O papel da mulher no trabalho

 

Roberta Queli de Santi / Joelma Melo

“Esta é a base sólida em que repousa o trabalho do cristão. Deus trabalha constantemente com ele. Isto o impulsiona a trabalhar também constantemente com Deus. Deus vive nele e com ele! Ele vive em Deus e com Deus” (Pe. José Kentenich) [1]

Para entender uma mulher, antes é necessário sonhá-la»: eis por que a mulher é «o grande dom de Deus», capaz de «trazer harmonia à criação». A ponto que, confidenciou o Papa Francisco com um toque de ternura poética, «gosto de pensar que Deus criou a mulher para que todos nós tivéssemos uma mãe». Foi um verdadeiro hino às mulheres o que o Pontífice propôs na missa. É a mulher, reconheceu Francisco, «que nos ensina a acariciar, a amar com ternura e que faz do mundo uma coisa bela». E se «explorar as pessoas é um crime de lesa humanidade, explorar uma mulher é mais do que um delito e de um crime: significa destruir a harmonia que Deus quis dar ao mundo, é voltar para trás». [2]

Falar sobre a mulher no mercado de trabalho é um tema que pode seguir muitas vertentes e para melhor ambientar os leitores, informamos desde já que não é nosso objetivo tratar das desigualdades entre homens e mulheres. Não se trata de não ser este tema de grande importância, pois é muito relevante no contexto social e para melhoria de políticas públicas, mas o nosso olhar neste momento é para o ser feminino no ambiente do trabalho e o que Schoenstatt pode oferecer para a mulher neste ambiente.

Como influenciar o ambiente de trabalho?

É importante lembrar que a participação das mulheres no mercado de trabalho começa a ter um papel relevante na 2ª metade do século 18, com a Revolução Industrial e a necessidade de mão de obra para o fortalecimento da indústria. É evidente que a mulher participava do mercado de trabalho bem antes, mas, em termos percentuais, essa participação era quase inexpressiva. Na prática, também vemos isto ao ouvirmos os relatos de nossas avós, mães, tias, vizinhas mais idosas, sobre sua história de vida. Muitas podem exemplificar como foi expressivo a abertura do mercado de trabalho para as mulheres neste último século.

Neste campo, o que a mulher schoenstattiana tem de diferente? Como ela pode influenciar e transformar o ambiente de trabalho? Essas são perguntas que devemos nos fazer neste ano de 2020, quando celebramos os 100 anos da presença feminina no Movimento de Schoenstatt.

 

A enfermeira Gertraud, primeira mulher a ingressar no Movimento de Schoenstatt

 

Olhando para a origem, para as primeiras mulheres em Schoenstatt, lembramos da Condessa Gertraud von Bullion, mulher à frente de seu tempo. De personalidade firme e caráter forte, mas ao mesmo tempo meiga e preocupada com o desenvolvimento pessoal e espiritual de cada pessoa que a Mãe de Deus colocava em seu caminho. Ao lermos sua biografia, vemos o quanto a mulher pode influenciar o mundo do trabalho através do seu ser e agir.

“Os seus pacientes afeiçoavam-se a ela com respeito e grata admiração. Havia grande respeito por ela, e ela, em caso de necessidade, sabia impor-se, sem que a sua maternidade sofresse por causa disso… Muitos pacientes continuaram mais tarde a corresponder-se com a enfermeira Gertraud. Estas cartas são documentos de enternecedora gratidão.” [3]

 

A nobreza do ser feminino

A mulher schoenstattiana que busca viver com fidelidade sua Aliança de Amor e trilha os caminhos da pedagogia de Schoenstatt, transmitida pelo Pe. José Kentenich, resplandece em seu ambiente de trabalho a nobreza do ser feminino, da responsabilidade maternal impressa por Deus na alma de cada mulher. Para o Pe. José Kentenich, era essencial que a mulher fosse educada para ser plena de Deus, para que chegasse à compreensão de si mesma, de seu ideal de vida e missão. Para ele, o ideal de mulher desfigurado ou estraçalhado ocasiona confusão e destruição, porém “o ideal da mulher divinizada, constantemente conservado e vivido, é de maior valor, importância e fecundidade para uma nação do que sair vitoriosa de uma guerra mundial.” [4]

 

 

Seja em qual atividade for…

São inúmeras as atividades exercidas pelas mulheres schoenstattianas no ambiente de trabalho. Professoras, enfermeiras, médicas, policiais, dentistas, cuidadoras, executivas… O que elas têm em comum? Levam para seu ambiente de trabalho a consciência de seu ideal pessoal e do que o bom Deus e a Mãe Três Vezes Admirável esperam dela naquele ambiente. São capazes de, com liberdade interior, pensar, falar e agir com base nos ensinamentos de Cristo e de sua Igreja. Buscam gerar em cada ambiente uma cultura de aliança, valorizando cada pessoa e tratando a todos com o respeito e dignidade de Filhos de Deus. Seu atuar, fundamentado na Aliança de Amor e nas exigências deste compromisso, a levam a elevar ao máximo as exigências em relação a si mesma, a cumprir fielmente seu dever, sendo exemplo para seus colegas.

É cada vez mais perceptível o grande potencial da mulher no mundo do trabalho. Segundo o estudo “Perspectivas Sociais e de Emprego no Mundo – Tendências para mulher em 2017” [5], elaborado pela Organização Mundial do Trabalho – OIT, o aumento da presença feminina no mercado de trabalho poderia injetar R$ 382 bilhões na economia brasileira. Para que isso aconteça, é necessário reduzir, até 2025, a desigualdade na taxa de presença feminina em 25%. “Uma das principais conclusões do estudo é que a redução dessas lacunas no mercado de trabalho geraria importantes benefícios econômicos na forma de crescimento do PIB e melhoraria o bem-estar individual em múltiplas dimensões.”

Em uma pesquisa do IBGE em 2017 apontou que as mulheres ocupavam apenas 10,5% das cadeiras na Câmara Legislativa e 16% no Senado Federal. Em um ranking da Inter Parliamentary Unio [6], com informações de 190 países, o Brasil ocupa o 157º lugar de cadeiras ocupadas por mulheres em câmeras ou parlamento.

As pesquisas mencionadas acima revelam que a mulher schoenstattiana tem à sua frente a grandiosa missão de penetrar no mundo do trabalho e atuar nele em todos os seu âmbitos, transformando profundamente o futuro da sociedade. Será que já nos perguntamos onde está a mulher schoenstattiana na política, na justiça, na polícia, nos centros de pesquisa, nas redes sociais, no Youtube, no Instagram? Faltam exemplos femininos a serem seguidos e a sociedade necessita de personalidades firmes, livres e apostólicas, capazes de formar o homem novo na nova sociedade.

