Significado do Ramo na porta de casa

Ir. M. Nilza P. da Silva – O Domingo de Ramos é a porta de entrada para a Semana Santa. Colocamo-nos ao lado de Jesus, que entra triunfalmente em Jerusalém, para iniciar sua caminhada de sofrimento. Ele não entra derrotado, mas, vitorioso, vai ao encontro do grande sofrimento, pois ele sabe que será traído, maltratado, condenado a morte e crucificado. Só depois de tudo isso, virá a sua ressurreição.

Quando ele entra, “Toda a multidão dos discípulos, tomada de alegria, começou a louvar a Deus em altas vozes, por todas as maravilhas que tinha visto. E dizia: “Bendito o rei que vem em nome do Senhor! Paz no céu e glória no mais alto dos céus!”.” (Lc 19, 37-38) Como reza nosso Pai e Fundador:  “Tu és o Vencedor do dragão infernal, com tua Esposa, vitorioso Sinal; diante de ti fogem todos os inimigos: o demônio e os filhos das trevas.” (RC 137).

Esta deve ser também a nossa atitude nesse Domingo de Ramos. No meio da incerteza de quanto tempo vai levar para tudo retornar a normalidade, nós temos uma certeza: Deus cuida de tudo! Juntos da Mãe de Deus, temos plena confiança de que podem nos vir todo tipo de sofrimento, mas, no final está a vitória.

Por isso, somos convidados pela Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) a “viver de forma muito especial o Domingo de Ramos, cada família, em suas casas, são chamadas a celebrar o próximo domingo com fé e esperança.” Como sinal de nossa esperança, se não podemos ir em procissão pelas ruas, levando os ramos verdes, como sinal de nossa fé e confiança, na vitória de Cristo, como indica a CNBB, vamos colocar na porta de nossa casa, um ramo verde.

Marcar a porta é um gesto que nos lembra, na Sagrada Escritura, a confiança da família no poder de Deus. O ramo de palmeira, usado nas celebrações, é sinal da vitória de Jesus. Ele é rei e triunfa sobre todo o mal. Anunciemos que seguimos a Jesus e acreditamos em sua vitória.

“Faze que eu vos leve aos povos, para conquistá-los e lutando, diariamente arrisque a vida por vós. Vosso Reino seja vitorioso em toda parte e amplie suas fronteiras até os confins do universo.” (RC 331)

Vamos recolher-nos, preparar-nos para participar do melhor modo possível da Santa Missa.

Imagem de capa: Exe Lobaiza em Pixabay

Cartaz e informações: CNBB

Publicado em: schoenstatt.org.br

Santuário Tabor: da Renovação da Aliança de Amor ao Fogo Novo

Adelmo e Ana Paula Dal Pozzolo / Ir M Rosequiel Fávero – O Dia da Aliança de abril em 2019 foi especial, pois caiu no início do Tríduo Pascal, o ‘coração’ do Ano Litúrgico’. Em muitos locais, o Dia da Aliança foi celebrado no início da Semana Santa ou ainda na oitava da Páscoa. Em Santa Maria/RS, a renovação da Aliança de Amor precedeu à Missa do Lava-pés, no dia 18 mesmo, numa singela celebração, na esplanada do Santuário Tabor.

Um pequeno trecho da oração de renovação da Aliança já preparou os presentes para a celebração que se seguiu: “A certeza da vitória de Cristo sobre a morte é a nossa força! É o tesouro mais precioso que compartilhamos com nossos irmãos. Maria, Mãe da confiança! Acende também em nós a luz da esperança, do amor e da alegria, para que saibamos perseverar nos momentos difíceis e escuros de nossa vida! Rainha da Aliança de Amor, ajuda-nos a levar a luz do Senhor Ressuscitado, a serenidade e a esperança às famílias que mais necessitam de auxílio, em meio às tempestades e perigos do nosso tempo”. Em procissão, todos se encaminharam para a Capela Tabor, mantendo a atmosfera de introspecção para o início do Tríduo Pascal.

