Rainha da Filialidade Heroica, aceita a coroa!

A 20 de agosto de 1949 nosso Pai e Fundador, Padre José Kentenich, em uma de suas visitas ao Brasil, coroou a Mãe de Deus como Rainha da Filialidade Heroica no Santuário Tabor de Santa Maria/RS.

Uma oração do coração do Padre Kentenich

Na oração que Padre Kentenich faz no Santuário, diante da imagem da Mãe e Rainha, por assim dizer, abre seu coração filial e repleto de amor à sua Rainha da Aliança de Amor. Numa oração espontânea, já conhecida pelos schoenstatianos, que durou cerca de 20 minutos, reconhece as glórias que a Mãe revelou entre e em seus filhos e filhas do Brasil Tabor: “Formaste realmente um reino de glórias, um reino de pureza, um reino de amor, um reino de sabedoria, um reino de poder e da arte de educar!” Expressa sua confiança no poder educativo da Mãe de Deus e entrega-lhe o cuidado pela continuidade e o crescimento de Schoenstatt no Brasil.

Filialidade, garantia do elemento essencial da espiritualidade de Schoenstatt

Padre Kentenich entrega aos cuidados da Mãe e Rainha todos os filhos de Schoenstatt e espera que ela opere em cada um de seus filhos o milagre da transformação em filhos heroicos do Pai, a exemplo de Jesus. A expressão de toda a sua confiança está numa afirmação de São Vicente Pallotti que Padre Kentenich repetiu muitas vezes: “Ela é a grande missionária, Ela realizará milagres!”.

Entregando a Coroa e o Cetro, insígnias reais, confere à Mãe o título de Rainha da Filialidade Heroica e, com este ato, confirma a missão de Schoenstatt no Brasil: viver a filialidade em Cristo, até o grau heroico, o que significa, ao mesmo tempo, viver a ‘santidade de todos os dias’. O dom da filialidade nos foi conferido pelo Sacramento do Batismo e é o fundamento da espiritualidade cristã e por isso também é o elemento essencial da espiritualidade de Schoenstatt.

Uma graça e uma missão

A coroação da Mãe de Deus como Rainha da Filialidade Heroica é, sem dúvidas, uma graça especial, mas também uma missão para nós filhos Tabor, em aprofundar-nos nesta herança e assumir esta missão, que foi confiada pelo Pai e Fundador ao primeiro Santuário de Schoenstatt do Brasil e para toda a Família de Schoenstatt brasileira.

Alternativas para crescer neste caminho rumo à filialidade heroica podem ser ler as palestras do Padre Kentenich na preparação desta coroação. Estes escritos estão compilados no livro Filialidade Heroica, disponível nos centros de Schoenstatt.

Outra possibilidade são os audiovisuais com explicações, aprofundamentos e testemunhos sobre este tema, que nos ajudam aplicar este grande ideal à busca diária pela santidade:
O vídeo Filialidade heroica: elemento essencial de nossa espiritualidade traz uma reflexão feita pelo Padre Antonio Bracht, Nacional do Movimento de Schoenstatt.

O vídeo Cristo: nosso modelo de filialidade heroica, apresentado pela Ir. M. Fátima Elisa Dotto, exemplifica na vida de Jesus o ideal da Filialidade heroica.

E ainda o documentário 75 anos da coroação da Rainha da Filialidade Heroica, desenvolvido por Heloísa Seikoski, membro da Juventude Feminina de Schoenstatt, pela graduação de Relações Públicas, da Universidade Federal de Santa Maria.

Amizade, um caminho para Deus!

“Amigos vivem um no outro. O coração de um é a morada do outro. Para amigos verdadeiros vale o imperativo:
Tudo por tudo!” (Pe. José Kentenich)

Deus é nosso Amigo Divino, assim nos ensina a Igreja em seus santos e também nos estimula o Padre Kentenich, no livro Santidade de Todos os dias: “O grande Deus uno e trino não pretende tão somente nosso amor filial, mas quer abranger todas as dimensões de nosso amor, também nosso amor de amizade. Ele vive em nós, como nosso Amigo divino. ‘Já não vos chamarei servos, porém, amigos’ (Jo 15, 15). É uma declaração divina que deve ser tomada literalmente.”

 

Foto: Heloísa Seikoski

 

Mas Deus também comunica algo de seu amor, de sua sabedoria e de sua bondade através das pessoas: da Mãe de Deus, por excelência, a Imaculada, que conservou em si a imagem original do ser humano ideado por Deus, de nossos pais, familiares, pessoas que entram em nossa vida e os nossos AMIGOS! Através dos vínculos verdadeiros, sadios e profundos que estabelecemos com eles, percebemos sensivelmente o amor e o interesse pessoal de Deus em nossa vida diária.

Na espiritualidade de Schoenstatt, os vínculos – tanto naturais como sobrenaturais – são levados amplamente em consideração. Quando o Fundador usa o termo “vínculos” entende por isso o laço estável de um amor profundamente afetivo e lúcido, que abrange toda a potencialidade do amor humano e do amor divino. O vínculo não é uma simples emoção e paixão, mas o que dá estabilidade emocional e espiritual à totalidade do ser humano.

 

Foto: Márcia Kazumi

 

Por isso, os vínculos que estabelecemos com os nossos amigos são de grande importância em nosso caminho para Deus. O amor fraterno que lhe dedicamos é imagem e reflexo do amor que só compete a Deus. Através dos vínculos naturais, o próprio Deus Amor se revela, se torna presente e vital, porque cada pessoa é imagem e semelhança de Deus.
Por isso, vale a máxima: quem encontrou um amigo, encontrou um tesouro. Sim, encontrou alguém que é imagem e caminho para Deus!

E você, já desejou um ‘feliz dia do amigo’ para os seus amigos?

