Coluna Feminina: Existe um ‘look schoenstattiano’?

 

Ir. M. Flávia Atarão – Para a maior parte das pessoas, a aparência tem importância. Especialmente as mulheres prestam atenção especial ao seu ‘look’: umas mais, outras menos, muitas ‘demais’ …

“Look”, na gramática inglesa, é usado tanto como verbo: “ver, parecer”; ou como substantivo: “olhada, expressão, semblante e aspecto”. Ou seja, está relacionado à forma como nos vemos e principalmente como os outros nos veem.

Segundo a consultora de Moda Camila Marinho Monteiro, no mundo da moda a palavra “look” é usada para definir a combinação e configuração de acessórios e roupas. De certa forma seria como que a manifestação do estilo da pessoa. Assim, um look pode nem sempre estar de acordo com a moda vigente, mas sim estar de acordo com o que a pessoa quer expressar à sociedade por meio dele.

E não podemos deixar de lado a grande ‘indústria da moda’ que – aliada à publicidade – sugere, a cada estação (talvez a palavra mais correta seria “impõe”), tendências de cores e modelos de roupas e seus acessórios.

Partindo do significado da palavra look como o verbo ‘ver’, podemos nos questionar sobre como queremos ser vistas ao escolhermos uma roupa ou o que as pessoas irão ver em nós com determinado acessório (joias e bijuterias, tatuagem, piercing, etc.). Deste modo, da mesma forma que o que falamos ou fazemos, também nosso modo de vestir irradia valores, escolhas, opiniões.

 

 

Existe um ‘look schoenstattiano’?

Neste ano em que celebramos 100 anos da entrada das mulheres em Schoenstatt, vale a pena perguntar-se se a Aliança de Amor com a MTA influencia na forma que as schoenstattianas moldam sua vida, também sua aparência.

Vendo sob o ponto de vida que a aparência ajuda a manifestar a personalidade, certamente a vida de Aliança vai se expressar também no look escolhido. A irradiar não somente um conceito teórico… mas ALGUÉM: Maria! Assim, a aparência de uma mulher ‘aliada da Mãe e Rainha’ não precisa, necessariamente, acompanhar a moda, mas quer revelar valores como a pureza, a nobreza, a delicadeza, a atitude mariana. Quer elevar as pessoas por onde passa a uma profunda experiência de Deus. Que não escolhem roupas que chamem atenção sobre si mesmas e sobre o corpo, nem se vestem como todo mundo só para “estar na moda”. Pe. José Kentenich, nosso Pai e Fundador, sempre quis, na Família de Schoenstatt, personalidades que não se deixassem levar pela massa e isto também inclui a forma de se vestir.

Pe. Kentenich muitas vezes expressou que a sociedade se levanta ou decai por suas mulheres e se a perdição entrou no mundo por uma mulher, Eva, foi também por uma mulher, Maria, que nos veio a salvação. É nela que se espelham, como modelo de mulher livre e forte, todas as que selam a Aliança de Amor.

A dica de uma jovem schoenstattiana

Um exemplo concreto de uma jovem schoenstattiana que buscou ‘elevar’ o ambiente, por meio da aparência, foi a chilena Bárbara Kast. Em plena época das ‘minissaias’ (anos 60), descobriu uma forma de desviar a atenção das pernas: pela maquiagem, reforçou a beleza dos seus grandes olhos azuis, pois dizia: “Não quero que fiquem na beleza do meu corpo. E os olhos são ‘a janela da alma”.

Jovem Bárbara Kast

Desta forma, o look pode ter uma irradiação especial, ser um apostolado silencioso, tornar-se a expressão de uma nova personalidade mariana que, convicta de seus valores e consciente da sacralidade do corpo, não o expõe aos olhos de todos através de suas roupas.

Aí está o desafio da mulher schoenstattiana: testemunhar o verdadeiro ser feminino que, infelizmente, muitas mulheres não conhecem mais: a mulher pura e nobre, uma pequena Maria que, pelo seu ser, atrai e eleva ao alto tudo ao seu redor.

