Santos Anjos da Guarda, companheiros na caminhada

 

A existência dos Anjos é um dogma de fé, definida várias vezes e em muitas ocasiões pela Igreja, desde o Concílio de Nicéia ao Vaticano I. Tudo o que lhes diz respeito faz parte de um estudo próprio, denominado “angelologia”. O Magistério eclesial afirma: os anjos são seres totalmente espirituais, sem corpo, imortais e imutáveis, que se tornam visíveis apenas para manifestar a sua ação.

História litúrgica

A memória litúrgica dos Santos Anjos é celebrada em 2 de outubro, desde 1670, por desejo do Papa Clemente X. A Igreja ortodoxa prefere celebrar em 11 de janeiro. Antigamente, a sua festa era celebrada em 29 de setembro, junto com a dos três Santos arcanjos: Miguel, Gabriel e Rafael. Porém, sua data foi diferenciada, tornando-se, de modo particular, memória própria dos Anjos da Guarda: primeiro, na Espanha, no século XV; depois, se difundiu em Portugal, Áustria e, por fim, em toda a Europa.

A devoção aos Anjos da Guarda é mais antiga do que aos santos

Na verdade, a devoção aos Anjos é mais antiga que aos santos, de modo especial na Idade Média. Isso, graças aos monges eremitas, que viviam uma vida de recolhimento, silêncio e oração, em companhia só dos seus Anjos da Guarda. Finalmente, em 2005, o Parlamento italiano, inspirando-se na figura dos Anjos da Guarda, introduziu, na mesma data de 2 de outubro, a celebração civil da Festa dos Avós, verdadeiros Anjos da Guarda de suas famílias.

Quem são os anjos?

O termo “anjo” indica uma criatura celeste bem próxima de Deus. Seu nome é citado 175 vezes no Novo Testamento e pelo menos 300 no Antigo, em que vem especificada a função desta milícia sobrenatural, dividida em nove hierarquias: Querubins, Serafins, Tronos, Dominações, Poderes, Virtudes Celeste, Principados, Arcanjos, Anjos. Estes espíritos puros, dotados de inteligência e vontade, são chamados, muitas vezes, mensageiros ou intérpretes das ordens divinas; eles se manifestam, sobretudo, em momentos cruciais da história da salvação. Com efeito, o IV Concílio de Latrão definiu, como verdade de fé, o fato de que, se alguns anjos abusarem da sua liberdade, poderão cair no pecado: foi o que aconteceu com Lúcifer, o mais bonito de todos, que, ao pecar, por orgulho, contra Deus, caiu nas profundezas do inferno.

A função do Anjo da Guarda

As funções, atribuídas aos anjos pela Sagrada Escritura, são as de acompanhar o homem no caminho do bem e oferecer ao Senhor. Além das nossas orações e sacrifícios. De fato, no Batismo, todo cristão recebe, como dom de Deus, o próprio Anjo da Guarda, uma presença invisível, mas real. O anjo o acompanha e guia ao longo de toda a sua existência: é um companheiro de viagem. Ao longo dos séculos, apesar de invisíveis, os anjos foram representados de várias maneiras: adoradores, músicos, túmulos, igrejas, esculturas, pinturas…

Minha oração

“Santo Anjo do Senhor, meu zeloso guardador, se a ti me confiou a piedade divina, sempre me rege, me guarde, me governe, me ilumine. Amém!”

Foto: wikipedia.org

Fonte: Canção Nova

Sábado, dia da Mãe de Deus

Rita de Sá Freire – Cada sábado nos lembra Maria. Por quê? Segundo a tradição, a Igreja tem por costume dedicar o Sábado a Nossa Senhora pelo fato de ter sido no primeiro Sábado Santo, que Ela viveu sem ter Jesus vivo. Esse dia foi considerado o Sábado da solidão, do deserto, da morte e do luto. Foi o dia em que Maria Santíssima chorou e sofreu pela ausência de seu Filho. Mas também foi neste sábado que a Igreja estava viva no coração crente de Maria. Pois no seu coração, apesar de toda a dor, ficou acesa a chama da fé.

Podemos pensar que foi no sábado que precedeu a Ressurreição de Jesus que a Virgem Maria viveu o mistério da dor, profetizado por Simeão: “Uma espada de dor transpassará tua alma” (Lc 2,35). Entretanto, Ela manteve-se firme na fé, com esperança inabalável em seu Doloroso e Imaculado Coração, aguardando a Ressurreição d’Ele. De acordo com a Exortação Apostólica Marialis cultus sobre o Culto da Virgem Santíssima na Liturgia:

“Não se deve esquecer, por outro lado, que o Calendário romano geral não registra todas as celebrações de conteúdo mariano: é ao Calendário particular que compete recolher, com fidelidade as normas litúrgicas mas também com cordial adesão, as festas marianas próprias das diversas Igrejas locais. E falta ainda acenar à possibilidade de uma comemoração litúrgica frequente da Virgem Santíssima, mediante o recurso à memória de Santa Maria “in Sabbato”: memória antiga e discreta, que a flexibilidade do Calendário atual e a multiplicidade de formulários do Missal tornam extremamente fácil e variada.”

