Semana Santa: símbolos e significados (parte 1)

Ontem, com o Domingo de Ramos, iniciamos a Semana Santa. Você sabia que cada celebração da Semana Santa tem um significado e segue uma simbologia?

Vamos explicar isso em três partes. Hoje olhamos para o Domingo de Ramos e para um aspecto da lirturgia da Quinta-feira Santa.

Domingo de Ramos

O Domingo de Ramos dá início à Semana Santa, lembra a entrada triunfal de Jesus em Jerusalém, aclamado pelos judeus. Com esse significado na Semana Santa, a Igreja recorda os louvores da multidão cobrindo os caminhos para a passagem de Jesus, com ramos e matos proclamando: “Hosana ao Filho de Davi. Bendito o que vem em nome do Senhor”. (Lc 19, 38; Mt 21, 9). Com esse gesto, portando ramos durante a procissão, os cristãos de hoje manifestam sua fé em Jesus como Rei e Senhor.

 

 

Quinta-feira Santa

O significado da quinta-feira santa gira em torno da Instituição do Sacramento da Eucaristia. Jesus, desejoso de deixar aos homens um sinal da sua presença antes de morrer, instituiu a Eucaristia. Na Quinta-feira Santa, destacamos dois grandes acontecimentos:

Bênção dos Santos Óleos

Não se sabe com precisão, como e quando teve início a bênção conjunta dos três óleos litúrgicos. Fora de Roma, esta bênção acontecia em outros dias, como no Domingo de Ramos ou no Sábado de Aleluia. Com isso, o significado de se fixar tal celebração na Quinta-feira Santa deve-se ao fato de ser este último dia em que se celebra a missa antes da Vigília Pascal. São abençoados os seguintes óleos:

 

Óleo do Crisma

Uma mistura de óleo e bálsamo, significando a plenitude do Espírito Santo, revelando que o cristão deve irradiar “o bom perfume de Cristo”. É usado no sacramento da Confirmação (Crisma),quando o cristão é confirmado na graça e no dom do Espírito Santo, para viver como adulto na fé. Este óleo é usado também no sacramento para ungir os “escolhidos” que irão trabalhar no anúncio da Palavra de Deus, conduzindo o povo e santificando-o no ministério dos sacramentos. A cor que representa esse óleo é o branco ouro.

Óleo dos Catecúmenos

Catecúmenos são os que se preparam para receber o Batismo, sejam adultos ou crianças, antes do rito da água.Este óleo significa a libertação do mal, a força de Deus que penetra no catecúmeno, o liberta e prepara para o nascimento pela água e pelo Espírito. Sua cor é vermelha.

Óleo dos Enfermos

É usado no sacramento dos enfermos, conhecido erroneamente como “extrema unção”. Este óleo significa a força do Espírito de Deus para a provação da doença, para o fortalecimento da pessoa para enfrentar a dor e, inclusive a morte, se for vontade de Deus. Sua cor é roxa.

 

Continua amanhã.

 

Fonte: comshallon.org

Imagens: pixabay.com  e  fotografiareligiosa.com.br

 

Quantas vezes fazemos essa experiência?

Pe. Francisco José Lemes – Com o DOMINGO DE RAMOS damos abertura à SEMANA SANTA, período em que vamos caminhar, passo a passo, o mistério de nossa Redenção, pela qual Jesus se entrega livremente ao Pai em nosso favor. Sacrifício perfeito, pelo qual ele, qual cordeiro sem mancha, se entrega no altar da cruz!

Na primeira parte do rito fazemos memória da Entrada de Jesus em Jerusalém, com a proclamação do evangelho que relata esse momento da vida de Jesus na cidade santa. Em seguida da benção dos ramos, seguimos com uma solene procissão até a igreja onde será celebrada a Santa Missa, com a leitura dialogada do Evangelho da Paixão de Nosso Senhor Jesus Cristo.

Ele está tão próximo de nós, por ele fomos carregados

Jesus é exaltado pelo povo com hosanas e diante de Pôncio Pilatos lhe pedem sua morte na cruz. Lembra o nosso caminhar neste mundo. Às vezes somos reconhecidos pelo bem que fazemos, outras vezes, somos levados aos “calvários da vida”; mas, se nele cremos e o seguimos fielmente, ressuscitaremos, tal como aconteceu com Jesus.

