Nasce o site internacional de Schoenstatt

Karen Bueno / Ir. M. Nilza P. da Silva – Neste Dia Mundial das Comunicações Sociais, 24 de maio de 2020, o Movimento Apostólico de Schoenstatt apresenta ao mundo seu site internacional e oficial. Acesse: schoenstatt.com

O lançamento acontece durante o Concerto Internacional em Schoenstatt, que transmite a gravação e interação com músicos de mais de 30 países. O site é lançado, nesta primeira etapa, em inglês e espanhol, mas em breve será exibido também em português e alemão.

Em nome da Presidência Geral, o Conselho de Comunicação é responsável pelo site e composto por: Pe. Raul Espina, dos Padres de Schoenstatt; Rafael e Cristina Munhoz, do Instituto de Famílias de Schoenstatt; Birgit Winter, do Instituto Nossa Senhora de Schoenstatt; Miguel Ramos, consultor externo; Pe. Heinrich Walter e Ir. M. Cacilda Becker, da Coordenação Internacional do Movimento.

“Este Conselho tem a tarefa de pensar a comunicação oficial como um todo. Ele se reúne a cada seis semanas, em Schoenstatt, por dois dias. Desde que começaram as restrições de reuniões e viagens, pelo coronavírus, nos reunimos online”, explica a Ir. M. Cacilda.

No dia a dia da Secretaria de Comunicação, também trabalha Carolin Strohbhen, uma jornalista e teóloga contratada como diretora de Projetos para a Comunicação.

 

 

Resposta ao tempo atual

“O site é o rosto visível da comunicação. Ele mostra praticamente o resultado de todos os esforços feitos no sentido da comunicação, por exemplo: a revista online (Schoenstatt News), o relatório anual, ele direciona para as rede sociais…” Segundo a Ir. M. Cacilda, o lançamento do site em português está previsto para o dia 30 de maio.

Para formular um modelo de comunicação schoenstattiana atual e eficaz, “com a mão no pulso do tempo”, a Coordenação Internacional pesquisou os modelos utilizados por outros carismas, assim como o modelo de comunicação utilizado pelo Vaticano, desse modo, aplica diferentes experiências comprovadas e o resultado você pode ver visitando o site oficial. “Este site quer ser dinâmico, quer sempre ter novos conteúdos e ofertas, também nas partes fixas do site, pois vemos uma vantagem muito grande em poder oferecer material de qualidade e unificado, especialmente aos países onde Schoenstatt está começando e não têm assessores disponíveis para o atendimento da vida que cresce nesses países, muitas vezes totalmente sozinhos, buscando em todo lugar o conteúdo que precisam para sua formação”, diz a Coordenação Internacional.

Outra característica do site é estar em estreita relação com as redes sociais, oferecendo ainda a possibilidade de download de vídeos e podcasts, que podem ser utilizados em momentos de encontro e formação nos diversos países.

 

O Conselho de Comunicação reúne-se a cada seis semanas

 

A atualização em nossas mãos

Cada país tem uma pessoa responsável para encaminhar notícias, assim, o site é um trabalho de todos nós e representa a vida que a Aliança de Amor desperta nos cinco continentes. Dá, desse modo, continuidade à primeira mídia oficial do Movimento, a Revista MTA, lançada em 1916: Aproxima os membros da grande Família de Schoenstatt, partilha histórias e fortalece o vínculo entre os irmãos e a estreita unidade com a MTA, o Fundador e o Santuário Original.

Tudo isso, sem tirar as forças das mídias locais e nacionais. A Ir. M. Cacilda explica que no site internacional haverá, por exemplo, “conteúdos que sejam de interesse nacional, em primeiro lugar, e depois de interesse internacional, como exemplo, o Ano João Pozzobon no Brasil, a Jornada Mundial da Juventude em Portugal, etc.”

Um site credível que tem a vida de todos nós. Cada país tem um correspondente responsável em fazer chegar essa vida na Secretaria de Comunicação em Schoenstatt. “Esses correspondentes são nomeados pelo diretor do Movimento ou o responsável no país, com a confirmação da Coordenação Internacional. Isso para garantir a linha oficial da comunicação internacional”, explica Ir. M. Cacilda.

A Assessoria Nacional de Comunicação assume essa responsabilidade pelo Brasil. Se desejar enviar sugestões, use o e-mail: schoenstatt.brasil@gmail.com

Schoenstatt cada vez mais presente

Pe. José Kentenich não vivenciou a era digital, mas certamente seria um entusiasta por todos os instrumentos capazes de vincular e inspirar o Movimento. “Nossa tarefa é anunciar ao mundo a mensagem de Schoenstatt, levar a MTA ao povo”, dizia ele [1].

Com o olhar ao futuro, que a Providência direciona, Schoenstatt se faz presente no ambiente digital agora de maneira oficial. Conheça este novo espaço, participe, interaja, compartilhe, viva Schoenstatt em rede, uma rede de Aliança e de corações!

 

OBS: O concerto foi interrompido por problemas técnicos, mas voltará a ser exibido em breve

 

[1] Pe. Kentenich, 05.05.1947 – Santa Cruz do Sul/RS.

Último dia: O nome da sua mãe no Santuário Original

 

No próximo domingo, 10 de maio de 2020, a Santa Missa no Santuário Original de Schoenstatt será celebrada especialmente na intenção das mães.

E, para homenageá-las e presenteá-las com carinho e gratidão, você pode enviar o nome de todas as mães que gostaria de colocar diante do altar, sob o olhar da Mãe Três Vezes Admirável de Schoenstatt.

A celebração, em língua portuguesa, será presidida pelo Pe. Antonio Bracht às 10h30min, com transmissão ao vivo.

Clique aqui para participar pelo Facebook ou aqui pela Webcam

Você pode registrar aqui, de forma rápida, o nome das mães vivas e falecidas, preenchendo o formulário abaixo:

(prazo de envio – 9 de maio, sábado, às 9h)

Missa especial: O nome da sua mãe no Santuário Original

 

No próximo domingo, 10 de maio de 2020, a Santa Missa no Santuário Original de Schoenstatt será celebrada especialmente na intenção das mães.

E, para homenageá-las e presenteá-las com carinho e gratidão, você pode enviar o nome de todas as mães que gostaria de colocar diante do altar, sob o olhar da Mãe Três Vezes Admirável de Schoenstatt.

A celebração, em língua portuguesa, será presidida pelo Pe. Antonio Bracht às 10h30min, com transmissão ao vivo.

