Do grito do Ipiranga à liberdade da alma: O caminho da verdadeira autonomia

Do grito do Ipiranga à liberdade da alma: O caminho da verdadeira autonomia

Irmã M. Olindina Margoti – A independência do Brasil foi proclamada no dia 7 de setembro de 1822, marcando o momento em que o país deixou de ser colônia de Portugal e conquistou a sua soberania nacional. Hoje, comemoramos essa data com um feriado repleto de atividades cívicas.

No entanto, a temática da liberdade vai além das fronteiras políticas, sendo objeto de debate e reflexão nas mais diversas áreas do conhecimento. Estar livre de pressões ou exigências externas deveria ser o caminho para alcançar a paz interior e a tranquilidade emocional. Contudo, frequentemente ocorre o oposto: a história prova que a liberdade externa só ganha sentido real quando está unida a uma profunda atitude interior.

O exemplo de Dachau: A conquista da liberdade interior

O Padre José Kentenich define a liberdade não apenas como a ausência de amarras físicas, mas como uma conquista espiritual. Mesmo quando esteve preso no campo de concentração de Dachau, ele viveu num estado de prontidão de alma que lhe permitia mover-se e agir com soberana tranquilidade; a opressão externa simplesmente não o dominava.

O ápice desta entrega realizou-se no dia 20 de janeiro de 1942, quando decidiu ir livremente para o Campo de Concentração, abrindo mão da sua própria defesa. Ali, privado da liberdade física, ele demonstrou que as grades não acorrentavam a sua alma nem o impediriam de realizar a sua missão.

O dever assumido por amor

A verdadeira liberdade nasce da decisão por um verdadeiro bem. Se for o desejo de Deus, a liberdade manifesta-se até mesmo na renúncia ou num sofrimento carregados por amor, nunca por mera regra ou castigo. Padre Kentenich ensina que o ser humano precisa libertar-se do egoísmo, do orgulho, do medo e da massificação e que a liberdade não consiste em fazer tudo o que se deseja, mas em realizar o dever com responsabilidade e autonomia. Afinal, quem faz somente o que os impulsos mandam, torna-se escravo de si mesmo.

A cidadania consciente: Viver além da obrigação

Essa liberdade interior transforma a nossa rotina e as nossas obrigações diárias em atos de amor e consciência:

No trabalho: Faço-o por amor e pela convicção de que o trabalho dignifica o ser humano, tornando-o capaz de colaborar ativamente na obra criadora de Deus, e não por mera obrigação.

Na fé: Vou à missa por amor e para crescer na intimidade com Cristo, e não pelo simples cumprimento de um preceito.

Na sociedade: Observo as leis de trânsito, faço-o livremente por responsabilidade social e respeito à vida, e não apenas porque a legislação o exige.

O clamor pela Pátria: Consagração e liberdade integral

Neste dia, recordamos também a bênção da pedra fundamental do Santuário Tabor, o primeiro Santuário de Schoenstatt no Brasil, realizada pelo Padre José Kentenich, em 7 de setembro de 1947. Naquela ocasião ele disse: E agora, a grande questão: onde está o herói que faz guarda em prontidão e pode garantir a liberdade? (…) É a Mãe de Deus, que é chamada a ajudar a salvar a ordem social cristã. (…) É a Mãe de Deus que quer se estabelecer dentro de pouco tempo neste lugarzinho. (…) E a partir deste lugar, ela quer educar um povo à verdadeira liberdade, para a luta do tempo atual, para a salvação da ordem social cristã” (Do livro: Tabor Nossa Missão, p. 158 – 159). Hoje podemos constatar que a partir de nossa pátria, a Mãe, Rainha e Vencedora Três Vezes Admirável de Schoenstatt assumiu a grande tarefa de educar seus filhos à verdadeira liberdade, segundo a vontade de Deus.

Diante desse ideal, consagramos a nossa Pátria a Maria e peçamos a sua intercessão a fim de que o Brasil possa alcançar a liberdade integral e a paz. Que sejamos uma nação onde todos os direitos sejam respeitados por amor e a dignidade humana seja sempre salvaguardada.

Transfiguração do Senhor: chamados a ser um Tabor das glórias de Cristo e de Maria

Transfiguração do Senhor: chamados a ser um Tabor
das glórias de Cristo e de Maria

No dia 6 de agosto, a Igreja celebra a Solenidade da Transfiguração do Senhor. No Evangelho (Mt 17,1-9), Jesus sobe ao Monte Tabor com Pedro, Tiago e João e, diante deles, manifesta a sua glória divina. Sua face resplandece, suas vestes tornam-se brilhantes e o Pai proclama: “Este é o meu Filho muito amado; escutai-o.”

Esse acontecimento revela quem é Cristo e fortalece os discípulos para permanecerem fiéis diante da “loucura” da Cruz. Por isso, a Transfiguração não é apenas a manifestação da glória do Senhor, mas também um convite a seguir o Mestre, sem restrições.

A ideia predileta do Pai e Fundador: o Tabor

Para toda a Obra Internacional de Schoenstatt, o Evangelho da Transfiguração possui um significado especial. No Documento de Fundação, ao apresentar a ideia predileta de seu coração, o Padre José Kentenich faz referência ao Monte Tabor interpela os jovens seminaristas:

“Não seria possível que a Capelinha da nossa Congregação se tornasse o nosso Tabor no qual se manifestam as glórias de Maria? Todos os que aqui chegarem para rezar terão de experimentar as glórias de Maria e confessar: ‘É bom estarmos aqui’.”

