Paternidade à luz da fé: Reflexos do amor de Deus Pai

Paternidade à luz da fé:
Reflexos do amor de Deus Pai

“Ora, a fé é o fundamento das coisas que se esperam e a prova das coisas que não se veem.” (Hb 11,1)

Flavio Roberto Thewes e Luciane Inês Kolling* – A Sagrada Escritura está repleta de homens e pais cheios de fé, começando por Abraão. Mesmo com quase cem anos, “não vacilou por incredulidade diante da promessa de Deus, mas fortaleceu-se na fé, dando glória a Deus” (Rm 4,20). Pela sua confiança inabalável, tornou-se o pai do povo escolhido, conforme a promessa: “Eu te constituí pai de muitas nações” (Gn 17,5).

Outro grande exemplo é Davi. Sobre ele, a Escritura afirma: “Encontrei Davi, filho de Jessé, homem segundo o meu coração, que fará toda a minha vontade. Da descendência deste, conforme a promessa, Deus fez surgir para Israel um Salvador: Jesus” (At 13,22-23). Davi nos revela que Deus exalta os humildes e realiza grandes obras por meio daqueles que se colocam em suas mãos (cf. Lc 1,52). Mesmo quando caiu gravemente no pecado, o Senhor lhe manifestou sua infinita misericórdia, transformando sua história em instrumento do plano da salvação. Assim compreendemos que “todas as coisas concorrem para o bem daqueles que amam a Deus” (Rm 8,28).

Por fim, contemplamos São José, o modelo perfeito de pai segundo o coração de Deus. Sendo considerado Justo, conduziu a Sagrada Família no mundo terrestre (Mt 1, 19). Sem pronunciar uma única palavra registrada nos Evangelhos, ensinou pelo exemplo. Foi homem de fé, de silêncio, de trabalho e de obediência. Confiou plenamente na vontade de Deus, acolheu Maria, protegeu Jesus, sustentou sua família e cumpriu fielmente a missão que lhe foi confiada. Sua autoridade não se impunha pela força, mas pelo serviço e pelo amor.

E quanto a nós?

A vocação do pai cristão continua a mesma. Somos chamados a refletir, em nosso lar, a imagem do Pai do Céu. Isso exige uma fé viva, capaz de confiar em Deus mesmo diante das dificuldades, conduzir a família na oração, educar os filhos na verdade, amar a esposa com dedicação e servir com humildade. Somos chamados a ser “homens segundo o coração de Deus”.

Padre José Kentenich proclamou o ideal da paternidade como reflexo da paternidade de divina e reconhecia a importância fundamental da figura paterna para o desenvolvimento da relação filial do ser humano com o Pai celeste: “Não há nada maior e mais belo para um autêntico pai do que dizer: (…) eu me esforcei, pelas minhas ações e por meu procedimento, por imprimir em meu filho a imagem do pai, a imagem de Deus e, deste modo, meu filho tem agora um conceito verdadeiro, sadio de Deus. Nada mais belo posso dar a meu filho, para a sua vida, do que esta verdadeira imagem de pai.” (Abrigado em Deus Pai, 98)

O mundo não precisa apenas de pais presentes, mas de pais santos. Homens que, como Abraão, confiem nas promessas de Deus, como Davi, saibam levantar-se após suas quedas e como São José, façam da própria vida um testemunho silencioso de fidelidade.

Que, sob o olhar maternal da Mãe, Rainha e Vencedora Três Vezes Admirável de Schoenstatt e a intercessão de São José, todos os pais encontrem no Santuário a força e a sabedoria necessárias para guiar suas famílias com fé viva, esperança firme e amor incondicional, rumo ao coração do Eterno Pai.

 

Flavio e Luciane pertencem ao XXXV Curso da União de Famílias de Schoenstatt.

 Imagem da capa: sedrik2007/Vecteezy

Um pedido de casamento inesperado ao final do Encontro Internacional

Yonis Fernández – Yonis Fernández e Yris Taveras, da República Dominicana, caminham juntos pela vida há 13 anos, compartilhando alegrias, lutas e sonhos. Ao longo desse tempo, formaram uma família e criaram seus filhos com amor, mas também cultivaram uma vida espiritual sólida, encontrando na missão de Schoenstatt e em outras pastorais da Igreja um caminho de fé compartilhada. Aos 60 anos, sua história não é a de um início juvenil, mas a de um amor maduro que se renova constantemente sob o olhar maternal da Mãe de Deus.