Clique aqui para participar pelo Facebook ou aqui pela Webcam

Você pode registrar aqui, de forma rápida, o nome das mães vivas e falecidas, preenchendo o formulário abaixo:

(prazo de envio – 9 de maio, sábado, às 9h)

A (IR)Racionalidade do Aborto

Guilherme e Ana Paula Paiva – Muito nos cobram a respeito de argumentos “realmente racionais” a respeito do aborto, motivos pelos quais podemos ser contra essa prática sem recorrer à religião, ao pecado ou inferno. Nossa intenção é trazer alguns elementos para a reflexão, como diz nosso Papa Francisco, em que o tema do aborto é primeiramente um problema ético e não apenas religioso.

O cientista José Roberto Goldim, doutor em Medicina, explicita diversas teorias médicas a respeito do início da vida, todas elas com metodologias de pesquisa e aplicações próprias, adeptas e críticas. Vamos conferi-las?

• 1ª teoria: a vida começa com a fertilização do óvulo pelo espermatozoide, ação que demora de 12 a 24 horas;

• 2ª teoria: a vida se inicia com cerca de três semanas de gestação, quando o embrião já não pode mais dividir suas células (e se tornar gêmeos, por exemplo). Ele dá origem a um conjunto genético único que assume o controle de seu desenvolvimento;

• 3ª teoria: Há cientistas que entendem que a vida iniciaria por volta da oitava semana de gestação, quando o cérebro está começando a se formar. Existem divergências quanto ao marco, pois sabe-se que na quinta semana criam-se os primeiros neurônios, na sexta ocorrem as primeiras sinapses (comunicação entre as células nervosas) e na sétima, os primeiros reflexos. O ponto central dessa corrente é pensar que, se a determinação da morte se dá com o fim das funções cerebrais (morte cerebral e o coração pulsando), o início da vida seguiria o mesmo raciocínio;

• 4ª teoria: Para outros cientistas, a vida apenas começaria com a possibilidade real de sobrevivência fora do corpo da mãe. Por isso, apenas por volta das 24 semanas, com os pulmões plenamente formados, seria possível afirmar que o feto está vivo;

• 5ª teoria: Ainda existe uma parcela médica que acredita na vida do feto apenas quando ele inicia sua relação com os sentidos (dor, por exemplo), o que ocorre por volta das 28 semanas.

E na filosofia?

Como podem ver, não há qualquer consenso médico e científico a respeito do início da vida. As diferenças são tão gritantes que vão desde seu surgimento nas primeiras horas após a fecundação até a formação total dos pulmões, com quase seis meses de gravidez.

De outro modo, a filosofia também se encontra dissidente a esse respeito. Platão, por exemplo, dizia que a alma (e por isso a vida) apenas se fundia ao corpo no nascimento. Para ele, todas as mulheres que engravidassem após os 40 anos (considerando que os pais deveriam fornecer filhos ao Estado por um período determinado) deveriam obrigatoriamente passar por um aborto.

Aristóteles, em contrapartida, pensava que o feto possuía vida e que essa seria marcada pelo seu primeiro movimento dentro do útero, por volta dos 40 dias se fosse homem e dos 90 dias se fosse mulher. Lembrando que Aristóteles acreditava que as mulheres eram intelectual e fisicamente inferiores, por isso negava a possibilidade de aborto até 40 dias, sob risco de se abortar um homem.

Os filósofos para além da Antiguidade também discutiam o tema. Para diversos deles, como Kant, o início da vida se dá com a possibilidade de autonomia e autodeterminação do feto em relação à mãe, o que também possui marcos bastante distintos.

Alguns argumentam ainda que o início da vida não é tão importante. Importante mesmo seria o início da vida com dignidade e possibilidade concreta de raciocínio – elementos que dizem pertencer à autodeterminação e nos diferenciariam como espécie. Para esses teóricos, a vida é viabilidade.

Foi justamente a suposta capacidade de raciocínio que levou a extremos absurdos, como a teoria de que afrodescendentes não teriam o mesmo raciocínio que brancos europeus, por isso não seriam pessoas e poderiam ser comercializados.

Portanto, até agora percebemos que não há consenso científico, médico ou filosófico a respeito do tema.

E na religião, há consenso? Não.

O cristianismo, a partir do Papa Pio IX, acredita que a vida se inicia com a concepção, ou seja, que a infusão da alma (a vida) se dá nas horas posteriores à fecundação. O judaísmo prega que a alma adentra o corpo apenas com 40 dias de gestação. Já o islamismo crê que não há vida em até 120 dias, quase quatro meses de gestação. O budismo admite que a vida é um processo contínuo, sem início e fim, por isso não se manifesta, ou apenas poucas de suas correntes o fazem, sobre a permissibilidade do aborto. Por fim, algumas tribos indígenas matam crianças gêmeas por entenderem que a alma é única e ao ser dividida em dois corpos, causa sofrimento e é mal presságio para toda a tribo.

E o que a humanidade faz, quase sempre, quando não há consenso científico ou médico a respeito de algo, como o uso de transgênicos, fast food, efeitos colaterais de remédios ou radiação, citando pouquíssimos exemplos? Retrocede, desestimula o uso, ou, em último caso, informa a todos os envolvidos dos riscos inerentes e desconhecidos das fases do processo de utilização.

Não endossamos discursos permissivos. Não nos utilizamos da compensação de valores para afirmar pontos obscuros da ciência. Como regra, somos conservadores – o que é bom, porque a própria sobrevivência da espécie, em alguns casos, impele a essa passividade consciente.

Há diversos argumentos racionais favoráveis ao aborto. Racionais sim, mas não necessariamente aceitáveis. Os mais populares (há outros) dizem respeito ao número de mulheres, principalmente pobres, que morrem todos os dias com a prática de aborto longe dos centros médicos.

Outro argumento diz respeito à autonomia (vontade) individual da mulher – que sempre tão duramente oprimida pela sociedade machista precisa se empoderar de seu próprio corpo. Para este, a descriminalização do aborto não tornaria a prática obrigatória, mas apenas extinguiria a punição penal para mulheres que, livremente e utilizando-se de serviços médicos, decidissem pela interrupção da gravidez. Não há lógica, dizem, em impor a todas as mulheres uma concepção religiosa isolada, já que o Estado é laico.

E qual o problema ético – não o religioso – disso?

O problema ético é não saber. É desconhecer, absoluta e completamente, o marco essencial do início da vida do ponto de vista científico. Por que vida não é simplesmente um conceito médico e não pode ser unicamente considerada do ponto de vista da ciência. Se fosse, a questão já estaria resolvida, certamente teriam os cientistas chegado a um consenso minimamente padrão.

Mas vida é denominação polissêmica, com variados sentidos, carga simbólica e sociológica diferente em cada comunidade e época, com reflexões espirituais ou emocionais que estão culturalmente presentes e são indissociáveis das reflexões. É tema de fascínio filosófico e médico desde a Antiguidade, e não há qualquer vislumbre de término das discussões a esse respeito.