Repetidas vezes, o Pai e Fundador recorreu à imagem do Tabor como expressão simbólica de sua fundação. Um exemplo encontra-se no Hino da Minha Terra, composto durante sua prisão no Campo de Concentração de Dachau.

A missão confiada ao Brasil

Quando chegou ao Brasil, em 1947, o Padre Kentenich encontrou um povo de alma filial e reconheceu nele um terreno fértil para a missão de Schoenstatt. Foi então que confiou à Família brasileira um grande ideal:

“O Brasil, o mundo todo, um Tabor de nossa Mãe de Schoenstatt. Cuidaremos que não somente nossa pequena Família, mas o Brasil todo, sim, grande parte do mundo, até podemos crer que o mundo inteiro, um dia se tornará Tabor de nossa Mãe e Rainha de Schoenstatt.”

Tabor: nosso ideal de vida

Assumir o Tabor como ideal significa, antes de tudo, reconhecer no Santuário o lugar onde Cristo continua a revelar suas glórias por meio da Mãe de Deus. É para esse “monte santo” que somos chamados a subir, a fim de encontrar o Senhor, experimentar sua presença e deixar-nos educar por Maria, “a grande Mulher formada e capaz de formar à imagem de Cristo”.

Essa missão, porém, exige também a nossa cooperação. À ação educativa da Mãe corresponde a disponibilidade de deixar-nos formar. Na Aliança de Amor, Maria conduz cada pessoa a Cristo, o Homem Novo, revelado pelo próprio Pai na Transfiguração: “Este é o meu Filho muito amado.”

Por isso, seja nos Santuários filiais, nos Santuários-Lar, oratórios, ermidas ou por meio da Imagem Peregrina, a Mãe, Rainha e Vencedora Três Vezes Admirável de Schoenstatt continua a conduzir seus filhos ao coração do Pai. Ela desperta em cada um a consciência de ser profundamente amado por Deus e educa para uma atitude filial marcada pela confiança, pela disponibilidade e heroísmo.

O filho Tabor

O Padre Kentenich indica um caminho muito concreto para viver esse ideal:

“Quando Pedro contemplou as glórias do Senhor no Tabor, ficou despreocupado (…). A razão de nossa despreocupação tem uma fonte profunda. É a confiança num poder que segura nas mãos todos os fios, numa mão fiel, numa mão bondosa.”

Em um mundo marcado por tantas incertezas, o filho Tabor é aquele que vive apoiado na confiança vitoriosa. Ele acredita que Deus conduz a história com amor, entrega-se aos seus desígnios e procura corresponder, à semelhança de Cristo e de Maria, às solicitações do Pai.

Celebrar a Transfiguração do Senhor é, como Família de Schoenstatt do Brasil Tabor, renovar nosso empenho por tornar vida nosso ideal comum. ‘Subir ao monte’, o Santuário, e renovar a Aliança de Amor com ilimitada confiança no poder da Mãe de Deus, deixando-nos usar por ela como instrumentos, para tornar o Brasil e o mundo em um Tabor.

 

Bibliografia:

KENTENICH, José. Tabor nossa missão.

KENTENICH, José. Documentos de Fundação de Schoenstatt.

CENTRAL NACIONAL DE ASSESSORES. Revelando o Tabor.

Do pó ao amor: um caminho de Aliança

Karen Bueno – Há dias no calendário da Igreja que parecem discretos, quase que silenciosos para o público externo, mas que carregam uma força capaz de transformar vidas.

A Quarta-feira de Cinzas é um deles (“entra no teu quarto, fecha a porta…” Mt 6,6). O Dia da Aliança de Amor é outro (“…fatos pequenos e insignificantes converteram-se em grandes acontecimentos”, Documento de Fundação).

À primeira vista, são momentos estranhos entre si: um marcado por cinzas, silêncio e penitência; o outro, por festa, consagração e renovado ardor. Apesar do contraste, num olhar mais cuidadoso, percebemos que eles falam de um mesmo caminho: reconhecer quem somos diante de Deus e escolher pertencer a Ele novamente.

Podemos dizer que um prepara o coração para o outro!

Quarta-feira de Cinzas: consciência + conversão

Hoje é o dia que a Igreja olha para nós e diz: “Lembra: você é pó… mas é amado.”

As cinzas não representam humilhação, elas mostram verdade. Elas nos tiram das ilusões e nos colocam no essencial:

  • Sou frágil
  • Não me salvo sozinho
  • Preciso de Deus

No mundo todo, vamos ouvir as mesmas palavras: “Lembra-te de que és pó”; “Convertei-vos e crede no Evangelho”.

Apesar de fortes, essas duas frases não são uma mensagem de medo, mas um convite à verdade. É como se a Igreja nos dissesse com carinho: “Pare. Olhe para dentro. Volte ao essencial.”

As cinzas nos despem das ilusões. Elas nos lembram que somos dependentes, limitados, pequenos. Que não controlamos tudo. Que precisamos de Deus.

Mas – e isso é importante lembrar – Deus nunca nos chama apenas para olhar as misérias. Ele sempre nos chama para dar um passo além. E qual é esse passo além?

Aliança de Amor: entrega + pertença

A Aliança de Amor é como que um passo além, é quase que o “movimento seguinte”: Já que eu sei que sou pequeno… então eu me entrego.

A Aliança de Amor não fala somente de conversão, ela fala de relação. Uma relação viva de pertença. É uma decisão consciente de caminhar com Maria, tendo ela como companheira e educadora na vida diária.