No entanto, algo muito importante faltava na vida do casal.

A Mãe Peregrina os conduz ao sacramento do Matrimônio

Durante o Congresso Internacional da Campanha da Mãe Peregrina, em Santa Maria, Brasil, comemorando os 75 anos de peregrinação de João Pozzobon, Yonis ficou profundamente comovido. Enquanto ouvia as homilias e participava das oficinas, ele se perguntava em silêncio: “Mãe, por que a senhora nos trouxe até aqui?”. A resposta foi crescendo em seu coração como um sussurro divino, uma certeza que só poderia vir dela: eles não podiam continuar participando tão ativamente da vida da Igreja, orientando outros casais, sem ter recebido plenamente a graça sacramental do matrimônio.

Essa voz interior se converteu em um ato de fé e amor nesta segunda-feira, 15 de setembro. Ao chegar ao Santuário de Schoenstatt de Porto Alegre, depois do encerramento do Congresso, Yonis pegou Yris pela mão e, com lágrimas nos olhos, pediu-lhe em casamento pela Igreja. Isso aconteceu durante a Santa Missa, logo após a homilia. Não era apenas um pedido de casamento, era um sim renovado, uma entrega total nas mãos de Deus e de Maria, no lugar onde tantas graças brotaram para o mundo. Naquele instante, o humano e o divino se encontraram: seu amor, amadurecido em 13 anos de vida compartilhada, transformou-se em testemunho vivo do milagre da Mãe.

“Ao chegar, perguntei à minha esposa por que a Mãe havia nos trazido aqui, nesta peregrinação. Ouvindo as homilias e as oficinas,
continuei rezando e esperando a resposta de nossa Mãe. Hoje, ao chegar ao Santuário de Schoenstatt em Porto Alegre,
a Mãe me disse que eu não poderia continuar participando de todas as nossas atividades na nossa paróquia,
orientando um grupo de casais sem poder receber a comunhão.”

Ela disse “sim”

O que aconteceu ali não foi casualidade, mas Providência. Em meio a um jubileu histórico para o Movimento de Schoenstatt, enquanto delegações de 25 países se uniam em oração, a Mãe realizou um milagre silencioso, mas poderoso: inspirou um de seus filhos a selar seu amor com a graça sacramental e uma de suas filhas a responder com o mesmo sim de Maria. Esse pedido de casamento não foi apenas uma decisão pessoal, mas um sinal de esperança para todos os casais, um convite a confiar que o amor, quando colocado nas mãos de Deus, sempre encontra novos caminhos.

Hoje, Yonis e Yris não apenas celebram uma promessa, mas também se tornam testemunhas vivas de como a Mãe Peregrina continua agindo, unindo corações e renovando a fé. Sua história é um chamado a todos: abrir-se ao amor de Maria, deixar-se guiar por sua ternura e confiar que, mesmo depois de muitos anos juntos, Deus sempre tem um novo começo preparado.

Certamente o Venerável Diác. João Pozzobon, que levou o sacramento do Matrimônio a tantas famílias, se alegra ao ver que a Mãe segue realizando milagres.

A paternidade segundo o pensar do Padre José Kentenich

João Caetano e Maria Inês Faro – Para se entender o pensar do Pe. José Kentenich sobre a paternidade humana, precisamos mergulhar nos seus ensinamentos onde ele sempre apresentou essa paternidade como uma extensão ou reflexo da paternidade divina. Em outras palavras, o Pe. Kentenich ensinava que o pai terreno deve ser um transparente do Pai Celeste. Assim, o bom pai é aquele que encarna ser pai como uma missão e uma extensão a partir da paternidade do próprio Deus – que é o nosso Pai por excelência porque fonte e origem de toda vida.

