
Adelmo e Ana Paula Dal Pozzolo – Este tempo da Quaresma que se despede mais uma vez, é oportunidade de refletir sobre a Via Sacra, tantas vezes rezada individualmente ou em comunidade. E reconhecer que este momento introspectivo utilizado para entender quinze aspectos do “caminho de cruz e vitoriosidade” de Cristo pode ser aplicado em nossa vida prática, especialmente na autoeducação rumo à santidade.
Relembrando os quinze momentos do calvário de Cristo que inspiraram a Via Crucis, temos: a condenação, o carregar a cruz, a primeira queda no caminho, o encontro com a Mãe, a ajuda para carregar a cruz, ter as lágrimas enxugadas, a segunda queda, consolar as mulheres que choram, cair pela terceira vez, despir-se das vestes, ser pregado na cruz, morrer na cruz e, finalmente, ressuscitar. Analisando as passagens, podemos descrever uma linha de tempo como a vida de cada um de nós.
O ‘humano’ que temos em nós é capaz de julgar e somos passíveis de sermos julgados. No caminho de santidade aprendemos a olhar com misericórdia para os próprios erros e aos dos irmãos, a perdoar tais faltas. Humildemente, pode ser uma boa oportunidade para exercitar a orientação própria, a autoeducação, e quando oportuno a orientar os outros. Jesus mesmo disse: “Quem de vós não tem pecados, atire a primeira pedra. Ninguém te condenou, eu também não te condeno. Vá e não peques mais! ” (cf. Jo 8, 7).
Pensando um pouco podemos perceber o quanto uma análise mais generosa sobre o tema poderia ter evitado a batida de martelo severa sobre um fato por vezes simples. Em nossa vida prática devemos adotar a missão de educadores/educandos aprendendo e ensinando em cada atuar. “Não nos deixamos levar por emoções ‘piedosas’ momentâneas e irrefletidas” disse Padre José Kentenich no primeiro documento de fundação, ensinando a importância de refletir profundamente antes de expressar uma opinião.

A vida também nos apresenta dores, perdas, tristezas. Mas há uma estrada a ser trilhada: a VIDA. Percorrendo este caminho tropeçamos, nos ferimos, e em inúmeras oportunidades, a Mãe e Rainha nos acolhe e, com ela, o bom Deus.
Encontramos auxílio e apoio em pessoas próximas e aceitamos esta ajuda, precisamos aceitar a mão estendida do irmão: exercício de humildade e de gratidão. Assim consolidamos um sentimento de conjunto, de comunidade, afinal não estamos sozinhos. Aceitando a cruz e conduzindo-a, caminhamos. Ainda que cambaleantes e lentos, devemos caminhar formando esta unidade. Recebendo apoio, e sendo o apoio para os que precisam.
Nossa condição humana estabelece que temos limites, momentos de fragilidade nos quais choramos, e por vezes surge a necessidade de recobrar as forças. Jesus ensina que é possível a queda, e que é preciso levantar. Isso se repete ao longo dos passos. Alguns podem se desesperar com a própria situação ou com a condição de alguém próximo que enfrenta algum sofrimento. E a mansidão de Cristo, confortando os que choram, nos ensina a suportar e a ser suporte. Transmitir forças ante as dificuldades é santificação. Erguendo o corpo, retomando o caminho continuamos trilhando passos em direção ao alto. Lá está a santidade.
Por vezes a caminhada da vida nos prega na cruz e as dores tiram sangue de nossos corpos, rompem a carne e as forças falham. Ainda assim nossos corações permanecem unidos em aliança de amor com Maria e ela nos liga à Cristo. Entregamos nas mãos misericordiosas de nossa Mãe um coração dolorido, machucado, pequenino, às vezes até despedaçado, para recebermos de volta um coração tratado, um coração refeito, renovado, curado e transformado pelo amor de Deus, em retribuição à contribuição para o Capital de Graças que Lhe oferecemos.
Pensar a Via Sacra, rezar a via Sacra e senti-la como ensinamento de vida e caminho de santidade nos conduz a viver o exemplo de Cristo e a santificar-nos durante a vida. Filhos verdadeiramente heroicos da Mãe e Rainha são forjados pelo fogo da santificação.
A décima quinta estação, a ressurreição de Cristo, é a concretização da vitória suprema de Deus. Cristo se mostra verdadeiro Deus tendo renascido e se colocado novamente entre os apóstolos e diante de sua Mãe, a mãe que Jesus nos entrega como nossa também. A conquista da santificação nos inclui na promessa de entrarmos na vida eterna com Cristo, junto a Maria, nossa Mãe Rainha e Vencedora Três Vezes Admirável de Schoenstatt e para junto de Deus.
Como família de Schoenstatt “devemos almejar o mais alto grau de perfeição de estado e santidade” (Pe. José Kentenich, no Documento de Fundação). Entendendo a Via Sacra, encontraremos condições de viver o ensinamento de vida que ela nos apresenta. Então alcançaremos a trajetória de santificação à qual Aliança de Amor nos conduz.