É como dizer: “Eu não quero caminhar sozinho, eu coloco minha vida nas mãos da Mãe”

Se as cinzas dizem “volta”,
A Aliança diz “fica comigo”.

Um movimento esvazia; o outro preenche.

A receita mágica de Deus

Olhando para esse dia de graças que abre a Quaresma, podemos resumir:

Cinzas = reconhecer a própria pequenez
Aliança = oferecer essa pequenez como presente

Isso é muito característico em nossa espiritualidade de Schoenstatt. Nossa Família não entrega perfeição (apesar de buscá-la). Entregamos miséria, limites, esforços diários ao Capital de Graças – exatamente o “pó” das cinzas.

Ou seja:
Deus pega o pó…
e Maria transforma em instrumento.

E é dessa mistura que Deus forma santos!

Fonte: schoenstatt.com

Nosso Pequeno Apostolado Silencioso

Rafael e Giciane Copello – Em que consiste, nos dias tumultuados de hoje, a Santidade da Vida Diária? Consiste em que nos tornemos pequenos e silenciosos apóstolos. Que estão e parecem ser do mundo, mas que em sua realidade pessoal pertencem a Cristo e a Maria.

Esse apostolado diário é fundamentalmente iniciado pela nossa oração que pergunta a Deus Pai: o que posso fazer para te causar alegria? Pela nossa oração que pede a Jesus Cristo que nos envie as pessoas que necessitem dele. Oração que clama ao Espírito Santo que nos revele as necessidades dos que convivem conosco para que possamos SERVIR.

Assim, o apostolado pode ser uma pequena e qualquer gentileza, pois ao realizar um pequeno ato de serviço podemos manifestar o amor de Cristo.

Não foi isso que fez a jovem Maria indo ao encontro de sua prima Isabel? E nas bodas de Caná, o que faz a Mãe? Atenta e preocupada com a situação constrangedora dos noivos, silenciosamente procura a ajuda de seu Filho.

Este é o pequeno apostolado silencioso do nosso ser e agir. Sermos os pequenos instrumentos do amor de Deus para todas as pessoas que passarem por nós, onde quer que estejamos. Ajudar a todos a enxergar nesse mundo, nova esperança para si próprios, para seu trabalho e para suas famílias.

Reconheçamos: somos de pouca valia, mas vivendo nossa Aliança de Amor e permanecendo no coração da Mãe Três Vezes Admirável podemos, pelo nosso exemplo e convívio, dar o impulso que muitas pessoas necessitam para alcançar a Deus.

Para refletir, deixamos as palavras de Gertraud von Bullion, a cofundadora da coluna feminina do Movimento Apostólico de Schoenstatt: “Ao nome de Jesus devem dobrar-se todos os joelhos na terra. Para isso podemos e devemos nós também ajudar. Não através de grandes viagens de conversões como São Paulo, não, mas através do trabalho humilde e fiel, no âmbito da nossa profissão… Muitas vezes nós buscamos grandes coisas e, distraídos, passamos ao lado das pequenas …Não é que muitas boas ações, uma palavra amiga, um pequeno favor ficam por fazer, porque aguardamos uma ocasião para realizar coisas notórias? … Precisamente a nossa boa disposição é algo em que os que nos rodeiam reparam com olhar penetrante. A maior parte das pessoas não são capazes de harmonizar, por exemplo, serenidade com piedade. Por quê? porque encontram isso muito raramente. Mas a nossa tarefa consiste em tornar atraente e não repugnante aos outros o serviço a Deus… Não esqueçamos… a importância do exemplo. Mas não nos assustemos também perante uma profissão pública da nossa convicção católica, a nossa firmeza servirá de apoio a muitos”

 

Fonte: uniaodefamilias.com.br

O Símbolo do Movimento de Schoenstatt

 

Em qualquer lugar onde se reúna um grupo da Família de Schoenstatt, nós os reconhecemos por meio desse símbolo (abaixo). Ele está nas flâmulas, bandeiras, lenços, camisetas, pulseiras, enfim, ele sempre nos indica ao Movimento de Schoenstatt.

Mas, o que ele realmente representa? Qual sua origem? É símbolo da bandeira de Schoenstatt?

Embora não tenha sido proclamado como símbolo oficial do Movimento de Schoenstatt, tem sido usado como tal, desde 1985. Tudo começou em janeiro de 1984, quando, em preparação às comemorações aos cem anos do Fundador, Pe. José Kentenich, Heinz Kassung, um artista de Coblença, pinta o símbolo desse centenário.

O que representa cada parte

No centro está o Santuário, lugar da Aliança de Amor com Maria, em 18 de outubro de 1914. Ele é o ponto central da vida do Pe. José Kentenich e da sua Família de Schoenstatt espalhada por todo o mundo.

A cor azul lembra Maria. Junto a esse centro as pessoas procuram assumir a mensagem de Jesus e concretizar o seu reino de amor, de liberdade, de alegria, de veracidade e de justiça. É um novo Tabor. A superfície amarela representa esse reino.

Esta superfície está circundada pelos muros da Cidade Nova (cf. Nova Jerusalém – Apocalipse 22). Os habitantes desta cidade são pessoas que não fazem dela um gueto, que não fogem das exigências do dia a dia, pois Deus é parte essencial de suas vidas. Ele deve ser perceptível no mundo e chegar a todos através dos habitantes desta Cidade Nova.

Algo deve-se irradiar dela. Das doze portas partem caminhos pelos quais se pode dar um intercâmbio de vida entre pessoas dispostas a servir e a enriquecer-se mutuamente.