Desconhecer o início da vida não nos impõe limites para seu respeito. Não impor limites a ação humana no que concerne a vida do outro é, no mínimo, muito questionável e uma prática que jamais deveria ser eticamente estimulada.

Por outro lado, problemas de política pública de saúde (morte de mulheres – o que é de fato uma realidade, ainda que os números reais sejam inferiores aos publicados pelos movimentos abortistas), não deveriam ser priorizados ante uma decisão ética que, como vimos, não é consensual.

Há diversos problemas de política pública – os índices de criminalidade são exemplos claros – que não são resolvidos com o endurecimento de penas ou, ao contrário, com descriminalizações. Não havendo qualquer razão racional que se faça coerente com a ideia de que sequer sabemos ao certo, medicamente, quando a vida começa, não podemos resolver a morte de mulheres permitindo a morte de crianças.

Também não parece racional a ideia de que a autonomia individual da mulher deve ser supervalorizada nesses casos. Certo é que a mulher é duramente oprimida há séculos e que deve se empoderar de sua essência e de seus direitos – embora, isso não signifique se igualar em tudo ao homem. Mas a questão da autonomia é clara: durante uma gestação sem marco científico de início da vida, essa vida não é mais individual, pois não há mais apenas um decidindo. E quem decidirá livremente pelo feto que ainda não pode ser ouvido? Onde estará sua autonomia?

Nossa posição católica não é irracional. Não é incoerente e não devemos nos permitir ser intimidados com argumentos “racionais” ante nossos argumentos “meramente religiosos”. Antes de tudo, nossa posição é extremamente ética, pela segurança e continuidade da vida em todas as suas dimensões e fases de desenvolvimento.

Até porque consideramos, eticamente, que um embrião de quatro semanas é vida, o fazemos porque é vida em desenvolvimento, que com 39 semanas ainda será vida em outro estágio de desenvolvimento. É sempre vida, vida que cresce em seu próprio ritmo – seja lá o que se entenda médica ou cientificamente. Nós sabemos o que é vida e o que ela representa para nós. E por isso dizemos não a toda descriminalização de práticas que levam à morte de, como nós, filhos amados de Deus.

Fonte: Revista Tabor, edição 93.

Publicado em: schoenstatt.org.br

Ele venceu e nós também venceremos!

Romulo Romanato – Neste dia 6 de abril, celebramos 75 anos da libertação do Padre José Kentenich, nosso Pai e Fundador, do Campo de Concentração de Dachau. Essa data é um convite de Deus, para refletirmos sobre a atuação do Fundador ali.

Essa é uma bela oportunidade para refletirmos sobre o que ele viveu e o momento que estamos vivendo. Verás que ele foi vencedor e seremos nós também, na força da Aliança de Amor!

Logo ao chegar no Campo de Concentração em Dachau, nosso Pai e Fundador, Padre José Kentenich foi conduzido, em fila, a um lugar, onde os dados pessoais do prisioneiro eram registrados. Ali, o prisioneiro sentava-se em uma cadeira, era fotografado e registrava-se. Ao final, simplesmente para não pronunciar a palavra “seguinte”, o guarda apertava um botão que acionava uma agulha, que saltava do assento da cadeira e feria o prisioneiro. A reação de todos os prisioneiros era que, imediatamente, davam um salto, pois além do susto, tinha a dor.

Quando chegou a vez do Padre Kentenich e foi acionado esse botão, mesmo sendo machucado, ele permaneceu sentado e aparentemente tranquilo, obrigando o guarda, muito admirado, a dizer-lhe que podia prosseguir. Essa era apenas o início da vivência de um Santo, no Campo de Concentração de Dachau.

“Nunca vi uma pessoa tão tranquila”

Ele foi conduzido, inicialmente, ao pavilhão 13, o pior de todos. A tática dos nazistas era simples: quebrar toda consciência moral dos prisioneiros, tirando-lhes a dignidade. Assim se esqueceriam de quem eram, de suas personalidades, e dominados pelo medo, dos castigos e sofrimentos ou da morte, seguiriam apenas e de modo desordenado os instintos humanos.

Nessa situação, testemunha o Reitor Heinz Dresbach que “nunca tinha visto uma pessoa tão tranquila como o Padre Kentenich. Os presos novos tinham muito medo e ele podia tranquiliza-los. Ensinou-lhes como podiam se comportar, para que não tivessem problemas com os responsáveis”. (Escritos de Dachau). Padre Kentenich sentia muita alegria, quando podia partilhar as partículas consagradas que recebia, clandestinamente, dos outros sacerdotes. Ficou cinco meses nesse pavilhão e, na sequência, foi transferido para os pavilhões 13 e 24, chegando finalmente, no pavilhão 26, onde ficou a maior parte do tempo em Dachau.

Tornar o pavilhão 26 um Farol

O pavilhão 26 abrigava os sacerdotes, principalmente os alemães. Padre Kentenich os encontrou moralmente abalados, vivendo pelo instinto do medo, da fome, da sobrevivência. A moral e a personalidade da maioria daqueles Sacerdotes, praticamente, estavam comprometidos, pois não pensavam e nem agiam como personalidades. Mas, a força mental do Padre Kentenich era tamanha, que absolutamente nada o fazia temer, nada o fazia vacilar, tampouco reclamar, pois tinha a confiança absoluta na proteção da Mãe Três vezes Admirável e a Fé pratica na Divina Providência. Ele sabia que o bom Deus falava, com ele, por meio dos acontecimentos.

Sua missão era objetiva: transformar cada pavilhão, por onde passava, num Farol de Luz, no meio das trevas daquele Campo de Concentração. Se o Campo era um pedaço do inferno, Padre Kentenich construía, desde o primeiro momento, um pedaço do céu. Fez muitas coisas lá, a começar pela restauração moral dos sacerdotes, mostrando a eles a dignidade que tinham e que o Senhor, ao qual serviam, jamais os abandonou. Seriam eles os faróis para que, tantos quanto possível, pudessem ter suas mentes e almas iluminadas.

Ele era esse Farol

No início, muitos nem deram muita atenção, porque logicamente pensaram: esse discurso não suportará algumas semanas nesse inferno. Logo descobriram que ele seguia firme e que sua paternidade abrasava todos. Organizou o pavilhão, tinham as orações, celebrações, tudo as escondidas. Partilhava até a sua ração (assim era chamada a alimentação) para aqueles que necessitavam mais. Mostrou-lhes que a Mãe de Deus iria se Clarificar, a Mãe de Deus seria a Vencedora. Aliás, a palavra vencedora não lhe saia dos lábios e, tampouco, do coração. Prestem atenção: Ele pregava retiro, em latim, aos sacerdotes naquele pavilhão. Repito: Ele pregava Retiro Espiritual, no meio do pedaço do inferno aqui na Terra. Escreveu o mais lindo documento de Schoenstatt, o Rumo ao Céu, no Campo de Concentração. O Hino da Minha Terra, sua obra predileta, iniciou numa noite em que a Pandemia do Tifo indicava a morte certa naquele Campo. Esse hino “foi escrito na noite mais sombria da prisão”, disse ele.