 

 

Que sejamos “fonte de graças” e “escola de santidade”

Também a mulher schoenstattiana deve estar “empenhada em todos os âmbitos da vida social, econômica, cultural, artística e política e contribuir para uma cultura capaz de conjugar razão e sentimento, para uma concepção da vida sempre aberta ao sentido do «mistério», à edificação de estruturas econômicas e políticas mais ricas de humanidade…».” [7]

Buscar ocupar seu espaço no ambiente de trabalho não é uma batalha fácil para a mulher schoenstattiana. É necessário enfrentar as realidades que envolvem competições, fofocas, depreciação da figura feminina, além das diferenças salariais, o desânimo, a dupla jornada de trabalho. Neste sentido, as lutas frequentes são vencidas com o empenho prático pelo reconhecimento da dignidade da mulher e com uma profunda vinculação ao mundo sobrenatural. Estar vinculada a Deus e a Mãe de Deus, sentir-se abrigada no Santuário, exaurindo dali as forças e graças necessárias e buscando no Pai e Fundador, Pe. José Kentenich, a orientação para conseguir fazer resplandecer em seu ser a personalidade nova, querida por Deus, a Pequena Maria, que continua a atuar no mundo, são as armas que a mulher recebe quando diz o seu SIM à Aliança de Amor. Com estes instrumentos ela se torna vencedora em todas as batalhas, pois jamais vai perecer quem fiel à Aliança permanecer!

O que nosso Pai e Fundador espera de cada profissional schoenstattiana? Que sejamos, com humildade, “fonte de graças” e “escola de santidade” cada uma com seu dom e missão [8]. Ele ainda nos leva a um questionamento… “Onde estão as dificuldades? Vamos rezar: Faze que eu não me desencoraje, mas tenha confiança!” Pe. J.k.

 

* Contribuição da União Apostólica Feminina de Schoenstatt

 

Referências:

[1] KENTENICH, Pe. José. Santidade de Todos os Dias. Natureza do trabalho em união com Deus.

[2] http://www.vatican.va/content/francesco/pt/cotidie/2017/documents/papa-francesco-cotidie_20170209_mulher-harmonia-mundo.html

[3] LAUER, Nikolaus. Gertraud von Bullion: Servian resposta de amor. Paulus, 2009, pg 72.

[4] KENTENICH, José. A riqueza de ser puro. 3ed. 2001, p. 20.

[5] International Labour Oranization. World Employment and Social Outlook: Trends for women 2017. Disponível em: http://www.ilo.org/global/research/global-reports/weso/trends-for-women2017/WCMS_557245/lang–pt/index.htm

[6] Women in national parliaments. 2019. Disponível em: http://archive.ipu.org/wmn-e/classif.htm

[7] João Paulo II. Carta às Mulheres, 1995, n. 2. Disponível em: http://www.vatican.va/content/john-paul-ii/pt/letters/1995/documents/hf_jp-ii_let_29061995_women.html

[8] Ir. M. Neiva Pavlak, schoenstatt.org.br/2019/11/23/ser-mulher-em-schoenstatt-dom-e-missao

Fonte: schoenstatt.org.br

13 curiosidades sobre Gertraud von Bullion

Neste ano, celebramos 100 anos da entrada das Mulheres no Movimento de Schoenstatt.  Neste acontecimento Gertraud Von Bullion desempenha um papel essencial. Por isso, as ’10 curiosidades’ sobre ela que seguem podem ser bem interessantes.

 

Era uma condesssa 

Gertraud von Bullion descende de uma família nobre da alta burguesia.  Ela esforçava-se por unir a nobreza da alma à nobreza de nascimento, pois aspirava a servir a Cristo e às almas, tal como os seus antepassados tinham feito ao serviço do rei temporal.

 

Primeira mulher de Schoenstatt

Como primeira mulher neste novo movimento religioso, ela torna-se co-fundadora e co-formadora.   Sua paixão foi a União Apostólica, que era e continua sendo uma Comunidade única. Ela vivia para esta finalidade e ofereceu seu “tudo” para o início, dedicou ao trabalho apostólico e à União Apostólica a sua força, o seu tempo livre, a oblação de todo o seu amor.

 

Era melancólica

Em um dos relatos do internato onde estudou quando criança encontra-se o seguinte relato: “Ela era tímida, tinha bom coração, era bastante dotada, um pouco melancólica”. Anos mais tarde, a jovem Gertraud reconhecia em si o temperamento dado por Deus: “Ninguém supõe em mim um melancólico… Mas, faz parte do ser do melancólico, que em 4/5 ele tenha de abrir caminho sozinho”.

 

Ideal Pessoal 

Senhora, Mãe. Todo meu amor para o teu Jesus, toda a minha força para as almas como teu instrumento.

 

Recitava cânticos para não deixar os pensamentos ruins tomarem conta de si 

Logo que os pensamentos, as preocupações e reflexões surgem, rezo os versos do meu cântico ao Coração de Jesus: Deposito todas as minhas preocupações em Ti, amado Coração, pois aí está tudo bem abrigado, e tranquila posso eu ficar. Ou as palavras da letra dum cântico de Vurtemberga: Ó meu cristão, deixa Deus só atuar. p.204

 

Dedicou-se inteiramente ao apostolado

O espírito apostólico a impulsionou para um engajamento incansável e generoso. Gertraud, dedicou-se inteiramente ao apostolado. Foi sua “primeira vocação”, como foi o caso do amor em Santa Teresinha de lisieux. Por amor à Mãe de Deus e inflamada por ela, ela queria conquistar as pessoas para Cristo e ampliar e expandir o seu Reino. Essa foi a primeira instância de sua ação, uma sagrada prioridade, à qual ela queria submeter todas as outras coisas.

 

Rezava o terço escondida

Cedo, já se manifestava nela uma inclinação clara para a piedade. Criança de sete anos, rezava o terço no caminho para a escola, e, para que a sua oração não fosse notada por ninguém, gostava de usar um agasalho para as mãos em que facilmente podia esconder o seu pequenino rosário.

 

O  mais simples

Ela tomou muito a sério o espírito de pobreza,  procurava viver a pobreza apostólica no seu vestido, renunciava a livros, concertos e teatros, para poder ajudar os necessitados. No hospital, ela pôde, alegremente, confessar: «As minhas necessidades pessoais, graças a Deus, são tão pequenas que, às vezes, me sinto tão livre como um passarinho a voar.»

 

Lentidão

Por fazer tudo com excelência acaba sendo mais lenta, porém isso não a incomodava. Uma vez, ela escreveu às unionistas, para se desculpar: “A lentidão é uma parte do meu Ideal pessoal, ou seja da ideia de Deus acerca de mim. Vossa lenta, Gertraud”.

