Intenção do papa para fevereiro: rezar pelos doentes terminais e suas famílias

O Santo Padre compartilha sua intenção de oração neste mês em que a Igreja celebra o Dia Mundial do Enfermo, convocado desde 1992 por São João Paulo II, no dia 11 de fevereiro, memória litúrgica de Nossa Senhora de Lourdes.

Francisco lembra que “há duas palavras que, quando alguns falam de doenças terminais, as confundem: incurável e in-cuidável. E não são a mesma coisa”. “São João Paulo II dizia que ‘curar se é possível, cuidar sempre’, diz ainda o Papa.

A mensagem de vídeo de fevereiro, mostra um casal, sentando na areia que contempla o mar. Uma menina que abraça o seu avô no leito do hospital. Um homem que está junto ao leito de seu pai, com uma Bíblia no colo e um Rosário nas mãos. Uma enfermeira que leva ao jardim um paciente que já não pode caminhar. Um médico que explica a uma família o difícil caminho que vão ter que percorrer com seu parente a partir de agora.

Cuidar sempre

Conforme as olhamos, as imagens do vídeo do Papa de fevereiro nos falam de uma série de fracassos ou êxitos: fracassos, se o único resultado aceitável é a cura; êxitos, se o objetivo é o cuidado.

Mesmo quando existam muito poucas possibilidades de cura, todos os enfermos têm direito ao acompanhamento médico, ao acompanhamento psicológico, ao acompanhamento espiritual, ao acompanhamento humano.

O Papa acrescenta: Nem sempre se alcança a cura. Porém sempre podemos cuidar do doente, acariciar o enfermo.

Olhar o doente com amor

Em nossa cultura do descarte não há lugar para os doentes terminais. E não é por acaso que, nas últimas décadas, a tentação da eutanásia tenha ganhado terreno em muitos países. Contrariamente a isso, o Papa Francisco nos convida a olhar o doente com amor – a compreender, por exemplo, que o contato físico pode ajudar muito, inclusive a quem já não é capaz de falar e parece já não reconhecer seus próprios familiares – e a acompanhá-lo do melhor modo possível, durante todo o tempo que necessite.

E é aqui onde entram os cuidados paliativos, que garantem ao paciente não somente a atenção médica, mas também um acompanhamento humano e próximo.

Não deixar as famílias sozinhas

Ao falar sobre o papel das famílias, o Papa lembra que elas “não podem ficar sozinhas nesses momentos difíceis”, pois “seu papel é decisivo e devem ter os meios adequados para desempenhar o apoio físico, o apoio espiritual, o apoio social”.

Rezemos para que os doentes terminais e suas famílias recebam sempre os cuidados e o acompanhamento necessários, tanto do ponto de vista médico quanto humano.

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Fonte: Vatican News

Papa entrega a ‘Rosa de Ouro’ para a Mãe de Deus

 

O Papa Francisco realizou sua tradicional homenagem às Mãe Deus, Imaculada, neste 8 de dezembro, na praça de Espanha em Roma. Todos os anos, na solenidade da Imaculada Conceição de Maria, os papas levam flores até a ‘coluna da Imaculada’, contruída nesta praça.

Neste ano, porém, o Papa Francisco fez uma parada na Basílica de Santa Maria Maior para um momento de veneração diante do ícone de Nossa Senhora Salus Populi Romani, ocasião em que realizou um ato histórico: ofereceu a “Rosa de Ouro” ao ícone da Virgem Maria, um gesto acompanhado em oração pelos fiéis, peregrinos, religiosos e religiosas presentes.

Um gesto histórico

A entrega da Rosa de Ouro é uma homenagem que cada Papa costuma fazer a Maria, em ocasiões muito especiais, em seus Santuários pelo mundo. A tradição é que isso aconteça apenas uma vez ao ano, dado que destaca a importância do Santuário escolhido pelo Sumo Pontífice. Faz 400 anos da última Rosa de Ouro entregue na Santa Maria Maior. No Santuário de Nossa Senhora Aparecida, Maria já recebeu três vezes essa homenagem: em 1967, pelo Papa Paulo VI; 2007, pelo Papa Bento XVI e 2017, pelo Papa Francisco.