A forma de uma cruz, que impregna todo o conjunto, marca os alicerces da Cidade Nova. A Cruz de Cristo é símbolo permanente de redenção. É sinal do amor de Deus aos homens. Pode-se perceber atuação fecunda e maternal de Maria a partir do Santuário pelo grande número de pessoas que Ela atrai e conduz a Cristo.

Fonte: schoenstatt.org.br

2 de fevereiro e a ‘visão da Candelária’

 

Ir. Maria Julia Argüero – Hoje, 2 de fevereiro, celebramos a festa da Apresentação de Jesus no Templo, também conhecida como “Festa da Candelária”, devido ao significado da luz e da bênção das velas. Este dia tem também um significado especial na vida de nosso Fundador, o Padre José Kentenich e na história da Obra, que se historicamente encontrou uma definição na expressão ‘Visão das Candelárias’.

O que chamamos de “Visão da Candelária”?

As palavras de Simeão no templo: “Porque os meus olhos viram a salvação” (cf. Lc 2, 22-40) poderiam ser uma explicação, pois ele vê no menino, apresentado nos braços de sua Mãe, o início do cumprimento das promessas feitas a Israel. O Salvador anunciado chegou e em pouco tempo as promessas se cumprirão… Entretanto, a expressão “Visão da Candelária” não se refere diretamente a isso.

 

Em Schoenstatt…

Em janeiro de 1942, o Padre Kentenich foi preso pela Gestapo em Koblenz. Ele havia sido declarado apto para o campo de concentração. Ele ofereceu essa perda de sua liberdade exterior, pedindo em troca a liberdade interior, ou seja, a verdadeira liberdade dos filhos de Deus para toda a Família de Schoenstatt. Ele confiava que, “se toda a Família de Schoenstatt… se entregasse ao bom Deus e ao seu plano divino”, a plena liberdade seria “devolvida ao Fundador e à obra”.

Em 22 de janeiro, aniversário da morte de São Vicente Pallotti, o Pe. Kentenich sentiu, em sua rica vida interior conduzida na prisão, uma renovada certeza da missão. Confiando na bondade de Maria e na fidelidade à sua Aliança de Amor e na entrega da Família, ele teve uma certeza: “os sinos da Vitória tocarão”.

 

Santuário Original – foto: Ir M Nilza Silva

 

A festa mariana mais próxima era o dia 2 de fevereiro. Incentivado por essa confiança, ele escreveu em sua cela o “Cântico da Gratidão”, com quatorze estrofes, celebrando a sua futura libertação:

“Caíram as algemas! Da terra sagrada de Schoenstatt se elevem todas as vozes, em jubiloso hino de gratidão.

Na dura peregrinação, Deus manifestou à nossa comunidade sua grandeza e sabedoria, para seu louvor e sua glória.

A desgraça que o poder e a astúcia de Satanás tramaram, olhar do Pai transformou em nossa maior felicidade.” (RC 612 – 614)

 

O Campo de Concentração de Dachau

Em 2 de fevereiro de 1966, o Pe. Kentenich conta em Roma: “E o resultado? O espetáculo acabou! As correntes não caíram!”. Mas acrescenta que, no entanto, “mais tarde me disseram que em Berlim foi decidido que ele não seria enviado para o campo de concentração de Mauthausen (onde teria sido morte certa), mas para Dachau“… Assim, ele vê nesse fato o início de sua libertação.

Ele diz em 1966: “O que é a Candelária, qual é o significado dessa festa? É a convicção interior: a redenção (de Simeão e Ana) começou! … O que isso significa… o Redentor aparece em primeiro plano. A redenção começa!” E, referindo-se a esse evento de 1942, ele diz: “Posso e devo dizer… A libertação começa!

Quando isso aconteceu? Apenas três anos depois, em abril de 1945.  “O Pai e Fundador foi libertado e toda a Família veio mais para a luz”.

 

E o que aconteceu com a Visão da Candelária nos anos seguintes?

O Pai e Fundador viu, à luz da fé, que Deus deu a Schoenstatt uma missão e um carisma para a Igreja e para o mundo. Na Aliança de Amor e a partir do Santuário, ele acreditava firmemente que essa luz deveria ser dada à Igreja. O anseio e o pedido de que a Igreja, em sua hierarquia, com o Santo Padre à frente, possa ver e aceitar o carisma e essa missão que Deus deu a Schoenstatt a serviço da Igreja e do mundo, também se manifesta na expressão: “Visão da Candelária”.

 

E o que essa expressão nos diz hoje?

Por um lado, ela nos convida a uma grande fé, como a de Simeão (Lc 2, 22-40), que pôde ver naquela criança pequena e indefesa a salvação do povo eleito. Também a uma grande fé na missão de toda a nossa Família de Schoenstatt, como tinha o Pe. Kentenich, juntamente com seu grande desejo de colocar a Obra, sua Família, a serviço da Igreja e da sociedade.

 

Foto: Schoenstatt International Comunication Office

E quanto a nós?

Sim, estamos inflamados por essa fé! Ela é a luz que nos dá a alegria da missão. Sim, a “visão da Candelária”, nesse sentido, depende hoje de cada filho de Schoenstatt.

E queremos continuar a moldá-la, com força renovada, em nossa sociedade, em nossa Igreja, em nossas paróquias e bairros, em nosso trabalho, estudo e em nossas famílias. Pessoalmente e como família, em cada um de nossos ramos e comunidades.