 

Foto: Heloísa Seikoski

 

Previsão de frio? Muitas contribuições para o Capital de Graças!

 

Celebramos hoje Dia da Aliança em pleno inverno e em algumas partes do Brasil castiga. Tem gente que adora, tem gente que reclama, tem aqueles que não ligam, enfim, as reações são diversas quando a temperatura cai. Mas, uma coisa é fato, a vontade de ficar estirado sob as cobertas aumenta e o corpo tende a procurar abrigo e repouso. Nessas horas, há também uma oportunidade para ser santo e viver a Aliança de Amor.

Ao conhecer a história de Schoenstatt, vemos que o frio excessivo, a neve e muitas adversidades se tornavam alavancas, garantindo contribuições ao Capital de Graças.

Essas são três situações distintas:

 

José Engling no seminário

Noites havia em que o frio era de arrepiar. O peitoril das janelas amanhecia forrado de neve e o vento sibilava lugubremente nas claraboias. Realmente, deixar a cama de um salto, com um frio daqueles, não era brincadeira. Por isso, sempre havia alguém que aproveitava os últimos instantes para uma “conferência com o travesseiro”.
Já José Engling logo cedo estava vestido. Os colegas o consideravam modelo de pontualidade.
Ao descer para lavar-se, o lavatório estava todo vidrado de gelo. Outros tremiam, sem coragem para mergulhar as mãos na água fria. Entretanto, Engling rompia o gelo com determinação e jogava os pedaços para os lados. [2]

 

 

Henrique Schaefer durante a Segunda Guerra Mundial

Carta escrita pelo jovem herói de Schoenstatt: “Estou a 7 Km de distância de uma aldeia, numa moradia particular. Apesar de ser domingo, fomos mandados tirar neve da rua. Caiu tanta, que nenhum carro podia passar. Fico para o trabalho de abrir caminho. Faz tanto frio e o vento é tão penetrante que, apesar de dois pares de luvas, as mãos ficam geladas. Mas, já vou cuidar que o Capital de Graças transborde. [3]

 

 

Irmãs de Maria Pioneiras no Brasil

O grupo pioneiro de Irmãs de Maria, que iniciou Schoenstatt no Brasil, enfrentou muitos desafios nos primeiros anos. Elas citam esse exemplo nas crônicas: “Estávamos tranquilas em nossas camas quando, de repente, foi preciso abrir o guarda-chuva, pois a chuva penetrava pelo telhado. A umidade da noite nos fez passar muito frio, porque não tínhamos cobertores suficientes. Aos poucos, fomos nos habituando às novas circunstâncias e ajustando as coisas”. [4]

 

“Assim como o fogo ilumina, aquece e se eleva ao alto, assim também o cristão é como um farol na escuridão do tempo, como um braseiro em meio ao frio e à desolação do presente e como um vivo “Sursum corda” (corações ao alto) no meio do mundo orientado unilateralmente para as coisas terrenas” (Padre José Kentenich)

 

Texto (com poucas alterações) de Karen Bueno em schoenstatt.org.br

Foto de capa: Markéta Machová em Pixabay

A história da imagem da Mãe e Rainha de Schoenstatt

 

Karen Bueno / Ir. M. Nilza P. Silva – Pessoas no mundo todo já viram essas faces, esses olhares, essa unidade filial entre Cristo e Maria. Mensalmente, a imagem da Mãe e Rainha visita milhões de lares e em muitos deles há uma estampa ou um quadro semelhante. A pintura conhecida é mais do que uma simples representação de Maria, trata-se da imagem da Aliança, é a transcrição visual do contrato de amor que deu origem ao Movimento Apostólico de Schoenstatt.

No dia 11 de abril de 1915 [1], a imagem da Mãe, Rainha e Vencedora Três Vezes Admirável de Schoenstatt é introduzida no Santuário Original. Este é o “rosto” que Nossa Senhora tem em Schoenstatt, é o rosto ao qual toda a Obra fundada pelo Pe. Kentenich quer se assemelhar.

Ao contrário do que muitos pensam, no momento da fundação da Obra, quando se selou a Aliança de Amor no dia 18 de outubro de 1914, não há uma imagem de Maria no Santuário Original. O quadro foi introduzido somente seis meses depois. Mas, então, com qual imagem de Maria os jovens selaram a Aliança de Amor? Certa vez fizeram essa pergunta a um dos congregados, e sua resposta surpreende: “Nós selamos a Aliança de Amor com a imagem de Maria que vivia no coração do Fundador!”.
Esta resposta deixa claro que o coração do Pe. Kentenich é o primeiro Santuário que a Mãe de Deus quis habitar e nele os congregados já se encontravam com Ela.

E como escolheram esta imagem?

Depois da Aliança de Amor, com o tempo, surge o anseio de ter uma imagem de Maria na capelinha da Congregação. Os jovens pensam, então, em encomendar uma escultura a um artista, porém o valor pelo trabalho é muito alto. Os comentários sobre a busca por uma imagem circulam.

Como em todos os momentos da história de Schoenstatt, a Divina Providência guia os passos da Família. Em uma conversa, Pe. Kentenich comenta sobre a necessidade da imagem com um professor do seminário, Pe. Eugene Huggle. Ele, então, se lembra de um quadro que tinha visto em um antiquário de Freiburg. Pe. Kentenich conta:

“Havia um professor no colégio, o Pe. Huggle, que tinha sido Jesuíta. Ficamos sentados juntos à mesa e conversamos sobre isso uma vez. Ele disse: Cruzei-me em algum lugar com uma imagem, talvez a possamos comprar. E assim ficou combinado. A imagem foi um presente dele. O embrulho chegou. Mal o abrimos, me recordo ainda hoje que logo no início, de fato, a imagem não nos agradou muito. Mas, como não tínhamos outra escolha, decidimos pendurá-la (no Santuário). Porém, aos poucos, fomos nos deixando conquistar por ela, porque em cada fala que dizia, eu me dirigia àquela imagem… Aproveitei a oportunidade para atribuir a esta imagem tudo o que tinha para dizer sobre Nossa Senhora. E desta forma (os rapazes) foram associando gradualmente os seus sentimentos pessoais e interiores a esta imagem” (The founding of Schoenstatt, Pe. Jonathan Niehaus).