Diante da imagem, o Pontífice rezou em silêncio e, em seguida, se dirigiu até a Praça de Espanha, para o ato de veneração à Imaculada Conceição.

 

Foto: Vatican Media

Fonte: Vatican News e schoenstatt.org.br

Neste mês rezemos pelo Papa Francisco

Na mensagem de vídeo do Papa Francisco com a intenção de oração para o mês de novembro, o Santo Padre abre o seu coração aos fiéis, pedindo-lhes orações para que possa cumprir a sua missão.

“Peçam ao Senhor que me abençoe”, afirma o Bispo de Roma antes de confessar: “A vossa oração me dá força e me ajuda a discernir e acompanhar a Igreja na escuta do Espírito Santo”.

O vídeo publicado pela Rede Mundial de Oração do Papa, tem desta vez um tom íntimo, pois tem como tema a intenção que corresponde a este mês: “Pelo Papa”.

Um Papa “não perde a sua humanidade”

As imagens que acompanham as palavras do Santo Padre estão também marcadas pelo tom intimista: uma espécie de narrativa do seu pontificado através das emoções. Além dos momentos mais conhecidos, como os primeiros instantes após a sua eleição, há outros quase inéditos, feitos de abraços e orações em diversas partes do mundo. Une-os a grande humanidade contagiosa do Papa Francisco, confirmada, mais uma vez, pela escolha da intenção de oração para este mês e a mensagem que a acompanha.

Por alguém ser Papa, não perde a sua humanidade. Pelo contrário, a minha humanidade cada dia cresce mais com o povo santo e fiel de Deus. Porque ser Papa também é um processo. Vai-se tomando consciência do que significa ser pastor. E neste processo aprende a ser mais caridoso, mais misericordioso e, sobretudo, mais paciente, como o nosso Deus Pai, que é tão paciente.

“Posso imaginar que todos os Papas, no início do seu pontificado, tiveram esse sentimento de medo, de vertigem, de quem sabe que vai ser julgado com dureza. Porque o Senhor aos Bispos vai pedir contas seriamente”, diz ainda Francisco no vídeo.

O Papa pede para ser julgado “com benevolência”

A seguir, o Papa se dirige a todas as pessoas que vão ver e escutar a sua mensagem:

“Por favor, peço-lhes que julguem com benevolência. E que rezem para que o Papa, seja ele quem for, hoje é a minha vez, receba a ajuda do Espírito Santo, seja dócil a essa ajuda.”

Segundo a tradição do Apostolado da Oração, antigo nome da Rede Mundial de Oração do Papa, desde 1879 os Papas confiam mensalmente uma intenção de oração à Igreja, por meio da Rede Mundial de Oração do Papa. Neste mês, a intenção é a seguinte: “Rezemos pelo Papa, para que no exercício da sua missão continue a acompanhar na fé o rebanho a ele confiado por Jesus e sempre com a ajuda do Espírito Santo”.

O Papa conclui o vídeo com um toque de humor: “E rezem por mim. A meu favor”.

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Fonte: Vatican News

Intenção do Papa em outubro: rezar pelo Sínodo

Todos os meses, é divulgada a intenção de oração do Papa e um vídeo correspodente. Neste mês, como não poderia ser diferente, o Papa Francisco nos pede para rezarmos pelo Sínodo.

O que é o Sínodo da Sinodalidade?

Em 10 de outubro de 2021, o Papa Francisco convocou o Sínodo da Sinodalidade para aprofundar o tema “Por uma Igreja sinodal: comunhão, participação e missão”. O Sínodo dos Bispos é um organismo consultivo que pede aos bispos de todo o mundo que participem no governo da Igreja, aconselhando ao Papa sobre assuntos de interesses para a Igreja universal. A palavra “sínodo” deriva da língua grega e expressa a ideia de “caminhar juntos”.