A espiritualidade do Domingo de Ramos deve nos levar a uma reflexão de nosso seguimento a Jesus, o abraçar a nossa cruz de cada dia e ir atrás dele. Suportar os sofrimentos e adversidades sem perder a fé e a esperança de que Deus está sempre conosco. Na cruz Jesus experimenta o silêncio de Deus diante do sofrimento: “Meu Deus, meu Deus, por que me abandonastes”? Quantas vezes fazemos essa experiência? Mas Jesus tem um gesto de confiante entrega a Deus: “Pai, em tuas mãos entrego o meu espírito”. Diante daquilo que não conseguimos entender ou aceitar, a melhor forma é nos entregar a Deus e, assim, sentiremos que está tão próximo de nós que por ele fomos carregados.

O Domingo de Ramos nos leva da alegria à tristeza da morte, mas com a plena certeza de que a morte não tem a última palavra. Jesus sai vitorioso da morte, dando-nos vida – e esta em plenitude! Ao ser sepultado, faz-nos lembrar o que ele mesmo dissera: “Se o grão de trigo não morrer, viverá na solidão, mas, se ele morrer, muito fruto há de dar”. Ele é esse grão de trigo, massacrado pelo sofrimento, humilhado, zombado… É plantado na terra e, ao rolar a pedra, surge com vida nova, trazendo consigo as marcas da Paixão, para nos lembrar que a glória da ressurreição passa pelo sofrimento e pela morte!

Com nosso Pai e Fundador, Pe. José Kentenich, rezemos nos preparando para celebrar bem o Domingo de Ramos:

 

“Senhor, queres morrer de novo,
Porque subitamente nos ameaça destruição;
Com propostas de amor, procuras conquistar
Herdeiros da transfiguração?”

“Eis aqui a tua grei
Dos pequenos e dos puros;
Une-os benignamente a ti
E manifesta-te de novo ao mundo”

“Neles podes sofrer, lutar
E apascentar as almas,
Por eles experimentar de novo
As alegrias da ressurreição”
(Rumo ao Céu, 620 a 622)

Fonte: schoenstatt.org.br

Reflexão: Ele fez tudo isso por mim

 

Podemos comparar o tempo da Quaresma com uma peregrinação. Veja o vídeo acima!

Um peregrino, quando parte de sua casa, tem um objetivo, tem um ideal, um ponto onde ele quer chegar.

A peregrinação que nós fazemos no tempo da quaresma não é uma peregrinação a um lugar, mas ao encontro com uma pessoa, ao Deus de Misericórdia, encarnado em Jesus Cristo. E, por isso, essa peregrinação não é exterior, mas é uma peregrinação interior, de coração a coração.

O tempo da Semana Santa que nós iniciamos torna-se, assim, um tempo muito forte neste caminho ao encontro deste Deus da misericórdia. Um encontro no qual nós queremos compartilhar com Jesus o peso da sua cruz.

Mas, como podemos fazer isso na prática?

Nas coisas bem simples do nosso dia a dia: suavizando a dor das pessoas que estão ao nosso lado; partilhando com as pessoas algo do que temos, que talvez nós gostamos, e que queremos fazer isso [partilhar] como um gesto de caridade; nos sacrificando um pouco mais, fazendo certas renúncias…

Para quê? Tudo isso para alargar o nosso coração, para tornar o nosso coração sempre mais aberto para o encontro com o Deus da misericórdia.

E é muito importante, neste nosso peregrinar até Jesus, para uma vez peregrinarmos com ele, que nós façamos a experiência – que brota de uma convicção interior profunda e que também é uma graça – que nós acreditamos que cada gota, derramada por Jesus, do seu sangue, cada dor que ele passou, cada sacrifício e sua morte na cruz, tudo isso ele passou POR MIM. Não de uma maneira geral, por todos – sim, foi por todos – mas ELE FEZ POR MIM. Isso de uma tal maneira que, se fosse possível e se no mundo existisse apenas eu, ele teria, da mesma maneira, passado por tudo isso, para que eu pudesse encontrar o Pai.