Nosso “pavilhão” atual

A vivência do Padre Kentenich, no Campo de Concentração, durou praticamente quatro anos. É impossível escrever todas as experiências, nessas poucas linhas, e nem é o sentido do texto. Podemos falar disso em outro momento. O objetivo dessas linhas é fazer um paralelo entre o que ele viveu e a transformação que ele promoveu no Pavilhão 26, versus o momento que estamos vivendo. Não estamos em um Campo de Concentração e não desejo fazer nenhuma comparação, porque experiências de um Campo são inigualáveis e completamente diferentes da nossa situação, pois muitos de nós estamos em nossas casas e, de algum modo, temos acesso a quase tudo. A nossa casa jamais pode ser considerada uma prisão.

Entretanto, essa Pandemia, que trouxe um pânico mundial, está mexendo com as estruturas econômicas do planeta e esse medo pode fazer brotar em nós, algo que normalmente surge nesses momentos de temor e pânico: o nosso instinto animal, o instinto irracional de sobrevivência. O medo e o pânico, diante da possibilidade da morte, faz o homem cometer atrocidades, barbaridades nunca vistas e ele passa a ter um pensamento egoísta. “Não é justo comprometer 99% da população por conta de 1% dos vulneráveis”, dizem muitos. No Irã, nesses dias, tentaram colocar fogo em um hospital que abrigava os contaminados pelo COVID 19. Tudo isso me faz lembrar a passagem em que Caifás, numa reunião no Sinédrio, sentencia: Não é justo que todo o povo pereça. O texto diz assim:

“Entretanto, um dentre eles, chamado Caifás, que naquele ano era o sumo sacerdote, disse a eles: ‘Vós falais do que não compreendeis. Nem considerais que é do vosso interesse que morra um só homem pelo povo, e não pereça toda a nação.’” (Jo 11, 49-50) Assim foi decidida a morte de Jesus.

É possível transformar o “inferno” num pedaço de céu

Voltemos ao Campo de Concentração: O que o Padre José Kentenich nos ensinou naquele Campo? Que não importa o inferno que estejamos vivendo, podemos sempre transformar esse inferno num pedaço do céu aqui na terra: podemos ser sempre um pavilhão 26.

Diante desse turbilhão de opiniões, decisões, decretos e leis, como eu, cristão schoenstattiano, me comporto? Como posso, nesse isolamento em que estamos vivendo, transformar o meu lar, o meu escritório, o meu comércio, a minha família, a minha fábrica, a minha comunidade, no Farol Luminoso do pavilhão 26? Ou seja, ser um luzeiro nessas noites escuras.

Podemos fazer a diferença nessa pandemia. A Mãe de Deus pode irradiar muita luz, por meio de nossos Santuários Lares, do nosso cantinho de oração. Basta que deixamos ser usados, como instrumentos, pela Mãe de Deus. Ela deseja, ainda mais do que antes, ajudar seus filhos.

Ela será a Vencedora

Não entre na onda do mundo, do que pensa um e do que acha o outro. Pense como um cristão, pense como um schoenstattiano. Padre José Kentenich selou uma Aliança de Amor com a Mãe de Deus, no Santuário em Schoenstatt, e nós estamos inseridos nessa Aliança. Ela está cuidando, particularmente, de cada filho seu. Ela será a Vencedora, pois ela é a Rainha três vezes Admirável. Isso não pode sair de nossa mente nem por um instante: o mundo não está desgovernado e jamais estará. Deus sempre o está conduzindo, mas, muitas vezes a tinta de suas linhas, no escrever, é um pouco mais forte.

Nunca vivenciamos tanto a família como Igreja Doméstica

Olha o que essa Pandemia resgatou: a Igreja doméstica. Estava adormecida e estava esquecida. Estava nas literaturas, mas o povo tinha se esquecido disso. Nunca tínhamos vivenciado, na prática, a experiência de ser a Igreja doméstica, onde estamos, hoje, assistindo as Celebrações Eucarísticas, onde estamos rezando como nunca rezamos.

Padre Kentenich passou três Páscoas e três Natais no Campo. Ali foram as suas celebrações. O mesmo não acontecerá conosco nessa Páscoa? Cada família está passando unida a maior Celebração da Igreja, que é a Ressurreição do Senhor. Já passamos o domingo de Ramos e passaremos o Tríduo Pascal: Paixão, Morte e Ressurreição do Senhor! Estaremos reunidos em família, em nossa Igreja doméstica, como os primeiros cristãos celebravam esse momento! Ninguém jamais poderia imaginar.

Como conseguir tamanho equilíbrio durante essa pandemia?

Precisamos mais do que nunca “romper as talhas” com tantas contribuições ao Capital de Graças, que moveremos a Mãe de Deus a Clarificar-se nessas trevas. Cada oração deve ser um brado: Clarifica-te Mãe! Mostra-te Vencedora! Empunha o Cetro, Mãe, protege essa tua Igreja, protege os teus filhos!

Não perca a chance, porque tudo vai passar!

Esse momento, por pior que possa ser, irá passar. Podemos, então, refletir: Como estarei, quando ela acabar? Estarei mais consciente, estarei mais solidário, estarei com valores da nossa vida na ordem de grandeza que realmente deve ocupar? Onde estará esse Deus que tenho tanto clamado? Aliás, o que o bom Deus está nos falando a cada dia? Não perca essa oportunidade única.

Esta é a nossa hora!

Como ocupo esse tempo que me foi dado?  Será muito triste se passarmos essa Pandemia e não termos aprendido nada. Não conte com o mundo. O mundo é que conta com você, como um farol, como um luzeiro na noite escura. Essa é a nossa hora. Por isso, estamos nesse momento da história, para fazer a diferença. Somos schoenstattianos e fomos forjados na guerra, ou seja, nascemos para isso.

Seja Luz nesse momento: você pode!

Você pode até pensar, mas não tenho essa força de ser um farol, sou tão fraco, também estou com muito medo. Eu digo, coragem: lembre-se também que um pequeno farolete e até a luz dos nossos celulares são capazes de romper a escuridão e iluminar uma noite escura. Faça aquilo que está ao seu alcance, porque a fonte dessa Luz não é nossa, vem do Alto. A Mãe de Deus precisa nesse momento de instrumentos, dóceis e que se colocam a disposição. Isso todos nós podemos.