Com uma duração prevista de três anos (outubro de 2021 a outubro de 2024), o Sínodo da Sinodalidade percorreu distintas fases de escuta e discernimento. O Papa Francisco deseja que toda a Igreja reflita sobre a sinodalidade: que todo o Povo de Deus —bispos, sacerdotes, religiosos, leigos, homens, mulheres, adultos, jovens— participe na conversação sobre se estamos caminhando juntos e como o fazemos.

No dia 4 de outubro será aberta a primeira sessão da XVI Assembleia Geral Ordinária, onde os bispos e outros participantes se reúnem para recolher os frutos dos processos prévios de escuta. Neste Sínodo, essa assembleia se celebrará em duas sessões com um ano de diferença: de 4 a 29 de outubro de 2023 e em outubro de 2024.

 

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Fonte: Vatican News

Transfiguração: restaurados pela força do Espírito divino

Jane Nogara – Cidade do Vaticano – A festa da Transfiguração do Senhor faz parte do mistério da salvação e recorda quando Jesus, depois de ter anunciado a Sua Paixão, chama os seus três apóstolos ao monte Tabor. Jesus transforma-se diante deles, e seu corpo fica luminoso e suas vestes resplandecentes.

Jesus, Filho de Deus

A página evangélica narra que os apóstolos Pedro, Tiago e João foram testemunhas deste acontecimento extraordinário. Jesus levou-os consigo “e conduziu-os em particular a um alto monte” (Mt 17, 1) e, enquanto rezava, o seu rosto mudou de aspecto, brilhando como o sol, e as suas vestes tornaram-se cândidas como a luz. Apareceram então Moisés e Elias, e entraram em diálogo com Ele. A este ponto, Pedro disse a Jesus: “Senhor, bom é estarmos aqui; se queres, façamos aqui três tabernáculos, um para ti, um para Moisés, e um para Elias”. Ainda não tinha acabado de falar, quando uma nuvem luminosa os cobriu.

Desapegarmos das coisas mundanas

Na festa da Transfiguração de 2017, o Papa Francisco fez uma bela reflexão sobre o que podemos aprender com esta passagem do Evangelho. “A subida dos discípulos ao monte Tabor – disse Francisco –  leva-nos a refletir acerca da importância de nos desapegarmos das coisas mundanas, a fim de fazer um caminho rumo ao alto e contemplar Jesus. Trata-se de nos pormos à escuta atenta e orante de Cristo, o Filho amado do Pai, procurando momentos de oração que permitem o acolhimento dócil e jubiloso da Palavra de Deus”.

Redescobrir o silêncio regenerante da meditação do Evangelho

Francisco continua sua reflexão dizendo: “Nesta ascensão espiritual, neste afastamento das coisas mundanas, somos chamados a redescobrir o silêncio pacificador e regenerante da meditação do Evangelho, da leitura da Bíblia, que leva rumo a uma meta rica de beleza, de esplendor e de alegria. E quando nos pomos assim, com a Bíblia na mão, em silêncio, começamos a sentir esta beleza interior, esta alegria que a palavra de Deus gera em nós”.

Restaurados pela força do Espírito divino

Na ocasião o Papa falou sobre o final do episódio: “No final da admirável experiência da Transfiguração, os discípulos desceram do monte com os olhos e o coração transfigurados pelo encontro com o Senhor. É o percurso que podemos realizar também nós. A redescoberta cada vez mais viva de Jesus não constitui um fim em si, mas induz-nos a ‘descer do monte’, restaurados pela força do Espírito divino, para decidir novos passos de conversão e para testemunhar constantemente a caridade, como lei de vida diária”.