Assim, vamos passar cada dia dessa semana recordando: Ele sofreu tudo isso por mim!

Qual é a minha resposta que quero dar-lhe nesses dias que antecedem a Páscoa?

Foto de capa: Ir M Lisane Gossler

Fonte: schoenstatt.org.br

Semana Santa junto ao Santuário Tabor

 

Programação da Semana Santa junto ao Santuário Tabor (Capela Tabor)

 

Bênção dos Ramos

Sábado (23/03) – Santa Missa às 18h

Domingo (24/03) – Santa Missa às 7h

Nas duas Santas Missas será feita a bênção dos ramos.

 

Quinta-feira Santa (28/03)

Celebração da Ceia do Senhor – 19h

 

Sexta-feira Santa (29/03)

Via-Sacra até a Vila Nobre da Caridade, partindo do Santuário Tabor às 8h30min

Celebração da Paixão – 15h

 

Sábado Santo (30/01)

Vigília Pascal – 21h (trazer velas)

 

Domingo de Páscoa (31/03)

Solenidade da Ressurreição do Senhor – 9h (não haverá a Missa das 7h)

 

CLIQUE AQUI  para baixar o card com a programação da Semana Santa junto ao Santuário Tabor.

 

 

 

Sábado Santo e Vigília Pascal

 

Marcia Kazumi – Esta oração, escrita pelo Pe. Kentenich, nos recorda a hora da crucificação de Jesus no Calvário. Na Sexta-feira Santa, quando Jesus estava prestes a morrer na cruz, designou ao “discípulo que ele amava” para cuidar de Maria. O Evangelista João nos relata:

“Quando Jesus viu sua mãe e perto dela o discípulo que amava, disse à sua mãe: Mulher, eis aí teu filho. Depois disse ao discípulo: Eis aí tua mãe. E dessa hora em diante o discípulo a levou para a sua casa” (Jo 19, 26-27). Podemos dizer que, naquele momento, o discípulo amado selou uma Aliança de Amor com Maria, em seu nome e como representante de toda a humanidade.

A fé heroica de Maria

Maria, ao ver o Filho sofrendo e morrendo numa cruz, permanece firme e forte. Em silêncio, testemunha sua fé heróica no Filho; ela crê que Ele ressuscitará em breve, libertando o mundo das trevas do pecado. Pe. Kentenich continua a oração citada, do Ofício de Schoenstatt: “Ali vejo o teu coração de mãe renunciar vigorosamente e, corajoso, imolar todos os direitos maternais. Pela salvação do mundo entregas-te ao Pai, que reina em seu trono” (Rumo ao Céu, n. 207).

Podemos definir o Sábado de Aleluia como o dia da fé heroica da Mãe de Deus. Quando tudo estava consumado e Jesus entregou o seu espírito nas mãos do Pai, a Igreja que Jesus formou aqui na terra continua a viver no seu coração. No silêncio e na dor, seus sentimentos concordavam com os planos de Deus e o amor foi mais forte do que a morte.

O Sábado Santo é também denominado, na Liturgia, de “Vigília Pascal”, isto é, o dia em que ficamos em silêncio e meditação, com Maria, aguardando a manhã da Páscoa. Durante toda a Quaresma nós, Igreja de Cristo Jesus, nos preparamos com a oração, o jejum e a esmola para o momento da maior alegria, o acontecimento central da nossa fé: a Ressurreição de Jesus.

A Liturgia da Vigília Pascal se reveste de grande solenidade e, em suas diversas partes, rememora os mistérios da nossa fé: inicia com a celebração da luz, com a bênção do fogo e a preparação do Círio Pascal, que representa Cristo Vivo e presente na Igreja. Segue a proclamação da Páscoa com o canto do Exultet; a liturgia da Palavra é enriquecida com muitas leituras do Antigo e do Novo Testamento; a liturgia Batismal com a bênção da água e dos santos óleos e, ocasionalmente, com a administração do sacramento do Batismo aos catecúmenos; aspersão de todo o povo com a água da vida nova. Culminando com a liturgia Eucarística e a comunhão de todos redimidos com o corpo e o sangue de Cristo Ressuscitado.

