Paternidade à luz da fé:
Reflexos do amor de Deus Pai
“Ora, a fé é o fundamento das coisas que se esperam e a prova das coisas que não se veem.” (Hb 11,1)
Flavio Roberto Thewes e Luciane Inês Kolling* – A Sagrada Escritura está repleta de homens e pais cheios de fé, começando por Abraão. Mesmo com quase cem anos, “não vacilou por incredulidade diante da promessa de Deus, mas fortaleceu-se na fé, dando glória a Deus” (Rm 4,20). Pela sua confiança inabalável, tornou-se o pai do povo escolhido, conforme a promessa: “Eu te constituí pai de muitas nações” (Gn 17,5).
Outro grande exemplo é Davi. Sobre ele, a Escritura afirma: “Encontrei Davi, filho de Jessé, homem segundo o meu coração, que fará toda a minha vontade. Da descendência deste, conforme a promessa, Deus fez surgir para Israel um Salvador: Jesus” (At 13,22-23). Davi nos revela que Deus exalta os humildes e realiza grandes obras por meio daqueles que se colocam em suas mãos (cf. Lc 1,52). Mesmo quando caiu gravemente no pecado, o Senhor lhe manifestou sua infinita misericórdia, transformando sua história em instrumento do plano da salvação. Assim compreendemos que “todas as coisas concorrem para o bem daqueles que amam a Deus” (Rm 8,28).
Por fim, contemplamos São José, o modelo perfeito de pai segundo o coração de Deus. Sendo considerado Justo, conduziu a Sagrada Família no mundo terrestre (Mt 1, 19). Sem pronunciar uma única palavra registrada nos Evangelhos, ensinou pelo exemplo. Foi homem de fé, de silêncio, de trabalho e de obediência. Confiou plenamente na vontade de Deus, acolheu Maria, protegeu Jesus, sustentou sua família e cumpriu fielmente a missão que lhe foi confiada. Sua autoridade não se impunha pela força, mas pelo serviço e pelo amor.
E quanto a nós?
A vocação do pai cristão continua a mesma. Somos chamados a refletir, em nosso lar, a imagem do Pai do Céu. Isso exige uma fé viva, capaz de confiar em Deus mesmo diante das dificuldades, conduzir a família na oração, educar os filhos na verdade, amar a esposa com dedicação e servir com humildade. Somos chamados a ser “homens segundo o coração de Deus”.

Padre José Kentenich proclamou o ideal da paternidade como reflexo da paternidade de divina e reconhecia a importância fundamental da figura paterna para o desenvolvimento da relação filial do ser humano com o Pai celeste: “Não há nada maior e mais belo para um autêntico pai do que dizer: (…) eu me esforcei, pelas minhas ações e por meu procedimento, por imprimir em meu filho a imagem do pai, a imagem de Deus e, deste modo, meu filho tem agora um conceito verdadeiro, sadio de Deus. Nada mais belo posso dar a meu filho, para a sua vida, do que esta verdadeira imagem de pai.” (Abrigado em Deus Pai, 98)
O mundo não precisa apenas de pais presentes, mas de pais santos. Homens que, como Abraão, confiem nas promessas de Deus, como Davi, saibam levantar-se após suas quedas e como São José, façam da própria vida um testemunho silencioso de fidelidade.
Que, sob o olhar maternal da Mãe, Rainha e Vencedora Três Vezes Admirável de Schoenstatt e a intercessão de São José, todos os pais encontrem no Santuário a força e a sabedoria necessárias para guiar suas famílias com fé viva, esperança firme e amor incondicional, rumo ao coração do Eterno Pai.
Flavio e Luciane pertencem ao XXXV Curso da União de Famílias de Schoenstatt.
Imagem da capa: sedrik2007/Vecteezy