É numa Sexta-Feira Santa, dia 2 de abril de 1915, que a imagem desembarca na estação de trem de Vallendar. Os Irmãos José e Christian vão buscar o enorme embrulho endereçado ao seminário. A imagem desconhecida custou aproximadamente 23 Marcos e foi adquirida pelo Pe. Eugene Huggle numa loja de antiguidades em Freiburg, no sudoeste da Alemanha, numa das suas viagens da Suíça para Schoenstatt.

Qual título lhe dar?

 

Como o próprio Fundador conta, aos poucos a imagem vai conquistando o coração dos congregados – este torna-se o rosto de Maria para eles. Porém, o quadro não tinha um “nome”, eles não determinaram um título oficial para esta representação da Mãe de Deus.

Em meados de 1916, movidos pela Divina Providência, escolhem o título de Mater Ter Admirabilis para a imagem – Mãe Três Vezes Admirável. Ali surge um paralelo entre eles e a Congregação Mariana de Ingolstadt, no sul da Alemanha, que está exposto na frontal luminosa do Santuário: Ingolstadt-Schoenstatt.

Veja mais sobre o título da Mãe e Rainha

Mais tarde descobriram que o nome original da estampa é Refugium Peccatorum (Refúgio dos Pecadores) e que foi pintada pelo italiano Luigi Crosio, no ano de 1898, para a família Kuenzli, da Suíça. Esta mesma estampa é a que está até os dias de hoje no Santuário Original, nunca foi substituída.

É minha Mãe!

A artista plástica María Jesús Ortiz analisou a pintura do ponto de vista técnico, para o jubileu dos cem anos da Aliança de Amor, em 2014. Ela comenta: “O quadro tem uma estrutura da escola renascentista. As cores são muito, muito puras. Sua pigmentação é feita com óleo de altíssimo nível. No caso deste quadro, o que sempre me chama a atenção é sua frontal rígida, mas isso não produz uma tensão, ou seja, é realmente um fenômeno. Para mim especialmente, independente do conhecimento digamos histórico, ele tem um valor, antes de qualquer coisa, muito pessoal. É como a foto de uma mamãe, e a foto de minha mãe eu não posso analisar artisticamente, nem anatomicamente, nem historicamente, é minha mãe. Portanto, eu a quero e lhe tenho um contato muito pessoal”.
O mesmo podem dizer milhões de pessoas: “Ela é minha Mãe, ela visita minha casa, eu a quero”. Olhando seu rosto, sua relação íntima com Jesus, surge o desejo de pedir-lhe: “Torna-nos semelhantes à tua imagem, como tu, passemos pela vida fortes e dignos, simples e bondosos, espalhando amor, paz e alegria. Em nós percorre o nosso tempo, preparando-o para Cristo” (Rumo ao Céu, 609).

 

[1] Há divergências sobre esta data, podendo ser no dia 8 ou 19, mas é certo que foi no mês de abril de 1915.

Fonte: schoenstatt.org.br

 

20 de maio: dia de gratidão e do ‘triunfo da fidelidade’

 

A Família de Schoenstatt recorda hoje, 20 de maio, 80 anos da chegada do seu fundador, o Padre José Kentenich, a Schoenstatt, depois mais de três anos de prisão pelo nazismo no Campo de Concentração de Dachau. Ele chegou a Dachau em 13 de março de 1942 e foi libertado no dia 6 de abril de 1945. Saía como homem livre, íntegro, como ele mesmo expressa “Deus deu-me a liberdade interior em grau extraordinário, por isso saí do campo corporal e espiritualmente são” [1]. Dachau foi a confirmação do caráter divino da Obra de Schoenstatt e o retorno do fundador “são e salvo”, a resposta para muitas orações e sacrifícios ofertados pelos filhos de Schoenstatt pela liberdade do Pai.

Mesmo tendo saído do campo dia 6 de abril, o caminho até Schoenstatt teve seus percalços. “Foram 14 dias de viagem, onde o Padre Kentenich se detinha, geralmente, nas casas paroquiais, onde era logo assediado por membros da Família de Schoenstatt. Todos queriam ouvi-lo e alegrar-se com ele, bendizendo ao Senhor pela proteção maravilhosa durante o tempo da prisão” [2]

Por conta da guerra o transporte estava dificultado. Pe. Kentenich chegou a comprar uma carroça com dois cavalos para acelerar sua ida a Schoenstatt. Para alegria de muitos, porém, Pe. Alexander Menningen conseguiu arranjar um carro, gasolina e o visto das autoridades policiais para ir buscá-lo. E assim, no dia da festa de Pentecostes, o Pai chega ao Santuário. Marcando um novo início da Obra.

 

Dia de gratidão

O próprio fundador proclamou o 20 de maio como ‘Dia de Gratidão’, que deveria ser recordado anualmente pelo seus filhos espirituais. Gratidão a Deus que esteve sempre junto dele, à Mãe de Deus por sua intercessão materna e gratidão a todos os que se empenharam espiritualmente pela sua libertação

Neste dia recordamos uma oração escrita pelo Padre Kentenich, quando estava preso na prisão de Coblença, ainda antes de ser enviado a Dachau: o ‘Hino de Gratidão’. Escrito depois do 20 de janeiro de 1942, na expectativa de sua libertação pelos nazistas, pois preciso ainda passar por três anos em Dachau para que ele fosse cantado, celebrando o retorno ‘são e salvo’ do Padre Kentenich. Para ler o Hino de Gratidão na íntegra. clique AQUI.

