Sábado Santo: Cristo venceu a morte! Ressuscitou!

Pe. Francisco José Lemes Gonçalves – O Sábado Santo traz uma das cerimônias mais belas da liturgia de nossa Igreja. Esta noite é chamada a “Mãe de todas as Vigílias”. Numa celebração repleta de memórias do Antigo e do Novo Testamento, com símbolos, bênçãos, trevas e luzes, aguardamos com viva esperança aquele que venceu a morte. Deveríamos parar tudo, esquecer a mundanidade que invadiu os festejos pascais e, neste tempo de pandemia, estar conectados em nossos Santuários de Schoenstatt para, com Maria e José, celebrar esta Noite Santa e reavivar a nossa esperança. É a oportunidade para viver o que o Papa Francisco sempre está a nos falar: “Não deixeis que vos roubem a esperança!”

Nos reunimos ao redor da fogueira, com a igreja às escuras e, no silêncio que ainda impera, dá-se início à benção do Fogo Novo, no qual se acenderá o Círio Pascal. Aquela chama grande, seguindo à frente dos fiéis acompanhado pela Cruz, vai como que dissipando as trevas, invadindo os lugares escuros e sombrios e vai, pouco a pouco, do jeito de Deus, iluminando; até que cada um acende a sua vela no Círio e tudo se ilumina!

Ao redor da Mesa da Palavra ouviremos os feitos de Deus no passado do antigo povo da Aliança até chegar à plenitude dos tempos, que em Cristo Jesus tudo se cumpre perfeitamente. Renovamos nossas promessas batismais nesta noite, renovando nosso compromisso de discípulos missionários do Senhor, especialmente nestes tempos!

Alimentamo-nos do Ressuscitado que nos visita com sua presença no Pão e no Vinho, agora no seu Corpo e no Sangue e, ele unido a nós, somos convidados a anunciar: “ELE VIVE! PODEMOS CRER NO HOJE E NO AMANHÔ!

Não estaremos reunidos de forma presencial nas igrejas, mas aí onde você está uma porta se abre em seus meios sociais. Após a Santa Missa da Vigília, envie sinais da sua fé celebrada, vivida e professada aos seus contatos; há muitos que estão desesperançados e a sua mensagem poderá ser a luz pascal em muitas vidas. Nossos Santuários de Schoenstatt serão estes suportes para o Círio Pascal, que brilhará a partir deles; e aqueles que aos nossos Santuários estiveram vinculados brilharão como luz para este nosso mundo.

Foto: Íris Marcomini e Ir M Rosequiel Fávero

Fonte: schoenstatt.org.br

Sábado Santo, o dia do silêncio

Roberta Barbi / Cidade do Vaticano – O Sábado Santo, ou Grande Sábado, foi justamente definido por alguém como “o mais longo dos dias”, um tempo de reflexão, que pode ampliar-se na vida de cada um. Não há celebrações, é um dia “alitúrgico”, não nos aproximamos da Eucaristia, mas espera-se em silêncio, para reviver a consternação dos apóstolos após a morte de Jesus.

Mesmo iniciando na noite de sábado, de fato, a Vigília Pascal é considerada parte da liturgia da Páscoa da Ressurreição. É também o dia da “crise” da Palavra: os próprios Evangelhos não falam nada,  podemos somente imaginar que este seja o tempo em que o corpo de Jesus permanece no sepulcro, enquanto os apóstolos, sendo um dia de repouso para os judeus, permanecem sem saber o que aconteceria a seguir.

Nem sempre foi silêncio …

A reforma litúrgica de Pio XII de uma certa maneira “restaurou” o Sábado Santo como dia de silêncio e de espera, no qual todo cristão, ainda hoje, medita sobre a morte de Jesus e sobre a própria, exercitando-se na espera desta última, o inevitável fim da vida terrena. Neste dia, a fé é provada porque o Messias está morto e ninguém sabe o que irá acontecer,  pode-se somente viver na espera de que o vazio que se sente seja preenchido.

O dia da descida à mansão dos mortos

Mesmo que tudo esteja em silêncio, Cristo age. Segundo antiga tradição, de fato, neste dia Jesus desce à mansão dos mortos, nas profundezas do reino da morte, para salvar o homem e levá-lo consigo para o céu, onde  nos precede e onde nos espera de braços abertos. Lá, encontra Adão, o primeiro homem que aqui simboliza toda a humanidade, o sacode, o desperta e lhe dá o anúncio da salvação do qual ninguém está excluído, colocando de fato uma ponte entre o sepulcro e o Reino de Deus. Jesus carrega a arma infalível da Cruz, porque “com a morte vence a morte”.

A hora da mãe

Há cerca de trinta anos, o Sábado Santo é também o dia em que, segundo a tradição bizantina, celebra-se a Hora da Mãe. Em outras palavras, concentra-se na figura de Maria, na qual à dor pela morte de seu filho une-se a esperança de sua ressurreição.

Maria é referida como Mater Dolorosa já por Santo Inácio de Loyola; deixamo-lo aos pés da Cruz, abandonada pelo Filho que morreu e que antes de expirar a confiou a João, porque Maria, chamada à missão de Mãe, não pode permanecer sem filhos. Mas a dor e a fé de Maria aqui, são a dor e a fé das quais nasce toda a Igreja, que ali está, com ela, aos pés da Cruz, sendo iluminada pela esperança. A partir do Ano Mariano de 1987, esta celebração em Roma realiza-se na Basílica de Santa Maria Maior.

Foto e texto: Vatican News

 

O Martírio de Maria

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Quem poderia ouvir sem comoção a história mais triste do mundo?