 

Gratidão 

Gertraud tinha o hábito de parar alguns instantes no meio do divertimento e rezar uma jaculatória a Jesus na Eucaristia, oferecendo-lhe, no meio das alegrias do mundo, o seu coração como puro tabernáculo.

 

Servir 

Estava sempre presente onde houvesse algo para fazer. Ela queria servir principalmente com o exemplo.

 

Enfermeira

Em Agosto de 1914, Gertraud já se inscrevia como voluntária na Cruz Vermelha, para  consagrar à pátria as suas forças como enfermeira de guerra. Ela trabalhou por 4 anos como enfermeira na guerra, nesse período contraiu uma doença que evolui para tuberculose.

 

Antenada a moda

De acordo com seu modo de ver, as unionistas deviam exercer o “apostolado da moda” e mostrar ao mundo que, mesmo usando roupas da moda apresentar-de de forma atraente e honesta”.

 

 

Imagem – Fonte: https://www.schoenstatt.org.br/home/espiritualidade/gertraud-von-bullion/

Curiosidades enviadas por: Valda Perez – União Apostólica Feminina de Araraquara/SP, Regional Sudeste

Fonte: jufem.com.br

As mulheres em Schoenstatt: Catarina Kentenich – mãe do Padre Kentenich

Gilvaneide Lima do Nascimento – Para as mulheres em Schoenstatt, este é um ano centenário, um ano todo especial. A cada mês, no site nacional, está sendo publicado um novo artigo sobre as mulheres que se destacam no Movimento de Schoenstatt e o que temos a aprender com elas.

Neste mês de junho queremos voltar nosso olhar para a primeira mulher que se destacou em Schoenstatt e que recebeu de Deus a missão de ser mãe de nosso Pai e Fundador: Catarina Kentenich.

Quem foi esta mulher?

Catarina Kentenich nasceu em Gymnich, Alemanha, em 18 de julho de 1863. Dos oito filhos, era a mais nova.

Quando Catarina tinha 18 anos foi trabalhar como auxiliar nos serviços domésticos na fazenda Heuser, em Oberbohlheim, onde conheceu Matias José Koep. Matias manifestou por Catarina um interesse particular. Ele a conheceu na fazenda, onde trabalhava como capataz.

Mais tarde, Catarina engravidou de Matias e teve que deixar a fazenda. Foi para a casa de sua irmã, que tinha uma hospedaria. Toda esta situação foi muito difícil para a jovem Catarina. Ela teve que lutar por ser mãe solteira. E, justamente por não ser casada, carregava uma sorte difícil, semelhante a de outras mulheres da época.

Pouco antes do nascimento de seu filho, o pai de Catarina Kentenich a levou para sua casa, em Gymnich.

Um fato importante na vida de Catarina revela a grandeza de sua alma, a sua missão de mãe e o atuar da Divina Providência. Uma noite, ela sofreu a tentação de pôr fim à vida. Sua mãe foi despertada por uma angústia interior, pegou água benta, percorreu toda a casa, até o quarto da filha, e disse: “Aqui em casa está acontecendo algo muito ruim”. Profundamente tocada por estas palavras, naquele momento Catarina Kentenich decidiu aceitar a sua nova situação. Ainda na mesma noite, consagrou a criança que ia nascer a Deus e a Nossa Senhora, por quem tinha um grande amor.

No dia 16 de novembro de 1885 Catarina Kentenich dá à luz ao pequeno Pedro José Kentenich. Esta criança tornou-se o conteúdo e o sentido de toda a sua vida.

A partir desse relato, brilha ante nossos olhos o exemplo de como Catarina educou o seu filho. O amor que tinha por ele e o quanto se preocupou em dar-lhe o melhor. Sempre trabalhou em vista do filho e quando percebeu que não seria capaz de lhe oferecer um bom estudo e um boa formação, teve que tomar uma difícil decisão. Com muita dor, aconselhada por seu confessor, decidiu colocar o menino num orfanato, pois sabia que lá ele estaria bem cuidado, que não lhe faltariam os bens materiais necessários e também teria a garantia de um bom futuro. Apesar dessa decisão, Catarina jamais abandonou o filho. Sempre que era possível, ia visitá-lo e estava sempre em contato com ele. “Meu querido filho! (…) agradeço ao bom Deus por ele me ter dado a maior felicidade que uma mãe pode ter aqui na terra: um bom filho”, ela escreve numa carta. Mais tarde, após a fundação do Instituto das Irmãs de Maria, também escreve: “Eu ajudo-te quanto posso, pela oração e boa conduta. Agradeço ao bom Deus por teres uma vocação tão bela. Como os anos passam depressa! Penso sempre que ainda não faz muito tempo, usavas o terno azul de estudante, e agora já estás na melhor idade de um homem. Como os avós se devem alegrar contigo e rezar por ti! Precisava escrever-te de novo. Agora me sinto outra vez bem contente. Com cordial saudação e que Deus te guarde, tua mãe que reza por ti”.

Por que ela se destacou?

Catarina se destacou e continua a se destacar como grande mulher e mãe.

O seu sim à vida marca o início a uma grande história, da qual todos nós, schoenstattianos, fazemos parte.

Com o seu sim nasce Schoenstatt, nasce uma grande personalidade, nasce quem Deus confiou uma missão, nasce nosso Pai e Fundador, Pe. José Kentenich.

O que também dá um especial destaque a Catarina Kentenich é seu amor e sua responsabilidade pela educação de seu filho. As pessoas que conheceram a mãe do Pe. Kentenich descrevem-na como uma mulher distinta, de passo firme e decidido. (…) Era trabalhadora esforçada e durante toda a vida foi muito modesta no que dizia respeito à sua pessoa. Evitava gastos desnecessários, costumava economizar. Foi caracterizada como uma “mulher delicada e nobre (…)”. Era estimada como cozinheira e recomendada entre as famílias ilustres.

Catarina Kentenich era muito religiosa e apostólica, ia à missa todos os dias. Por sua influência, a família onde ela trabalhava como cozinheira se converteu ao catolicismo e passou a empenhar-se intensamente na Igreja.

Em 27 de março de 1939 ela faleceu serenamente, em paz, com 75 anos, após uma vida toda dedicada ao trabalho como oferenda silenciosa pelo filho.

Pe. Kentenich visitou-a três dias antes de sua morte. Ele comentou certa vez: “A minha mãe era uma mulher muito dedicada, viveu santamente, com certeza já está no céu”.

O que o exemplo de Catarina Kentenich ensina às mulheres do nosso tempo?

Seu exemplo nos mostra a grandeza e os valores que Deus presenteou à alma feminina e que, quando desdobrados e colocados a serviço, possuem uma grande repercussão na vida do outro.

Catarina Kentenich nos ensina a verdadeira maternidade, quer seja biológica ou espiritual, que o principal é cuidar que o filho dado por Deus se desenvolva e cumpra sua missão.