Claro que isso não significa ser “cafona”. Podemos sim ser “fashion” e nobre ao mesmo tempo. Basta ter sempre em mente o que queremos transmitir com a roupa que vamos usar.

Vestir-se bem também faz parte do apostolado, principalmente com as mulheres, pois uma mulher bem vestida sempre eleva o ambiente onde ela se encontra.

 

 

*Contribuição das Irmãs de Maria de Schoenstatt da Província tabor, Santa Maria/RS

Fonte: schoenstatt.org.br

As mulheres em Schoenstatt: Tudo começou assim…

 

Ir. M. Nilza Pereira da Silva – Você consegue imaginar a Obra de Schoenstatt sem a presença das mulheres? Tente imaginar como seria: sem as famílias, sem as mães, sem a Jufem e a Lafs, sem as Irmãs de Maria, as Senhoras de Schoenstatt e as unionistas. Pois é, até 1920 era assim: Schoenstatt era um Movimento só masculino. Também não existiam os Ramos da Liga Apostólica, apenas a União Masculina.

Para entender bem essa história é preciso localizar-se na época! A fundação do Movimento Apostólico de Schoenstatt foi em 18 de outubro de 1914, dentro do seminário e no meio da I Guerra Mundial. Apenas dois meses depois, alguns congregados já foram convocados como soldados, seguidos por vários outros. Foram 4 anos de guerra, sim QUATRO (1914-1918), e a Obra estava apenas nascendo! Se só de pensar nisso já é assustador, imagine viver essa realidade?!

Mas, nada de melancolia! O que havia mesmo entre os nossos primeiros schoenstattianos era muito entusiasmo! “A congregação tinha a sua própria vida e os rapazes estavam ansiosos por avançar” [1], escreve o Pe. Niehaus. Lembremo-nos de que, durante a Guerra, havia um intenso serviço de Marketing e os alemães eram entusiasmados para pegar nas armas e defender a pátria. Os congregados iam para os campos de batalha também incendiados de amor à Mãe Três Vezes Admirável de Schoenstatt e conquistavam muitos para ajudá-los na renovação do mundo por meio das contribuições ao Capital de Graças.

 

Cantando num coral

Gertraud von Bullion

Quem pensa que na guerra só havia trincheiras e bombas está muito enganado! Os soldados tinham muitas outras atividades. Por exemplo, havia a capelania católica, com padres em vários fronts, responsáveis pelas missas e sacramentos aos soldados e vítimas das batalhas. Tinha até um coral. Sabem quem era a regente do coral? A jovem enfermeira voluntária Gertraud von Bullion. O congregado schoenstattiano Franz Xaver Salzhuber cantava no coral dela e… Bingo! Isso mesmo! Em 1917, ele se tornou amigo da enfermeira e a conquistou para os ideais de Schoenstatt.

O que? Em 1917? Mas em 2020 vamos celebrar o centenário da presença das mulheres em Schoenstatt! Como se explica isso?

Precisamos desvendar um pouco mais sobre a história. Assim como a jovem Gertraud, 26 anos, também outras mulheres foram conquistadas para os ideais de Schoenstatt. Elas faziam parte da Organização Externa – um grupo de peregrinos bem fiéis, mas que não pertenciam a algum ramo do Movimento. Quando a Guerra terminou, Gertraud foi até Schoenstatt e pediu para fazer oficialmente parte do Movimento. Mas… teve que esperar até 1920.

A história está interessante até aqui, mas, antes de continuar, vamos falar um pouco sobre a mulher na história do mundo, nesse mesmo período.

 

A força feminina na reconstrução!

Ocorreram mudanças expressivas no comportamento

feminino após a Guerra, como nas roupas

(foto: is2fashion.blogspot.com.br)

Quando terminou a I Guerra Mundial, a Alemanha foi derrotada, a sociedade tornara-se apática, desiludida, sem esperança, sem perspectiva. Era muita pobreza, muita família desintegrada, sem escolas, universidades, sem bibliotecas e igrejas: tudo tinha que ser reconstruído. E sabe por quem? Em grande parte, pelas mulheres, porque o número de homens mortos na guerra era muito grande e outro imenso número de homens tornara-se enfermos ou inválidos. Se essa situação, de um lado, desanimava, de outro, despertava para o heroísmo – e disso Schoenstatt entendia bem!