Uma nobre e santa senhora tinha um único filho, o mais amável que se possa imaginar. Era inocente, virtuoso e belo. Nele, por isso, a mãe tinha posto todo o seu amor. Ora, que aconteceu? Pela inveja de seus inimigos, foi esse filho acusado injustamente. O juiz reconheceu, é verdade, a inocência do acusado  e proclamou-a publicamente. Mas, para não desgostar os  acusadores, condenou-o a uma morte infame, como lhe haviam pedido. E a pobre mãe, para seu maior sofrimento, teve de ver como aquele tão amante e amado filho lhe era barbaramente arrancado, na flor dos anos. Fizeram-no morrer diante de seus olhos maternos, à força de torturas e esvaído em sangue num patíbulo infamante.

Já sabeis de quem estou falando? Esse Filho, tão cruelmente supliciado, foi Jesus, nosso amoroso Redentor. E essa Mãe foi a BemAventurada Virgem Maria, que por  nosso amor se resignou a vê-lo sacrificado à justiça divina pela crueldade dos homens.

Jesus é chamado Rei das dores e Rei dos Mártires, porque em sua vida mortal padeceu mais que todos os  outros mártires. Assim também é Maria chamada com razão Rainha dos Mártires, visto ter suportado o maior martírio que se possa padecer depois das dores de seu Filho. Bem se lhe pode aplicar o texto do profeta Isaías: “Ele te há de coroar com uma coroa de amargura” (Is 22,18). A coroa, com a qual foi constituída Rainha dos Mártires, foi justamente sua dor tão acerba, que excedeu a de todos os mártires reunidos.

O maior martírio

Conforme uma sentença incontestada, para ser mártir é suficiente sofrer uma dor capaz de levar à morte, ainda que em realidade não se venha a morrer. São João Evangelista é reverenciado como mártir, não tenha embora morrido na caldeira de azeite fervendo, senão haja saído 2 dela mais robustecido. Para a glória do martírio, segundo Tomás, basta que uma pessoa leve a obediência a ponto de oferecer-se à morte. Maria, no sentir do Abade Oger, foi mártir não pelas mãos dos algozes, mas sim pela acerba dor de sua alma. Se não lhe foi o corpo dilacerado pelos golpes do algoz, foi seu imaculado coração trespassado pela paixão de seu Filho (cf. Lc 2, 35). E essa dor foi suficiente para dar-lhe não uma, porém mil mortes. Vemos por aí que Maria não só foi verdadeiramente mártir, mas que seu martírio excedeu a todos os outros por sua  duração. Pois que foi sua vida, senão um longo e lento martírio?

O mais doloroso

Vejamos, contudo, as razões por que o martírio de Maria foi o mais doloroso que o de todos os mártires. Devemos refletir, em primeiro lugar, que estes sofreram em seus corpos por meio do fogo e do ferro, enquanto a Virgem padeceu o martírio na alma. Nesse sentido lhe dissera Simeão: “E uma espada trespassará a tua alma” (Lc 2, 35). O santo ancião queria dizer: “Ó Virgem sacrossanta, os outros mártires hão de ter o corpo ferido pela espada, porém vós tereis a alma trespassada e dilacerada pela paixão  de  vosso  Filho”.  Ora,  quanto  a alma é mais nobre que o corpo, tanto a dor de Maria foi superior à de todos os mártires.

A segunda razão é porque os mártires sofreram imolando a própria vida, enquanto Maria sofreu oferecendo a vida de seu Filho. Como ensina Santo Antonino, Maria amava a vida do Filho muito mais que a própria vida. Seu coração afligiu-se mais presenciando os tormentos do Filho, do que se ela própria os tivesse sofrido em si. Sem dúvida alguma, a Virgem padeceu em seu coração todos os suplícios com que viu atormentado o seu  amado Jesus. Sabem todos que as dores dos filhos são também dores das mães que os vêem sofrer. Pois não está a alma humana mais com aquilo que ama, do que com aquilo que anima? E não afirmou o próprio Salvador:  “Onde está o vosso tesouro, aí estará o vosso coração” (Lc 12, 34)? Assim, pois, 3 Maria, se pelo amor vivia mais no Filho do que em si mesma, ao vê-lo morrer tinha de suportar dores incomparavelmente mais acerbas, do que se a fizessem sofrer a morte mais cruel do mundo.

A medida do amor define o tamanho da dor

Há ainda uma circunstância a mostrar-nos como o martírio de Maria excedeu incomparavelmente ao dos mártires todos. Não só ela sofreu dores indizíveis, como também as sofreu sem alívio algum, na paixão de seu Filho. Padeciam os mártires os tormentos a que os condenavam maus tiranos, porém o amor de Jesus lhes tornava as dores amáveis e suaves. Quanto mais os santos  mártires amavam a Jesus, menos sentiam os tormentos e a morte. Bastava-lhes a lembrança dos sofrimentos de um Deus crucificado para consolá-los. Podia, porém, nossa Mãe dolorosa achar consolo no amor a seu Filho e na lembrança de seus sofrimentos? Não, pois justamente esse padecimento era todo o motivo de sua maior dor. Todo o martírio de Maria consistiu em vê- lo, amado e inocente, sofrer tanto, e em compadecer-se de suas dores. Tanto mais acerba e sem alívio lhe era a dor, quanto mais o amava. “Grande como o mar é a tua dor e quem te curará?” (Lam 2, 13). Cada um com o instrumento de seu martírio, representam-se os mártires: São Paulo, com a espada; Santo André, com a cruz; São Lourenço, com a grelha. No entanto, Maria é representada com o Filho morto, nos braços. Só Jesus foi o instrumento de seu martírio, por causa do amor que lhe consagrava. O Filho que lhe podia dar consolo era a causa única de seu penar, e o amor que lhe tinha constituía todo o seu martírio. Ricardo de São Vítor reduz tudo isso à concisa sentença: Nos mártires o amor era um consolo nos sofrimentos, em Maria, pelo contrário, cresciam as penas e o martírio na proporção de seu amor.