Toda mulher traz dentro de si o anseio de servir – e uma mãe, por excelência, desdobra em si esta virtude.

O exemplo de Catarina Kentenich ensina a sermos fortes nas provações e a perseverarmos nas dificuldades. Vivemos em um tempo que a imagem da mulher está sendo totalmente distorcida. Por isso, fixemos nosso olhar nas heroínas que Schoenstatt formou e continua a formar como resposta concreta para o nosso tempo.

* Contribuição da Liga das Mães de Schoenstatt do Regional Nordeste

 

BIBLIOGRAFIA:
Anos Ocultos – Dorthea M. Schlickmann

 

Fonte: schoenstatt.org.br

As mulheres em Schoenstatt: Ir. M. Emilie Engel

 

Ir. M. Claudete Rauen – “Senhor, torna-me madura como um grão de trigo, alimento para os famintos e desvalidos. Que toda minha vida seja uma oferenda, doação total, então, estarei vazia de mim mesma e madura para a eternidade” (Ir. M. Emilie Engel)

Este ano estamos celebrando os cem anos da entrada das mulheres em Schoenstatt e, para tal, queremos voltar o nosso olhar àquelas que, ao longo da nossa história, nos marcaram por sua vivência de Aliança com a Mãe Três Vezes Admirável. Como também queremos conhecer um pouco sobre sua história de vida e sua personalidade singular.

E quando falamos em Ir. M. Emilie Engel, facilmente nos vêm à mente a sua vida sacrifical e a sua estreita relação com Deus Pai através da fé prática na Divina Providência. Esses, com certeza, são aspectos de sua vida aos quais devemos nos espelhar e motivar como schoenstattianos.

Ela era a quarta filha, de uma família de 11 irmãos, dos agricultores Arnold Engel e sua esposa Eva Katharina. Nasceu no dia 6 de fevereiro de 1893, no município de Husten, distrito de Olpe. Formou-se professora no ano de 1914 em Arnsberg e a partir daí exerceu esta tarefa com muita dedicação.

Em 1921 participa do primeiro congresso para mulheres em Schoenstatt/Vallendar, que se tornou o início de decisiva mudança no curso de sua vida. Incorpora-se à União Apostólica Feminina, selando, em 16 de abril de 1925, sua Aliança de Amor com a Mãe Três Vezes Admirável.

Dotada de grande espírito de doação, a sua vida foi marcada pelo serviço desprendido a Schoenstatt. “Cheguei a Schoenstatt para amar”, assim ela definia sua vocação principal. Seu amor, que ela presenteava silenciosamente no simples ajudar, doando-se desinteressada e despretensiosamente, amadureceu sempre mais e transformou-se em bondade.

Em 1926 coloca-se à disposição do Fundador, o Padre José Kentenich para iniciar o Instituto das Irmãs de Maria de Schoenstatt.

A fragilidade do instrumento

O que caracterizou mais profundamente Ir. M. Emilie foi a sua fé na Divina Providência. Ela fez a profunda experiência de Deus, como o Deus da vida, que vem ao encontro dos seus filhos, que dialoga com eles, que lhes revela o seu plano de amor e que espera e deseja ver-nos como seus colaboradores. Quanto mais Ir. M. Emílie confiou sem reservas em Deus, tanto mais ricamente pôde experimentar o seu generoso auxílio.

Ainda muito jovem teve tuberculose, uma doença que no seu tempo era muito difícil de ser tratada. Teve que submeter-se a dolorosos e difíceis tratamentos que não tiveram o efeito desejado. Pouco a pouco ela foi entregando forças físicas, a capacidade de locomover-se, até chegar a ficar totalmente paralisada. Não perdeu, porém a sua alegria e no seu olhar podia-se encontrar o mistério mais profundo de Deus.

Apesar da sua fragilidade, dedicou-se totalmente a Schoenstatt e à missão que recebera do Fundador. Assumiu grandes responsabilidades na condução da Comunidade das Irmãs de Maria e tornou-se um vigoroso alicerce na edificação da jovem fundação. Precisou suportar muita aflição e experimentar toda a sua fraqueza, mas, ela rezou como uma criança confiante: “Estou certa que não me deixas cair. Desde toda a eternidade me abrigas em teu coração”. Ir. M. Emílie vivenciou que é possível despertar forças inimagináveis numa pessoa, se lhe presenteamos a nossa confiança. Do mesmo modo, nada honra tanto a Deus e atrai o seu auxílio, como a confiança de seus filhos.

A grandeza da entrega

Essa serenidade foi precedida por um doloroso processo de desprendimento. Ela gostava de contar uma história: quando estamos no entusiasmo de uma hora solene, no auge da nossa alegria, oferecemos a Deus todos os nossos dons e capacidades, como em uma ‘mala’, e entregamos tudo a ele. Deus se alegra e aceita a nossa oferta. Mas ele nos diz: ‘Podes levar de volta a tua mala. Depois, eu buscarei parte por parte, quando e como me agrada’. Quando jovem Irmã, Ir. M. Emílie ofereceu tudo a Deus pela santificação do mundo, até mesmo a prontidão para qualquer sofrimento imaginável. Primeiro, Deus lhe presenteou tudo de volta. Aos poucos, ele começou a escolher da “mala” as dádivas oferecidas. E, aos poucos, ela foi entregando uma coisa após outra. Ela desapegou-se até do desejo de ser curada. Pôde desprender-se de si mesma, porque sabia que Deus a amparava. Ela estava convicta: “Em Deus eu posso confiar, a ele eu posso me abandonar”. Com isso, ela permanecia livre e tranquila. A serenidade vive do estar abrigado em Deus.

Em tempos de pandemia

Quando celebramos os 100 anos das mulheres em Schoenstatt, a sua vida é para nós um modelo a seguir. Nós, mulheres de Schoenstatt, temos o diferencial de compreender, de forma tão única, como o bom Deus nos chama e conduz pela Aliança de Amor a sermos personalidades criadoras que deixam a sua marca no tempo. Justamente neste tempo de pandemia, em que, de uma hora para a outra nos vimos rodeados de insegurança, de medos e levados a uma situação de isolamento e assim privados da presença dos amigos, dos familiares, da participação na Eucaristia, da visita ao Santuário… a vida de Ir. M. Emílie nos é oferecida como exemplo. Na sua vida encontramos sinais concretos do ser e da vida de Maria, nossa querida Mãe. Tal como Maria, também Ir. M. Emílie sintonizou a sua vontade na vontade de Deus, confiando cegamente em seu amor.

Fonte: schoenstatt.org.br

Para mulheres: Consultas de moda com a Mãe de Deus

 

Sra. Raquel Esther Padilha – Lemos na Bíblia: “Então Deus disse: ‘Façamos o homem à nossa imagem e semelhança…’. Deus criou o homem à sua imagem; criou-o à imagem de Deus, criou o homem e a mulher” (Gn 1,26-27).