 

Triunfo da Fidelidade

O que disse o Pai e Fundador naquele Pentecostes de 1945, quando chegou em Schoenstatt? Sua primeira frase: “Agradeço cordialmente pela fidelidade! Se lhes agradeço, gostaria de resumir tudo numa só palavra: FIDELIDADE! (…) A nossa solenidade de hoje é um triunfo da fidelidade”.

Todos que conheciam o Padre Kentenich sabiam que fidelidade era para ele uma virtude muito apreciada. Por isso, sua grande alegria em ver como a Família de Schoenstatt tinha permanecido fiel nos difíceis tempos da Segunda Guerra Mundial.

Não vivemos, hoje, ‘tempos de guerra’? Por isso, vivemos situações que nos exigem fidelidade à Aliança de Amor, aos nossos ideais de comunidade, à nossa missão.

Peçamos à nossa Mãe querida que esteja conosco e nos conduza também a um triunfo da fidelidade!

 

Com informações de: schoenstatt.org.br

Foto: Padre Kentenich, em 1945, disposto a viajar até Schoenstatt com uma carroça e cavalos.

Na Sexta-feira Santa, ELA chega em Schoenstatt!

Ir. M. Nilza P. da Silva – É sexta-feira santa, dia 18, e 18estamos envoltos na atmosfera do Calvário! Vivenciamos a paixão e morte de Cristo, o Filho de Deus! Ele nos amou até o fim! Elevado na cruz, totalmente despojado de toda a sua honra, de seus direitos, até mesmo de suas roupas, só resta algo que ainda é seu: sua Mãe! Esta ninguém lhe tira! Esta é sua inteiramente e nada neste mundo pode lhe subtrair.
Então, Jesus surpreende mais uma vez, ainda nesta hora do mais angustiante sofrimento, voluntariamente, Ele nos presenteia este seu único e maior bem: “Eis aí a tua Mãe!” Seu amor para conosco é perfeito, Ele não reserva nada para si. E João a “levou para a sua casa” (Jo 19,27).

Ela é e atua como nossa Mãe!

Maria assume sua maternidade espiritual de cada membro do corpo místico de Cristo. Como sua Auxiliar, continua a amar e educar cada filho, gerado no sacrifício de seu Filho Jesus. No decorrer da história se comprova como também ela nos ama até o fim, sem nada reservar para si mesma. Mas, a exemplo de Jesus, despoja-se de tudo, para que nos deixemos encontrar pelo amor misericordioso do Pai. Ela permanece junto à cruz de cada filho e o conduz até a manhã da ressurreição.

Eis aqui a nossa Mãe, nossa MTA!

Na Alemanha, num lugarejo da cidadezinha de Vallendar, é sexta-feira santa, 2 de abril de 1915. Um grupo de jovens seminaristas, unido ao diretor espiritual, Pe. Kentenich, há 5 meses, selara uma Aliança de Amor com Maria, convidaram-na a estabelecer sua morada numa Capelinha e procuram uma imagem sua para levá-la à sua casa. Nessa sexta-feira santa, revivem a paixão de Cristo. O sacerdote e os jovens querem participar o mais próximo possível de tudo o que Jesus sofreu. Espiritualmente, estão no Gólgota, sob o Monte Calvário, e ouvem, mais uma vez, dos lábios de Jesus sofredor o seu testamento de amor: “Eis aí a tua Mãe!” (Jo 19,27)

Nesse dia, todos os moradores do seminário se ocupam com a preparação e a vivência especial da liturgia tão sagrada. Mesmo assim, dois Irmãos palotinos, o Irmão Joseph e o Irmão Christian, tomam uma carroça e se dirigem à estação de trem, para buscar a encomenda que chegou para o Pe. Kentenich, a imagem de Nossa Senhora, que o professor do seminário, Pe. Eugene Huggle, lhe havia enviado, a fim de que seja entronizada na Capelinha. O guarda da estação não está disposto a abrir exceção em seu trabalho e sugere que os dois Irmãos retornem na segunda-feira, quando tiver passado as celebrações da Páscoa. Mas, o Irmão Joseph quer levar Maria consigo para casa e é perseverante em seu pedido. Seu esforço foi recompensado, pois o chefe acabou por se deixar vencer e o quadro de Maria, em tamanho grande, formato octogonal é colocado sobre a carroça e conduzido até Schoenstatt.

Ela se deixa levar para a sua casa!

Assim Maria chega para tomar posse de seu trono de graças! Ela vem toda embrulhada, sobre uma carroça, sem fazer alarde, sem chamar a atenção sobre si. Repete-se assim, nesse memorável dia, há  106 anos, o momento sagrado da paixão de Jesus. No dia de sua partida deste mundo, ele nos oferece a sua Mãe, como nossa Mãe, e ela chega despercebida. O centro é seu Filho. Nesse dia, todos se ocupam com os sofrimentos de Jesus, estão ao pé de sua cruz. A imagem da MTA chega como a herança sagrada dessa incomparável hora. É como se Jesus dissesse agora ao Pe. Kentenich: “Eis aí a tua Mãe!” Devido às celebrações pascais, essa imagem só será entronizada na Capelinha em 11 de abril, domingo depois da Páscoa, festa da Misericórdia Divina.

Ele a leva para casa. Para a Capelinha, lar do qual ela atua como educadora e distribui graças em abundância. Para a casa de seu coração, para a casa do coração de cada seminarista e continua a levá-la, até hoje, para a casa de cada um que sela a Aliança de Amor. Ela vem para estar com seus filhos, nas cruzes e calvários desta vida, para que se deixem tocar pelo amor misericordioso do Pai e vivenciem, em cada manhã, a Páscoa de uma vida nova em Cristo.