Esses dias estava a maior discussão no grupo de whatsapp do condomínio em que moro e ninguém se entendia. Eu entrei na conversa e escrevi: “Gente, perda de tempo discutir quem está certo, porque como diz um ditado antigo: ‘Em casa que falta o pão, todo mundo grita e ninguém tem razão.’ Nesse momento, muitas casas estão sem pão. Que tal nos unirmos e doarmos alimentos para as famílias necessitadas, do bairro vizinho?” Foi uma onda positiva no grupo: Todo mundo topou! Conseguimos arrecadar 102 cestas básicas e doamos para essas famílias. Agora, os membros do grupo estão dizendo que irão continuar a arrecadar.

Ela impera em nossa terra

Para finalizar relembro um dos escritos prediletos do nosso Pai e Fundador, nas noites escuras de Dachau, em homenagem a ele, por ser um filho heroico, que confiou plenamente na Mãe, Rainha e Vencedora de Schoenstatt e hoje são tão atuais em nossas vidas:

“Conhece a terra tão rica e pura, reflexo da beleza eterna, onde almas nobres e fortes desposam o Cordeiro de Deus; onde olhos brilhantes irradiam calor e mãos bondosas aliviam sofrimentos; onde mãos puras se unem constantemente em oração, para banir os poderes do inferno? Sim, eu conheço esta terra maravilhosa, é o prado de sol no brilho do Tabor, onde nossa Senhora Três Vezes Admirável impera no meio de seus filhos prediletos e retribui fielmente todos os dons de amor, revelando sua glória, sua infinda e rica fecundidade: é minha terra natal, minha terra de Schoenstatt”  (Rumo ao Céu 601).

Fotos: Ir. M. Nilza P. da Silva

Fonte: schoenstatt.org.br

Manual para redes sociais

Pe. Deilton C. de Sousa – A experiência das redes sociais é inerente às novas formas de comunicação. As modernas formas de comunicação contribuem, expansivamente, ao conhecimento de novos modos de vinculação. Hoje, falar de redes sociais é equivalente ao modo de se relacionar, pois elas condicionam o ser humano às modernas formas de relacionalidade, ou seja, de dar-se, comunicar-se, vincular-se. As redes sociais fundamentam, hoje, a transmissão de quem sou, o que penso, o que faço.

Promover a Cultura dos Vínculos

Como todo mecanismo de comunicação, não diferente são as redes sociais, podem levar o ser humano ao isolamento, à debilidade do desenvolvimento dos vínculos interpessoais. No entanto, a cultura midiática, na qual as redes sociais contribuem para o seu desenvolvimento e fortalecimento, realiza um papel fundamental no que significa o mundo dos vínculos, pois “as maiores possibilidades de comunicação traduzir-se-ão em novas oportunidades de encontro e solidariedade entre todos”, ou seja, trata-se de um caminho que significa “sair de si mesmo para se unir aos outros”, “de descobrir e transmitir a ‘mística’ de viver juntos”, nos afirma o Papa Francisco. Neste sentido, no manual das redes sociais se faz imprescindível a promoção da cultura dos vínculos, a promoção do diálogo interpessoal e da evangelização.

Um novo modo de viver em Aliança

Falar em cultura dos vínculos é falar da “cultura da aliança”, que é sinônimo da “cultura do encontro” que, por sua vez, também se concretiza na cultura midiática, nas redes sociais. Numa cultura amplamente digitalizada as redes sociais geram um novo modo de viver em aliança, de abrir-se ao outro e criar novos laços de amizades, pois a “cultura do encontro é cultura da aliança. E isso gera solidariedade…e aliança significa solidariedade. Significa criação de vínculos” . Cabe dizer, então, que as redes sociais criam um novo modo de amar, viver e pensar orgânicos, em base às palavras do Padre José Kentenich. Sendo assim, as redes sociais contribuem para a missão profética de Schoenstatt e da Igreja nos tempos atuais. A juventude tem, então, um rol protagonista nesta missão profética e midiática como cooperadores de Deus na construção do mundo novo, na conformação do mundo em Cristo.

Diante de tudo isso, três pequenas atitudes que não poderiam faltar no manual das redes sociais.

● Primeiro, comunicar a verdade sempre. As redes sociais são um canal privilegiado para a promoção da verdade, ou seja, promovem a comunicação profética da verdade no tempo das fake news. Não separar a verdade da realidade. O amar, viver e pensar orgânicos é “simbólico, centrado, integral”, contra todo individualismo e fragmentação da realidade, ou seja, não separa a ideia da vida.

● Segundo, transmitir o valor das relações comunitárias. As redes sociais favorecem o encontro com os outros, diminui distâncias, desperta o interesse pela vida do próximo, gera solidariedade e generosidade, desperta o intercâmbio de vidas e o respeito à vida. Neste sentido, as redes sociais têm uma estrutura familiar, social, eclesial, de comunhão, que nos permite viver profundamente como membros do mesmo corpo em Cristo (cfr. 1 Cor 12, 12-30).

● Por último, anunciar a fé. Dar testemunho de uma adesão à uma pessoa concreta, Jesus Cristo. As redes sociais fazem despertar em nós a estrutura sacramental que tem a fé, ou seja, este “despertar da fé passa pelo despertar de um novo sentido sacramental na vida do homem e na existência cristã, mostrando como o visível e o material se abrem para o mistério do eterno” . No fundo, as redes sociais são um meio privilegiado de evangelização.

Foto: Geralt – Pixabay

Fonte: schoenstatt.org.br

Pe. Kentenich alerta para um risco de “infecção global”

Pensar mecanicista: a doença mais perigosa que o coronavírus

Karen Bueno / Ir. M. Diná Batista de Souza – Um terço da humanidade está confinada, metade dos estudantes de todo o mundo está com aulas suspensas. Aumenta cada dia mais o número de infectados, no momento em que escrevo, segundo a ONU, já são mais de 700.000 pessoas. Nenhum laboratório conseguiu ainda descobrir uma vacina, capaz de parar o avanço do Covid-19.

Assustador, não é? Chama a atenção pensar que um ser vivo tão pequeno, invisível ao olho nu, possa causar tanto dano. Com essa infecção global, todos estão alarmados e buscam maneiras para prevenir-se da doença, como acentuar as práticas de higienes, ficar em casa, tomar vitaminas, etc.