Talvez possamos ouvir como, em 1914, o Pe. Kentenich disse aos congregados, no Documento de Fundação:

“Seus corações já estão em chamas! Vocês fizeram seu o meu projeto: eu o coloco calmamente em suas mãos, bem como a sua execução…”.

 

Foto destacada: Raphael Presentation in the Temple, in wikipedia.org

Fonte: schoenstatt.org.ar

 

O Hino da Minha Terra – herança do tempo da prisão em Dachau

 

O Hino da Minha Terra é um conjunto de versos que compõem o livro de orações ‘Rumo ao Céu’. Esta oração foi escrita pelo Padre José Kentenich num período muito grave da epidemia de tifo, quando estava preso no campo de concentração de Dachau/Alemanha, durante o inverno de 1943. Era um cenário de grande tribulação, onde centenas de prisioneiros morriam e a insegurança existencial para muitos se tornava insuportável. Nessa composição, o Pai e Fundador descreve as características que o Movimento Apostólico de Schoenstatt almeja, as “grandes estrelas da nossa vida”, segundo ele afirma, pois “O Hino da Minha Terra canta os mais altos ideais”.

Na festa da Candelária, em 2 de fevereiro, o Padre Kentenich compôs as quatro primeiras estrofes, a sexta e o refrão. Ele as dedicou às Irmãs de Maria da Casa de Retiros, em Schoenstatt, cujo ideal era “Prado de sol”. A quinta estrofe foi escrita mais tarde, em data que não se pode precisar. O Pai e Fundador salientou muitas vezes que este cântico luminoso surgiu na mais escura noite de Dachau.

“É a segunda poesia que nasceu na época de correspondência ilegal… em 5 de março de 1943. Era o tempo da grande fome, de grandes epidemias. Milhares morreram. Falava-se e fala-se do inferno de Dachau. E no meio deste inferno foi feito o Hino do Céu”, ele conta à Família de Schoenstatt brasileira (Londrina/PR, 14.04.1947).

As seis estrofes do Hino descrevem, cada uma delas, Schoenstatt como terra do amor, da pureza, da liberdade, da alegria, da verdade, da vitoriosidade.

Hino da Minha Terra

(600) Conhece a terra tão cálida e acolhedora,
que o eterno Amor construiu para si,
onde corações nobres pulsam, intimamente unidos
e se suportam com alegria sacrifical;
onde abrigando uns aos outros,
se inflamam e afluem para o coração de Deus;
onde brotam torrentes borbulhantes de amor,
para saciar a sede de amor no mundo?

Sim, eu conheço esta terra maravilhosa,
é o prado de sol no brilho do Tabor,
onde nossa Senhora Três Vezes Admirável
impera no meio de seus filhos prediletos
e retribui fielmente todos os dons de amor,
revelando sua glória, sua infinda e rica fecundidade:
é minha terra natal, minha terra de Schoenstatt! 

(601) Conhece a terra tão rica e pura, reflexo da beleza eterna,
onde almas nobres e fortes desposam o Cordeiro de Deus;
onde olhos brilhantes irradiam calor e mãos bondosas
aliviam sofrimentos; onde mãos puras se unem
constantemente em oração, para banir os poderes do inferno?

Sim, eu conheço esta terra maravilhosa,
é o prado de sol no brilho do Tabor,
onde nossa Senhora Três Vezes Admirável
impera no meio de seus filhos prediletos
e retribui fielmente todos os dons de amor,
revelando sua glória, sua infinda e rica fecundidade:
é minha terra natal, minha terra de Schoenstatt! 

(602) Conhece a terra, igual ao céu,
o reino da liberdade, ardentemente almejado,
onde a magnanimidade e o sentido do decoro
vencem a tendência que arrasta para baixo;
onde os mais leves desejos de Deus vinculam e despertam
alegre decisão; onde sempre se impõem vitoriosamente,
segundo a lei fundamental do amor?

Sim, eu conheço esta terra maravilhosa,
é o prado de sol no brilho do Tabor,
onde nossa Senhora Três Vezes Admirável
impera no meio de seus filhos prediletos
e retribui fielmente todos os dons de amor,
revelando sua glória, sua infinda e rica fecundidade:
é minha terra natal, minha terra de Schoenstatt! 

(603) Conhece a terra impregnada de alegria,
porque nela o sol não conhece ocaso;
onde os corações vivem serenos, na posse dos bens eternos;
onde coração e vontade se deleitam, sem cessar,
com os abundantes dons de Deus;
onde a vara mágica do amor logo transforma toda a tristeza em alegria?

Sim, eu conheço esta terra maravilhosa,
é o prado de sol no brilho do Tabor,
onde nossa Senhora Três Vezes Admirável
impera no meio de seus filhos prediletos
e retribui fielmente todos os dons de amor,
revelando sua glória, sua infinda e rica fecundidade:
é minha terra natal, minha terra de Schoenstatt! 

(604) Conhece a terra, a nação de Deus, que o Senhor construiu para si:
onde reina a veracidade e a verdade domina e triunfa;
onde nosso agir e omitir são julgados,
segundo as santas normas da justiça;
onde o amor une corações e mentes
e o Senhor e Mestre empunha o cetro?

Sim, eu conheço esta terra maravilhosa,
é o prado de sol no brilho do Tabor,
onde nossa Senhora Três Vezes Admirável
impera no meio de seus filhos prediletos
e retribui fielmente todos os dons de amor,
revelando sua glória, sua infinda e rica fecundidade:
é minha terra natal, minha terra de Schoenstatt! 