Nas nações europeias, enquanto as mulheres se empenham pela reconstrução de seus países, elas conquistam também muito de seus direitos na sociedade, como, por exemplo, o direito ao voto nas eleições políticas, e surge a cultura de uma nova beleza feminina, como existe até hoje, na escolha das vestes, na maquiagem etc.

A Igreja acompanha tudo isso, pois, como escreve o Papa Francisco: “Uma Igreja viva pode reagir prestando atenção às legítimas reivindicações das mulheres, que pedem maior justiça e igualdade; pode repassar a história e reconhecer uma longa trama de autoritarismo por parte dos homens, de sujeição, de várias formas de escravidão, abusos e violência machista. Com este olhar, poderá fazer suas aquelas reclamações de direitos e dará, convictamente, a sua contribuição para uma maior reciprocidade entre homens e mulheres, embora não concorde com tudo o que propõem alguns grupos feministas” [2]

A Mãe de Deus ajuda na reconstrução!

Conhecedora de tudo o que viria, já em 1917 Maria aparece em Fátima, e quer ajudar seus filhos na reconstrução do mundo. Ela indica que o caminho para isso é a oração do terço, em família, a oração e o sacrifício oferecidos a Deus. Quem ela escolhe para levar sua mensagem ao mundo? Uma mulher adolescente. Isso mesmo, estamos falando da pequena Lúcia – pois seus primos Francisco e Jacinta faleceram logo (na foto, Lúcia está de pé, com sua prima Santa Jacinta Marto). Em 1920, com apenas 13 anos, ela luta para que as mensagens de Fátima alcancem o mundo todo.

⇒ Preste atenção: Não estamos diminuindo o valor e a atuação masculina. Cada um tem seu papel na história. Mas, estamos vendo a participação da mulher e o contexto em que surgem os ramos femininos na Obra de Schoenstatt.

Para ajudar a construir uma nova sociedade, Maria quer mais, ela quer educar mulheres que sejam suas imagens vivas, por isso, voltemos para a história de Schoenstatt. Abrem-se as cortinas e continua o próximo episódio.

 

As mulheres entram para o Movimento Apostólico de Schoenstatt

Sabe por que Gertraud e outras mulheres tiveram que esperar de 1918 até 1920? O motivo é o seguinte: pelas regras dos palotinos, naquele período, assim como em toda a Igreja, um padre só podia dedicar-se à pastoral feminina a partir dos seus 35 anos de idade. Então, o Pai e Fundador, que ainda não tinha essa idade, obediente como sempre foi, encaminhava as moças que queriam participar do Movimento de Schoenstatt para a orientação de seu superior, o Pe. Michael Kolb. Enquanto isso, ele preparava a Obra para a inclusão das mulheres.

Palavras do Pai: “Em 1917, uma senhora já havia se interessado, a condessa Gertraud de Bullion. Ela era conhecida do Frater Salzhuber e me pediu para aceitar a sua orientação pessoal. Eu, porém, tinha o firme propósito de não me dedicar à orientação pastoral de mulheres, antes de completar 35 anos de idade. Por isso, eu a encaminhei para outra pessoa…Eu sempre procurava tatear os planos de Deus” [3]

 

Primeiro grupo da Juventude Feminina de Schoenstatt

 

Lembra-se que em 1919 aconteceu a fundação da União Apostólica, com o Congresso de Hoerde? Pois é, mas o Pai e Fundador era realmente iluminado pelo Espírito Santo. Menos de três meses depois, em 6 de novembro de 1919, ele escreve ao dirigente da União (lembrando que eram apenas homens) que ele queria algo mais amplo do que a União [4]. A mulheres captam e realizam esse desejo de nosso Pai, formando o primeiro grupo da Liga Apostólica de Schoenstatt.

