Transfiguração do Senhor: chamados a ser um Tabor
das glórias de Cristo e de Maria

No dia 6 de agosto, a Igreja celebra a Solenidade da Transfiguração do Senhor. No Evangelho (Mt 17,1-9), Jesus sobe ao Monte Tabor com Pedro, Tiago e João e, diante deles, manifesta a sua glória divina. Sua face resplandece, suas vestes tornam-se brilhantes e o Pai proclama: “Este é o meu Filho muito amado; escutai-o.”

Esse acontecimento revela quem é Cristo e fortalece os discípulos para permanecerem fiéis diante da “loucura” da Cruz. Por isso, a Transfiguração não é apenas a manifestação da glória do Senhor, mas também um convite a seguir o Mestre, sem restrições.

A ideia predileta do Pai e Fundador: o Tabor

Para toda a Obra Internacional de Schoenstatt, o Evangelho da Transfiguração possui um significado especial. No Documento de Fundação, ao apresentar a ideia predileta de seu coração, o Padre José Kentenich faz referência ao Monte Tabor interpela os jovens seminaristas:

“Não seria possível que a Capelinha da nossa Congregação se tornasse o nosso Tabor no qual se manifestam as glórias de Maria? Todos os que aqui chegarem para rezar terão de experimentar as glórias de Maria e confessar: ‘É bom estarmos aqui’.”

Repetidas vezes, o Pai e Fundador recorreu à imagem do Tabor como expressão simbólica de sua fundação. Um exemplo encontra-se no Hino da Minha Terra, composto durante sua prisão no Campo de Concentração de Dachau.

A missão confiada ao Brasil

Quando chegou ao Brasil, em 1947, o Padre Kentenich encontrou um povo de alma filial e reconheceu nele um terreno fértil para a missão de Schoenstatt. Foi então que confiou à Família brasileira um grande ideal:

“O Brasil, o mundo todo, um Tabor de nossa Mãe de Schoenstatt. Cuidaremos que não somente nossa pequena Família, mas o Brasil todo, sim, grande parte do mundo, até podemos crer que o mundo inteiro, um dia se tornará Tabor de nossa Mãe e Rainha de Schoenstatt.”

Tabor: nosso ideal de vida

Assumir o Tabor como ideal significa, antes de tudo, reconhecer no Santuário o lugar onde Cristo continua a revelar suas glórias por meio da Mãe de Deus. É para esse “monte santo” que somos chamados a subir, a fim de encontrar o Senhor, experimentar sua presença e deixar-nos educar por Maria, “a grande Mulher formada e capaz de formar à imagem de Cristo”.

Essa missão, porém, exige também a nossa cooperação. À ação educativa da Mãe corresponde a disponibilidade de deixar-nos formar. Na Aliança de Amor, Maria conduz cada pessoa a Cristo, o Homem Novo, revelado pelo próprio Pai na Transfiguração: “Este é o meu Filho muito amado.”

Por isso, seja nos Santuários filiais, nos Santuários-Lar, oratórios, ermidas ou por meio da Imagem Peregrina, a Mãe, Rainha e Vencedora Três Vezes Admirável de Schoenstatt continua a conduzir seus filhos ao coração do Pai. Ela desperta em cada um a consciência de ser profundamente amado por Deus e educa para uma atitude filial marcada pela confiança, pela disponibilidade e heroísmo.

O filho Tabor

O Padre Kentenich indica um caminho muito concreto para viver esse ideal:

“Quando Pedro contemplou as glórias do Senhor no Tabor, ficou despreocupado (…). A razão de nossa despreocupação tem uma fonte profunda. É a confiança num poder que segura nas mãos todos os fios, numa mão fiel, numa mão bondosa.”

Em um mundo marcado por tantas incertezas, o filho Tabor é aquele que vive apoiado na confiança vitoriosa. Ele acredita que Deus conduz a história com amor, entrega-se aos seus desígnios e procura corresponder, à semelhança de Cristo e de Maria, às solicitações do Pai.

Celebrar a Transfiguração do Senhor é, como Família de Schoenstatt do Brasil Tabor, renovar nosso empenho por tornar vida nosso ideal comum. ‘Subir ao monte’, o Santuário, e renovar a Aliança de Amor com ilimitada confiança no poder da Mãe de Deus, deixando-nos usar por ela como instrumentos, para tornar o Brasil e o mundo em um Tabor.

 

Bibliografia:

KENTENICH, José. Tabor nossa missão.

KENTENICH, José. Documentos de Fundação de Schoenstatt.

CENTRAL NACIONAL DE ASSESSORES. Revelando o Tabor.