Desde o início da criação Deus deu a cada um (Homem e Mulher) características próprias e missões próprias que se complementam formando, juntas, a imagem de Deus.

“O que é próprio do ser feminino?”, questiona o Pe. José Kentenich. Ele responde: ser toda alma, toda entrega e toda pureza. E essa essência feminina se expressa em todo seu ser: no corpo, no pensamento, nos sentimentos, nas atitudes, nas ações e também no seu estilo de vida e no vestir. A isto o Pe. Kentenich fala da lei: “A ordem do ser é a ordem do agir”.

Nossas expressões exteriores são e devem ser a expressão de todo nosso ser feminino, de nosso corpo e da nossa alma.

Qual é o sentido de nosso corpo?
* É expressão da alma,
* é companheiro da alma,
*é instrumento da alma.

Então, a nossa pergunta é: o estilo de vestimenta também tem que expressar esse mundo interior de nosso ser feminino? Qual é o sentido de nossa vestimenta segundo a essência do ser feminino e da lei da ordem do ser e do agir?

1º A vestimenta é proteção para as inclemências do clima. Mas, se fosse este o único sentido, então só estaríamos cobertas no inverno. No verão, não! Então, portanto…

2º O sentido das roupas é a proteção do pudor.

“O que é pudor? A Igreja ensina que ‘o pudor preserva a intimidade da pessoa. Consiste na recusa de mostrar aquilo que deve ficar escondido. Está ordenado à castidade, exprimindo sua delicadeza. Orienta os olhares e os gestos em conformidade com a dignidade das pessoas e de sua união’ (Catecismo da Igreja Católica 2521). Favorece para o entendimento que o corpo não é um objeto a ser usado e depois descartado, mas um lugar sagrado, pois ‘acaso ignorais que vosso corpo é templo do Espírito Santo que mora em vós e que recebestes de Criador?’ (1 Cor 6,19). Com isso, espera-se que o corpo seja considerado e tratado como tal: templo de Deus”. (Pe. Marcio L. Fernandes)

Diante disso surgem várias perguntas: como deve ser o comprimento da minha saia? Quanto posso deixar aberto o decote de minha blusa? Posso ou não usar calça e quanto pode ser ajustada no meu corpo? Posso ou não usar short?

Já temos uma resposta geral: o sentido da minha roupa é proteger o sentimento do pudor.

3º A vestimenta é a expressão de meu ser feminino: Toda alma, toda entrega e toda pureza.
A principal proteção da pureza é o sentimento de pudor e da vergonha. E isto se expressa na roupa, maneira de me sentar, caminhar, gestos, palavras etc. Então aplicamos o princípio: mantenho coberto o que ainda se pode cobrir. E isto vai em contra ao que hoje se vive: deixar nu o que mais se pode deixar descoberto.
Valorizamos em nosso corpo as formas femininas; não as ocultamos obsessivamente, mas não queremos mostrá-las de forma provocativa que excite facilmente ao homem.

Minha pergunta deve ser: o que quero transmitir com minhas vestes? Eu elevo o homem? É algo mariano ou algo descontrolado?

Não queremos chamar atenção nem por antiquadas, nem por exageradamente modernas.

Muitas vezes se pensa que nossa forma exterior está desvinculada com nosso mundo interior. Esse é um pensamento mecanicista, nós somos um ser orgânico, uma totalidade. Nosso exterior expressa nosso mundo interior e nosso mundo interior dá forma à nossa forma exterior.

Qual é, então, nosso estilo de vida e nosso estilo de vestir?

É um estilo mariano. Maria é a mulher em plenitude. Cada uma de nós é outra Maria para nosso tempo. E em cada uma de nós está o “eterno feminino”, aquilo que faz parte da nossa essência que vai além do tempo, da cultura, da modernidade: toda alma, toda entrega e toda pureza.

Nós, mulheres, devemos nos preocupar em tornar vivo o eterno feminino, para que em nós Maria possa caminhar em nosso tempo.

“Torna-nos semelhantes à tua imagem, como tu, passemos pela vida, fortes e dignos, simples e bondosos, espalhando amor, paz e alegria. Em nós percorre nosso tempo, prepara-o para Cristo” (Rumo ao Céu 609)

Fonte: schoenstatt.org.br

As mulheres em Schoenstatt: Lenir Bavoso

 

Ir. M. Nelly Mendes – Estamos celebrando os 100 anos da presença das mulheres em Schoenstatt. Lenir Bavoso também é uma destas grandes mulheres que temos e que, por amor, entregou tudo pela Obra.

Lenir Bavoso nasceu no dia 27 de agosto de 1932, foi casada com Felipe, teve cinco filhos e vivia na cidade de Curitiba/PR. Ela visitou o Santuário da Mãe e Rainha de Schoenstatt – o Santuário em Londrina/PR – uma única vez na vida. Mesmo assim, a vivência da graça, atuante nesse lugar sagrado, é o suficiente para transformar toda a sua vida.

Ela pertence ao grupo pioneiro da Liga das Mães de Schoenstatt em Curitiba/PR. Possui uma grande vivência de fé na Divina Providência e sua conduta exemplar é comprovada por atitudes de prontidão e entrega à vontade de Deus.

Um traço característico de sua personalidade é a virtude de estar sempre a serviço de Deus e das pessoas. Deste modo, quando conhece a proposta da Aliança de Amor, percebe que havia encontrado o que vinha buscando na Igreja.

Anos mais tarde, quando supõe que está enferma de câncer, não se deixa abater; apesar do desejo natural de viver, nunca se desespera. Na medida em que se agrava sua doença, transparece em si as virtudes marianas: é carinhosa, acolhedora, serviçal e sempre agradável.

No Hospital Nossa Senhora das Graças, no quarto que ocupa, ela oferece sua vida consagrando-se à Mãe e Rainha de Schoenstatt:

“Querida Mãe, Rainha e Vencedora Três Vezes Admirável de Schoenstatt, espiritualmente ajoelhada ante a tua imagem de graças, no Santuário, quero agradecer por todas as graças que concedeste a mim e a todos os meus familiares e que, apesar de todas as lutas e dificuldades financeiras, nunca nos faltou nada.