Com o passar do tempo, muitos fiéis passaram a celebrar o dia de sábado com muitos atos de piedade cristã, em honra da Virgem Santíssima, tais como: recitando as “Mil Ave-Marias”, rezando o terço em família e o Ofício da Imaculada Conceição, indo à Missa, recebendo a Eucaristia, realizando obras de amor ao próximo.

Nas aparições de 13 de junho e 13 de julho de 1917, Nossa Senhora de Fátima, chamou a atenção de Lúcia para o costume de dedicar os sábados em Sua honra e rezar o terço em reparação: “Jesus quer estabelecer no mundo a devoção do meu Imaculado Coração”. Depois os três pastorinhos viram Nossa Senhora tendo em sua mão direita um coração cercado de espinhos. Compreenderam que era o Coração Imaculado de Maria, ultrajado pelos pecados da humanidade, que pedia reparação.

“Se fizerem o que vou vos dizer, muitas almas serão salvas e haverá paz. […] Voltarei para pedir a consagração da Rússia ao meu Coração Imaculado e a devoção reparadora dos primeiros sábados (de cada mês).”Honrar Nossa Senhora especialmente nos sábados vem nos recordar que a Mãe de Deus quer nos apontar a direção de seu Filho que é o Senhor dos nossos dias e todos os outros dias da semana.

Vivamos o primeiro sábado deste ano na fé e expectiva de Maria, pedindo que ela interceda por nós e mantenha viva a fé em nossos corações, mesmo que sobrevenham dores e provações.

Nossa Senhora da Solidão, rogai por nós!

Fontes consultadas:
– Bíblia Sagrada Ave Maria – Edição Pastoral.
– Exortação Apostólica Marialis cultus do Santo Padre Paulo Vi para a reta ordenação e desenvolvimento do culto à bem-aventurada Virgem Maria.
– SÁ FREIRE, Rita de : Mensagem de Nossa Senhora de Fátima: O plano Divino de Paz e Salvação. Ed. Petrus, 2011. São Paulo – SP.
– Catecismo da Igreja Católica
– Pe. Antonio Lorenzatto, Livro da Família 1997.
-https://www.mariadesatadoradosnos.com.br/o-dia-de-nossasenhora/
Fonte: a12.com
Fotos: Fiore Bagatelo, em cathopic.com

Festa da exaltação da Santa Cruz

 

Esta festa de Exaltação da Santa Cruz nasceu em Jerusalém, em 13 de setembro de 335, no aniversário da dedicação das duas igrejas construídas por Constantino, uma sobre o Gólgota (ad Martyrium) e a outra perto do Santo Sepulcro (Ressurreição), após a descoberta das relíquias da cruz por Helena, a mãe do imperador. A cruz, instrumento da mais terrível das torturas, em 320, Constantino a proibiu de ser utilizada.

Restituição da Cruz 

Em 614, Cosroes II, rei dos Persas, travou uma guerra contra os Romanos. Depois de derrotar Jerusalém, levou consigo, entre os diversos tesouros, também a Cruz de Jesus. Heráclio, imperador romano de Bizâncio, propôs um pacto de paz com Cosroes, que não aceitou. Diante da sua negação, entrou em guerra com ele e venceu, perto de Nínive, e pediu a restituição da Cruz, que a levou de volta a Jerusalém. Neste dia da Exaltação da Santa Cruz, não se glorifica a crueldade da Cruz, mas o Amor que Deus manifestou aos homens ao aceitar morrer na Cruz.

 

 

Cruz: o amor de Deus para conosco

O Evangelho, que a liturgia nos propõe na festa da Exaltação da Santa Cruz, diz que Deus pretende construir uma relação de amor com cada um de nós; Ele se oferece na pessoa do seu Filho Jesus, pregado na Cruz.

O fato de levantarmos o olhar para Deus nos propõe uma verdade importante: somos convidados a voltar a nos relacionarmos de novo com Ele.

A Misericórdia

O fato de elevar o nosso olhar não nos deve causar medo, mas gratidão, porque tal elevação é a medida do amor com a qual Deus ama os seus filhos no Filho. Com efeito, a misericórdia de Deus ilumina as noites da nossa vida e nos permite continuar o nosso caminho.

Não há espaço para indiferença

Não podemos permanecer indiferentes diante da Cruz de Jesus: nem com Ele nem contra Ele. Trata-se de uma escolha, que deve ser feita antes de qualquer ação. A vida do cristão é o testemunho de quanto “Deus nos amou a ponto de dar seu Filho Jesus”.

Festa

A festa da Exaltação da Santa Cruz, em 14 de setembro, conservou-se nos documentos. Contudo, na litúrgica, andou muito lentamente, sobretudo porque o dia 14 estava já ocupado pelos santos mártires Cipriano e Cornélio. A reforma litúrgica pós-conciliar restabeleceu a importância do dia de hoje, que é festa.

