vezes nos entregamos aqui em outras paróquias ao Coração de Nossa Senhora!? E vamos renovar muitas vezes esse ato! A consagração é a aclamação festiva do amor infinito de Deus, de Nossa Senhora, por nós e é uma festiva elevação do nosso amor recíproco, carinhoso, sincero, forte, sacrifical por Nossa Senhora e por Deus Pai”.

 

* Trechos retirados da homilia do Pe. José Kentenich, pronunciada no seu tempo de Exílio em Milwaukee/EUA, dia 22 de agosto de 1965. Nela o Pai e Fundador fala da mensagem de Fátima, de como Portugal correspondeu ao desejo de Nossa Senhora e se consagrou ao Imaculado Coração de Maria, mas ele fala, sobretudo, desse Coração Imaculado ao qual todos devemos nos consagrar.

Imagem: Símbolo da 17ª Peregrinação da Família de Schoenstatt de Portugal a Fátima 2017

Publicado em: schoenstatt.org.br

Hoje celebramos a solenidade da Ascensão do Senhor

Cantemos à glória de Deus, cantemos ao nosso Rei, porque Ele é Rei de toda a terra (SI 47,6-8). É a ascensão do Senhor o coroamento da Sua Ressurreição; é a entrada oficial naquela glória que cabia ao Ressuscitado. Após as humilhações do Calvário, é a volta ao Pai, já por Ele anunciada no dia da Páscoa: “Subo para meu Pai e vosso Pai, meu Deus e vosso Deus” (Jo 20,17).

Aos discípulos de Emaús: “Não era preciso que o Messias sofresse essas coisas e, que, assim, entrasse em sua glória?” (Lc 24,26). Esse modo de exprimir-se indica não tanto a volta e as glória futuras, mas imediatas, já presentes, porque, estritamente unidas à Ressurreição, todavia para confirmar os discípulos na fé, era necessário que tal acontecesse de modo visível, como se verificou 40 dias depois da Páscoa.

Ascensão do Senhor: quando começa a missão dos discípulos

Aqueles que tinham visto o Senhor morrer na cruz, entre insultos e escárnios, precisavam ser testemunhas da sua suprema exaltação no céu. Referem-se ao fato os evangelistas com muita sobriedade, todavia, suas narrações salientam o poder de Cristo e Sua glória: ‘Foi-me dado todo poder no céu e na terra’, lê-se em Mateus (28,18) e acrescenta Marcos: ‘O Senhor Jesus subiu ao Céu e está assentado à direita de Deus’ (16,19). Lucas, porém, recorda a última grande bênção de Cristo aos apóstolos: ‘Ao abençoá-los, afastou-se deles e ia elevando-se ao céu’ (24,51).

Também, nos últimos sermões de Jesus, resplandece Sua majestade divina. Fala como quem tudo pode e prediz aos discípulos que em seu Nome ‘expulsarão demônios, falarão novas línguas, pegarão em serpentes e, se beberem algum veneno mortífero, não lhes fará mal, imporão as mãos aos doentes e recobrarão a saúde’ (Mc 16, 17-18). Provam os Atos dos Apóstolos a realidade de tudo isso.

A promessa do Espírito Santo

Em seguida, Lucas, tanto na conclusão do seu Evangelho como nos Atos, fala da grande promessa do Espírito Santo que confirma os apóstolos na missão e nos poderes recebidos de Cristo: “Eis que enviarei sobre vós o Prometido por meu Pai” (Lc 24,49), “recebereis força com a vinda do Espírito Santo sobre vós, e sereis minhas testemunhas… até aos confins do mundo. Dito isso, elevou-se para o alto, à vista deles, e uma nuvem o ocultou a seus olhos” (At 1,8-9).

Espetáculo magnífico que deixou os apóstolos atônitos, “com o olhar fixo no céu”, até que dois anjos lhes apareceram. E o cristão chamado a participar de todo o mistério de Cristo e, portanto, também de sua glorificação. Ele mesmo o havia dito: ‘vou preparar-vos um lugar. E quando eu tiver ido, voltarei novamente avós e vos tomarei comigo, afim de que onde eu estou estejais também vós’ (Jo 14, 2-3).

Constitui, portanto, a Ascensão grande argumento de esperança para o homem que, no seu peregrinar terreno, sente-se exilado e sofre longe de Deus. A esperança que implorava São Paulo para os Efésios e queria viva em seus corações. “O Deus de Nosso Senhor Jesus Cristo, o Pai da glória, ilumine os olhos de vossa inteligência para compreenderdes qual a esperança a que vos chamou” (Ef 1, 17-18). E onde fundava o apóstolo essa esperança? No grande poder de Deus ‘manifestado em Cristo, ressuscitando-o dos mortos e fazendo-o sentar-se à sua direita nos céus, acima de todo Principado e Poder (ou seja, dos anjos) e de qualquer outro nome” (ibidem, 20-21).

Nasce a Igreja

A glória de Cristo exaltado acima de toda criatura é, no pensamento paulino, a prova do que fará Deus por quem, aderindo a Cristo pela fé e pertencendo a Ele como membro do único Corpo de que é Cabeça, participará de sua sorte. Isso requer Cristianismo autêntico: crer e alimentar firme esperança de que, como hoje o fiel, nas tribulações da vida, participa da morte de Cristo, assim um dia participará da Sua glória eterna.