Dois meses antes de completar seus 35 anos, em 20 agosto de 1920, ele acolhe as primeiras mulheres no Movimento, formando, assim, a Liga Apostólica Feminina de Schoenstatt. Elas não ficam atrás dos ramos masculinos na aspiração e, em 8 de dezembro do mesmo ano, Gertraud faz sua consagração, como Unionista, consolidando a presença feminina na Obra de Schoenstatt. Um ano depois já havia 11 grupos de mulheres, em várias cidades. Em 1926, funda-se o Instituto das Irmãs de Maria, em 1931 a Juventude Feminina entra na história e os ramos femininos não param de crescer em números.

Deus precisa da mulher para a renovação do mundo, por meio de Schoenstatt. Homem e mulher, cada um segundo a essência do seu ser, precisam atuar juntos, nem acima e nem abaixo um do outro. Nada colabora tanto para o crescimento do outro como o fato de cada um ser o que de fato se é, respeitando e valorizando as diferenças. Sem diferenças, não há complementariedade.

Em que consiste realmente a essência do ser feminino? Como ser bem sucedida profissionalmente, sem deixar de lado a ternura, a pureza e autenticidade feminina? O que define uma mulher autenticamente schoenstattiana?

 

Fonte: Planner da Juventude Feminina de Schoenstatt

 

Referências:

[1] Pe. Niehaus, Herois de Fogo, p. 144 (ed Portugal)

[2] Cristo Vive, 42

[3] https://www.s-ms.org/pt-br/2018/06/15/vos-sois-a-minha-carta-03/

[4] Engelbert Monnerjahn, Pe. José Kentenich, Uma Vida pela Igreja, p. 64

 

Publicado em: schoenstatt.org.br

2020: Um ano com rosto feminino

 

Karen Bueno – Schoenstatt não seria Schoenstatt sem as Irmãs de Maria, sem as Senhoras de Schoenstatt, sem as Unionistas e Liguistas, sem as inúmeras peregrinas que visitam e colaboram com o Santuário. As mulheres têm um papel fundamental na Obra e isso não vem de hoje.

Em 2020 o Movimento internacional celebra 100 anos da presença feminina em Schoenstatt. Uma presença que foi crescendo e se consolidando ao longo dos anos. “Essa quase infinita fecundidade do ramo feminino de Schoenstatt deve-se, em primeiro lugar, àquelas que, pela sua modesta grandeza feminina, literalmente se consumiram” [1], diz o Pe. José Kentenich.

E, quem foram as que “primeiro se consumiram”?

As pioneiras

Como se conhece sobre a história, Schoenstatt surgiu entre um grupo de rapazes, estudantes do Seminário Pallottino, e o seu diretor espiritual, o Pe. José Kentenich. A Providência Divina preparou um começo singelo e discreto para Schoenstatt, de forma que os jovens não poderiam imaginar a amplitude que esta fundação alcançaria. Foi essa mesma Providência Divina que conduziu o ingresso das mulheres na Obra.

Gertraud von Bullion foi a primeira mulher

a ingressar na Obra de Schoenstatt

Com o início da I Guerra Mundial, os jovens seminaristas de Schoenstatt foram convocados e enviados para a batalha. A enfermeira Gertraud von Bullion, que atendia os feridos na guerra, conheceu ali esses jovens schoenstattianos e percebeu neles algo novo, algo diferente. Este contato fez com que ela se interessasse em descobrir o que era Schoenstatt.

Ao conhecer o Santuário e as bases da pedagogia do Pe. Kentenich, Gertraud foi insistente no pedido para ingressar no Movimento. “Assim, no início do ano de 1920, ela foi admitida na Liga Apostólica com o encargo de conquistar outras mulheres para a Liga. A primeira que a Mãe de Deus encaminhou para ela foi a sua prima, Maria Christmann, então assistente social em Gauting, perto de Munique. Isto aconteceu em junho de 1920” [2].