O presidente da celebração, Pe Clodoaldo Kamimura, repetiu o gesto de Cristo, realizando o lava-pés em voluntários, peregrinos e integrantes do movimento de Schoenstatt. Na homilia foi possível aprofundar a Aliança de Amor a partir das leituras bíblicas do dia. “A Aliança de Amor de Deus com o povo hebreu neste gesto de orientar e protegê-los dos castigos e adversidades, lança suas luzes sobre a renovação da Aliança com a Mãe e Rainha Três Vezes Admirável de Schoenstatt, que sempre foi entendida com uma renovação e segurança da nossa Aliança com Deus.

O tríduo seguiu na Sexta-feira Santa com a celebração da Paixão do Senhor e na vigília no Santuário, com a imagem de Cristo crucificado exposto e o sacrário vazio.

Mais uma vez diante do Santuário Tabor foi iniciada, no Sábado Santo, a celebração da Vigília da ressurreição com a benção do fogo novo, no qual foi acesso o Círio Pascal. A celebração foi presidida pelo bispo emérito da prelazia de Borba, Dom Elói Róggia, desta vez concelebrada pelo Pe. Clodoaldo.

Todos os participantes acenderam suas velas com o fogo novo e seguiram em procissão até a Capela Tabor.

A homilia convidou a todos à fidelidade à Aliança de Amor. Pela alegria da fé na ressurreição do Deus que se fez pão e vinho para alimentar e nutrir os filhos amados e pela fé na vitória de Deus sobre a morte, a fé no amor bondoso e misericordioso de Deus por cada um de seus filhos.

Mais fotos (Ir M Lisane Gossler)

Hoje a Igreja Católica celebra a “Segunda-feira do Anjo”

Jane Nogara / Cidade do Vaticano – “O dia de hoje é um dia de festa a ser vivido habitualmente com a família”. Em 2018 o Papa Francisco assim explicou este dia de festa: “É chamada ‘Segunda-feira do Anjo’, em conformidade com uma tradição muito bonita que corresponde às fontes bíblicas sobre a Ressurreição. Com efeito, os Evangelhos narram que, quando as mulheres foram ao Sepulcro, encontraram-no aberto. Elas temiam não poder entrar, porque o Túmulo tinha sido fechado com uma grande pedra. Ao contrário, estava aberto; e do interior, uma voz diz-lhes que Jesus não está ali, mas ressuscitou”.

São João Paulo II e a Segunda-feira do Anjo

São João Paulo II, em 1994, citou a passagem do Evangelho de Mateus que narra a atitude das mulheres ao chegarem ao túmulo: “Mas o anjo, respondendo, disse às mulheres: Não tenhais medo; pois eu sei que buscais a Jesus, que foi crucificado. Ele não está aqui, porque já ressuscitou, como havia dito. Vinde, vede o lugar onde o Senhor jazia. Ide pois, imediatamente, e dizei aos seus discípulos que já ressuscitou dentre os mortos. E eis que ele vai adiante de vós para a Galileia; ali o vereis. Eis que os disse”. (Mt 28, 5-7)

E na sua última Segunda-feira do Anjo como Papa em 2004, São João Paulo II assim se pronunciava no Regina Caeli: “A Virgem Maria, silenciosa testemunha deste mistério confirme-nos na adesão pessoal Àquele que morreu e ressuscitou para a salvação de cada ser humano. Seja-nos mestra e guia na fé; sustente-nos nos momentos da dúvida e da tentação; obtenha-nos aquela serenidade interior que nenhum medo pode abater porque está enraizada na certeza de que Cristo ressuscitou verdadeiramente”.

Bento XVI: “Alegrai-vos”

O Sumo Pontífice Emérito Bento XVI, em 2009, assinalou que o “Alegrai-vos” Maria pronunciado pelo anjo é um convite à alegria: “Alegrai-vos e exultai, Virgem Maria, aleluia, pois o Senhor ressuscitou verdadeiramente, aleluia”.

Os anjos são servidores e mensageiros de Deus. Como criaturas puramente espirituais, têm inteligência e vontade: são criaturas pessoais e imortais. Superam a perfeição de todas as criaturas visíveis.

O resplendor da sua glória testemunha isso: Cristo é o centro do mundo dos anjos e estes lhe pertencem, ainda mais, porque os tornou mensageiros do seu plano de salvação.

A partir de hoje, até o final da Páscoa no dia de Pentecostes, se reza a oração do Regina Coeli em vez da Oração do Angelus.