 

 

Significado da Cruz 

Para o cristão, a cruz significa a árvore da vida, o trono, o altar da Nova Aliança: de Cristo, o novo Adão adormecido na cruz, brotou o admirável sacramento de toda a Igreja. A cruz é o sinal de Cristo sobre aqueles que no Batismo são configurados a Ele em morte e glória.

 

Fotos: cathopic.com

Texto: Canção Nova

Festejamos o nome de Maria

Ir. M. Nilza P. da Silva – Hoje, 12 de setembro celebramos a festa do Nome de Maria.

Festa do Nome de Maria! O seu início oficial vem do ano de 1683, quando o Papa Inocêncio XI a instituiu em gratidão por uma vitória em uma batalha contra os inimigos da Igreja. Embora o exército romano fosse bem menor e com poucas chances, enfrentaram o inimigo confiando no nome de Maria e ela assegurou a salvação da Igreja.

Quando Lucas começa a narrar a encarnação de Deus, o anúncio do anjo, ele identifica a escolhida para ser Mãe do Filho de Deus: “E o nome da Virgem era Maria.” (Lc. 1, 27) O nome personaliza, dá a identidade para uma pessoa, diferencia-a de todas as outras pessoas.

O amor de Deus para conosco é um amor pessoal. Deus não ama somente todos os seus filhos, mas ele ama a cada um. Lemos em Isaías 43,2: “Não temas, porque eu te remi; chamei-te pelo teu nome, tu és meu.” Cada um de nós é único, é amado em sua estrutura original, conhecido pessoalmente, aceito e acolhido por Deus Pai. Ele não se desilude conosco, porque também não se ilude: ele nos conhece exatamente como somos, por dentro e por fora. Ele nos chama pelo nome, isto é: sabe exatamente como somos. “O Senhor chamou-me desde meu nascimento; ainda no seio de minha mãe, ele pronunciou meu nome. Eis que estás gravada na palma de minhas mãos.”  (Isaías, 49, 1;16)

Peçamos a Maria que nos ajude a educar-nos como homens novos, personalidades autênticas, segundo o ideal pessoal que Deus concedeu a cada um. Que Ela nos ajude a amar a Deus sobre todas as coisas, “não tomar o seu nome em vão”. Para isso, rezemos, com o Pe. José Kentenich:

“Querida Mãe de Deus, o teu nome é muito pouco pronunciado na vida pública e, até na própria Igreja; é muito pouco amado
e, muitas vezes, até desconsiderado e conscientemente rejeitado.

Por isso, a partir de teu Santuário Ele deve ser proclamado com maior vigor reconhecido com fé ainda maior, pronunciado com mais confiança e alegria e mais intimamente amado.

Em nossos Santuários no mundo inteiro, será despertado por ti, querida Mãe, o novo cristão e a nova sociedade cristã.” (Livro: Orações à Mãe de Deus)

Fonte: schoenstatt.org.br

 

“E o nome da Virgem era Maria”

 

Karen Bueno – Segundo o projeto ‘Nomes do Brasil’, do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia Estatística), o Brasil tem 11,7 milhões de “Marias” em sua população. Este tornou-se o nome mais comum entre as brasileiras e ocupa o 1º lugar no ranking nacional.

“Maria” é um nome muito antigo e, por isso, de origem incerta. Provavelmente vem do hebraico Myriam, que significa “senhora soberana” ou “a vidente”. É possível, ainda, que derive de Maryáh, que quer dizer literalmente “a pureza”, “a virtude”, “a virgindade”. Há autores que atribuem a origem do nome Maria à raiz egípcia mry, que significa “amar” [1].

Por que resgatamos esses dados?

Em 12 de setembro a Igreja celebra o “Santíssimo Nome de Maria”: uma memória litúrgica instituída pelo Papa Inocêncio XI em 1683.

O nome de uma pessoa é algo muito importante e simbólico na Bíblia, pois representa a própria pessoa. O Pe. José Kentenich explica: “Fala-se, na história da Criação, que Deus conduziu a Adão todos os animais para que lhes desse um nome. O nome é a expressão da essência de um ser. Adão, portanto, devia observar os animais, descobrir sua natureza e, só depois, poderia dar-lhes o nome correspondente” [2].

Um nome gravado no coração

Quando selamos uma Aliança de Amor com a Mãe de Deus, é como se gravássemos nosso nome no coração dela e, ao mesmo tempo, gravássemos “Maria” em nosso coração. Certa vez o Pe. José Kentenich faz uma brincadeira com isso: “Hoje fazem-se muitas cirurgias do coração. Se pudéssemos fazer uma cirurgia na Mãe de Deus, veríamos que nosso nome está escrito no seu coração” [3]. Ele brinca porque está convencido de uma coisa: “[Pela Aliança de Amor] O meu nome também está gravado da mesma forma no coração maternal de Maria. Nenhum poder da terra e dos céus pode arrancá-lo ou apagá-lo dali; nem meus pecados o conseguirão…”

 

As “Marias” do Brasil

 

As cinco ‘Marias’ e o pequeno José, junto com o pais Fernando e Vivian Fregonesi, da União de Famílias de Schoenstatt

 

É impossível conversar com todas as 11,7 milhões de “Marias” em nossa pátria, mas podemos ouvir uma mãe que escolheu esse nome para suas cinco filhas. Vivian Fregonesi, de Brasília/DF, explica: “Escolhemos o nome de Maria, para todas as nossas filhas, pela grande devoção a Nossa Senhora, que desde sempre tivemos. Um nome que as acompanhará sempre em forma de proteção e bênçãos em suas vidas”.