Mas Gertraud, com um elevado espírito de aspiração, tendia para o máximo, buscava um vínculo mais profundo com Schoenstatt. Assim, ela e Maria decidiram observar as exigências da União Apostólica e, em segredo, formar um grupo da União. O “grupo de duas” trabalhou até outubro de 1920, quando, desde Schoenstatt, foram encorajadas a pensar na formação de grupos de mulheres na União. Gertraud respondeu que elas já se consideravam como grupo, ao que lhes foi comunicado oficialmente que nada impediria a constituição oficial de um grupo de mulheres na União. No dia 8 de dezembro de 1920 a União Apostólica Feminina de Schoenstatt foi fundada.

Frutos

Passados 100 anos deste episódio, muitas mulheres seguem os passos das pioneiras na vivência da Aliança de Amor. Taciana Ferreira, da Liga Apostólica Feminina, de Olinda/PE, comenta: “Desde que conheci o Movimento e que venho estudando e entendendo o ideal, vou aprendendo a cada dia a me auto educar, a meditar sobre gratidão e perdão, para me renovar a cada dia fundamentada nas inúmeras provas de amor de Maria e trilhar um novo caminho para minha vida”.

Para a Sra. Ana Christina Melquiades, do Instituto Nossa Senhora de Schoenstatt, “com o ingresso das mulheres em Schoenstatt a imagem de Maria se tornou mais viva e concreta, trouxe acolhimento e um modelo de entrega generosa – característico do ser feminino –, garantiu a vida de oração e o vínculo ao Santuário, com a abertura do tabernáculo, trazendo, assim, fecundidade e expandido a Obra”.

Ao longo do ano haverá diversas comemorações pelo centenário da Coluna Feminina. Por este link você acompanha os preparativos e a novena jubilar da Lafs: clique

 

 

[1] LAUER, Nikolaus. Gertraud von Bullion, Serviam – Resposta de Amor. Editora Paulus, 2009.

[2] Idem

 

Fonte: schoenstatt.org.br

Ser mulher em Schoenstatt: dom e missão

 

Ir. M. Neiva Pavlak – No último mês de agosto a Família Internacional de Schoenstatt celebrou os cem anos do Congresso de Hoerde, que levou o Movimento Apostólico de Schoenstatt para fora dos muros do Seminário de Schoenstatt, local do seu nascedouro. Recordamos que, até então, os seguidores dos jovens seminaristas no front eram todos jovens do sexo masculino.

No entanto, nos campos de batalha da primeira guerra mundial, esses jovens schoenstattianos chamaram a atenção – por seu modo de ser e por sua religiosidade e devoção a Maria – também de mulheres que estavam envolvidas nos serviços da guerra, principalmente como enfermeiras nos locais de tratamento dos feridos.

Elas também sentiram o desejo de conhecer a “fonte de graças” a “escola de santidade” daqueles jovens tão diferentes dos demais. No ano seguinte ao Congresso de Hoerde, em 1920, elas ingressaram, com grande alegria e disponibilidade, no incipiente Movimento. Na realidade, nem o Fundador, Pe. José Kentenich havia pensado na possibilidade do ingresso de mulheres no Movimento. Não por não as desejar, mas porque tudo ainda estava surgindo como algo novo e ele se deixava conduzir pelos sinais que Deus lhe dava, através das pessoas e dos acontecimentos.

Como filho da Divina Providência, o Pai e Fundador sentiu, no desejo das jovens mulheres, uma indicação de Deus e da sua Rainha da Aliança e as aceitou com generosidade nas filas de Schoenstatt. Sobre aquele tempo existe um ‘diálogo’, num livro ainda não editado em português, entre o Pe. Kentenich e Pe. Alex Menningen se referindo à admissão de mulheres no Movimento:

 

Ainda gostaria de esclarecer uma pergunta e a ocasião é propícia.
– “Senhor Padre, e a questão das mulheres no nosso Movimento?”