(605) Conhece a terra pronta para o combate,
habituada a vencer em todas as batalhas,
onde Deus desposa os fracos e os escolhe
como instrumentos; onde todos confiam nele heroicamente
e não se apoiam em próprias forças; onde, jubilosos,
estão prontos a entregar por amor o sangue e a vida?

Sim, eu conheço esta terra maravilhosa,
é o prado de sol no brilho do Tabor,
onde nossa Senhora Três Vezes Admirável
impera no meio de seus filhos prediletos
e retribui fielmente todos os dons de amor,
revelando sua glória, sua infinda e rica fecundidade:
é minha terra natal, minha terra de Schoenstatt! 

 

Explicação sobre a 1ª Estrofe

Explicação sobre a 2ª Estrofe

Explicação sobre a 3ª Estrofe

Explicação sobre a 4ª Estrofe

 

Referências
Nota de rodapé do Rumo ao Céu
Herança do Tabor vol. I – Pe. José Kentenich, 2ª edição, 1992.

Fonte: schoenstatt.org.br

História e significado da imagem da Mãe e Rainha

Foto: Arquivo

Ir. M. Nilza Pereira da Silva – Vamos conhecer um pouco da imagem da Mãe, Rainha e Vencedora Três Vezes Admirável de Schoenstatt?

Como vimos algumas vezes aqui no site, a imagem da MTA é uma reprodução de uma obra do pintor italiano Crósio, criada no final do século XIX. O título original desta imagem é “Refugium Peccatorum” – ou seja, Refúgio dos Pecadores.

Em 1915, essa imagem foi adquirida por um professor do seminário de Schoenstatt. Ele sabia que o Pe. José Kentenich e os congregados marianos haviam conquistado uma capelinha para Nossa Senhora e gostariam de ter uma imagem que expressasse a beleza de Maria, como eles a contemplavam.

No início, a imagem não agradou a todos. Mas, Pe. Kentenich, sempre atento aos acenos da Divina Providência, meditou sobre o sentido da imagem, explicou-a aos jovens e, no mesmo ano, ela é colocada no Santuário de Schoenstatt. Deram-lhe o título de Mãe Três Vezes Admirável. (veja o que significa esse título)

Interpretação da imagem

Na imagem nós vemos Maria, a Mãe de Deus, com seu Filho Jesus. A íntima união entre Mãe e Filho está expressa em diversos detalhes. Maria segura seu filho com as duas mãos. Com a mão esquerda o estreita a si e com a direita segura o braço de Jesus, expressando por meio da pequena elevação, a sua atitude de entrega que O oferece a Deus Pai.

Apesar de sua união com o Filho, ela o abraça desprendida de si mesma. Será que ela espera que alguém lhe peça o Filho? Seus olhos falam dessa espera.

O véu é o símbolo do segredo, cobre a Mãe e o Menino, dizendo-nos que Jesus é o segredo do coração de Maria. Assim o véu se torna o sinal da virgindade pela qual ela se une, de um modo particular, a Jesus Cristo. Este detalhe encontramos numa oração do Pe. José Kentenich: “Vem, habita em nossa terra, com teu Filho, Mãe de Deus. Que seguindo vossos passos, ela encontre a paz de Deus. Por Maria, a Cristo unida, Pátria, tu serás remida”.

As cores da imagem, que do branco vão crescendo gradativamente em intensidade, conduzem nosso olhar para o coração do Filho. Embora essa união entre Mãe e Filho seja tão íntima, nota-se uma atitude de desprendimento: a Mãe tem o menino no colo, porém, apesar de tudo, sente-se que é uma outra força que tem o poder sobre Ele: a força do Sobrenatural, do Deus Pai, representado pelas nuvens.

A Mãe segura o Filho, ela não o carrega. O Filho é carregado pela força que tem sua origem no Eterno Deus Pai. Ele vive no íntimo de seu ser e determina seu atuar. O próprio Jesus confessa, na sua conversa com Felipe: “Não crês que estou no Pai e o Pai está em mim? As palavras que vos digo, não as digo por mim mesmo, mas o Pai, que permanece em mim, realiza suas obras.” (Jo. 14,10).

A luz, que envolve a cabeça de Maria Santíssima e de Jesus Cristo, rebrilha em toda a imagem e provém do próprio Filho Jesus. Nele atinge sua maior intensidade. Este Filho é “luz da luz”. Quem se expõe a estes raios torna-se sinal de luz para os homens, assim o vemos concretizado de modo perfeito na imagem de Maria.

Este é o plano amoroso de Deus: que o sinal de luz de Maria nos conduza da escuridão da vida, de volta à fonte de sua luz verdadeira – à eterna luz.

Contemplando a imagem de graças, concluímos: quem se une à Mãe de Deus é conduzido por ela ao filho e ao mais íntimo do seu coração. Assim, se unem, coração a coração; dois corações portanto, numa só pulsação. “O coração é o cerne mais profundo da alma humana”.

Fonte: schoenstatt.org.br

“Confio em teu poder…”: a oração de confiança de Schoenstatt

Ir. M. Christin Diedrich – Confio em teu poder, em tua bondade… Todos, certamente conhecemos esta oração. Esta é a pequena, mas muito poderosa oração de confiança de Schoenstatt.

O que significa confiança? É uma palavra composta derivada do termo latino confidencial. Fidentia , por sua vez, vem de fides que significa fé em latim e o prefixo con significa com . Então confiança significa na verdade: fé concentrada, fé intensificada, fé que se põe em prática. Eu acredito em alguém e é por isso que confio nessa pessoa. Esta oração expressa, portanto, que acredito no poder e na bondade de Maria e confio nela e em seu filho, Jesus Cristo.