Fonte: Vatican News

 

“Eu vim trazer fogo” – Mensagem de Páscoa do Pe. Ivan Simicic

No início desta Semana Santa a opinião pública mundial foi fortemente abalada pela notícia do incêndio na Catedral de Notre Dame. Esta igreja, de mais de 800 anos, se encontra no centro de Paris e representa um símbolo da cultura ocidental cristã. Vale recordar especialmente que esta catedral é dedicada a Nossa Senhora e durante muitos séculos foi berço da evangelização na França e na Europa. O incêndio tem a sua origem, pelo que parece, num acidente, o que está sendo investigado para apurar as causas do mesmo.

Mas, fica a pergunta sobre o sinal e o significado desse incêndio. Penso que não é apenas uma casualidade que essa desgraça aconteça no início da semana na qual nós, os cristãos, estamos celebrando o mistério central e mais importante da nossa fé. Especialmente no contexto de uma Europa que tem negado oficialmente, nesses últimos tempos, as suas raízes cristãs nos documentos e princípios que a sustém.

Talvez Nossa Senhora queira nos recordar a nossa missão de nos incendiar novamente, de maneira radical, por Cristo e assumir a tarefa de sermos LUZ, mais ainda, de sermos FOGO que queima o que está frouxo e podre, para renovar a raiz da nossa cultura com aquela mesma paixão com que o Senhor proclamava a sua atuação, numa oportunidade ao dizer: “Eu vim trazer fogo à terra, e como desejaria que já estivesse acesso” (Lc 12, 49). Trata-se do fogo que deve purificar e abrasar os corações e que deve ser aceso na cruz. É o mesmo fogo do Espírito Santo que Jesus prometeu nos enviar para cumprirmos a sua missão. O atuar de Jesus na sua época não deixava ninguém indiferente. O compromisso e o vínculo com Jesus, que se alimentam na fonte viva que é a sua morte e ressurreição, nos convidam a revisar como está a nossa entrega e o nosso espírito missionário na esteira duma Igreja em saída.

O fogo associa algo arrasador, forte e radical. Em linha com esses significados do fogo, lembrei-me das palavras que o Pe. José Kentenich utilizou para descrever a sua maneira de atuar, o espírito que o movia. Ele procurava encarnar na vida um modelo de sacerdote que se caracterizava “pela sua paixão por Deus, pelas pessoas, pela época e pela missão” (Crônicas, 1957). Penso que essa descrição concisa do que orientava o seu atuar e o seu estilo de vida e de trabalho nos ajudam a entender o que significa sermos pessoas que acendem o fogo de Cristo na sua cruz esta Semana Santa e, assim, sermos portadores do seu fogo na terra: o fogo da paixão por Deus, pelas pessoas do nosso tempo e ambiente, pela época atual com as suas oportunidades e desafios, e a paixão pela missão de construirmos uma nova ordem social cristã.

Pe. Ivan Simicic

Diretor Nacional do Movimento Apostólico de Schoenstatt no Brasil

Sábado Santo e Vigília Pascal

Márcia Kazumi – “Em silêncio, o sol percorre seu caminho de bênçãos, o Espírito Santo nos conduz ao cume do Gólgota” (Pe. José Kentenich, Rumo ao Céu, n. 206).

Esta oração, escrita pelo Pe. Kentenich, nos recorda a hora da crucificação de Jesus no Calvário. Na Sexta-feira Santa, quando Jesus estava prestes a morrer na cruz, designou ao “discípulo que ele amava” para cuidar de Maria. O Evangelista João nos relata:

“Quando Jesus viu sua mãe e perto dela o discípulo que amava, disse à sua mãe: Mulher, eis aí teu filho. Depois disse ao discípulo: Eis aí tua mãe. E dessa hora em diante o discípulo a levou para a sua casa” (Jo 19, 26-27). Podemos dizer que, naquele momento, o discípulo amado selou uma Aliança de Amor com Maria, em seu nome e como representante de toda a humanidade.