Como é a paternidade de Deus? Qual é a correta imagem que devemos cultivar de Deus, para então termos um relacionamento correto com Ele? Se quero ser um bom pai para meus filhos, e desejo que meu amor seja reflexo do amor paternal de Deus para eles, então é importante que eu cultive uma imagem correta desse Deus que quero transparecer para os meus.

Comecemos pensando, então, em imagens falsas de Deus, que talvez estejam presentes em nossa vida por uma catequese deficiente, em muitos pontos talvez até mesmo deturpada.

Deus não é assim…

Uma imagem falsa de Deus é, por exemplo, quando nós o vemos como ditador, como – usando aqui uma imagem figurativa – um “inspetor de polícia” que somente se preocupa com o cumprimento minucioso das leis por Ele promulgadas, que fica feliz quando pode punir alguém por uma falta cometida…

Deus também não é um legislador que se compraz em criar normas e mais normas, para atormentar as pessoas que desejam ser fiéis cumpridores dos seus mandamentos…

Deus não é um juiz, preocupado em criar um exército de seguidores que não o servem por amor, mas sim por temor…

Deus também não é um pai “avozinho”, alguém que tem medo de impor exigências aos filhos, que se contenta se as pessoas o colocam num canto da sala, meio esquecido, sem incomodar…

Uma última imagem incorreta, que também podemos citar, é aquela onde Deus é um pai exageradamente humanizado, que não permite sofrimentos e dor ao filho ou o afasta do mistério da cruz.

O Pe. Kentenich, durante toda a sua vida, experimentou e pregou o amor ao Deus verdadeiro, ao Deus dos altares – basta ver como o Fundador valorizava a Eucaristia e demais sacramentos -, ao Deus das Sagradas Escrituras – recordemos as orações que ele compôs no Rumo do Céu –, mas, sobretudo, durante toda a sua vida, o Pe. Kentenich buscou e amou o Deus da vida e da história. É esse Deus que ele nos apresenta como modelo de verdadeira paternidade a ser seguido. E o próprio Pe. Kentenich viveu esse modelo na sua vida na medida em que foi se entendendo não somente como o fundador de uma grande Obra, mas como pai para muitos, a quem hoje chamamos de Pai e Fundador da grande Família de Schoenstatt no vasto mundo.

 

 

Que características tem esse pai que o Pe. Kentenich nos apresenta, imagem e transparência de Deus?

É um pai educador, um pai bondoso, mas também ciumento, e, sobretudo, um pai misericordioso. Um pai revelado nas escrituras como o que nos cria e vai formando através da história, como está escrito: “Contudo, Senhor, tu és o nosso Pai. Nós somos o barro, tu és o oleiro. Todos nós somos obra de tuas mãos” (Isaias 64, 8).

O Pe. Kentenich nos apresenta um ideal do homem a ser perseguido, ou seja, o barro deve ir sendo moldado pelas mãos do oleiro. De acordo com a sua natureza, o ideal do homem é ser “puer et pater”, ou seja, ser “filho e pai”. Ninguém pode ser pai se, antes, não aprendeu a ser filho. A paternidade terrena, inicialmente, é expressão da paternidade cuja origem é Deus. Depois, é um meio para gravar no filho a paternidade divina. Por último, é também uma contínua proteção da imagem do pai natural e do Pai Celestial para os filhos. O homem começa a ser pai quando aprende a educar-se a si mesmo. Ao iniciar esse processo de autoeducação, o homem se reconhece pequeno, filial, se coloca singelamente nas mãos de Deus. Por essa atitude vivencia o que Jesus ensinou: “Em verdade vos digo que, se não vos converterdes e não vos tornardes como as crianças, de modo algum entrareis no Reino dos Céus” (Mt 18, 3).

Buscando a vinculação com o Pe. Kentenich, lutemos por restaurar a figura de Deus como Pai em nossa vida, em nossa casa, na sociedade em geral e na Igreja. Seguindo os passos do Pai e Fundador, sejamos educadores educados, saibamos formar nossos filhos apontando-lhes elevados ideais e aprendamos a impor exigências sadias aos nossos filhos, com a firmeza necessária sempre misturada com ternura e misericórdia. O Pe. Kentenich ensinou, pela sua vida, que a educação é processo que exige amor, mas também liberdade, pois jamais se conseguirá educar verdadeiramente numa atmosfera dominada pelo medo.

