O que a Igreja diz sobre as vacinas anti-covid?

                            

Uma nota divulgada pela Congregação para a Doutrina da Fé nesta segunda-feira, 21 de dezembro de 2020, traz posicionamentos e esclarecimentos sobre as vacinas anti-Covid-19. O documento, aprovado pelo Papa Francisco, aborda alguns pontos que ganharam repercussão recente na mídia.

A polêmica do aborto

O documento começa mencionando que “Nos últimos meses, a Congregação [para a Doutrina da Fé] tem recebido diversos pedidos de uma opinião sobre o uso de algumas vacinas contra o vírus SARS-CoV-2, causador da Covid-19, desenvolvidas utilizando, no processo de pesquisa e produção, linhas celulares que vêm de tecidos obtidos de dois abortos ocorridos no século passado. Ao mesmo tempo, foram divulgadas diversas declarações na mídia por parte de bispos, associações católicas e especialistas, diferentes entre si e às vezes contraditórias, que também levantam dúvidas sobre a moralidade do uso dessas vacinas”.

A nota da Congregação usou como base dois documentos importantes para a reflexão sobre o tema: um pronunciamento da Pontifícia Academia para a Vida [1]: leia aqui em inglês. E uma nota da própria Congregação para a Doutrina da Fé sobre a Dignidade da Pessoa [2]: leia aqui. Além disso, em 2017, a Pontifícia Academia para a Vida voltou a abordar o tema com uma Nota. Esses documentos ofereceram alguns critérios gerais decisivos para a atual orientação publicada.

Qual o objetivo desta nota?

A Congregação esclarece: “Dado que as primeiras vacinas contra Covid-19 já estão disponíveis para distribuição e administração em vários países, esta Congregação deseja oferecer algumas indicações que esclareçam este tema. Não se pretende julgar a segurança e eficácia dessas vacinas, embora isso seja eticamente relevante e necessário, pois sua avaliação é de responsabilidade de pesquisadores biomédicos e agências de medicamentos, mas unicamente refletir sobre o aspecto moral do uso dessas vacinas contra Covid-19 que foram desenvolvidas com linhagens celulares procedentes de tecidos obtidos de dois fetos abortados não espontaneamente”.

O que diz a Igreja?

Esses são os pontos destacados no documento da Congregação para a Doutrina da Fé, sobre as vacinas, publicado hoje:

 

1. Conforme declarado na Instrução Dignitas Personae, nos casos em que são utilizadas células de fetos abortados para criar linhagens celulares para uso em pesquisas científicas, “existem diferentes graus de responsabilidade” na cooperação com o mal. Por exemplo, “nas empresas que utilizam linhas celulares de origem ilícita, não é a mesma a responsabilidade dos que decidem a orientação da produção e a dos que não têm nenhum poder de decisão”.

2. Nesse sentido, quando não estão disponíveis vacinas anti-Covid-19 eticamente irreprováveis (por exemplo, em países onde as vacinas sem problemas éticos não estão disponíveis para médicos e pacientes, ou onde sua distribuição é mais difícil devido a condições especiais de armazenamento e transporte, ou quando vários tipos de vacinas são distribuídas no mesmo país, mas, pelas autoridades de saúde, os cidadãos não podem escolher a vacina a ser inoculada) é moralmente aceitável usar as vacinas contra o Covid-19 que utilizaram linhagens celulares de fetos abortados em seu processo de pesquisa e produção.

3. A razão fundamental para considerar o uso dessas vacinas moralmente lícito é que o tipo de cooperação para o mal (cooperação material passiva) de aborto induzido de que provêm essas mesmas linhagens celulares, por parte de quem usa as vacinas resultantes, é remoto. O dever moral de evitar essa cooperação material passiva não é vinculante se existe um perigo grave, como a disseminação, de outra forma impossível de conter, de um patógeno grave: neste caso, a disseminação pandêmica do vírus SARS-CoV-2 que causa Covid-19. Portanto, deve-se considerar que, neste caso, todas as vacinas reconhecidas como clinicamente seguras e eficazes podem ser utilizadas com a certeza de que o uso de tais vacinas não significa uma cooperação formal com o aborto de onde foram obtidas as células com as quais foram produzidas as vacinas. No entanto, deve-se ressaltar que o uso moralmente lícito desse tipo de vacina, pelas condições especiais que o tornam possível, não pode constituir por si só uma legitimação, mesmo que indireta, da prática do aborto, e pressupõe oposição a esta prática por parte de quem recorre a essas vacinas.

4. Na verdade, o uso lícito dessas vacinas não implica, nem deve implicar de forma alguma, a aprovação moral do uso de linhagens celulares procedentes de fetos abortados. Portanto, pede-se tanto às empresas farmacêuticas quanto às agências governamentais de saúde, que produzam, aprovem, distribuam e ofereçam vacinas eticamente aceitáveis, que não criem problemas de consciência, nem para os profissionais da saúde nem para os próprios vacinados.

5. Ao mesmo tempo, é evidente por razões práticas que a vacinação não é, por regra geral, uma obrigação moral e que, portanto, a vacinação deve ser voluntária. Em qualquer caso, do ponto de vista ético, a moralidade da vacinação depende não só do dever de proteger a própria saúde, mas também do dever de buscar o bem comum. Bem que, na ausência de outros meios para deter ou mesmo prevenir a epidemia, pode tornar a vacinação recomendada, especialmente para proteger os mais frágeis e mais expostos. Contudo, aqueles que, por motivo de consciência, rejeitam vacinas produzidas a partir de linhagens celulares de fetos abortados, devem adotar medidas, por outros meios profiláticos e com comportamento adequado, para evitar de tornarem-se veículos de transmissão do agente infeccioso. Em particular, devem evitar qualquer risco para a saúde daqueles que não podem ser vacinados por razões médicas ou outras e que são os mais vulneráveis.