Ela veio para formar filhos à imagem de Cristo

Ela chega com seu Filho Heroico, no dia do Calvário, e faz da Capelinha o seu Tabor. Pe. Kentenich diz, aqui no Brasil, em 1947: “Nosso Tabor deve irradiar a glória da Mãe de Deus. Em que consiste, então, a plenitude da glória da Mãe de Deus? Como a vemos diante de nós? Ela é a grande Mulher formada e capaz de formar à imagem de Cristo…. Sua tarefa consiste principalmente em conduzir o mundo a Cristo.”

Fazemos parte desta história!

Como em 2 de abril de 1915, é novamente sexta-feira santa. Jesus nos presenteia mais uma vez a sua Mãe, dando-nos a sua presença no Santuário. Deixemo-nos educar por ela! Vamos levá-la para a casa de nosso coração e ela revelará sua glória em nós e em nossa família. Deixemo-nos conduzir pelas palavras do Pe. Kentenich, a quem foi confiada a imagem de Maria, para o Santuário:

“Se quiserem compreendê-la bem, precisam penetrar profundamente estas três verdades:

Cristo, o ideal de nossa vida,
Cristo, o fundamento de nossa vida,
Cristo, a forma de nossa vida.
Para a Mãe de Deus, Cristo tornou-se de tal forma o ideal de sua vida e o fundamento de sua vida, que ela assumiu realmente a forma de Jesus. É esta a grande importância que a Mãe de Deus tem para nós em relação a Jesus. Não queremos nos deter nela. Sabemos que todo seu ser e toda sua pessoa apontam sempre para Jesus. Vemo-la como Portadora de Cristo, porque ela assumiu a forma de Cristo e é capaz de formar à imagem de Cristo” (Brasil, 1947).

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Fonte bibliográfica:
Tabor Nossa Missão, palavras do Pe. Kentenich no Brasil.
Uma Nova Visão, uma Nova Vida… Pe. Jonathan Niehaus

Fonte: schoenstatt.org.br

O que significa Servus Mariae Nunquam Peribit?

 

Karen Bueno – Quem entra num Santuário de Schoenstatt, mal bate os olhos e logo se depara com a frase que envolve a imagem da Mãe e Rainha: Servus Mariae Nunquam Peribit. Traduzindo do latim, essa expressão quer dizer que um servo de Maria jamais perecerá.

Mas, por que ela está ali? Quem a colocou?

A escolha da frase foi feita pelo jovem Fritz Esser, que era congregado da primeira geração da Obra de Schoenstatt. Originalmente ele esculpiu uma moldura em madeira para o Santuário Original com essa frase. Seu desejo era presentear a Mãe de Deus, ornamentar o Santuário e afirmar algo que experimentara em muitas ocasiões: a Mãe jamais abandona seus filhos.

Assim, em 1919, essa moldura foi colocada no Santuário de Schoenstatt.

Na história da Igreja

A “origem do lema ‘Servus Mariae nunquam peribit’ tem uma longa tradição católica que remonta, pelo menos, a Santo Anselmo de Canterbury (1033-1109) e tem Santo Afonso Ligório (1696-1787) como especial propagador. Existem provas do seu uso em Schoenstatt em 1916 na variante Servus Maria non peribit. A expressão mais categórica nunquam (nunca) aparece já em abril de 1917 numa carta escrita por Max Brunner”. Com essa frase, “Esser preferiu esculpir um lema que lhe era muito querido”. [1]

A inscrição: SERVUS MARIAE NUNQUAM PERIBIT traz a convicção de uma jovem vida e de toda a Congregação Mariana. Presumivelmente, essa moldura foi anexada ao quadro no 5º aniversário da Congregação Mariana, no domingo de 27 de abril de 1919.

O que nos diz o Pe. Kentenich?

Num encontro com casais, em Milwaukee/EUA, ele aponta:

“Olhem o que está escrito por cima do arco, na Capelinha… É o seguinte: Servus Mariae nunquam peribit. De qual Maria se trata? Da Mãe de Deus, que se estabeleceu aqui, para educar as pessoas a partir daqui e colocar, através delas, um mundo novo aos pés de Cristo.
Aquele escrito significa, portanto, que na arca [em Schoenstatt] seremos, sobretudo, preservados da destruição de nossa alma. O primeiro significado das palavras “Servus Mariae nunquam peribit” é este. Porém, a Mãe de Deus não se contenta em preservar do pecado grave os que se consagram a ela no Santuário. […] não se trata apenas de preservar nossa alma, nosso caráter, mas também de sermos educados a um ideal, ao ideal da santidade no meio do mundo, a fim de nos capacitarmos para sermos pais e mães de uma nova sociedade”. [2]

A imagem da MTA com a primeira moldura luminosa feita por Esser

A moldura

Até 1934, a moldura esculpida por Fritz Esser permaneceu no Santuário Original. Mas o calor constante das lâmpadas contribuiu para que ela se desgastasse e teve de ser refeita em madeira. Mais tarde essa peça foi fundida em metais (1947) e reconquistada pelo Instituto Nossa Senhora de Schoenstatt, mas as palavras permanecem as mesmas – e adornam agora a imagem da MTA em todos os Santuários de Schoenstatt do mundo, nos diversos países.

 

 

Referências

[1] NIEHAUS, Pe. Jonathan. Herois de Fogo, A Fundação de Schoenstatt

[2] KENTENICH, Padre José. Às Segundas-feiras ao Anoitecer, Diálogos com famílias, vol 21 – Nossa vida à luz da fé. Sociedade Mãe e Rainha, Santa Maria/RS. Conferência de 22 de maio de 1961.

BAUER, G. M. Servus Mariae nunquam peribit! – Breve histórico da imagem da Mãe de Deus e da sua moldura luminosa no Santuário de Schoenstatt. Publicado pelo Instituto Secular dos Irmãos de Maria de Schoenstatt, Santa Maria/RS, 1978.