 

A fé heroica de Maria

Maria, ao ver o Filho sofrendo e morrendo numa cruz, permanece firme e forte. Em silêncio, testemunha sua fé heróica no Filho; ela crê que Ele ressuscitará em breve, libertando o mundo das trevas do pecado. Pe. Kentenich continua a oração citada, do Ofício de Schoenstatt: “Ali vejo o teu coração de mãe renunciar vigorosamente e, corajoso, imolar todos os direitos maternais. Pela salvação do mundo entregas-te ao Pai, que reina em seu trono” (Rumo ao Céu, n. 207).

Podemos definir o Sábado de Aleluia como o dia da fé heroica da Mãe de Deus. Quando tudo estava consumado e Jesus entregou o seu espírito nas mãos do Pai, a Igreja que Jesus formou aqui na terra continua a viver no seu coração. No silêncio e na dor, seus sentimentos concordavam com os planos de Deus e o amor foi mais forte do que a morte.

O Sábado Santo é também denominado, na Liturgia, de “Vigília Pascal”, isto é, o dia em que ficamos em silêncio e meditação, com Maria, aguardando a manhã da Páscoa.  Durante toda a Quaresma nós, Igreja de Cristo Jesus, nos preparamos com a oração, o jejum e a esmola para o momento da maior alegria, o acontecimento central da nossa fé: a Ressurreição de Jesus.

A Liturgia da Vigília Pascal se reveste de grande solenidade e, em suas diversas partes, rememora os mistérios da nossa fé: inicia com a celebração da luz, com a bênção do fogo e a preparação do Círio Pascal, que representa Cristo Vivo e presente na Igreja. Segue a proclamação da Páscoa com o canto do Exultet; a liturgia da Palavra é enriquecida com muitas leituras do Antigo e do Novo Testamento; a liturgia Batismal com a bênção da água e dos santos óleos e, ocasionalmente, com a administração do sacramento do Batismo aos catecúmenos; aspersão de todo o povo com a água da vida nova. Culminando com a liturgia Eucarística e a comunhão de todos redimidos com o corpo e o sangue de Cristo Ressuscitado.

Celebração da Luz

O fogo é abençoado em silêncio e pedimos a Deus que conceda que a celebração da Páscoa acenda em nós o desejo de chegarmos santificados e purificados à festa da luz eterna. A imagem de Cristo ressuscitado, a luz do mundo, é simbolizada no Círio Pascal, que ilumina a todos que se aproximam dele com fé. Pe. Kentenich lembra que, assim como a cera é fluida, “o mesmo acontece com a alma em estado de graça. Ela se torna maleável como cera, aceita qualquer forma que Deus queira gravar nela” (Tabor Nossa Missão, vol 1, Londrina/PR, 16 de abril de 1947).

 

A liturgia Batismal

Evidencia a importância dos sacramentos na vida do cristão. O batismo é o primeiro sacramento que recebemos na Igreja. A água simboliza o sinal sacramental do batismo.

Durante o rito, o celebrante mergulha o Círio Pascal na água, abençoa-a e consagra-a, pedindo que Deus envie o Espírito Santo sobre ela, para torná-la fecunda e, dessa forma, dar luz aos novos filhos de Deus. Pe. José Kentenich ressaltou: “Jesus também quer, em nós, novamente causar ao Pai as alegrias de ressurreição. Pelo batismo o germe da vida transfigurada de Jesus foi plantado em nós. Participamos da vida transfigurada de Jesus” (No Brilho do Tabor, p. 90).

 

 “Eis aí tua mãe!”

 “Mulher, eis teu filho!”; “Eis tua mãe!” – Essas são as últimas palavras que Jesus dirige a Maria, sua Mãe, e ao discípulo amado. Dom Leomar A. Brustolin, Bispo Auxiliar da Arquidiocese de Porto Alegre/RS, destacou em seu livro:

“O amor é o vínculo que une a Mãe e o discípulo, ambos amam e são amados por Jesus: o amor. É o amor dado e recebido. Entregue o discípulo à Mãe, ela tem a quem amar e o discípulo, quem o ame. Assim Jesus comunica a eles seu Espírito, amor amante e amado perfeitamente correspondido. No discípulo amado está toda a Igreja, comunidade de discípulos e discípulas que são amados e amam Maria, mãe e perfeita discípula de Cristo. Esta circularidade de amor que nasce da cruz se estende pelos tempos e atinge a todos os que seguem a Jesus” (Eis Tua Mãe – Síntese de Mariologia, p. 49).