Agradeço-te especialmente a graça da escolha para pertencer à Obra de Schoenstatt, nesta hora em que o Movimento cresce em Curitiba e pelo Santuário que em breve surgirá aqui. Obrigada Mãe, que me deixaste participar de tuas dores e nos sofrimentos do teu Filho, mas, ao mesmo tempo, porque teu amor sempre me acompanha, dando-me forças e acalentando minhas dores. […]

Aceita minha consagração e toda a minha vida a qual coloco em tuas mãos, para que neste Santo Sacrifício deposites na patena e ofereças ao Pai, a fim de que realize em mim a sua vontade. Se for do seu agrado chamar-me para junto de ti, prontamente me entrego como semente que se lança nos fundamentos do Santuário, para que o nosso Movimento se expanda pelo mundo inteiro e ajude na salvação da humanidade, especialmente das famílias e da juventude, e para que abençoe meus familiares, unindo-os sempre mais no teu amor e conservando-os em sua graça” (assim ela reza em 12 de dezembro).

No dia 13 de dezembro de 1975, a Mãe de Deus vem buscá-la para a Aliança eterna.

Por que a recordamos?

Lenir pertenceu aos grupos de Schoenstatt apenas durante cinco anos. Um tempo relativamente curto, mas profundamente vivido e fecundo. Suas ofertas ao Capital de Graças tinham como súplica a construção de um Santuário de Schoenstatt em Curitiba e o surgimento de muitas vocações sacerdotais.

Impulsionada pela pessoa, obra e missão do Pai e Fundador, em Schoenstatt ela encontrou o seu lugar e presenteou tudo o que podia pela salvação do mundo e pela santificação de sua família, inclusive a sua própria vida.

Seu Ideal Pessoal era: Semente dos Fundadores do Santuário!

Inspiração para as novas gerações

Qual a mensagem que Lenir Bavoso tem para nós, nesta caminhada rumo à celebração dos 100 anos da presença das mulheres em Schoenstatt?

Para nós, Lenir Bavoso é um exemplo de mulher, de esposa e de mãe. “Se for do seu agrado chamar-me para junto de ti, prontamente me entrego como semente que se lança nos fundamentos do Santuário…”

Também nós queremos ser semente que, lançada à terra, germina as alegrias na vida familiar, germina o perdão e o companheirismo na vida matrimonial, germina a feminilidade e a paz.

Como Lenir, queremos ter a fortaleza na enfermidade, o olhar materno que ama e aconselha os filhos, a paz e a harmonia no lar junto ao esposo. Ela nos inspira a sermos boa semente e que também nós caiamos em terra boa e consigamos dar frutos: cem por um, sessenta por um, trinta por um. (Mt 13,8)

 

Fonte: schoenstatt.org.br

As mulheres em Schoenstatt: Maria Regina Tokano

 

Pâmela de Souza Schiaber – Maria Regina Sakura Tokano, conhecida como Regininha, é uma das heroínas de Schoenstatt. Elas nasceu no ano de 1943, em Jataizinho/PR, e passou a maior parte de sua infância e adolescência na pequena cidade de Uraí/PR.

Em 1961, muda-se para Londrina/PR, para iniciar seus estudos em História, e hospeda-se no pensionato do colégio Mãe de Deus, dirigido pelas Irmãs de Maria de Schoenstatt. Uma forma que ela encontrou de ajudar no custeio de suas despesas pessoais foi trabalhar como bibliotecária no colégio. Regininha era muito tímida e, com sua singeleza, aos poucos conquistou a confiança das pessoas.

Estabeleceu um profundo contato com a Mãe de Deus, o Santuário e o Pe. José Kentenich, quando começou a participar da Juventude Feminina de Schoenstatt, selando sua Aliança de Amor em 8 de dezembro de 1961. Esse contato levou Regininha a uma transformação completa em sua vida. Seu amor pelo Pai Celestial e pela “Mãezinha” era tão grande que sua alma tinha uma apurada sensibilidade aos desejos de Deus.

Regininha sentiu-se chamada à vida consagrada, mas não conseguiu concretizar esse projeto porque faleceu em 5 de julho de 1966.

 

Inspiração para as mulheres atuais

Regininha foi uma pessoa muito alegre e sorridente, tímida, sensível e delicada. Sua forma singela de falar fazia com que todos sentissem prazer em conviver com ela. Outra característica marcante foi a serviçalidade, como mostra seu ideal pessoal “Amar pelo servir em prontidão filial”.

Ela deu e nos dá um exemplo de como servir no mundo de hoje. Ela foi prova do amor a Deus, à Maria e ao próximo, mostrou que amou as coisas boas e os sentimentos puros. Deixava de fazer suas tarefas para ajudar os outros e ficava feliz e se sentia realizada quando o fazia.

Teve Maria como seu modelo, colocando-se como uma pequena filha, aberta a servir os interesses divinos. Seguir o exemplo de Regininha é seguir os ensinamentos de Maria, servindo ao próximo e se sentindo realizado ao fazer isso.

Em um trecho de seu diário podemos encontrar a delicadeza e o amor de Regininha ao serviço à Mãe de Deus e a Jesus:

“Quero ser sempre pequenina como no primeiro momento da vida, com um coração puro, sincero, angelical, para estar sempre juntinho da Mãezinha e do Pai Celestial que tudo me dá e que me ama muito…Tenho o coração no Santuário e o Santuário no meu coração! Quero ser Santa. Santo é aquele que vive conforme a vontade do Pai. Deus é perfeito, por isso devo ser perfeita, não só no pensar e sentir, mas principalmente no viver. Dá-me tornar vivência aquilo que me ensinas através de Schoenstatt!” [1]

Para Maria Regina, valia a frase: “…ou tudo ou nada, como para mim não existe o nada, sobra-me o tudo…” [2]

Regininha é um grande exemplo a nós, em sua pequenez, não só de estatura, mas de humildade, delicadeza e amor ao servir. Mesmo com tão pouco tempo de vida, pôde semear e colaborar para a Obra de Schoenstatt, pois percebeu que com Jesus, com a Mãe, com Schoenstatt, “a vida é mais”.

*Contribuição da Liga Apostólica Feminina de Schoenstatt do Regional Paraná

 

 

[1] Trecho de diário de Regininha, arquivo Juventude Feminina de Schoenstatt

[2] Idem

 

Fonte: schoenstatt.org.br

A força da amizade feminina: Unidas somos mais!

Ir. Viviane Maria Penitente Ribeiro – “Um amigo fiel é uma poderosa proteção: quem o achou, descobriu um tesouro” (Eclo 6, 14), assim se expressa tão belamente o autor sagrado. Quem já vivenciou uma amizade verdadeira não tem dúvida da genuinidade desta frase. De tal mensagem, inspirada na Sabedoria Eterna, haurimos bênçãos especiais e direcionamento seguro que norteiam nossa vida, nosso querer, pensar e amar.

Os sentimentos cultivados em uma amizade sincera são sempre uma valorosa arma contra a solidão e o desamparo.

A palavra “amizade” tem origem latina, amicitatem, e significa “estima, dedicação recíproca entre pessoas” (Dicio). Portanto, essa força também acolhedora é inerente à natureza humana, que persiste com vínculos e é dependente de vínculos.