Que nesse mundo confuso em que vivemos hoje, marcado por falsas imagens de Deus e por confusos conceitos de educação, possam os ensinamentos do Pe. José Kentenich ser uma luz para todos aquele que deseja educar de maneira correta e eficaz formando, em seus filhos e educandos, personalidades livres, fortes e com o coração no mais além.

 

* Contribuição do Instituto de Famílias de Schoenstatt

Foto: Cathopic.com

Fonte: schoenstatt.org.br

Família Pozzobon uma vida abençoada e normal

Foto: Ir. M. Nilza P. da Silva

Ir. M. Nilza P. da Silva – Quando falamos do Diácono João Luiz Pozzobon e sua santidade, corremos o risco de pensar que sua vida familiar tinha situações muito diferentes da nossa e não enfrentava os mesmos desafios que nós enfrentamos. No entanto, sua família, como a nossa, passou por desafios e lutas. Não era fácil ser esposo, pai, profissional e dedicar-se inteiramente à Campanha da Mãe Peregrina. Mas, a Aliança de Amor, as graças do Santuário sempre o fortaleceram. “Encontrei tudo no Santuário… anoiteço com as famílias e amanheço no Santuário”, diz Pozzobon.

Nair Pozzobon, filha mais velha do casamento com Sra. Vitória, abre um pouco a cortina de sua vida familiar. E começa contando-nos de sua mãe. Afinal, quem ainda não se perguntou: como vivia a Sra. Vitória?

Sra Vitória uma autêntica camponesa

Nair diz que sua mãe era uma autêntica camponesa. Quando casou-se com João Luiz Pozzobon, Vitória não sabia ler e escrever, era muito tímida. Aprendeu muitas coisas com seu esposo, foi alfabetizada por ele (que também estudou pouco) e o ajudava com alegria no armazém, sem deixar as tarefas de casa. Com isso, foi vencendo um pouco a timidez.

Assumia, ao lado do esposo, a educação dos sete filhos: “Uma ótima mãe! Boa educadora, educava igual ao pai. Dela eu ganhava uns “tapinhas” de vez em quando. Nós fomos educados pela mãe e pelo pai. Mas, a minha mãe era muito boa”, diz Nair. Quando chegava visita “ela não sabia o que fazer pra agradar”.

Nair se lembra: “Nunca vimos o pai e a mãe brigar. A mãe era uma pessoa simples e nos dizia que não tinha uma “ponta de unha” de briga com o pai.”

Segundo Nair, Vitória não participava assiduamente do Movimento de Schoenstatt, como o esposo, mas, “quando tinha as coisas principais, ela acompanhava também e nós íamos junto com ela”, completa a filha. Lembra que quando o pároco ia celebrar missa na comunidade em que moravam, a mãe se encarregava de preparar um bom café para ele, em sua casa.

Vida religiosa da família

Religião e vida cotidiana era uma coisa só nessa família. Todos aprenderam desde cedo a reza diária do terço e a oração da manhã. O exemplo dos pais arrastavam os filhos que iam juntos para a paróquia. “A gente sempre ia, não era assim que ia empurrado. Nossos pais souberam nos educar. A gente não dizia não. Todos iam, ninguém deixou nunca de ir”, explica Nair.

No período de dificuldades com os sacerdotes, por causa do exílio do Pe. Kentenich e os decretos de proibições nas dioceses, essa família singela passou muitas dificuldades. Recorda Nair: “Um dia, um padre bateu na mesa lá em nossa casa (dando socos), queria que acabasse com aquilo ali. O meu pai ficava muito triste e chorava. Era duro pra ele! Mas, nunca deixou de fazer seu apostolado”. A atitude dos pais de respeito aos sacerdotes influenciava a vida dos filhos, por isso, não havia revolta. Ela explica: “Eram dificuldades que a gente tinha que passar porque elas faziam parte. Tem que saber receber o tapa. Nunca deixamos de ir a missa por causa dessas coisas. Nosso pai nos educou assim e pronto”.