Celebração da Luz

O fogo é abençoado em silêncio e pedimos a Deus que conceda que a celebração da Páscoa acenda em nós o desejo de chegarmos santificados e purificados à festa da luz eterna. A imagem de Cristo ressuscitado, a luz do mundo, é simbolizada no Círio Pascal, que ilumina a todos que se aproximam dele com fé. Pe. Kentenich lembra que, assim como a cera é fluida, “o mesmo acontece com a alma em estado de graça. Ela se torna maleável como cera, aceita qualquer forma que Deus queira gravar nela” (Tabor Nossa Missão, vol 1, Londrina/PR, 16 de abril de 1947).

A liturgia Batismal

Evidencia a importância dos sacramentos na vida do cristão. O batismo é o primeiro sacramento que recebemos na Igreja. A água simboliza o sinal sacramental do batismo.

Durante o rito, o celebrante mergulha o Círio Pascal na água, abençoa-a e consagra-a, pedindo que Deus envie o Espírito Santo sobre ela, para torná-la fecunda e, dessa forma, dar luz aos novos filhos de Deus. Pe. José Kentenich ressaltou: “Jesus também quer, em nós, novamente causar ao Pai as alegrias de ressurreição. Pelo batismo o germe da vida transfigurada de Jesus foi plantado em nós. Participamos da vida transfigurada de Jesus” (No Brilho do Tabor, p. 90).

“Eis aí tua mãe!”

“Mulher, eis teu filho!”; “Eis tua mãe!” – Essas são as últimas palavras que Jesus dirige a Maria, sua Mãe, e ao discípulo amado. Dom Leomar A. Brustolin, Bispo Auxiliar da Arquidiocese de Porto Alegre/RS, destacou em seu livro:

“O amor é o vínculo que une a Mãe e o discípulo, ambos amam e são amados por Jesus: o amor. É o amor dado e recebido. Entregue o discípulo à Mãe, ela tem a quem amar e o discípulo, quem o ame. Assim Jesus comunica a eles seu Espírito, amor amante e amado perfeitamente correspondido. No discípulo amado está toda a Igreja, comunidade de discípulos e discípulas que são amados e amam Maria, mãe e perfeita discípula de Cristo. Esta circularidade de amor que nasce da cruz se estende pelos tempos e atinge a todos os que seguem a Jesus” (Eis Tua Mãe – Síntese de Mariologia, p. 49).

Diz o Concílio Vaticano II: “A Virgem (Maria), em sua vida, foi, com efeito, o modelo daquele amor materno do qual devem estar animados todos aqueles que, na missão apostólica da Igreja, cooperam para a regeneração dos homens. (Constituição dogmática Lumen Gentium, sobre a Igreja).

Como filhos de Schoenstatt, temos um carisma marcadamente mariano. Com Maria e segundo o seu exemplo, queremos amar e servir a Jesus, nosso Rei crucificado e glorificado. Unidos a Ele nos tornaremos também filhos transfigurados do Tabor.

 

Foto: designdeprodutos.com.br

Publicado em: schoenstatt.org.br

Maria aos pés da Cruz

Pe. Francisco José Lemes – Maria aos pés da cruz. Unida ao teu Filho, sentes as dores que não havia sentido no parto. Ali, em pé, estás sofrendo com ele; a espada trespassa sua alma e ali lhe são revelados os segredos de Deus: “Amou tanto o mundo que deu seu Filho para nos salvar”. Junto dele o contempla, guarda no seu coração as palavras que ele, com muito esforço, diz aos que ali o insultavam e ouve a promessa do paraíso ao ladrão que reconhece sua pena, mas crê na inocência do Filho e lhe pede a salvação. Com seu Divino Filho também faz sua entrega: “Pai, em tuas mãos, entrego meu espírito”. Na hora mais dura para um coração de mãe, crê na promessa que se realiza ali no trono da cruz, crê que ali se revela o “Filho do Altíssimo” e o recebe com amor nos braços, como lhe fizera em Belém.