Um estudo de 2012, realizado pelo Departamento de Epidemiologia e Saúde Pública da Universidade de Londres, concluiu que a amizade é especialmente importante para as mulheres. E por que isso acontece? Para as mulheres, as amizades exercem grande impacto sobre o tipo de pessoa que ela é e em quem ela vai se converter. As amizades são também benéficas, entre as mulheres, para fazer frente ao estresse, pois o sentimento de amizade provoca a liberação de ocitocina, o hormônio que reduz os níveis de tensão e gera um efeito calmante [1].

Estar com uma amiga, ou melhor, ter uma amiga significa, portanto, de maneira figurada, cultivar um oásis de paz.

Efeitos biológicos

Em situações de longa ansiedade e estresse nosso organismo sofre as consequências da presença de mediadores químicos que elevam a pressão sanguínea e os níveis de glicose no sangue. Esses são mecanismos naturais de adaptação para enfrentar tais situações que, se não tomados em consideração, podem levar ao desenvolvimento de problemas de saúde.

Todavia, no organismo feminino existe outro mediador secretado na corrente sanguínea em maior concentração que se comporta como uma verdadeiro contra-regulador, como já foi citado acima: a ocitocina.

A ocitocina é produzida em uma glândula localizada em nosso cérebro e armazenada na hipófise, tem diversas atuações, entre outras, atua no sistema límbico que está ligado aos sentimentos e relacionamentos entre iguais.

 

(Foto: Schoenstatt International Communication Office)

 

Efeitos espirituais

Na vivência da espiritualidade schoenstattiana nos deparamos com a realidade da Pedagogia das Vinculações e da Pedagogia da Aliança, que fazem parte das cinco estrelas condutoras.

O Pe. José Kentenich, Fundador da Obra Internacional de Schoenstatt, via nas vinculações e na vivência da Aliança de Amor o caminho de santidade que devemos trilhar, a fim de contribuirmos para a formação no novo homem na nova comunidade.

E quem melhor que a Mãe de Deus para cultivar em nossos corações femininos a verdadeira amizade, com a força do amor que une e assemelha? O Pe. Kentenich, certa vez, aconselhou a um grupo de moças da Juventude Feminina de Schoenstatt: “Pensem em quantas pessoas no mundo especulam por conquistar nosso coração. […] Suponham, ainda, que uma amiga queira meu coração para si. Primeiro pergunto à Mãe: posso doar meu coração àquela amiga?” . Ele refere-se, aqui, ao doar-se no sentido da amizade; dizia isso às jovens porque elas selaram a Aliança de Amor e, consequentemente, seus corações pertenciam, em primeiro lugar, à Mãe de Deus – por isso esse “pedir permissão à Mãe”. Era também uma forma de ajudar as meninas a escolherem amizades que seriam construtivas para a vida de cada uma.

Portanto, cultivar e aprofundar o vínculo com a Mãe de Deus no Santuário, por meio da contemplação de sua imagem, e torná-la sempre mais viva para nós na Aliança de Amor faz surgir para nós e para quem nos cerca um oásis de paz. Também nos ajuda a cultivar a paz interior e ser pólo de segurança para todos os que se encontram conosco em nosso dia a dia.

 

Contribuição do Instituto Secular das Irmãs de Maria de Schoenstatt, Província Schoenstatt-Tabor

 

Referências:

[1] Estudo disponível em: https://jech.bmj.com/content/67/2/166 e https://taylorlab.psych.ucla.edu/

Foto destacada: Ir. M. Rosequiel Favero

Fonte: schoenstatt.org.br

As mulheres em Schoenstatt: Bárbara Kast

 

Maria Rita Fanelli Vianna – Em 2020, com muita alegria e gratidão, celebra-se o centenário da Coluna Feminina em Schoenstatt. Contemplando as personalidades femininas que marcaram a história do Movimento Apostólico, trazemos BÁRBARA KAST RIST, uma das heroínas da Obra de Schoenstatt.

Quem foi Bárbara Kast?

Ela nasceu em 24 de julho de 1950, na cidade de Thalkirchdorf, Allgan, um pequeno povoado ao sul da Alemanha. Em 1951 sua família muda-se para o Chile, fugindo da guerra; Bárbara tinha, então, 8 meses.

Durante os primeiros anos no Chile, a família passa por grande dificuldade econômica. Na juventude, Bárbara torna-se aluna do Colégio Mariano, que pertence às Irmãs de Maria de Schoenstatt, em Santiago. Ali ela conhece o Movimento Apostólico de Schoenstatt.

Em setembro de 1967, Bárbara é convidada a participar de um acampamento da Juventude Feminina de Schoenstatt (Jufem), onde experimenta uma profunda vivência schoenstattiana que marcará toda sua vida. Mais tarde ela torna-se dirigente de grupos da Jufem, apoiando e incentivando todas as jovens para uma vida de entrega a Cristo.

Traços marcantes de sua personalidade

– Aluna exemplar
– Autoeducação: “Seu temperamento forte e dominador fazia com que entrasse muitas vezes em choque com os que a rodeavam”, destaca sua biografia. Mas também estava “aberta a reconhecê-lo e disposta a deixar-se educar neste sentido, a fim de poder exercer sempre uma influência positiva sobre os demais”, escreve a diretora do seu colégio.
– Vinculação profunda à Pedagogia de Schoenstatt, pela qual esforçou-se na autoeducação, fazendo despertar em si mesma, entre outras características: o companheirismo, a serviçalidade, a maturidade, presente também na ajuda que prestava aos pais em serviços no campo e no trato de seus irmãos
– Fidelidade à Aliança de Amor
– Fidelidade também ao Fundador, Pe. José Kentenich: “Procurarei imprimir totalmente o selo do Pe. Kentenich em cada coração do grupo. Sei que a Mãe me ajudará, desde o alto” [1].
– Busca constante da verdadeira pureza, virtude que implorava desde pequena

Ideal pessoal

Após selar sua Aliança de Amor, em 8 de dezembro de 1968, Bárbara descobre seu Ideal Pessoal: “Tabernáculo de Deus, portadora de Cristo e de Schoenstatt para os homens”, como nos mostra outra nota de seu diário: “Mãe de Deus! Minha missão no mundo é: com tua ajuda e amor, preencher-me de Deus, de Cristo… e dá-lo logo aos demais. Essa é minha missão: levar Deus a todos os homens, mas eu o farei negando-me a mim mesma, para que Cristo e tu atuem através de mim”.

Morte precoce

Aos 18 anos, em 29 de dezembro de 1968, Bárbara volta ao encontro do Pai Eterno, em consequência de um desastre de carro. Parece que previa a sua morte, quando escreveu em seu diário: “… no dia em que o Pai me chamar, irei junto com Cristo até Ele, porque Cristo estará, desde sempre, em forma viva no meu coração, porque sou um Tabernáculo”.