6. Por último, existe também um imperativo moral para a indústria farmacêutica, os governos e as organizações internacionais: garantir que as vacinas, eficazes e seguras do ponto de vista da saúde, e eticamente aceitáveis, também sejam acessíveis aos países mais pobres e sem um custo excessivo para eles. A falta de acesso às vacinas se converteria, de algum modo, em outra forma de discriminação e injustiça que condenaria os países pobres a continuar vivendo em indigência sanitária, econômica e social.

Você encontra a nota, na íntegra (em espanhol, inglês e italiano), neste link.

 

[1] Título do texto “Reflexões morais sobre as vacinas preparadas a partir de células procedentes de fetos humanos abortados”, de 5 de junho de 2005.

[2] Instrução Dignitas Personae, de 8 de setembro de 2008

Foto: Dimitri Houtteman, via unsplash.com

Fonte: schoenstatt.org.br

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Fonte: schoenstatt.org.br

 

Rainha da Comunicação de Schoenstatt: … tu deves conduzir!

Ir. M. Nilza P. da Silva – “Nós dizemos a ela: tu deves conduzir nossa Família em sua totalidade e cada membro e filho da Família. Nós te damos este direito, tu deves ser Rainha!” Assim rezou Pe. José Kentenich, em um momento de grandes dificuldades para a Obra de Schoenstatt e para todo o mundo, na coroação da Mãe de Deus, no Santuário Original, em 10 de dezembro de 1939. A história da Obra Internacional de Schoenstatt e sua história de vida pessoal provam o quanto a Mãe de Deus levou a sério a coroação.

“Aqui estamos cheios de gratidão, para entregar-te a responsabilidade e os direitos, elegendo-te como a Rainha da Comunicação de Schoenstatt“, rezaram cerca de 60 comunicadores, de 8 países, que atuam nas mídias oficiais do Movimento de Schoenstatt, no último dia 10 de dezembro. Quase todos são voluntários entusiasmados, que sabem-se chamados e escolhidos por Deus, para levar o carisma de Schoenstatt, a missão do Pe. Kentenich para a Igreja e o mundo inteiro. “Gostaríamos de agradecer por todo o apoio e gentileza que nós como Schoenstatt Internacional experimentamos até agora. Pelo empenho de cada um de nós, especialmente nas traduções para as várias línguas, na revisão crítica. E pelas respostas rápidas, honestas e espontâneas quando necessário. Mãe Santíssima, queremos agradecer-lhe porque tantos pequenos milagres foram possíveis,” reza Hemma Strutz, da Áustria.

A proposta da coroação, no Santuário Original, partiu dos comunicadores do Brasil e, por meio de Ir. Cacilda Becker, da Coordenação Internacional, rapidamente inflamou corações na Alemanha, EUA, França, Áustria, Equador, Venezuela e Chile. A diversidade de idiomas não é problema, quando os corações falam a mesma linguagem: Queremos atuar unidos a todos os responsáveis pelas decisões nessa hora histórica e contribuir para que as gerações futuras narrem feitos vitoriosos de nossa Rainha.

No Brasil, foi um dia inteiro de coroação

Os comunicadores que, devido ao trabalho, não podiam reunir-se com os demais, receberam a oração de coroação na véspera e, desde bem cedo, se conectaram ao Santuário Original, pela webcam, para coroar. Um grupo internacional reuniu-se às 20h30, da Alemanha e o último grupo, às 20h30 do Brasil. Cremos que o Santuário Original nunca recebeu tantos comunicadores de Schoenstatt juntos! Sobre o altar, a Mãe de Deus contemplava o nome de cada um, em folhas impressas, nas quais cada um escreveu também suas intenções pessoais de coroação.

Uma coroação que vincula

Monique Vaz

Durante a coroação, no Santuário Original, os comunicadores de Araraquara/SP, reunidos em seu Santuário local, coroam também uma pequena imagem da MTA, que vai percorrer a residência dos membros da Equipe de Comunicação, reafirmando sempre a confiança na Rainha. Em Poços de Caldas/MG, a coroação acontece também dentro do Santuário, com a participação de tantos, por meio das redes sociais. Monique Vaz, de Mairiporã/SP, vincula uma pequena coroa com a Logo dos comunicadores do Brasil, deixando bem clara para a Rainha a sua missão.

Uma coroação que inflama e envia

O entusiasmo pela missão une-se a responsabilidade pelas consequências do que comunicam. Por isso, entre os pedidos confiantes, à Rainha da Comunicação, todos rezam com o Pe. José Kentenich: “Sejam vencidos todos os obstáculos que se opõem à eficácia de tua Obra e impedem ver com fé o plano do Pai. Ajuda-a a expandir-se pelo mundo inteiro e a caminhar vitoriosa pelas nações, para que em breve haja um só rebanho e um só Pastor que conduza os povos todos a Deus Trino.” (Rumo ao Céu, 527-528)

Todos renovam a Aliança de Amor com a Rainha e partem em missão, mantendo-se conectados pelo coração da Rainha, como instrumentos empenhados para incendiar o mundo. Como irmãos na Aliança já vivenciam que na unidade está a força e é na partilha que se enriquece.

“No coração da Mãe de Deus estamos unidos,” escreve Ana Christina Melquiades, do Instituto Nossa Senhora de Schoenstatt, ao findar o dia de coroação. “Tudo por nossa Rainha e pela missão de comunicar,” completa Caroline Moraes de Freitas, de Poços de Caldas/MG.