Apóstolos nas pegadas do “Apóstolo das Nações!”

Geni Maria Hoss – Ao entrar no Santuário do Schoenstatt imediatamente nosso olhar se fixa no altar, pois ele ocupa toda a parte da frente. Tamanho, modelo arquitetônico, altar e símbolos estão harmoniosamente dispostos de forma a nos convidar para a oração e reflexão. A ornamentação completa a beleza e o encanto do lugar. O conjunto completo do interior e do ambiente externo em torno do Santuário nos permite sentir-nos “em casa” com a Mãe. Para fazer-nos compreender a importância do cuidado dos lugares sagrados, como é o caso de um Santuário, são oportunas as palavras do Papa emérito Bento XVI sobre a arte sacra: “O nosso testemunho deve nutrir-se desta beleza, o nosso anúncio do Evangelho deve ser percebido na sua beleza e novidade, e por isso é necessário saber comunicar com a linguagem das imagens e dos símbolos; a nossa missão quotidiana deve tornar-se eloquente transparência da beleza do amor de Deus.”[1] A beleza exterior, cujo encanto percebemos pelos sentidos, no mundo da fé, é expressão de um significado mais profundo. Daí a importância de conhecer a origem e desenvolvimento de imagens e símbolos e deixar-nos interpelar por eles.

Em 1934 foi colocado um novo altar no Santuário Original, o modelo que se encontra nos Santuários até hoje. Ele substituiu o altar do começo do Movimento, que contava apenas com a imagem da Mãe e Rainha e a moldura com os dizeres: Servus Mariae Nunquam Peribit (o servo de Maria jamais perecerá), que Fritz Esser havia esculpido em madeira e letras douradas. No novo altar, à direita e à esquerda do Tabernáculo, inicialmente se encontravam as figuras de dois “anjos adoradores”. Elas foram substituídas pelas imagens de Pedro e Paulo em 12 de novembro de 1935.

Hoje somos convidados a voltar nosso olhar, de modo particular, a uma destas figuras: o apóstolo Paulo. Que importância ele tem para ocupar este lugar privilegiado no Santuário?

Para entendermos a relevância de São Paulo no Santuário e no Movimento como um todo, devemos ocupar-nos com conteúdo do Congresso de Hoerde (1919). Até aquele momento, Schoenstatt como Movimento de renovação religiosa e moral foi surgindo e amadurecendo no coração do Fundador e dos jovens, que souberam identificar, sempre atentos, as portas que se abriam e indicavam a condução da Divina Providência.

Na ocasião, os jovens congregados, tanto os do seminário bem como aqueles que foram conquistados para os ideais de Schoenstatt nos campos de batalha da Primeira Guerra Mundial, debateram sobre futuro da vida nascida em Schoenstatt. Dos resultados deste debate, que o congregado Alois Zeppenfeld apresenta no seu relatório sobre o conteúdo de Hoerde, interessam aqui particularmente três pontos que remetem diretamente à importância do apóstolo Paulo para Schoenstatt:

“1. A organização externa, um ramo dos estudantes Congregados de Schoenstatt, com o 20 de agosto de 1919, sai da condição atual e se torna “União Apostólica”
2. A padroeira da União é a Mater Ter Admirabilis, o patrono especial é São Paulo, nosso lema: “Caritas Christi urget nos!” [a caridade de Cristo nos impulsiona].
3. A meta da União é a educação do apóstolo leigo no espírito da Igreja.”[2]

Aqui vemos como o apóstolo Paulo havia se tornado uma referência para a missão de Schoenstatt.

Antes de continuarmos, lembramos que estas diretrizes são base de todo o Movimento, pois, como diz o próprio Fundador, Padre José Kentenich: “nós subimos ao palco da história com o título União” [3]. Portanto, tudo o que nasceu e cresceu como “União” nos primeiros anos é extensivo as múltiplas formas de vida que se desenvolveram em Schoenstatt, tendo cada comunidade a missão de vivê-las segunda sua própria identidade e missão.

As palavras de Fritz Ernst, dedicadas a São Paulo por ocasião do enceramento do Congresso de Hoerde, nos permitem perceber como os jovens presentes nesse importante evento da história de Schoenstatt estavam tocados pelo apóstolo.

“Meus queridos amigos! Das nuvens de Damasco, certa vez, caiu uma fagulha num coração humano. Esta fagulha se transformou em chama ardente, da chama surgiu um grande fogo, que impactava com força os arredores, que se direcionava com força para o céu. Parecia possível ler nele a imponente Palavra de Deus: Caritas Christi urget nos! Num coração de Saulo caiu aquela fagulha que o transformou em coração de Paulo, em coração de apóstolo.” (1969, p. 73).

O apóstolo Paulo é referência em seu caminho de conversão, de seguimento de Cristo e do anúncio do Evangelho em todos os ambientes possíveis. Por isso, a motivação enfática nas palavras de envio em Hoerde: “Meus queridos amigos, o dia do ingresso na União Apostólica deve ser também para nós um dia de Damasco. Naturalmente não podemos tornar-nos todos um Paulo, conquistar o título de ‘apóstolo das nações’. Também nem todos podemos partir [para outras terras] como missionários. Porém, uma coisa todos nós podemos: preservar e cultivar o impulso para a amplitude, a profundidade, para a dimensão apostólica.” (1969, p. 75).