Vede se há dor semelhante a minha

É certo que, quanto mais se ama uma pessoa, tanto mais se sente a pena de perdê-la. A morte de um  irmão, de um filho, aflige mais, certamente, que a de um amigo. Cornélio a Lápide diz, por isso: Para medir a dor de Maria pela morte do Filho, é preciso ponderar a grandeza do amor que lhe devotava. Mas quem poderá medi-lo? Era 4 duplo o amor de Jesus no coração de Maria, observa o beato Amadeu: um sobrenatural, com que o amava como a seu Deus, e natural o outro, com que o estremecia como  Filho. Esse duplo amor reuniu-se num só, imenso e incalculável amor, a ponto de Guilherme de Paris ousar dizer: Tanto era o amor da Santíssima Virgem a Jesus, que uma pura criatura não seria capaz de amá-lo mais. Imenso era o amor da Senhora a seu Filho e também incalculável devia ser a sua pena ao perdê-lo, observa Santo Alberto Magno. “Ó vós todos que passais pelo caminho, atendei e vede se há dor semelhante à minha dor” (Lam 1, 12).

(texto condensado a partir de Glórias de Maria, de Santo Afonso de Ligório, pp. 356-370 – edição de 1989, Editora Santuário)

OREMOS
Ó Deus, quando o vosso Filho foi exaltado,
quisestes que sua Mãe estivesse de pé junto à cruz,
sofrendo com Ele.
Dai à vossa Igreja,
unida a Maria na paixão de Cristo,
participar da ressurreição do Senhor,
que convosco vive e reina,
na unidade do Espírito Santo.
Amém.

Foto: pixabay.com

Na Sexta-feira Santa, ELA chega em Schoenstatt!

Ir. M. Nilza P. da Silva – É sexta-feira santa, dia 18, e 18estamos envoltos na atmosfera do Calvário! Vivenciamos a paixão e morte de Cristo, o Filho de Deus! Ele nos amou até o fim! Elevado na cruz, totalmente despojado de toda a sua honra, de seus direitos, até mesmo de suas roupas, só resta algo que ainda é seu: sua Mãe! Esta ninguém lhe tira! Esta é sua inteiramente e nada neste mundo pode lhe subtrair.
Então, Jesus surpreende mais uma vez, ainda nesta hora do mais angustiante sofrimento, voluntariamente, Ele nos presenteia este seu único e maior bem: “Eis aí a tua Mãe!” Seu amor para conosco é perfeito, Ele não reserva nada para si. E João a “levou para a sua casa” (Jo 19,27).

Ela é e atua como nossa Mãe!

Maria assume sua maternidade espiritual de cada membro do corpo místico de Cristo. Como sua Auxiliar, continua a amar e educar cada filho, gerado no sacrifício de seu Filho Jesus. No decorrer da história se comprova como também ela nos ama até o fim, sem nada reservar para si mesma. Mas, a exemplo de Jesus, despoja-se de tudo, para que nos deixemos encontrar pelo amor misericordioso do Pai. Ela permanece junto à cruz de cada filho e o conduz até a manhã da ressurreição.

Eis aqui a nossa Mãe, nossa MTA!

Na Alemanha, num lugarejo da cidadezinha de Vallendar, é sexta-feira santa, 2 de abril de 1915. Um grupo de jovens seminaristas, unido ao diretor espiritual, Pe. Kentenich, há 5 meses, selara uma Aliança de Amor com Maria, convidaram-na a estabelecer sua morada numa Capelinha e procuram uma imagem sua para levá-la à sua casa. Nessa sexta-feira santa, revivem a paixão de Cristo. O sacerdote e os jovens querem participar o mais próximo possível de tudo o que Jesus sofreu. Espiritualmente, estão no Gólgota, sob o Monte Calvário, e ouvem, mais uma vez, dos lábios de Jesus sofredor o seu testamento de amor: “Eis aí a tua Mãe!” (Jo 19,27)

Nesse dia, todos os moradores do seminário se ocupam com a preparação e a vivência especial da liturgia tão sagrada. Mesmo assim, dois Irmãos palotinos, o Irmão Joseph e o Irmão Christian, tomam uma carroça e se dirigem à estação de trem, para buscar a encomenda que chegou para o Pe. Kentenich, a imagem de Nossa Senhora, que o professor do seminário, Pe. Eugene Huggle, lhe havia enviado, a fim de que seja entronizada na Capelinha. O guarda da estação não está disposto a abrir exceção em seu trabalho e sugere que os dois Irmãos retornem na segunda-feira, quando tiver passado as celebrações da Páscoa. Mas, o Irmão Joseph quer levar Maria consigo para casa e é perseverante em seu pedido. Seu esforço foi recompensado, pois o chefe acabou por se deixar vencer e o quadro de Maria, em tamanho grande, formato octogonal é colocado sobre a carroça e conduzido até Schoenstatt.

Ela se deixa levar para a sua casa!

Assim Maria chega para tomar posse de seu trono de graças! Ela vem toda embrulhada, sobre uma carroça, sem fazer alarde, sem chamar a atenção sobre si. Repete-se assim, nesse memorável dia, há  106 anos, o momento sagrado da paixão de Jesus. No dia de sua partida deste mundo, ele nos oferece a sua Mãe, como nossa Mãe, e ela chega despercebida. O centro é seu Filho. Nesse dia, todos se ocupam com os sofrimentos de Jesus, estão ao pé de sua cruz. A imagem da MTA chega como a herança sagrada dessa incomparável hora. É como se Jesus dissesse agora ao Pe. Kentenich: “Eis aí a tua Mãe!” Devido às celebrações pascais, essa imagem só será entronizada na Capelinha em 11 de abril, domingo depois da Páscoa, festa da Misericórdia Divina.

Ele a leva para casa. Para a Capelinha, lar do qual ela atua como educadora e distribui graças em abundância. Para a casa de seu coração, para a casa do coração de cada seminarista e continua a levá-la, até hoje, para a casa de cada um que sela a Aliança de Amor. Ela vem para estar com seus filhos, nas cruzes e calvários desta vida, para que se deixem tocar pelo amor misericordioso do Pai e vivenciem, em cada manhã, a Páscoa de uma vida nova em Cristo.