Se o Estado é laico, por que a Igreja quer ter voz no debate público?

Francisco Borba Ribeiro Neto –  Muitas vezes vemos a Igreja se manifestar sobre assuntos que não são religiosos, mas dizem respeito à vida social, cultural e política dos diferentes países. Mas, em um Estado laico, por que Igreja insiste em ficar expressando sua opinião?

O Estado laico é aquele no qual todos têm igual direito de expressão, independentemente de seu credo religioso, desde que respeitando os princípios do bem comum e do direito dos demais. Para que um Estado realize plenamente sua laicidade, todas as pessoas religiosas – bem como os ateus e agnósticos – devem ter igual liberdade de se expressarem a partir de suas diferentes convicções. O consenso entre as diversas posições deverá ser construído a partir do diálogo e do debate racionais sobre os conteúdos de cada posição. Um Estado no qual apenas as opiniões não religiosas podem ser expressas não é laico, mas sim ateu.

 

Por que todos devem participar da vida social, cultural e política?

A doutrina social da Igreja considera que toda pessoa deve participar ativamente da vida social, cultural e política, procurando com isso seu desenvolvimento integral e a construção do bem comum (Compêndio de Doutrina Social da Igreja, nº 189-191). Quem não participa ativamente da construção da sociedade e do bem comum, seja qual for sua religião, não desenvolve todas as suas potencialidades e não experimenta toda a riqueza que a vida lhe oferece.

Os cristãos, movidos pelo seguimento de Cristo e pelo amor ao próximo, reconhecem um compromisso ainda maior com a justiça e a construção do bem comum. Com este espírito querem participar do debate público (idem, nº 565). Diante dos graves atentados que são praticados contra a pessoa humana, a Igreja também se vê chamada a se expressar como instituição, como acontece nos pronunciamentos do papa e das conferências episcopais sobre diversos temas de interesse social.

Quando a Igreja se apresenta no debate público, fala não a partir de seus dogmas, mas sim a partir da defesa da natureza humana e da pessoa, iluminadas pela experiência da fé, mas que podem ser compartilhadas por todos aqueles que querem o bem comum (ver Nota doutrinal sobre algumas questões relativas à participação e comportamento dos católicos na vida política, nº 5). Neste, a condenação do aborto, por exemplo, não é defendida em função de um dogma católico sobre a presença da alma na criança ainda não nascida, mas sim pelo reconhecimento de que a vida e a pessoa devem ser respeitados acima de qualquer outro valor, se queremos construir o bem comum, e porque não se pode estabelecer limites cronológicos, físicos ou sociais aos direitos da pessoa. Esta posição vem iluminada pela fé, mas é compartilhada por muitos que não têm a fé católica.

 

Quem ameaça o Estado Laico?

Um Estado no qual apenas as opiniões não religiosas podem ser expressas não é laico, mas sim ateu. As democracias modernas, praticadas no Brasil, na América do Norte e na União Europeia, por exemplo, são laicas e devem aceitar que todos se expressem independentemente de suas convicções religiosas. Já as ditaduras comunistas, como a que vigorou na antiga União Soviética, no século XX, criaram Estados ateus, onde as pessoas religiosas não podiam se expressar.

Hoje em dia, o Estado laico está fortemente ameaçado não pela hegemonia de um ou outro grupo religioso, mas pela hegemonia do ateísmo militante, que não aceita a manifestação pública das pessoas religiosas. Isto acontece, de modo geral, porque o pensamento religioso defende valores fundamentais – como a dignidade da pessoa, uma ética que respeita a natureza do ser humano, a justiça e o bem comum – que se chocam com interesses econômicos e políticos dominantes em nossa sociedade.

 

No passado, a Igreja não interferiu indevidamente na política?

O cristianismo sempre reconheceu a necessária separação entre o poder temporal (o Estado) e a religião (“a César o que é de César, a Deus o que é de Deus”, Mt 22, 21). Mas na Antiguidade, quando cada povo tinha os seus próprios deuses, esta distinção era no mínimo incomum. Assim, desde o imperador romano Constantino, no século IV, a conversão dos soberanos ao cristianismo acabava por vincular a religião cristã ao poder temporal. Além disso, após a queda do Império Romano (em 476 d.C.), a Igreja Católica sentiu a necessidade de educar e orientar o povo cristão para a reconstrução de uma sociedade organizada e mais capaz de atender ao bem comum. Desde então, este sempre deveria ser o sentido das intervenções da Igreja no debate público.

Durante a Idade Média, a Europa estava unificada pela fé e os princípios cristãos ordenavam a vida política e social, criando a “cristandade”. Esta não foi uma “idade das trevas”, e sim um período de desenvolvimento e de reconstrução de um continente onde a civilização havia sido destruída pelas invasões bárbaras. Mas a proximidade com o poder temporal fez com que se usasse a fé para legitimar tanto as boas como as más obras.

Estados nacionais

A partir do século XV, com o fortalecimento dos Estados nacionais, o surgimento do absolutismo monárquico e a divisão do cristianismo realizada pela Reforma Protestante, o mundo da cristandade foi desaparecendo. A população continuava cristã e a fé continuava a ter um papel importante na legitimação do poder temporal. Mas agora sem a força do período anterior.

Em muitos países, entre os quais Portugal e suas colônias, como o Brasil, vigorava o sistema do padroado régio, no qual o rei deveria proteger e administrar grande parte das atividades da Igreja. Isso que poderia parecer, aos olhos de hoje, um favorecimento ao catolicismo, acabou representando uma forma de controle do Estado sobre a Igreja. A separação definitiva entre a Igreja Católica Romana e o Estado aconteceu a partir das chamadas revoluções burguesas. Como a Revolução Francesa (1789), as guerras de independência da América Espanhola, e a proclamação da república, no Brasil (1889).