Com os parentes e vizinhos

Conviver bem com os vizinhos e parentes é mais uma virtude dessa família. Nair diz que não havia problemas de relacionamento com eles, inclusive com os inquilinos que tinham em um período. Nair conta que quando a madrasta de D. Vitória, que sempre foi considerada como mãe, ia visitar a enteada, o Sr Pozzobon “dava a cama dele para sogra dormir com a minha mãe. Ou quando a mãe dele vinha. A mãe dele vinha pouco, porque morava longe, mas a sogra moravam em Camobi e vinha sempre. Veja que minha avó materna nem era avó, porque minha mãe era enteada dela. Mas a gente sempre a considerou, e nunca teve aquela diferença. Na minha família também, a minha mãe era madrasta da Ely, filha mais velha de meu pai, mas, não tinha diferenças no tratamento dela com minha mãe. Acho que até tratava melhor a ela, porque ela era mais velha. Por exemplo, cada ano a gente ganhava um “cortezinho” de tecido para fazer roupa. A Ely ganhava o melhor, porque ela era a mais velha da família. Nós sempre nos damos bem”.

Havia também uma tia que morava com a família Pozzobon. Nair conta: “Tinha a minha tia que morou com a gente. Essa minha tia ficou sem a mãe com uns 15 meses de vida. Então, foi a minha mãe que praticamente a criou. Quando a minha mãe se casou, a tia chorou e queria ir com sua irmã Vitória. Meu pai a levou para nossa casa e ela ajudou em casa, até se casar. Ela se casou com uns 32 anos. Meu pai também ajudava em casa, à noite, quando fechava o comércio, minha mãe ia para a cozinha fazer o jantar. Então, o pai ficava brincando conosco para nos distrair e a mãe poder trabalhar”.

A filha do Pozzobon lembra ainda quando se casou, como o pai ia constantemente visitá-la e saber como ela e seu esposo estavam. Deu-lhe o apelido de rosa e seu esposo era o cravo. Quando Nair completou 45 anos de idade, o pai lhe escreveu uma carta, na qual ele narra detalhes de sua expectativa e alegria com o seu nascimento. Ela sabia que o pai a amava, pois, ele demonstrava isso. “As vezes, em ocasiões como nosso aniversário, o pai nos escrevia uma cartinha e pedia desculpas se não era um bom pai”. Visitar os pais com os filhos pequenos era uma festa: “A mãe não sabia o que fazer para alegrar a gente. Ela era muito amorosa com meus filhos e sempre achava que era cedo para a gente ir embora. As vezes, quando a gente se despedia, a mãe chorava e dizia para ficarmos ainda mais um pouco”.

Para concluir diz Nair: “Uma coisa que eu quero dizer, quando eu perdi o meu filho, tinha quase 19 anos quando morreu, se não fosse a educação espiritual que o pai nos deu, a dor ia ser bem maior. Mas, como a gente tem fé, aprendeu a receber tudo o que vem, ajudou muito. Meu pai gostava muito de mim!”

Fonte: schoenstatt.org.br

Ser filho para ser pai: Filho diante de Deus, pai diante do homens

 

Caio Camargo – “Vivemos em um tempo sem pai!”* Esta frase, dita por nosso Pai e Fundador há quase 70 anos, está, ainda, permeada de atualidade. O sentido da paternidade crista católica está justamente em tornar-se um transparente de Deus e da autoridade divina para o filho. Talvez, a maior consequência dessa carência paterna seja o crescente afastamento de Deus e uma humanidade vazia de sentido e da autoridade paterna.

Deus, como pai amoroso que é, concedeu ao homem a graça de ser pai e também de ser filho. A partir disto é possível, nesta caminhada terrena, viver uma primeira experiência do amor de Deus por nós, que é infinitamente grande, bondoso, misericordioso, providente, tal qual são os pais para os filhos.

É próprio de um pai ter um coração permeado do ímpeto de proteger seu filho, ser seu guia, transmitir segurança, firmeza, direção, sentido e intensidade para seu caminhar.

Tudo isso foi o próprio bom Deus que semeou no coração do homem. Assim, o homem torna-se um instrumento e colaborador de Deus para uma nova vida. E, como filho, diante do pai, é possível experimentar uma amostra, ainda que pequena, do que é o amor de Deus Pai por nós.