Pe. Kentenich e os “bacilos da alma”

O Pe. José Kentenich, fundador de Schoenstatt, também conviveu com epidemias e doenças bem próximas dele, especialmente quando estava no campo de concentração. E ele se preocupava com isso? É provável que sim, especialmente porque muitas pessoas próximas e queridas sofriam com certas doenças, mas, além dos cuidados naturais, ele sempre confiava tudo à Mãe de Deus e aos cuidados da Divina Providência.

No entanto, ao longo da vida, o que mais assustava o Pe. Kentenich não era o grande número dos casos de tifo ou de tuberculose, mas sim um “vírus” discreto, uma “doença” preocupante que também atinge a nossa época. Estamos falando do “pensar mecanicista”, uma doença da alma que desfigura a personalidade e destrói a sociedade toda.

 

Pensar mecanicista: quais são os sintomas desta “doença”?

– Abuso da liberdade: Na aldeia global em que vivemos, onde tudo é permitido, é válido e merece ser considerado como a “minha norma” a “minha forma”, o ser humano se vê sufocado por uma atmosfera irreligiosa e acaba afogando ou reprimindo seu anseio de Deus. O abuso da liberdade é real na atualidade? Vejamos um exemplo concreto, quando o excesso de liberdade de um interfere na vida de outros: o álcool responde por 2,8 milhões de mortes anuais no mundo, diz um estudo publicado no periódico médico “The Lancet” [1].

– Perca da capacidade de manter relação interna entre o mundo do além e do aquém, isto é, entre o céu e a terra. “Toda a realidade sobrenatural foi perdida. O homem atual tem atrofiada a sua capacidade de captar e compreender a realidade do mais além” [2]. Com isso o homem perdeu o sentido para os acontecimentos da vida: ele busca vencer as dificuldades sozinho ou somente a partir de uma perspectiva natural. Vemos, por exemplo, que o número de suicídios aumentou em 7% nos últimos seis anos no Brasil [3].

– Incapacidade de grandes decisões sobrenaturais ou, diríamos, para dar o salto na fé e tomar decisões assumindo riscos. Segundo nosso Pai e Fundador, quando se fala demais sobre o assunto é porque na verdade há certa carência neste sentido. Fala-se demais em tomar atitudes, porém há muita falta de compromisso, principalmente de assumir um compromisso para a vida toda, seja para casar-se ou para se consagrar na vida virginal. Um exemplo? Conhece alguém que vai de igreja em igreja, não para em nenhuma, sempre buscando um ‘Deus’ mais adequado para si próprio? Só no Brasil, desde 2010, uma nova organização religiosa surge por hora [4].

– Sentimentalismo imaturo: O coração do homem moderno está atacado por esta mesma atrofia. O homem moderno é um montão de afetos. Onde há sentimento, não amadureceu o afeto pessoal. Os sentimentos não são profundos, não são permanentes, não são calorosos e mudam rapidamente. Isso é fácil de se observar no número de casamentos, que caiu 1,6%, e de divórcios, que aumentou 3,2% entre 2017 e 2018 [5].

 

O tratamento recomendado

 

 

A cura e transformação da nossa vida encontramos na forma e norma da vida de Cristo. E Maria é aquela que forma Cristo em nós e educa-nos para o amor.

 

*Curiosidade: o “Hino da Minha Terra” (Rumo ao Céu, 600) foi escrito pelo Pe. José Kentenich no terrível período da epidemia de tifo no campo de concentração de Dachau, no inverno de 1943, quando centenas de prisioneiros morriam e a insegurança existencial para muitos se tornava insuportável. Na festa da Candelária, em 2 de fevereiro, o Pe. Kentenich compôs as quatro primeiras estrofes, a sexta e o refrão. Ele as dedicou às Irmãs de Maria da Casa de Retiros, em Schoenstatt, cujo ideal era “Prado de Sol”. A quinta estrofe foi escrita mais tarde, em data, que não se pode precisar. O fundador salientou muitas vezes que este cântico luminoso surgiu na mais escura noite de Dachau.

 

Atualizada em 29 de março de 2020, 17 horas

 

Referências:

[1] https://oglobo.globo.com/sociedade/saude/alcool-responde-por-28-milhoes-de-mortes-anuais-no-mundo-nao-ha-niveis-seguros-para-consumo-de-bebidas-diz-estudo-23006013

[2] Arquivo da Comunidade das Irmãs de Maria, 8.9.1950

[3] https://g1.globo.com/ciencia-e-saude/noticia/2019/09/10/na-contramao-da-tendencia-mundial-taxa-de-suicidio-aumenta-7percent-no-brasil-em-seis-anos.ghtml

[4] https://oglobo.globo.com/brasil/desde-2010-uma-nova-organizacao-religiosa-surge-por-hora-21114799

[5] https://noticias.uol.com.br/cotidiano/ultimas-noticias/2019/12/04/numero-de-casamentos-cai-16-e-divorcios-aumentam-32-entre-2017-e-2018.htm

[6] https://g1.globo.com/bemestar/coronavirus/noticia/2020/03/29/ultimas-noticias-de-coronavirus-de-29-de-marco.ghtml

 

Foto: Steve Buissinne, via pixabay.com

Fonte: schoenstatt.org.br

Lançada a ação internacional #CORONAmater

 

Uma grande rede de coroação da Mãe e Rainha no mundo todo!

“Iniciamos hoje uma corrente de coroação da Mãe de Deus em todos os Santuários Lares e em todas as imagens da MTA”, anuncia, em carta, a Coordenação Internacional do Movimento Apostólico de Schoenstatt.

O que é esta ação?

Por meio dela, “queremos ir ao encontro de todos os schoenstattianos e de todas as pessoas que sofrem as consequências do coronavírus no mundo inteiro”.

Assim, “no dia 15 de abril de 2020 nós nos unimos com muita alegria, esperança e confiança para entregar a coroa à MTA, cada um em sua casa, em família”.

Isso porque “cada Santuário Lar é um ponto de luz em nosso mundo. Pelas contribuições ao Capital de Graças, em todos os Santuários Lares, iluminaremos o mundo escuro em que vivemos, especialmente neste tempo do coronavírus”, diz a carta.

Como participar?

“Para isso propomos uma preparação espiritual: oferecer muitíssimas contribuições ao Capital de Graças em nosso Santuário Lar e, ao mesmo tempo, no Santuário Original”.

 

Quais contribuições podemos oferecer?

Cada um pode fazer como desejar e aqui estão algumas sugestões:

Obediência
– Não tocar-me no rosto
– Ao tossir, cubro a boca com o ombro ou cotovelo
– Obedeço com humildade as normas impostas pelo Estado
– Não saio de casa se não for completamente necessário

Vida Familiar e pessoal
– Jogo com as crianças
– Não brigar com outros
– Evitar afrontas como “eu te disse”
– Um ato de generosidade, uma renúncia
– Um sorriso, mesmo que me custe
– Perdoo a alguém
– Faço jejum de algo que gosto: bebida, sobremesa

Apostolado
– Ligo para pessoas que estão sozinhas. Escuto-as, animo-as e, se possível, as ajudo.
– Tempo para conhecer mais o Pe. Kentenich
– Leio um livro de Schoenstatt
– Proponho fazer uma hora de estudo sobre Schoenstatt com minha família, ou com amigos, escalando para cada dia um tema, reunimo-nos via online.