Ela veio para formar filhos à imagem de Cristo

Ela chega com seu Filho Heroico, no dia do Calvário, e faz da Capelinha o seu Tabor. Pe. Kentenich diz, aqui no Brasil, em 1947: “Nosso Tabor deve irradiar a glória da Mãe de Deus. Em que consiste, então, a plenitude da glória da Mãe de Deus? Como a vemos diante de nós? Ela é a grande Mulher formada e capaz de formar à imagem de Cristo…. Sua tarefa consiste principalmente em conduzir o mundo a Cristo.”

Fazemos parte desta história!

Como em 2 de abril de 1915, é novamente sexta-feira santa. Jesus nos presenteia mais uma vez a sua Mãe, dando-nos a sua presença no Santuário. Deixemo-nos educar por ela! Vamos levá-la para a casa de nosso coração e ela revelará sua glória em nós e em nossa família. Deixemo-nos conduzir pelas palavras do Pe. Kentenich, a quem foi confiada a imagem de Maria, para o Santuário:

“Se quiserem compreendê-la bem, precisam penetrar profundamente estas três verdades:

Cristo, o ideal de nossa vida,
Cristo, o fundamento de nossa vida,
Cristo, a forma de nossa vida.
Para a Mãe de Deus, Cristo tornou-se de tal forma o ideal de sua vida e o fundamento de sua vida, que ela assumiu realmente a forma de Jesus. É esta a grande importância que a Mãe de Deus tem para nós em relação a Jesus. Não queremos nos deter nela. Sabemos que todo seu ser e toda sua pessoa apontam sempre para Jesus. Vemo-la como Portadora de Cristo, porque ela assumiu a forma de Cristo e é capaz de formar à imagem de Cristo” (Brasil, 1947).

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Fonte bibliográfica:
Tabor Nossa Missão, palavras do Pe. Kentenich no Brasil.
Uma Nova Visão, uma Nova Vida… Pe. Jonathan Niehaus

Fonte: schoenstatt.org.br

Amar a Eucaristia, como o Pai e Fundador amou

“Nós vamos à missa para encontrarmos o Senhor ressuscitado, ou melhor, para nos deixarmos encontrar por ele” (Papa Francisco, audiência geral, 13.12.2017)

Que valor tem a Eucaristia em minha vida pessoal, em minha vida de Aliança? Essa é uma pergunta importante a se fazer pessoalmente – e ainda mais fundamental neste Ano Pe. Kentenich. Seguindo os passos do Pai, compreendemos a sua vida como um estímulo e inspiração para estar sempre perto de Jesus na Comunhão.

A Quinta-feira Santa, que marca o início do tríduo pascal, celebra a instituição da Eucaristia, o presente que é ter Jesus bem perto, como ‘carne da nossa carne’. O Pai e Fundador compara a Eucaristia com o alimento diário: “Vejam, a comida, não importa o que comamos ou bebamos, une-se à nossa vida. Há, portanto, uma unidade de vida que é assimilada à nossa natureza, à nossa própria vida. Na Sagrada Eucaristia há um processo semelhante, só que em ordem inversa. Aqui, nós é que somos assimilados, identificados e inseridos na vida de Jesus”.

Para o Pai e Fundador, a celebração da Santa Missa era o momento central do dia. Quem participava da Eucaristia com o Fundador, percebia claramente como ele se concentrava no essencial: Deus estava com ele; e ele com Deus! Esse fato o levava, quando era o caso, a adiar decisões importantes para a manhã seguinte, após a Santa Missa – como fez no dia 20 de janeiro de 1942, na prisão de Coblença.

Amar pelo servir

Outro ponto fundamental desta Quinta-feira Santa é o serviço: “Se eu, o Senhor e Mestre, vos lavei os pés, também vós deveis lavar os pés uns dos outros. Dei-vos o exemplo para que façais a mesma coisa que eu fiz” (Jo 3, 14s). A atitude de serviço é uma continuação da Santa Missa no dia a dia, como acentua o Pe. Kentenich: “Somos apóstolos, missionários, quer estejamos a sós em nosso quarto ou junto com nossa família em casa, no trabalho ou em meio aos divertimentos que a vida moderna nos oferece. Em todas as situações, vale sempre o mesmo: a missa do dia deve se tornar a missa da vida! Sempre de novo vale a palavra: de uma missa para outra”.

Com esse mesmo amor que o Pai e Fundador se dirigia ao altar, podemos sempre de novo nos colocar na presença de Jesus. O Papa Francisco disse à Família de Schoenstatt que “quando celebramos a Eucaristia, celebramos a renovação da Aliança. Não só mimeticamente, mas de uma maneira muito profunda, muito real. É a mesma presença de Deus que renova a Aliança conosco”. A Quinta-feira Santa inicia esse caminho de renovação da Aliança na Páscoa.

 

Referências
Cristo minha vida – Textos escolhidos sobre Cristo
Pe. José Kentenich, Sermão para a Comunidade Alemã de São Miguel, em Milwaukee/EUA
12 de abril de 1964

Fonte: schoenstatt.org.br

A lição do Lava-pés

Pe. Francisco Lemes – A cena do lava-pés é sem dúvida uma das mais belas cenas e gestos de Jesus. Nesta Última Ceia, ao instituir os sacramentos da Eucaristia – “tomai e comei… tomai e bebei” – e da Ordem  – “fazei isto em memória de mim, Jesus nos deixa claro que a Eucaristia está estritamente ligado aquele que serve. O culto sem o serviço poderá ser estéril e cumprimento de rubricas.