 

Uma oração escrita no campo de concentração de Dachau

O que talvez muitos não saibam é que a oração de confiança foi escrita no Campo de Concentração de Dachau.  Encontramos o verso original no final do chamado Hirtenspiegel – Espelho do Pastor , um poema didático com 5.870 versos que o Padre Kentenich escreveu, composto entre 9 de abril de 1943 e fevereiro de 1944 durante seu cativeiro no Campo de Concentração de Dachau.

As diferentes traduções

O texto original em alemão diz:

Ich bau’ auf deine Macht und deine Güte,
vertau’ auf sie mit kindlichem Gemüte;
ich glaub’, vertrau’ in allen Lagen blind
auf disse, du Wunderbare, und dein Kind.

 

A tradução mais próxima seria a seguinte:

Eu construo sobre/ me baseio no seu poder e na sua bondade,
confiando-lhes o coração de uma criança;
Acredito e confio em todas as circunstâncias
em você, Três Vezes Admirável, e em seu filho. [1]

Duas Imagens da Sagrada Escritura

Partindo da tradução literal,  Eu contruo… Ao pensar em construir, duas imagens da Sagrada Escritura vêm à mente espontaneamente:

Jesus nos aconselhou a construir nossa casa sobre rocha sólida:

Um homem sábio… construiu a sua casa na rocha. A chuva caiu, as enchentes vieram, e os ventos sopraram e atingiram a casa. Mas não entrou em colapso; Estava solidamente assentado na rocha. [2]

A outra imagem é Jesus como pedra angular . São Paulo escreve:

Portanto, vocês… edificados sobre o fundamento dos apóstolos e dos profetas, tendo o próprio Cristo Jesus como pedra angular, por meio dele toda a estrutura se mantém unida e cresce até se tornar um templo sagrado no Senhor; Nele vocês também estão sendo edificados juntos para uma morada de Deus no Espírito. [3]

Com ousada confiança filial sobre a rocha firme da aliança de amor

O Padre Kentenich construiu a casa de toda a sua vida com ousada confiança filial sobre a rocha firme da aliança de amor com a Santíssima Virgem e assim libertou-se completamente de qualquer medo. Numa situação muito difícil, disse solenemente a outro sacerdote:

“Agora te revelo o grande segredo da minha confiança filial e da minha calma soberana: fiz a aliança do amor”. [4]

Gostaria de acrescentar um segundo testemunho do próprio Padre Kentenich em 1963:

Desde o início tive em mente esta realidade central da aliança de amor… Levar a sério a Mater habebit curam (a Mãe cuida) é uma atitude tão central e fundamental que me movi naturalmente em qualquer circunstância.. [5]

« Com coração de criança »

“Com coração de criança ” – aliás, o Padre Kentenich afirmou repetidamente que ele era o mais filial dentro da obra de Schoenstatt. Ele sempre confiou plenamente no grande poder e na bondade da Santíssima Virgem. Na sua força e por amor à Igreja, uniu-se profundamente a Jesus Cristo, pedra angular, e continuou constantemente a construir a Igreja na nova margem, segundo a missão recebida de Deus.

O Padre Kentenich atraiu outros com a sua própria confiança e conduziu-os a Maria

O que o Padre Kentenich experimentou como ajuda na sua própria vida, ele compartilhou generosamente com todos aqueles que lhe foram confiados. Atraiu-os para a sua confiança e conduziu-os a Maria, objecto da sua confiança filial. Milhares de pessoas receberam dele esta oração favorita, ou a recomendação de rezá-la. Toda a nossa história de Schoenstatt é prova da profunda confiança filial do Padre Kentenich em Maria e nas formas como a Santíssima Virgem revelou o seu grande poder e bondade.

 

«Acredito e confio em todas as circunstâncias»

As duas últimas linhas da frase de confiança, usando a tradução mais próxima da frase original, dizem:

Acredito e confio em todas as circunstâncias
em você, Três Vezes Admirável, e em seu filho.

Talvez ainda não possamos confiar em todas as circunstâncias na Santíssima Virgem e no seu filho Jesus, mas podemos pedir à Mater ou ao Padre Kentenich que interceda por nós com a sua profunda confiança filial, para que possamos crescer sempre mais nesta atitude. O tempo atual, com todas as suas dificuldades na vida pública e pessoal, desafia-nos verdadeiramente nesta direção.

Às vezes pode ser útil listar e expressar de forma muito concreta por escrito as nossas preocupações, medos e dificuldades. Depois podemos depositar estes papéis, enquanto recitamos a oração da confiança, no jarro que encontramos nos Santuários de Schoenstatt ou nos nossos Santuários-Lar, confiando cada circunstância à Virgem e ao seu Menino.

Mater Habebit Curam!

Gostaria de encerrar esta reflexão com outra citação do Padre Kentenich, desejando a cada um de nós que a atitude expressa nesta oração se torne cada vez mais uma realidade na nossa vida pessoal e no nosso ambiente:

O maior poder em cada necessidade… é a confiança inabalável que chega ao céu. Mater habebit curam! (A Mãe cuida!) Espero e confio: vou transformar, as circunstâncias vão transformar, o mundo também vai transformar… Quem tem confiança, tem tudo! [6]


 

[1] https://www.jki.de/kr-2-de-33/

.[2] Mateus 7:24-27.