 

 

Tanto mais é o amor de Deus por nós

Um pai deve ser o exemplo, a energia e apontar a medida das coisas para seu filho. O pai tem naturalmente suas preocupações com o sustento, com o crescimento e com o futuro do filho. O pai sempre quer deixar um legado, uma herança, uma mensagem para seus filhos. O pai quer sempre ver o filho grande, forte e feliz.

Toda essa força e profundidade está na paternidade no plano terreno. Tanto mais é o amor de Deus pai por nós que é por excelência a máxima paternidade elevada à perfeição.

É verdade que em muitas circunstâncias de nossa história podem ter manchado ou denegrido a imagem de um pai. Ou ainda, a experiência vivida do ser pai ou do ser filho necessitem ser curadas e superadas. Neste sentido, a espiritualidade oferece ferramentas concretas para nos aproximarmos de Deus como um pai e também buscarmos, no Espírito Santo, a cura de tais marcas em nossa vida.

É preciso ter os olhos fixos na realidade que: Deus nos quis, nos desejou e nos fez mesmo antes deste mundo. Por isso, a nossa história de vida, com todos os acontecimentos que tiveram, sejam bons ou ruins, é uma história sagrada para a qual fomos chamados.

Este chamado é algo muito forte e poderoso em nossa alma. Este chamado não é feito de qualquer forma, mas pelo nosso nome. Nisso também está o grande anseio e missão de um pai. Dar um nome ao filho, revesti-lo de dignidade e nobreza, apresentar-lhe sua origem, suas raízes e conduzi-lo a honrar sua história sagrada como atitudes de um filho de Deus.

 

* Pe. José Kentenich, Família Serviço à Vida, p.29, vol.1 2ª edição. Palestra: A inquietação pela perda do pai exige um repensar, 18/01/1953.

Fonte: schoenstatt.org.br

Schoenstatt na 1ª Romaria das Famílias em Santa Maria

Ana Paula Dal Pozzolo – A  Arquidiocese de Santa Maria está organizando a primeira Romaria das Famílias, programada para acontecer dia 12 de outubro de 2022 no Parque da Medianeira, junto ao Santuário Basílica Nossa Senhora Medianeira de Todas as Graças. A iniciativa visa “congregar e valorizar as famílias de nossa comunidade em um dia de oração” e a família de Schoenstatt se fará presente neste momento, vivendo a Aliança de Amor na arquidiocese.

A Liga de Famílias, assim como os demais ramos do Movimento de Schoenstatt, já está organizada, reunindo as famílias para este dia de integração e espiritualidade. Isto desde o lançamento da ideia, concretizando a proposta, ajudando a preparar as atividades e na divulgação. Especialmente os schoenstattianos da paróquia da Basílica da Medianeira estão muito empenhados na realização do evento.

As atividades propostas iniciam às 9 horas e incluem momentos de espiritualidade como a Missa de Abertura, às 10 horas na Basílica da Medianeira e a Consagração das crianças à Nossa Senhora, às 15h30. O término está programado para as 16 horas.

Também ocorrerão momentos de convivência como o piquenique e inúmeras atividades de descontração e entretenimento como passeios a cavalo, pescaria entre outras brincadeiras ao ar livre para serem realizadas entre pais e filhos. Esta Romaria terá tendas temáticas que oferecerão formações e orientações sobre virtudes e painéis com a vida de vários santos.

Padre Kentenich afirmava que existia uma “missão divina” dos leigos fundamentada nos sacramentos do batismo e da confirmação. Ele continuava afirmando que esta missão está dada por Deus. ¹

Esta é uma excelente oportunidade para assumirmos nossa missão apostólica e caminharmos junto à comunidade, contribuindo e participando como fiéis a Deus. Esta oportunidade de vivência religiosa e familiar comunitária deve ser vivida com entregafilial. Participemos!