Lavar os pés, atitude do Mestre e Senhor, que se abaixa aos pés de seus amigos, inclusive de Judas, o traidor. Na cena do Jardim das Oliveira, num gesto de amor, com Judas, Jesus ainda o chama de amigo. Lava também os pés de Pedro, que a poucos instantes disse que seria capaz de lhe dar a vida, mas, diante do aparente fracasso de seu Mestre, o nega por três vezes, antes mesmo do galo cantar.  Lavar-lhes os pés, é um gesto de Jesus, que talvez ali no momento, os apóstolos não captaram a sua dimensão. Mas, depois da glória da Ressurreição, o Espírito lhes abriria as mentes, e eles compreenderiam!

Ao tirar o manto, Jesus nos dá o sinal que, para servir, temos que estar despojados de qualquer intenção, que não seja o puro amor de servir, mesmos os que nos causam dor e decepções. Que “mantos” andam nos impedindo de ir ao encontro dos irmãos para lhes lavar os pés? Que mantos tem criado muros para uma aproximação?

Jesus, com este gesto, mostra-nos seu despojamento total, nos leva a pensar da Encarnação ao Calvário, que em breve se entregará de livre e espontânea vontade ao amor do Pai.

Cingir a cintura com uma toalha. Cingir os rins, para os judeus, significava estar pronto para partir e a pureza das ações. Jesus nos mostra que devemos estar sempre vigilantes para servir e que este gesto seja carregado de pureza. Ao fim da ceia, o evangelista diz que Jesus retoma o manto e não diz que tenha tirado a toalha da cintura. Deixa, assim, uma brecha delicada para entender que o serviço completo será a entrega da vida. Tem maior amor aquele que dá vida pelos seus!

Depois de tudo concluído dá-nos uma herança. Não será reinos, nem fortunas; mas sim o AMOR! “Amai-vos uns aos outros como eu vos amei”; eis o testamento de herança que ele nos deixou.

Maria não estava presente nesta noite, mas há quem sugere que ela pode ter sido ela quem tenha preparado todo o ambiente. Que Maria, de seu Santuário de Graças, prepare nossos ambientes, do coração, para essa celebração!

Fonte: schoenstatt.org.br

Maria e a Semana Santa

 

Pe. Vandemir Josoé Meister. ISch. – Estamos iniciando a Semana Santa, tempo que nos leva a uma vivência dos momentos mais intensos da vida cristã. Cristã, porque aquele que protagonizou a história desta semana, a que chamamos Santa, foi Cristo. Não podemos mergulhar na espiritualidade desta semana, sem nos encontrarmos com seu protagonista. Muitos personagens encontramos nos acontecimentos desta semana.

Fico pensando em Simão de Cirene, que estava, provavelmente, escondido entre os curiosos, no anonimato olhando os acontecimentos, e que por fim foi puxado por um soldado para ajudar Jesus a carregar a cruz para o Calvário.

Simples gesto

Naquele momento, num simples gesto de um tosco soldado que bruscamente o seleciona no meio do avido público por vingança ou espetáculo, se torna um personagem, mesmo que marginário ao acontecimento, para ser lembrado por todos os tempos.

Qual foi o olhar de Jesus para este homem que se aproximava para carregar a cruz! Um olhar esperançado, um olhar de alegria e contentamento interior por ver alguém que se colocava do seu lado naquele momento difícil.

Simão de Cirene

Se Simão de Cirene em seu fugaz momento participou do sofrimento e alegria de Jesus no caminho do Calvário e teve toda essa repercussão; imaginemos agora como deve ter sido a presença de Maria em todos esses acontecimentos, que chamamos de Semana Santa e que engloba desde a entrada à Jerusalém até à ressurreição e aparição primeira às mulheres e discípulos.

Neste nosso encontro profundo com Jesus, o Cristo que protagoniza e sofre por nós, nos deparamos com o silêncio de uma pessoa que O acompanha  a cada momento: Maria.  K. Gibran dizia: “Se queres entender uma pessoa ‘não deve ouvir o que ela diz, e sim o que não diz.’” Maria participa nestes acontecimentos de mais de longe e mais de perto, com sua presença, mas no silêncio. Estava sempre ao lado de seu filho.

Assim a podemos ver com um olhar retrospectivo, desde a cruz, onde se encontram, meio a sós: Jesus, Maria e João. Ali, no momento último, estava aquela que estava também desde o momento primeiro de Jesus, no seu nascimento.

Realmente uma rainha

Ela foi uma das protagonistas importantes acompanhando Jesus desde a entrada em Jerusalém, Lava-pés, revolta dos sumos sacerdotes incitando ao povo e exigindo dos governantes uma punição, acompanhando a injusta condenação, vendo o filho encoberto de sangue causado pelo suplicio dos soldados, e seguindo ao lado em todo o percurso rumo ao monte calvário; e finalmente, o atroz momento da morte do filho.

Eu os pergunto: Que mãe pode acompanhar tudo isso? Que mãe tem força interior para vivenciar as atrocidades de injustiças contra o filho?  Nós podemos dizer: Ela foi realmente uma rainha. Dizemos, popularmente, que uma mulher é uma rainha, quando ela tem um comportamento excepcional, rompendo a normalidade. Maria teve um comportamento excepcional acompanhando seu filho no momento do sofrimento.

No caminho do Calvário

O sofrimento do filho era o sofrimento dela, as dores do filho eram as dores de sua alma. Tudo isso sem escândalo. Em nenhum momento a narração nos evangelhos nos falam de uma mãe escandalosa no caminho do Calvário. Foi uma mãe que soube suportar no silêncio as dores de Deus. Quão animador não deve ter sido os olhares de Maria quando se encontravam com os de seu Filho.

Ele sabendo, muitos o tinham abandonado, mas Ela, Ela estava ali do seu lado. Ela era ainda a força esperançadora de seguir carregando a cruz, a força última que Jesus necessitava para chegar ao fim.