[3] Efésios 2: 19-22.

[4] Josef M. Neuenhofer, Sozinho e Sempre Pai, tradução – Mary Jane Hoehne, Schoenstatt-Verlag, 2014, 30.

[5] J. Kentenich, 1963, em Peter Wolf (ed.), Sua Aliança – Nossa Missão, trad. Mary Cole, Edições Schoenstatt EUA, 2014,151.

[6] J. Kentenich, fonte desconhecida.

 

Fonte: schoenstattsistersofmary.us

As luvas de Deus

Deus usa luvas! Sim! Essa é uma das imagens que o Pe. José Kentenich utiliza para explicar a ação de Deus em nossa vida, à luz da fé, por trás de todas as situações.

Ele explica que a mão de Deus não costuma nos tocar diretamente, mas de forma indireta. Ela nos toca, geralmente, por meio de mãos humanas. Vejamos sua reflexão…

Pensem na outra imagem que nos é familiar: o bom Deus coloca luvas. Podem ser luvas duras, de ferro, e podem ser luvas macias.

Como são essas luvas? De onde provêm? As luvas são a mão humana que nos toca.

Podem ser…

 

(Foto: pixabay.com)

 

LUVAS DE FERRO

São as pessoas que nos querem mal, que, por exemplo, nos caluniam ou querem prejudicar-nos financeiramente.

Por exemplo, uma determinada pessoa que conheço e que me quer mal. Suponho que ela é uma luva de ferro que me toca, mas dentro da qual está a mão macia do Pai. A mão humana pode prejudicar-me, mas, por meio dela, a mão do Pai quer dar-me algo de bom.

Vou contar-lhes um pequeno exemplo, singelo e concreto, para que esta realidade se grave nova e mais profundamente em nós…

Já lhes falei, algumas vezes, de um fato da vida do pequeno Geraldo Majella. Ele era um simples irmão leigo redentorista. Lá fora, no mundo, aprendera o ofício de alfaiate e no convento costurava o tempo todo. […] Ele tinha, desde criança, a mesma atitude sobrenatural que nós designamos como “viver do espírito de fé”. Na juventude fora aprendiz de alfaiate. Os auxiliares de seu mestre eram muito duros e cruéis para com o jovem aprendiz. Surravam-no […]. Sempre que ele cometia um erro, não se contentavam em ralhar com ele, surravam-no. E o pequeno Majella, o que fazia? Não se defendia, limitava-se a sorrir. Aquele que o maltratara ficou embaraçado, sem saber o que fazer. “É verdade – diz o pequeno Majella – eu rio”. Por que seria? A frase singularmente bela que devemos gravar é a seguinte: “Alegro-me porque a mão que me bate é a mão de Deus Pai”.

Isso é a aplicação concreta do que acabamos de explicar, compreendem? Entendemos o “espírito de fé” que semelhante atitude supõe? O heroísmo de fé que significa viver assim? Penso que devem deter-se neste exemplo e refletir como a mão de Deus os tocou, pessoalmente, na sua própria vida; ou seja, como Deus usou intermediários, mãos humanas, para tocá-los.

 

 

(Foto: Anastasia Zhenina, via pixabay.com)

 

LUVAS MACIAS

Deus pode utilizar de mãos humanas cruéis, mas pode, de igual modo, ter utilizado mãos bondosas.

Permitam que chame novamente a atenção para um aspecto que habitualmente não tomamos tanto em conta. Achamos natural que as pessoas sejam boas para nós, não relacionamos logo esse fato com o bom Deus. Mas, à luz de Deus, à luz da fé, é sempre, de alguma forma, o bom Deus que nos toca! Não é por acaso que, de vez em quando, alguma pessoa vem amável e bondosamente ao meu encontro, me ajuda, me dá um conselho e assim por diante; ou que minha firma vai bem. Precisamos aprender a relacionar também todas essas coisas ao bom Deus e a agradecer-lhe de coração.

E por que isso?

Quero gravar especialmente nos senhores uma ideia que ainda não compreendemos em suficiente profundidade. Conhecem a velha expressão: “as pessoas propõem e Deus dispõe”? Por que os planos humanos são tantas vezes totalmente diferentes dos planos de Deus? É assim: o plano traçado pelo bom Deus desemboca sempre no além. (Para ele) o objetivo do mundo e o objetivo de cada pessoa é o céu, o além. Nós vemos apenas a vida das pessoas aqui na terra. É por isso que, na maioria das vezes, nossa previdência terrena é essencialmente diferente da Providência divina.

Acresce que o bom Deus não nos revela de uma só vez o seu plano para a humanidade, […] mas só abre um pouco a portinha, abre apenas uma janelinha. É uma obra de mestre olhar pela portinha e captar, em certa medida, o plano do bom Deus.

Todo autêntico filho de Schoenstatt vive da fé na Providência. […] Concretamente, perguntamos: quando vivemos da fé na Providência? A primeira resposta é: quando escutamos, em todas as situações da nossa vida, um chamado de Deus Pai. Ou, melhor ainda: devemos escutar um chamado do amor de Deus em todas as situações da vida individual e nos acontecimentos do mundo. O chamado de amor desperta uma resposta de amor. Uma segunda resposta, no mesmo sentido, [..] é sentir, em toda a parte, a mão de Deus!

 

Fonte:
KENTENICH, Pe. José. Às segundas-feiras ao anoitecer, Diálogos com famílias, vol 21 – Nossa vida à luz da fé. Sociedade Mãe e Rainha