Um modelo para as mulheres atuais

Embora com uma vida terrena curta, Bárbara segue como modelo não só para as jovens da Jufem, mas é também exemplo, modelo e heroína para todas as mulheres.

Todas podem espelhar-se nas características dessa jovem, que se sobressaiu em vários aspectos. Vejamos alguns:

– Em seu esforço de ser uma aluna exemplar, Bárbara cumpriu de maneira fiel e fidelíssima seus deveres. Qualquer que seja o estado de vida da mulher (solteira, casada, viúva, profissional, dona de casa, jovem estudante), ela deve ser a concretização dos planos da Divina Providência, assumindo tudo o que vier como preciosa contribuição ao Capital de Graças da Mãe de Deus.

– A Pedagogia de Schoenstatt é de imprescindível ajuda na autoeducação, na formação do homem novo, da mulher nova. Quando a mulher se deixa lapidar pelo “modelador, o Deus do amor eterno” (cf. Rumo ao Céu, 403), como o fez Bárbara, descobre que pode viver, com amor: o companheirismo, a serviçalidade, a verdadeira caridade com todas as pessoas ao seu redor. Ser madura, viver a maturidade é saber dizer ‘sim’ à Palavra de Vida que Cristo nos deixou e saber dizer ‘não’ às correntes de culturas que a sociedade tenta impor à mulher.

– A pureza era um anseio na vida de Bárbara – um conceito tão desprezado, tão alterado pela sociedade atual. A mulher pode e deve meditar sobre o que é a pureza em si, como, onde e quando deve viver a pureza, tendo como modelo a mesma que essa jovem teve: a Mãe de Deus.

*Contribuição da Liga das Mães de Schoenstatt do Regional Sudeste

[1] Anotação em seu diário, 18 de outubro de 1968

Referências:
– Pe. Esteban. J. Uriburu. Bárbara, su persona, una missión
– http://sitejufem.vila.bol.com.br
– Pe. Esteban J. Uriburu. Bárbara Kast – Tabernaculo de Deus, portadora de Cristo e de Schoenstatt para o homens. Sociedade Mãe e Rainha, 1ª edição em português, 2011.

 

Fonte: schoenstatt.org.br

As mulheres de Schoenstatt: Sra. Eugenia Mahringer

Estamos num ano muito especial para as mulheres do Movimento Apostólico de Schoenstatt: em agosto completam-se 100 anos da presença feminina na Obra. Ao longo deste período, muitas mulheres incorporaram a Aliança de Amor, vincularam-se ao Fundador e marcaram a história de Schoenstatt.

No decorrer deste ano vamos conhecer um pouco sobre a vida de algumas dessas personalidades. Quem abre esta coluna das “Mulheres de Schoenstatt” é a Sra. Eugênia Mahringer, que foi a primeira dirigente da Juventude Feminina de Schoenstatt (Jufem) e participou da fundação do Instituto Nossa Senhora de Schoenstatt.

Eugênia nasceu na Alemanha, em 18 de novembro de 1906. Sua mãe faleceu quando ela tinha apenas 3 anos de idade e seu pai, por ser muito envolvido com a política, transmitiu seus conhecimentos à filha ao longo da vida.

Quem foi Eugênia na história de Schoenstatt?

Eugênia conhece Schoenstatt enquanto frequenta o Seminário de Economia Doméstica no Monastério de Siessen e, em 21 de abril de 1928, ingressa na União Apostólica Feminina de Schoenstatt. Ela torna-se professora e ministra aulas de ginástica e esportes em diversas escolas.

Em 1931, o Pe. José Kentenich designa a ela uma grandiosa tarefa: ser a primeira dirigente da Juventude Feminina de Schoenstatt da Alemanha. Nessa ocasião ele lhe diz “Sei em quem pus minha confiança” (2 Tm 1, 12) – esta frase fica tão marcada na vida de Eugênia, que se torna seu ideal pessoal.

Nota-se que ela assumiu verdadeiramente seu papel de guia, entregando-se a este serviço. Seus trabalhos com a Juventude foram tão intensos que Eugênia passa a se dedicar exclusivamente para o ramo. Mesmo quando o nazismo surge como empecilho para a organização de jornadas e atividades da Juventude, ela não se deixa abater e continua sendo guia para todas.

 

 

Uma mulher que abre caminhos

Quando o Pe. Kentenich fundou o Instituto Nossa Senhora de Schoenstatt, em 1946, Eugênia passou a fazer parte do conselho na Província de Stuttgart, tornando-se, mais tarde, superiora regional.

Ela foi uma das personalidades que mais rápido e profundamente compreenderam a missão do ‘31 de maio’, estando profundamente unida espiritualmente ao Fundador durante o exílio. Isso fez com que o Pe. Kentenich presenteasse à sua província, de Stuttgart, a Cruz da Unidade original (que até hoje está neste Santuário).

Por que ela se destaca?

Eugenia Mahringer se destaca por permanecer fiel ao ideal, por aceitar este desafio e fazer o melhor possível. Ela se coloca inteiramente à disposição da Mãe de Deus e confia em seus planos. Eugênia foi protagonista na fundação de duas comunidades femininas do Movimento, ou seja, não tem medo de desafios e confia plenamente na condução da Divina Providência.

Em sua época, podia contar com o Pe. Kentenich que, mesmo repleto de afazeres, tinha o cuidado e o interesse de saber sobre todos os seus trabalhos. Ela manteve-se sempre unida ao Pai.

Como ela nos inspira hoje?

Sua confiança nos inspira a entregar tudo nas mãos de Deus, sabendo que, mesmo na adversidade, alguém muito maior vela por nós. Se nos deixarmos educar pelas mãos de nossa Mãe e nos comprometermos com nossos ideais, estaremos, assim como ela, sendo uma pequena Maria para aqueles que estão ao nosso lado, seja em casa, no trabalho, na escola, na faculdade.

Também percebemos que, durante seu tempo em Schoenstatt à frente da Juventude Feminina, houve a preocupação de não se perder a essência da fundação, de não perder o ponto central de nossa espiritualidade e missão. Quando seguimos um caminho, muitos são os motivos para desanimar e se desviar, mas se permanecermos fiéis e pedirmos que Jesus e sua Mãe permaneçam conosco, só teremos forças para seguir em frente. É como o Pe. Kentenich expressou à Eugênia, “Sei em quem pus minha confiança”, então, só nos resta depositarmos a nossa confiança em Deus, para que sigamos o caminho traçado por Ele, sem se abater.

Texto: Alessandra Veras
Contribuição da Liga Apostólica Feminina de Schoenstatt do Regional Sudeste

Fonte: schoenstatt.org.br