 

Maiores informações pelos links Romaria das Famílias (arquism.com)   https://www.arquism.com/post/romaria-das-famílias

 

 

¹ Padre Kentenich: Sua Missão, nossa missão; Mons. Peter Wolf – Instituto Secular dos Sacerdotes Diocesanos de Schoenstatt

São José, pai e esposo, na Sagrada Família

Ir. M. Nilza P. da Silva – Iniciamos, hoje, com a Igreja do Brasil, a Semana da Família. Toda família católica se inspira na Sagrada Família de Nazaré. “É na Sagrada Família, nesta originária “Igreja doméstica”, que todas as famílias devem espelhar-se… ela constitui, o protótipo e o exemplo de todas as famílias cristãs. São José foi chamado por Deus para servir diretamente a Pessoa e a missão de Jesus.” São João Paulo II[1]

Um pecador conduz dois santos

Ao meditar sobre a Sagrada Família, é importante sermos bem realistas, pois é na realidade que Deus nos abraça. Olhemos para José, o esposo e pai, incumbido por Deus de conduzir Maria e Jesus. Quanta humildade nesse lar: Jesus é Deus, o perfeito, a suma sabedoria e plenitude do amor. Maria é a plena de graças, Imaculada desde a sua concepção, que jamais cometeu pecado algum. O único que comete erros e pecado, nessa comunidade é o líder: José, esposo e pai. J

Um lar pleno de amor e de humildade

Quão grande é a humildade na Família Sagrada, pois o que estava acima de todos “era-lhes obediente.” (Lc 2, 51) Após a anunciação, nunca mais o anjo aparecera a Maria, mas, a São José e ela confiava em seu esposo, por ex. na ida para Belém, na fuga para o Egito, no retorno para Israel etc.

José, o homem pecador, santifica-se servindo a família, e assume a paternidade de Jesus em tal plenitude que, quando Jesus começa a pregar, seus conterrâneos o identificam como seu legítimo filho: “Não é este o filho do carpinteiro?” (Mt 13, 55)

Uma família que protege o pai

Impressiona sempre que, apesar de José ter cometido erros, na condução de sua família, não encontramos nada sobre isso na Sagrada Escritura. Cada vez que se refere a José, Maria o faz para mostrar a ação de Deus por meio de seu esposo.

Nosso Pai e Fundador, Pe. Kentenich diz que “Jesus e a Mãe de Deus, selaram uma Aliança com São José e ele selou uma Aliança com as duas pessoas santas. Eles são conduzidos um ao outro, numa comunidade de família sumamente terna e profunda.”[2]

Podemos dizer que a Igreja toda também selou uma aliança com São José, pois, no decorrer da história da Igreja, em que se falou e se escreveu tanto sobre ele, não há uma linha que aponta seus defeitos e pecados e ninguém diz que isso é errado, embora todos saibam que isso tenha acontecido em sua história de vida. Quem ama confia e não aponta as falhas em público. Quando necessário o faz com respeito e em ambiente privado.

O amor acima de tudo

O motivo é também porque a Sagrada Família é uma família autêntica e numa verdadeira família, como diz São Pedro, “o amor cobre a multidão dos pecados” (I Pedro 4,8). Como diz o Papa Francisco, nessa família, cada um “abraça a sua tarefa, o seu papel… sem julgar, sem falar mal.”[3]

Que a Sagrada Família interceda por nossa Família. Jesus e Maria nos ensinem a amar sem acusar e São José nos ensine a colocar a missão dada por Deus acima de tudo e termos coragem de dar de nossa pequenez para o bem da Família.

[1] Redemptoris Custos,7

[2] Cfr. Pe. José Kentenich, homilia para a Liga das Mães, em 19.3.1966

[3] https://www.vaticannews.va/pt/papa-francisco/missa-santa-marta/2018-12/papa-francisco-missa-santa-marta-sao-jose.html

Fonte: schoenstatt.org.br

Começa hoje o X Encontro Mundial das Famílias em Roma

“Amor em família: vocação e caminho de santidade”

Este é o lema do X Encontro Mundial das Família, com o Papa, que começa hoje, dia 22 de junho, às 13 horas no fuso horário do Brasil e vai até o dia 26, no domingo, encerrando com a audiência do Papa, na Praça São Pedro. O local do Encontro é Roma.