Fonte: Vatican News

O Papa: o amor dá sentido aos mandamentos, vai além da formalidade da Lei

O Papa rezou a oração do Angelus ao meio-dia deste VI Domingo do Tempo Comum, com os fiéis e peregrinos reunidos na Praça São Pedro. Na alocução que precedeu a oração mariana o Santo Padre ateve-se ao Evangelho do dia.

No Evangelho da liturgia de hoje Jesus diz: “Não penseis que vim para abolir a Lei ou os Profetas; não vim para abolir, mas para dar-lhes pleno cumprimento”. Dar cumprimento: esta é uma palavra-chave para entender Jesus e sua mensagem. O que isso significa? Para explicar isso, disse Francisco, o Senhor começa por dizer o que não é cumprimento. A Escritura diz “não matarás”, mas para Jesus isto não é suficiente se depois se ferem os irmãos com as palavras; a Escritura diz “não cometerás adultério”, mas isto não é suficiente se depois se vive um amor manchado por duplicidade e falsidade; a Escritura diz “não jurarás falsamente”, mas não é suficiente fazer um juramento solene se depois se age com hipocrisia. Assim, não há cumprimento, observou o Santo Padre.

Gratuidade do amor de Deus, que nos ama por primeiro

Para nos dar um exemplo concreto, Jesus se concentra no “rito da oferenda”. Ao fazer uma oferenda a Deus, se retribuía a gratuidade de seus dons; era um rito muito importante, tanto que era proibido interrompê-lo, exceto por motivos graves. Mas Jesus afirma que é preciso interrompê-lo se um irmão tem algo contra nós, a fim de ir primeiro reconciliar-se com ele: só então o rito se cumpre. A mensagem é clara, acrescentou:

Deus nos ama primeiro, gratuitamente, dando o primeiro passo em direção a nós sem que o mereçamos; e então não podemos celebrar seu amor sem, por nossa vez, dar o primeiro passo para nos reconciliarmos com quem nos feriu. Assim, há cumprimento aos olhos de Deus, caso contrário, a observância externa, puramente ritual, é inútil. Em outras palavras, Jesus nos faz compreender que as normas religiosas são úteis, são boas, mas são apenas o começo: para dar-lhes cumprimento, é necessário ir além da letra e viver seu significado. Os mandamentos que Deus nos deu não devem ser trancafiados nos cofres asfixiantes da observância formal, caso contrário, permanecemos em uma religiosidade exterior e distante, servos de um “deus patrão” e não filhos de Deus Pai.

O Pontífice ressaltou que este problema não existia apenas no tempo de Jesus, ele também está presente hoje.

O amor de Deus por nós, sem limites

Às vezes, por exemplo, ouvimos: “Padre, eu não matei, não roubei, não fiz mal a ninguém… “, como se dissesse: “Eu estou bem”. Aí está a observância formal, que se contenta com o mínimo indispensável, enquanto Jesus nos convida ao máximo possível. Lembremo-nos: Deus não raciocina por cálculos e tabelas; Ele nos ama como um enamorado: não ao mínimo, mas ao máximo! Ele não nos diz: “Eu te amo até um certo ponto”. Não, o amor verdadeiro nunca é até um certo ponto e nunca se dá por satisfeito; o amor vai além, não pode passar sem ele. O Senhor nos mostrou isto dando sua vida na cruz e perdoando seus assassinos. E ele nos confiou o mandamento que lhe é mais caro: que nos amemos uns aos outros como Ele nos amou. Este é o amor que dá cumprimento à Lei, à fé, à vida!

A Virgem Maria nos ajude a cumprir nossa fé e nossa caridade

Como eu vivo a fé? É uma questão de cálculos, de formalismos, ou é um caso de amor com Deus? Estou satisfeito por não fazer o mal, por manter a “fachada”, ou tento crescer no amor por Deus e pelos outros? E, de vez em quando, eu me pergunto sobre o grande mandamento de Jesus, me pergunto se amo meu próximo como Ele me ama? Pois talvez sejamos inflexíveis no julgamento aos outros e nos esqueçamos de ser misericordiosos, como Deus é conosco.