Uma mulher do Silencio que nos ensina a acompanhar a vida, os sofrimentos com uma “atitude de rainha” e nunca largar o outro ao seu próprio destino. Ela acompanhou seu Filho, por causa de seu imenso amor. Acompanha a cada um de nós, porque nos ama tanto quando ama seu Filho. Nos quer a imagem de seu Filho, poderíamos dizer que ela nos quer cristificar.

Que possamos nesta semana, olhar os olhos de Maria, de como ela olhava para seu Filho e transmitia confiança, presença e força, mesmo no sofrimento, sem escândalos.

Que possamos cada um ser uma Maria para acompanhar todos os acontecimentos da Semana Santa.

Com o Padre Kentenich, fundador do movimento apostólico de Schoenstatt rezar:

 

Pai, ao lado de nossa Mãe,
Quero acompanhar o Redentor do mundo,
e, na luta de sua vida,
ver os poderes que estão
por trás dos acontecimentos da história.

(…)

Senhora Três Vezes Admirável, eu te peço:
Dá-me contemplar profundamente
o coração de Cristo e com teu amor ardente
permanecer a seu lado,
em meio a um mar de ódio. Amém. (RC 240, 244)

Semana Santa: o significado de cada dia da celebração da paixão, morte e ressurreição de Cristo

A Igreja Católica dá início neste Domingo de Ramos, 13 de abril – a Semana Santa que se estende até o próximo domingo, dia 20 de abril – domingo de páscoa.  A Semana Santa é o momento central da liturgia católica romana e é a semana mais importante do ano litúrgico, quando se celebram de modo especial os mistérios da paixão, morte e ressurreição de Jesus Cristo.

Domingo de Ramos

O Domingo de Ramos abre, por excelência, a Semana Santa, pois celebra a entrada triunfal de Jesus Cristo, em Jerusalém, poucos dias antes de sofrer a Paixão, a Morte e a Ressurreição. Este domingo é chamado assim, porque o povo cortou ramos de árvores, ramagens e folhas de palmeiras para cobrir o chão por onde o Senhor passaria montado num jumento. Com isso, Ele despertou, nos sacerdotes da época e mestres da Lei, inveja, desconfiança e medo de perder o poder. Começa, então, uma trama para condená-Lo à morte. A liturgia dos ramos não é uma repetição apenas da cena evangélica, mas um sacramento da nossa fé, na vitória do Cristo na história, marcada por tantos conflitos e desigualdades.

Segunda-feira Santa

Neste dia, proclama-se, durante a Missa, o Evangelho segundo São João. Seis dias antes da Páscoa, Jesus chega a Betânia para fazer a última visita aos amigos de toda a vida. Está cada vez mais próximo o desenlace da crise. “Ela guardava este perfume para a minha sepultura” (cf. João 12,7); Jesus já havia anunciado que Sua hora havia chegado. A primeira leitura é a do servo sofredor: “Olha o meu servo, sobre quem pus o meu Espírito”, disse Deus por meio de Isaías. A Igreja vê um paralelismo total entre o servo de Javé cantado pelo profeta Isaías e Cristo. O Salmo é o 26: “Um canto de confiança”.

Terça-feira Santa

A mensagem central deste dia passa pela Última Ceia. Estamos na hora crucial de Jesus. Cristo sente, na entrega, que faz a “glorificação de Deus”, ainda que encontre no caminho a covardia e o desamor. No Evangelho, há uma antecipação da Quinta-feira Santa. Jesus anuncia a traição de Judas e as fraquezas de Pedro. “Jesus insiste: ‘Agora é glorificado o Filho do homem e Deus é glorificado nele’”. A primeira leitura é o segundo canto do servo de Javé; nesse canto, descreve-se a missão de Jesus. Deus o destinou a ser “luz das nações, para que a salvação alcance até os confins da terra”. O Salmo é o 70: “Minha boca cantará Teu auxílio.” É a oração de um abandonado, que mostra grande confiança no Senhor.

Quarta-feira Santa

Em muitas paróquias, especialmente no interior do país, realiza-se a famosa “Procissão do Encontro” na Quarta-feira Santa. Os homens saem de uma igreja ou local determinado com a imagem de Nosso Senhor dos Passos; as mulheres saem de outro ponto com Nossa Senhora das Dores. Acontece, então, o doloroso encontro entre a Mãe e o Filho. O padre proclama o célebre “Sermão das Sete Palavras”, fazendo uma reflexão, que chama os fiéis à conversão e à penitência.

Quinta-feira Santa

Santos óleos – Uma das cerimônias litúrgicas da Quinta-feira Santa é a bênção dos santos óleos usados durante todo o ano pelas paróquias. São três os óleos abençoados nesta celebração: o do Crisma, dos Catecúmenos e dos Enfermos. Ela conta com a presença de bispos e sacerdotes de toda a diocese. É um momento de reafirmar o compromisso de servir a Jesus Cristo.

Lava-pés – O Lava-pés é um ritual litúrgico realizado, durante a celebração da Quinta-feira Santa, quando recorda a última ceia do Senhor. Jesus, ao lavar os pés dos discípulos, quer demonstrar Seu amor por cada um e mostrar a todos que a humildade e o serviço são o centro de Sua mensagem; portanto, esta celebração é a maior explicação para o grande gesto de Jesus, que é a Eucaristia. O rito do lava-pés não é uma encenação dentro da Missa, mas um gesto litúrgico que repete o mesmo gesto de Jesus. O bispo ou o padre, que lava os pés de algumas pessoas da comunidade, está imitando Jesus no gesto; não como uma peça de teatro, mas como compromisso de estar a serviço da comunidade, para que todos tenham a salvação, como fez Jesus.

Instituição da Eucaristia – Com a Santa Missa da Ceia do Senhor, celebrada na tarde ou na noite da Quinta-feira Santa, a Igreja dá início ao chamado Tríduo Pascal e faz memória da Última Ceia, quando Jesus, na noite em que foi traído, ofereceu ao Pai o Seu Corpo e Sangue sob as espécies do Pão e do Vinho, e os entregou aos apóstolos para que os tomassem, mandando-os também oferecer aos seus sucessores. A palavra “Eucaristia” provém de duas palavras gregas “eu-cháris”, que significa “ação de graças”, e designa a presença real e substancial de Jesus Cristo sob as aparências de Pão e Vinho.