Foram convidados cerca de dois mil delegados de 120 países, escolhidos pelas Conferências Episcopais, pelos Sínodos das Igrejas Orientais e pelas realidades eclesiais internacionais que trabalham de maneira significativa no âmbito da pastoral familiar.

O site do Encontro Mundial tem todas as informações – https://www.romefamily2022.com/pt/

Aqui você pode ver a programação, mas, lembre que o fuso horário brasileiro está 5 horas antes do que consta nesse programa:

O Festival, a Missa do sábado 25 de junho (12h15, hora Brasil) e o Angelus do domingo 26 no encerramento do Encontro com o mandato às famílias serão transmitidos para todo o mundo, pelo canal de YouTube do Vaticano

Todos os países e dioceses foram convidados a fazer também programações para as famílias nesses dias. Em Santa Maria, acontecerá hoje (22) uma Santa Missa às 18h no Santuário Basílica Nossa Senhora da Medianeira presidida pelos 5 bispos da Província Eclesiástica de Santa Maria. Após a Missa, haverá um lanche partilhado entre as famílias e palestra do Padre Edson Pereira, referencial da Pastoral Familiar da Região Sul 3.

Con informações de: schoenstatt.org.br

Papa: amor familiar é caminho para a santidade!

Bianca Fraccalvieri – Antes de se despedir dos fiéis na Praça São Pedro (neste domingo), o pensamento do Papa foi para as famílias, que se preparam para participar a partir de quarta-feira do seu X Encontro Mundial.

O evento será realizado em Roma e contemporaneamente em todo o mundo, por isso Francisco agradece aos bispos, párocos e agentes da pastoral familiar que convocaram as famílias para momentos de reflexão, celebração e festa.

“Agradeço sobretudo aos esposos e às famílias que darão testemunho do amor familiar como vocação e caminho de santidade. Bom encontro!”

Em Roma, o eventoserá realizado em duas modalidades paralelas: o Festival das Famílias e o Congresso Teológico-Pastoral, ambos na Sala Paulo VI.

Do Brasil, serão cerca de 30 participantes. Dois casais farão palestras: André e Karina Parreira, na quinta-feira, que falarão sobre “amor em família: maravilhoso e frágil”. E na sexta, Fabíola Goulart e Gustavo Huguenin falarão sobre “mídias sociais como ambiente para nossos filhos”.

A missa com o Papa Francisco está programada para a tarde de sábado, na Praça São Pedro, a partir das 17h15 hora local, 12h15 no horário de Brasília. O evento será transmitido ao vivo (pelocanal do Vatican News), com comentários em português.

Fotos: cathopic.com

Fonte: Vatican News

Papa: rezemos pelas famílias para que vivam o amor com gestos concretos

O vídeo do Papa para o mês de junho foi divulgado nesta quinta-feira (2) com a intenção de oração que Francisco confia à Igreja. O Pontífice reza “pelas famílias cristãs de todo o mundo para que, com gestos concretos, vivam a gratuidade do amor e a santidade na vida quotidiana”.

Entre outros, diz o Papa:

“A família é o lugar onde aprendemos a viver juntos, a conviver com os mais novos e os mais velhos. E, ao estarmos unidos, jovens, idosos, adultos, crianças, ao estarmos unidos nas diferenças, evangelizamos com o nosso exemplo de vida.”

“É claro que não existe a família perfeita. Há sempre um ‘mas’. Mas tudo bem. Não devemos ter medo dos erros; devemos aprender com eles para podermos avançar. Não esqueçamos que Deus está conosco: na família, no bairro, na cidade onde vivemos, Ele está conosco. E Ele se preocupa conosco, está sempre conosco no vaivém do barco agitado pelo mar: quando discutimos, quando sofremos, quando estamos felizes, o Senhor está lá, nos acompanha, ajuda, corrige.”

“O amor na família é um caminho pessoal de santidade para cada um de nós. Foi por isso que o escolhi como tema para o Encontro Mundial das Famílias deste mês. Rezemos pelas famílias cristãs de todo o mundo, por cada uma e por todas as famílias para que, com gestos concretos, vivam a gratuidade do amor e a santidade na vida quotidiana.”

[vc_video link=”https://youtu.be/FThC4cV8ZXA” align=”center”]

Fonte: Vatican News