Oração
– Reza do terço em Família
– Rezo e agradeço pelos serviços dos profissionais da saúde e cientistas que buscam a cura
– Não me deixo levar pelo desespero. Digo à Mãe de Deus: “Mãe, sei que tu és Mãe, Rainha e
Vencedora Três Vezes Admirável de Schoenstatt”
– Missa diária por meio das transmissões
– Aprofundo o Evangelho, leio a Bíblia.

 

“Capitalário” online

“Além disso temos uma plataforma na Internet, construída para esta ação, na qual podemos anotar nossas contribuições ao Capital de Graças e escrever nossos pedidos de oração, que serão entregues pessoalmente à Mãe de Deus no Santuário Original”.

A equipe de comunicação internacional vai divulgar todas as ações que já estão acontecendo nos países, sejam transmissões online, estímulos espirituais, fotos e vídeos. Para isso, pede que se utilize o #CORONAmater

Para participar acesse: schoenstatt-int.com

 

Abaixo estão os links de Schoenstatt Internacional:

Facebook
Instagram
Twitter
Youtube: Schoenstatt International 
WhatsApp: +49 152 3610 3024

 

“Unidos espiritualmente no Santuário Original realizamos a cultura da Aliança em nossa situação concreta e contamos com esta corrente espiritual que nos faz viver o COR UNUM IM PATRE nos sentindo unidos e apoiados mutuamente onde quer que estejamos.
Rezamos por todas as intenções colocadas na plataforma #CORONAmater no Santuário Original”, conclui a equipe de comunicação internacional.

 

Fonte: schoenstatt.org.br

Coronavírus: Carta da Presidência Internacional

 

SCHOENSTATT INTERNACIONAL
PRESIDÊNCIA GERAL
Pe. Juan Pablo Catoggio – presidente

A ALIANÇA DE AMOR EM TEMPOS DO CORONAVÍRUS

Querida Família de Schoenstatt,
Estamos atravessando uma grave crise da pandemia do coronavírus. A Europa é, neste momento, o epicentro, embora já tenha afetado toda a gente e todos os governos e instituições tomaram medidas drásticas para travar o possível avanço da epidemia. Na Itália anteriormente, agora também na Alemanha, todas as escolas e universidades foram fechadas. As igrejas suspenderam as missas e toda reunião ou atividade. É uma situação séria, não tanto pela gravidade do vírus – que afeta especialmente pessoas já enfermas ou débeis pela idade, mas não tão gravemente outras pessoas, se detectado a tempo –, mas sim pela expansão acelerada do vírus que leva ao colapso do sistema de saúde, que não está preparado para um fenômeno tão maciço e tão rápido.

É a vez de viver isto em tempo de Quaresma, em tempo de conversão por meio da oração, da penitência, do sacrifício voluntário em forma de jejum ou de outras renúncias. Sobretudo, tempo de oração, tempo de Deus.

Queridos irmãos, gostaria de vos propor que tomemos este tempo como um desafio espiritual em nossa vida de Aliança:

Tempo de oração uns pelos outros e por todo o mundo

1. Muitas atividades são suspensas. Aproveitemos para rezar mais e cultivar a nossa vida interior. Deus se vale de tudo, também das realidades mais duras, para o nosso próprio bem e o bem de todos. O Pe. Kentenich interpretou audazmente a mesma guerra como um grande retiro que Deus pregou à Europa.

Não podemos ver, nesta emergência internacional pela pandemia do Covid-19, que Deus nos convida a um grande “Retiro de Quaresma”? Crescer na entrega, na confiança serena e responsável nos planos do Deus providente, agora temos a oportunidade de fazer bom uso do tempo, quando não podemos realizar atividades externamente. Em todo lado a Igreja oferece serviços religiosos pela internet e nos propõe unirmo-nos espiritualmente (leituras do dia, comunhão espiritual, meditação, Rosário). O mesmo Papa e muitos bispos prepararam várias orações para estes tempos de necessidade. O Santuário Original de Schoenstatt oferece diariamente a celebração da missa em vários idiomas que se pode seguir on-line (www.urheiligtum.de).

A lema de vários países: “fique em casa” – #YoMeQuedoEnCasa# – é um desafio a cultivar mais forte e mais criativamente a vida familiar, o diálogo, o cuidado de nossos entes queridos, o jogo com as nossas crianças, chamar amigos e também a dar nova vida ao nosso Santuário Lar.

Tempo de solidariedade e de proximidade afetiva

2. É também um tempo de solidariedade com aqueles que estão perto e com aqueles que estão longe, especialmente com aqueles que, de uma forma ou de outra, são mais diretamente afetados pelo coronavírus. Aqueles que foram contagiados e muitas pessoas que se expõem e estão ao seu serviço permanentemente. Vamos parar e rezar por eles. Mesmo que estejamos trancados em casa, nada nos impede de rezar, amar e oferecer. Talvez tenhamos mais oportunidades do que nunca. Lembremos que não tem maior “ação apostólica” do que oferecer as nossas contribuições para o Capital de Graças.

Sabemos que a Mãe multiplica e distribui estes dons em seus Santuários (Santuário Original, Santuários Filiais, Santuários Lares) em forma de graças para todos os que precisam delas. Embora devamos guardar distância física, somos chamados à maior proximidade e solidariedade interior. E, naturalmente, onde se solicite a nossa assistência direta para doentes e pessoas diretamente afetadas, como profissionais de saúde ou padres, ou do local de cada um, estejamos totalmente à disposição.

Tempo de confiança: “Cuidem-se, mas sem medo!” (PK)

3. Devemos tomar as medidas que cada governo e cada igreja local decida, com seriedade e responsabilidade. Sem dramatismo, mas com muita seriedade e responsabilidade. O Pe. Kentenich ensinou-nos muitas vezes: “Cuidem-se, mas sem medo!”. A confiança deve ir de mão dada com a inteligência e a prudência. É melhor podermos dizer mais tarde: “Talvez tenha sido um pouco exagerado”, ao invés de lamentarmos: “Se soubesse”. Hoje sabemos, vamos seguir as medidas de segurança. E podemos ajudar muitos a levar a sério estas medidas e prevenir uma maior expansão, ao mesmo tempo, podemos acompanhar e ajudar muitos a manter a serenidade e a calma. Também este é um apostolado neste momento.