Pe. Kentenich sorri, porque percebe a intenção do seu colaborador.
– (Disse o Pe. Kentenich) “Pensas certamente no que, há seu tempo, o jesuíta Horstmann afirmou na jornada em Bernkastel, que seria perigoso que mulheres entrem na União, porque a levariam à ruína”

– “Não, não pensei nisso!” (responde o Pe. Menningen)

Padre Kentenich continua: “Sabes, quando Gertraud de Bouillon, pouco depois da guerra, veio a Schoenstatt e pediu para ser admitida na União, eu primeiro também hesitei. Hoje, alegro-me por ter reagido aos sinais da Providência”.

 

Padre Menningenn: “Ela e Maria Christmann foram as primeiras mulheres a fazer sua consagração na União, em 1920. O movimento feminino cresceu rapidamente e realiza um trabalho fecundo. Os membros da União ou da Liga são representativos, são mulheres com perfil…”.

A partir da formação da União Feminina foram surgindo os outros Ramos Femininos e também dois Institutos Seculares: o Instituto das Irmãs de Maria, fundado em 1º de outubro de 1926, e o Instituto Nossa Senhora de Schoenstatt, em 1946. Pe. Kentenich, já a partir de 1920. percebera a importância e necessidade da presença feminina no Movimento. Ele vê em cada mulher uma imagem de Maria, portadora de riqueza espiritual e dotes peculiares, sem os quais nenhuma família pode ser completa e feliz. Procura educar e despertar em cada mulher o dom da filialidade, base de todo o desenvolvimento da personalidade e fundamento importante para toda a relação pessoal com Deus e com as pessoas. A filialidade cultivada e educada, como fruto da graça batismal, gera uma espontaneidade nobre e singela que, num primeiro momento, pode ser vista como “infantilismo”, mas que, em Aliança com Maria, na escola do Santuário, se transforma em maternidade madura, desprendida de si, que se doa em amor e generosidade aos demais, seja na família, no grupo a que pertence ou na comunidade eclesial.

Em Schoenstatt, ser mulher é dom e missão! Dom de Deus, que colocou na mulher as suas perfeições ‘femininas’ e a fez filha, esposa e mãe; igual ao homem em dignidade, porém, diferente em seu modo de ser e pensar, de forma que um complementa e enriquece o outro. Em Schoenstatt, cada mulher descobre a sua missão pessoal, seu ideal de vida, ou seja, aquilo que Deus sonhou para ela, desde a eternidade. Ser mulher no Movimento de Schoenstatt é possuir consciência de missão, é ter um perfil mariano, que conduz à plenitude de vida interior e a ser portadora de Cristo e Maria aos demais.

Fonte: schoenstatt.org.br

Em novembro começa a novena internacional da Lafs

A Liga Apostólica Feminina de Schoenstatt se prepara para celebrar seu centenário de fundação no próximo ano. Este jubileu, que será celebrado no dia 20 de agosto de 2020, marca o início de toda a Coluna Feminina da Obra de Schoenstatt.

Para isso, neste mês de novembro inicia uma novena internacional, que será rezada mensalmente até o mês de julho. O texto da novena é dirigido à Lafs, mas todas as mulheres schoenstattianas, de qualquer ramo ou comunidade, podem se inserir nessa corrente de gratidão.

Para rezar e participar, baixe o material disponibilizado pela equipe internacional:

 

Novena para o centenário da Liga Apostólica Feminina de Schoenstatt

100 anos da Coluna Feminina: Conheça o lema e a logo

 

Elas vieram para ficar, para ser e para fazer história. É isso o que mostram os quase 100 anos da Coluna Feminina de Schoenstatt. Em 2020 o Movimento Apostólico recorda o centenário de ingresso das mulheres na Obra, com a fundação da Liga Apostólica Feminina de Schoenstatt (Lafs).

Atualmente uma equipe internacional se envolve com os preparativos do centenário. São representantes da Lafs que estão à frente desse trabalho: “Como equipe, nossa primeira tarefa foi encontrar um lema pelo qual nós esperamos que todos os países, nações e culturas possam se encontrar e se identificar”, elas descrevem.