Com a experiência histórica, a própria Igreja percebeu cada vez mais a importância da separação entre poder temporal e religião. Contudo, ao mesmo tempo, também percebeu que num mundo sem Deus surgem sempre novas e mais terríveis agressões à vida e à dignidade da pessoa humana. Por isso, retoma incessantemente seu papel de educação e orientação de toda a sociedade, visando a construção do bem comum.

Foto: Jose Quertzenstein em Pixabay

Fonte: Aletéia

De volta para o futuro?

Guilherme e Ana Paula Paiva – Se vocês forem nerds como nós, certamente irão conhecer a literatura clássica da ficção científica a respeito da inteligência artificial, que vai desde “Frankenstein” (1818) e “O Médico e o Monstro” (1886), passando por “2001: Uma odisseia no espaço” (1968) até chegar em “O Guia do mochileiro das galáxias” (1979), com uma infinidade de péssimos livros no meio do caminho.

Ou, talvez tenham assistido às produções cinematográficas como “Metrópolis” (1927), “O Exterminador do Futuro” (1991), “Matrix” (1999), “A.I. Inteligência Artificial” (2001) ou “Star Wars” (1977) – sobre este último, registramos que um de nós sabe todas as falas decoradas, contudo, para aguçar a imaginação dos caros leitores, não diremos quem.

Fato é que a ideia de que a inteligência artificial é essa transformação revolucionária de máquinas com sentimentos, guerras interestelares, invasões alienígenas, criações fantásticas de sobre-humanos… é tão absurda quanto literária e cinematograficamente rentável. E nada mais.

E, embora já existam eletrodomésticos parecidos com os da família Jetson’s (1962-1964), ou óculos inteligentes e acessos sem chaves físicas, como previsto em 1989 no “De volta para o futuro” (infelizmente os skates voadores ainda não), até então tudo não passava de um grande exagero, que tinha sua razão de ser: instigar a curiosidade e levar às percepções humanas.

 

O futuro chegou

Contudo, nem por isso a inteligência artificial deixou de avançar, pelo contrário. Hoje realizamos pagamentos por celular; com apenas a aproximação do cartão de crédito (ou por meio de relógios inteligentes) e por atendimentos online sem o intermédio de vendedores reais; as comunicações se realizam de maneira muito veloz e é comum sermos atendidos por vozes robóticas que simulam atendentes e nos guiam até o acesso à resolução do problema que possuímos (enquanto repetimos – quase sempre sem sucesso, o número do nosso CPF pelo telefone).

O GPS nos guia em carros que possuem piloto automático, enquanto no banco do passageiro alguém acessa redes sociais que possuem reconhecimento facial em fotos postadas ou um ambiente acadêmico online; ao mesmo tempo, longe de nós, máquinas exploram o fundo dos oceanos e o espaço (inacessíveis às pessoas), não obstante ali na esquina nossos dados de operações financeiras sejam analisados e gestores de recursos humanos utilizem aplicativos para selecionar candidatos conforme aptidões compatíveis. A inteligência artificial está em todo lugar e é uma crescente, na medida em que automatiza processos negociais, diminui os custos e, o que parece ser muito atraente do ponto de vista econômico, diminui o erro, querela inafastável das relações humanas.

Não obstante o alto custo de manutenção das máquinas e a possibilidade concreta de retirada do mercado de trabalho de milhares de pessoas – aliada aos indícios de isolamento social e transtornos mentais relacionados – já existiu um grupo razoavelmente grande de juristas que queria aplicar sentenças por computador, baseados na premissa de que o juiz aplica tão somente o texto de lei objetiva, ao analisar elementos também objetivos da realidade. Não menos perigosa é a utilização de inteligência artificial em questões miliares (citamos o controle de investigações criminais, vigilância excessiva em todos os espaços em nome da pretensa segurança e seus reflexos na inviolabilidade da intimidade), cuja discussão sobre a permissibilidade e limites seguem acalorados junto à Organização das Nações Unidas.

 

“No futuro não nos deixaremos suplantar por nossos conhecimentos, mas nós os dominaremos” (Documento de Pré-Fundação de Schoenstatt, 1912)

De todo modo, seguimos em Schoenstatt – de forma incontestável – na contracorrente dessa realidade. E embora possamos sempre nos utilizar das novas tecnologias para auxiliar nossa vida diária (ou assistir a um golpe de estado intergaláctico enquanto comemos pipoca), é imprescindível que sejam pontes para a concretização de nossos ideais: que permaneçam como meros instrumentos facilitadores e jamais como fins de nossa existência ou como forma normalizada de relacionamento.

Somos a terra fecunda dos vínculos, do contato pessoal que gera vida, da educação aos altos ideias por meio de experiências vitais. Somos o carisma que busca o enraizamento, a harmonia entre a natureza e a graça, o contato com o Deus da Vida concreta que nos dá uma Mãe real, que zela por nós.

Não somos um número ou o reconhecimento facial do Facebook. Não somos os dados da nossa conta bancária e nem as sugestões de propaganda que nos são apresentadas conforme nosso perfil de consumo. Não somos os códigos de acesso e nem nossas contas em aplicativos que nos permitem pedir nossa própria comida sem conversar com a atendente da pizzaria.

Somos filhos muito amados de Deus, que nos criou, com Sua infinita misericórdia, para bem usar tudo o que se encontra à nossa disposição, desde que de forma ética e com vistas a forjar em nós o novo homem. As pessoas não são substituíveis porque erram (em ambientes negociais ou não): é a humanidade presente nos relacionamentos que traz consigo, como diz o Pai e Fundador, “o eterno” de Deus presente em cada um de nós e são esses traços inafastáveis de Deus, que nos fez à Sua imagem e semelhança, que devem ecoar por primeiro em tudo o que fazemos, especialmente quando nos vinculamos, de forma heroica, às coisas e pessoas.