Para Maria Eduarda, Maria Antônia, Maria Paula, Maria Júlia e Maria Estela Fregonesi é um presente serem chamadas como a Mãe de Deus. “Para mim, ter o nome Maria é ter a responsabilidade de ser como a Mãe de Deus foi. É uma alegria, eu realmente não tenho palavras para descrever esse nome, é simplesmente uma benção”, comenta a Maria Eduarda.

“E o nome da Virgem era Maria” (Lc 1, 27)

Há muitas mulheres que não se chamam “Maria”, mas têm as derivações dos títulos de Nossa Senhora: Aparecida, Fatima, Piedade, Lourdes, Socorro, Guadalupe… Independentemente do nome que os pais escolheram, em cada ser humano há traços da Mãe de Deus, como canta a música: “Em cada mulher que a terra criou, um traço de Deus Maria deixou…” [4].

É essa imagem da Mãe que buscamos incorporar, seja qual for o nosso nome: “Eterno Pai, repete também sobre cada um de nós a palavra poderosa e repleta de amor: faça-se, faça-se a pequena Maria, como imagem da grande Maria!” [5]

Assim, Mãe de Deus, “corajosos, queremos propagar o teu nome e conduzir todos ao teu Santuário, para que, plenos de júbilo e amor, aqui na terra e lá no céu, contigo bendigam ao Deus Trino” (Rumo ao Céu, 511).

 

Neste dia de festa, ouça a canção “Tu sussurraste meu nome baixinho”:

 

 

 

Referências:

[1] dicionariodenomesproprios.com.br/maria

[2] KENTENICH, Pe. José; NAILIS, Ir. M. Annette. Santidade de Todos os Dias. A Vinculação ao Trabalho. O trabalho é uma fonte de felicidade

[3] KENTENICH, Pe. José. Às Segundas-Feiras ao Anoitecer, Diálogos com famílias, vol. 21. Nossa vida à luz da fé. 8 de maio de 1961.

[4] Canção “Maria de Nazaré”, composição: Pe. José Fernandes de Oliveira (Pe. Zezinho)

[5] KENTENICH, Pe. José. Viver da Fé, Sermões em Milwaukee, vol 3. Impresso pelo Instituto Secular dos Padres de Schoenstatt. São Paulo/SP, 1977.

Fonte: schoenstatt.org.br

Nasce Maria e renasce a humanidade

 

Ir. M. Nilza P. da Silva – A cabeça já se ocupa com a festa dias antes, porque o coração pede que o amor se expresse em presentes. Fazemos uma surpresa, despertamos com um canto, enviamos flores, agendamos uma visita, quando ela menos espera, ligamos bem cedinho para dar parabéns! É assim que vivemos o aniversário de nascimento de uma pessoa que amamos. A lembrança de seu dia de festa toca os acordes do coração e ressoa uma melodia de amor que ilumina nosso semblante e faz fluir mil ideias para causar alegrias a essa pessoa amada.

Hoje é aniversário de Maria. Desde o século VII, a Igreja celebra a sua natividade nesse dia, nove meses após a festa da sua Imaculada concepção. Esse bebê recém-nascido, que chora nos braços de sua mãe Ana, mostra que a grande promessa de Deus para a salvação da humanidade está prestes a se cumprir, pois ela é a “aurora de nossa salvação”, como escreveu o Papa Paulo VI [1].

São João Paulo II diz que, ao olharmos para a pequena Maria, “contemplamos uma menina como todas as outras, e ao mesmo tempo única, a ‘bendita entre as mulheres’ (Lc 1, 42).” [2] Maria Kleinemeyer, que por muitos anos foi secretária do Pai e Fundador, nos EUA, diz que “quando Pe. Kentenich falava sobre a dignidade, a beleza e o poder de Maria, a comparava com um grande mar, do qual se pode ver bem o começo, mas, o fim fica sempre fora do alcance de nossa visão. Assim é Maria, cuja beleza, dignidade e poder são quase ilimitados.” [3]

 

Nela o céu e a terra se encontram

Ela traz a “plenitude dos tempos”, pois, “no ventre de Maria, Deus e a humanidade se uniram e nunca mais se deixaram.” (Papa Francisco) [4]

Em 18 de outubro de 1914, por assim dizer, se repete esse nascimento e essa unidade, pois, mais uma vez, Maria desce do céu e estabelece morada entre nós, para selar uma Aliança de Amor conosco e unir-nos mais estreitamente a seu Filho Jesus. Maria nasce de novo, também, cada vez que me entrego sem reservas a ela. Nela a humanidade é reconstruída, pois ela gera Cristo, que restabelece em nossa dignidade e semelhança com Deus.