Na Paixão de Cristo contemplamos a Paixão de Maria, como em Belém unida a ele, envolvendo-o em paninhos e fazendo da estrebaria o lugar mais acolhedor. Ali no Calvário, sua presença o fortalece, seu olhar o faz dar continuidade à sua entrega, livre pela salvação de todos nas mãos do Pai; ali se une a ele com o cálice de seu coração, colhendo o sangue redentor que resgata o ser humano do pecado e o introduz na vida nova que nasce da cruz.

Contemplar Maria aos pés da cruz nos dá a certeza de que o sofrimento é passagem necessária na vida humana, pois dele nasce a vida e nos lança para novos desafios. Maria e Jesus são os grãos de trigo que morrem para fazer surgir vida nova, cada um na sua entrega. Também nós, nos “calvários da vida”, somos convidados a ser geradores da vida, morrer para dar fruto! Se não morrermos (a morte de cada dia) estacionamos – e uma árvore que não dá fruto é cortada e lançada ao fogo. Aprendemos de Mãe e Filho no Calvário a morte que gera a vida, a entrega confiando nas mãos do Pai e experimentar as alegrias pascais de um novo céu e uma nova terra.

Nos “calvários da vida” não estamos sós! Se ela esteve com seu Divino Filho, estará conosco também, pois no Calvário começa sua missão de Mãe, mãe de uma multidão de irmãos que nasceram do lado aberto de Cristo. Solícita ao Filho, é solícita aos que nele crerem e aos que não creem ainda, procurará saciar com aquela sede com a qual dissera na Cruz, levando-o como “água viva” aos que o procuram e o encontrarão com ela, como os Magos vindos do Oriente.

Foto: Pe. Pedro Cabello

Fonte: schoenstatt.org.br

Eucaristia e Aliança de Amor: Com Maria rumo à Páscoa

 

Pe. Marcelo Aravena – A Semana Santa nos lembra novamente, na Quinta-feira Santa, a grande herança que nosso Salvador nos deixou com a Instituição da Eucaristia, ao celebrar a tradicional ceia pascal dos judeus. Esse antigo rito ficava obsoleto. Ele, o Filho do Homem, ao passar pela cruz redentora iniciou uma nova tradição, pela qual a Antiga Aliança foi superada para sempre por uma Nova, que seria lembrada, renovada e celebrada em cada Eucaristia como a Ceia do Senhor, após sua morte e ressurreição. Assim, a liturgia eucarística se torna a fonte inesgotável de vida para a nova Igreja até hoje.

Na Constituição sobre a Liturgia (Sacrosantum Concilium, 10), diz-se o seguinte sobre a centralidade da Eucaristia na vida da Igreja: “A Liturgia, por sua vez, impele os fiéis, saciados pelos «mistérios pascais», a viverem «unidos no amor»; pede «que sejam fiéis na vida a quanto receberam pela fé»; e pela renovação da aliança do Senhor com os homens na Eucaristia, e aquece os fiéis na caridade urgente de Cristo. Da Liturgia, pois, em especial da Eucaristia, corre sobre nós, como de sua fonte, a graça, e por meio dela conseguem os homens com total eficácia a santificação em Cristo e a glorificação de Deus, a que se ordenam, como a seu fim, todas as outras obras da Igreja”.

Em resumo, a Igreja ensina que: a eucaristia, o sacramento da nova aliança, é a fonte e o ápice da vida de cada pessoa batizada e, por meio dela, obtém a santificação em Cristo para que Ele seja tudo em tudo e em todos.

Essa afirmação magisterial da Igreja é confirmada nas palavras eloquentes de São João Paulo II, em sua Exortação Apostólica Ecclesia da Eucaristia, quando diz no número 1: “A Igreja vive da Eucaristia. Esta verdade não exprime apenas uma experiência diária de fé, mas contém, em síntese, o próprio núcleo do mistério da Igreja. É com alegria que ela experimenta, de diversas maneiras, a realização incessante desta promessa: « Eu estarei sempre convosco, até ao fim do mundo » (Mt 28, 20); mas, na sagrada Eucaristia, pela conversão do pão e do vinho no corpo e no sangue do Senhor, goza desta presença com uma intensidade sem par. Desde o Pentecostes, quando a Igreja, povo da nova aliança, iniciou a sua peregrinação para a pátria celeste, este sacramento divino foi ritmando os seus dias, enchendo-os de consoladora esperança”.