Francisco concluiu pedindo à Virgem Maria, que observou perfeitamente a Palavra de Deus, que Ela nos ajude a cumprir nossa fé e nossa caridade.

Papa Francisco: “juntos” é o nome da paz em 2023

Bianca Fraccalvieri – “É hora de pararmos um pouco para nos interrogar, aprender, crescer e deixar transformar”: este é o convite do Papa Francisco contido na mensagem para o Dia Mundial da Paz de 2023, celebrado em 1º de janeiro.

O tema escolhido pelo Pontífice é “Ninguém pode salvar-se sozinho. Juntos, recomecemos a partir da Covid-19 para traçar sendas de paz”.

Passados três anos, é justamente a experiência da pandemia o fio condutor da mensagem.

“A Covid-19 precipitou-nos no coração da noite, desestabilizando a nossa vida quotidiana, transtornando os nossos planos e hábitos, subvertendo a aparente tranquilidade mesmo das sociedades mais privilegiadas, gerando desorientação e sofrimento, causando a morte de tantos irmãos e irmãs.”

Os efeitos foram de longa duração: além do luto, o vírus causou um mal-estar generalizado, ameaçou a segurança laboral de muitas pessoas, agravou a solidão em nossas sociedades, fez aflorar contradições e desigualdades e fragilidades.

Então vem a pergunta: “O que é que aprendemos com esta situação de pandemia?”.

Francisco não tem dúvidas: “A maior lição que Covid-19 nos deixa em herança é a consciência de que todos precisamos uns dos outros, que o nosso maior tesouro, ainda que o mais frágil, é a fraternidade humana, fundada na filiação divina comum, e que ninguém pode salvar-se sozinho”.

Por conseguinte, é urgente buscar e promover, juntos, os valores universais que traçam o caminho desta fraternidade humana.

A própria pandemia favoreceu atitudes positivas, como um regresso à humildade; uma redução de certas pretensões consumistas; um renovado sentido de solidariedade, bem como um empenho, “em alguns casos verdadeiramente heroico”, de muitas pessoas que se doaram para que todos conseguissem superar do melhor modo possível o drama da emergência.

O segredo, aponta o Papa, está na palavra “juntos”.

“Com efeito, é juntos, na fraternidade e solidariedade, que construímos a paz, garantimos a justiça, superamos os acontecimentos mais dolorosos. De fato, as respostas mais eficazes à pandemia foram aquelas que viram grupos sociais, instituições públicas e privadas, organizações internacionais unidos para responder ao desafio, deixando de lado interesses particulares.”

Mas quando o mundo ainda se recuperava do trauma, eis que outro fato colocou a humanidade à dura prova: a guerra na Ucrânia. Francisco fala de “desgraça”, “flagelo” que, diferentemente da Covid, foi pilotado por “opções humanas culpáveis”. A guerra ceifa vítimas inocentes e suas consequências vão além fronteiras, como demonstram o aumento do preço do trigo e energia.

“Não era esta, sem dúvida, a estação pós-Covid que esperávamos ou por que ansiávamos”, lamenta o Pontífice, definindo a guerra uma “derrota da humanidade” para a qual ainda não há vacina.

“Com certeza, o vírus da guerra é mais difícil de derrotar do que aqueles que atingem o organismo humano, porque o primeiro não provem de fora, mas do íntimo do coração humano, corrompido pelo pecado.”

E vem a última pergunta: “Que fazer?”

Antes de mais nada, deixar que Deus transforme nossos corações. E depois, pensar em termos comunitários. Não existe mais o espaço dos nossos interesses pessoais ou nacionais, mas “é hora de nos comprometermos todos em prol da cura de nossa sociedade e do nosso planeta”.