Vamos causar alegrias à nossa querida Mãe e as ideias para isso fluem do amor que cada um de nós tem por ela, quanto mais amor e proximidade, tanto mais criativos somos. Pe. Kentenich, quando estava aqui no Brasil, convidou-nos: “Em vez de simplesmente, contemplá-la, proponho-me aprender a amá-la ternamente. Quero amá-la, acolhê-la no meu coração, fazer tudo por ela. Quero amar a Mãe de Deus como talvez nunca ninguém a tenha amado.” [5]

 

                                       São Joaquim e Sant’Ana com Maria bebê

 

 

Referências

[1] Papa Paulo VI, Marialis Cultus

[2] http://www.vatican.va/content/john-paul-ii/pt/audiences/2004/documents/hf_jp-ii_aud_20040908.html

[3] Testemunhos sobre o Pe. Kentenich, ed. espanhol

[4] https://www.vaticannews.va/pt/papa/news/2020-01/papa-francisco-homilia-missa-solenidade-santa-maria-mae-deus1.html

[5] Pe. José Kentenich, 6 de agosto de 1949

 

Semana Nacional da Família 2024: “Família e “Amizade”

 

Dom Anuar Battisti / Arcebispo Emérito de Maringá (PR) – Entre os dias 11 e 17 de agosto de 2024, a Igreja no Brasil celebra a Semana Nacional da Família, uma ocasião especial para refletir, fortalecer e renovar os laços familiares à luz da fé cristã. O tema deste ano, “Família e Amizade”, e o lema “Amizade, uma forma de vida com sabor do Evangelho”, estão em sintonia com a Campanha da Fraternidade 2024, que convida todos os fiéis a viver a fraternidade de maneira concreta e autêntica. 

A família é o núcleo fundamental da sociedade, onde os valores e princípios são transmitidos de geração em geração. É no seio da família que aprendemos o significado do amor, do respeito, da solidariedade e da fé. No entanto, em um mundo cada vez mais globalizado e digitalizado, as relações familiares e de amizade muitas vezes são desafiadas por uma série de fatores, como a falta de tempo, o estresse cotidiano e a influência das redes sociais. 

O tema “Família e Amizade” nos chama a atenção para a importância de cultivar relações saudáveis e genuínas dentro e fora do ambiente familiar. A amizade, vista como uma forma de vida com sabor do Evangelho, é um convite a viver o mandamento do amor de maneira concreta, partilhando, apoiando e caminhando juntos na fé e na vida. 

O lema “Amizade, uma forma de vida com sabor do Evangelho” nos lembra das palavras de Jesus: “Ninguém tem maior amor do que aquele que dá a vida pelos seus amigos” (João 15,13). A verdadeira amizade, conforme ensinada por Cristo, é caracterizada pelo amor abnegado, pela confiança mútua, pelo apoio nos momentos difíceis e pela alegria compartilhada nas conquistas. 

Nesta Semana Nacional da Família, somos convidados a refletir sobre como podemos viver a amizade de acordo com os ensinamentos de Jesus. Isso inclui sermos mais presentes na vida de nossos familiares e amigos, dedicando tempo de qualidade a eles, escutando com atenção, oferecendo apoio e encorajamento, e sendo testemunhas do amor de Cristo em nossas relações diárias. 

Durante a Semana Nacional da Família, paróquias e comunidades em todo o Brasil promoverão uma série de atividades para envolver as famílias e incentivar a vivência do tema proposto.

A Semana Nacional da Família 2024 é uma oportunidade preciosa para redescobrirmos o valor da família e da amizade em nossas vidas. Ao viver o lema “Amizade, uma forma de vida com sabor do Evangelho”, somos chamados a ser testemunhas do amor de Cristo, cultivando relações autênticas e duradouras que refletem a bondade e a misericórdia de Deus. 

Que possamos aproveitar este tempo de graça para renovar nossos compromissos familiares e de amizade, e que, inspirados pelo Evangelho, possamos construir uma sociedade mais justa, amorosa e fraterna. 

Fonte: CNBB

A paternidade segundo o pensar do Padre José Kentenich

João Caetano e Maria Inês Faro – Para se entender o pensar do Pe. José Kentenich sobre a paternidade humana, precisamos mergulhar nos seus ensinamentos onde ele sempre apresentou essa paternidade como uma extensão ou reflexo da paternidade divina. Em outras palavras, o Pe. Kentenich ensinava que o pai terreno deve ser um transparente do Pai Celeste. Assim, o bom pai é aquele que encarna ser pai como uma missão e uma extensão a partir da paternidade do próprio Deus – que é o nosso Pai por excelência porque fonte e origem de toda vida.