Diz o Concílio Vaticano II: “A Virgem (Maria), em sua vida, foi, com efeito, o modelo daquele amor materno do qual devem estar animados todos aqueles que, na missão apostólica da Igreja, cooperam para a regeneração dos homens. (Constituição dogmática Lumen Gentium, sobre a Igreja).

Como filhos de Schoenstatt, temos um carisma marcadamente mariano. Com Maria e segundo o seu exemplo, queremos amar e servir a Jesus, nosso Rei crucificado e glorificado. Unidos a Ele nos tornaremos também filhos transfigurados do Tabor.

 

Crédito da primeira foto: designdeprodutos.com.br

Via-Sacra nos passos de João Pozzobon

Ir M Rosequiel Fávero – Como acontece há 33 anos, na manhã de Sexta-feira Santa, muitas pessoas acompanharam a Via-Sacra idealizada pelo Servo de Deus João Luiz Pozzobon, partindo do Santuário Tabor até a Vila Nobre da Caridade. Foram duas horas de caminhada, silêncio e oração, contemplando o sofrimento de Jesus no seu caminho ao Calvário. Na conclusão da Via-Sacra, o postulador da Causa de Beatificação de João Pozzobon, Pe. Vandemir Meister, contou um pouco sobre o lugar e sobre a ‘Capelinha azul’, onde muitos ajoelharam-se para rezar.

“Sentir o que o outro sente”, dizia João Pozzobon, ao motivar o trabalho social, que tanto marcou o seu apostolado. Ir ao encontro de quem precisa de ajuda, escutar-lhe, conhecer sua vida e preocupações. E unir tudo isso com o sofrimento de Jesus, conduzindo todos à Mãe de Deus, no seu Santuário. Por isso, quis que a Via-Sacra partisse do Santuário até a Vila Nobre da Caridade, para que os devotos da Mãe e Rainha fossem ao encontro dos necessitados, motivando o ‘Schoenstatt em saída’.

Embora a Vila Nobre da Caridade, como tal, não exista mais, pois nenhuma família é ali abrigada e também as casas tenham sido derrubadas, existem muitos vestígios do trabalho apostólico e social desenvolvido por João Pozzobon. Assim, visitar o local e refletir sobre o seu exemplo, ajuda os peregrinos a perguntar-se ‘onde em minha cidade, minha paróquia, minha família tem alguém que precisa de mim? Como é a minha Vila Nobre da Caridade’?

Com uma bênção final, todos os participantes foram enviados de volta aos seus lares, com o desejo de uma abençoada Páscoa.

Mais fotos (Ir M Lisane Gossler)

 

 

Na Via Sacra Jesus nos ensina o caminho para a santidade

Adelmo e Ana Paula Dal Pozzolo – Este tempo da Quaresma que se despede mais uma vez, é oportunidade de refletir sobre a Via Sacra, tantas vezes rezada individualmente ou em comunidade. E reconhecer que este momento introspectivo utilizado para entender quinze aspectos do “caminho de cruz e vitoriosidade” de Cristo pode ser aplicado em nossa vida prática, especialmente na autoeducação rumo à santidade.

Relembrando os quinze momentos do calvário de Cristo que inspiraram a Via Crucis, temos: a condenação, o carregar a cruz, a primeira queda no caminho, o encontro com a Mãe, a ajuda para carregar a cruz, ter as lágrimas enxugadas, a segunda queda, consolar as mulheres que choram, cair pela terceira vez, despir-se das vestes, ser pregado na cruz, morrer na cruz e, finalmente, ressuscitar. Analisando as passagens, podemos descrever uma linha de tempo como a vida de cada um de nós.

O ‘humano’ que temos em nós é capaz de julgar e somos passíveis de sermos julgados. No caminho de santidade aprendemos a olhar com misericórdia para os próprios erros e aos dos irmãos, a perdoar tais faltas. Humildemente, pode ser uma boa oportunidade para exercitar a orientação própria, a autoeducação, e quando oportuno a orientar os outros. Jesus mesmo disse: “Quem de vós não tem pecados, atire a primeira pedra. Ninguém te condenou, eu também não te condeno. Vá e não peques mais! ” (cf. Jo 8, 7).