Instituição do sacerdócio – A Santa Missa é, então, a celebração da Ceia do Senhor, quando Jesus, num dia como hoje, véspera de Sua Paixão, “durante a refeição, tomou o pão, benzeu-o, partiu-o e o deu aos discípulos, dizendo: ‘Tomai e comei, isto é meu corpo’.” (cf. Mt 26,26). Ele quis, assim como fez na última ceia, que Seus discípulos se reunissem e se recordassem d’Ele abençoando o pão e o vinho: “Fazei isto em memória de mim”. Com essas palavras, o Senhor instituiu o sacerdócio católico e deu-lhes poder para celebrar a Eucaristia.

Sexta-feira Santa

A tarde da Sexta-feira Santa apresenta o drama incomensurável da morte de Cristo no Calvário. A cruz, erguida sobre o mundo, segue de pé como sinal de salvação e esperança. Com a Paixão de Jesus, segundo o Evangelho de João, contemplamos o mistério do Crucificado, com o coração do discípulo Amado, da Mãe, do soldado que o transpassou o lado. Há um ato simbólico muito expressivo e próprio deste dia: a veneração da santa cruz, momento em que esta é apresentada solenemente à comunidade.

Via-sacra – Ao longo da Quaresma, muitos fiéis realizam a Via-Sacra como uma forma de meditar o caminho doloroso que Jesus percorreu até a crucifixão e morte na cruz. A Igreja nos propõe esta meditação para nos ajudar a rezar e a mergulhar na doação e na misericórdia de Jesus que se doou por nós. Em muitas paróquias e comunidades, são realizadas a encenação da Paixão, da Morte e da Ressurreição de Jesus Cristo por meio da meditação das 14 estações da Via-Crucis.

Sábado Santo

O Sábado Santo não é um dia vazio, em que “nada acontece”. Nem uma duplicação da Sexta-feira Santa. A grande lição é esta: Cristo está no sepulcro, desceu à mansão dos mortos, ao mais profundo que pode ir uma pessoa. O próprio Jesus está calado. Ele, que é Verbo, a Palavra, está calado. Depois de Seu último grito na cruz – “Por que me abandonaste?” –, Ele cala no sepulcro agora. Descanse: “tudo está consumado!”.

Vigília Pascal – Durante o Sábado Santo, a Igreja permanece junto ao sepulcro do Senhor, meditando Sua Paixão e Morte, Sua descida à mansão dos mortos, esperando na oração e no jejum Sua Ressurreição. Todos os elementos especiais da vigília querem ressaltar o conteúdo fundamental da noite: a Páscoa do Senhor, Sua passagem da morte para a vida. A celebração acontece no sábado à noite. É uma vigília em honra ao Senhor, de maneira que os fiéis, seguindo a exortação do Evangelho (cf. Lc 12,35-36), tenham acesas as lâmpadas, como os que aguardam seu senhor chegar, para que, os encontre em vigília e os convide a sentar à sua mesa.

Bênção do fogo – Fora da Igreja, prepara-se a fogueira. Estando o povo reunido em volta dela, o sacerdote abençoa o fogo novo. Em seguida, o Círio Pascal é apresentado ao sacerdote. Com um estilete, o padre faz nele uma cruz, dizendo palavras sobre a eternidade de Cristo. Assim, ele expressa, com gestos e palavras, toda a doutrina do império de Cristo sobre o cosmos, exposta em São Paulo. Nada escapa da Redenção do Senhor, e tudo – homens, coisas e tempo – estão sob Sua potestade.

Procissão do Círio Pascal – As luzes da igreja devem permanecer apagadas. O diácono toma o Círio e o ergue, por algum tempo, proclamando: “Eis a luz de Cristo!”. Todos respondem: “Demos graças a Deus!”. Os fiéis acendem suas velas no fogo do Círio Pascal e entram na igreja. O Círio, que representa o Cristo Ressuscitado, a coluna de fogo e de luz que nos guia pelas trevas e nos indica o caminho à terra prometida, avança em procissão.

Proclamação da Páscoa – O povo permanece em pé com as velas acesas. O presidente da celebração incensa o Círio Pascal. Em seguida, a Páscoa é proclamada. Esse hino de louvor, em primeiro lugar, anuncia a todos a alegria da Páscoa, a alegria do Céu, da Terra, da Igreja, da assembleia dos cristãos. Essa alegria procede da vitória de Cristo sobre as trevas. Terminada a proclamação, apagam-se as velas.

Liturgia da Palavra – Nesta noite, a comunidade cristã se detém mais que o usual na proclamação da Palavra. As leituras da vigília têm uma coerência e um ritmo entre elas. A melhor chave é a que nos deu o próprio Cristo: “E começando por Moisés, percorrendo todos os profetas, explicava-lhes (aos discípulos de Emaús) o que dele se achava dito em todas as Escrituras” (Lc 24, 27).

 

 

Domingo da Ressurreição

É o dia santo mais importante da religião cristã. Depois de morrer crucificado, o corpo de Jesus foi sepultado, ali permaneceu até a ressurreição, quando seu espírito e seu corpo foram reunificados. Do hebreu “Peseach”, Páscoa significa a passagem da escravidão para a liberdade. A presença de Jesus ressuscitado não é uma alucinação dos Apóstolos. Quando dizemos “Cristo vive” não estamos usando um modo de falar, como pensam alguns, para dizer que vive somente em nossa lembrança.

Fotos: cathopic.com

Fonte: cnbb.org.br

 

Semana Santa: simbolos e significado (3ª parte)

O Sábado Santo, que segue direto a Sexta-feira Santa começa no silêncio, na expectativa da ressurreição de Jesus.