Como é a paternidade de Deus? Qual é a correta imagem que devemos cultivar de Deus, para então termos um relacionamento correto com Ele? Se quero ser um bom pai para meus filhos, e desejo que meu amor seja reflexo do amor paternal de Deus para eles, então é importante que eu cultive uma imagem correta desse Deus que quero transparecer para os meus.

Comecemos pensando, então, em imagens falsas de Deus, que talvez estejam presentes em nossa vida por uma catequese deficiente, em muitos pontos talvez até mesmo deturpada.

Deus não é assim…

Uma imagem falsa de Deus é, por exemplo, quando nós o vemos como ditador, como – usando aqui uma imagem figurativa – um “inspetor de polícia” que somente se preocupa com o cumprimento minucioso das leis por Ele promulgadas, que fica feliz quando pode punir alguém por uma falta cometida…

Deus também não é um legislador que se compraz em criar normas e mais normas, para atormentar as pessoas que desejam ser fiéis cumpridores dos seus mandamentos…

Deus não é um juiz, preocupado em criar um exército de seguidores que não o servem por amor, mas sim por temor…

Deus também não é um pai “avozinho”, alguém que tem medo de impor exigências aos filhos, que se contenta se as pessoas o colocam num canto da sala, meio esquecido, sem incomodar…

Uma última imagem incorreta, que também podemos citar, é aquela onde Deus é um pai exageradamente humanizado, que não permite sofrimentos e dor ao filho ou o afasta do mistério da cruz.

O Pe. Kentenich, durante toda a sua vida, experimentou e pregou o amor ao Deus verdadeiro, ao Deus dos altares – basta ver como o Fundador valorizava a Eucaristia e demais sacramentos -, ao Deus das Sagradas Escrituras – recordemos as orações que ele compôs no Rumo do Céu –, mas, sobretudo, durante toda a sua vida, o Pe. Kentenich buscou e amou o Deus da vida e da história. É esse Deus que ele nos apresenta como modelo de verdadeira paternidade a ser seguido. E o próprio Pe. Kentenich viveu esse modelo na sua vida na medida em que foi se entendendo não somente como o fundador de uma grande Obra, mas como pai para muitos, a quem hoje chamamos de Pai e Fundador da grande Família de Schoenstatt no vasto mundo.

 

 

Que características tem esse pai que o Pe. Kentenich nos apresenta, imagem e transparência de Deus?

É um pai educador, um pai bondoso, mas também ciumento, e, sobretudo, um pai misericordioso. Um pai revelado nas escrituras como o que nos cria e vai formando através da história, como está escrito: “Contudo, Senhor, tu és o nosso Pai. Nós somos o barro, tu és o oleiro. Todos nós somos obra de tuas mãos” (Isaias 64, 8).

O Pe. Kentenich nos apresenta um ideal do homem a ser perseguido, ou seja, o barro deve ir sendo moldado pelas mãos do oleiro. De acordo com a sua natureza, o ideal do homem é ser “puer et pater”, ou seja, ser “filho e pai”. Ninguém pode ser pai se, antes, não aprendeu a ser filho. A paternidade terrena, inicialmente, é expressão da paternidade cuja origem é Deus. Depois, é um meio para gravar no filho a paternidade divina. Por último, é também uma contínua proteção da imagem do pai natural e do Pai Celestial para os filhos. O homem começa a ser pai quando aprende a educar-se a si mesmo. Ao iniciar esse processo de autoeducação, o homem se reconhece pequeno, filial, se coloca singelamente nas mãos de Deus. Por essa atitude vivencia o que Jesus ensinou: “Em verdade vos digo que, se não vos converterdes e não vos tornardes como as crianças, de modo algum entrareis no Reino dos Céus” (Mt 18, 3).

Buscando a vinculação com o Pe. Kentenich, lutemos por restaurar a figura de Deus como Pai em nossa vida, em nossa casa, na sociedade em geral e na Igreja. Seguindo os passos do Pai e Fundador, sejamos educadores educados, saibamos formar nossos filhos apontando-lhes elevados ideais e aprendamos a impor exigências sadias aos nossos filhos, com a firmeza necessária sempre misturada com ternura e misericórdia. O Pe. Kentenich ensinou, pela sua vida, que a educação é processo que exige amor, mas também liberdade, pois jamais se conseguirá educar verdadeiramente numa atmosfera dominada pelo medo.

Que nesse mundo confuso em que vivemos hoje, marcado por falsas imagens de Deus e por confusos conceitos de educação, possam os ensinamentos do Pe. José Kentenich ser uma luz para todos aquele que deseja educar de maneira correta e eficaz formando, em seus filhos e educandos, personalidades livres, fortes e com o coração no mais além.

 

* Contribuição do Instituto de Famílias de Schoenstatt

Foto: Cathopic.com

Fonte: schoenstatt.org.br

São Lourenço e o Dia do Diácono

Por ocasião da Festa de São Lourenço, diácono e mártir da Igreja, neste dia 10 de agosto também é celebrado o Dia dos Diáconos Permanentes.