Pensando um pouco podemos perceber o quanto uma análise mais generosa sobre o tema poderia ter evitado a batida de martelo severa sobre um fato por vezes simples. Em nossa vida prática devemos adotar a missão de educadores/educandos aprendendo e ensinando em cada atuar. “Não nos deixamos levar por emoções ‘piedosas’ momentâneas e irrefletidas” disse Padre José Kentenich no primeiro documento de fundação, ensinando a importância de refletir profundamente antes de expressar uma opinião.

A vida também nos apresenta dores, perdas, tristezas. Mas há uma estrada a ser trilhada: a VIDA. Percorrendo este caminho tropeçamos, nos ferimos, e em inúmeras oportunidades, a Mãe e Rainha nos acolhe e, com ela, o bom Deus.

Encontramos auxílio e apoio em pessoas próximas e aceitamos esta ajuda, precisamos aceitar a mão estendida do irmão: exercício de humildade e de gratidão. Assim consolidamos um sentimento de conjunto, de comunidade, afinal não estamos sozinhos. Aceitando a cruz e conduzindo-a, caminhamos. Ainda que cambaleantes e lentos, devemos caminhar formando esta unidade. Recebendo apoio, e sendo o apoio para os que precisam.

Nossa condição humana estabelece que temos limites, momentos de fragilidade nos quais choramos, e por vezes surge a necessidade de recobrar as forças. Jesus ensina que é possível a queda, e que é preciso levantar. Isso se repete ao longo dos passos. Alguns podem se desesperar com a própria situação ou com a condição de alguém próximo que enfrenta algum sofrimento. E a mansidão de Cristo, confortando os que choram, nos ensina a suportar e a ser suporte. Transmitir forças ante as dificuldades é santificação. Erguendo o corpo, retomando o caminho continuamos trilhando passos em direção ao alto. Lá está a santidade.

Por vezes a caminhada da vida nos prega na cruz e as dores tiram sangue de nossos corpos, rompem a carne e as forças falham. Ainda assim nossos corações permanecem unidos em aliança de amor com Maria e ela nos liga à Cristo. Entregamos nas mãos misericordiosas de nossa Mãe um coração dolorido, machucado, pequenino, às vezes até despedaçado, para recebermos de volta um coração tratado, um coração refeito, renovado, curado e transformado pelo amor de Deus, em retribuição à contribuição para o Capital de Graças que Lhe oferecemos.

Pensar a Via Sacra, rezar a via Sacra e senti-la como ensinamento de vida e caminho de santidade nos conduz a viver o exemplo de Cristo e a santificar-nos durante a vida. Filhos verdadeiramente heroicos da Mãe e Rainha são forjados pelo fogo da santificação.

A décima quinta estação, a ressurreição de Cristo, é a concretização da vitória suprema de Deus. Cristo se mostra verdadeiro Deus tendo renascido e se colocado novamente entre os apóstolos e diante de sua Mãe, a mãe que Jesus nos entrega como nossa também. A conquista da santificação nos inclui na promessa de entrarmos na vida eterna com Cristo, junto a Maria, nossa Mãe Rainha e Vencedora Três Vezes Admirável de Schoenstatt e para junto de Deus.

Como família de Schoenstatt “devemos almejar o mais alto grau de perfeição de estado e santidade” (Pe. José Kentenich, no Documento de Fundação). Entendendo a Via Sacra, encontraremos condições de viver o ensinamento de vida que ela nos apresenta. Então alcançaremos a trajetória de santificação à qual Aliança de Amor nos conduz.

Filialidade Heroica até a cruz

Kennedy Rocha – A Filialidade Heroica de Jesus é levada ao extremo da Cruz. Aquele que não tinha pecado, se fez pecado pela nossa salvação: “Em verdade, ele tomou sobre si nossas enfermidades e carregou os nossos sofrimentos: e nós o reputávamos como um castigado, ferido por Deus e humilhado. Mas ele foi castigado por nossos crimes, e esmagado por nossas iniquidades; o castigo que nos salva pesou sobre ele; fomos curados graças às suas chagas. Todos nós andávamos desgarrados como ovelhas, seguíamos cada qual nosso caminho; o Senhor fazia recair sobre ele o castigo das faltas de todos nós. Foi maltratado e resignou-se; não abriu a boca, como um cordeiro que se conduz ao matadouro, e uma ovelha muda nas mãos do tosquiador” (Is 53,4-7).