Imagens: Reimund Bertram, Gerd Altamann by Pixabay e Jumas Brasil

Fonte: schoenstatt.org.br

Como se preparar para o Advento em família?

 

Edson e Rosangela Pieralisi – Está chegando o Advento, logo é Natal.

Os dias parecem correr, tudo é tão rápido… são tantas atividades e desafios que nem percebemos que um novo tempo nos espera com alegria.

Como podemos vivenciar em família este tempo tão especial do Advento, preparando-nos do melhor modo possível para o Natal?

Precisamos silenciar! Parar e ouvir Deus falar! Tomar consciência dos Seus passos em nossa história no decorrer deste ano e, em um “diálogo de amor”, partilhar com Ele os mistérios gozosos, luminosos, dolorosos e gloriosos de nossa vida neste 2020! Aí vamos ver como Deus cuida e caminha conosco, em Aliança. Um retiro pode ajudar muito.

Não podemos esquecer do Presépio, em especial no Santuário Lar. E podemos configurar algo especial, como colocar na manjedoura um coração com o nome das pessoas que amamos, ou alguns flocos de algodão representando as nossas Contribuições ao Capital de Graças para o Santo Natal. Também podemos preparar em nossa casa vários pequenos arranjos, como a Coroa do Advento e a Guirlanda na Porta da casa, para que nosso lar seja este ambiente de alegria, de esperança, da chegada do Menino Deus.

Neste tempo litúrgico, nosso Santuário Lar é Belém: aqui nasce o amor, aqui crescem vínculos, aqui se forma família. Por isso, nossa preparação para o Natal passa necessariamente pelo perdão, pela descoberta das alegrias da vida, pelo contar as graças (gratidão). E podemos ir para “águas mais profundas”, sair de si (“família em saída”), e ajudar alguém que precisa. Pode ser uma cesta básica para alguma família necessitada, doar as roupas boas que temos mas que não usamos (vai ser útil para alguém), e – em especial – presentear nosso talento. Por exemplo, se você tem o dom de cantar, ligue ou visite os avós e cante para eles uma bonita música de Natal (com os devidos cuidados ao sair de casa: máscara, álcool gel e distanciamento social).

Temos um costume de vários anos, em nossa família, que nos ajuda muito: dar um “nome” para o Natal. Neste tempo do Advento vamos partilhando tudo o que vivenciamos no ano que passou (os passos de Deus que acima nos referimos) e os desafios do próximo ano… E perguntamos: o que Deus quer nos dizer este ano? Formulamos a nossa resposta em uma palavra. Esta palavra é o nosso “nome do Natal”: Já teve “Natal da Gratidão”, “Natal da Misericórdia”, “Natal da Vitória”, “Natal da Alegria”, entre outros.

E não podemos esquecer do “presente” para o Aniversariante. Sem dúvidas, o nosso coração é um presente que Jesus vai gostar muito, nosso coração é a manjedoura para Jesus nascer. Este ano, junto com o nosso coração, queremos presentear a Jesus a conquista do “Ideal Pessoal” que trabalhamos em família neste tempo de pandemia. E você e sua família, o que podem presentear para Jesus?

Deus está vindo ao nosso Encontro e quer revelar seu imenso Amor por nós neste Natal. Preparemos nosso coração para que o Milagre da Noite Santa brilhe como a Estrela de Belém em nosso lar, em nossa família e em nosso olhar!

Foto: cathopic.com

Fonte: schoenstatt.org.br

Novembro Azul: Cuidados com a saúde e a Aliança de Amor

Pe. Heitor Morschel – Certamente esse é o desejo de milhões de pessoas nesses tempos de pandemia do Covid-19, seja aqui no Brasil como no mundo inteiro. Os infectados somam mais de 55 milhões e às mortes perto dos 1,4 milhão [1]. No início deste ano, ninguém poderia imaginar que este vírus poderia atingir e levar a óbito tantas pessoas pelo mundo afora. A separação e isolamento, a dor e sofrimento pelos que partiram, bem como a sensação de incapacidade marcaram as mentes, os países e as economias globais. Nesse cenário, a pandemia nos ensinou uma grande lição: “que é o homem para dele te lembrares?” (Sl 8,5). Pergunta esta feita pelo salmista e repetida nos séculos nos momentos de crise da humanidade.

Realmente, estamos vivendo uma crise de humanidade. Mas, ao mesmo tempo, redescobrimos o sentido de nossas existências e o lugar que ocupamos no universo, na supremacia sobre as economias, sobre as ideologias e sobre a política. O resgate do essencial nos faz perceber que o ser humano precisa de muito pouco para ser feliz e o que precisamos está bem perto de nós: saúde, família e religião. O restante se conquista!

Quando percebemos o amor de Deus por nós, que nos cria e que não abandona a obra criada, descobrimos que “Ele cuida de nós, tudo ordena e tudo dirige. Nada lhe é por demais insignificante” [2]. A fé na Divina Providência nos lembra que somos filhos do bom Pai do céu e irmãos de todo o gênero humano. E o filho percebe que, “segundo a ordem da criação, Deus está em nós e em toda a parte como criador, conservador e guia… Na ordem sobrenatural, isto é, pela graça, o amor tornou possível sua habitação na alma humana de uma forma toda especial” [3]. Para nós, Maria é o exemplo mais prefeito desta relação e dessa confiança. Ao realizarmos a Aliança de Amor com Maria, nos propomos a viver mais fielmente nossa aliança batismal com a Santíssima Trindade. Somos morada de Deus e devemos cuidar bem de “nossa casa”, ou seja, de nossa saúde.