No século III, São Lourenço era um dos 7 diáconos de Roma que ajudavam o Papa Sisto II, o qual o nomeou administrador dos bens da Igreja e permitiu que distribuíssem esmolas aos pobres e necessitados.

Na história da Igreja, os diáconos sempre ajudavam os sacerdotes a desenvolver seu ministério. Embora o diácono tenha recebido o sacramento da Ordem, este não é propriamente um sacerdote e, portanto, não tem suas potestades.

 

O sacramento da ordem e o diaconato

O sacramento da Ordem tem três graus – episcopado, presbiterato e diaconato – que estão explicados entre os numerais 1554 e 1571 do Catecismo da Igreja Católica (CIC).

O diácono se ordena ao ministério da palavra, da liturgia e da caridade. Sua função principal é a assistência qualificada ao sacerdote nas celebrações e não é simplesmente um “ajudante”.

As outras funções dos diáconos estão explicadas na constituição dogmática Lumen Gentium e nos cânones 757, 835, 910, 943 e 1087 do Direito Canônico.

Algumas destas competências são: o batismo, conservar e distribuir a Eucaristia, ser ministros da exposição do Santíssimo e da bênção eucarística, ser ministro ordinário da sagrada comunhão, levar o viático aos doentes terminais, em nome da Igreja assistir e abençoar o matrimônio, ler a Sagrada Escritura aos fiéis, administrar os sacramentais como por exemplo a água benta, a bênção das casas, imagens e objetos, presidir o ritual fúnebre e o sepultamento.

O diaconato considerado em si mesmo como ministério permanente decaiu no ocidente depois do século V, e este primeiro grau do sacramento da ordem foi reduzida a uma simples etapa para chegar ao grau sucessivo, ou seja, ao sacerdócio.

 

O diaconato permanente após o Concílio Vaticano II

Depois do Concílio Vaticano II, foi restabelecido o diaconato “como um grau particular dentro da hierarquia”.

A constituição Lumen Gentium especifica no numeral 29: “Com o consentimento do Romano Pontífice, poderá este diaconado ser conferido a homens de idade madura, mesmo casados, e a jovens idôneos; em relação a estes últimos, porém, permanece em vigor a lei do celibato” (EV, 1/360).

Estes deverão ter uma preparação durante 3 anos para receber as sagradas ordens, conforme está estabelecido no Código de Direito Canônico numeral 236.

O Papa Paulo VI, em sua carta apostólica Sacrum diaconatus ordinem de 18 de junho de 1967, assinala que a ordem do diaconato “não deve ser considerada como simples grau para ascender ao sacerdócio, mas recebe tal riqueza pelo seu carácter indelével e pela sua graça particular que aqueles que a ele são chamados podem dedicar-se de modo estável aos ‘mistérios de Cristo e da Igreja’” (EV, 2/1369).

Foto: Diocese de Itabira

Fonte: Acidigital

Festa da Transfiguração do Senhor

Hoje Igreja celebra a festa da transfiguração de Senhor no monte Tabor.

Origem da festa

Esta festa é posterior à da Exaltação da Cruz (14 de setembro), da qual depende a sua data, marcada para 6 de agosto, 40 dias antes da Exaltação da Cruz. A festa começou a ser celebrada, também no Ocidente, a partir do século IX, quando foi inserida no calendário romano pelo Papa Calisto III, em 1457: uma ocasião histórica pela feliz recordação da vitória contra os Turcos, ocorrida no ano anterior, que ameaçavam seriamente o Ocidente.

O ponto central da festa, naturalmente, é o mistério da Transfiguração: a visão do venerável “Ancião” no trono de fogo e a aparição do “Filho do Homem” (Cf. primeira leitura).

«Seis dias depois, Jesus tomou consigo a Pedro, Tiago e João, e conduziu-os a sós a um alto monte. E transfigurou-se diante deles. Suas vestes tornaram-se resplandecentes e de uma brancura tal, que nenhum lavadeiro sobre a terra as pode fazer assim tão brancas. Apareceram-lhes Elias e Moisés, e falavam com Jesus. Pedro tomou a palavra: “Mestre, é bom para nós estarmos aqui; faremos três tendas: uma para ti, outra para Moisés e outra para Elias”. Com efeito, não sabia o que falava, porque estavam sobremaneira atemorizados. Formou-se então uma nuvem que os encobriu com a sua sombra; e da nuvem veio uma voz: “Este é o meu Filho muito amado; ouvi-o”. E olhando eles logo em derredor, já não viram ninguém, senão só a Jesus com eles. Ao descerem do monte, proibiu-lhes Jesus que contassem a quem quer que fosse o que tinham visto, até que o Filho do Homem houvesse ressurgido dos mortos. E guardaram esta recomendação consigo, perguntando entre si o que significaria: “Ser ressuscitado dentre os mortos”» (Mc 9, 2-10).

Os três discípulos na montanha

Tiago, João e Pedro, os três discípulos escolhidos e mais próximos de Jesus, foram testemunhas da ressurreição da filha de Jairo (Cf. Mc 5,37-43), e, depois, também da oração de Jesus no Getsêmani, às vésperas da sua Paixão (Cf. Mc 14,32-42).