O Corpo de Jesus, levantado no madeiro da Cruz, “não tinha graça nem beleza para atrair nossos olhares e seu aspecto não podia seduzir-nos. Era desprezado, era a escória da humanidade, homem das dores, experimentado nos sofrimentos; como aqueles, diante dos quais se cobre o rosto, era amaldiçoado e não fazíamos caso dele” (Is 53,2-3). Porém, como a serpente de bronze levantada no deserto, todos os que olhassem para Ele seriam curados de suas enfermidades e teriam a vida eterna (Jo 3,14).

O SIM de Jesus à vontade do Pai foi ilimitado, para que, ao ter o coração rasgado na Cruz, pudéssemos ter livre acesso ao Trono da Graça. Ele não quis perder nenhum de nós e, com o seu Sangue misericordioso, nos cobriu e nos lavou de toda culpa, de todo pecado.

Não existe maior amor do que dar a própria vida pelo irmão. Todos os ensinamentos e palavras de Jesus não foram vazios, mas foram vividos em sua própria carne. Ele é o Cordeiro Imolado que expia os nossos pecados. Sua morte foi por amor, para que nós tivéssemos vida e vida em abundância.

A morte de Jesus na Cruz foi para a salvação da humanidade, mais do que isso, foi para a minha salvação, foi para a sua salvação. Não uma salvação subjetiva, mas uma salvação pessoal que nos livrou das garras de Satanás e nos deu a vida eterna.

Que hoje possamos unir os nossos sofrimentos ao sofrimento de Jesus Redentor e, se acaso a Cruz estiver pesada, tenhamos a certeza de que “o Esposo em mim ajuda a carregar, a Mãe vigia: assim sempre somos três” (Rumo ao Céu, 396).

“Agora estás suspenso entre o céu e a terra,

para que surja uma nova criação de amor;

a Onipotência se tornou indizivelmente pobre,

porque teu amor é tão profundo e ardente”

(Rumo ao Céu, 311)

Papa entre os encarcerados: sejam irmãos no serviço, não na ambição

Bianca Fraccalvieri / Cidade do Vaticano – Sejam irmãos no serviço, não na ambição: palavras do Papa Francisco ao celebrar a missa da Ceia do Senhor no Instituto Penitenciário de Velletri, nos arredores de Roma. Trata-se de uma estrutura que acolhe atualmente 577 pessoas, considerada de segurança média. Os estrangeiros são cerca de 60% da população prisional.

Antes de proceder ao rito do lava-pés, o Pontífice pronunciou a sua homilia falando da origem do gesto. Naquela época, não havia asfalto, portanto cabia aos escravos lavarem os pés dos patrões e dos hóspedes.

“ E Jesus faz este gesto: lavar os pés. Ele faz o gesto do escravo: Ele que havia todo o poder, que era o Senhor, faz o gesto do escravo e depois aconselha todos a fazerem este gesto: sirvam uns aos outros, sejam irmãos no serviço, não na ambição de quem domina o outro ou espezinha o outro. Não. Serviço. ”

“Esta é a fraternidade”, continuou. “A fraternidade é humilde sempre, está a serviço.”

A Igreja, prosseguiu o Papa, pede que este mesmo gesto seja repetido pelo menos uma vez ao ano para imitar Jesus.

“ O bispo não é o mais importante, é o mais servidor e cada um de nós deve ser servidor do outro: é a regra de Jesus e do Evangelho: a regra do serviço, não do dominar, machucar, humilhar os outros. ”

Quando os apóstolos discutiam entre si sobre quem era o mais importante, Jesus respondeu apresentando uma criança e dizendo que é preciso ter o coração humilde, mas servidor. Jesus adverte que os chefes das nações dominam, mas entre os apóstolos não pode ser assim.

“O maior deve servir o menor, quem se sente maior deve ser servidor. Todos devemos ser. Na vida há problemas, brigamos entre nós, mas isso é passageiro, porque no nosso coração deve ter este amor de servir o outro, estar a serviço dos outros. Este gesto de hoje seja para todos nós, que nos ajude a sermos mais servidores uns dos outros, mais irmãos no serviço.”