Outra lição deixada pela pandemia é que as crises morais, sociais, políticas e econômicas estão interligadas. “E assim somos chamados a enfrentar, com responsabilidade e compaixão, os desafios do nosso mundo.”

E os desafios, infelizmente, não são poucos: guerras, alterações climáticas, desigualdades, desemprego, migração e o “escândalo dos povos famintos”.

“Compartilho estas reflexões com a esperança de que, no novo ano, possamos caminhar juntos valorizando tudo o que a história nos pode ensinar”, conclui o Santo Padre, fazendo os melhores votos aos Chefes de Estado e de Governo, aos Responsáveis das Organizações Internacionais, aos líderes das várias religiões.

“Desejo a todos os homens e mulheres de boa vontade que possam, como artesãos de paz, construir dia após dia um ano feliz! Maria Imaculada, Mãe de Jesus e Rainha da Paz, interceda por nós e pelo mundo inteiro.”

Foto: cathopic.com

Palavras do Papa Francisco nas celebrações do Natal 2022

Na homilia da Missa solene da Noite de Natal deste sábado, na Basílica de São Pedro, com milhares de fiéis e peregrinos presentes oriundos de várias partes do mundo, o Papa Francisco convidou a redescobrir o sentido do Natal.

Manjedoura: proximidade e pobreza

Para isso, Francisco propôs o simbolismo da manjedoura, o local onde Cristo entra em cena no mundo. Ali, podemos refletir sobre três aspectos: proximidade, pobreza e concretismo.
“Também neste Natal, uma humanidade insaciável de dinheiro, poder e prazer não dá lugar – como sucedeu com Jesus – aos mais pequenos, a tantos nascituros, pobres, abandonados. Penso sobretudo nas crianças devoradas por guerras, pobreza e injustiça. Mas é precisamente lá que vem Jesus, menino na manjedoura do descarte e da rejeição.”
Além da proximidade, a manjedoura de Belém fala-nos de pobreza.
“A primeira riqueza é Jesus. Mas nós… queremos mesmo estar ao seu lado? Aproximamo-nos Dele, amamos a sua pobreza? Ou preferimos cingir-nos comodamente aos nossos interesses? Sobretudo visitamo-Lo onde Se encontra, isto é, nas pobres manjedouras do nosso mundo? É lá que Ele está presente. E nós somos chamados a ser uma Igreja que adora Jesus pobre, e serve Jesus nos pobres.”
Desenvolvendo o último ponto de sua reflexão, Francisco ressaltou ainda que a manjedoura nos fala de concretismo.
“Jesus, que nasce pobre, viverá pobre e morrerá pobre, não fez muitos discursos sobre a pobreza, mas viveu-a, em toda a sua profundidade, por nós. Da manjedoura à cruz, o seu amor por nós foi palpável, concreto: do nascimento à morte, o filho do carpinteiro abraçou a aspereza da madeira, a aspereza da nossa existência. Não nos amou com palavras, não nos amou por divertimento!”
“Não deixemos passar este Natal sem fazer algo de bom. Uma vez que é a festa Dele, o seu aniversário, ofereçamos-Lhe presentes de que Ele gosta! No Natal, Deus é concreto: em seu nome, façamos renascer um pouco de esperança em quem a perdeu!”
* Para ver o vídeo da Santa Missa da véspera de Natal com o Papa Francisco CLIQUE AQUI

Benção Urbe et Orbi

Na manhã de domingo, o Papa deu a conhecida bênção Urbe et Orbi na praça de São Pedro e deu sua saudação de feliz Natal em diversos idiomas.