Os anjos, que no monte da Ascensão dizem aos apóstolos: ‘Esse Jesus, que do meio de vós subiu ao céu, um dia virá do mesmo modo com que o vistes ir para o céu’ (At 1, 11), e os fiéis, que, enquanto aguardam a volta final de Cristo, precisam pôr a mão na obra. Com a Ascensão, termina a missão terrena de Cristo e começa a dos discípulos.

“Ide ensinar todas as nações, batizando-as em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo” (Mt 28,19), devem eles perenizar no mundo sua obra de Salvação pregando, administrando os sacramentos, ensinando a viver segundo o Evangelho.

Todavia, quer Cristo que tudo isso seja precedido e preparado pela oração, na expectativa do Espírito Santo que deverá confirmar e corroborar seus apóstolos. Começa, assim, a vida da Igreja não com a atividade, mas com a oração, junto de ‘Maria, a Mãe de Jesus’ (At 1,14).

Fonte: Canção Nova

Imagens: Thanasis Papazacharias e  Falco em Pixabay

Ascensão do Senhor, a certeza de que um dia ELE voltará

Cidade do Vaticano – “Depois de dizer isto, Jesus foi elevado, à vista deles, e uma nuvem o retirou aos seus olhos. Continuavam olhando para o céu, enquanto Jesus subia. Apresentaram-se a eles então dois homens vestidos de branco, que lhes disseram: ‘Homens da Galileia, por que ficais aqui, parados, olhando para o céu? Esse Jesus que, do meio de vós, foi elevado ao céu, virá assim, do mesmo modo como o vistes partir para o céu’” (At 1, 9-11).

A Solenidade da Ascensão do Senhor é celebrada no Brasil e em outros países neste domingo.  Estamos no Tempo Pascal, ou seja da alegria, da libertação da morte e do pecado graças à Ressurreição, no tempo da promessa de salvação.

Portanto, Jesus despede-se novamente dos apóstolos que agora estão prontos para o destacamento, como filhos crescidos. Porém, a separação é só aparente porque o Senhor, invisível, continua a operar na Igreja, e é temporâneo, porque um dia Ele voltará.

 

Fontes históricas e origens da solenidade

Os Evangelhos falam pouco da Ascensão: Mateus e João terminam suas narrações com a aparição de Jesus depois da Ressurreição; Marcos dedica-lhe a última frase do texto, enquanto que Lucas descreve muito mais, principalmente nos Atos dos Apóstolos.

Nos Atos, Lucas detalha que 40 dias depois da Páscoa – um número muito simbólico em toda a Bíblia – Jesus conduz os apóstolos para Betânia e ao chegar no Monte das Oliveiras (chamado por isso Monte da Ascensão) os abençoa e fala a todos antes de subir ao céu e retornar ao Pai. Neste discurso Jesus confirma a promessa da vinda do Espírito que não os deixará sós e prefigura a sua segunda vinda, no final dos tempos.

A celebração da Ascensão tem origens antigas e é testemunhada tanto por Eusébio de Cesareia como pela peregrina Egéria, e é influenciada pela tradição judaica como por exemplo na imagem da “subida” para Deus não apenas física – embora catedrais e mosteiros estejam quase sempre em posições elevadas – mas também espiritual, entendida como purificação e recolhimento para escutar a sua Palavra. Inicialmente era celebrada em Belém para evidenciar que tudo tinha começado ali e era unida à festa de Pentecostes, celebrada na tarde do mesmo dia.

Mas no século V-VI já estavam separadas como demonstram São João Crisóstomo e Santo Agostinho que dedicaram várias homilias à Ascensão.

 

O significado da Ascensão

Retornando ao Pai, Jesus conclui um ciclo, que atravessou a sua existência humana para voltar aos céus, mesmo permanecendo vivo e presente na Igreja. Mas é graças ao momento da Ascensão que esta dicotomia entre céus e terra é superada: Jesus parte, mas apenas precede – como um irmão, como um rei e como o Filho predileto -, todos os homens no paraíso, ali onde está Deus.

Como um homem, Jesus tinha descido aos infernos para salvar Adão e assim, com a Ascensão, reitera mais uma vez que o céu é o destino que o homem deve almejar, a santidade, resumindo o sentido do mistério da Encarnação e o objetivo final da salvação. A glorificação da natureza humana, encarnada pelo Verbo em toda a sua pobreza e mais tarde, elevada aos céus por Ele, é muito bem explicada em várias orações da tradição bizantina nas quais superar-se a disputa entre céu e terra.

 

“À direita do Pai”

Há muitos pontos, dentro dos Evangelhos, nos quais Jesus prefigura o que acontecerá na Ascensão, por exemplo na Última Ceia, quando anuncia “vou ao Pai”. E o lugar à direita do Pai é, justamente, o lugar de honra, o Filho predileto que por amor se fez carne, morreu e ressuscitou para salvar a humanidade.

Aquele lugar é seu para sempre, porque Jesus antes de ser um homem é Filho do Pai e junto d’Ele tem a glória eterna. Portanto, Jesus sobe aos céus para dar início ao reino que não tem fim, mas também para preparar o nosso lugar no céu.

Se Jesus não retornasse ao Pai nos céus, não haveria redenção nem salvação para o homem: de fato, só assim Ele completa a Sua Ressurreição enviando ao mundo, em seguida, o Consolador.

Fonte: Vatican News