Brasileiro no lava-pés

Ao final da homilia, o Pontífice prosseguiu a celebração lavando os pés de 12 detentos: um brasileiro, um da Costa do Marfim, um de Marrocos e nove italianos.

Foi a quinta vez o Papa celebrou a Missa da Ceia do Senhor em um Instituto Penal. Em 2013, Francisco foi ao Cárcere de Menores de Casal del Marmo, em 2015 no Cárcere de Rebibbia, 2017 no presídio de Segurança Máxima de Paliano e no ano passado no Cárcere de Regina Coeli.

Fonte: Vatican News

Prova de Amor

Fernando Castilho Valderrama – Sabia-se de tudo! Desde a negação até mesmo à traição. Sabia que não valia mais do que trinta moedas de prata. Antes de se apresentar ao madeiro, escarnecido, açoitado, cuspido e coroado de espinho e debochado por seus algozes, em silêncio suportou. Travestido de rei mundano, com uma coroa que lhe perfurava a alma, que do seu sangue jorravam as lágrimas dolorosas de todo o pecado. E cortejado por soldados, açoites e cusparadas, levou o peso do mundo até o Gólgota. Viu todos aqueles que ensinou e educou fugirem, com exceção de alguns poucos, tais como ratos que fogem de seu predador. Somente sua Mãe, corajosa e piedosa, seguia seus passos ao longe, porque não lhe era permitido afagar o filho que Lhe foi entregue. No lenho da cruz, entregou seu corpo e ao Pai e elevou seu espírito.

Mas, antes de toda a dor, sofrimento, decepção e amargura, antes de perder suas forças pelas feridas, de pender pelos cravos seu corpo escarnecido, da lança perfurar o lado e revelar a mais pura água, antes do suor de sangue ser enxugado por Verônica, ou a ajuda de Simão Cireneu lhe aliviar o peso da cruz, Jesus se fez pão. Um alimento simples, que não requer receitas elaboradas ou ingredientes refinados para que se torne a comida que mais sacia. O pão que fortalece, que revigora e que conforta. Que se partilha e que mesmo as migalhas satisfazem o esquecido e o desprezado.

Um Deus que optou por deixar ferir-se e sentir a dor humana, mas que antes quis deixar sua memória viva, tornando-se pão, o pão da vida, o ázimo que se torna corpo, que por milagre de fé sangra em Lanciano, que nutre a alma, revigora, revitaliza e conforta. Sacia o espírito e enobrece a alma. Que, a partir de seu consumo, torna-se privilégio, escolhido, amado por dentro por um Deus que toma o interior e transforma o mais íntimo da alma, ilumina qualquer escuridão do espírito, consola as feridas abertas no coração e acalanta ao âmago do ser.

E junto aos seus discípulos, sabendo que aquele momento seria o último, o servir ao próximo foi a maior lição que Jesus fez: ao cingir a cintura, menor que aos demais se fez. Lavou seus pés, mostrando que o serviço está no servir. Postados a mesa, do pão tomou parte e, compartilhando seu amor, entregou um a um, agradecendo a Deus Pai por aquele momento.

Saciados por aquela demonstração de amor, Jesus quis entregar-lhes mais: A bebida que fez a alegria em Canaá, ali verteu-se em seu próprio sangue, para tornarmos parte de seu sangue, consumindo do melhor vinho para alegrar a alma.

Um pão que não se dá por mérito ou por conceito; não se entrega por julgo ou por condição. Um pão que se toma simplesmente por amor: fecundo, sincero, livre de amarras e de contextos. Atemporal, sem que haja hora ou lugar. Que não segue datas nem mesmo horas. Para toda hora! Alimentar-se deste pão é se tornar um perigo iminente contra as forças do mal. É abalar as estruturas da escuridão e transfigurar-se em luz que resplandece a imagem daquele que se entregou primeiro. Daquele que na última ceia exigiu que fizéssemos em Sua memória. É o próprio Jesus Cristo que se transfigura no pão sem fermento para se tornar o alimento mais saboroso que concede a vida e o amor. É doar a vida pelo irmão.

Foto destacada: blog Canção Nova