Missa da Vida

Nosso Fundador, Pe. José Kentenich, não fica para trás quando se refere à eucaristia como parte fundamental de nossa vida espiritual. Ele afirma que em cada eucaristia somos chamados a “morrer com Cristo”. E acrescenta que o Deus da Vida vem ao nosso encontro em cada celebração, portanto, “transformados em Cristo”, devemos sair e anunciar aos outros a morte e a ressurreição do Senhor. Isso deve acontecer em cada eucaristia e, assim, converter gradualmente “cada eucaristia em uma missa da vida”:

“…este é o significado da missa. A missa de cada dia, da qual eu participo, …deveria ser uma missa de vida. O que significa isto? Todas as ações durante o dia devem tornar-se uma constante reiteração do ofertório, consagração e comunhão, todas as ações, uma reiteração” (Homilia, 29/11/1964).

 

Nossa maneira de celebrar a Eucaristia é mariana

Neste contexto, é muito bonito e profundo quando o Pe. Kentenich nos convida “com Maria subir ao altar”. Ele diz que, com ela e com seu exemplo, “aprendemos a participar ativamente da missa”. Ele acrescenta que ela entende como ninguém o significado da Palavra de Deus, de seu Filho. Maria assumiu a Palavra, guardou-a no coração e colocou-a em prática… Também com ela aprendemos “ser ativos em toda a obra redentora de Jesus Cristo… Ela foi especialmente ativa no sacrifício da cruz”. Ou seja, com Maria e seguindo seu exemplo, subimos ao altar da eucaristia e com sua ajuda participamos da reencenação do sacrifício do Salvador. Isso implica que: com Maria e em Aliança com ela, participamos em sua missão de ser companheira e colaboradora permanente de Jesus Cristo (Homilia 03/12/1964).

Daí a importância de estar em um vínculo vivo de aliança com Maria, pois, para o Pe. Kentenich: “todo o plano salvífico tem, segundo o plano de Deus, uma modalidade mariana”. … “Cum Maria ad altare”. Para ele é evidente que, com Maria, queremos subir ao altar, girar em torno dele de maneira ativa, cooperando, participando, em torno do mistério que se celebra em cada altar.
Em conclusão, nossa maneira de celebrar a Eucaristia é de uma modalidade mariana, com uma atitude e uma disposição mariana. Assim, como Maria, somos membros ativos e modelos da Igreja no meio do mundo que queremos transformar para Deus (homilia 03/12/1964).

O Papa Francisco disse no Vaticano que a comunhão nos transforma em “Eucaristia viva”, ou seja, no próprio Jesus. E “cada vez que nós comungamos, mais nos assemelhamos a Jesus, mais nos transformamos em Jesus”, assinalou. “Como o pão e o vinho são convertidos no Corpo e Sangue do Senhor, assim aqueles que os recebem com fé são transformados em Eucaristia viva”…“ao recebermos Jesus, além de nos transformarmos n´Ele, “nos faz mais fortes”, completou Francisco (Catequese, 21.03.2019).

Como batizados, somos convidados a viver a plenitude de Cristo e também a plenitude de Maria. Nosso caminho para alcançar isso é de aliança com ela. Vamos, então, fazer desta Aliança com Maria a melhor expressão, caminho e seguro de viver na vida diária o sacrifício redentor da Nova Aliança em Cristo, Salvador do mundo.

Foto: Tatiana Adam Barros

Fonte: schoenstatt.org.br

Programação do Tríduo Pascal junto ao Santuário Tabor

Estamos vivendo mais uma Semana Santa e hoje inicia o Tríduo Pascal, por isso vale a pena recordar a programação destes dias festivos juntp ao Santuário Tabor. Elas serão realizadas na Capela Tabor, atrás do Santuário.