Fritz Ernst acentua em todo o seu texto a consequência da força da graça. A fagulha no coração transformou Paulo, fez do perseguidor, um seguidor de Cristo. O processo de conversão de Paulo foi longo. Ele se retirou para o deserto, ali seu orgulho e ódio se transformaram em amor humilde. No deserto, ele compreendeu a imagem de Cristo e o Evangelho. Com esta riqueza no coração ele partiu para evangelizar, portanto, um apóstolo em saída! São Paulo estava convencido que sua vida nova era fruto da graça: “Pela graça de Cristo, sou o que sou!” (1 Cor 15,10). Neste sentido, cabe ressaltar aqui as palavras do Pe. José Kentenich por ocasião do retiro em preparação à consagração definitiva do primeiro grupo de mulheres, da União Feminina, em 1925:

 

O Salvador também quer nos visitar nestes dias, especialmente com sua graça. Também nós estamos diante de uma hora de Damasco. […] O que a graça fez de Paulo?
◊ Um amante da solidão. Na solidão ele luta com sua natureza, ele reza e jejua. Nós também estamos prestes a ser enviadas. Como foi oportuno entrarmos na solidão do santo retiro, nossa natureza também deve ser transformada em Cristo. Como foi árdua a luta de Paulo até sair dali como o instrumento que hoje admiramos.
◊ Um homem de oração. Ele reza toda a sua vida. “Ele está rezando” Não devemos também nos tornar ainda mais filhas da oração? (cf. At 9, 17)
◊ Um homem de paciência incomensurável. “Tudo posso naquele que me fortalece!” (Fl 4, 13)
◊ Um homem de humildade. A lembrança de seus pecados não o deixou doente. “Basta-te minha graça, porque é na fraqueza que se revela totalmente a minha força!” (2 Cor 12,9).
◊ Um homem com chama ardente para com Deus. Não é dizer demais quando se diz que ele tinha o maior amor por Deus depois da querida Mãe de Deus.
◊ Um homem com incansável e abnegado zelo de alma. Quando a graça tomou conta de Paulo, ele ficou com os dois pés no chão da morte mística. Ele venceu o mundo e ganhou a recompensa de seu grande amor caloroso e seu sacrifício apostólico. “Já não sou eu que vivo, mas é Cristo que vive em mim”! (Gal 2, 20)

 

Como Movimento Apostólico de Schoenstatt queremos acolher as palavras que empolgaram os jovens em Hoerde e assumir a nossa missão em todos os campos possíveis: “Devemos considerar como nossa tarefa, que a Divina Providência nos confiou, ser missionários em nosso ambiente, na metrópole moderna. […] Com a coragem de um Paulo no areópago, nós devemos engajar-nos pelos bens mais nobres, devemos ser fermento na massa, uma coluna de fogo que vai à frente no caminho da superficialidade e escuridão modernas.” (1969, p. 76).

“Ai de mim, se não anunciar o Evangelho!” (1 Cor 9,16). Como Paulo, o verdadeiro apóstolo não se omite e tem coragem de anunciar a Palavra onde há desafios, resistências e até perseguições, lugares onde o testemunho, tal qual uma “coluna de fogo” que precede o apóstolo, seja a única forma de evangelizar. Também nós hoje devemos ter a coragem de dizer um sim ao chamado missionário e anunciar o Evangelho, pelo ser e ação, nos areópagos que Deus colocou em nosso caminho.

 

[1] Papa Bento XVI. Universalidade da beleza: confronto entre estética e ética, 2008. Disponível em: http://www.vatican.va/content/benedict-xvi/pt/messages/pont-messages/2008.index.html#messages

[2] Alois Zeppenfeld. In: Diözesanrat des Schönstattwerkes, Paderborn. Hörder-Dokumente, Bonifacius-Drukerrei Paderborn, 1969, p. 87.

[3] J. Kentenich. Palestra por ocasião da celebração dos 30 anos de existência da Liga Feminina de Schoenstatt, 9 de junho de 1950.

Foto: Karen Bueno

Fonte: schoenstatt.org.br

O Milagre de Caná e o Capital de Graças

Neste segundo domingo do Tempo Comum (pois festa do Batismo de Jesus já foi o 1º), o evangelho nos apresenta o primeiro milagre de Jesus, nas Bodas de Caná. Um trecho das escrituras muito rico em significado, também para a espiritulidade de Schoenstatt.

 

Enchei as talhas de água!

A espiritualidade do Movimento de Schoenstatt é uma espiritualidade de aliança, pois o seu centro de vida é a Aliança de Amor com Mãe, Rainha e Vencedora Três Vezes Admirável de Schoenstatt. 

Uma aliança, por si, exige reciprocidade, ou seja, as partes envolvidas têm direitos e deveres. Este caráter de compromisso recíproco, em Schoenstatt, se expressa no lema dirigido à Mãe de Deus e a nós: ‘Nada sem vós, nada sem nós’. 

A Mãe de Deus se compromete a acompanhar seus filhos com sua materna intercessão a partir dos seus Santuários de Schoenstatt, implorando para eles todas as graças que necessitam no seu caminho de santidade. Os schoenstateanos, de sua parte, se comprometem a colocar nas mãos da Mãe e Rainha, no Santuário, o esforço consciente de viver com fidelidade a sua aliança batismal (vida de oração, fiel cumprimento do dever caridade fraterna…). Essas ofertas são chamadas de ‘contribuições para o Capital de Graças’. O acontecimento das bodas de Caná é um estímulo a om fidelidade essa cooperação com a Mãe e Rainha de Schoenstatt, no seu Santuário. Quando, orientados pela Mãe de Deus, os serventes foram até Jesus, Ele não realizou logo o milagre, o que poderia ter feito sem dificuldades. Ele é Deus e pode tudo. Jesus, porém, ordenou aos serventes: “Enchei as talhas de água” (Jo 2, 7), e o evangelista testemunha que eles as eram até às bordas. 

 

Jesus nos pede: “Enchei as talhas de água!”