O que significa ter saúde?

Em 2012 a CNBB lançou a Campanha da Fraternidade com o tema “Fraternidade e Saúde Pública”; o seu texto base mencionava a definição de “saúde” pela Organização Mundial da Saúde (OMS) que, em 1946, a definia assim: “é um estado de completo bem-estar físico, mental e social, e não apenas a ausência de doenças” [4]. A mesma Organização acrescentou a “espiritualidade” em 2003 no conceito de saúde: bem-estar físico, mental, social e espiritual. Realmente, a espiritualidade associada à saúde ou na enfermidade desta faz toda a diferença no bem-estar da pessoa. Quando usamos o vocábulo “saúde” na língua latina (Salus) percebemos que há uma identidade entre saúde e salvação. Assim sendo, toda a pessoa deve cultivar uma vida saudável para ter saúde e salvação.

No Brasil, a cada ano, promovem-se períodos em que se destacam os cuidados com a saúde dos brasileiros. Estamos no novembro azul, ou seja, período do ano dedicado à conscientização de doenças masculinas, especialmente na prevenção do câncer de próstata, o mais frequente entre os homens brasileiros depois do câncer de pele. Segundo a Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS), órgão ligado ao Ministério da Saúde, “diariamente 42 homens morrem em decorrência do câncer de próstata e aproximadamente 3 milhões vivem com a doença” [5]. Existem, entre os homens, certo preconceito e descaso quando se trata de saúde sexual masculina. As mulheres são mais atentas aos sinais do seu corpo! Por isso, as campanhas de conscientização para que os homens procurem um profissional da saúde e façam o diagnóstico precocemente.

Prevenção e responsabilidade

Segundo a ANS, o diagnóstico precoce é fundamental, “mesmo na ausência de sintomas, homens dos 45 anos com fatores de risco, ou 50 anos sem estes fatores, devem ir ao urologista para conversar sobre o exame de toque retal, que permite ao médico avaliar alterações da glândula, como endurecimento e presença de nódulos suspeitos, e sobre o exame de sangue PSA” [6]. Existem fatores que podem ajudar a prevenir o desenvolvimento do câncer de próstata como uma boa alimentação, exercícios físicos e conhecimento do histórico familiar sobre a doença. A detecção e o tratamento precoces podem salvar vidas!

Apesar de toda nossa fragilidade corpórea, não fomos criados para a enfermidade. Por isso, o desenvolvimento de uma saúde física, psicológica e espiritual faz-se tão necessária para os dias de hoje, seja para os homens, seja para todas as pessoas. A vinculação a Deus e a Nossa Senhora pela Aliança de Amor neste momento particular da história nos garantem serenidade na superação desses desafios, bem como o fortalecimento de relações, pois a doença é também um apelo à fraternidade e à igualdade. Assim, como Jesus passou pelo mundo fazendo o bem e curando a todos, também nós cristãos devemos ser solidários com os que mais sofrem. Por isso cantamos com o refrão da CF 2012: “Tu que vieste pra que todos tenham vida (Jo 10,10); Cura teu povo dessa dor em que se encerra; Que a fé nos salve e nos dê força nessa lida (Mc 5,34); E que a saúde se difunda sobre a terra (Eclo 38,8)”.

* Contribuição da União dos Sacerdotes Diocesanos de Schoenstatt

Foto: Ashkan Forouzani, via unsplash.com

Referências:

[1] https://noticias.uol.com.br/internacional/ultimas-noticias/2020/11/18/mundo-bate-recorde-no-numero-de-mortes-diarias-pela-covid-diz-universidade.htm

[2] Kentenich, José; Nailis, Anette. Santidade de Todos os Dias. Sociedade Mãe e Rainha. Santa Maria, 2018, p. 46.

[3] Idem. p. 49.

[4] Para maior aprofundamento ver Texto Base da Campanha da Fraternidade 2012 da CNBB. Disponível em PDF: http://resultspromocional.com.br/familiamissionaria1/CF%202012%20-%20Texto-base.pdf

[5] ANS, Disponível em: http://www.ans.gov.br/aans/noticias-ans/sobre-a-ans/6016-novembro-azul-mes-de-conscientizacao-sobre-a-saude-do-homem

[6] Idem.

Fonte: schoenstatt.org.br

Este é o meu partido!

         

Fernando Gabriel de Carvalho e Silva – Em tempos de forte polarização ideológica, muitos católicos se perguntam: qual espectro político a Igreja Católica adota? Inicialmente a resposta parece simples. Nenhum! O próprio Jesus Cristo rejeitou qualquer “cargo” político, afinal Ele veio nos libertar do pecado e pregar a boa nova, e não iniciar uma revolução política contra os romanos.

Portanto, não poderia ser diferente. A Igreja Católica reserva-se no direito da distância crítica frente a formas de organizações políticas e ideológicas.

“A Igreja, que, em razão da sua missão e competência, de modo algum se confunde com a sociedade nem está ligada a qualquer sistema político determinado”

“No domínio próprio de cada uma, comunidade política e Igreja são independentes e autônomas” (Gaudium et spes)

Na realidade, sobretudo partidos políticos, mas também outras organizações sociais, como sindicatos, associações civis, ONGs… acabam por defender doutrinas próprias e grupos determinados. A Igreja Católica, por outro lado, está a serviço de todos e tem como principal missão a salvação das almas e a pregação do Evangelho, ainda que essa missão vá de encontro com algum sistema ou espectro político vigente. Vale, portanto, aquilo que Jesus nos ensinou “De a César o que é de César e a Deus o que é de Deus”. (Mt 22:21).