Hoje, Quinta-feira Santa, haverá às 19h30min a Missa da Instituição da Eucaristia.

Na sexta-feira Santa, 7 de abril, a partir das 8h30min, acontecerá a oração da via sacra, que sairá do Santuário Tabor até a Vila Nobre da Caridade e às 15h a celebração da Paixão do Senhor.

No sábado a celebração da vigília pascal será às 19h30min. Favor trazer velas com proteção.

Todos são bem vindos.

 

 

Roubo da Cruz da Unidade no Chile: sinal da Divina Providência?

No início desta Semana Santa a Família de Schoenstatt no mundo inteiro ficou chocada com a notícia que a Cruz da Unidade do Santuário de Bellavista/Chile foi roubada. A primeira Cruz, que chamamos ‘Cruz da Unidade Original’, se encontra no Santuário de Stuttgart, na Alemanha, presenteada pelo próprio fundador, às Senhoras de Schoenstatt desta região, após seu retorno do exílio.

 

A Cruz da Unidade de Bellavista é a primeira réplica, presenteada pela Região de Stuttgart (Alemanha) das Senhoras de Schoenstatt ao Santuário de Bellavista. Esta Cruz foi entronizada no dia 19 de março de 1969 pelas mãos de Eugênia Mahringer, então superiora da Região de Stuttgart das Senhoras de Schoenstatt.

Cruz da unidade, um símbolo especial para a Família de Schoenstatt

Com o passar dos anos, a partir do Chile, a cruz da unidade se tornou um símbolo muito especial para a Família de Schoenstatt internacional. Está praticamente em todos os Santuários de Schoenstatt no mundo. E muito tem esta cruz no seu Santuário Lar ou a portam no pescoço, no terço…

A cruz da unidade foi um dos símbolos principais das celebrações do Centenário da Aliança e dos 75 anos do Ideal Tabor.

Também outros movimentos e comunidades a assumiram como símbolo.

Em Santa Maria, os schoenstattianos tem um ‘santo orgulho’ pelo fato do seu projeto ter sido concebido em Santa Maria, por um grupo de seminaristas chilenos e porque a cruz da unidade original ter sido feita no Brasil. No jardim do Santuário Tabor existe também uma bela cruz da unidade.

Para saber a história da cruz da unidade CLIQUE AQUI.

 

O que Deus quer nos dizer com o roubo da cruz da unidade?

Além de rezarmos pela Família de Schoenstatt chilena que foi especialmente atingida por este roubo, o fato de ter acontecido no início da Semana Santa pode servir de chamada de atenção para todos nós: estamos vivendo este tempo como deveríamos? Não seria o momento de trazermos a cruz de Jesus e Maria mais presente em nossa vida?

Vivamos esta Semana Santa com fé e meditemos como um fato tão triste pode nos ajudar no crescimento do amor à cruz.

A oração seguinte, escrita por nosso Pai e Fundador, Padre José Kentenich, no campo de concentração de Dachau, pode nos ajudar nesta meditação.

Ó santa cruz, me prostro em tua frente,
Para entoar ardentes hinos de júbilo e
Gratidão, em ti, nosso Senhor consumou
A Redenção que nos tornou filhos de Deus.

Quero mergulhar-te profundamente
Em meu alegre coração,
Dar-te constantemente todo o meu amor;
Em ti, ó Crucificado, e em tua Esposa,
Se apoie toda a esperança de minha vida.

Faze que eu vos leve aos povos, para
conquistá-los
e lutando, diariamente
Arrisque a vida por vós.
Vosso Reino seja vitorioso em toda parte
E amplie suas fronteiras até os confins do
Universo.

Como sinal da Redenção, levarei,
Aos povos a cruz e a imagem de Maria,
Para que jamais seja separado
O que o plano de amor do Pai
Concebeu como unidade.

Schoenstatt permaneça um instrumento fiel
E vos inscreva unidos nos corações, para que o reino de satanás
Seja eficazmente destruído
E, no Espírito Santo,
Seja dada maior glória ao Pai. Amém.