Jesus Cristo já nos mereceu todas as graças de que nós precisamos pela sua encarnação, morte e ressurreição. Mas, dizia Santo Agostinho, ‘Deus que nos criou sem nós, não quer salvar-nos sem a nossa cooperação’. Então Ele nos pede: “Enchei as talhas de água”. Que água? Nossas alegrias e tristezas, sucessos e fracassos, propósitos e desânimos, especialmente, o esforço consciente na própria educação e santificação. 

“Enchei as talhas de água”. Só Deus mesmo pode fazer algo de bom de nossas míseras contribuições. Ele que poderia fazer tudo sem nós, quer precisar de nossa cooperação, como precisou da pobre Serva de Nazaré. 

 

 A Ânfora no Santuário

“Enchei as talhas de água”. Este lema estimulou os schoenstateanos a colocarem ‘ânforas’ nos Santuários de Schoenstatt, em que são recolhidos milhares de bilhetinhos, nos quais os devotos da Mãe e Rainha de Schoenstatt escrevem as suas contribuições para o Capital de Graças. Também muitas famílias costumam ter sua própria ânfora onde diariamente, jovens, adultos e crianças fazem suas ofertas para a Mãe de Deus. E em cada dia 18, o Dia da Aliança, junto aos Santuários e também nas paróquias, os bilhetes são queimados, símbolo da entrega dos filhos, elevada a Deus em oração. 

Em Schoenstatt tem-se a convicção de que, se ninguém mais ofertar as contribuições para o Capital de Graças, a Mãe de Deus deixa de atuar no Santuário. Essa convicção nasce do caráter recíproco de toda aliança: se uma das partes não cumpre o contrato, a outra fica desobrigada dos deveres assumidos. O que, à primeira vista, pode parecer uma relação comercial com Deus, na verdade, é uma relação de amor e confiança. Afinal, a Mãe Três Vezes Admirável, de certa forma, faz-se dependente da cooperação dos seus filhos. Assim como Jesus nas bodas de Caná ao pedir aos serventes: “Enchei as talhas de água”. 

 

Fonte: Na Escola de Maria – Imagem Bíblica de Nossa Senhora, p. 96-98. 

Fotos: wikimedia.com e Schoenstatt Londrina

 

20 de janeiro: Uma decisão que tornou-se um marco da história de Schoenstatt

 

 January 20

 

Ir. M. Rosequiel Fávero – Todos os anos, o dia 20 de Janeiro é importante para a Família de Schoenstatt. Recordamos a decisão de nosso Pai e Fundador, Pe. José Kentenich, há 83 anos, de aceitar livremente ser enviado ao campo de concentração de Dachau, sem tentar recursos contra sua condenação.

O que viveu o Pe. Kentenich, há 83 anos, nos dias que antecederam ao 20 de janeiro?

Desde outubro de 1941, o Fundador de Schoenstatt fora feito prisioneiro pela Gestapo, a polícia nazista, em Coblença, uma cidade nas margens do rio Reno, próxima a Schoenstatt. A prisão funcionava no prédio de um antigo convento carmelita. Graças a dois dos guardas que ousavam levar clandestinamente correspondência ao Pe. Kentenich, manteve-se um contato frequente entre a Família de Schoenstatt e o seu Fundador.

Em 13 de janeiro de 1942, a Gestapo submeteu o Pe. Kentenich a um novo interrogatório, ameaçando enviá-lo para o campo de concentração de Dachau. Na verdade, essa deportação correspondia a uma sentença de morte, pois poucos sobreviviam aos campos de concentração. Em 16 de janeiro, Pe. Kentenich foi submetido a um exame médico, para constatar se estava apto para ser enviado para o campo. O exame foi uma mera formalidade: nem os pulmões nem o coração foram auscultados. Apesar de sua saúde precária (somente um de seus pulmões funcionava), foi declarado apto. No dia seguinte chegou a Schoenstatt um bilhete escrito pelo punho do Pe. Kentenich: “Acabo de ser examinado em vista do Campo de Concentração. Resultado: apto para o campo. Mas ninguém deve preocupar-se por causa disso”.

A partir desse momento, os dirigentes da Família de Schoenstatt começaram a “puxar todos os fios” possíveis a fim de evitar que o Pai e Fundador fosse enviado para Dachau. Conseguiram que o médico da prisão aceitasse examiná-lo novamente, desde que o Pe. Kentenich o solicitasse por escrito, então ele, talvez, o declarasse inapto para o campo.

 

 

Pe. Kentenich encontrava-se perante uma decisão crucial. Devia assinar esse pedido ou não? O que Deus queria dele? “A inquietação provocada por essa tensão não me abandonava – diria mais tarde – foram dias terríveis. Interiormente lutei e rezei. Não tive nenhuma visão, nenhum sonho, nem sequer uma iluminação especial. Na luta solitária contava apenas com a simples fé na Providência. (…) Horas seguidas andei para cá e para lá na minha cela: lutava, rezava e não sabia o que fazer”.

A noite de 19 para 20 de janeiro foi para o Pe. Kentenich uma vigília de oração. No dia 20, durante a Santa Missa (que celebrava clandestinamente todos os dias na prisão), mais precisamente no momento da consagração, recebeu a certeza interior do que devia fazer: não devia procurar a liberdade graças a meios humanos, mas à entrega total da Família de Schoenstatt a Deus. Assim, afirmou: “De coração, sacrifico a minha liberdade exterior para que nunca falte à Família de Schoenstatt a liberdade interior”.

Como podemos acompanhar nosso Pai e Fundador na busca da vontade de Deus, também quando ela nos leva a optar pelo mais difícil? Que ele interceda junto a Deus por cada um de seus filhos espirituais, para que saibam seguir os seus passos.

 

Fotos: foto atual do local onde estava o antigo convento carmelita transformado em prisão pelo nazismo e memorial que recorda a prisão do Padre Kentenich neste local de setembro de 1941 até março de 1942.

Imagem de capa: Heloísa Seikoski

Fonte: schoenstatt.org.br