Vigília Pascal

Inicia-se na noite do Sábado Santo em memória da noite santa da ressurreição gloriosa de Nosso Senhor Jesus Cristo. É a chamada “a mãe de todas as santas vigílias” e a liturgia desta noite remonta a dos primeiros cristãos, nos primeiros tempos após a ressurreição e assenção do Senhor.

Os cinco elementos que compõem a liturgia da Vigília Pascal são: a bênção do fogo novo e do círio pascal; a proclamação da Páscoa, que é um canto de júbilo anunciando a Ressurreição do Senhor; a liturgia da Palavra, que é uma série de leituras sobre a história da Salvação; a renovação das promessas do Batismo e, por fim, a liturgia eucarística.

O símbolo principal desta celebração é o ‘Círio Pascal’, vela que representa o próprio Cristo, fonte de luz para as nossas vidas.

 

Domingo de Páscoa

O significado do domingo na semana santa vem da palavra “páscoa”, que vem do hebreu “Peseach” e significa “passagem”. Era vivamente comemorada pelos judeus do Antigo Testamento. A Páscoa que eles comemoram é a passagem do mar Vermelho, que ocorreu muitos anos antes de Cristo, quando Moisés conduziu o povo hebreu para fora do Egito, onde era escravo. Chegando às margens do Mar Vermelho, os judeus, perseguidos pelos exércitos do faraó teriam de atravessá-lo às pressas. Guiado por Deus, Moisés levantou seu bastão e as ondas se abriram, formando duas paredes de água, que ladeavam um corredor enxuto, por onde o povo passou.

 

 

Jesus também festejava a Páscoa. Foi o que Ele fez ao cear com seus discípulos. Condenado à morte na cruz e sepultado, ressuscitou três dias após, num domingo, logo depois da Páscoa judaica. A ressurreição de Jesus Cristo é o ponto central e mais importante da fé cristã. Através da sua ressurreição, Jesus prova que a morte não é o fim e que Ele é verdadeiramente o Filho de Deus. O temor dos discípulos em razão da morte de Jesus, na Sexta-feira, transforma-se em esperança e júbilo. É a partir deste momento que eles adquirem força para continuar anunciando a mensagem do Senhor. São celebradas missas festivas durante todo o domingo.

A data da Páscoa

A fixação das festas móveis decorre do cálculo que estabelece o Domingo da Páscoa de cada ano. A Páscoa deve ser celebrada no primeiro domingo após a primeira lua cheia que segue o equinócio da primavera, no Hemisfério Norte (21 de março). Se esse dia ocorrer depois do dia 21 de abril, a Páscoa será celebrada no domingo anterior. Se, porém, a lua cheia acontecer no dia 21 de março, sendo domingo, será celebrada dia 25 de abril.

A Páscoa não acontecerá nem antes de 22 de março, nem depois de 25 de abril. Conhecendo-se a data da Páscoa, conheceremos a das outras festas móveis. Domingo de Carnaval – 49 dias antes da Páscoa. Quarta-feira de Cinzas – 46 dias antes da Páscoa. Domingo de Ramos – 7 dias antes da Páscoa. Domingo do Espírito Santo – 49 dias depois.Corpus Christi – 60 dias depois.

 

Continua.

 

Fonte: comshallon.org

Imagens: pixabay.com  e  fotografiareligiosa.com.br

Semana Santa: símbolos e sigificado (parte 2)

Continuamos a refletir sobre a Quinta-feira Santa. Ontem olhamos para a celebração dos Santos Óleos. Hoje recordamos a:

Instituição da Eucaristia e Cerimônia do Lava-pés

Com a Missa da Ceia do Senhor, celebrada na tarde de quinta-feira, a Igreja dá início ao chamado Tríduo Pascal e comemora a Última Ceia, na qual Jesus Cristo, na noite em que vai ser entregue, ofereceu a Deus Pai o seu Corpo e Sangue sob as espécies do Pão e do Vinho, e os entregou para os Apóstolos para que os tomassem, mandando-lhes também oferecer aos seus sucessores. Nesta missa faz-se, portanto, a memória da instituição da Eucaristia e do Sacerdócio. Durante a missa ocorre a cerimônia do Lava-Pés que lembra o gesto de Jesus na Última Ceia, quando lavou os pés dos seus apóstolos.

 

O sermão desta missa é conhecido como sermão do Mandato ou do Novo Mandamento e fala sobre a caridade ensinada e recomendada por Jesus Cristo. No final da Missa, faz-se a chamada Procissão do Translado do Santíssimo Sacramento ao altar-mor da igreja para uma capela, onde se tem o costume de fazer a adoração do Santíssimo durante toda a noite.

 

Sexta-feira Santa

Celebra-se a paixão e morte de Jesus Cristo. Logo, o silêncio, o jejum e a oração devem marcar este dia que, ao contrário do que muitos pensam, não deve ser vivido em clima de luto, mas de profundo respeito diante da morte do Senhor. Pois, morrendo, foi vitorioso e trouxe a salvação para todos, ressurgindo para a vida eterna.

Às 15 horas, horário em que Jesus foi morto, é celebrada a principal cerimônia do dia: a Paixão do Senhor. Ela consta de três partes: liturgia da Palavra, adoração da cruz e comunhão eucarística. Então, depois deste momento não há mais comunhão eucarística até que seja realizada a celebração da Páscoa, no Sábado Santo.

Além da liturgia, na Sexta-feira Santa é costume, conforme os locais, rezar a Via-Sacra, fazer a procissão do ‘Senhor morto’ ou a do encontro, em que encontram-se as procissões com as imagens de Nossa Senhora das Dores e do Senhor padecente (devoção do ‘Senhor dos Passos’).

Foto: Francisco Carlos (Canção Nova)

 

Continua.

 

Fonte: comshallon.org

Imagens: pixabay.com  e  fotografiareligiosa.com.br