Como os pastores de Belém, deixemo-nos envolver pela luz e saimos para ver o sinal que Deus nos deu. Vençamos o torpor do sono espiritual e as falsas imagens da festa que fazem esquecer Quem é o Festejado. Saiamos do tumulto que anestesia o coração induzindo-nos mais a preparar ornamentações e prendas do que a contemplar o Evento: o Filho de Deus nascido para nós. Foi a exortação do Papa na tradicional Mensagem de Natal e Bênção Urbi et Orbi, da Sacada Central da Basílica Vaticana, diante de milhares de fiéis e peregrinos presentes na Praça São Pedro, e acompanhada pelos meios de comunicação em mundovisão.

“Voltemo-nos para Belém, onde ressoa o primeiro choro do Príncipe da paz. Sim, porque Ele mesmo – Jesus – é a nossa paz: aquela paz que o mundo não se pode dar a si mesmo e Deus Pai concedeu-a à humanidade enviando o seu Filho ao mundo”, ressaltou o Santo Padre.

Na realidade, é com tristeza que devemos constatar como, enquanto nos é dado o Príncipe da paz, ventos de guerra continuam a soprar, gelados, sobre a humanidade. Se queremos que seja Natal, o Natal de Jesus e da paz, voltemos o olhar para Belém e fixemo-lo no rosto do Menino que nasceu para nós! E, naquele rostinho inocente, reconheçamos o das crianças que, em todas as partes do mundo, anseiam pela paz, continuou o Papa.

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Foto: cathopic.com

O Papa e o Advento: Deus se esconde nas situações mais comuns de nossa vida

Mariangela Jaguraba – O Papa Francisco rezou a oração mariana do Angelus, deste domingo (27/11), com os fiéis e peregrinos reunidos na Praça São Pedro.

Na alocução que precedeu a oração, o Pontífice recordou a “bela promessa que nos introduz no tempo do Advento: «Virá o teu Senhor».

Este é o fundamento da nossa esperança, é o que nos sustenta também nos momentos mais difíceis e dolorosos da nossa vida: Deus vem. Nunca nos esqueçamos disso! O Senhor vem sempre, nos visita, se faz próximo, e voltará no fim dos tempos para nos acolher no seu abraço.

 

O Senhor inspira as nossas ações

A seguir, o Papa fez as seguintes perguntas: “Como vem o Senhor? Como reconhecê-lo e acolhê-lo?” Primeira pergunta: como o Senhor vem?

Segundo Francisco, “muitas vezes ouvimos dizer que o Senhor está presente no nosso caminho, que nos acompanha e nos fala. Mas talvez, distraídos como estamos por tantas coisas, esta verdade permanece para nós apenas teórica, ou imaginamos que o Senhor vem de maneira sensacional, talvez por meio de algum sinal prodigioso. Jesus diz que acontecerá “como nos dias de Noé”. E o que faziam nos dias de Noé? Simplesmente as coisas normais e cotidianas da vida: «Comiam e bebiam, casavam-se e davam-se em casamento»”.

Levemos em consideração isso: Deus está escondido em nossa vida, está sempre presente, está escondido nas situações mais comuns e ordinárias de nossa vida. Não vem em eventos extraordinários, mas nas coisas do dia-a-dia. O Senhor vem nas coisas do dia-a-dia, porque Ele está ali, se manifesta nas coisas de todos os dias. Ele está ali, no nosso trabalho quotidiano, num encontro casual, no rosto de uma pessoa necessitada, mesmo quando enfrentamos dias que parecem cinzentos e monótonos, o Senhor está ali, nos chama, nos fala e inspira as nossas ações.

 

Perceber a presença de Deus na vida cotidiana

Segunda pergunta: como reconhecer e acolher o Senhor? De acordo com Papa, “devemos estar acordados, atentos, vigilantes. Jesus nos adverte: existe o perigo de não percebermos a sua vinda e estar despreparados para a sua visita”.

Francisco disse que recordou “outras vezes o que Santo Agostinho dizia: “Temo o Senhor que passa”, ou seja, temo que Ele passe e eu não o reconheça! De fato, sobre aquelas pessoas do tempo de Noé, Jesus diz que elas comiam e bebiam «e nada perceberam, até que veio o dilúvio, e arrastou a todos»”.