Nestes dias celebramos o nosso Dia da Aliança, depois a Festa de São José e um pouco mais tarde a Festa da Anunciação. Temos várias oportunidades de estar unidos na oração. A Igreja propõe, em diversos lugares, outras possibilidades. Vamos aproveitá-las.

Rezamos com o Pe. Kentenich à nossa Mãe: “Como teu Filho, quando ainda estava aqui na terra, saciava a fome, consolava e curava os doentes, passa silenciosamente, com Ele, em nosso meio, abençoando e concedendo-nos a onipotência de teu braço maternal” (Rumo ao Céu, 507).

Queridos irmãs e irmãos na Aliança, esta é a paixão de Jesus que nos toca acompanhar particularmente este ano. Como Maria os acompanhamos ao pé da cruz.

Em nome da Presidência Internacional da Obra de Schoenstatt,

Pe. Juan Pablo Catoggio
Schoenstatt, 16 de março de 2020

 

Presidência Internacional da Obra de Schoenstatt

A ‘fantasia’ que não pode faltar no Carnaval

Karen Bueno – Falar de Carnaval é falar de alegria. Para quem gosta de sair às ruas e festejar, ou mesmo para aqueles que preferem ficar em casa e aproveitar o dia no sofá, a data que antecede a quaresma é tempo de se preparar, de forma sadia e alegre, para o período de recolhimento e oração que vem em seguida. Uma peça fundamental da vida cristã, seja nessa época ou em outras tantas, é a alegria. O Papa Francisco afirma que não existe cristão autêntico com “cara de pimenta com vinagre, daqueles que não tem a vida bonita”, pois o homem feliz é aquele que se sente seguro de que Jesus está com ele (homilia matutina, 10.05.2013).

No momento da fundação do Movimento Apostólico de Schoenstatt, na Aliança de Amor original, o Pe. José Kentenich revela o espírito que os acompanhava durante a conferência: “Hoje também nós saboreamos semelhante alegria familiar” (Doc. de Fundação). Viver em Aliança é também viver uma vida repleta de alegria e, como a Mãe de Deus, cantar ao mundo: “Meu espírito exulta de alegria”.

O Pai e Fundador sempre apontava que ser feliz é condição essencial para ser santo e vice versa: “A alegria é uma manifestação essencial de uma profunda aspiração à vida de santidade. A alegria é um meio eficaz para fazer frutificar essa vida e aspiração à santidade” (Viver com alegria).

Em suas conferências marianas, Pe. Kentenich gostava de recordar um dos títulos que a Igreja confere à Mãe de Deus: Mater sanctae laetitiae (Mãe da Santa Alegria). Muitos testemunhos contam sobre o bom humor e autêntica alegria filial que o Pai e Fundador irradiava. Para ele, ser santo era quase que sinônimo de ser alegre. “Ele recordava frequentemente que não devemos esquecer o ‘sorrir divino’ e o fato de que o Pai Eterno é um Deus da perene alegria. Como seu transparente, Pe. Kentenich sabia unir sempre certa alegria e cálida cordialidade a uma grande seriedade”. (Como nós o conhecemos)

Ser um vivo ‘Tabor’ é viver a alegria

Na perspectiva do ideal nacional brasileiro, o ideal Tabor, recordam-se as palavras do Fundador: “Alegria é a atmosfera das virtudes heroicas” (A Riqueza do Ser Puro). Logo, ela é uma característica do filho heroico, do filho Tabor.

Certa vez, falando a um grupo de sacerdotes, disse que “nosso dever moral consiste em educar a nós mesmos e aos outros para a alegria”. Para os filhos heroicos do Brasil Tabor, há também essa missão de viver a quarta estrofe do Hino da Minha Terra, de criar uma autêntica “terra impregnada de alegria, porque nela o sol não conhece ocaso; […] onde a vara mágica do amor logo transforma toda a tristeza em alegria”.

A felicidade é peregrina

Quem descobre essa verdadeira alegria, fundamentada na consciência de ser amado pelo Pai, tem também uma missão. O Papa diz: “Podemos engarrafar a felicidade para termos ela sempre conosco? Não! Porque quando queremos ter esta felicidade só para nós, nosso coração fica ‘emburrado’ e nosso rosto não transmite felicidade, mas só melancolia, o que não é saudável. A felicidade não pode ficar parada, deve caminhar”.

O Pai e Fundador indica: “A pessoa tomada de alegria tem em seu bolso a chave do coração do homem. Tal pessoa tem a varinha mágica viva que descobre e faz fluir a fonte misteriosa e profunda na alma de seu semelhante. Não atua só pelo seu ser, mas também por sua palavra e por seu falar e agir”.

Devo ‘atacar’ com vontade

Assim recomenda o Pe. Kentenich: “Onde eu puder semear alegrias através do modo como eu me dou, onde eu puder espalhar um pouco os raios de sol através de minha palavra, através de minha vida, devo ‘atacar’ com vontade porque é um grande feito o que eu fizer”. Ele dá, então, algumas dicas para fugir da tristeza:

– Se a tristeza tiver causas palpáveis, corporais, físicas, psíquicas, procurarei eliminá-las (buscar a raiz do que me entristece e procurar uma solução).

– Nos lembramos, com grande alegria, da receita de São Tiago: “Se alguém está triste, reze!” A oração é o grande meio para vencer a tristeza. Desta forma atingimos a fonte última, a vara mágica do amor, ou seja, a profundidade da oração como expressão da intimidade com Deus.

– Precisamos retirar dos pensamentos tristes, que nos assediam, uma força propulsora que nos desperte. Como fazemos isso? De vez em quando falar com uma pessoa capacitada, que nos compreenda e nos oriente, talvez ter um confessor fixo a quem tudo podemos confiar. Ou podemos confiar ao papel a nossa dor [escrever sobre ela].

– Esforçando-nos para fazer algum trabalho e nos distraindo, agindo de maneira criadora [não ficar parado].

– Transformar os males em bem! Caso contrário, nunca teremos uma alegria duradoura.
Ex: Fui caluniado ou sinto-me oprimido, fui destituído injustamente de meu cargo. Que atitude tomar disso? Quero me tornar independente da opinião das pessoas, quero ser uma personalidade firme, completa em si, me autoeducar para isso.

 

Referências:

A Riqueza do Ser Puro. Pe. José Kentenich, 2001, 3ª edição.

Padre José Kentenich – Como nós o conhecemos. Ir. M. Anette Nailis, 2011, 3ª edição.

Viver com Alegria – Vol 1. Pe. José Kentenich.

Fotos: Cleiton Correa

Fonte: schoenstatt.org.br