Justamente por defender determinados grupos e ideologias, em regra, é vedado aos sacerdotes, que são homens a serviço de todos e em busca da fraternidade espiritual, tomarem parte em partidos políticos e outras organizações (Cân. 287, §2º). Tomar partido envolve o sério risco de dividir. A Igreja, pelo contrário, busca unir todos em volta do Cristo e do Evangelho.

Mas, então, por que existem padres que se candidatam? Em algumas cidades acontece, por exemplo, de sacerdotes se filiarem a partidos e concorrem a cargos públicos. Sobre isso, o Pe. Rodrigo Cabrera, do Instituto dos Sacerdotes Diocesanos de Schoenstatt, explica: “Na maioria das vezes, nesses casos, uma providência que o bispo toma (geralmente num diálogo entre ambos) é suspender o padre de ordens. Nesse período da candidatura e do exercício do cargo político, o padre não pode exercer o ministério sacerdotal: não pode rezar missa, não pode celebrar os sacramentos e nem deveria usar o nome de ‘padre’. Se ele perde a eleição, ou cumpre e conclui o período de mandato, e quer retornar ao Ministério, ele pode dialogar com o bispo e rever a suspensão”.

A Igreja não segue partido ou ideologia…

Porém a Igreja não fica em silêncio e, pautada pelo Evangelho, bem como pelo Catecismo e pela Doutrina Social, nos convida a refletir sobre as causas, valores e princípios que um cristão deve levar em consideração quando escolher o seu candidato e partido. Não é novidade que a Igreja defende a existência de princípios éticos fundamentais, valores universais e atemporais, os quais não podem ser relativizados, tais como a defesa da vida desde a concepção, a dignidade da pessoa humana, a igualdade como filhos de Deus, a caridade, entre tantos outros. Não é novidade, também, que a luz do Evangelho, a Igreja se posiciona, com força de advertência, contra ideologias e posicionamentos inegociáveis com a natureza humana, como a ideologia de gênero, a pena de morte e as penas cruéis, e ainda contra posições políticas que favoreçam a violência praticada por órgãos de Estado, maus tratos, a tortura ou mesmo a destruição da natureza, que é criação e presente de Deus.

A reflexão deve ser feita por todos nós: qual o posicionamento do partido e do meu candidato a respeito desses pontos? As propostas do meu candidato estão de acordo com a minha Fé e os valores da minha Igreja?
Esses são questionamentos que devemos fazer de modo sincero e, sobretudo, de maneira livre e autêntica, ou seja, pensando por si próprio sem se deixar levar pelas opiniões da massa, como tanto nos alertou nosso Fundador, Pe. José Kentenich.

É forçoso dizer: em uma sociedade polarizada, como cristãos, precisamos estar verdadeiramente com o coração aberto. Quantas vezes fechamos nossos olhos e ouvidos e não nos preocupamos em buscar a verdade por meio de fontes seguras, só porque determinada opinião partiu de tal ou qual político? Quantas vezes apenas criticamos sem buscar conhecer os reais fundamentos de uma decisão política? Ou ainda, quantas vezes defendemos determinados pontos sem nos preocupar em analisar posicionamentos contrários ou que nos ensina a Santa Igreja? Essas não são atitudes de quem busca o bem comum, principal missão do cristão junto a política. Ao revés, são típicas situações do homem massa, cego por doutrinas ideológicas alienantes que não poucas as vezes desprestigiam os valores das pessoas, da liberdade e da dignidade, como alertou o Papa Francisco em sua homilia em Blaj, na Romênia .

 

 

Fazer política a partir do Evangelho, superando as ideologias. Papa Francisco.

Nós, católicos leigos, somos convidados pela Igreja a participar da política não apenas escolhendo bem os nossos candidatos, mas sim nos candidatando para cargos públicos, a fim de que levemos o nosso carisma cristão e espírito evangélico a serviço de todos.

A Igreja nos orienta a não agirmos como Pilatos, ou seja, lavando as mãos e deixando a condução do país para pessoas que não têm compromisso com os valores cristãos. A atividade política é reconhecida pela doutrina católica como forma privilegiada de caridade social, quando exercida em busca do bem comum e da dignidade humana.

“Envolver-se na política é uma obrigação para o cristão […]. Temos que nos meter na política porque ela é uma das formas mais altas de caridade” (Papa Francisco, encontro de alunos e ex-alunos dos colégios jesuítas da Itália e Albânia, 07.06.2013)

Fotos: Schoenstatt International Communication Office 2014

Fonte: schoenstatt.org.br

A um clique de distância das urnas

 

Ana Paula Paiva – As eleições se aproximam e somos convidados a refletir sobre a importância de nossa participação na definição concreta do futuro político de nossas cidades, bem como sobre como nossa influência pode ser crucial na construção de novas comunidades e de uma nova ordem social, pautada por nossos valores e que busque a dignidade dos filhos de Deus na convivência social.

A CNBB emitiu uma nota muito pertinente nesse tempo, em que trata dos critérios que devem nortear nossas decisões eleitorais, à luz da doutrina social da Igreja e do magistério do Papa Francisco. Para tanto, ela salienta (o documento pode ser encontrado aqui) que, se é verdade que o protagonismo do leigo católico na sociedade se expressa também em sua efetiva participação e influência no campo político – é importante que nos pautemos por nossos valores católicos na escolha dos candidatos que exercerão suas candidaturas.