 

 

“A montanha – recorda o profeta Isaías – é a casa do Senhor, que se eleva acima dos montes” (Is 2,2; Mq 4,1). Esta subida à montanha evoca outras “subidas” e outras experiências da manifestação de Deus: o monte Horeb/​​Sinai (Ex 3,1; 24,12-18), a subida e descida de Moisés (Cf. Ex 19,24), a experiência de Elias (cf. 1 Reis 19,8ss). Sobre o monte, Jesus revela aos seus três discípulos que a sua vida é muito mais profunda do que “veem” e “sabem”. Mas, o mais interessante, é a revelação que Jesus faz da sua paixão e morte, rumo às quais se dirige: não significam destruição ou fim de tudo, mas a plena realização da sua pessoa, porque é uma passagem para a glória.

Transfigurou-se em diálogo com Moisés e Elias

O evangelista é muito breve ao relatar isso. Sabemos, através de Lucas, que Jesus subiu para rezar: logo, a Transfiguração é um acontecimento de oração, onde Jesus mostra ser uma só coisa com o Pai (Cf. Jo 10,30). Naquele diálogo, onde “suas vestes eram resplandecentes de brancura”, Jesus revela ser a Luz do mundo (Cf. Jo 12,46).

Elias, pai dos profetas, e Moisés, custódio da lei, representam toda a história do Antigo Testamento. Moisés teve o dom de receber, várias vezes, as manifestações de Deus. Por esta sua intimidade e amizade com Deus, seu rosto brilhava (Cf. Ex 34,29-35). Ao lado de Moisés, Elias, pai dos profetas, que também subiu à montanha, ouviu a Deus como um “murmúrio de uma leve brisa, um vento sutil” (1 Reis 19,12). Ele é a síntese ideal de toda a multidão de profetas, que se concluiu com João Batista, o último dos profetas, o “novo Elias” (Cf. Mt 11,14).

Nesta narração, à qual o evangelista Lucas acrescenta “e falavam da morte dele, que se havia de cumprir em Jerusalém” (Lc 9,31), Jesus se revela como autêntico intérprete da Lei e da Profecia, aquele que “começando por Moisés, percorrendo todos os profetas, explicava-lhes o que dele se achava dito em todas as Escrituras” (Cf. Lc 24,27, Emaús). O evangelista Lucas faz coincidir com Moisés e Elias os “dois personagens” diante do túmulo vazio, no dia da Páscoa: “Não sabiam elas o que pensar, quando apareceram em frente delas dois personagens com vestes resplandecentes” (Lc 24,4). Eles são os que interpretam as palavras ditas por Jesus na sua vida e proclamam que Jesus, o Crucificado, ressuscitou (Cf. Lc 24,4-7).

Três tendas

Pedro, certamente, manifestou sua alegria pelo que havia visto, mas, revela também o que ainda não entendia! Será que ele pensa na alegria de poder encontrar a Deus na “tenda“? (Cf. Ex 33,7-11) ou se refere à Festa das Tendas/Sukkot, esquecendo, porém, que só Deus poderia “construir a tenda” (Cf 2Sam 7; Is 66,1ss), como está escrito no prólogo de João: “E o Verbo se fez carne e habitou entre nós” (1,14).

Uma nuvem do céu

A experiência do Êxodo continua sendo o pano de fundo: a marcha cansativa do povo no deserto, guiado por uma nuvem (Ex 13,21ss); a nuvem sobre o Monte Sinai (Ex 19,16); a nuvem que acompanhava “o tabernáculo” (Ex 40,34-35), que guardava “a Lei” de Deus; enfim, a nuvem que desceu sobre Jesus, que disse: “Os verdadeiros adoradores hão de adorar o Pai, em espírito e verdade” (Jo 4,23); assim, nem montanhas e nem tabernáculos especiais serão mais necessários.

 

Uma voz

Na hora de Jesus ser batizado, somente ele ouviu a voz do céu (Cf. Mc 1,11); agora, porém, esta mesma voz foi ouvida também pelos discípulos. Ouvi-O: é o eco do Shemá, “Ouve, Israel” (Dt 6,4) e das palavras de Moisés: “O Senhor, teu Deus, te suscitará dentre os teus irmãos um profeta como eu: é a ele que devereis ouvir” (Dt 18,15). A voz na montanha indica que, agora, somente Jesus deverá ser ouvido: Ele é a Palavra viva, a Palavra de vida e de verdade (Cf. Jo 14,6). Somente ele é a unidade de medida para ouvir Moisés e Elias: mudou o centro de gravidade. Isso cria um pouco de constrangimento entre os discípulos, porque Jesus não corresponde à imagem que tinham dele. No entanto, ele deve ser ouvido, sem se envergonhar dele e da sua Palavra (cf. Mc 8, 38).

 

Fonte: Canção Nova

Imagens: pixabay.com