Prestemos atenção nisso: não perceberam nada! Estavam ocupadas com suas coisas e não perceberam que o dilúvio estava para vir. De fato, Jesus diz que, quando Ele vier, “dois homens estarão trabalhando no campo: um será levado e o outro deixado”. Qual é a diferença? Em que sentido? Simplesmente que um estava vigilante, esperava, capaz de perceber a presença de Deus na vida cotidiana; o outro, por outro lado, estava distraído, “sem compromisso”, como se fosse nada, e não percebeu nada.

 

Deixar-se chacoalhar pelo torpor

“Neste Tempo do Advento deixemo-nos chacoalhar pelo nosso torpor e despertemo-nos do sono”, disse o Papa, convidando-nos a fazer as seguintes perguntas: “Estou consciente do que vivo? Estou atento? Estou acordado? Procuro reconhecer a presença de Deus nas situações cotidianas ou estou distraído e um pouco esmagado pelas coisas?”

“Se não percebermos sua vinda hoje, também estaremos despreparados quando ele vier no fim dos tempos. Irmãos e irmãs, permaneçamos vigilantes! Esperando que o Senhor venha, se aproxime de nós, porque Ele está aqui, espera. Prestemos atenção! Que a Virgem Santa, Mulher da expectativa, que percebeu a passagem de Deus na vida humilde e escondida de Nazaré e o acolheu em seu ventre, nos ajude neste caminho de estar atentos à espera do Senhor que está no meio de nós e passa”, concluiu Francisco.

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Fotos: cathopic.com

Fonte: Vatican News

Intenção do Papa para novembro: as crianças abandonadas

O Papa Francisco recorda as crianças que sofrem na intenção de oração, para o mês de novembro, divulgada nesta segunda-feira (31/10).

Na mensagem de vídeo, o Pontífice se dirige às crianças abandonadas, que sofrem diariamente de rejeição, miséria, pobreza e todos os tipos de conflitos, sem uma oportunidade real de crescimento, de desenvolvimento e sem ter acesso a direitos básicos.

Há ainda milhões de crianças que sofrem e vivem em condições muito semelhantes à escravidão. Não são números: são seres humanos com um nome, com um rosto, com uma identidade dada por Deus.

Segundo o Papa, “muitas vezes esquecemos a nossa responsabilidade e fechamos os olhos à exploração destas crianças que não têm direito de brincar, nem de estudar, nem de sonhar. Elas nem sequer têm o calor de uma família”.

Cada criança marginalizada, abandonada por sua família, sem escolaridade, sem cuidados médicos, é um grito! Um grito que se eleva a Deus e acusa o sistema que nós, adultos, construímos.

Para contextualizar a mensagem deste mês, basta recordar algumas referências globais. O Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF) afirma que 1 bilhão de crianças em todo o mundo vivem na pobreza multidimensional (sem acesso a educação, saúde, moradia, alimentação, saneamento ou água) e estima que 153 milhões de crianças são órfãs. Além disso, o Alto Comissariado das Nações Unidas para os Direitos Humanos declarou numa carta recente que “no final do ano passado, mais de 450 milhões de crianças, uma a cada seis, viviam em zona de conflito, o número mais elevado em 20 anos. Um recorde de 36,5 milhões de crianças foram deslocadas de seus lares em consequência de conflitos, guerras, violência e outras crises”.

Para o Santo Padre, “uma criança abandonada é culpa nossa. Não podemos continuar permitindo que se sintam sozinhas e abandonadas; elas precisam receber uma educação e sentir o amor de uma família para saberem que Deus não as esquece.”

“Rezemos para que as crianças que sofrem, as crianças que vivem nas ruas, as vítimas da guerra e os órfãos, possam ter acesso à educação e possam redescobrir o afeto de uma família”, concluiu Francisco.

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Fonte: Vatican News

Foto: Pixabay