Em outras palavras, é salutar que compreendamos que um candidato que defende abertamente o aborto ou que não se preocupa com medidas para proteger o meio ambiente (para citar dois exemplos dados pela própria CNBB) não pode conduzir o exercício de seu cargo de outro modo que não viabilizando políticas públicas que caminham em desacordo com nossos ideais. Analisar o histórico dos candidatos tem justamente esse condão: o de conhecer como o candidato se posiciona a respeito de temas morais que são importantíssimos para nós. Vale lembrar que não se posicionar (caminhando sempre ao sabor do vento das pressões partidárias) também é um mau sintoma.

 

Lembre-se, no domingo, de levar caneta, máscara, título de eleitor, documento e álcool (fotos: tse.jus.br)

 

A mensagem emitida, entre outras coisas, também evidencia a importância do “pós-eleição”, ou seja, na organização popular para avaliar e fiscalizar os mandatos dos vencedores (ainda que não sejam aqueles que receberam nossos votos), não como medida de revanchismo, mas como atitude de responsabilidade eleitoral.

Nesse ponto, nosso Fundador, Pe. José Kentenich, também nos dá pistas essenciais: nosso senso de construção de uma nova comunidade e nova ordem social passa pelo nosso protagonismo – não apenas na ação primeira de votar e ser votado (características da cidadania dos povos democráticos), mas também na influência que devemos exercer na gestão administrativa de nossas comunidades. Acompanhar as pequenas e grandes decisões, manifestar-se respeitosamente, pressionar (sadiamente) na tomada de decisões políticas, fiscalizar as contas públicas, cobrar transparência nos atos administrativos (legislativos e executivos), também é protagonizar uma nova história política, que depende muitíssimo de nossa postura diária.

A apatia é inimiga da responsabilidade. É preciso que sejamos ativos e corresponsáveis. O tempo se aproxima: que nosso olhar diante dos acontecimentos desse ano nos torne cada vez mais coerentes e norteie as decisões que tomaremos no próximo domingo.

Fonte: schoenstatt.org.br

Nossa vida de Aliança rumo às urnas

Ana Paula Paiva – Estamos às vésperas de nossas eleições municipais e novamente queremos nos lembrar da importância de nossa atuação como leigos, responsáveis e cientes de nosso papel na construção de uma nova ordem social que passa, entre outras coisas, por nossa capacidade de votar e ser votado (elementos centrais de cidadania).

Ainda mais se levamos em consideração que todas as decisões de nossa vida comunitária ou particulares com reflexos comunitários, sejam elas morais, culturais, educacionais, institucionais, entre outras; se constituem – em última análise – em decisões políticas (permissivas ou proibitivas). Em outras palavras, todas as minhas decisões passam, em alguma instância, pela permissibilidade ou proibição estatal – que permitem graus, contudo. Há países mais ou menos permissivos, mas vejam só, também essa graduação é uma decisão política.

Conhecer e participar da política filosófica ou concreta e partidária é um dever, inafastável, portanto. Não é necessário, contudo, conhecer profundamente todos os elementos que perpassam a atuação política ou seus reflexos em todas as pequenas considerações (se essa não é sua vocação), mas a todos nós católicos, se exige – ao menos moralmente – que se tenha em consideração nossos ideais e critérios do que seja um bom candidato, por ocasião das eleições e do acompanhamento da vida política de nosso Estado. É importante conhecer para escolher bem.

Podemos elencar, de forma não exaustiva, os seguintes critérios para uma boa decisão: 1) Conhecer e concordar com a ideologia partidária do candidato, ou seja, qual sua filiação partidária, quais os ideais explicitados pelo partido político e quais as intenções institucionais que priorizam (informações facilmente encontráveis nos sites oficiais dos candidatos ou de seus partidos); 2) Conhecer o histórico político do candidato, ou seja, sua experiência em cargos públicos – como e porquê votou, quais projetos de lei iniciou e apoiou; bem como qual sua história de vida, sua formação, suas experiências profissionais, sua vida pregressa – e averiguar se há coerência entre suas palavras e sua atuação; 3) Conhecer e buscar candidatos que possuam ideais verdadeiramente católicos e condizentes com o que acreditamos.

Em nosso sistema político, que é federativo, os Municípios são searas de competências e importância fundamental. Fica claro que a atuação dos prefeitos e vereadores não é acessória e sim essencial em nosso dia a dia. É em nossa própria cidade que iniciamos o processo de construção de uma nova ordem social, católica e que expresse o Reinado social de Cristo, como nos lembra nosso Pai e Fundador. E é exatamente por isso, que votar (e ser votado) não é uma dimensão que deve ficar alheia à nossa vida ou caracterizada apenas por nossos sentimentos de descrença e desconfiança (que são compreensíveis, dado às circunstâncias políticas caóticas que experimentamos): somos convidados a fazer diferente e a votar diferente: conhecer os candidatos, participar dos debates, enviar perguntas às suas assessorias, influir no processo eleitoral.

Se nós não somos apenas mais um número (como nos lembra nosso Fundador na cruzada por uma vida orgânica e livre da massificação), tampouco são os candidatos – não se tratam apenas de um número que apertamos para nos livrar de uma obrigação eleitoral: nosso voto expressa o que acreditamos e o que sonhamos para nossa cidade e nosso país, o que trazemos em nosso coração e qual a expectativa que temos de realmente influir para a construção de uma nova ordem social.

Conhecer para escolher bem. Escolher bem para construir uma sociedade mais justa e coerente com nossos valores. Construir uma nova sociedade para fazer de nosso país um reinado de Cristo. Não é fácil ou simples, mas é uma demanda inafastável para aqueles que querem construir, verdadeiramente, uma concepção de Estado coerente e ideal.

Fotos: tse.jus.br e Karen Bueno

Fonte: schoenstatt.org.br