É assim que surgiu o lema internacional do centenário:

Contigo a vida é mais Maria
(mit dir ist Leben mehr Maria)

Aqui está um pequeno resumo do que está por trás deste lema:

  •  “MARIA” – Maria é a nossa missão: nela se torna concreta como deve ser a nossa feminilidade. Ela é um fundamento na Aliança de Amor, pois com ela tudo se une. É inovador para a minha vida, é a nossa visão para o futuro: devemos nos tornar uma pequena Maria. Como Maria, queremos ir ao povo como um Tabernáculo vivo. Como Maria, cada uma de nós é amada, chamada, enviada por Deus. Cada uma tem uma missão para a realidade em que vive.
  •  “CONTIGO” – aponta para a Aliança de Amor com a Mãe de Deus, com o Deus Trindade, com o nosso Fundador e também entre nós. Não estamos sozinhas, porque estamos unidas, pela nossa Aliança de Amor, numa comunidade de coração a coração, de país a país.
  •  “A VIDA É MAIS” – Uma vida da Aliança de Amor me enriquece, faz o meu “eu” crescer. A minha vida se torna mais com Maria – não importa em qual idade me encontro, em que situação de vida, ou país onde vivo. Podemos nos alegrar com nossas vidas e moldá-las com alegria.
  •  “MAIS” – essa expressão também desafia a não viver superficialmente, mas ir às profundezas. Maria nos diz que somos importantes. Então, comigo a vida é mais, porque eu também posso contribuir com algo para criar uma atmosfera mariana ao meu redor.

Coroação

A equipe internacional também convida todas a se unirem numa corrente de coroação:

Em 8 de agosto de 2020 queremos renovar a coroação da Mãe de Deus como Rainha das mulheres no mundo inteiro. Mais do que nunca precisamos da Rainha neste momento. Com a coroação, nós também nos oferecemos como um preço de resgate pela autêntica feminilidade, conforme a imagem de Maria. Em 8 de agosto de 2020 vamos realizar essa coroação no Santuário Original e todas as presentes são convidadas a trazer suas imagens da MTA e/ou coroa, para renovar a coroação neste local de graças.
Aquelas que não puderem participar em Schoenstatt podem enviar sua imagem da MTA ou coroa e, em seguida, ter a oportunidade de se sintonizar com a celebração a partir de seu Santuário Lar em todo o mundo.
O formato da coroa é livre, então surgiu a ideia de que cada uma de nós, não importa onde viva, possa se tornar um “Ponto de acesso mariano”.

Um “Ponto de acesso mariano”

Do nosso Santuário Lar e de nós mesmas deve se irradiar uma atmosfera mariana em nossa vida cotidiana. Se vivemos a nossa Aliança de Amor, unidas ao Santuário Lar, onde o Espírito Santo é para nós como que um “roteador”, então todo mundo pode ter livre acesso a nós e em nós experimentar as três graças de romaria: a graça do abrigo, a graça da transformação espiritual e graça da fecundidade apostólica. Este não é um pensamento maravilhoso? Assim, podemos ser, em todo o mundo, pontos de acesso mariano, como que “roteadores” que emitem onda marianas.

Imediatamente essa ideia se transformou num símbolo, que está ligado ao lema:

 

Do nosso Santuário Lar e de nós mesmas – ambos como “hotspots Marianos” [1] – deve irradiar nova vida. O ponto interior é Cristo, o centro de nossas vidas. Deste ponto central (Cristo) atua o Santuário Original. As três ondas representam as três graças de peregrinação, que se irradiam na forma de uma coroa com cinco pontas, representando Schoenstatt em todos os cinco continentes.

De novembro de 2019 a julho de 2020 a Coluna Feminina será motivada a realizar uma novena, inspirada na estrofe do Hino de Instrumento: “Dá-nos ser reflexos teus…” (publicaremos mais informações adiante)

Como escreve a equipe internacional, “vamos começar a ser pontos de acesso mariano, como nosso Fundador disse certa vez: Seja o que você é! Na melhor forma possível!”

 

[1] Hotspot é a denominação de um determinado local onde uma rede sem fio (tecnologia Wi-Fi) está disponível para ser utilizada

Fonte: schoenstatt.org.br