(Rumo ao Céu – Oração Final Via Sacra)

 

Com informações de: schoenstatt.org.br

 

 

 

Reflexão para o Domingo de Ramos

Pe. Cesar Augusto dos Santos – Cidade do Vaticano – A Ceia, a última Ceia de Jesus, é a prefiguração de sua entrega a Deus por nós e a conclusão de sua missão. Nela ele promete a restauração da humanidade e nos associa ao seu destino. “Fazei isto em memória de mim” é um mandamento convite para nos identificarmos com ele, para repartirmos nossa vida com os outros. Quando celebramos a Eucaristia, o “partir o pão eucarístico” é porque já o fizemos com nosso pão diário e com toda a nossa vida e pretendemos continuar nesse partilhar nossa vida.

Também dentro do contexto eucarístico Lucas nos coloca a atitude cristã do serviço, do ser o último. Jesus diz: “Entre vós o maior seja como o mais novo, e o que manda, como quem está servindo”. “…estou no meio de vós como aquele que serve.” Servir, dentro da visão cristã, significa ocupar mesmo o último lugar, ser autoridade significa servir!

São Lucas, no relato da Paixão, destaca a bondade e a misericórdia do senhor.

No Horto das Oliveiras, Jesus impede que Pedro pague mal com mal, e lhe diz para “guardar sua espada dentro da bainha”. A atitude dos cristãos para com seus adversários deverá ser a do perdão. Para Jesus, o seu discípulo não tem inimigo, aliás, o inimigo, aquele que deverá ser destruído, esmagado é o demônio. Os demais, os que fazem mal são vistos como adversários que deverão ser trabalhados para que se libertem do mal e se salvem.

Mais adiante, dentro do relato da paixão, ao ser negado por aquele a quem confiaria as suas ovelhas – Pedro -, olha-o com carinho e compreensão por sua fraqueza e a reação de Pedro foram as lágrimas de profundo arrependimento. Por isso, por essa experiência e por outras, Pedro escreveu em sua primeira Carta: “ultrajado, não retribuía com idêntico ultraje; ele, maltratado não proferia ameaças” (1Pd2, 23).

Antes de dar o último suspiro Jesus disse: “Pai, perdoa-lhes este pecado, porque não sabem o que fazem!” (Lc 23,34)

Em seu relato, São Lucas comenta a atitude de pessoas como Herodes e as mulheres que estavam pelo caminho do calvário. Herodes vê Jesus como um proporcionador de benefícios. Mas Jesus não é um mercador, mas sim alguém que age em nome do Pai. Diante das mulheres que choram pelo caminho ao ver suas dores, Jesus reconhece nelas e em seus filhos os frágeis que penam por causa do interesse dos poderosos.

Finalmente Lucas apresenta Jesus morrendo entre dois bandidos. Ele nasceu entre animais, em uma estrebaria e suas primeiras visitas foram os pastores, gente impura para os judeus. Mais tarde chegam os magos, pagãos! Também ao longo de sua vida Jesus se relaciona continuamente com os desprezados da sociedade de seu tempo, os considerados impuros, como os publicanos, as meretrizes, os pecadores. Agora, na hora da morte, seus companheiros são bandidos! Seus discípulos se mantêm à distância, mas ao lado estão os dois ladrões. Mas longe de ser demérito, isto é legitimação da vida do Redentor.

Ele não veio para salvar os pecadores? Pois é! Ele volta para o pai com as mãos cheias! Leva consigo Dimas, o bandido que foi recuperado na última hora e que ele mesmo, Jesus, garantiu que estaria com ele no céu, “ainda hoje”. Leva também, só que mais tarde, o oficial romano que declarou: “De fato! Este homem era justo!” Leva tantos pecadores convertidos pelos seus gestos de acolhida, de perdão, de vida!

Fazei isto em minha memória, tomai e comei, partilhar a vida! Celebremos a Paixão de Jesus, sua Páscoa, acolhendo o pecador, partilhando nossa fé na vitória da Vida, na certeza da vitória do perdão! O que recebemos de graça, de graça devemos dar. Recebemos o perdão de Deus mediante a redenção de Jesus Cristo!

Fonte: Vatican News